Fucando a internet na madrugada tediosa de um sabado a noite frustrado encontro esta preciosidade que acabou de sair do forno. No inicio me relutei a assistir como quem na infancia ouve o aviso da tia/mae/avo de "menino nao come o bolo que ta quente ainda, faz mal. Espera esfriar, danado. Mais tarde tu pega" e como sempre nao ouvindo o recado e esperando o momento certo de distracao pra roubar a fatia de felicidade instantanea. Quem nunca mesmo apos o recado correu pelo corredor da casa com o bolo quente mao? Nao exitei. (como sempre o fiz) Tomado pelo impulso e levado pelo momento de euforia nem esperei o bolo esfriar e assisti assim mesmo. O que encontrei? hmmmm Acho que muito mais do que apenas o video do comentario da producao ou de como foi construida a infancia de muito de nos. Eu vi ali, na tela, o filme da minha infancia. A cada detalhe revelado era como se um momento de um passado nao tao distante fosse ativado, uma lembranca boa, saudosista. Uma viagem ao tempo em que eu e voce, talvez, fosse feliz e nem sabia. Onde o momento maior de rebeldia fosse comer escondido o bolo ainda quente numa hora indevida e a maior preocupacao fosse que ninguem descobrisse. Tempo esse que como agora deveria ser perdido. Perdido pra coisas triviais e simples onde reside a felicidade. Saudade define o sentimento deste finalzinho de madrugada. E sem esquecer, minhas consideracoes sobre o curta:
obrigado por em pouco mais de 30min me lembrar de ter tido a melhor infancia que se poderia ter.
Depois de te-lo visto ontem no CINE-PE estava me relutando ao maximo em tecer qualquer tipo de comentario (critico) sobre esse filme. Contudo, a falta de ritimo, a pouca (e talvez nenhuma) profundidade dos personagens, e como a historia foi consuzida (diferentemente de Nelson que TOCA na nossa ferida moralista ou falso-moralista com cada dialogo e acao fazendo algumas vezes com que nos identificamos nos personagens no que concerne ao nosso desejo mais intimo, a historia so nos joga os fatos para que passem por nosso filtro moral - sem antes retira-lo) me obriga a faze-lo. Sempre tenho medo/receio quando aparece alguem querendo adaptar Nelson (como se fosse das mais faceis tarefas) nao crio espectativa nenhuma. Como a exemplo deste, nao criei espectativa alguma, assisti de cara limpa. Foi melhor assim a decepcao seria facil. No d+, o filme E bom. Mas aconselho a ver a de 1980
Roteiro bem trabalhado e dialogos divertidos. Algumas conspiracoes ate que se encaixam, outrao sao mirabolantes (como toda boa teoria de conspiracao deve ser) rs Selton e Jorge incriveis, sem mais comentairos. Primeira vez que tenho vontade de assistir (ou mesmo reaasistir) alguns filmes de Tarantino embora eu ainda nao veja nada de tao surpreendente no cinema dele... Por toda a balburdia que escuto sobre ele, espero de verdade, estar enganado... ou nao.
Um dos meus maiores pesadelo de crianca era ter a superficie do olho dilacerada por algo. Nao sabia ao certo de onde ou quando isso tinha surgido ou como tal atrocidade pudesse ter sido plantada em minha cabeca (valendo-se do principio que minha familia, aquela epoca, nunca teria me permitido ver algo assim nem dispunha de recursos de pesquisa como os de hoje, ou acesso, que me lembre, as obras de Bunuel)
A primeira vez que assisti "Um cao andaluz" fora um pouco pertubador: era como ver meu pesadelo filmado e sendo transmitido em tela e pior, sem que fizesse o minimo sentido (mas quando, sonho ou pesadelo alguma vez o fez?) queria muito entender o tinha se passado.
Contudo ano adiantava reclamar que "nao entendi nada" quando o principal objetivo do realizador era justamente este: que tudo (ou nada) fizesse sentido algum.
