Shiv sempre foi a personagem narcisista clássica. No fim, cada uma de suas atitudes envolvia manipular pessoas e ações para conseguir a tão elusiva aprovação masculina da figura de poder ou, em caso oposto, também característica da personalidade, provocar repulsa, desprezo. Partindo sempre da necessidade cruel da benção e reconhecimento do pai, seu exemplo masculino de poder e força, de rejeição e depreciação pelo fraco, ela escolhe um marido fraco, subserviente e de fora do círculo empresarial/político influente e poderoso de uma megalópole. O mesmo marido que seria constante foco de piada e desprezo do pai e irmãos, mas que mesmo assim continuaria lambendo as botas dos Roy, cada vez mais perto do trono. Oras, Tom era o peão ideal para Shiv reafirmar seu poder e necessidade de controle, não é um troféu, mas um saco de pancadas. Sua inclinação ideológica e aventura no mundo político em nada indicam uma empatia ou humanização por políticas progressistas, mas apenas mais uma tentativa de atacar e provocar o pai de quem ela tanto buscou atenção. Nenhuma dessas pessoas se importa realmente com ideologias que não envolvam seus próprios interesses. No minuto que Shov viu uma oportunidade, Mencken passou a ser uma opção viável. Succession sempre foi uma tragédia. Não há vencedores. Depende a ver da interpretação do final de cada um dos personagens. Todos são debilitados emocionalmente, incapazes de tomar uma atitude que não envolva o interesse próprio. Roman é a figura mais fácil, um rato covarde para sempre quebrado pela enorme e gigante figura paterna. Nunca teria coragem de votar contra o irmão, nunca teria fibra e culhão para ser o CEO, embora chegasse a dor o quanto ele queria viver a vida que o pai lhe impunha. Mas ele nunca quis nada disso, verdade seja dita. Só não queria que Kendall conseguisse. Enfim se libertou, independente do que isso signifique. Kendall seria uma versão pior de Logan, queria muito, até demais. E a verdade absoluta no seu caso é a de que todos os irmãos orbitavam a estrela solar que era o pai, sem ele... todos sucumbiram. Por fim, Shiv. A mais difícil de interpretar, principalmente se optarem por um viés de "vencer ou perder". Ela entendeu que nunca seria CEO. Uma mulher, grávida, frequentemente subestimada por todos a sua volta, traída e usada para atingir os objetivos dos homens aos quais ela de tudo fazia para ter sua persona validada. Nunca conseguiu. Sabia que seria imediatamente chutada para escanteio com Kendall como CEO, e a possibilidade de assistir ascender uma nova figura monstruosa tal qual seu pai, com quem ela teria pouco ou nenhum poder, a fez tomar a escolha mais óbvia, ainda que dolorosa. Votou por Tom, o submisso. O castrado. O corno manso, por assim dizer. Chuparia o pau do homem que comeu sua mulher se isso significasse poder chegar ao poder. A questão da interpretação vem bem a calhar agora. Não acredito que isso seja uma vitória para Shiv. Ela nunca vai chegar a CEO, pelo menos não enquanto Matsson for dono da empresa que ela e os irmãos venderam, o marido, embora sente no trono, tem pouquíssimo poder, é apenas um testa de ferro do sueco, que desejava alguém não muito "opinativo", como era Shiv. Alguém para ele próprio controlar. Talvez a perspectiva da vitória seja ela se agarrar no fato de que, se não ela, também não foi Kendall, e viver na sombra de um marido CEO é menos pior do que viver à margem de Ken. Acabou como sua mãe, a figura narcisista que ela sempre abominou.
O que mata filmes de terror, em geral, é o hype. A expectativa é a mãe da frustração. Fui assistir sem saber nada prévio do filme, e me surpreendi com o corte radical dos dois atos. São bem diferentes, ambientações diferentes, imagino que a intenção da direção é essa, talvez pra acentuar algum tipo de choque. Pra mim bateu mais ou menos, não sei se encaixou bem a vibe "terrir" com o suspense psicológico criado na primeira parte. Sobre o mote da trama, pontas soltas e faltou uma maior clareza do que era aquilo que a gente tava vendo, enfim. Vale pela intenção, é um bom filme e honesto.
