“Os Vingadores – A Era de Ultron”, muita ação, pouca emoção.
Os fãs de super-heróis estão contentes, nunca houve no cinema tantas adaptações do universo dos quadrinhos como nos últimos anos, o mercado cinematográfico reconheceu o potencial de tais produções e a rentabilidade que elas proporcionam. “Os Vingadores – A Era de Ultron” foi bem divulgado e despertou o interesse do público, muitos espectadores estavam esperando ansiosos a estreia do longa. Muita tecnologia, explosões, efeitos especiais, tudo na melhor qualidade possível, aquele formato puramente comercial realizado por Hollywood, mas a história protagonizada pelos heróis da Marvel se mostrou fraca na questão da trama, os acontecimentos que permeiam o roteiro não são empolgantes e a produção enfrenta um grande problema, a falta de humanização dos personagens, os traços psicológicos do Capitão América e sua turma não têm nada de profundo e muitas vezes se torna vaga as interações entre os protagonistas. Talvez o problema maior seja o fato de que os personagens sejam tão autossuficientes, que fica difícil montar um cenário em que exista uma motivação plena para a execução heroica de cada um, táticas de humanização foram utilizadas exacerbadamente, a narrativa da relação amorosa entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Hulk (Mark Ruffalo) se tornou “forçada”, o que ajudou muito neste quesito foi que o filme não tem um momento decisivo, de reviravolta, todo enredo patina e a alternativa de humanizar a equipe heroína fazendo com que ela enfrentasse seus respectivos medos e desenvolvesse atritos entre os membros da equipe, não movimentou em nada a história, o filme termina e começa da mesma forma, a não ser pela morte de um dos personagens (não vou dizer quem é para não contar o filme, porém é um secundário, não precisa lamentar, mas as cenas são tristes, mesmo que xoxas). Capitão América (Chris Evans) traz como sempre o arquétipo correto e forte da nação Americana, mesmo sem muitos atenuantes, é notório que ele é tido como um líder na equipe, vale lembrar que ele também enfrentou “os seus medos” sendo controlado por Wanda Maximoff (Elizabeth Olse) – Ela é a Feiticeira Escarlate, mas como nem tudo é amizade no mundo dos negócios, o nome da personagem não pôde ser usado, tal como também o seu irmão, o Mercúrio (Aaron J.), que no longa é chamado de Pietro Maximoff – e nem no cenário de turbulência psicológica ele se mostrou desesperado, sua desenvoltura foi mais para apática do que qualquer outa coisa, e fica claro que o que ele teme não é ser ele mesmo como aconteceu com os demais personagens que passaram pelo controle de mente e sim a conduta das pessoas em volta dele, sofrimentos demasiados que não partiam dele, mas que ele assistia e se colocava como parte (como um presidente que assiste os problemas sociais da sua nação). O Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) vem em seu melhor modelo – como sempre -, trazendo toda a ironia e ostentação americana, plenamente a caracterização do entretenimento formulado na cultura de massa desenvolvida no solo governado atualmente por Barack Obama. O Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) teve uma ótima funcionalidade no filme, talvez tenha sido o único personagem em toda a história que conseguiu atingir o ponto de humanidade intensamente trabalho na produção. Thor (Chris Hemsworth), como o de costume em meio aos Vingadores, tem a sua divindade nórdica reduzida para conceber uma familiarização e sintonia com os demais integrantes do grupo de bem feitores. O Visão (Paul Bettany), nos quadrinhos da Marvel esse personagem tem tantas aparições e explicações que a tarefa de defini-lo se torna complicada, mas ele aparece brando, tem participação ativa e pode ser considerado uma peça-chave na história. Ultron (James Spader – só a voz, porque o personagem é totalmente constituído tecnologicamente) tinha tudo para ser icônico, mas não foi, o argumento não conseguiu sustentar a discussão “máquina x humanidade”, “emoção x evolução” de forma digna e isso prejudicou a conduta do vilão no longa, de certa forma o Visão também ficou bastante lesado neste quesito, mas não tanto. Para psicanalistas que querem atender algum herói, o Hulk é uma ótima opção, afinal de contas ele se entrega ao inconsciente quando se transforma e se torna animalesco (a cor dele fala por si só, verde é uma das cores mais presentes na natureza... Natureza, animal, tudo a ver...). “Os Vingadores – Era de Ultron” é dirigido por Joss Whedon, tem ótima plástica, produção que verdadeiramente chama a atenção, trabalha de forma competente a linguagem de ficção científica, mas peca na estrutura psicológica dos personagens e na interação entre eles. Se por um acaso os fãs dos quadrinhos se rebelarem contra o filme, compreendo plenamente, eles têm motivos para isso!
Uma grande produção em minha opinião, principalmente na caracterização dos personagens e também dos cenários. O que me chamou a atenção foi a perspicácia de apresentar um herói mitológico nos moldes de um simples homem dono de uma força humana em maior escala, a trama lida com a dúvida sobre quem realmente foi Hércules, um simples mortal ou realmente o filho de um Deus, no caso, Zeus. E é a partir da capacidade de luta e resistência que o espectador pode acreditar no que quiser, tanto na versão fantástica apresentada pela mitologia, quanto na obviedade humana, especulando as grandes vitórias do herói como grandes feitos físicos, mas não como algo sobrenatural, eu particularmente fico com a primeira opção. A magia mitológica é quebrada através da apresentação de alguns acontecimentos na vida de Hércules, como por exemplo, a execução de seus doze trabalhos, mas o filme peca em alguns pontos, como por exemplo, nesta intenção de querer apresentar os feitos dele como fatos explicados humanamente, por isso mesmo a história do filme narra um acontecimento que envolve o herói e não de fato os acontecimentos narrados nas histórias mitológicas, o que colocou o filme em minha opinião como uma grande produção, mas a inovação sobre a estória não foi sensacional, apresentou uma perspectiva "morna" apenas (mesmo citando alguns acontecimentos narrados na mitologia como fatos ampliados por discursos míticos, narrativas construídas no filme pelo personagem de Iolaus, sobrinho de Hércules), afinal de contas, com a subjetividade o personagem Hércules se apresentou sem encanto, quando poderia ter sido enaltecido pelas narrativas mitológicas ou, se bem explicadas, como um homem singular, diferenciado nas questões físicas.