Hoje, reassistindo-o, alguns pontos ja consigo observar com maior clareza: As acoes imitam persistentemente o fluxo conexo/desconexo de um sonho o que apresenta um deterioramento da percapcao espaco-tempo. Sendo assim, tabalha a narrativa que ao invez de transmitir a realidade utiliza-se de associações livres para imitar o processo onirico. A obra apresenta diversos signos que sao, ao primeiro ver, aparentemente desconexos, dispostos de uma maneira que represente a quebra da estabilidade nao so da narrativa do cinema de entao, como tambem, da estabilidade da vida burguesa. (O suposto anarquismo presente no filme, bem como nas obras do surrealismo em si, nasce de uma manifestacao contra a elite e ao equilibrio burgues). E no intuito de fazer com que cada signo tenha seu significado atribuido a alguma forma subjetiva que se cria uma narracao que faca sentido para o inconsciente do espectador, trazendo a tona sensacoes oriundas de sua memoria involuntaria. (talvez seja ai que resida um dos pincipais equivocos surrealistas: achar que os processocoes oniricos dos espectadores -das diversas formas de artes- fossem de alguma forma "ativados" gracas as deturpacoes da realidade ou construcao desconexa, oriunda de uma leitura rapida dos textos de Freud.)
Hoje, tambem, ja digo com maior clareza: "ENTENDER" difere e muito de "COMPREENDER"
Nao tenho palavras pra expressar meus achismos e certas incertezas quanto a essa serie. So me atrevo a dizer que todas as vezes que releio "Dom Casmurro" ouco os sussuros das personagens: o Narrador remungao, o jovem Bentinho e principalmente de Capitu. Nas horas de devaneio do Casmurro a cena da jovem Capitulina riscano o chao com o giz aparece em minha frente como fazia com o mesmo. entre as meias palavras Elephat Gun...
"If I was young, I'd flee this town I'd bury my dreams underground As did I, we dream to die We dream tonight"
Cada verso parece ter sido feito por / para o bentinho doce e impulsivo. A trilha inteira E bem compostas e colocada sempre nas horas certas. Que fotografia, que direcao de arte. Detalhes.
Sem querer me prolongar (mesmo ja o tendo feito) cada detalhe me encanta. E muito.
"Ali se eternizam os sentires e as vidas que se vão. Cinema é saudade em movimento, é o morto eternizado, o fotograma queimado que se repete ad infinitum sempre que assim desejarmos. O passado, quando projetado, se torna o presente no instante. O grito é sentido no canto em sopro, as palavras não têm importância, somente as imagens, os sentidos, os efeitos ilusionistas. Uma quase homenagem a Méliès, no belíssimo raccord da água do chuveiro projetada no corpo nu, para este mesmo corpo na água que escorre nele, já fundida, “posta em cena”. "
simplesmente nao me atrevo a escrever mais nada apos ter lido esta passagem, simplesmente tudo (e mais um pouco) do que eu poderia falar.
Tipico Filme de Western em estrutura narrativa: o velho oeste representado como lugar mitico e atemporal, representacoes sexuais tidas do casamento monogamico e heterossexual como simbolos dos valores da civilizacao crista, o direito a propriedade, o lobo solitario, a mocinha em perigo, o indio mal e a natureza como obstaculos na construcao do leste estadunidense.
Contudo, Rastros de Odio, apresenta peculiaridades do fim da epoca de ouro do western, o que de maneira alguma, prejudica a pelicula. O filme mostra-se ironico em diversos momentos (fugindo da objetividade inicial do genero) como, por exemplo, na fugura controversa do Reverendo/Capitao dos Texas Rangers e em grande parte de seus dialogos. Tambem bebendo muito (sendo apelativo em alguns momentos) da fonte do melodrama.
Divagando mais, percebe-se a exuberancia da fotografia em questao (nao so muito bem fotografado, como planificado). A edicao E que muitas vezes deixa a desejar, no que concerne as diversas passagens de tempo: sao bruscos saltos temporais de dificil assimilacao. Anos parecem minutos ao expectador.
Nada que tire a beleza e a importancia do filme para a historia do cinema.
"Odeio perder, Alex, principalmente pra mim mesma"
Encontrei Alice ha algum tempo numa tarde de garimpagem no youtube. Quase nunca encontrava algo legal dentre todo aquele cascalho. E o tempo, por si so ja dificultava, curtissimo: sem internet em casa era 1h30min na lan house, tempo de baixar a maior quantidade possivel de videos e depois, com calma, assisti-los e separa-los torcendo pra encontrar algo bom. Nao tinha tanta esperanca naquele dia. Alice foi um dos ultimos a serem assistidos, mas muito antes parecia estar escondido um algo mais: a simplicidade to titulo ja me encantava. No decorrer, Sao Paulo era retratada de uma maneira triste e melancolica, toda em tons frios, parecendo sofrer junto com com os desencontros. (No dia-a-dia movimentado da metropole era como estar sozinho na multidao) Me doia a cada corte da secretaria eletronica, a cada corrida desesperada ao nada (na eterna esperanca de encontrar o "tudo" e ter instantes de eternidade), a cada mero detalhe em cena, mas nada se comprara ao momento de maior desencontro: a despedida. "O destino é aquilo que sai de você e enfrenta o mundo" Em tempo que a tecnologia prega a inclusao e proximidade E fato que esteja se perdendo a ideia de quem nem sempre foi assim: facil, simples, direto e expontaneo. Ou, facilmente descartavel.