às vezes a passividade latente de personagens em filmes de terror me incomoda. mas aqui é a força motriz do filme. parece ser o ponto principal, o foco da crítica pra além da violência absurda e sem sentido. em momento algum temos um vislumbre de quem são os antagonistas, seus motivos ou contexto de ação. pelo contrário, presenciamos com agonia a forma polida e excessivamente submissa, talvez até mesmo um traço cultural moderno, a pretensa educação e permissividade como forma de evitar o confronto, não incomodar, não ser "antagônico", prezando sempre por manter as aparências do 'bem-estar social'. adultos infantilizados incapazes de estabelecer limites, de dizer um "não". ao fim beira assistimos de queixo caído como ninguém ali levanta uma mão ou se defende, evitando sempre o confronto. beira o ridículo, mas é o centro do filme. é o que é.
tempos complicados esses, de moralismo exacerbado e de ferrenha crítica à liberdade artística/criativa, sem mencionar o déficit cognitivo das pessoas se prestarem a, pelo menos, tentar interpretar uma obra sem um viés... moralista e tacanho.
Reflete a máxima de que não escolhemos como morrer, mas podemos escolher como viver. Cabe a nós decidir o que fazer com o tempo que nos foi dado. Uma obra-prima visual delirante.
"and then i woke up." corta pra tela preta. fácil um dos maiores finais da história do cinema. meu guilty pleasure é ocasionalmente ir pro youtube assistir de novo e de novo esse monólogo do tommy lee jones. impecável.
O advanço dos serviços de streaming faz milagres como esses: onde em outras épocas uma porcaria destas ficaria relegada ao esquecimento e seções C de filmes de nicho, produções bem fracas e que por algum motivo acabam vendo a luz das telas, aqui vira febre na Netflix e entra pro ranking dos filmes mais vistos de uma semana.
Dentro daquilo que o filme se propõe, ser uma experiência sensorial, com um foco exclusivo na ambientação em detrimento da narrativa, ele é uma obra de arte. E veja bem, uma obra de arte antes de ser um "filme de terror".
Remete muito mais a um horror absoluto que é exponenciado pela imersão sensorial, inclusive já mencionaram sobre ser um grande ASMR, e não tá errado. Desde o começo dos tempos de filme de terror o uso de edição de som e cortes ajuda a provocar os jump scares e derivados, mas filmes realmente acima da média transcendem essa mediocridade e criam algo que sobressai à média.
Você não tem pavor aqui do trabalho do técnico de som, mas da capacidade do diretor criar um cenário onde todo o contexto é aterrorizante, onde o som preludia o terror por vir . Da fotografia gélida e solitária de inverno, passando pelo silêncio absoluto, das pessoas, dos cômodos, das distâncias. E por fim os enquadramentos que deslocam o objeto principal, se beneficiam de uma câmera estática em grande plano, novamente, apesar da distância, o que te apavora é a sensação de que não há pra onde fugir, como se a quarta parede fosse rompida.
Claro, apesar de tudo isso não é um filme fácil. Sinto que o resultado seria muito mais palatável se não nos fosse empurrada a tarefa de fazer sentido da linha temporal do filme, do quando e quem é o que ali naquele fiapo narrativo. Em suma, a história pouco importa, o desconhecido é mais interessante, mas que haja pelo menos um mínimo pra não provocar confusão, já que não vai elucidar nada. Faltou pouco, mas acho que isso aqui vai virar pérola cult na próxima década.
É muito ruim e não é pouca coisa. Considerando o material que tinham, pronto e mastigado pra adaptar e conseguir no mínimo um resultado razoável, entregam um pastelão clichê, com uma produção horrorosa, maquiagem escrotíssima, efeitos especiais (os poucos) dignos de filme C, atuações exageradas, diálogos constrangedores.. nada funciona.
Do primeiro episódio já entrega o final óbvio, e infelizmente não faz nada pra contornar isso, pelo contrário: cada vez mais afunila em uma condução narrativa batida, o que causa espanto a escolha de dar tanto espaço pros longos e entediantes flashbacks. Algo que poderia ser rapidamente resolvido em um episódio, visto que na própria HQ NÃO TEM embasamento, aqui esgarçado fica parecendo uma antológica encheção de linguiça pra mascarar uma série insossa, covarde e sem objetivo.
A gente termina a série sem entender direito porque em 8 episódios não conseguiram desenvolver minimamente qualquer dos personagens, enquanto pela própria HQ já tem material suficiente logo no começo pra causar um rebuliço na série. Em vez disso a gente sofre com intermináveis flashbacks, brigas de fulano com beltrano, cabelos brancos escrotos, mais diálogos clichês sobre código disso, código daquilo. Enfim, insuportável.
É uma produção bem boba, um filme bobo. Nem como panfleto ideológico serve, porque fala substância, desenvolvimento.. falta base. Incomoda demais que deliberadamente a narrativa afunile por um maniqueísmo infantil, não é necessário em temas como esse, mas aqui beira uma aventura mesmo, sem consequências.
