Rogue One não é um fã service: é um dever de qualquer fã sincero do universo Star Wars. Diferente do que se poderia pensar das empresas charlatãs de produção de filmes que - unicamente - se aproveitam do renome da franquia para lançar títulos colaterais que gravitam ao redor da história principal, isso não é - definitivamente - o que acontece em Rogue One. Inicialmente, é possível dizer que o elenco foi muito bem escolhido e a interpretação dos personagens principais tem traços característicos que impedem o expectador de taxá-los de genéricos ou desnecessários. Todos tem seus momentos de expressão mais clara na trama. Os personagens que se demonstram deslocados são reunidos por razões diversas e um ideal convincente e sincero, de modo que mesmo o expectador compreende e deseja aderir à causa. Os efeitos visuais são fantásticos. Desde as cenas panorâmicas do alto, aos detalhes dos disparos de laser. As raças alienígenas - em sua grande maioria - foram criadas com efeitos especiais e material orgânico, gerando uma verossimilhança visual não menos fiel do que aquelas já conhecidas da trilogia original - em que pese o foco desta película se destacar aos humanóides. As cenas de batalhas entre Tie-Fighters, X-Wings, stormtroopers, troopers da morte e rebeldes são impecáveis e - provavelmente - as melhores e mais dinâmicas cenas de toda a franquia Star Wars. O ritmo é frenético e contagiante. Talvez o principal mérito do filme é mostrar um contraponto do ponto de vista Jedi visto na antologia clássica, trazendo personagens humanoides em cuja Força interfere de modo mais sutil. A trama tem uma visão mais militar e estratégica dos fatos que antecederam "Uma Nova Esperança" sem perder toda a beleza típica da saga.
A partir daqui falarei dos principais problemas que encontrei no filme e que me impediram de dar nota 5 a ele:
1) Partes dos trailers oficiais foram suprimidas da edição final do filme, dentre elas o "sinal de alerta" que ridicularizaram na internet e a frase emblemática de Jyn Erso sobre "rebelar-se". 2) A primeira parte do filme aponta imagens panorâmicas soberbas de diversos planetas onde se passarão episódios específicos dos personagens, porém não cita o planeja em que Darth Vader foi desmembrado e em que "vive" na trama; 3) O vilão e os principais encontram-se duas vezes em locais fundamentais por "mera coincidência" na falta de uma motivação mais clara; 4) As legendas foram pouco verossímeis às clássicas, onde se fala "Tie- Fighter" a legenda traduz "caça", onde se fala "stormtrooper" a legenda reproduz "soldado" e assim por diante; 5) A morte do pai de Galen Erso é uma cena fraca, apelo sentimental sem vida e muito superficial - mais fácil se emocionar com a morte de K-2SO; 6) O vilão do filme é inexpressivo, fraco e sem qualquer empatia. Mesmo com Kylo Ren ou Supremo Líder Snoke, o expectador tem - no mínimo - algum respeito. Você - certamente - não sentirá isso por Orson Krennic. 7) O único personagem cego da trama usa uma arma de fogo para derrubar um Tie-Fighter de uma maneira completamente improvável e desnecessária. 8) Os alívios cômicos são fracos e pouco envolventes.
[spoiler]
Aqui vão bons aspectos do filme do meu ponto de vista:
1) Trilha sonora fiel à original e muito envolvente; 2) Apresenta um lado dos rebeldes mais obscuro e humano, sob um aspecto estratégico de uma guerra e não como "os libertadores puros da galáxia"; 3) Todos os personagens das sagas anteriores são inseridos no filme em caráter pontual e com efeitos visuais dignos (para a tecnologia atual), porém extremamente relevante para toda a história que tem algum papel relevante; 4) Darth Vader literalmente ROUBA as cenas que aparece com uma fidelidade impressionante em relação às vistas na trilogia original. Literalmente, o filme se pagaria penas com duas aparições dele. Mas vai bem além disso. 5) Os personagens não são apenas "preto-e-branco", mas possuem perspectivas complexas e até inesperadas em alguns momentos do filme. Isso gera uma personalidade mais complexa das personagens. 6) A coragem do diretor de fazer um final que foge à regra dos filmes da saga foi fundamental para a maturidade do filme e dá um passo à frente dos filmes anteriores; 7) Os diálogos são - em regra - relevantes para a trama e tem implicação direta nas ações e sequências dos fatos; 8) Todas as lacunas dos filmes da trilogia clássica são resolvidos com racionalidade nesta película. Assim, antes de criticar "a falha estrutural da Estrela da Morte" ou "porque mandar a Princesa Leia para enviar a mensagem a Obi-Wan" e outros "problemas" pontuais da saga clássica, você tem o DEVER de assistir a esse filme para entender cara uma dessas sutilezas.