Talvez Criolo esteja mesmo certo: "Nao existe amor em SP" e se um dia existiu, foi embora com Alice.
Me relutei ao máximo em assistir Pi. Não sei bem ao certo o porque. Talvez se enquadrasse na mesma ordem de filmes como “A invenção de Hugo Cabret” aos quais eu não assistiria por pura e simples displicência e passasse toda uma vida me culpando por ter perdido a oportunidade de te-lo visto no cinema e amargando a ve-lo sozinho (em paz) na tela de minha tv ou computador. Dei-me um ultimato e fui ve-lo. Quase que obrigado devidos aos meu compromissos assumo, mas intimei-me a assisti-lo. Tive certa surpresa ao ver o tema que seria trabalhado no decorrer da narrativa a cerca do garoto Piscine: a religião. Certo preconceito diria (devido as minhas crenças pessoais), mas lotado de uma curiosidade de como o Ang Lee (do “O segredo de Brokeback Montain”) abordaria o tema em questão. O que parecia estranhamento ou mesmo desinteresse com o tema logo transforma-se em fascinação e supera qualquer expectativa: nem percebi o quanto rápido se passaram os 127 minutos de projeção. Mas o que teria de tao impressionante na historia de um garoto indiano que tem o nome de uma piscina publica francesa que na tentativa de busca de uma vida melhor se muda de navio para o Canada com a família e os animais de seu zoológico, mas que no caminho devido ao naufrágio da embarcação, ve-se prezo ao bote salva vidas com uma zebra, uma orangotango, uma hiena e o tigre-de-bengala, Richard Parker? A resposta seria sem duvida nenhuma a narrativa criada por Lee, orgânica, que se mostre pouco exatos os seus 127 minutos (como ja dito) para quem o assiste. A impressionante fotografia de Claudio Miranda (Clube da Luta) que junto com os efeitos especiais, como a perfeição do tigre Richard Parker que em quase todos os momentos foi computadorizado, e os planos abertos mostrando a profundidade e imensidão quase que infinitas do oceano, muitas vezes se confundindo com o universo refletido, é um espetáculo a parte.
Eu ainda continuo sem palavras. Nao so pela historia em si (do mito pernambucano, negro e homossexual) mas como ela E narrada, dismistificando a boemia calma e carnavalesca. Seco, duro e realista Lazaro Ramos impecavel, digno de todos os louvores, encarna e se entrega ao personagem com maestria de veterano e nao de estreante. Dialogos marcantes queria eu poder citar todos mas esse, especificamente, nao me sai a cabeca: "Eu sou bicha porque eu quero! E não deixo de ser homem por causa disso!” Otimo trabalho do diretor Karim Ainouz nao so pela ousadia do filme em si, mas tambem, pelo espaco de tempo escolhido: retratar o Joao Francisco, antes de ser Madame Sata. Sou suspeito a falar mais. Otimo filme.
Uma esperiencia inusitada no cinema brasileiro. (nao por ser uma producao de baixo custo) Afinal, nao sao todos os dias que nos deparamos com a diferente historia de amor entre uma lesbica e um travesti, tratada de uma maneira tao doce e afavel. Roteito simples e de facil compreensao sem muitos detalhamentos nas personagens: o objetivo era na relacao entre a Elvis e a Madona, e nao na profundidade de seus problemas existenciais. O filme surpreende justamente neste aspecto: foge um pouco da tematica LGBTT e se foca na relacao do casal, relacao essa, que apresenta os mesmos problemas de um casal "normal" -mas o que seria normal?- Lembra de leve algumas comedias do comeco de carreira de Pedro Almodovar. O Igor e a Simone estao belissimos agradam em boas partes do filme, embora algumas vezes apresentem nuancias do caricato ou e de uma falta de quimica. O filme cai diversas vezes no obvio (O que nao E ruim, diga-se de passagem), levando a alguns momentos soar caricato. Divertidissimo o uso de girias gays em excesso. Belo trabalho de cenografia. Fez-se muito, com quase nada. (de recurso) Assistam de uma maneira bem despretensiosa, nao esperem um dramalhao. Belo e engracado, como uma (inusitada) comedia romantica deveria ser. Me arrancou boas risadas.