Em algum lugar ali, no meio de todo esse didatismo, tem um filmaço. O problema é que a premissa esbarra na mão catastrófica da direção que faz questão de mastigar cada ponta, aparar cada possível aresta e seguir a fio o roteiro expositivo, típico do cinema de suspense norte-americano, que insiste em subestimar a inteligência da audiência.
Excessos de diálogos que justificam cada cena para o desfecho, excesso de imagens pra não deixar sequer uma pedra desvirada, nenhuma lacuna, porque coitado do público ter que pensar por conta própria. Incomoda demais que precise ser explicado cada movimento, enquanto muito pouco é feito sobre o desenvolvimento dos personagens, ou que seja entregue personagens completamente irrelevantes pro andar da trama: o que significou os quinze minutos iniciais totalmente focados na mulher da casa? Fica a sensação de que não havia porque, mas era preciso criar uma "distração".
Enfim, uma boa ideia que nas mãos corretas, talvez com uma influência de um cinema mais maduro pro gênero, como o coreano ou francês, mais metragem, e o resultado seria bem mais interessante.
Puro e simples, é um filmaço. Subverte alguns conceitos narrativos do gênero, de que em um thriller de ação/perseguição sempre vai haver o "gato e rato", onde um está sempre perdido e o outro onisciente sempre um passo à frente. A real é que aqui ninguém tem muita noção do que tá acontecendo, uma bagunça cuidadosamente escrita e que só amplia o senso de urgência e capaz de tirar o fôlego.
Acho que desde o início o destino do personagem principal tá condenado, visto como uma barata irrelevante, o próprio acaba caindo de para quedas numa situação muito além da própria compreensão, e acredito que a sua perseverança só indica que sua vida já não tinha mais muito propósito, não fosse chegar até o desfecho daquela bagunça.
Tem a violência desmedida característica, a virada de ritmo no meio da trama e excelentes atuações que entregam um filme redondo e memorável.
Em momento algum Zhao se propõe construir uma crítica político-social, ser um panfleto ideológico ou utilizar a história de um indivíduo como ponta de lança pra refletir sobre o sinal dos tempos, a derrocada do capitalista sonho americano, ou algo que valha. E é louvável a posição adotada. Quem conhece o cinema e a mão da diretora, que aqui toma pra si a hercúlea tarefa de também roteirizar, editar e produzir o filme, sabe que sua abordagem é muito mais intimista, contemplativa, de dentro pra fora.
Lembrei muito de Malick e a forma respeitosa e reverencial com que a câmera lida com a vastidão natural de montanhas, desertos, neve, chuva, intempéries de todo tipo, alvorada, anoitecer. Por outro lado, lembro do início do cinema do chinês Jia e a forma nostálgica com que ele retratava a antiga China, engolida pela modernidade capitalista ocidental, e como tanto da história (e das pessoas) foi varrido da memória social. É a mesma dinâmica de cidades com Empire e a falência de centros urbanos como Detroit, Michigan, e todo o meio oeste americano.
Zhao, então, narra a história daqueles que precisaram partir, fruto da precariedade das relações trabalhistas numa lógica mercantil cada vez mais predatória e com postos de trabalho temporários, é comovente assistir o ser humano tentando se reconciliar com o fato de que ele, ao fim de toda uma vida, é descartável. É possível coexistir uma vida nômade com a preservação da memória dos que não estão mais presentes? E a memória de vidas passadas, em realidades e conjunturas diferentes?
Não sei bem se o propósito do filme é questionar e racionalizar tanto, eu mesmo reduzi o que assisti a uma solidão absoluta, que me enche o peito ao mesmo tempo que me provoca muita tristeza. Penso que seja a raiz do ser humano essa solidão, ainda que buscamos companhia e reconforto ao saber que caminhamos juntos, que outros já percorreram o caminho que hoje trilhamos. Fern não tem mais uma casa, um lar, seja ele fixo ou uma van, não como uma residência geográfica, mas como uma desconexão emocional. Ela não tem mais onde estar. Está em todo lugar e em nenhum lugar ao mesmo tempo.
já é um tema recorrente a genialidade das fotografias de filmes da A24, sabe-se lá como, os caras conseguem cinematógrafos absurdos, constroem uma identidade única, pungente pra filmes que exigem, acima de tudo, uma ambientação e estética impecáveis como parte essencial da engrenagem do cinema proposto. aqui o nome da vez é Ben Fordesman, mais conhecido por porra nenhuma, sendo a curiosidade o fato dele ter construído uma carreira com bicos aqui e ali na indústria cinematográfica em filmes como O Duplo, Prometheus, Cavaleiro das Trevas. aprendeu bem.
