Após uma tragédia prejudicar o seu casamento, uma mulher entra em uma batalha territorial com um estorninho preto de tamanho considerável que construiu um ninho em seu jardim.
Não curti. A introdução do pássaro foi um tanto infantil demais levando em conta o tema delicado de traumas após uma perda. A atriz é bem talentosa, o tema é legal, mas é monótono e infantil em algumas cenas.
Não sei porque não gosto das atuações da Melissa, a protagonista, mas pelo trailer e a sinopse parece ser um bom filme. Talvez um dia eu vença o ranço dela e assista. Por enquanto passo, onde tem ela eu pulo.
A sinopse acima praticamente dá a entender que se trata de uma comédia, mas não se deixem enganar por ela. O que temos aqui é, na verdade, um drama familiar - com leves toques cômicos, como a própria vida - centrado numa história de perda e superação.
"Um Ninho para Dois" (título muito apropriado, aliás) conta a história de um casal que precisa lidar com a morte da sua filha ainda bebê para seguir em frente. Enquanto Jack (Chris O'Dowd) está internado numa clínica psiquiátrica para tratar desta questão, sua esposa, Lily (Melissa McCarthy), a princípio parece já ter seguido adiante sem maiores sequelas. Mas é o estorninho que vai fazer com que ela repense tudo aquilo que deixou guardado a sete chaves.
Embora literal neste caso, o estorninho é muito mais uma abstração. Algo que, a princípio, parece um obstáculo que trabalha para nos interromper e prejudicar, mas que se revela essencial para nossa jornada de crescimento. De superação. De aceitação.
Até porque, na vida, nada jamais será fácil. Nesta situação em específico, então, pode-se muito bem dizer - mesmo jamais tendo estado na pele dos personagens, graças a Deus - que certamente se trata de uma das dores mais difíceis de superar para qualquer ser humano. Mas é preciso sempre ter em mente que precisamos tirar o melhor proveito possível de tudo, especialmente daquilo que é irremediável e imutável. Se o copo parece estar meio vazio, cabe apenas a nós passarmos a entender que ele está sempre - e definitivamente - meio cheio.
Temos aqui todos os ingredientes que fazem um filme muito tocante. O ritmo é leve e sensível, sem grandes sobressaltos. Os atores, muito mais conhecidos por seus trabalhos de comédia, entregam performances emocionantes quando precisam mostrar seu lado drmático. E a história definitivamente já foi contada antes, mas nem por isso apela para o sentimentaloide ou o clichê. O cineasta, Theodore Melfi, afinal, já dirigiu o brilhante "Estrelas Além do Tempo" (2016), que mostra a sua aptidão para lidar com grandes dramas de forma sutil e delicada.
O que prejudica a obra, entretanto, é a falta de maior desenvolvimento entre o antes e o depois. Vemos muito pouco do "antes" com alguns flashbacks, mas fica um pouco difícil entender os protagonistas com mais completude. Parece até uma falta de interesse do roteiro de tentar nos deixar ainda mais investidos no relacionamento deles e na forma como o que eles já viveram gera a história que se desenrola na tela.
O filme sofre um pouco também da famigerada "síndrome do Netflix". Acaba tendo imagens parecidas com a de outras produções, tem alguns atores de outros trabalhos da plataforma (como Timothy Olyphant e Skyler Gisondo, ambos de "Santa Clarita Diet", aqui em papéis menores) e, talvez até por ser produzido para a Netflix, tenta ser um pouco raso numa história que poderia ser mais profunda para agradar a mais públicos.
Mas nem por isso deixa de ser emocionante. Como um estorninho aleatório que surge numa revoada em temporada de acasalamento que não deixa a nossa heroína em paz para seguir sua vida sem refletir sobre o que de fato precisa, "Um Ninho para Dois" talvez tenha o mesmo poder para nos fazer pensar sobre aquilo que realmente precisamos. Mesmo que às vezes nem estejamos nos dando conta disto.
Um estoria simples que parece um conto do cotidiano mas que vai nos envolvendo aos poucos e quando vc percebe já foi fisgado pela trama recheada de lições para toda vida. Bom filme!