Quando falamos em formar uma sociedade livre de preconceito, devemos pensar que a formação do indivíduo começa logo na infância, através da apresentação de conteúdos que trabalham a inclusão das diferenças em qualquer tipo de conteúdo, inclusive em desenhos animados, afinal, consumimos informação o tempo todo, a partir de várias formas, tudo que observamos, sintetizamos, extraímos algo. Os desenhos japoneses trazem filosofias espiritualistas em quase todos os seus roteiros e a homossexualidade quando tratada nestas histórias é colocada como um acontecimento corriqueiro, sem espetacularização alguma na trama, afinal, amar ao próximo e manifestar este amor pelas mais variadas formas é algo totalmente normal. "Sailor Moon" é um desenho oriental em que consiste na estrutura dramática protagonizada essencialmente por mulheres, reencarnação, destino, o despertar de sentimentos bons nas pessoas são algumas das sustentações básicas desta série animada. Entre as "Marinheiras Guerreiras" existem duas que enaltecem um romance, trata-se de Sailor Urano e Sailor Netuno, as duas lutam juntas ao lado de Sailor Moon para conseguirem libertar o Planeta Terra das forças do mal. Nas sequências protagonizadas por elas, o tratamento da manifestação homossexual é trabalhada como um comportamento amoroso lindo e sensível, sem trazer em momento algum em seu discurso apologia ao lesbianismo, mas sim mostrando o respeito que se deve ter pelas pessoas do mesmo sexo que se amam através do Amor Eros! As crianças devem ser orientadas sempre sobre o amor, o respeito, o sexo é algo que vem em segundo plano, é a consequência de um sentimento lindo que se guarda nos corações... Os desenhos animados orientais trazem lições sociais maravilhosas, desde o respeito, até a meditação que se deve ter no cotidiano, isso tudo através de uma linguagem dinâmica e fictícia. É maravilhoso ver que algumas pessoas, criadoras de produtos ficcionais voltados para o entretenimento, tenham o discernimento de acoplarem em suas respectivas produções mensagens de extrema importância para o nosso convívio no espaço social.
A Manchete inovou na história da teledramaturgia na época em que atuou no mercado, uma das apostas diferentes foi a minissérie "Ilha das Bruxas", do autor Paulo Figueiredo, que foi ao ar em março de 1991. Gravações externas foram o ponto alto da produção, a Ilha de Santa Catarina (Florianópolis) era a grande sustentação das belas fotografias. Para a composição do contexto da história, a equipe de arte construiu minuciosamente um vilarejo da época de 1910. Os açorianos foram um dos povos que ajudaram a colonizar Florianópolis, esse fato histórico desencadeou a inspiração para a formulação do figurino, que foi desenvolvida a partir de ideias sobre as roupas usadas em Açores antigamente. A produção trouxe uma trilha sonora fora dos padrões comerciais, não haviam canções cantadas, mas apenas instrumentais com algumas passagens de voz que vinham com gemidos e pouquíssimos cantos, isso era necessário para a sustentação do clima da história. Esta e outras produções da Manchete trazem uma reflexão, sobre a falta de histórias interessantes e singulares dentro da teledramaturgia atualmente, o canal Bloch trazia sempre inovação para sua programação, dando liberdade artística aos seus autores.
O final desta novela destruiu todo o enredo construído no decorrer dos capítulos, foi um grande sucesso, mas com certeza frustrou alguns com o seu final mal formulado.
Qual é o pecado cometido com a novela "Pecado Mortal"?! A trama assinada por Carlos Lombardi foi ao ar na faixa das 22h30 na emissora de Edir Macedo. A novela tem um ótimo figurino, requintada plástica e atuações de bom nível, mesmo assim amargou na maioria das vezes no terceiro lugar com um ibope inferior ao da Globo e do SBT. O folhetim marcou a estreia do autor na Record, após 31 anos prestados para a Globo, a história traz cenas de ação de muito bom gosto e não se sustenta no melodrama convencional da maioria das produções de teledramaturgia, o romance. Algo que possivelmente poderia despertar o interesse do público masculino e também de outras pessoas que não são atraídas pelos formatos convencionais de telenovela. Acredito que o motivo que levou "Pecado Mortal" não se sair bem na audiência, não foi responsabilidade da produção, nem do texto ou qualquer outro ponto da novela, mas sim a falta de perspicácia da Record em construir uma programação com identidade. A Globo e o SBT permeiam todos os seus programas com uma essência singular, objetivando sempre certa conduta, já a a Record, não, ao mesmo tempo que ela desempenha alguns programas para algumas classes sociais em outros horários ela coloca no ar programas discrepantes que nada tem haver com o perfil do telespectador dela, isso evita a fidelização de quem assiste. De acordo com Anderson de Souza, o diretor de teledramaturgia da emissora, os gastos de cenografia na produção foi no valor de R$ 11 milhões de reais, cada capítulo custou em média R$ 500 mil. O alto valor se deve ao motivo de que a novela não reutilizou praticamente nada de produções anteriores, porque ela é de época, para este tipo de produção é muito complicado ter acervo. A trama se passa no final dos anos 70, uma época de destaque na história do Rio de Janeiro, principalmente na questão da criminalidade, onde aconteceu uma mudança na estrutura criminosa carioca, em que o poder passa dos chefões do jogo do bicho, para os traficantes.