ponto sendo, o fato do filme funcionar ou não gira em torno da ambientação criada, em detrimento de uma narrativa que ignora o passado de Maud, as razões que levaram a sua degradação e consequente penitência punitivista, pra exponenciar sua loucura, descolamento da realidade, seus delírios sugestivos e a forma como ela se agarra no fanatismo religioso pra se salvar de si mesma.
de fato, a gente pode nunca compreender totalmente o trauma psicológico que Katie/Maud sofreu a ponto de fragmentar sua personalidade e desengatilhar uma patologia narcisista, mas nada vai ser mais impactante do que aquela cena inicial, nada vai ser mais assustador do que a claustrofobia daquela iluminação.
no centro desse terror psicológico tem uma atuação monumental de Morfydd Clark, destrinchando todas as camadas complexas de uma personagem mentalmente a beira do colapso, até o derradeiro momento em que ela se parte de qualquer fiapo de realidade, e a direção faz questão de deixar bem clara a distinção do que é real, o horror e doloroso, do que é a mente em frangalhos de Maud.
o clique final encerra como um círculo perfeito o filme, simples e assustador. humano até demais.
A julgar pelos comentários aqui, é um filme criminosamente subestimado. Acho que cumpre ao que se propõe, ágil, escuro, gore pesado e que não faz concessões. Pro meu gosto, cabia mais uns 15 minutos na apresentação, talvez desenvolver melhor, ao longo do filme, o seu final. Mas também acredito que a intenção do diretor tenha sido essa, cortar direto pra uma ação frenética e um suspense claustrofóbico. Sobre o final, fica bem claro que a obsessão do personagem com a tal da figura do Harry Green, como um suposto mastermind de toda aquela loucura, é sua mente criando subterfúgios pra lidar com o trauma. Ao fim, quando ele encara a realidade de que, talvez, nada daquilo tinha uma razão de ser, se rompe o seu último elo com a sanidade.
Prova de que apenas uma mulher encabeçando o projeto, aqui no caso dirigindo e roteirizando, não é o suficiente pra romper com velhos clichês, pastelões e momentos de vergonha alheia. Beira o absurdo que, em determinado momento, um dos jovens acabe roçando e ejaculando através da calça em uma das mulheres, sem o consentimento ou consciência dela. Patético. É um desfile de gags vergonhosas, sem qualquer justificativa pra acompanharmos personagens masculinos completamente repulsivos, e personagens femininas rasas como um pires.
É criminosamente subestimado o talento da Sarah Paulson, e o quanto ela pode ser assustadora. Nesse tipo de filme, um suspense/thriller hoje em dia, acho que o mais difícil não é reinventar a roda, revolucionar o gênero ou algo do tipo, mas fazer algo envolvente, bem estruturado e incrível com o comum. Um filme redondinho, bem roteirizado, sem buracos ou falhas e que, pela graça de nosso senhor, a "vítima" não é uma completa imbecil tapada. Final assustador, pra variar.
Nos primeiros cinco minutos já transmitia aquela vibe gostosa/confusa e ligeiramente sem direção de GIRLS. Eu, como fã confesso da série, encarei o filme como um episódio spin off de 90 minutos com a Shoshana. É um filme simples e comum, sobre encontros e desencontros comuns, com a insuportável característica patente de GIRLS: como e porque esse tanto de mulher se apaixonando por um monte de homem bosta. Mas a narrativa funciona, ambientação de Manhattan é sempre apelativa e enche os olhos e a idéia de ter dois filmes em um (presente/flashback) distintos pela armação do óculos de Ben é o que nunca deixa o ritmo cair. Zosia, como sempre, apaixonante.
Succession (4ª Temporada)
4.5 251 Assista AgoraShiv sempre foi a personagem narcisista clássica. No fim, cada uma de suas atitudes envolvia manipular pessoas e ações para conseguir a tão elusiva aprovação masculina da figura de poder ou, em caso oposto, também característica da personalidade, provocar repulsa, desprezo.
Partindo sempre da necessidade cruel da benção e reconhecimento do pai, seu exemplo masculino de poder e força, de rejeição e depreciação pelo fraco, ela escolhe um marido fraco, subserviente e de fora do círculo empresarial/político influente e poderoso de uma megalópole. O mesmo marido que seria constante foco de piada e desprezo do pai e irmãos, mas que mesmo assim continuaria lambendo as botas dos Roy, cada vez mais perto do trono.
Oras, Tom era o peão ideal para Shiv reafirmar seu poder e necessidade de controle, não é um troféu, mas um saco de pancadas.