Animais Fantásticos é um filme com efeitos visuais soberbos, um personagem principal deslocado e curioso, uma trama com diversos pontos de vista sobre problemas de uma sociedade mágica imersa no mundo dos trouxas (ou não-magi) muito antes da saga de Harry Potter. O filme foca em indivíduos adultos (bruxos em sua essência) com problemas das mais diversas ordens e - no decorrer da história - encontram um jeito coeso de entrelaçarem seus caminhos. O que parece uma série confusa e desconexa de acontecimentos acaba encontrando uma cronologia clara e tomando um rumo muito claro. Eddie Redmayne está muto confortável ao interpretar um personagem desconfortável entre pessoas, mas fascinado pelo mundo dos animais mágicos. Introvertido e enigmático, Newt Scamander é um personagem que cativa por ser diferente dos heróis convencionais. Popertina Goldstein tem seus próprios dilemas (principalmente profissionais), porém não convence e, eventualmente, parece apagada na trama. Destaque para Queenie Goldstein que se mostra muito verossímil e bem mais densa do que é inicialmente apresentada, impressionando quem espera muito pouco dela. Inicialmente descomprometida com problemas maiores, acaba se tornando mais que uma simples aliada. Jacob Kowalski não é apenas um alívio cômico trouxa (com piadas pontuais e que fazem o expectador realmente "respirar"), mas também mostra um lado emocional mais expressivo do filme. Percebi que, enquanto os bruxos parecem "distante" ou até um pouco "frios", esse personagem humano é expressivo. Sorri, fica triste, decepciona-se e se apaixona. Ezra Muller e todos os personagens deste núcleo do filme são igualmente tensos e passam uma sensação de perigo gritante. Não há dúvidas de que a película se propõe como uma introdução a toda uma nova saga com suas próprias discussões e implicações (muito diferentes de Harry Potter e bem mais maduras e universais). Diversos elementos são superficialmente apresentados e - sem dúvidas - serão aprofundados em filmes posteriores. Isso não impede, contudo, que o filme amarre todas as discussões que foram iniciadas lá no início, apresentando começo, meio e fim bem estabelecidos. Para os fãs do universo Harry Potter, assistir o filme é um dever. Para os que não curtem ficção mágica, um belo convite ao mundo da magia sob uma perspectiva amadurecido.
Fazer um filme sobre um tema existencial complexo (linguagem, tempo, espaço e controle do futuro), mesclar à discussão da existência de vida fora da terra e tensão internacional com possível guerra não é um trabalho simples. Diante da gama de assuntos complexos, A Chegada é um oásis entre os muitos filmes de ficção de trata sobre tudo isso com sobriedade e profundidade sem se tornar complexo ou pouco digerível para os expectadores. A interpretação de Amy Adams é o lastro principal do filme. Todo o drama anteriormente tratado é carregado com maestria pela atriz que demonstra curiosidade, preocupação, tensão e alguns momentos sinceros de felicidade e alívio, dando uma riqueza singular à personagem. Infelizmente o mesmo não acontece com Jeremy Renner, que interpreta um papel genérico que se demonstra realmente determinante em pontos específicos. Forest Whitaker é o militar que está entre a pressão dos seus superiores de respostas rápidas para problemas e a confiança no trabalho da linguista, apresentando um equilíbrio e expressão muito claros em suas expressões. Denis Villeneuve, confirmando a fama que já lhe é digna, apresenta uma pluralidade para dirigir temas diversos com muita propriedade e ritmo empolgante. Mesmo para os que não se agradam de filmes de ficção, este é - sem dúvidas - um dos melhores filmes de 2016. Certamente não se arrependerá de ver alguns ET's para - no fundo - lidar com uma discussão muito mais empolgante que uma simples "invasão" extraterrestre.
