Fucando a internet na madrugada tediosa de um sabado a noite frustrado encontro esta preciosidade que acabou de sair do forno. No inicio me relutei a assistir como quem na infancia ouve o aviso da tia/mae/avo de "menino nao come o bolo que ta quente ainda, faz mal. Espera esfriar, danado. Mais tarde tu pega" e como sempre nao ouvindo o recado e esperando o momento certo de distracao pra roubar a fatia de felicidade instantanea. Quem nunca mesmo apos o recado correu pelo corredor da casa com o bolo quente mao? Nao exitei. (como sempre o fiz) Tomado pelo impulso e levado pelo momento de euforia nem esperei o bolo esfriar e assisti assim mesmo. O que encontrei? hmmmm Acho que muito mais do que apenas o video do comentario da producao ou de como foi construida a infancia de muito de nos. Eu vi ali, na tela, o filme da minha infancia. A cada detalhe revelado era como se um momento de um passado nao tao distante fosse ativado, uma lembranca boa, saudosista. Uma viagem ao tempo em que eu e voce, talvez, fosse feliz e nem sabia. Onde o momento maior de rebeldia fosse comer escondido o bolo ainda quente numa hora indevida e a maior preocupacao fosse que ninguem descobrisse. Tempo esse que como agora deveria ser perdido. Perdido pra coisas triviais e simples onde reside a felicidade. Saudade define o sentimento deste finalzinho de madrugada. E sem esquecer, minhas consideracoes sobre o curta:
obrigado por em pouco mais de 30min me lembrar de ter tido a melhor infancia que se poderia ter.
Roteiro bem trabalhado e dialogos divertidos. Algumas conspiracoes ate que se encaixam, outrao sao mirabolantes (como toda boa teoria de conspiracao deve ser) rs Selton e Jorge incriveis, sem mais comentairos. Primeira vez que tenho vontade de assistir (ou mesmo reaasistir) alguns filmes de Tarantino embora eu ainda nao veja nada de tao surpreendente no cinema dele... Por toda a balburdia que escuto sobre ele, espero de verdade, estar enganado... ou nao.
Um dos meus maiores pesadelo de crianca era ter a superficie do olho dilacerada por algo. Nao sabia ao certo de onde ou quando isso tinha surgido ou como tal atrocidade pudesse ter sido plantada em minha cabeca (valendo-se do principio que minha familia, aquela epoca, nunca teria me permitido ver algo assim nem dispunha de recursos de pesquisa como os de hoje, ou acesso, que me lembre, as obras de Bunuel)
A primeira vez que assisti "Um cao andaluz" fora um pouco pertubador: era como ver meu pesadelo filmado e sendo transmitido em tela e pior, sem que fizesse o minimo sentido (mas quando, sonho ou pesadelo alguma vez o fez?) queria muito entender o tinha se passado.
Contudo ano adiantava reclamar que "nao entendi nada" quando o principal objetivo do realizador era justamente este: que tudo (ou nada) fizesse sentido algum.
Hoje, reassistindo-o, alguns pontos ja consigo observar com maior clareza: As acoes imitam persistentemente o fluxo conexo/desconexo de um sonho o que apresenta um deterioramento da percapcao espaco-tempo. Sendo assim, tabalha a narrativa que ao invez de transmitir a realidade utiliza-se de associações livres para imitar o processo onirico. A obra apresenta diversos signos que sao, ao primeiro ver, aparentemente desconexos, dispostos de uma maneira que represente a quebra da estabilidade nao so da narrativa do cinema de entao, como tambem, da estabilidade da vida burguesa. (O suposto anarquismo presente no filme, bem como nas obras do surrealismo em si, nasce de uma manifestacao contra a elite e ao equilibrio burgues). E no intuito de fazer com que cada signo tenha seu significado atribuido a alguma forma subjetiva que se cria uma narracao que faca sentido para o inconsciente do espectador, trazendo a tona sensacoes oriundas de sua memoria involuntaria. (talvez seja ai que resida um dos pincipais equivocos surrealistas: achar que os processocoes oniricos dos espectadores -das diversas formas de artes- fossem de alguma forma "ativados" gracas as deturpacoes da realidade ou construcao desconexa, oriunda de uma leitura rapida dos textos de Freud.)