Foi uma boa escolha para o Vale a Pena Ver de Novo, o público pedia uma trama mais ousada no horário vespertino. Agora é torcer para que o Ministério da Justiça não exagere na censura e faça com que a Globo corte de forma brusca a trama, porque se isso acontecer a história pode perder a coerência e também a essência da obra de João Emanuel Carneiro!
"Meu Pedacinho de Chão", uma crítica social a partir da perspectiva infantil. A novela de Benedito Ruy Barbosa estreou no dia 07 de abril, movimentando a mídia com a sua nova versão de uma história anteriormente apresentada entre 1971 e 1972, pela TV Cultura. Ao contrário da primeira versão, que foi desenvolvida com uma linguagem realista e sofreu inúmeras censuras pelo governo da época, o autor trouxe a estrutura básica da trama novamente, como os nomes dos personagens e das localidades, mas desta vez usou a nossa liberdade de expressão atual para tratar de temáticas do âmbito social, como, por exemplo, a política. O folhetim é permeado por maquiagem, exóticos figurinos e cenários com roupagem fantástica. Para alguns a trama fugiu muito do convencional e se tornou carregada, mas foi esta espetacularização que permitiu levar ao público infantil e aos amantes de arte da TV uma linguagem reflexiva, preenchida por análises de como a nossa sociedade é sustentada diante dos valores trabalhados com os indivíduos. Após a sua estreia a novela não rendeu tanta repercussão, mas cativou um público que terá saudades do carisma de Pituca (Geytsa Garcia) e Serelepe (Tomas Sampaio), aos fãs da obra é importante frisar que no passado o folhetim ganhou uma "continuação", na qual mostrava as crianças na fase adulta, trata-se de "Voltei Para Você", apresentada entre 1983 e 1984. O diretor de "Meu Pedacinho de Chão", utilizou vários recursos por ele já usados em seu trabalho "Hoje é Dia de Maria" (minissérie apresentada em 2005). Como em "Saramandaia", a produção buscou inspirações nas obras de Tim Burton para construir a estética da novela. Diante de uma roupagem infantil, a história da novela busca levar ao telespectador problematizações e estilos de vida vividos pelo homem do campo, os acontecimentos se sucedem a partir da estrutura perceptiva de uma criança, que coloca todos os personagens em uma posição de "brinquedos" que se interagem dentro de outro "brinquedo", a Vila de Santa Fé. "Meu Pedacinho de Chão" é a representação da ingenuidade infantil perante ao sistema avassalador dos adultos.
"A Viagem"...Quando o discurso religioso se torna a base para a produção ficcional! O canal Viva está reprisando um grande sucesso da teledramaturgia nacional, trata-se da trama assinada por Ivani Ribeiro, "A Viagem", apresentada pela primeira vez no ano de 1994. É fácil percebermos algumas novelas tratarem da temática espírita em alguns núcleos, outras embasando-se nela como estrutura principal, mas no meio de tantas opções, a história de Alexandre (Guilherme Fontes) chama a atenção pela perspicácia da autora em manipular a linguagem religiosa em torno da filosofia de Allan Kardec (1804 - 1869) e trabalhar bem com todo o universo simbólico do Espiritismo. Mesmo sendo uma nova versão da história apresentada pela Tupi entre os anos de 1975 e 1976 (esta versão também foi assinada por Ivani Ribeiro), a produção global conseguiu despertar a empatia do público, até mesmo dos mais distanciados desta abordagem religiosa, encantando os telespectadores com uma narrativa permeada por acontecimentos tenebrosos, mas cheia de manifestações de felicidade plena, crença sobre a vida após a morte e perdão entre pessoas. É difícil encontramos na história da televisão brasileira produções que fogem do padrão tradicional onde se proclama uma doutrina diferente do catolicismo, muitos autores levam o tema para o lado negativo, dando menção ao universo obscuro da espiritualidade, algo totalmente executado de forma errada, afinal, a TV aberta deve cumprir a sua relevância social ampliando de forma, mesmo que mínima, a percepção dos indivíduos inclusos em nossa sociedade. Com uma bela fotografia e efeitos especiais (na época era o melhor que se podia fazer) os acontecimentos da história vão acontecendo de forma leve, sem destoamentos perceptíveis, esta obra televisiva foi apresentada pela Rede Globo no horário das 19 horas. O texto usado na trama foi muito bem arquitetado, despertando facilmente emotividade nas pessoas que acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos nos diferentes núcleos da novela. Destaque para a trilha sonora, onde o tema de abertura cantado pelo Roupa Nova, que levava o mesmo nome da novela, rendeu a conquista de vários fãs e se tornou referência no mercado fonográfico brasileiro, principalmente no âmbito de trilhas sonoras. Aos que não assistiram, uma ótima oportunidade, o canal que pertence à Rede Globo (Viva) está apresentando a novela na faixa das 14h30 desde 14/07/2014.
Neste fim de semana pude acompanhar no cinema o mais recente filme estrelado por Angelina Jolie, "Malévola", a produção da Walt Disney trouxe de forma adaptada o conto infantil "A Bela Adormecida". O foco da produção, como o próprio título deixa claro, é na vilã, a bruxa, ou melhor, na fada que se torna amarga após ser enganada por um humano. Ao acompanhar o enredo, que foi enaltecido pelos efeitos especiais, observei a ausência da identidade masculina, salvando é claro a causa de toda a reviravolta na trama, onde é ocasionada pela malícia e ganância representada pela figura do homem. "Malévola" mostra de forma enfatizada os dois lados historicamente tão abordados sobre a figura feminina, a grandiosa capacidade de amar, mas também a magnânima forma de odiar. Foi a mesma fada pura que também se tornou a personagem mais tenebrosa, obscura e depois, através da sensibilidade presente na conduta da mulher, ela volta a se purificar, fazendo justiça, desatando os próprios nós por ela amarrados. A princesa, a doce Aurora, descobre de quem é filha ao completar seus dezesseis anos, em curtas cenas ela demonstra o carinho pela figura paterna, mas na euforia do roteiro, em poucos minutos, ela se volta a favor da identidade feminina, desprezando o vínculo paterno, se tornando fiel aos seus sentimentos, afinal, durante toda a narrativa ela esteve interagindo com "Malévola". O amor eros não é abordado, o príncipe nem ao menos se torna encantador com sua aparência física, ele é apenas mais um personagem que "fala grosso" nos diálogos fantasiosos. Um filme de bom gosto, surpreendente ao fugir do padrão narrado pelo conto de fadas conhecido pela maioria das pessoas, uma produção mascarada de fantasia que mostra o poder de decisão da mulher dentro de uma comunidade.
