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Animais Fantásticos é um filme com efeitos visuais soberbos, um personagem principal deslocado e curioso, uma trama com diversos pontos de vista sobre problemas de uma sociedade mágica imersa no mundo dos trouxas (ou não-magi) muito antes da saga de Harry Potter.
O filme foca em indivíduos adultos (bruxos em sua essência) com problemas das mais diversas ordens e - no decorrer da história - encontram um jeito coeso de entrelaçarem seus caminhos. O que parece uma série confusa e desconexa de acontecimentos acaba encontrando uma cronologia clara e tomando um rumo muito claro.
Eddie Redmayne está muto confortável ao interpretar um personagem desconfortável entre pessoas, mas fascinado pelo mundo dos animais mágicos. Introvertido e enigmático, Newt Scamander é um personagem que cativa por ser diferente dos heróis convencionais. Popertina Goldstein tem seus próprios dilemas (principalmente profissionais), porém não convence e, eventualmente, parece apagada na trama. Destaque para Queenie Goldstein que se mostra muito verossímil e bem mais densa do que é inicialmente apresentada, impressionando quem espera muito pouco dela. Inicialmente descomprometida com problemas maiores, acaba se tornando mais que uma simples aliada. Jacob Kowalski não é apenas um alívio cômico trouxa (com piadas pontuais e que fazem o expectador realmente "respirar"), mas também mostra um lado emocional mais expressivo do filme. Percebi que, enquanto os bruxos parecem "distante" ou até um pouco "frios", esse personagem humano é expressivo. Sorri, fica triste, decepciona-se e se apaixona. Ezra Muller e todos os personagens deste núcleo do filme são igualmente tensos e passam uma sensação de perigo gritante.
Não há dúvidas de que a película se propõe como uma introdução a toda uma nova saga com suas próprias discussões e implicações (muito diferentes de Harry Potter e bem mais maduras e universais). Diversos elementos são superficialmente apresentados e - sem dúvidas - serão aprofundados em filmes posteriores. Isso não impede, contudo, que o filme amarre todas as discussões que foram iniciadas lá no início, apresentando começo, meio e fim bem estabelecidos.
Para os fãs do universo Harry Potter, assistir o filme é um dever. Para os que não curtem ficção mágica, um belo convite ao mundo da magia sob uma perspectiva amadurecido.
Fazer um filme sobre um tema existencial complexo (linguagem, tempo, espaço e controle do futuro), mesclar à discussão da existência de vida fora da terra e tensão internacional com possível guerra não é um trabalho simples. Diante da gama de assuntos complexos, A Chegada é um oásis entre os muitos filmes de ficção de trata sobre tudo isso com sobriedade e profundidade sem se tornar complexo ou pouco digerível para os expectadores. A interpretação de Amy Adams é o lastro principal do filme. Todo o drama anteriormente tratado é carregado com maestria pela atriz que demonstra curiosidade, preocupação, tensão e alguns momentos sinceros de felicidade e alívio, dando uma riqueza singular à personagem. Infelizmente o mesmo não acontece com Jeremy Renner, que interpreta um papel genérico que se demonstra realmente determinante em pontos específicos. Forest Whitaker é o militar que está entre a pressão dos seus superiores de respostas rápidas para problemas e a confiança no trabalho da linguista, apresentando um equilíbrio e expressão muito claros em suas expressões. Denis Villeneuve, confirmando a fama que já lhe é digna, apresenta uma pluralidade para dirigir temas diversos com muita propriedade e ritmo empolgante.
Mesmo para os que não se agradam de filmes de ficção, este é - sem dúvidas - um dos melhores filmes de 2016. Certamente não se arrependerá de ver alguns ET's para - no fundo - lidar com uma discussão muito mais empolgante que uma simples "invasão" extraterrestre.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
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Rogue One não é um fã service: é um dever de qualquer fã sincero do universo Star Wars.
Diferente do que se poderia pensar das empresas charlatãs de produção de filmes que - unicamente - se aproveitam do renome da franquia para lançar títulos colaterais que gravitam ao redor da história principal, isso não é - definitivamente - o que acontece em Rogue One.