Hoje, tambem, ja digo com maior clareza: "ENTENDER" difere e muito de "COMPREENDER"
"Ali se eternizam os sentires e as vidas que se vão. Cinema é saudade em movimento, é o morto eternizado, o fotograma queimado que se repete ad infinitum sempre que assim desejarmos. O passado, quando projetado, se torna o presente no instante. O grito é sentido no canto em sopro, as palavras não têm importância, somente as imagens, os sentidos, os efeitos ilusionistas. Uma quase homenagem a Méliès, no belíssimo raccord da água do chuveiro projetada no corpo nu, para este mesmo corpo na água que escorre nele, já fundida, “posta em cena”. "
simplesmente nao me atrevo a escrever mais nada apos ter lido esta passagem, simplesmente tudo (e mais um pouco) do que eu poderia falar.
"Odeio perder, Alex, principalmente pra mim mesma"
Encontrei Alice ha algum tempo numa tarde de garimpagem no youtube. Quase nunca encontrava algo legal dentre todo aquele cascalho. E o tempo, por si so ja dificultava, curtissimo: sem internet em casa era 1h30min na lan house, tempo de baixar a maior quantidade possivel de videos e depois, com calma, assisti-los e separa-los torcendo pra encontrar algo bom. Nao tinha tanta esperanca naquele dia. Alice foi um dos ultimos a serem assistidos, mas muito antes parecia estar escondido um algo mais: a simplicidade to titulo ja me encantava. No decorrer, Sao Paulo era retratada de uma maneira triste e melancolica, toda em tons frios, parecendo sofrer junto com com os desencontros. (No dia-a-dia movimentado da metropole era como estar sozinho na multidao) Me doia a cada corte da secretaria eletronica, a cada corrida desesperada ao nada (na eterna esperanca de encontrar o "tudo" e ter instantes de eternidade), a cada mero detalhe em cena, mas nada se comprara ao momento de maior desencontro: a despedida. "O destino é aquilo que sai de você e enfrenta o mundo" Em tempo que a tecnologia prega a inclusao e proximidade E fato que esteja se perdendo a ideia de quem nem sempre foi assim: facil, simples, direto e expontaneo. Ou, facilmente descartavel.
Talvez Criolo esteja mesmo certo: "Nao existe amor em SP" e se um dia existiu, foi embora com Alice.
Visionário, palavra que define muito bem o cineasta Georges Melies! A frente de seu tempo, inovou na introdução de temáticas, dos cenarios, figurinos, efeitos especiais, atores e ,principalmente, historias diferenciando-se, assim, do "cinema do cotidiano" da época (filmava-se o que acontecia na rua, no dia a dia. Ex: o trem chegando a estação). ícone de todos os tempos. Percursor do cinema moderno. Um exemplo a ser seguido. Excelente filme.
Ótimo documentário. Bem elaborado e editado. Mostrou o que muitos nao conseguem ver, nao entendem, ou pior, nao querem enxergar mostram-se cegos pelo preconceito. De uma forma simples quebra tabus e misticismos a respeito do homossexualismo. "Nascemos assim e nao temos escolha, muito menos lutares contra o que somos". O amor ao proximo é o mais importante a ser julgado. Somos livres pra ser o que quisermos sem interferir no direito de ir e vir dos outros. Otimo filme. Super indico.
Ótimo filme! Bem elaborado, ótima fotografia, roteiro bem escrito, boa montagem. Criativo e simples. Critica bem elaborada e inteligente. Lia de Itamaraca vem para encerrar com chave de ouro, um show a parte.
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Desconstruindo o Castelo: O Boom do Rá-Tim-Bum
4.3 29Fucando a internet na madrugada tediosa de um sabado a noite frustrado encontro esta preciosidade que acabou de sair do forno.