Sua inclinação ideológica e aventura no mundo político em nada indicam uma empatia ou humanização por políticas progressistas, mas apenas mais uma tentativa de atacar e provocar o pai de quem ela tanto buscou atenção.
Nenhuma dessas pessoas se importa realmente com ideologias que não envolvam seus próprios interesses. No minuto que Shov viu uma oportunidade, Mencken passou a ser uma opção viável.
Succession sempre foi uma tragédia. Não há vencedores. Depende a ver da interpretação do final de cada um dos personagens. Todos são debilitados emocionalmente, incapazes de tomar uma atitude que não envolva o interesse próprio. Roman é a figura mais fácil, um rato covarde para sempre quebrado pela enorme e gigante figura paterna. Nunca teria coragem de votar contra o irmão, nunca teria fibra e culhão para ser o CEO, embora chegasse a dor o quanto ele queria viver a vida que o pai lhe impunha. Mas ele nunca quis nada disso, verdade seja dita. Só não queria que Kendall conseguisse. Enfim se libertou, independente do que isso signifique.
Kendall seria uma versão pior de Logan, queria muito, até demais. E a verdade absoluta no seu caso é a de que todos os irmãos orbitavam a estrela solar que era o pai, sem ele... todos sucumbiram.
Por fim, Shiv. A mais difícil de interpretar, principalmente se optarem por um viés de "vencer ou perder". Ela entendeu que nunca seria CEO. Uma mulher, grávida, frequentemente subestimada por todos a sua volta, traída e usada para atingir os objetivos dos homens aos quais ela de tudo fazia para ter sua persona validada. Nunca conseguiu. Sabia que seria imediatamente chutada para escanteio com Kendall como CEO, e a possibilidade de assistir ascender uma nova figura monstruosa tal qual seu pai, com quem ela teria pouco ou nenhum poder, a fez tomar a escolha mais óbvia, ainda que dolorosa.
Votou por Tom, o submisso. O castrado. O corno manso, por assim dizer. Chuparia o pau do homem que comeu sua mulher se isso significasse poder chegar ao poder.
A questão da interpretação vem bem a calhar agora. Não acredito que isso seja uma vitória para Shiv. Ela nunca vai chegar a CEO, pelo menos não enquanto Matsson for dono da empresa que ela e os irmãos venderam, o marido, embora sente no trono, tem pouquíssimo poder, é apenas um testa de ferro do sueco, que desejava alguém não muito "opinativo", como era Shiv. Alguém para ele próprio controlar.
Talvez a perspectiva da vitória seja ela se agarrar no fato de que, se não ela, também não foi Kendall, e viver na sombra de um marido CEO é menos pior do que viver à margem de Ken.
Acabou como sua mãe, a figura narcisista que ela sempre abominou.
Noites Brutais
3.4 1,2K Assista AgoraO que mata filmes de terror, em geral, é o hype. A expectativa é a mãe da frustração. Fui assistir sem saber nada prévio do filme, e me surpreendi com o corte radical dos dois atos. São bem diferentes, ambientações diferentes, imagino que a intenção da direção é essa, talvez pra acentuar algum tipo de choque. Pra mim bateu mais ou menos, não sei se encaixou bem a vibe "terrir" com o suspense psicológico criado na primeira parte.
Sobre o mote da trama, pontas soltas e faltou uma maior clareza do que era aquilo que a gente tava vendo, enfim. Vale pela intenção, é um bom filme e honesto.
Não Fale o Mal
3.6 820às vezes a passividade latente de personagens em filmes de terror me incomoda. mas aqui é a força motriz do filme. parece ser o ponto principal, o foco da crítica pra além da violência absurda e sem sentido. em momento algum temos um vislumbre de quem são os antagonistas, seus motivos ou contexto de ação.
pelo contrário, presenciamos com agonia a forma polida e excessivamente submissa, talvez até mesmo um traço cultural moderno, a pretensa educação e permissividade como forma de evitar o confronto, não incomodar, não ser "antagônico", prezando sempre por manter as aparências do 'bem-estar social'.
adultos infantilizados incapazes de estabelecer limites, de dizer um "não".
ao fim beira assistimos de queixo caído como ninguém ali levanta uma mão ou se defende, evitando sempre o confronto. beira o ridículo, mas é o centro do filme. é o que é.
Blonde
2.6 450 Assista Agoratempos complicados esses, de moralismo exacerbado e de ferrenha crítica à liberdade artística/criativa, sem mencionar o déficit cognitivo das pessoas se prestarem a, pelo menos, tentar interpretar uma obra sem um viés... moralista e tacanho.