Inicialmente, é possível dizer que o elenco foi muito bem escolhido e a interpretação dos personagens principais tem traços característicos que impedem o expectador de taxá-los de genéricos ou desnecessários. Todos tem seus momentos de expressão mais clara na trama. Os personagens que se demonstram deslocados são reunidos por razões diversas e um ideal convincente e sincero, de modo que mesmo o expectador compreende e deseja aderir à causa.
Os efeitos visuais são fantásticos. Desde as cenas panorâmicas do alto, aos detalhes dos disparos de laser. As raças alienígenas - em sua grande maioria - foram criadas com efeitos especiais e material orgânico, gerando uma verossimilhança visual não menos fiel do que aquelas já conhecidas da trilogia original - em que pese o foco desta película se destacar aos humanóides.
As cenas de batalhas entre Tie-Fighters, X-Wings, stormtroopers, troopers da morte e rebeldes são impecáveis e - provavelmente - as melhores e mais dinâmicas cenas de toda a franquia Star Wars. O ritmo é frenético e contagiante.
Talvez o principal mérito do filme é mostrar um contraponto do ponto de vista Jedi visto na antologia clássica, trazendo personagens humanoides em cuja Força interfere de modo mais sutil. A trama tem uma visão mais militar e estratégica dos fatos que antecederam "Uma Nova Esperança" sem perder toda a beleza típica da saga.
A partir daqui falarei dos principais problemas que encontrei no filme e que me impediram de dar nota 5 a ele:
[/spoiler]
1) Partes dos trailers oficiais foram suprimidas da edição final do filme, dentre elas o "sinal de alerta" que ridicularizaram na internet e a frase emblemática de Jyn Erso sobre "rebelar-se".
2) A primeira parte do filme aponta imagens panorâmicas soberbas de diversos planetas onde se passarão episódios específicos dos personagens, porém não cita o planeja em que Darth Vader foi desmembrado e em que "vive" na trama;
3) O vilão e os principais encontram-se duas vezes em locais fundamentais por "mera coincidência" na falta de uma motivação mais clara;
4) As legendas foram pouco verossímeis às clássicas, onde se fala "Tie- Fighter" a legenda traduz "caça", onde se fala "stormtrooper" a legenda reproduz "soldado" e assim por diante;
5) A morte do pai de Galen Erso é uma cena fraca, apelo sentimental sem vida e muito superficial - mais fácil se emocionar com a morte de K-2SO;
6) O vilão do filme é inexpressivo, fraco e sem qualquer empatia. Mesmo com Kylo Ren ou Supremo Líder Snoke, o expectador tem - no mínimo - algum respeito. Você - certamente - não sentirá isso por Orson Krennic.
7) O único personagem cego da trama usa uma arma de fogo para derrubar um Tie-Fighter de uma maneira completamente improvável e desnecessária.
8) Os alívios cômicos são fracos e pouco envolventes.
[spoiler]
Aqui vão bons aspectos do filme do meu ponto de vista:
1) Trilha sonora fiel à original e muito envolvente;
2) Apresenta um lado dos rebeldes mais obscuro e humano, sob um aspecto estratégico de uma guerra e não como "os libertadores puros da galáxia";
3) Todos os personagens das sagas anteriores são inseridos no filme em caráter pontual e com efeitos visuais dignos (para a tecnologia atual), porém extremamente relevante para toda a história que tem algum papel relevante;
4) Darth Vader literalmente ROUBA as cenas que aparece com uma fidelidade impressionante em relação às vistas na trilogia original. Literalmente, o filme se pagaria penas com duas aparições dele. Mas vai bem além disso.
5) Os personagens não são apenas "preto-e-branco", mas possuem perspectivas complexas e até inesperadas em alguns momentos do filme. Isso gera uma personalidade mais complexa das personagens.
6) A coragem do diretor de fazer um final que foge à regra dos filmes da saga foi fundamental para a maturidade do filme e dá um passo à frente dos filmes anteriores;
7) Os diálogos são - em regra - relevantes para a trama e tem implicação direta nas ações e sequências dos fatos;
8) Todas as lacunas dos filmes da trilogia clássica são resolvidos com racionalidade nesta película. Assim, antes de criticar "a falha estrutural da Estrela da Morte" ou "porque mandar a Princesa Leia para enviar a mensagem a Obi-Wan" e outros "problemas" pontuais da saga clássica, você tem o DEVER de assistir a esse filme para entender cara uma dessas sutilezas.