O que significa a arte de atuar? A resposta é dada durante todo o filme “Birdman”. Não em ser ator, mas também em ser diretor e, principalmente, como lidar com dilemas durante o processo de pré-produção e desenvolvimento dos personagens. Mais do que isso, o filme se torna uma epopeia para a construção de uma peça teatral que mescla a sombra do passado do diretor-ator principal, da sua filha viciada e de um perfeito cretino (Edward Norton) que faz questão de “viver o papel ao extremo”, dando pitacos sobre supostos problemas na produção teatral e tomando atitudes que desrespeitam outros personagens. É, simplesmente, incrível. Não bastasse isso, o filme conta com uma trilha sonora original de jazz solo de bateria que segue um ritmo frenético entre os momentos de lucidez e de esquizofrenia de Michael Keaton. Orgânico ao extremo. Se você esperava que Emma Stone viveria apenas mais “um papel de segundo plano”, errou feio. Esta é, de longe, a melhor atuação da atriz norte-americana. Suas reações são naturais, expressivas e, em muitos momentos, viscerais. Por outro lado, não é por menos que Michael Keaton tenha ganhado prêmios com o papel. A trama mostra que ele consegue viver a metalinguagem do Homem Pássaro, viver um pai separado e um diretor-produtor querendo ter seu último momento de glória. Se o objetivo era explorar humor, drama e reflexão, nenhum outro ator poderia ter feito melhor. Enquanto isso, não se pode esquecer o plano de fundo: Iñarritu. O diretor espanhol conseguiu captar cada os momentos dos artistas de um modo espontâneo. Simplesmente não aparenta que os atores estavam “atuando”, mas realmente vivendo os momentos, como se se identificassem com os problemas das personagens. Além disso, o ritmo de desenvolvimento da trama cativa e chama atenção. Se em alguns momentos você prende a respiração para ver qual o resultado dos atos loucos de Norton, em outros você suspira ao observar as ações de Keaton. E há mais... O filme envolve, acima de tudo, crítica. Crítica à concepção de arte, crítica à ideia do que é valorizado pelo mercado cinematográfico e teatral, crítica aos critérios e estereótipos dos críticos de teatro e, principalmente, crítica aos “bons atores”. E a pergunta final: que preço um ator deve estar disposto a pagar para alcançar aquilo que realmente quer.
O filme é excelente. A maior prova de que pouco orçamento e boas ideias podem fazer a diferença. A mistura de um local ermo, casa abandonada no meio do nada, uma moça jovem e muita escuridão podem ser suficientes para prender sua atenção e fazer o telespectador ficar tenso e atônito. Claustrofobia é uma sensação permanente no filme aliada a uma onda de perseguição e de constante observação por alguém invisível. Só no último segundo do filme se pode falar em expirar.
A palavra palavra de ordem da película é sinestesia. Ao mesmo tempo em que o telespectador aproveitará panoramas obscuros e belos, se deleitará com uma trilha sonora original e fundamental para ligar a memória visual a Detroit, Cairo, ou até mesmo aos personagens. Enquanto você assiste, irá confrontar diversas sensações em cada cena. Inicialmente, os personagens se demonstram atípicos e um pouco distantes. O seu charme não está em uma beleza deflagrada, voz marcantes ou frases de efeito e sim em sutilezas como o gosto inarredável pela música (Tom) ou pela literatura (Tilda). Como lidar com a imortalidade é o principal dilema de Adam (Tom) e a solidão é sua fonte de inspiração, ao mesmo tempo que é eu calvário que o faz recorrer a Eve (Tilda). O amor deles se renova ainda que distantes. A conclusão que se pode chegar é que se trata de um filme belo e desafiador, pois convida quem assiste a ver uma nova perspectiva cinematográfica. Sem grandes explosões, efeitos especiais, mas com atuações impecáveis, o filme atrai pelas sutilezas que se aproxima do cinema europeu, retratando o cotidiano de vampiros que procuram apenas uma coisa: viver desapercebidamente entre os humanos.
Talvez o filme de romance mais desafiador que já tenha assistido. Apaixonar-se por um programa e desafiar os paradigmas de uma época sobre o conceito do que é apaixonar-se e amar, daquilo que realmente se busca em um relacionamento e daquilo que não se quer ter. Se gostar de alguém é se apegar à matéria ou carne, ou a ideias e sonhos em comum. Não bastasse um complexo (e dramático) panorama, a atuação de Joaquim Phoenix está impecável e a voz de Scarlet Johansson extremamente expressiva. Se você busca uma película que procure transpor barreiras morais sobre o sentimentos de amor e paixão, Her é o filme certo.
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Rogue One: Uma História Star Wars
4.2 1,8K Assista AgoraRogue One não é um fã service: é um dever de qualquer fã sincero do universo Star Wars.