Longa de estreia do grande Marcelo Gomes. Filme masculino se comparado com a recente produção do diretor. Simples e bonito. Primorosamente fotografado, imagens estouradas dando a sensação –de dentro do para-brisas- de calor infernal e interminável, retrato fiel do nordeste brasileiro. Dialogos ótimos e colocados maestralmente em sua hora certa “E esse Brasil que nao acaba?!” “Lugar que nao presta é assim: nao acaba nunca.” Joao Miguel esplendido, retrata “o nordestino” sem forca, com belo sotaque e lingagem corporal. Hermila Guedes, linda como sempre, rouba a cena na curta participação de sua personagem. O alemao encanta a todos de primeira. Uma historia sobre o real significado do descobrimento da amizade, entre duas pessoas amarguradas pela vida que levam, escondendo-se sobre um manto de falsa malandragem.
Status de cult e classico da Nouvelle Vague dirigido por um mestre e baseado nas historia de outro representante importante do periodo (Truffaut). Impossivel nao tirar os olhos da Jean Seberg todas as vezes que aparece (e rouba) em cena. Dialogs rapidos e eficazes (simples mas ao mesmo tempo de uma profundidade sem tamanos), cortes brusco que, como dito anteriormente, demostram a inquietude do diretor quanto à falsa naturalidade das cenas. Nao E nem nunca vai ser um filme pra se assistir, mas sim, para se apreciar.
Estreante em longas-metragens Kleber Mendonca Filho acerta na mao e faz mais que um filme, faz uma denuncia social do modo de vida nao so pernambucano mas Brasileiro em essencia, com pitadas de suspense e beirando o terror.
"Eu paciente Veronica, com medo da vida como qualquer um... Eu paciente Veronica, com medo do futuro como qualquer um... Eu paciente Veronica... em crise." Relato de uma geracao que tem tudo e ao mesmo tempo nada. Um atriz que deixa se despir, fisica e psicologicamente em funcao da personagem, em certos momentos carrega o filme nas costas sozinha Otima trilha sonora cantada por Karina Buhr, sempre bem colocada. As cenas de sexo e nudez se explicam pela vida que a personagem leva. Como ja dito em outro comentario "a personagem se lasca sem um plano pra vida, mas quem sofre mesmo e' o filme sem vida nos planos." Senti falta de um desfecho. Parado, sutil e bonito. Otimo filme.
Visionário, palavra que define muito bem o cineasta Georges Melies! A frente de seu tempo, inovou na introdução de temáticas, dos cenarios, figurinos, efeitos especiais, atores e ,principalmente, historias diferenciando-se, assim, do "cinema do cotidiano" da época (filmava-se o que acontecia na rua, no dia a dia. Ex: o trem chegando a estação). ícone de todos os tempos. Percursor do cinema moderno. Um exemplo a ser seguido. Excelente filme.
Ótimo documentário. Bem elaborado e editado. Mostrou o que muitos nao conseguem ver, nao entendem, ou pior, nao querem enxergar mostram-se cegos pelo preconceito. De uma forma simples quebra tabus e misticismos a respeito do homossexualismo. "Nascemos assim e nao temos escolha, muito menos lutares contra o que somos". O amor ao proximo é o mais importante a ser julgado. Somos livres pra ser o que quisermos sem interferir no direito de ir e vir dos outros. Otimo filme. Super indico.
Ótimo filme! Bem elaborado, ótima fotografia, roteiro bem escrito, boa montagem. Criativo e simples. Critica bem elaborada e inteligente. Lia de Itamaraca vem para encerrar com chave de ouro, um show a parte.
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Desconstruindo o Castelo: O Boom do Rá-Tim-Bum
4.3 29Fucando a internet na madrugada tediosa de um sabado a noite frustrado encontro esta preciosidade que acabou de sair do forno.
No inicio me relutei a assistir como quem na infancia ouve o aviso da tia/mae/avo de "menino nao come o bolo que ta quente ainda, faz mal. Espera esfriar, danado. Mais tarde tu pega" e como sempre nao ouvindo o recado e esperando o momento certo de distracao pra roubar a fatia de felicidade instantanea.