Entre 09 de outubro de 2000 a 21 de dezembro de 2001, com 315 capítulos, foi apresentada nas manhãs da Globo o programa "Bambuluá". Era uma trama infantil apresentada dentro do programa TV Globinho, a atração principal da novelinha era a atriz e apresentadora Angélica. Com um enredo rico, a criatividade focava em formular super-heróis no contexto da cultura brasileira, o folclore do país, o próprio título da série-novela era extraído de um conto, do autor Câmara Cascudo (chama-se "A Princesa de Bambuluá", no folclore Bambuluá significa uma terra onde os olhos maus não podem enxergar), ele é considerado um famoso estudioso sobre as manifestações folclóricas brasileiras. Com capítulos ligeiros, a história foi apresentada em duas temporadas, entre elas aconteceram troca de personagens, inclusive no núcleo principal que agregava os super-heróis. Analisando historicamente a produção de ficção seriada, Bambuluá foi o primeiro "Super Sentai" produzido no Brasil, seguindo os estereótipos habituais de "tokusatsu", conhecida bastante no Brasil através da roupagem americanizada apresentada pela série "Power Rangers". De olho no ibope, a Globo constatou que o elenco de heróis formados por crianças não estava conquistando o público, por isso trocaram elas por adolescentes, para que a história não perdesse a lógica, foi inserido no enredo a seguinte brecha: As crianças foram treinar em outra dimensão, onde dez anos por lá equivaleram apenas dez dias na Terra. Isto evitou que o elenco adulto da produção também tivesse que ser trocado. Ir para outra dimensão se tornou uma desculpa nos bastidores, Angélica, por exemplo, tirou férias de um mês na época, para justificar a ausência de sua personagem, a trama apresentou um sequestro dela, e para onde ela foi? Foi para outra dimensão, mas depois voltou! Com uma bela produção esta série-novela conseguiu corresponder as expectativas tanto da emissora quanto do público, mesmo não sendo tão marcante na vida profissional de Angélica como a série "Caça Talentos", o programa conseguiu inseri-la ainda mais na ideia dos telespectadores mirins da época.
A força do diamante entra para o horário nobre da Globo. Quando uma novela é boa, bem executada, planejada, coerente, é perceptível o seu valor já na apresentação do seu primeiro capítulo. Mesmo sendo alfinetada pelos comentários de que o ibope foi péssimo dentro das expectativas de estreia, "Império" causou alvoroço nas redes sociais e conseguiu conquistar o público, com um formato padrão de folhetim, o enredo é chamativo e conquistador. Quanto aos números do ibope ontem (consolidou 32,1 pontos, de shared a média foi de 47,7%), a razão mais óbvia seja que a nova produção de Aguinaldo Silva sofreu o reflexo do desprezo do público com a novela anterior, "Em Família", de Manoel Carlos.Acredito que aos poucos a história estrelada por Alexandre Nero e Leandra Leal terá os índices aumentados, é só uma questão de tempo. A raiz da história foi muito feliz, não envolveu um amor impossível, mas sim um romance possível, mas não resolvido, isso diluído em um contexto de realização pessoal, poder econômico, o que tornou o enredo bem estruturado. A trilha sonora veio requintada, a abertura é artística, de extremo bom gosto, desde as imagens até o tema musical escolhido. A novela não é solar, ou seja, vibrante, ela vem com fotografias fortes, densas, marcantes, até porque o uso exacerbado de cores podia ocasionar estranheza no público, que é acostumado a ver isso nas novelas das sete e das seis. "Império" veio com a receita habitual de sucesso folhetinesco agrupado ao requinte da temática tratada na narrativa, nada surpreendente, porém extremamente apresentável e recheada de personagens psicologicamente bem arquitetados. Nesta trama destaco algo que considero importante na conduta de um autor, Aguinaldo Silva apresentou motivos para todas as manifestações dos personagens, todos eles estão recheados de "por quês" que os estimulam a tomarem atitudes e o telespectador consegue compreender os acontecimentos. É muito cedo para falar que "Império" será uma das melhores novelas da década, mas pelo menos ela conseguirá rever conceitos esquecidos nas últimas novelas, como, por exemplo, coerência.
Foi uma produção espetacular, uma trama com a pura essência folhetinesca, estruturada dentro de uma roupagem mais artística, permeada por detalhes, como, por exemplo, os ângulos das câmeras! Avenida Brasil em minha opinião é referência em enredo e também na questão comercial, o merchandising de produtos nela era realizado de forma sutil, por isso foi uma das novelas mais rentáveis da Rede Globo.
Vingadores: Era de Ultron
3.7 3,0K Assista Agora“Os Vingadores – A Era de Ultron”, muita ação, pouca emoção.
Os fãs de super-heróis estão contentes, nunca houve no cinema tantas adaptações do universo dos quadrinhos como nos últimos anos, o mercado cinematográfico reconheceu o potencial de tais produções e a rentabilidade que elas proporcionam. “Os Vingadores – A Era de Ultron” foi bem divulgado e despertou o interesse do público, muitos espectadores estavam esperando ansiosos a estreia do longa.
