Depois de te-lo visto ontem no CINE-PE estava me relutando ao maximo em tecer qualquer tipo de comentario (critico) sobre esse filme. Contudo, a falta de ritimo, a pouca (e talvez nenhuma) profundidade dos personagens, e como a historia foi consuzida (diferentemente de Nelson que TOCA na nossa ferida moralista ou falso-moralista com cada dialogo e acao fazendo algumas vezes com que nos identificamos nos personagens no que concerne ao nosso desejo mais intimo, a historia so nos joga os fatos para que passem por nosso filtro moral - sem antes retira-lo) me obriga a faze-lo. Sempre tenho medo/receio quando aparece alguem querendo adaptar Nelson (como se fosse das mais faceis tarefas) nao crio espectativa nenhuma. Como a exemplo deste, nao criei espectativa alguma, assisti de cara limpa. Foi melhor assim a decepcao seria facil. No d+, o filme E bom. Mas aconselho a ver a de 1980
Tipico Filme de Western em estrutura narrativa: o velho oeste representado como lugar mitico e atemporal, representacoes sexuais tidas do casamento monogamico e heterossexual como simbolos dos valores da civilizacao crista, o direito a propriedade, o lobo solitario, a mocinha em perigo, o indio mal e a natureza como obstaculos na construcao do leste estadunidense.
Contudo, Rastros de Odio, apresenta peculiaridades do fim da epoca de ouro do western, o que de maneira alguma, prejudica a pelicula. O filme mostra-se ironico em diversos momentos (fugindo da objetividade inicial do genero) como, por exemplo, na fugura controversa do Reverendo/Capitao dos Texas Rangers e em grande parte de seus dialogos. Tambem bebendo muito (sendo apelativo em alguns momentos) da fonte do melodrama.
Divagando mais, percebe-se a exuberancia da fotografia em questao (nao so muito bem fotografado, como planificado). A edicao E que muitas vezes deixa a desejar, no que concerne as diversas passagens de tempo: sao bruscos saltos temporais de dificil assimilacao. Anos parecem minutos ao expectador.
Nada que tire a beleza e a importancia do filme para a historia do cinema.
Me relutei ao máximo em assistir Pi. Não sei bem ao certo o porque. Talvez se enquadrasse na mesma ordem de filmes como “A invenção de Hugo Cabret” aos quais eu não assistiria por pura e simples displicência e passasse toda uma vida me culpando por ter perdido a oportunidade de te-lo visto no cinema e amargando a ve-lo sozinho (em paz) na tela de minha tv ou computador. Dei-me um ultimato e fui ve-lo. Quase que obrigado devidos aos meu compromissos assumo, mas intimei-me a assisti-lo. Tive certa surpresa ao ver o tema que seria trabalhado no decorrer da narrativa a cerca do garoto Piscine: a religião. Certo preconceito diria (devido as minhas crenças pessoais), mas lotado de uma curiosidade de como o Ang Lee (do “O segredo de Brokeback Montain”) abordaria o tema em questão. O que parecia estranhamento ou mesmo desinteresse com o tema logo transforma-se em fascinação e supera qualquer expectativa: nem percebi o quanto rápido se passaram os 127 minutos de projeção. Mas o que teria de tao impressionante na historia de um garoto indiano que tem o nome de uma piscina publica francesa que na tentativa de busca de uma vida melhor se muda de navio para o Canada com a família e os animais de seu zoológico, mas que no caminho devido ao naufrágio da embarcação, ve-se prezo ao bote salva vidas com uma zebra, uma orangotango, uma hiena e o tigre-de-bengala, Richard Parker? A resposta seria sem duvida nenhuma a narrativa criada por Lee, orgânica, que se mostre pouco exatos os seus 127 minutos (como ja dito) para quem o assiste. A impressionante fotografia de Claudio Miranda (Clube da Luta) que junto com os efeitos especiais, como a perfeição do tigre Richard Parker que em quase todos os momentos foi computadorizado, e os planos abertos mostrando a profundidade e imensidão quase que infinitas do oceano, muitas vezes se confundindo com o universo refletido, é um espetáculo a parte.
