Dirigido por
Duração
O filme investiga o mundo da magistratura indiana. O cadáver de um homem que trabalha nos esgotos é encontrado em um bueiro de Mumbai. Um cantor folk é chamado para depor no tribunal por favorecimento ao suicídio. Ele é acusado de tocar uma música que levou o trabalhador a cometer o gesto de loucura. Como se desenvolve o processo e a vida pessoal dos advogados e do juiz envolvido é o que interessa ao olhar deste jovem diretor indiano. Prêmio de Melhor Filme da Mostra Horizontes e Prêmio de Melhor Filme de Diretor Estreante, no Festival de Veneza 2014
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Destaco a cena do tribunal sendo fechado para início das férias, a porta se fechando e a sala de audiência ficando em trevas.
Não cumpriu tudo o que prometia: faltou mostrar a vida pessoal do juiz (não que isso me interessasse) e mostrou demais a do advogado de defesa, até mesmo sua ida a um bar onde Carinhoso (de Pixinguinha e João de Barro) é cantado parcialmente por alguém em português mesmo. Mas como denúncia o filme é importante: nos países subdesenvolvidos (incluindo Brasil nisso aí) a justiça é feita nas coxas e a liberdade de expressão não é lá muito livre. Imagine então o judiciário na China e na Rússia, outros dois países do BRICS, duas ditaduras. SOS!
Interessantíssimo filme indiano dirigido por Chaitanya Tamhane (então com seus 26 anos). Vencedor de importantes prêmios nos festivais de cinema de Veneza e Mumbai.
O diretor abusa de planos abertos, fixos e muitas vezes longos (lembrando um pouco "As Estações de Maria") e em poucas cenas a câmera se moverá lentamente acompanhando alguma movimentação, é como se um observador oculto estivesse observando-os. Isso dá ao filme uma perspectiva interessante, que endossa seu realismo e que se torna um recurso conveniente ao estudarmos o cotidiano dos personagens dentro e fora do trabalho, ajudando a construí-los e a compreender a trama.
Os personagens são o maior mérito de Court. Bem construídos e com motivações próprias. Vira Sathidar como o cantor acusado, Vivek Gomber como seu advogado e Geetanjali Kulkarni como a promotora pública estão maravilhosos e possuem muita presença. Até os coadjuvantes e figurantes cooperam para legitimação da naturalidade do filme, os planos de ambientação permitem que até a figuração seja melhor trabalhada. Outro de seus méritos é não soar didático, ao ponto dos diálogos quase banais se tornarem muito importantes para a compreensão da trama e das personagens.
Por fim, Tamhane mostrou muita competência em escrever e dirigir um filme tão angustiante, cru (sequer possui trilha sonora), naturalista e bem conduzido com tão pouca idade. O que pode pesar é justamente seu ritmo, apesar de não chegar a 2 horas, pode se tornar enfadonho para quem gosta de mais “movimento”. No entanto, vale a pena ser apreciado, pois abre a possibilidade de compararmos a burocracia jurídica indiana com a nossa própria.
Roteiro interessante, um pouco lento, mas competente em mostrar o sistema judicial indiano. vale a pena ver.
A história é muito boa. Sedimenta uma crítica e uma exposição do que é a Índia. Só achei os planos prolongados demais, o que, às vezes, pode cansar um pouco - mas em contrapartida, torna-os contemplativos e bonitos.