Quem nunca mesmo apos o recado correu pelo corredor da casa com o bolo quente mao?
Nao exitei. (como sempre o fiz)
Tomado pelo impulso e levado pelo momento de euforia nem esperei o bolo esfriar e assisti assim mesmo.
O que encontrei? hmmmm Acho que muito mais do que apenas o video do comentario da producao ou de como foi construida a infancia de muito de nos.
Eu vi ali, na tela, o filme da minha infancia. A cada detalhe revelado era como se um momento de um passado nao tao distante fosse ativado, uma lembranca boa, saudosista. Uma viagem ao tempo em que eu e voce, talvez, fosse feliz e nem sabia.
Onde o momento maior de rebeldia fosse comer escondido o bolo ainda quente numa hora indevida e a maior preocupacao fosse que ninguem descobrisse.
Tempo esse que como agora deveria ser perdido.
Perdido pra coisas triviais e simples onde reside a felicidade.
Saudade define o sentimento deste finalzinho de madrugada.
E sem esquecer, minhas consideracoes sobre o curta:
obrigado por em pouco mais de 30min me lembrar de ter tido a melhor infancia que se poderia ter.
Bonitinha, Mas Ordinária
2.5 191Depois de te-lo visto ontem no CINE-PE estava me relutando ao maximo em tecer qualquer tipo de comentario (critico) sobre esse filme.
Contudo, a falta de ritimo, a pouca (e talvez nenhuma) profundidade dos personagens, e como a historia foi consuzida (diferentemente de Nelson que TOCA na nossa ferida moralista ou falso-moralista com cada dialogo e acao fazendo algumas vezes com que nos identificamos nos personagens no que concerne ao nosso desejo mais intimo, a historia so nos joga os fatos para que passem por nosso filtro moral - sem antes retira-lo) me obriga a faze-lo.
Sempre tenho medo/receio quando aparece alguem querendo adaptar Nelson (como se fosse das mais faceis tarefas) nao crio espectativa nenhuma. Como a exemplo deste, nao criei espectativa alguma, assisti de cara limpa. Foi melhor assim a decepcao seria facil.
No d+, o filme E bom. Mas aconselho a ver a de 1980
O Código Tarantino
4.4 713Roteiro bem trabalhado e dialogos divertidos.
Algumas conspiracoes ate que se encaixam, outrao sao mirabolantes (como toda boa teoria de conspiracao deve ser) rs
Selton e Jorge incriveis, sem mais comentairos.
Primeira vez que tenho vontade de assistir (ou mesmo reaasistir) alguns filmes de Tarantino embora eu ainda nao veja nada de tao surpreendente no cinema dele...
Por toda a balburdia que escuto sobre ele, espero de verdade, estar enganado... ou nao.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraUm dos meus maiores pesadelo de crianca era ter a superficie do olho dilacerada por algo.
Nao sabia ao certo de onde ou quando isso tinha surgido ou como tal atrocidade pudesse ter sido plantada em minha cabeca (valendo-se do principio que minha familia, aquela epoca, nunca teria me permitido ver algo assim nem dispunha de recursos de pesquisa como os de hoje, ou acesso, que me lembre, as obras de Bunuel)
A primeira vez que assisti "Um cao andaluz" fora um pouco pertubador: era como ver meu pesadelo filmado e sendo transmitido em tela e pior, sem que fizesse o minimo sentido (mas quando, sonho ou pesadelo alguma vez o fez?) queria muito entender o tinha se passado.
Contudo ano adiantava reclamar que "nao entendi nada" quando o principal objetivo do realizador era justamente este: que tudo (ou nada) fizesse sentido algum.
Hoje, reassistindo-o, alguns pontos ja consigo observar com maior clareza: As acoes imitam persistentemente o fluxo conexo/desconexo de um sonho o que apresenta um deterioramento da percapcao espaco-tempo. Sendo assim, tabalha a narrativa que ao invez de transmitir a realidade utiliza-se de associações livres para imitar o processo onirico.
A obra apresenta diversos signos que sao, ao primeiro ver, aparentemente desconexos, dispostos de uma maneira que represente a quebra da estabilidade nao so da narrativa do cinema de entao, como tambem, da estabilidade da vida burguesa. (O suposto anarquismo presente no filme, bem como nas obras do surrealismo em si, nasce de uma manifestacao contra a elite e ao equilibrio burgues). E no intuito de fazer com que cada signo tenha seu significado atribuido a alguma forma subjetiva que se cria uma narracao que faca sentido para o inconsciente do espectador, trazendo a tona sensacoes oriundas de sua memoria involuntaria.