Eu ainda continuo sem palavras. Nao so pela historia em si (do mito pernambucano, negro e homossexual) mas como ela E narrada, dismistificando a boemia calma e carnavalesca. Seco, duro e realista Lazaro Ramos impecavel, digno de todos os louvores, encarna e se entrega ao personagem com maestria de veterano e nao de estreante. Dialogos marcantes queria eu poder citar todos mas esse, especificamente, nao me sai a cabeca: "Eu sou bicha porque eu quero! E não deixo de ser homem por causa disso!” Otimo trabalho do diretor Karim Ainouz nao so pela ousadia do filme em si, mas tambem, pelo espaco de tempo escolhido: retratar o Joao Francisco, antes de ser Madame Sata. Sou suspeito a falar mais. Otimo filme.
Uma esperiencia inusitada no cinema brasileiro. (nao por ser uma producao de baixo custo) Afinal, nao sao todos os dias que nos deparamos com a diferente historia de amor entre uma lesbica e um travesti, tratada de uma maneira tao doce e afavel. Roteito simples e de facil compreensao sem muitos detalhamentos nas personagens: o objetivo era na relacao entre a Elvis e a Madona, e nao na profundidade de seus problemas existenciais. O filme surpreende justamente neste aspecto: foge um pouco da tematica LGBTT e se foca na relacao do casal, relacao essa, que apresenta os mesmos problemas de um casal "normal" -mas o que seria normal?- Lembra de leve algumas comedias do comeco de carreira de Pedro Almodovar. O Igor e a Simone estao belissimos agradam em boas partes do filme, embora algumas vezes apresentem nuancias do caricato ou e de uma falta de quimica. O filme cai diversas vezes no obvio (O que nao E ruim, diga-se de passagem), levando a alguns momentos soar caricato. Divertidissimo o uso de girias gays em excesso. Belo trabalho de cenografia. Fez-se muito, com quase nada. (de recurso) Assistam de uma maneira bem despretensiosa, nao esperem um dramalhao. Belo e engracado, como uma (inusitada) comedia romantica deveria ser. Me arrancou boas risadas.
Longa de estreia do grande Marcelo Gomes. Filme masculino se comparado com a recente produção do diretor. Simples e bonito. Primorosamente fotografado, imagens estouradas dando a sensação –de dentro do para-brisas- de calor infernal e interminável, retrato fiel do nordeste brasileiro. Dialogos ótimos e colocados maestralmente em sua hora certa “E esse Brasil que nao acaba?!” “Lugar que nao presta é assim: nao acaba nunca.” Joao Miguel esplendido, retrata “o nordestino” sem forca, com belo sotaque e lingagem corporal. Hermila Guedes, linda como sempre, rouba a cena na curta participação de sua personagem. O alemao encanta a todos de primeira. Uma historia sobre o real significado do descobrimento da amizade, entre duas pessoas amarguradas pela vida que levam, escondendo-se sobre um manto de falsa malandragem.
Status de cult e classico da Nouvelle Vague dirigido por um mestre e baseado nas historia de outro representante importante do periodo (Truffaut). Impossivel nao tirar os olhos da Jean Seberg todas as vezes que aparece (e rouba) em cena. Dialogs rapidos e eficazes (simples mas ao mesmo tempo de uma profundidade sem tamanos), cortes brusco que, como dito anteriormente, demostram a inquietude do diretor quanto à falsa naturalidade das cenas. Nao E nem nunca vai ser um filme pra se assistir, mas sim, para se apreciar.
Estreante em longas-metragens Kleber Mendonca Filho acerta na mao e faz mais que um filme, faz uma denuncia social do modo de vida nao so pernambucano mas Brasileiro em essencia, com pitadas de suspense e beirando o terror.
"Eu paciente Veronica, com medo da vida como qualquer um... Eu paciente Veronica, com medo do futuro como qualquer um... Eu paciente Veronica... em crise." Relato de uma geracao que tem tudo e ao mesmo tempo nada. Um atriz que deixa se despir, fisica e psicologicamente em funcao da personagem, em certos momentos carrega o filme nas costas sozinha Otima trilha sonora cantada por Karina Buhr, sempre bem colocada. As cenas de sexo e nudez se explicam pela vida que a personagem leva. Como ja dito em outro comentario "a personagem se lasca sem um plano pra vida, mas quem sofre mesmo e' o filme sem vida nos planos." Senti falta de um desfecho. Parado, sutil e bonito. Otimo filme.
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Bonitinha, Mas Ordinária
2.5 191Depois de te-lo visto ontem no CINE-PE estava me relutando ao maximo em tecer qualquer tipo de comentario (critico) sobre esse filme.