No inicio me relutei a assistir como quem na infancia ouve o aviso da tia/mae/avo de "menino nao come o bolo que ta quente ainda, faz mal. Espera esfriar, danado. Mais tarde tu pega" e como sempre nao ouvindo o recado e esperando o momento certo de distracao pra roubar a fatia de felicidade instantanea.
Quem nunca mesmo apos o recado correu pelo corredor da casa com o bolo quente mao?
Nao exitei. (como sempre o fiz)
Tomado pelo impulso e levado pelo momento de euforia nem esperei o bolo esfriar e assisti assim mesmo.
O que encontrei? hmmmm Acho que muito mais do que apenas o video do comentario da producao ou de como foi construida a infancia de muito de nos.
Eu vi ali, na tela, o filme da minha infancia. A cada detalhe revelado era como se um momento de um passado nao tao distante fosse ativado, uma lembranca boa, saudosista. Uma viagem ao tempo em que eu e voce, talvez, fosse feliz e nem sabia.
Onde o momento maior de rebeldia fosse comer escondido o bolo ainda quente numa hora indevida e a maior preocupacao fosse que ninguem descobrisse.
Tempo esse que como agora deveria ser perdido.
Perdido pra coisas triviais e simples onde reside a felicidade.
Saudade define o sentimento deste finalzinho de madrugada.
E sem esquecer, minhas consideracoes sobre o curta:
obrigado por em pouco mais de 30min me lembrar de ter tido a melhor infancia que se poderia ter.
O Código Tarantino
4.4 713Roteiro bem trabalhado e dialogos divertidos.
Algumas conspiracoes ate que se encaixam, outrao sao mirabolantes (como toda boa teoria de conspiracao deve ser) rs
Selton e Jorge incriveis, sem mais comentairos.
Primeira vez que tenho vontade de assistir (ou mesmo reaasistir) alguns filmes de Tarantino embora eu ainda nao veja nada de tao surpreendente no cinema dele...
Por toda a balburdia que escuto sobre ele, espero de verdade, estar enganado... ou nao.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraUm dos meus maiores pesadelo de crianca era ter a superficie do olho dilacerada por algo.
Nao sabia ao certo de onde ou quando isso tinha surgido ou como tal atrocidade pudesse ter sido plantada em minha cabeca (valendo-se do principio que minha familia, aquela epoca, nunca teria me permitido ver algo assim nem dispunha de recursos de pesquisa como os de hoje, ou acesso, que me lembre, as obras de Bunuel)
A primeira vez que assisti "Um cao andaluz" fora um pouco pertubador: era como ver meu pesadelo filmado e sendo transmitido em tela e pior, sem que fizesse o minimo sentido (mas quando, sonho ou pesadelo alguma vez o fez?) queria muito entender o tinha se passado.
Contudo ano adiantava reclamar que "nao entendi nada" quando o principal objetivo do realizador era justamente este: que tudo (ou nada) fizesse sentido algum.
Hoje, reassistindo-o, alguns pontos ja consigo observar com maior clareza: As acoes imitam persistentemente o fluxo conexo/desconexo de um sonho o que apresenta um deterioramento da percapcao espaco-tempo. Sendo assim, tabalha a narrativa que ao invez de transmitir a realidade utiliza-se de associações livres para imitar o processo onirico.
A obra apresenta diversos signos que sao, ao primeiro ver, aparentemente desconexos, dispostos de uma maneira que represente a quebra da estabilidade nao so da narrativa do cinema de entao, como tambem, da estabilidade da vida burguesa. (O suposto anarquismo presente no filme, bem como nas obras do surrealismo em si, nasce de uma manifestacao contra a elite e ao equilibrio burgues). E no intuito de fazer com que cada signo tenha seu significado atribuido a alguma forma subjetiva que se cria uma narracao que faca sentido para o inconsciente do espectador, trazendo a tona sensacoes oriundas de sua memoria involuntaria.