(talvez seja ai que resida um dos pincipais equivocos surrealistas: achar que os processocoes oniricos dos espectadores -das diversas formas de artes- fossem de alguma forma "ativados" gracas as deturpacoes da realidade ou construcao desconexa, oriunda de uma leitura rapida dos textos de Freud.)
Hoje, tambem, ja digo com maior clareza: "ENTENDER" difere e muito de "COMPREENDER"
Capitu
4.5 631Nao tenho palavras pra expressar meus achismos e certas incertezas quanto a essa serie.
So me atrevo a dizer que todas as vezes que releio "Dom Casmurro" ouco os sussuros das personagens: o Narrador remungao, o jovem Bentinho e principalmente de Capitu.
Nas horas de devaneio do Casmurro a cena da jovem Capitulina riscano o chao com o giz aparece em minha frente como fazia com o mesmo.
entre as meias palavras Elephat Gun...
"If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we dream to die
We dream tonight"
Cada verso parece ter sido feito por / para o bentinho doce e impulsivo.
A trilha inteira E bem compostas e colocada sempre nas horas certas.
Que fotografia, que direcao de arte.
Detalhes.
Sem querer me prolongar (mesmo ja o tendo feito) cada detalhe me encanta.
E muito.
Superbarroco
4.0 5"Ali se eternizam os sentires e as vidas que se vão. Cinema é saudade em movimento, é o morto eternizado, o fotograma queimado que se repete ad infinitum sempre que assim desejarmos. O passado, quando projetado, se torna o presente no instante. O grito é sentido no canto em sopro, as palavras não têm importância, somente as imagens, os sentidos, os efeitos ilusionistas. Uma quase homenagem a Méliès, no belíssimo raccord da água do chuveiro projetada no corpo nu, para este mesmo corpo na água que escorre nele, já fundida, “posta em cena”. "
simplesmente nao me atrevo a escrever mais nada apos ter lido esta passagem, simplesmente tudo (e mais um pouco) do que eu poderia falar.
um dos melhores curtas que eu ja vi
texto integral
Rastros de Ódio
4.1 284 Assista AgoraTipico Filme de Western em estrutura narrativa: o velho oeste representado como lugar mitico e atemporal, representacoes sexuais tidas do casamento monogamico e heterossexual como simbolos dos valores da civilizacao crista, o direito a propriedade, o lobo solitario, a mocinha em perigo, o indio mal e a natureza como obstaculos na construcao do leste estadunidense.
Contudo, Rastros de Odio, apresenta peculiaridades do fim da epoca de ouro do western, o que de maneira alguma, prejudica a pelicula.
O filme mostra-se ironico em diversos momentos (fugindo da objetividade inicial do genero) como, por exemplo, na fugura controversa do Reverendo/Capitao dos Texas Rangers e em grande parte de seus dialogos. Tambem bebendo muito (sendo apelativo em alguns momentos) da fonte do melodrama.
Divagando mais, percebe-se a exuberancia da fotografia em questao (nao so muito bem fotografado, como planificado).
A edicao E que muitas vezes deixa a desejar, no que concerne as diversas passagens de tempo: sao bruscos saltos temporais de dificil assimilacao. Anos parecem minutos ao expectador.
Nada que tire a beleza e a importancia do filme para a historia do cinema.
Alice
3.8 214"Odeio perder, Alex, principalmente pra mim mesma"
Encontrei Alice ha algum tempo numa tarde de garimpagem no youtube.
Quase nunca encontrava algo legal dentre todo aquele cascalho.
E o tempo, por si so ja dificultava, curtissimo: sem internet em casa era 1h30min na lan house, tempo de baixar a maior quantidade possivel de videos e depois, com calma, assisti-los e separa-los torcendo pra encontrar algo bom.
Nao tinha tanta esperanca naquele dia.
Alice foi um dos ultimos a serem assistidos, mas muito antes parecia estar escondido um algo mais: a simplicidade to titulo ja me encantava.
No decorrer, Sao Paulo era retratada de uma maneira triste e melancolica, toda em tons frios, parecendo sofrer junto com com os desencontros. (No dia-a-dia movimentado da metropole era como estar sozinho na multidao)
Me doia a cada corte da secretaria eletronica, a cada corrida desesperada ao nada (na eterna esperanca de encontrar o "tudo" e ter instantes de eternidade), a cada mero detalhe em cena, mas nada se comprara ao momento de maior desencontro: a despedida.
