O filme é lindo, mas só consegui compreender plenamente a dimensão do luto ao final. Durante mais da metade da narrativa, a ideia que me acompanhou foi outra: Agnes é apresentada como uma mulher livre, inteligente e destemida, sem as amarras da ilusão do amor romântico. No entanto, ao encontrar William, ela passa a ser aprisionada em um modelo de relacionamento que, na prática, se mostra benéfico apenas para ele.
Esse retrato dialoga diretamente com a vida real. Pesquisas indicam que homens casados tendem a ser mais felizes, enquanto mulheres casadas, muitas vezes, se tornam mais infelizes. Na relação entre Agnes e William, isso se confirma: o único verdadeiro beneficiário é ele. William ganha uma mulher que acumula múltiplos papéis: esposa, amante, amiga, confidente, mãe e empregada. Agnes, por sua vez, torna-se completamente devota à nova vida de esposa, enquanto ele se transforma em um homem inquieto e violento, sempre fiel apenas às próprias vontades.
O desfecho, no qual Agnes finalmente reconhece e compreende o luto de William, me causa profundo incômodo. Ele evidencia como os homens desfrutam de privilégios quase infinitos. William pôde viver o luto de forma distante, elaborá-lo por meio da arte e, por isso, ser venerado até hoje. Já Agnes, que gestou, pariu, criou e viu seu filho morrer em seus próprios braços, teve um luto silencioso e permanente. Não havia espaço para elaborá-lo externamente: ainda restavam duas filhas para criar sozinha. A ela coube apenas carregar a dor, transformando-se, aos olhos do mundo, em um retrato amargurado e tomado pelo remorso.
Ainda assim, ao final, ela reconhece que seu marido também viveu o luto, embora de maneira profundamente distinta da sua. Essa assimetria é talvez um dos aspectos mais dolorosos do filme.
A obra é emocionante, tocante e uma excelente adaptação. Mesmo quatro dias após tê-la assistido, ela continua reverberando em mim, provocando reflexões sobre amor, privilégio, maternidade e as diferentes formas, e possibilidades de sofrer.
Quando comecei a assistir essa série, pensei que fosse ser a versão brasileira de "Pose", mas logo percebi que ela possui uma identidade própria e um brilho único. O roteiro é incrível, bem estruturado e envolvente, com tramas emocionantes que fazem você se importar com cada personagem. Eles são bem construídos, profundos e fortes, e a maneira como a história se desenrola nos permite nos conectar com todos.
Embora trate de temas difíceis, a série não é sombria, pelo contrário, é cheia de vida e emoção. Há uma tristeza no enredo, mas ela vem acompanhada de uma força e resistência que tornam tudo mais vibrante e inspirador.
É um grande orgulho ver uma produção brasileira tão bem escrita, dirigida e interpretada. No entanto, é uma pena que ela ainda não tenha a divulgação que realmente merece. Por isso, é importante apoiar a série, fazendo o boca a boca e recomendando para outras pessoas. Ela merece ser vista por muito mais gente
Mais um filme propagandista dos Estados Unidos, feito para sustentar sua posição de protagonismo mundial por meio de um vitimismo encenado e, às vezes, de um heroísmo forçado. Como millennial, já perdi a conta de quantos filmes com essa mesma fórmula emocional e posada eu já vi. E isso porque faz anos que não assisto a esse tipo de produção, que nunca foi o meu gênero favorito. Quando o acesso ao produções fora do circuito das "Blockbuster" é limitado ou desestimulado, esse é o único tipo de filme que chega às massas, e imagino que o mesmo aconteça até dentro do próprio território norte-americano. Esses filmes são, no mínimo, ridículos. É evidente a tentativa de moldar o inconsciente coletivo, reforçando uma narrativa que coloca os Estados Unidos como heróis ou vítimas. E o mais irônico é que, enquanto o mundo presencia guerras reais e genocídios concretos, muitos deles com participação direta ou indireta dos próprios EUA, Hollywood continua a fabricar histórias fictícias de sofrimento e heroísmo, como se fosse inocente das tragédias que ajuda a provocar
O filme é um arrasto total, copia uma fórmula batida, aposta na violência como entretenimento e não entrega nada de novo ou interessante. Os personagens são jogados sem desenvolvimento e a narrativa não prende em momento nenhum. A tal metáfora da vida como caminhada até poderia render, mas aqui vira só um teste de paciência, tipo prova de resistência do BBB sem edição. Na corrida ninguém tem estratégia, todos sabem que só vai sobrar um mas agem como se parcerias fossem garantir sobrevivência. Se a ideia fosse explorar essa selvageria ao estilo Round 6 e dar profundidade aos personagens até funcionaria, mas nada disso acontece. O gore não choca, a trama não convence e o final simplesmente não faz o menor sentido 🙄
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 434 Assista AgoraO filme é lindo, mas só consegui compreender plenamente a dimensão do luto ao final. Durante mais da metade da narrativa, a ideia que me acompanhou foi outra: Agnes é apresentada como uma mulher livre, inteligente e destemida, sem as amarras da ilusão do amor romântico. No entanto, ao encontrar William, ela passa a ser aprisionada em um modelo de relacionamento que, na prática, se mostra benéfico apenas para ele.