Zona de Confronto
3.2 14 Assista AgoraImagina esses caras num dia comum aqui no Rio de Janeiro...
Succession (3ª Temporada)
4.4 201 Assista AgoraConsolidou como obra-prima.
Cenas de um Casamento
4.3 204 Assista Agoraa galera lembrando porque Bergman é o maior de todos os tempos. 40 anos depois e.. absoluto.
A Lenda do Cavaleiro Verde
3.6 489 Assista AgoraReflete a máxima de que não escolhemos como morrer, mas podemos escolher como viver. Cabe a nós decidir o que fazer com o tempo que nos foi dado.
Uma obra-prima visual delirante.
Onde os Fracos Não Têm Vez
4.1 2,4K Assista Agora"and then i woke up." corta pra tela preta. fácil um dos maiores finais da história do cinema. meu guilty pleasure é ocasionalmente ir pro youtube assistir de novo e de novo esse monólogo do tommy lee jones. impecável.
Céu Vermelho-Sangue
3.0 489 Assista AgoraO advanço dos serviços de streaming faz milagres como esses: onde em outras épocas uma porcaria destas ficaria relegada ao esquecimento e seções C de filmes de nicho, produções bem fracas e que por algum motivo acabam vendo a luz das telas, aqui vira febre na Netflix e entra pro ranking dos filmes mais vistos de uma semana.
Sator
2.5 14Dentro daquilo que o filme se propõe, ser uma experiência sensorial, com um foco exclusivo na ambientação em detrimento da narrativa, ele é uma obra de arte. E veja bem, uma obra de arte antes de ser um "filme de terror".
Remete muito mais a um horror absoluto que é exponenciado pela imersão sensorial, inclusive já mencionaram sobre ser um grande ASMR, e não tá errado. Desde o começo dos tempos de filme de terror o uso de edição de som e cortes ajuda a provocar os jump scares e derivados, mas filmes realmente acima da média transcendem essa mediocridade e criam algo que sobressai à média.
Você não tem pavor aqui do trabalho do técnico de som, mas da capacidade do diretor criar um cenário onde todo o contexto é aterrorizante, onde o som preludia o terror por vir . Da fotografia gélida e solitária de inverno, passando pelo silêncio absoluto, das pessoas, dos cômodos, das distâncias. E por fim os enquadramentos que deslocam o objeto principal, se beneficiam de uma câmera estática em grande plano, novamente, apesar da distância, o que te apavora é a sensação de que não há pra onde fugir, como se a quarta parede fosse rompida.
Claro, apesar de tudo isso não é um filme fácil. Sinto que o resultado seria muito mais palatável se não nos fosse empurrada a tarefa de fazer sentido da linha temporal do filme, do quando e quem é o que ali naquele fiapo narrativo. Em suma, a história pouco importa, o desconhecido é mais interessante, mas que haja pelo menos um mínimo pra não provocar confusão, já que não vai elucidar nada. Faltou pouco, mas acho que isso aqui vai virar pérola cult na próxima década.
Willy's Wonderland: Parque Maldito
2.8 224 Assista Agoranicolas cage just went... FULL nicolas cage.
O Legado de Júpiter (1ª Temporada)
2.7 172 Assista AgoraÉ muito ruim e não é pouca coisa. Considerando o material que tinham, pronto e mastigado pra adaptar e conseguir no mínimo um resultado razoável, entregam um pastelão clichê, com uma produção horrorosa, maquiagem escrotíssima, efeitos especiais (os poucos) dignos de filme C, atuações exageradas, diálogos constrangedores.. nada funciona.
Do primeiro episódio já entrega o final óbvio, e infelizmente não faz nada pra contornar isso, pelo contrário: cada vez mais afunila em uma condução narrativa batida, o que causa espanto a escolha de dar tanto espaço pros longos e entediantes flashbacks. Algo que poderia ser rapidamente resolvido em um episódio, visto que na própria HQ NÃO TEM embasamento, aqui esgarçado fica parecendo uma antológica encheção de linguiça pra mascarar uma série insossa, covarde e sem objetivo.
A gente termina a série sem entender direito porque em 8 episódios não conseguiram desenvolver minimamente qualquer dos personagens, enquanto pela própria HQ já tem material suficiente logo no começo pra causar um rebuliço na série. Em vez disso a gente sofre com intermináveis flashbacks, brigas de fulano com beltrano, cabelos brancos escrotos, mais diálogos clichês sobre código disso, código daquilo. Enfim, insuportável.