"O destino é aquilo que sai de você e enfrenta o mundo"
Em tempo que a tecnologia prega a inclusao e proximidade E fato que esteja se perdendo a ideia de quem nem sempre foi assim: facil, simples, direto e expontaneo. Ou, facilmente descartavel.
Talvez Criolo esteja mesmo certo:
"Nao existe amor em SP"
e se um dia existiu, foi embora com Alice.
As Aventuras de Pi
3.9 4,4K Assista AgoraMe relutei ao máximo em assistir Pi. Não sei bem ao certo o porque. Talvez se enquadrasse na mesma ordem de filmes como “A invenção de Hugo Cabret” aos quais eu não assistiria por pura e simples displicência e passasse toda uma vida me culpando por ter perdido a oportunidade de te-lo visto no cinema e amargando a ve-lo sozinho (em paz) na tela de minha tv ou computador.
Dei-me um ultimato e fui ve-lo. Quase que obrigado devidos aos meu compromissos assumo, mas intimei-me a assisti-lo.
Tive certa surpresa ao ver o tema que seria trabalhado no decorrer da narrativa a cerca do garoto Piscine: a religião. Certo preconceito diria (devido as minhas crenças pessoais), mas lotado de uma curiosidade de como o Ang Lee (do “O segredo de Brokeback Montain”) abordaria o tema em questão.
O que parecia estranhamento ou mesmo desinteresse com o tema logo transforma-se em fascinação e supera qualquer expectativa: nem percebi o quanto rápido se passaram os 127 minutos de projeção.
Mas o que teria de tao impressionante na historia de um garoto indiano que tem o nome de uma piscina publica francesa que na tentativa de busca de uma vida melhor se muda de navio para o Canada com a família e os animais de seu zoológico, mas que no caminho devido ao naufrágio da embarcação, ve-se prezo ao bote salva vidas com uma zebra, uma orangotango, uma hiena e o tigre-de-bengala, Richard Parker?
A resposta seria sem duvida nenhuma a narrativa criada por Lee, orgânica, que se mostre pouco exatos os seus 127 minutos (como ja dito) para quem o assiste.
A impressionante fotografia de Claudio Miranda (Clube da Luta) que junto com os efeitos especiais, como a perfeição do tigre Richard Parker que em quase todos os momentos foi computadorizado, e os planos abertos mostrando a profundidade e imensidão quase que infinitas do oceano, muitas vezes se confundindo com o universo refletido, é um espetáculo a parte.
Madame Satã
3.9 434Eu ainda continuo sem palavras.
Nao so pela historia em si (do mito pernambucano, negro e homossexual) mas como ela E narrada, dismistificando a boemia calma e carnavalesca. Seco, duro e realista
Lazaro Ramos impecavel, digno de todos os louvores, encarna e se entrega ao personagem com maestria de veterano e nao de estreante.
Dialogos marcantes queria eu poder citar todos mas esse, especificamente, nao me sai a cabeca: "Eu sou bicha porque eu quero! E não deixo de ser homem por causa disso!”
Otimo trabalho do diretor Karim Ainouz nao so pela ousadia do filme em si, mas tambem, pelo espaco de tempo escolhido: retratar o Joao Francisco, antes de ser Madame Sata.
Sou suspeito a falar mais.
Otimo filme.
Elvis & Madona
3.4 313Uma esperiencia inusitada no cinema brasileiro. (nao por ser uma producao de baixo custo)
Afinal, nao sao todos os dias que nos deparamos com a diferente historia de amor entre uma lesbica e um travesti, tratada de uma maneira tao doce e afavel.
Roteito simples e de facil compreensao sem muitos detalhamentos nas personagens: o objetivo era na relacao entre a Elvis e a Madona, e nao na profundidade de seus problemas existenciais.
O filme surpreende justamente neste aspecto: foge um pouco da tematica LGBTT e se foca na relacao do casal, relacao essa, que apresenta os mesmos problemas de um casal "normal" -mas o que seria normal?-
Lembra de leve algumas comedias do comeco de carreira de Pedro Almodovar.
O Igor e a Simone estao belissimos agradam em boas partes do filme, embora algumas vezes apresentem nuancias do caricato ou e de uma falta de quimica.