Esse retrato dialoga diretamente com a vida real. Pesquisas indicam que homens casados tendem a ser mais felizes, enquanto mulheres casadas, muitas vezes, se tornam mais infelizes. Na relação entre Agnes e William, isso se confirma: o único verdadeiro beneficiário é ele. William ganha uma mulher que acumula múltiplos papéis: esposa, amante, amiga, confidente, mãe e empregada. Agnes, por sua vez, torna-se completamente devota à nova vida de esposa, enquanto ele se transforma em um homem inquieto e violento, sempre fiel apenas às próprias vontades.
O desfecho, no qual Agnes finalmente reconhece e compreende o luto de William, me causa profundo incômodo. Ele evidencia como os homens desfrutam de privilégios quase infinitos. William pôde viver o luto de forma distante, elaborá-lo por meio da arte e, por isso, ser venerado até hoje. Já Agnes, que gestou, pariu, criou e viu seu filho morrer em seus próprios braços, teve um luto silencioso e permanente. Não havia espaço para elaborá-lo externamente: ainda restavam duas filhas para criar sozinha. A ela coube apenas carregar a dor, transformando-se, aos olhos do mundo, em um retrato amargurado e tomado pelo remorso.
Ainda assim, ao final, ela reconhece que seu marido também viveu o luto, embora de maneira profundamente distinta da sua. Essa assimetria é talvez um dos aspectos mais dolorosos do filme.
A obra é emocionante, tocante e uma excelente adaptação. Mesmo quatro dias após tê-la assistido, ela continua reverberando em mim, provocando reflexões sobre amor, privilégio, maternidade e as diferentes formas, e possibilidades de sofrer.
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente
4.3 54 Assista AgoraQuando comecei a assistir essa série, pensei que fosse ser a versão brasileira de "Pose", mas logo percebi que ela possui uma identidade própria e um brilho único. O roteiro é incrível, bem estruturado e envolvente, com tramas emocionantes que fazem você se importar com cada personagem. Eles são bem construídos, profundos e fortes, e a maneira como a história se desenrola nos permite nos conectar com todos.
Embora trate de temas difíceis, a série não é sombria, pelo contrário, é cheia de vida e emoção. Há uma tristeza no enredo, mas ela vem acompanhada de uma força e resistência que tornam tudo mais vibrante e inspirador.
É um grande orgulho ver uma produção brasileira tão bem escrita, dirigida e interpretada. No entanto, é uma pena que ela ainda não tenha a divulgação que realmente merece. Por isso, é importante apoiar a série, fazendo o boca a boca e recomendando para outras pessoas. Ela merece ser vista por muito mais gente
Casa de Dinamite
2.9 180 Assista AgoraMais um filme propagandista dos Estados Unidos, feito para sustentar sua posição de protagonismo mundial por meio de um vitimismo encenado e, às vezes, de um heroísmo forçado.
Como millennial, já perdi a conta de quantos filmes com essa mesma fórmula emocional e posada eu já vi. E isso porque faz anos que não assisto a esse tipo de produção, que nunca foi o meu gênero favorito.
Quando o acesso ao produções fora do circuito das "Blockbuster" é limitado ou desestimulado, esse é o único tipo de filme que chega às massas, e imagino que o mesmo aconteça até dentro do próprio território norte-americano.
Esses filmes são, no mínimo, ridículos. É evidente a tentativa de moldar o inconsciente coletivo, reforçando uma narrativa que coloca os Estados Unidos como heróis ou vítimas. E o mais irônico é que, enquanto o mundo presencia guerras reais e genocídios concretos, muitos deles com participação direta ou indireta dos próprios EUA, Hollywood continua a fabricar histórias fictícias de sofrimento e heroísmo, como se fosse inocente das tragédias que ajuda a provocar
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 355 Assista AgoraO filme é um arrasto total, copia uma fórmula batida, aposta na violência como entretenimento e não entrega nada de novo ou interessante. Os personagens são jogados sem desenvolvimento e a narrativa não prende em momento nenhum. A tal metáfora da vida como caminhada até poderia render, mas aqui vira só um teste de paciência, tipo prova de resistência do BBB sem edição. Na corrida ninguém tem estratégia, todos sabem que só vai sobrar um mas agem como se parcerias fossem garantir sobrevivência. Se a ideia fosse explorar essa selvageria ao estilo Round 6 e dar profundidade aos personagens até funcionaria, mas nada disso acontece. O gore não choca, a trama não convence e o final simplesmente não faz o menor sentido 🙄
Questão de Tempo
4.2 4,1K Assista AgoraJuro que ouvi o cara do meu lado no cinema soltar um "achei esse filme muito poético"
Café da Manhã em Plutão
4.0 191 Assista AgoraEXTERMINATE! EXTERMINATE!
Qual não foi minha surpresa e contentamento ao ver um Dalek neste filme!
Ganhou uma estrela a mais só pela boa referencia ♥