Muita tecnologia, explosões, efeitos especiais, tudo na melhor qualidade possível, aquele formato puramente comercial realizado por Hollywood, mas a história protagonizada pelos heróis da Marvel se mostrou fraca na questão da trama, os acontecimentos que permeiam o roteiro não são empolgantes e a produção enfrenta um grande problema, a falta de humanização dos personagens, os traços psicológicos do Capitão América e sua turma não têm nada de profundo e muitas vezes se torna vaga as interações entre os protagonistas.
Talvez o problema maior seja o fato de que os personagens sejam tão autossuficientes, que fica difícil montar um cenário em que exista uma motivação plena para a execução heroica de cada um, táticas de humanização foram utilizadas exacerbadamente, a narrativa da relação amorosa entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Hulk (Mark Ruffalo) se tornou “forçada”, o que ajudou muito neste quesito foi que o filme não tem um momento decisivo, de reviravolta, todo enredo patina e a alternativa de humanizar a equipe heroína fazendo com que ela enfrentasse seus respectivos medos e desenvolvesse atritos entre os membros da equipe, não movimentou em nada a história, o filme termina e começa da mesma forma, a não ser pela morte de um dos personagens (não vou dizer quem é para não contar o filme, porém é um secundário, não precisa lamentar, mas as cenas são tristes, mesmo que xoxas).
Capitão América (Chris Evans) traz como sempre o arquétipo correto e forte da nação Americana, mesmo sem muitos atenuantes, é notório que ele é tido como um líder na equipe, vale lembrar que ele também enfrentou “os seus medos” sendo controlado por Wanda Maximoff (Elizabeth Olse) – Ela é a Feiticeira Escarlate, mas como nem tudo é amizade no mundo dos negócios, o nome da personagem não pôde ser usado, tal como também o seu irmão, o Mercúrio (Aaron J.), que no longa é chamado de Pietro Maximoff – e nem no cenário de turbulência psicológica ele se mostrou desesperado, sua desenvoltura foi mais para apática do que qualquer outa coisa, e fica claro que o que ele teme não é ser ele mesmo como aconteceu com os demais personagens que passaram pelo controle de mente e sim a conduta das pessoas em volta dele, sofrimentos demasiados que não partiam dele, mas que ele assistia e se colocava como parte (como um presidente que assiste os problemas sociais da sua nação).
O Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) vem em seu melhor modelo – como sempre -, trazendo toda a ironia e ostentação americana, plenamente a caracterização do entretenimento formulado na cultura de massa desenvolvida no solo governado atualmente por Barack Obama. O Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) teve uma ótima funcionalidade no filme, talvez tenha sido o único personagem em toda a história que conseguiu atingir o ponto de humanidade intensamente trabalho na produção. Thor (Chris Hemsworth), como o de costume em meio aos Vingadores, tem a sua divindade nórdica reduzida para conceber uma familiarização e sintonia com os demais integrantes do grupo de bem feitores.
O Visão (Paul Bettany), nos quadrinhos da Marvel esse personagem tem tantas aparições e explicações que a tarefa de defini-lo se torna complicada, mas ele aparece brando, tem participação ativa e pode ser considerado uma peça-chave na história. Ultron (James Spader – só a voz, porque o personagem é totalmente constituído tecnologicamente) tinha tudo para ser icônico, mas não foi, o argumento não conseguiu sustentar a discussão “máquina x humanidade”, “emoção x evolução” de forma digna e isso prejudicou a conduta do vilão no longa, de certa forma o Visão também ficou bastante lesado neste quesito, mas não tanto.
Para psicanalistas que querem atender algum herói, o Hulk é uma ótima opção, afinal de contas ele se entrega ao inconsciente quando se transforma e se torna animalesco (a cor dele fala por si só, verde é uma das cores mais presentes na natureza... Natureza, animal, tudo a ver...).
“Os Vingadores – Era de Ultron” é dirigido por Joss Whedon, tem ótima plástica, produção que verdadeiramente chama a atenção, trabalha de forma competente a linguagem de ficção científica, mas peca na estrutura psicológica dos personagens e na interação entre eles.
Se por um acaso os fãs dos quadrinhos se rebelarem contra o filme, compreendo plenamente, eles têm motivos para isso!
Hércules
3.0 790 Assista AgoraUma grande produção em minha opinião, principalmente na caracterização dos personagens e também dos cenários. O que me chamou a atenção foi a perspicácia de apresentar um herói mitológico nos moldes de um simples homem dono de uma força humana em maior escala, a trama lida com a dúvida sobre quem realmente foi Hércules, um simples mortal ou realmente o filho de um Deus, no caso, Zeus. E é a partir da capacidade de luta e resistência que o espectador pode acreditar no que quiser, tanto na versão fantástica apresentada pela mitologia, quanto na obviedade humana, especulando as grandes vitórias do herói como grandes feitos físicos, mas não como algo sobrenatural, eu particularmente fico com a primeira opção. A magia mitológica é quebrada através da apresentação de alguns acontecimentos na vida de Hércules, como por exemplo, a execução de seus doze trabalhos, mas o filme peca em alguns pontos, como por exemplo, nesta intenção de querer apresentar os feitos dele como fatos explicados humanamente, por isso mesmo a história do filme narra um acontecimento que envolve o herói e não de fato os acontecimentos narrados nas histórias mitológicas, o que colocou o filme em minha opinião como uma grande produção, mas a inovação sobre a estória não foi sensacional, apresentou uma perspectiva "morna" apenas (mesmo citando alguns acontecimentos narrados na mitologia como fatos ampliados por discursos míticos, narrativas construídas no filme pelo personagem de Iolaus, sobrinho de Hércules), afinal de contas, com a subjetividade o personagem Hércules se apresentou sem encanto, quando poderia ter sido enaltecido pelas narrativas mitológicas ou, se bem explicadas, como um homem singular, diferenciado nas questões físicas.