Contudo, a falta de ritimo, a pouca (e talvez nenhuma) profundidade dos personagens, e como a historia foi consuzida (diferentemente de Nelson que TOCA na nossa ferida moralista ou falso-moralista com cada dialogo e acao fazendo algumas vezes com que nos identificamos nos personagens no que concerne ao nosso desejo mais intimo, a historia so nos joga os fatos para que passem por nosso filtro moral - sem antes retira-lo) me obriga a faze-lo.
Sempre tenho medo/receio quando aparece alguem querendo adaptar Nelson (como se fosse das mais faceis tarefas) nao crio espectativa nenhuma. Como a exemplo deste, nao criei espectativa alguma, assisti de cara limpa. Foi melhor assim a decepcao seria facil.
No d+, o filme E bom. Mas aconselho a ver a de 1980
Rastros de Ódio
4.1 284 Assista AgoraTipico Filme de Western em estrutura narrativa: o velho oeste representado como lugar mitico e atemporal, representacoes sexuais tidas do casamento monogamico e heterossexual como simbolos dos valores da civilizacao crista, o direito a propriedade, o lobo solitario, a mocinha em perigo, o indio mal e a natureza como obstaculos na construcao do leste estadunidense.
Contudo, Rastros de Odio, apresenta peculiaridades do fim da epoca de ouro do western, o que de maneira alguma, prejudica a pelicula.
O filme mostra-se ironico em diversos momentos (fugindo da objetividade inicial do genero) como, por exemplo, na fugura controversa do Reverendo/Capitao dos Texas Rangers e em grande parte de seus dialogos. Tambem bebendo muito (sendo apelativo em alguns momentos) da fonte do melodrama.
Divagando mais, percebe-se a exuberancia da fotografia em questao (nao so muito bem fotografado, como planificado).
A edicao E que muitas vezes deixa a desejar, no que concerne as diversas passagens de tempo: sao bruscos saltos temporais de dificil assimilacao. Anos parecem minutos ao expectador.
Nada que tire a beleza e a importancia do filme para a historia do cinema.
As Aventuras de Pi
3.9 4,4K Assista AgoraMe relutei ao máximo em assistir Pi. Não sei bem ao certo o porque. Talvez se enquadrasse na mesma ordem de filmes como “A invenção de Hugo Cabret” aos quais eu não assistiria por pura e simples displicência e passasse toda uma vida me culpando por ter perdido a oportunidade de te-lo visto no cinema e amargando a ve-lo sozinho (em paz) na tela de minha tv ou computador.
Dei-me um ultimato e fui ve-lo. Quase que obrigado devidos aos meu compromissos assumo, mas intimei-me a assisti-lo.
Tive certa surpresa ao ver o tema que seria trabalhado no decorrer da narrativa a cerca do garoto Piscine: a religião. Certo preconceito diria (devido as minhas crenças pessoais), mas lotado de uma curiosidade de como o Ang Lee (do “O segredo de Brokeback Montain”) abordaria o tema em questão.
O que parecia estranhamento ou mesmo desinteresse com o tema logo transforma-se em fascinação e supera qualquer expectativa: nem percebi o quanto rápido se passaram os 127 minutos de projeção.
Mas o que teria de tao impressionante na historia de um garoto indiano que tem o nome de uma piscina publica francesa que na tentativa de busca de uma vida melhor se muda de navio para o Canada com a família e os animais de seu zoológico, mas que no caminho devido ao naufrágio da embarcação, ve-se prezo ao bote salva vidas com uma zebra, uma orangotango, uma hiena e o tigre-de-bengala, Richard Parker?
A resposta seria sem duvida nenhuma a narrativa criada por Lee, orgânica, que se mostre pouco exatos os seus 127 minutos (como ja dito) para quem o assiste.
A impressionante fotografia de Claudio Miranda (Clube da Luta) que junto com os efeitos especiais, como a perfeição do tigre Richard Parker que em quase todos os momentos foi computadorizado, e os planos abertos mostrando a profundidade e imensidão quase que infinitas do oceano, muitas vezes se confundindo com o universo refletido, é um espetáculo a parte.
Madame Satã
3.9 434Eu ainda continuo sem palavras.
Nao so pela historia em si (do mito pernambucano, negro e homossexual) mas como ela E narrada, dismistificando a boemia calma e carnavalesca. Seco, duro e realista
Lazaro Ramos impecavel, digno de todos os louvores, encarna e se entrega ao personagem com maestria de veterano e nao de estreante.