O filme cai diversas vezes no obvio (O que nao E ruim, diga-se de passagem), levando a alguns momentos soar caricato.
Divertidissimo o uso de girias gays em excesso.
Belo trabalho de cenografia.
Fez-se muito, com quase nada. (de recurso)
Assistam de uma maneira bem despretensiosa, nao esperem um dramalhao.
Belo e engracado, como uma (inusitada) comedia romantica deveria ser.
Me arrancou boas risadas.
Cinema, Aspirinas e Urubus
3.9 372 Assista AgoraLonga de estreia do grande Marcelo Gomes. Filme masculino se comparado com a recente produção do diretor. Simples e bonito. Primorosamente fotografado, imagens estouradas dando a sensação –de dentro do para-brisas- de calor infernal e interminável, retrato fiel do nordeste brasileiro. Dialogos ótimos e colocados maestralmente em sua hora certa “E esse Brasil que nao acaba?!” “Lugar que nao presta é assim: nao acaba nunca.”
Joao Miguel esplendido, retrata “o nordestino” sem forca, com belo sotaque e lingagem corporal.
Hermila Guedes, linda como sempre, rouba a cena na curta participação de sua personagem.
O alemao encanta a todos de primeira.
Uma historia sobre o real significado do descobrimento da amizade, entre duas pessoas amarguradas pela vida que levam, escondendo-se sobre um manto de falsa malandragem.
Acossado
4.1 522 Assista AgoraStatus de cult e classico da Nouvelle Vague dirigido por um mestre e baseado nas historia de outro representante importante do periodo (Truffaut). Impossivel nao tirar os olhos da Jean Seberg todas as vezes que aparece (e rouba) em cena. Dialogs rapidos e eficazes (simples mas ao mesmo tempo de uma profundidade sem tamanos), cortes brusco que, como dito anteriormente, demostram a inquietude do diretor quanto à falsa naturalidade das cenas.
Nao E nem nunca vai ser um filme pra se assistir, mas sim, para se apreciar.
O Som ao Redor
3.8 1,2K Assista AgoraEstreante em longas-metragens Kleber Mendonca Filho acerta na mao e faz mais que um filme, faz uma denuncia social do modo de vida nao so pernambucano mas Brasileiro em essencia, com pitadas de suspense e beirando o terror.
Era Uma Vez Eu, Verônica
3.5 197"Eu paciente Veronica, com medo da vida como qualquer um...
Eu paciente Veronica, com medo do futuro como qualquer um...
Eu paciente Veronica... em crise."
Relato de uma geracao que tem tudo e ao mesmo tempo nada.
Um atriz que deixa se despir, fisica e psicologicamente em funcao da personagem, em certos momentos carrega o filme nas costas sozinha
Otima trilha sonora cantada por Karina Buhr, sempre bem colocada.
As cenas de sexo e nudez se explicam pela vida que a personagem leva.
Como ja dito em outro comentario "a personagem se lasca sem um plano pra vida, mas quem sofre mesmo e' o filme sem vida nos planos."
Senti falta de um desfecho.
Parado, sutil e bonito.
Otimo filme.
Viagem à Lua
4.4 881 Assista AgoraVisionário, palavra que define muito bem o cineasta Georges Melies! A frente de seu tempo, inovou na introdução de temáticas, dos cenarios, figurinos, efeitos especiais, atores e ,principalmente, historias diferenciando-se, assim, do "cinema do cotidiano" da época (filmava-se o que acontecia na rua, no dia a dia. Ex: o trem chegando a estação). ícone de todos os tempos. Percursor do cinema moderno. Um exemplo a ser seguido. Excelente filme.
Não Gosto dos Meninos
4.3 360Ótimo documentário. Bem elaborado e editado. Mostrou o que muitos nao conseguem ver, nao entendem, ou pior, nao querem enxergar mostram-se cegos pelo preconceito. De uma forma simples quebra tabus e misticismos a respeito do homossexualismo. "Nascemos assim e nao temos escolha, muito menos lutares contra o que somos". O amor ao proximo é o mais importante a ser julgado. Somos livres pra ser o que quisermos sem interferir no direito de ir e vir dos outros. Otimo filme. Super indico.
Recife Frio
4.3 326Ótimo filme! Bem elaborado, ótima fotografia, roteiro bem escrito, boa montagem. Criativo e simples. Critica bem elaborada e inteligente. Lia de Itamaraca vem para encerrar com chave de ouro, um show a parte.