Sailor Moon (3ª Temporada - Sailor Moon S)
4.3 22 Assista AgoraQuando falamos em formar uma sociedade livre de preconceito, devemos pensar que a formação do indivíduo começa logo na infância, através da apresentação de conteúdos que trabalham a inclusão das diferenças em qualquer tipo de conteúdo, inclusive em desenhos animados, afinal, consumimos informação o tempo todo, a partir de várias formas, tudo que observamos, sintetizamos, extraímos algo. Os desenhos japoneses trazem filosofias espiritualistas em quase todos os seus roteiros e a homossexualidade quando tratada nestas histórias é colocada como um acontecimento corriqueiro, sem espetacularização alguma na trama, afinal, amar ao próximo e manifestar este amor pelas mais variadas formas é algo totalmente normal. "Sailor Moon" é um desenho oriental em que consiste na estrutura dramática protagonizada essencialmente por mulheres, reencarnação, destino, o despertar de sentimentos bons nas pessoas são algumas das sustentações básicas desta série animada. Entre as "Marinheiras Guerreiras" existem duas que enaltecem um romance, trata-se de Sailor Urano e Sailor Netuno, as duas lutam juntas ao lado de Sailor Moon para conseguirem libertar o Planeta Terra das forças do mal. Nas sequências protagonizadas por elas, o tratamento da manifestação homossexual é trabalhada como um comportamento amoroso lindo e sensível, sem trazer em momento algum em seu discurso apologia ao lesbianismo, mas sim mostrando o respeito que se deve ter pelas pessoas do mesmo sexo que se amam através do Amor Eros! As crianças devem ser orientadas sempre sobre o amor, o respeito, o sexo é algo que vem em segundo plano, é a consequência de um sentimento lindo que se guarda nos corações... Os desenhos animados orientais trazem lições sociais maravilhosas, desde o respeito, até a meditação que se deve ter no cotidiano, isso tudo através de uma linguagem dinâmica e fictícia. É maravilhoso ver que algumas pessoas, criadoras de produtos ficcionais voltados para o entretenimento, tenham o discernimento de acoplarem em suas respectivas produções mensagens de extrema importância para o nosso convívio no espaço social.
A Rainha dos Condenados
2.9 575 Assista AgoraPela trilha sonora, o filme é válido!
Ilha das Bruxas
3.6 7A Manchete inovou na história da teledramaturgia na época em que atuou no mercado, uma das apostas diferentes foi a minissérie "Ilha das Bruxas", do autor Paulo Figueiredo, que foi ao ar em março de 1991. Gravações externas foram o ponto alto da produção, a Ilha de Santa Catarina (Florianópolis) era a grande sustentação das belas fotografias. Para a composição do contexto da história, a equipe de arte construiu minuciosamente um vilarejo da época de 1910. Os açorianos foram um dos povos que ajudaram a colonizar Florianópolis, esse fato histórico desencadeou a inspiração para a formulação do figurino, que foi desenvolvida a partir de ideias sobre as roupas usadas em Açores antigamente. A produção trouxe uma trilha sonora fora dos padrões comerciais, não haviam canções cantadas, mas apenas instrumentais com algumas passagens de voz que vinham com gemidos e pouquíssimos cantos, isso era necessário para a sustentação do clima da história. Esta e outras produções da Manchete trazem uma reflexão, sobre a falta de histórias interessantes e singulares dentro da teledramaturgia atualmente, o canal Bloch trazia sempre inovação para sua programação, dando liberdade artística aos seus autores.
O Clone
3.8 399 Assista AgoraO final desta novela destruiu todo o enredo construído no decorrer dos capítulos, foi um grande sucesso, mas com certeza frustrou alguns com o seu final mal formulado.
Smiley Face: Louca de Dar Nó
3.3 219Não curto muitos filmes de comédia, mais este, me cativou e me faz rir todas as vezes que assisto!
Pecado Mortal
4.0 18Qual é o pecado cometido com a novela "Pecado Mortal"?! A trama assinada por Carlos Lombardi foi ao ar na faixa das 22h30 na emissora de Edir Macedo. A novela tem um ótimo figurino, requintada plástica e atuações de bom nível, mesmo assim amargou na maioria das vezes no terceiro lugar com um ibope inferior ao da Globo e do SBT. O folhetim marcou a estreia do autor na Record, após 31 anos prestados para a Globo, a história traz cenas de ação de muito bom gosto e não se sustenta no melodrama convencional da maioria das produções de teledramaturgia, o romance. Algo que possivelmente poderia despertar o interesse do público masculino e também de outras pessoas que não são atraídas pelos formatos convencionais de telenovela. Acredito que o motivo que levou "Pecado Mortal" não se sair bem na audiência, não foi responsabilidade da produção, nem do texto ou qualquer outro ponto da novela, mas sim a falta de perspicácia da Record em construir uma programação com identidade. A Globo e o SBT permeiam todos os seus programas com uma essência singular, objetivando sempre certa conduta, já a a Record, não, ao mesmo tempo que ela desempenha alguns programas para algumas classes sociais em outros horários ela coloca no ar programas discrepantes que nada tem haver com o perfil do telespectador dela, isso evita a fidelização de quem assiste. De acordo com Anderson de Souza, o diretor de teledramaturgia da emissora, os gastos de cenografia na produção foi no valor de R$ 11 milhões de reais, cada capítulo custou em média R$ 500 mil. O alto valor se deve ao motivo de que a novela não reutilizou praticamente nada de produções anteriores, porque ela é de época, para este tipo de produção é muito complicado ter acervo. A trama se passa no final dos anos 70, uma época de destaque na história do Rio de Janeiro, principalmente na questão da criminalidade, onde aconteceu uma mudança na estrutura criminosa carioca, em que o poder passa dos chefões do jogo do bicho, para os traficantes.