Diferente do que se poderia pensar das empresas charlatãs de produção de filmes que - unicamente - se aproveitam do renome da franquia para lançar títulos colaterais que gravitam ao redor da história principal, isso não é - definitivamente - o que acontece em Rogue One.
Inicialmente, é possível dizer que o elenco foi muito bem escolhido e a interpretação dos personagens principais tem traços característicos que impedem o expectador de taxá-los de genéricos ou desnecessários. Todos tem seus momentos de expressão mais clara na trama. Os personagens que se demonstram deslocados são reunidos por razões diversas e um ideal convincente e sincero, de modo que mesmo o expectador compreende e deseja aderir à causa.
Os efeitos visuais são fantásticos. Desde as cenas panorâmicas do alto, aos detalhes dos disparos de laser. As raças alienígenas - em sua grande maioria - foram criadas com efeitos especiais e material orgânico, gerando uma verossimilhança visual não menos fiel do que aquelas já conhecidas da trilogia original - em que pese o foco desta película se destacar aos humanóides.
As cenas de batalhas entre Tie-Fighters, X-Wings, stormtroopers, troopers da morte e rebeldes são impecáveis e - provavelmente - as melhores e mais dinâmicas cenas de toda a franquia Star Wars. O ritmo é frenético e contagiante.
Talvez o principal mérito do filme é mostrar um contraponto do ponto de vista Jedi visto na antologia clássica, trazendo personagens humanoides em cuja Força interfere de modo mais sutil. A trama tem uma visão mais militar e estratégica dos fatos que antecederam "Uma Nova Esperança" sem perder toda a beleza típica da saga.
A partir daqui falarei dos principais problemas que encontrei no filme e que me impediram de dar nota 5 a ele:
[/spoiler]
1) Partes dos trailers oficiais foram suprimidas da edição final do filme, dentre elas o "sinal de alerta" que ridicularizaram na internet e a frase emblemática de Jyn Erso sobre "rebelar-se".
2) A primeira parte do filme aponta imagens panorâmicas soberbas de diversos planetas onde se passarão episódios específicos dos personagens, porém não cita o planeja em que Darth Vader foi desmembrado e em que "vive" na trama;
3) O vilão e os principais encontram-se duas vezes em locais fundamentais por "mera coincidência" na falta de uma motivação mais clara;
4) As legendas foram pouco verossímeis às clássicas, onde se fala "Tie- Fighter" a legenda traduz "caça", onde se fala "stormtrooper" a legenda reproduz "soldado" e assim por diante;
5) A morte do pai de Galen Erso é uma cena fraca, apelo sentimental sem vida e muito superficial - mais fácil se emocionar com a morte de K-2SO;
6) O vilão do filme é inexpressivo, fraco e sem qualquer empatia. Mesmo com Kylo Ren ou Supremo Líder Snoke, o expectador tem - no mínimo - algum respeito. Você - certamente - não sentirá isso por Orson Krennic.
7) O único personagem cego da trama usa uma arma de fogo para derrubar um Tie-Fighter de uma maneira completamente improvável e desnecessária.
8) Os alívios cômicos são fracos e pouco envolventes.
[spoiler]
Aqui vão bons aspectos do filme do meu ponto de vista:
1) Trilha sonora fiel à original e muito envolvente;
2) Apresenta um lado dos rebeldes mais obscuro e humano, sob um aspecto estratégico de uma guerra e não como "os libertadores puros da galáxia";
3) Todos os personagens das sagas anteriores são inseridos no filme em caráter pontual e com efeitos visuais dignos (para a tecnologia atual), porém extremamente relevante para toda a história que tem algum papel relevante;
4) Darth Vader literalmente ROUBA as cenas que aparece com uma fidelidade impressionante em relação às vistas na trilogia original. Literalmente, o filme se pagaria penas com duas aparições dele. Mas vai bem além disso.
5) Os personagens não são apenas "preto-e-branco", mas possuem perspectivas complexas e até inesperadas em alguns momentos do filme. Isso gera uma personalidade mais complexa das personagens.
6) A coragem do diretor de fazer um final que foge à regra dos filmes da saga foi fundamental para a maturidade do filme e dá um passo à frente dos filmes anteriores;
7) Os diálogos são - em regra - relevantes para a trama e tem implicação direta nas ações e sequências dos fatos;
8) Todas as lacunas dos filmes da trilogia clássica são resolvidos com racionalidade nesta película. Assim, antes de criticar "a falha estrutural da Estrela da Morte" ou "porque mandar a Princesa Leia para enviar a mensagem a Obi-Wan" e outros "problemas" pontuais da saga clássica, você tem o DEVER de assistir a esse filme para entender cara uma dessas sutilezas.