Dialogos marcantes queria eu poder citar todos mas esse, especificamente, nao me sai a cabeca: "Eu sou bicha porque eu quero! E não deixo de ser homem por causa disso!”
Otimo trabalho do diretor Karim Ainouz nao so pela ousadia do filme em si, mas tambem, pelo espaco de tempo escolhido: retratar o Joao Francisco, antes de ser Madame Sata.
Sou suspeito a falar mais.
Otimo filme.
Elvis & Madona
3.4 313Uma esperiencia inusitada no cinema brasileiro. (nao por ser uma producao de baixo custo)
Afinal, nao sao todos os dias que nos deparamos com a diferente historia de amor entre uma lesbica e um travesti, tratada de uma maneira tao doce e afavel.
Roteito simples e de facil compreensao sem muitos detalhamentos nas personagens: o objetivo era na relacao entre a Elvis e a Madona, e nao na profundidade de seus problemas existenciais.
O filme surpreende justamente neste aspecto: foge um pouco da tematica LGBTT e se foca na relacao do casal, relacao essa, que apresenta os mesmos problemas de um casal "normal" -mas o que seria normal?-
Lembra de leve algumas comedias do comeco de carreira de Pedro Almodovar.
O Igor e a Simone estao belissimos agradam em boas partes do filme, embora algumas vezes apresentem nuancias do caricato ou e de uma falta de quimica.
O filme cai diversas vezes no obvio (O que nao E ruim, diga-se de passagem), levando a alguns momentos soar caricato.
Divertidissimo o uso de girias gays em excesso.
Belo trabalho de cenografia.
Fez-se muito, com quase nada. (de recurso)
Assistam de uma maneira bem despretensiosa, nao esperem um dramalhao.
Belo e engracado, como uma (inusitada) comedia romantica deveria ser.
Me arrancou boas risadas.
Cinema, Aspirinas e Urubus
3.9 372 Assista AgoraLonga de estreia do grande Marcelo Gomes. Filme masculino se comparado com a recente produção do diretor. Simples e bonito. Primorosamente fotografado, imagens estouradas dando a sensação –de dentro do para-brisas- de calor infernal e interminável, retrato fiel do nordeste brasileiro. Dialogos ótimos e colocados maestralmente em sua hora certa “E esse Brasil que nao acaba?!” “Lugar que nao presta é assim: nao acaba nunca.”
Joao Miguel esplendido, retrata “o nordestino” sem forca, com belo sotaque e lingagem corporal.
Hermila Guedes, linda como sempre, rouba a cena na curta participação de sua personagem.
O alemao encanta a todos de primeira.
Uma historia sobre o real significado do descobrimento da amizade, entre duas pessoas amarguradas pela vida que levam, escondendo-se sobre um manto de falsa malandragem.
Acossado
4.1 522 Assista AgoraStatus de cult e classico da Nouvelle Vague dirigido por um mestre e baseado nas historia de outro representante importante do periodo (Truffaut). Impossivel nao tirar os olhos da Jean Seberg todas as vezes que aparece (e rouba) em cena. Dialogs rapidos e eficazes (simples mas ao mesmo tempo de uma profundidade sem tamanos), cortes brusco que, como dito anteriormente, demostram a inquietude do diretor quanto à falsa naturalidade das cenas.
Nao E nem nunca vai ser um filme pra se assistir, mas sim, para se apreciar.
O Som ao Redor
3.8 1,2K Assista AgoraEstreante em longas-metragens Kleber Mendonca Filho acerta na mao e faz mais que um filme, faz uma denuncia social do modo de vida nao so pernambucano mas Brasileiro em essencia, com pitadas de suspense e beirando o terror.
Era Uma Vez Eu, Verônica
3.5 197"Eu paciente Veronica, com medo da vida como qualquer um...
Eu paciente Veronica, com medo do futuro como qualquer um...
Eu paciente Veronica... em crise."
Relato de uma geracao que tem tudo e ao mesmo tempo nada.
Um atriz que deixa se despir, fisica e psicologicamente em funcao da personagem, em certos momentos carrega o filme nas costas sozinha
Otima trilha sonora cantada por Karina Buhr, sempre bem colocada.
As cenas de sexo e nudez se explicam pela vida que a personagem leva.
Como ja dito em outro comentario "a personagem se lasca sem um plano pra vida, mas quem sofre mesmo e' o filme sem vida nos planos."
Senti falta de um desfecho.
Parado, sutil e bonito.
Otimo filme.