(talvez seja ai que resida um dos pincipais equivocos surrealistas: achar que os processocoes oniricos dos espectadores -das diversas formas de artes- fossem de alguma forma "ativados" gracas as deturpacoes da realidade ou construcao desconexa, oriunda de uma leitura rapida dos textos de Freud.)
Hoje, tambem, ja digo com maior clareza: "ENTENDER" difere e muito de "COMPREENDER"
Superbarroco
4.0 5"Ali se eternizam os sentires e as vidas que se vão. Cinema é saudade em movimento, é o morto eternizado, o fotograma queimado que se repete ad infinitum sempre que assim desejarmos. O passado, quando projetado, se torna o presente no instante. O grito é sentido no canto em sopro, as palavras não têm importância, somente as imagens, os sentidos, os efeitos ilusionistas. Uma quase homenagem a Méliès, no belíssimo raccord da água do chuveiro projetada no corpo nu, para este mesmo corpo na água que escorre nele, já fundida, “posta em cena”. "
simplesmente nao me atrevo a escrever mais nada apos ter lido esta passagem, simplesmente tudo (e mais um pouco) do que eu poderia falar.
um dos melhores curtas que eu ja vi
texto integral
Alice
3.8 214"Odeio perder, Alex, principalmente pra mim mesma"
Encontrei Alice ha algum tempo numa tarde de garimpagem no youtube.
Quase nunca encontrava algo legal dentre todo aquele cascalho.
E o tempo, por si so ja dificultava, curtissimo: sem internet em casa era 1h30min na lan house, tempo de baixar a maior quantidade possivel de videos e depois, com calma, assisti-los e separa-los torcendo pra encontrar algo bom.
Nao tinha tanta esperanca naquele dia.
Alice foi um dos ultimos a serem assistidos, mas muito antes parecia estar escondido um algo mais: a simplicidade to titulo ja me encantava.
No decorrer, Sao Paulo era retratada de uma maneira triste e melancolica, toda em tons frios, parecendo sofrer junto com com os desencontros. (No dia-a-dia movimentado da metropole era como estar sozinho na multidao)
Me doia a cada corte da secretaria eletronica, a cada corrida desesperada ao nada (na eterna esperanca de encontrar o "tudo" e ter instantes de eternidade), a cada mero detalhe em cena, mas nada se comprara ao momento de maior desencontro: a despedida.
"O destino é aquilo que sai de você e enfrenta o mundo"
Em tempo que a tecnologia prega a inclusao e proximidade E fato que esteja se perdendo a ideia de quem nem sempre foi assim: facil, simples, direto e expontaneo. Ou, facilmente descartavel.
Talvez Criolo esteja mesmo certo:
"Nao existe amor em SP"
e se um dia existiu, foi embora com Alice.
Viagem à Lua
4.4 881 Assista AgoraVisionário, palavra que define muito bem o cineasta Georges Melies! A frente de seu tempo, inovou na introdução de temáticas, dos cenarios, figurinos, efeitos especiais, atores e ,principalmente, historias diferenciando-se, assim, do "cinema do cotidiano" da época (filmava-se o que acontecia na rua, no dia a dia. Ex: o trem chegando a estação). ícone de todos os tempos. Percursor do cinema moderno. Um exemplo a ser seguido. Excelente filme.
Não Gosto dos Meninos
4.3 360Ótimo documentário. Bem elaborado e editado. Mostrou o que muitos nao conseguem ver, nao entendem, ou pior, nao querem enxergar mostram-se cegos pelo preconceito. De uma forma simples quebra tabus e misticismos a respeito do homossexualismo. "Nascemos assim e nao temos escolha, muito menos lutares contra o que somos". O amor ao proximo é o mais importante a ser julgado. Somos livres pra ser o que quisermos sem interferir no direito de ir e vir dos outros. Otimo filme. Super indico.
Recife Frio
4.3 326Ótimo filme! Bem elaborado, ótima fotografia, roteiro bem escrito, boa montagem. Criativo e simples. Critica bem elaborada e inteligente. Lia de Itamaraca vem para encerrar com chave de ouro, um show a parte.