Animais Fantásticos e Onde Habitam
4.0 2,2K Assista AgoraAnimais Fantásticos é um filme com efeitos visuais soberbos, um personagem principal deslocado e curioso, uma trama com diversos pontos de vista sobre problemas de uma sociedade mágica imersa no mundo dos trouxas (ou não-magi) muito antes da saga de Harry Potter.
O filme foca em indivíduos adultos (bruxos em sua essência) com problemas das mais diversas ordens e - no decorrer da história - encontram um jeito coeso de entrelaçarem seus caminhos. O que parece uma série confusa e desconexa de acontecimentos acaba encontrando uma cronologia clara e tomando um rumo muito claro.
Eddie Redmayne está muto confortável ao interpretar um personagem desconfortável entre pessoas, mas fascinado pelo mundo dos animais mágicos. Introvertido e enigmático, Newt Scamander é um personagem que cativa por ser diferente dos heróis convencionais. Popertina Goldstein tem seus próprios dilemas (principalmente profissionais), porém não convence e, eventualmente, parece apagada na trama. Destaque para Queenie Goldstein que se mostra muito verossímil e bem mais densa do que é inicialmente apresentada, impressionando quem espera muito pouco dela. Inicialmente descomprometida com problemas maiores, acaba se tornando mais que uma simples aliada. Jacob Kowalski não é apenas um alívio cômico trouxa (com piadas pontuais e que fazem o expectador realmente "respirar"), mas também mostra um lado emocional mais expressivo do filme. Percebi que, enquanto os bruxos parecem "distante" ou até um pouco "frios", esse personagem humano é expressivo. Sorri, fica triste, decepciona-se e se apaixona. Ezra Muller e todos os personagens deste núcleo do filme são igualmente tensos e passam uma sensação de perigo gritante.
Não há dúvidas de que a película se propõe como uma introdução a toda uma nova saga com suas próprias discussões e implicações (muito diferentes de Harry Potter e bem mais maduras e universais). Diversos elementos são superficialmente apresentados e - sem dúvidas - serão aprofundados em filmes posteriores. Isso não impede, contudo, que o filme amarre todas as discussões que foram iniciadas lá no início, apresentando começo, meio e fim bem estabelecidos.
Para os fãs do universo Harry Potter, assistir o filme é um dever. Para os que não curtem ficção mágica, um belo convite ao mundo da magia sob uma perspectiva amadurecido.
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraFazer um filme sobre um tema existencial complexo (linguagem, tempo, espaço e controle do futuro), mesclar à discussão da existência de vida fora da terra e tensão internacional com possível guerra não é um trabalho simples. Diante da gama de assuntos complexos, A Chegada é um oásis entre os muitos filmes de ficção de trata sobre tudo isso com sobriedade e profundidade sem se tornar complexo ou pouco digerível para os expectadores. A interpretação de Amy Adams é o lastro principal do filme. Todo o drama anteriormente tratado é carregado com maestria pela atriz que demonstra curiosidade, preocupação, tensão e alguns momentos sinceros de felicidade e alívio, dando uma riqueza singular à personagem. Infelizmente o mesmo não acontece com Jeremy Renner, que interpreta um papel genérico que se demonstra realmente determinante em pontos específicos. Forest Whitaker é o militar que está entre a pressão dos seus superiores de respostas rápidas para problemas e a confiança no trabalho da linguista, apresentando um equilíbrio e expressão muito claros em suas expressões. Denis Villeneuve, confirmando a fama que já lhe é digna, apresenta uma pluralidade para dirigir temas diversos com muita propriedade e ritmo empolgante.
Mesmo para os que não se agradam de filmes de ficção, este é - sem dúvidas - um dos melhores filmes de 2016. Certamente não se arrependerá de ver alguns ET's para - no fundo - lidar com uma discussão muito mais empolgante que uma simples "invasão" extraterrestre.