Esmeralda
3.3 44Não consegue chegar nem a dez por cento da trama original mexicana a qual deu base para esta versão!
Cobras e Lagartos
3.3 143 Assista AgoraFoi uma boa escolha para o Vale a Pena Ver de Novo, o público pedia uma trama mais ousada no horário vespertino. Agora é torcer para que o Ministério da Justiça não exagere na censura e faça com que a Globo corte de forma brusca a trama, porque se isso acontecer a história pode perder a coerência e também a essência da obra de João Emanuel Carneiro!
Meu Pedacinho De Chão
3.8 113"Meu Pedacinho de Chão", uma crítica social a partir da perspectiva infantil.
A novela de Benedito Ruy Barbosa estreou no dia 07 de abril, movimentando a mídia com a sua nova versão de uma história anteriormente apresentada entre 1971 e 1972, pela TV Cultura. Ao contrário da primeira versão, que foi desenvolvida com uma linguagem realista e sofreu inúmeras censuras pelo governo da época, o autor trouxe a estrutura básica da trama novamente, como os nomes dos personagens e das localidades, mas desta vez usou a nossa liberdade de expressão atual para tratar de temáticas do âmbito social, como, por exemplo, a política. O folhetim é permeado por maquiagem, exóticos figurinos e cenários com roupagem fantástica. Para alguns a trama fugiu muito do convencional e se tornou carregada, mas foi esta espetacularização que permitiu levar ao público infantil e aos amantes de arte da TV uma linguagem reflexiva, preenchida por análises de como a nossa sociedade é sustentada diante dos valores trabalhados com os indivíduos. Após a sua estreia a novela não rendeu tanta repercussão, mas cativou um público que terá saudades do carisma de Pituca (Geytsa Garcia) e Serelepe (Tomas Sampaio), aos fãs da obra é importante frisar que no passado o folhetim ganhou uma "continuação", na qual mostrava as crianças na fase adulta, trata-se de "Voltei Para Você", apresentada entre 1983 e 1984. O diretor de "Meu Pedacinho de Chão", utilizou vários recursos por ele já usados em seu trabalho "Hoje é Dia de Maria" (minissérie apresentada em 2005). Como em "Saramandaia", a produção buscou inspirações nas obras de Tim Burton para construir a estética da novela. Diante de uma roupagem infantil, a história da novela busca levar ao telespectador problematizações e estilos de vida vividos pelo homem do campo, os acontecimentos se sucedem a partir da estrutura perceptiva de uma criança, que coloca todos os personagens em uma posição de "brinquedos" que se interagem dentro de outro "brinquedo", a Vila de Santa Fé. "Meu Pedacinho de Chão" é a representação da ingenuidade infantil perante ao sistema avassalador dos adultos.
A Viagem
4.0 215"A Viagem"...Quando o discurso religioso se torna a base para a produção ficcional!
O canal Viva está reprisando um grande sucesso da teledramaturgia nacional, trata-se da trama assinada por Ivani Ribeiro, "A Viagem", apresentada pela primeira vez no ano de 1994. É fácil percebermos algumas novelas tratarem da temática espírita em alguns núcleos, outras embasando-se nela como estrutura principal, mas no meio de tantas opções, a história de Alexandre (Guilherme Fontes) chama a atenção pela perspicácia da autora em manipular a linguagem religiosa em torno da filosofia de Allan Kardec (1804 - 1869) e trabalhar bem com todo o universo simbólico do Espiritismo. Mesmo sendo uma nova versão da história apresentada pela Tupi entre os anos de 1975 e 1976 (esta versão também foi assinada por Ivani Ribeiro), a produção global conseguiu despertar a empatia do público, até mesmo dos mais distanciados desta abordagem religiosa, encantando os telespectadores com uma narrativa permeada por acontecimentos tenebrosos, mas cheia de manifestações de felicidade plena, crença sobre a vida após a morte e perdão entre pessoas. É difícil encontramos na história da televisão brasileira produções que fogem do padrão tradicional onde se proclama uma doutrina diferente do catolicismo, muitos autores levam o tema para o lado negativo, dando menção ao universo obscuro da espiritualidade, algo totalmente executado de forma errada, afinal, a TV aberta deve cumprir a sua relevância social ampliando de forma, mesmo que mínima, a percepção dos indivíduos inclusos em nossa sociedade. Com uma bela fotografia e efeitos especiais (na época era o melhor que se podia fazer) os acontecimentos da história vão acontecendo de forma leve, sem destoamentos perceptíveis, esta obra televisiva foi apresentada pela Rede Globo no horário das 19 horas. O texto usado na trama foi muito bem arquitetado, despertando facilmente emotividade nas pessoas que acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos nos diferentes núcleos da novela. Destaque para a trilha sonora, onde o tema de abertura cantado pelo Roupa Nova, que levava o mesmo nome da novela, rendeu a conquista de vários fãs e se tornou referência no mercado fonográfico brasileiro, principalmente no âmbito de trilhas sonoras. Aos que não assistiram, uma ótima oportunidade, o canal que pertence à Rede Globo (Viva) está apresentando a novela na faixa das 14h30 desde 14/07/2014.
Malévola
3.7 3,8K Assista AgoraO espetacular feminismo de "Malévola".