E Amanhã...O Mundo Todo
2.6 20É uma produção bem boba, um filme bobo. Nem como panfleto ideológico serve, porque fala substância, desenvolvimento.. falta base. Incomoda demais que deliberadamente a narrativa afunile por um maniqueísmo infantil, não é necessário em temas como esse, mas aqui beira uma aventura mesmo, sem consequências.
À Espreita do Mal
3.6 898 Assista AgoraEm algum lugar ali, no meio de todo esse didatismo, tem um filmaço. O problema é que a premissa esbarra na mão catastrófica da direção que faz questão de mastigar cada ponta, aparar cada possível aresta e seguir a fio o roteiro expositivo, típico do cinema de suspense norte-americano, que insiste em subestimar a inteligência da audiência.
Excessos de diálogos que justificam cada cena para o desfecho, excesso de imagens pra não deixar sequer uma pedra desvirada, nenhuma lacuna, porque coitado do público ter que pensar por conta própria. Incomoda demais que precise ser explicado cada movimento, enquanto muito pouco é feito sobre o desenvolvimento dos personagens, ou que seja entregue personagens completamente irrelevantes pro andar da trama: o que significou os quinze minutos iniciais totalmente focados na mulher da casa? Fica a sensação de que não havia porque, mas era preciso criar uma "distração".
Enfim, uma boa ideia que nas mãos corretas, talvez com uma influência de um cinema mais maduro pro gênero, como o coreano ou francês, mais metragem, e o resultado seria bem mais interessante.
Mar Sangrento
3.7 42Puro e simples, é um filmaço. Subverte alguns conceitos narrativos do gênero, de que em um thriller de ação/perseguição sempre vai haver o "gato e rato", onde um está sempre perdido e o outro onisciente sempre um passo à frente. A real é que aqui ninguém tem muita noção do que tá acontecendo, uma bagunça cuidadosamente escrita e que só amplia o senso de urgência e capaz de tirar o fôlego.
Acho que desde o início o destino do personagem principal tá condenado, visto como uma barata irrelevante, o próprio acaba caindo de para quedas numa situação muito além da própria compreensão, e acredito que a sua perseverança só indica que sua vida já não tinha mais muito propósito, não fosse chegar até o desfecho daquela bagunça.
Tem a violência desmedida característica, a virada de ritmo no meio da trama e excelentes atuações que entregam um filme redondo e memorável.
Nomadland
3.9 910 Assista AgoraEm momento algum Zhao se propõe construir uma crítica político-social, ser um panfleto ideológico ou utilizar a história de um indivíduo como ponta de lança pra refletir sobre o sinal dos tempos, a derrocada do capitalista sonho americano, ou algo que valha. E é louvável a posição adotada. Quem conhece o cinema e a mão da diretora, que aqui toma pra si a hercúlea tarefa de também roteirizar, editar e produzir o filme, sabe que sua abordagem é muito mais intimista, contemplativa, de dentro pra fora.
Lembrei muito de Malick e a forma respeitosa e reverencial com que a câmera lida com a vastidão natural de montanhas, desertos, neve, chuva, intempéries de todo tipo, alvorada, anoitecer. Por outro lado, lembro do início do cinema do chinês Jia e a forma nostálgica com que ele retratava a antiga China, engolida pela modernidade capitalista ocidental, e como tanto da história (e das pessoas) foi varrido da memória social. É a mesma dinâmica de cidades com Empire e a falência de centros urbanos como Detroit, Michigan, e todo o meio oeste americano.
Zhao, então, narra a história daqueles que precisaram partir, fruto da precariedade das relações trabalhistas numa lógica mercantil cada vez mais predatória e com postos de trabalho temporários, é comovente assistir o ser humano tentando se reconciliar com o fato de que ele, ao fim de toda uma vida, é descartável. É possível coexistir uma vida nômade com a preservação da memória dos que não estão mais presentes? E a memória de vidas passadas, em realidades e conjunturas diferentes?
Não sei bem se o propósito do filme é questionar e racionalizar tanto, eu mesmo reduzi o que assisti a uma solidão absoluta, que me enche o peito ao mesmo tempo que me provoca muita tristeza. Penso que seja a raiz do ser humano essa solidão, ainda que buscamos companhia e reconforto ao saber que caminhamos juntos, que outros já percorreram o caminho que hoje trilhamos. Fern não tem mais uma casa, um lar, seja ele fixo ou uma van, não como uma residência geográfica, mas como uma desconexão emocional. Ela não tem mais onde estar. Está em todo lugar e em nenhum lugar ao mesmo tempo.