Não curti. A introdução do pássaro foi um tanto infantil demais levando em conta o tema delicado de traumas após uma perda. A atriz é bem talentosa, o tema é legal, mas é monótono e infantil em algumas cenas.
Não sei porque não gosto das atuações da Melissa, a protagonista, mas pelo trailer e a sinopse parece ser um bom filme. Talvez um dia eu vença o ranço dela e assista. Por enquanto passo, onde tem ela eu pulo.
A sinopse acima praticamente dá a entender que se trata de uma comédia, mas não se deixem enganar por ela. O que temos aqui é, na verdade, um drama familiar - com leves toques cômicos, como a própria vida - centrado numa história de perda e superação.
"Um Ninho para Dois" (título muito apropriado, aliás) conta a história de um casal que precisa lidar com a morte da sua filha ainda bebê para seguir em frente. Enquanto Jack (Chris O'Dowd) está internado numa clínica psiquiátrica para tratar desta questão, sua esposa, Lily (Melissa McCarthy), a princípio parece já ter seguido adiante sem maiores sequelas. Mas é o estorninho que vai fazer com que ela repense tudo aquilo que deixou guardado a sete chaves.
Embora literal neste caso, o estorninho é muito mais uma abstração. Algo que, a princípio, parece um obstáculo que trabalha para nos interromper e prejudicar, mas que se revela essencial para nossa jornada de crescimento. De superação. De aceitação.
Até porque, na vida, nada jamais será fácil. Nesta situação em específico, então, pode-se muito bem dizer - mesmo jamais tendo estado na pele dos personagens, graças a Deus - que certamente se trata de uma das dores mais difíceis de superar para qualquer ser humano. Mas é preciso sempre ter em mente que precisamos tirar o melhor proveito possível de tudo, especialmente daquilo que é irremediável e imutável. Se o copo parece estar meio vazio, cabe apenas a nós passarmos a entender que ele está sempre - e definitivamente - meio cheio.
Temos aqui todos os ingredientes que fazem um filme muito tocante. O ritmo é leve e sensível, sem grandes sobressaltos. Os atores, muito mais conhecidos por seus trabalhos de comédia, entregam performances emocionantes quando precisam mostrar seu lado drmático. E a história definitivamente já foi contada antes, mas nem por isso apela para o sentimentaloide ou o clichê. O cineasta, Theodore Melfi, afinal, já dirigiu o brilhante "Estrelas Além do Tempo" (2016), que mostra a sua aptidão para lidar com grandes dramas de forma sutil e delicada.
O que prejudica a obra, entretanto, é a falta de maior desenvolvimento entre o antes e o depois. Vemos muito pouco do "antes" com alguns flashbacks, mas fica um pouco difícil entender os protagonistas com mais completude. Parece até uma falta de interesse do roteiro de tentar nos deixar ainda mais investidos no relacionamento deles e na forma como o que eles já viveram gera a história que se desenrola na tela.
O filme sofre um pouco também da famigerada "síndrome do Netflix". Acaba tendo imagens parecidas com a de outras produções, tem alguns atores de outros trabalhos da plataforma (como Timothy Olyphant e Skyler Gisondo, ambos de "Santa Clarita Diet", aqui em papéis menores) e, talvez até por ser produzido para a Netflix, tenta ser um pouco raso numa história que poderia ser mais profunda para agradar a mais públicos.
Mas nem por isso deixa de ser emocionante. Como um estorninho aleatório que surge numa revoada em temporada de acasalamento que não deixa a nossa heroína em paz para seguir sua vida sem refletir sobre o que de fato precisa, "Um Ninho para Dois" talvez tenha o mesmo poder para nos fazer pensar sobre aquilo que realmente precisamos. Mesmo que às vezes nem estejamos nos dando conta disto.
Um estoria simples que parece um conto do cotidiano mas que vai nos envolvendo aos poucos e quando vc percebe já foi fisgado pela trama recheada de lições para toda vida. Bom filme!
Que filme bonito.