Neste fim de semana pude acompanhar no cinema o mais recente filme estrelado por Angelina Jolie, "Malévola", a produção da Walt Disney trouxe de forma adaptada o conto infantil "A Bela Adormecida". O foco da produção, como o próprio título deixa claro, é na vilã, a bruxa, ou melhor, na fada que se torna amarga após ser enganada por um humano. Ao acompanhar o enredo, que foi enaltecido pelos efeitos especiais, observei a ausência da identidade masculina, salvando é claro a causa de toda a reviravolta na trama, onde é ocasionada pela malícia e ganância representada pela figura do homem. "Malévola" mostra de forma enfatizada os dois lados historicamente tão abordados sobre a figura feminina, a grandiosa capacidade de amar, mas também a magnânima forma de odiar. Foi a mesma fada pura que também se tornou a personagem mais tenebrosa, obscura e depois, através da sensibilidade presente na conduta da mulher, ela volta a se purificar, fazendo justiça, desatando os próprios nós por ela amarrados. A princesa, a doce Aurora, descobre de quem é filha ao completar seus dezesseis anos, em curtas cenas ela demonstra o carinho pela figura paterna, mas na euforia do roteiro, em poucos minutos, ela se volta a favor da identidade feminina, desprezando o vínculo paterno, se tornando fiel aos seus sentimentos, afinal, durante toda a narrativa ela esteve interagindo com "Malévola". O amor eros não é abordado, o príncipe nem ao menos se torna encantador com sua aparência física, ele é apenas mais um personagem que "fala grosso" nos diálogos fantasiosos. Um filme de bom gosto, surpreendente ao fugir do padrão narrado pelo conto de fadas conhecido pela maioria das pessoas, uma produção mascarada de fantasia que mostra o poder de decisão da mulher dentro de uma comunidade.
Bambuluá
3.3 92Entre 09 de outubro de 2000 a 21 de dezembro de 2001, com 315 capítulos, foi apresentada nas manhãs da Globo o programa "Bambuluá". Era uma trama infantil apresentada dentro do programa TV Globinho, a atração principal da novelinha era a atriz e apresentadora Angélica. Com um enredo rico, a criatividade focava em formular super-heróis no contexto da cultura brasileira, o folclore do país, o próprio título da série-novela era extraído de um conto, do autor Câmara Cascudo (chama-se "A Princesa de Bambuluá", no folclore Bambuluá significa uma terra onde os olhos maus não podem enxergar), ele é considerado um famoso estudioso sobre as manifestações folclóricas brasileiras. Com capítulos ligeiros, a história foi apresentada em duas temporadas, entre elas aconteceram troca de personagens, inclusive no núcleo principal que agregava os super-heróis. Analisando historicamente a produção de ficção seriada, Bambuluá foi o primeiro "Super Sentai" produzido no Brasil, seguindo os estereótipos habituais de "tokusatsu", conhecida bastante no Brasil através da roupagem americanizada apresentada pela série "Power Rangers". De olho no ibope, a Globo constatou que o elenco de heróis formados por crianças não estava conquistando o público, por isso trocaram elas por adolescentes, para que a história não perdesse a lógica, foi inserido no enredo a seguinte brecha: As crianças foram treinar em outra dimensão, onde dez anos por lá equivaleram apenas dez dias na Terra. Isto evitou que o elenco adulto da produção também tivesse que ser trocado. Ir para outra dimensão se tornou uma desculpa nos bastidores, Angélica, por exemplo, tirou férias de um mês na época, para justificar a ausência de sua personagem, a trama apresentou um sequestro dela, e para onde ela foi? Foi para outra dimensão, mas depois voltou! Com uma bela produção esta série-novela conseguiu corresponder as expectativas tanto da emissora quanto do público, mesmo não sendo tão marcante na vida profissional de Angélica como a série "Caça Talentos", o programa conseguiu inseri-la ainda mais na ideia dos telespectadores mirins da época.
Império
3.4 98A força do diamante entra para o horário nobre da Globo.
Quando uma novela é boa, bem executada, planejada, coerente, é perceptível o seu valor já na apresentação do seu primeiro capítulo. Mesmo sendo alfinetada pelos comentários de que o ibope foi péssimo dentro das expectativas de estreia, "Império" causou alvoroço nas redes sociais e conseguiu conquistar o público, com um formato padrão de folhetim, o enredo é chamativo e conquistador. Quanto aos números do ibope ontem (consolidou 32,1 pontos, de shared a média foi de 47,7%), a razão mais óbvia seja que a nova produção de Aguinaldo Silva sofreu o reflexo do desprezo do público com a novela anterior, "Em Família", de Manoel Carlos.Acredito que aos poucos a história estrelada por Alexandre Nero e Leandra Leal terá os índices aumentados, é só uma questão de tempo. A raiz da história foi muito feliz, não envolveu um amor impossível, mas sim um romance possível, mas não resolvido, isso diluído em um contexto de realização pessoal, poder econômico, o que tornou o enredo bem estruturado. A trilha sonora veio requintada, a abertura é artística, de extremo bom gosto, desde as imagens até o tema musical escolhido. A novela não é solar, ou seja, vibrante, ela vem com fotografias fortes, densas, marcantes, até porque o uso exacerbado de cores podia ocasionar estranheza no público, que é acostumado a ver isso nas novelas das sete e das seis. "Império" veio com a receita habitual de sucesso folhetinesco agrupado ao requinte da temática tratada na narrativa, nada surpreendente, porém extremamente apresentável e recheada de personagens psicologicamente bem arquitetados. Nesta trama destaco algo que considero importante na conduta de um autor, Aguinaldo Silva apresentou motivos para todas as manifestações dos personagens, todos eles estão recheados de "por quês" que os estimulam a tomarem atitudes e o telespectador consegue compreender os acontecimentos. É muito cedo para falar que "Império" será uma das melhores novelas da década, mas pelo menos ela conseguirá rever conceitos esquecidos nas últimas novelas, como, por exemplo, coerência.
Avenida Brasil
4.1 839Foi uma produção espetacular, uma trama com a pura essência folhetinesca, estruturada dentro de uma roupagem mais artística, permeada por detalhes, como, por exemplo, os ângulos das câmeras! Avenida Brasil em minha opinião é referência em enredo e também na questão comercial, o merchandising de produtos nela era realizado de forma sutil, por isso foi uma das novelas mais rentáveis da Rede Globo.