Você Nem Imagina
3.4 524 Assista AgoraFeel good movie totalmente subestimado. Vi no catálogo da Netflix e não esperava ser tão fofo.
A Vastidão da Noite
3.5 582uma fraude.
Santa Maud
3.5 356 Assista Agorajá é um tema recorrente a genialidade das fotografias de filmes da A24, sabe-se lá como, os caras conseguem cinematógrafos absurdos, constroem uma identidade única, pungente pra filmes que exigem, acima de tudo, uma ambientação e estética impecáveis como parte essencial da engrenagem do cinema proposto.
aqui o nome da vez é Ben Fordesman, mais conhecido por porra nenhuma, sendo a curiosidade o fato dele ter construído uma carreira com bicos aqui e ali na indústria cinematográfica em filmes como O Duplo, Prometheus, Cavaleiro das Trevas. aprendeu bem.
ponto sendo, o fato do filme funcionar ou não gira em torno da ambientação criada, em detrimento de uma narrativa que ignora o passado de Maud, as razões que levaram a sua degradação e consequente penitência punitivista, pra exponenciar sua loucura, descolamento da realidade, seus delírios sugestivos e a forma como ela se agarra no fanatismo religioso pra se salvar de si mesma.
de fato, a gente pode nunca compreender totalmente o trauma psicológico que Katie/Maud sofreu a ponto de fragmentar sua personalidade e desengatilhar uma patologia narcisista, mas nada vai ser mais impactante do que aquela cena inicial, nada vai ser mais assustador do que a claustrofobia daquela iluminação.
no centro desse terror psicológico tem uma atuação monumental de Morfydd Clark, destrinchando todas as camadas complexas de uma personagem mentalmente a beira do colapso, até o derradeiro momento em que ela se parte de qualquer fiapo de realidade, e a direção faz questão de deixar bem clara a distinção do que é real, o horror e doloroso, do que é a mente em frangalhos de Maud.
o clique final encerra como um círculo perfeito o filme, simples e assustador. humano até demais.
Desespero
2.7 102 Assista AgoraA julgar pelos comentários aqui, é um filme criminosamente subestimado. Acho que cumpre ao que se propõe, ágil, escuro, gore pesado e que não faz concessões. Pro meu gosto, cabia mais uns 15 minutos na apresentação, talvez desenvolver melhor, ao longo do filme, o seu final. Mas também acredito que a intenção do diretor tenha sido essa, cortar direto pra uma ação frenética e um suspense claustrofóbico.
Sobre o final, fica bem claro que a obsessão do personagem com a tal da figura do Harry Green, como um suposto mastermind de toda aquela loucura, é sua mente criando subterfúgios pra lidar com o trauma. Ao fim, quando ele encara a realidade de que, talvez, nada daquilo tinha uma razão de ser, se rompe o seu último elo com a sanidade.
MILF
2.5 64Prova de que apenas uma mulher encabeçando o projeto, aqui no caso dirigindo e roteirizando, não é o suficiente pra romper com velhos clichês, pastelões e momentos de vergonha alheia. Beira o absurdo que, em determinado momento, um dos jovens acabe roçando e ejaculando através da calça em uma das mulheres, sem o consentimento ou consciência dela. Patético.
É um desfile de gags vergonhosas, sem qualquer justificativa pra acompanharmos personagens masculinos completamente repulsivos, e personagens femininas rasas como um pires.
Fuja
3.4 1,1K Assista AgoraÉ criminosamente subestimado o talento da Sarah Paulson, e o quanto ela pode ser assustadora. Nesse tipo de filme, um suspense/thriller hoje em dia, acho que o mais difícil não é reinventar a roda, revolucionar o gênero ou algo do tipo, mas fazer algo envolvente, bem estruturado e incrível com o comum. Um filme redondinho, bem roteirizado, sem buracos ou falhas e que, pela graça de nosso senhor, a "vítima" não é uma completa imbecil tapada. Final assustador, pra variar.
The Boy Downstairs
3.0 5Nos primeiros cinco minutos já transmitia aquela vibe gostosa/confusa e ligeiramente sem direção de GIRLS. Eu, como fã confesso da série, encarei o filme como um episódio spin off de 90 minutos com a Shoshana. É um filme simples e comum, sobre encontros e desencontros comuns, com a insuportável característica patente de GIRLS: como e porque esse tanto de mulher se apaixonando por um monte de homem bosta. Mas a narrativa funciona, ambientação de Manhattan é sempre apelativa e enche os olhos e a idéia de ter dois filmes em um (presente/flashback) distintos pela armação do óculos de Ben é o que nunca deixa o ritmo cair. Zosia, como sempre, apaixonante.