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
3.8 3,4K Assista AgoraO que significa a arte de atuar? A resposta é dada durante todo o filme “Birdman”. Não em ser ator, mas também em ser diretor e, principalmente, como lidar com dilemas durante o processo de pré-produção e desenvolvimento dos personagens. Mais do que isso, o filme se torna uma epopeia para a construção de uma peça teatral que mescla a sombra do passado do diretor-ator principal, da sua filha viciada e de um perfeito cretino (Edward Norton) que faz questão de “viver o papel ao extremo”, dando pitacos sobre supostos problemas na produção teatral e tomando atitudes que desrespeitam outros personagens. É, simplesmente, incrível. Não bastasse isso, o filme conta com uma trilha sonora original de jazz solo de bateria que segue um ritmo frenético entre os momentos de lucidez e de esquizofrenia de Michael Keaton. Orgânico ao extremo. Se você esperava que Emma Stone viveria apenas mais “um papel de segundo plano”, errou feio. Esta é, de longe, a melhor atuação da atriz norte-americana. Suas reações são naturais, expressivas e, em muitos momentos, viscerais. Por outro lado, não é por menos que Michael Keaton tenha ganhado prêmios com o papel. A trama mostra que ele consegue viver a metalinguagem do Homem Pássaro, viver um pai separado e um diretor-produtor querendo ter seu último momento de glória. Se o objetivo era explorar humor, drama e reflexão, nenhum outro ator poderia ter feito melhor. Enquanto isso, não se pode esquecer o plano de fundo: Iñarritu. O diretor espanhol conseguiu captar cada os momentos dos artistas de um modo espontâneo. Simplesmente não aparenta que os atores estavam “atuando”, mas realmente vivendo os momentos, como se se identificassem com os problemas das personagens. Além disso, o ritmo de desenvolvimento da trama cativa e chama atenção. Se em alguns momentos você prende a respiração para ver qual o resultado dos atos loucos de Norton, em outros você suspira ao observar as ações de Keaton. E há mais... O filme envolve, acima de tudo, crítica. Crítica à concepção de arte, crítica à ideia do que é valorizado pelo mercado cinematográfico e teatral, crítica aos critérios e estereótipos dos críticos de teatro e, principalmente, crítica aos “bons atores”. E a pergunta final: que preço um ator deve estar disposto a pagar para alcançar aquilo que realmente quer.
A Casa
2.6 490O filme é excelente. A maior prova de que pouco orçamento e boas ideias podem fazer a diferença. A mistura de um local ermo, casa abandonada no meio do nada, uma moça jovem e muita escuridão podem ser suficientes para prender sua atenção e fazer o telespectador ficar tenso e atônito. Claustrofobia é uma sensação permanente no filme aliada a uma onda de perseguição e de constante observação por alguém invisível. Só no último segundo do filme se pode falar em expirar.
Amantes Eternos
3.7 795 Assista grátisA palavra palavra de ordem da película é sinestesia. Ao mesmo tempo em que o telespectador aproveitará panoramas obscuros e belos, se deleitará com uma trilha sonora original e fundamental para ligar a memória visual a Detroit, Cairo, ou até mesmo aos personagens. Enquanto você assiste, irá confrontar diversas sensações em cada cena. Inicialmente, os personagens se demonstram atípicos e um pouco distantes. O seu charme não está em uma beleza deflagrada, voz marcantes ou frases de efeito e sim em sutilezas como o gosto inarredável pela música (Tom) ou pela literatura (Tilda). Como lidar com a imortalidade é o principal dilema de Adam (Tom) e a solidão é sua fonte de inspiração, ao mesmo tempo que é eu calvário que o faz recorrer a Eve (Tilda). O amor deles se renova ainda que distantes. A conclusão que se pode chegar é que se trata de um filme belo e desafiador, pois convida quem assiste a ver uma nova perspectiva cinematográfica. Sem grandes explosões, efeitos especiais, mas com atuações impecáveis, o filme atrai pelas sutilezas que se aproxima do cinema europeu, retratando o cotidiano de vampiros que procuram apenas uma coisa: viver desapercebidamente entre os humanos.
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraTalvez o filme de romance mais desafiador que já tenha assistido. Apaixonar-se por um programa e desafiar os paradigmas de uma época sobre o conceito do que é apaixonar-se e amar, daquilo que realmente se busca em um relacionamento e daquilo que não se quer ter. Se gostar de alguém é se apegar à matéria ou carne, ou a ideias e sonhos em comum. Não bastasse um complexo (e dramático) panorama, a atuação de Joaquim Phoenix está impecável e a voz de Scarlet Johansson extremamente expressiva. Se você busca uma película que procure transpor barreiras morais sobre o sentimentos de amor e paixão, Her é o filme certo.