O filme já começa denso, contextualizando o cenário político e social em que a história se passa, e isso já é muito importante, pois toda a angústia e aflição dos personagens refletem esse aspecto. São dois personagens completamente infelizes, cada um a sua forma e pelos seus próprios motivos, e se encontram de uma maneira única, perdidos em uma solitude melancólica, conseguem construir algo que destoa de todo o cenário que os envolve como pessoas. Sophia Loren e Marcello Mastroianni em atuações exemplares, a entrega de ambos a seus personagens é admirável. E que beleza Sophia Loren carrega, mesmo aqui esse ponto não sendo destacado e a sua personagem o tempo todo transmitindo uma angústia muito aflorada, ainda sim a atriz encanta. O filme tem uma história simples, mas muito impactante. Acredito que deveria receber mais reconhecimento, afinal são histórias como essa que se tornam verdadeiros relatos de um cenário histórico que não deve ser esquecido.
"Acabamos sempre nos adaptando à mentalidade dos outros. Mesmo quando estão errados." Política e socialmente falando isso era um perigo na época em que o filme se passa e permanece sendo perigosos ainda hoje.
É aquele tipo de romance bem meloso, com cenas feitas sob medida para tentar emocionar ou deixar o público suspirando, e funciona em muitos momentos, mesmo nessas cenas completamente piegas. Um dos méritos do filme é a formidável dupla formada por Rachel McAdams e Ryan Gosling, é animador vê-los em cena e são facilmente identificáveis como um casal apaixonado. O filme relata aquele amor (a princípio) fugaz que resiste ao tempo, a novos amores, resiste a própria vida que simplesmente seguiu acontecendo, e que deixou em ambos resquícios de um sentimento maior. Mesmo com o afastamento que durou anos, eles nunca se esqueceram, sempre lembravam um do outro em certos momentos, sempre permaneceu entre eles o “e se”, de quando a vida toma um rumo completamente diferente do que foi esperado. A forma como um volta para a vida do outro é muito legal de ver, existe um certo desconcerto e curiosidade, lembranças, recordações, de certa forma, eles se chamaram para esse reencontro. Como ele diz em dado momento: “Não tinha terminado, ainda não terminou…”. O final é forçadamente emotivo, mas condizente com todo o tom melodramático do filme.
Assistindo novamente em 29 de setembro de 2026. Nota: 7/10
O filme é absolutamente clichê, em cada cena, ato, diálogo. Nada empolga aqui, o romance não empolga e as poucas cenas de ação não animam. Não serve muito nem como passatempo.
Que filme difícil de se assistir, com cenas muito pesadas, retrata uma realidade que todos sabemos que existe, mas muitas vezes é visto de certa distância e quando escancarado assim é realmente doloroso, amargo, sendo impossível não se revoltar com o que acontece na nossa sociedade. Pois o filme é acima de tudo um recorte do retrato social que assola milhares de crianças no nosso país que foram abandonadas de todas as formas possíveis (pais, família, Estado) sem acesso a condições que resguardam o mínimo de dignidade (saúde, educação, moradia), é um problema real que há décadas é totalmente ignorado, e talvez o mais arrasador no filme seja isso, saber que 40 anos depois nada mudou. É um problema que precisa ser resolvido da origem, é um ciclo destrutivo social, cujas consequências só se agravam, e o filme retrata tudo com uma propriedade ímpar. A forma como o filme se apresenta é quase documental, e é desanimador ver como o próximo ato, o próximo momento da vida de Pixote (Fernando Ramos) é pior que o anterior, é uma vivência da qual não se tem fuga, atalho, esperança. Aliás, saber o que aconteceu com o ator alguns anos após o filme é a demonstração prática e viva da realidade mostrada no filme. Devastador.
Depois de duas boas temporadas e uma terceira temporada já enfraquecida, a quarta temporada da saga “Monsters” desperdiça a oportunidade de voltar a algo mais impactante. Pode ser pela escolha do monstro da vez, acho que a história de Lizzie Borden não tem a força necessária para carregar uma temporada inteira e a prova disso é a sensação de que 2 episódios a menos seria melhor, fora que os episódios são longos e a tornam enfadonha. E ainda pode ser por algumas escolhas que não caíram bem, dá para entender o grotesco como elemento na trama, mas acaba sendo de mal gosto em vários momentos. A série tem muitos momentos fantasiosos, algo que já tinha acontecido na temporada anterior e tinha sido alvo de críticas, talvez por isso aqui acontece de maneira mais contida, mas ainda sim chega a incomodar. O elenco talvez seja o melhor dessa temporada, todos estão bem em seus papéis e carregam a trama com tudo o que ela exige. Sarah Paulson está assustadoramente perfeita interpretando Aileen Wuornos, facilmente roubando a cena e ofuscando a personagem protagonista. É o ponto alto da temporada. Fica a questão, talvez teria sido melhor a temporada ter abordado essa história ao invés de uma história mais fraca e menos impactante como a de Lizzie Borden.
Série finalizada em 26 de setembro de 2026. Nota: 6/10
A terceira temporada mantém um bom desenvolvimento, não perde o ritmo e apresenta uma trama com certa complexidade que vai se desenrolando muito bem. A cada episódio a tensão é crescente, e por mais que em alguns momentos caia em clichês previsíveis desse tipo de história, consegue voltar para os trilhos quando necessário. O elenco recheado de nomes famosos e competentes entregam o que precisam, mas sem muito destaque. No fim, fica a sensação de que a série ainda tem fôlego para novas temporadas e poderiam arriscar ainda mais, seria bom se apostassem em temas ainda mais complexos.
Temporada finalizada em 26 de setembro de 2026. Nota: 7/10
Um filme comovente que conta um pouco da história de Santa Francisca Xavier Cabrini e demonstra toda a sua força, dedicação, luta, e uma busca incessante de ajudar o próximo, com um olhar muito humano para o outro. É sempre inspirador conhecer a história de pessoas que dedicam a vida a uma causa maior, é de fato algo admirável. Como não podia deixar de ser, o filme além de trabalhar com uma comoção muito forte, também trás sentimentos de repulsa e raiva de um sistema que sempre foi fortalecido para menosprezar os mais necessitados, e a esperança de que pessoas como Cabrini, que enfrentou esse sistema com muita bravura, lute todos os dias é renovador de uma fé que por vezes fica esquecida, uma fé na própria humanidade.
É trash, é divertido, é gore, é absurdo em alguns momentos, mas é o absurdo que surpreende, do tipo em que nós faz perguntar: “o que é isso que estou vendo em tela?”, e por tudo isso, é muito bom. Eu esperava algo do filme, mas ele entregou mais, e foi hilário de acompanhar em certas cenas. Um filme que não se faz mais hoje em dia e se fosse feito algo do tipo não ficaria tão bom.
Um filme absolutamente difícil de ser assistido pela inquietação e brutalidade retratados que desperta uma sensação crescente de desconforto e soco no estômago, chega a ser sufocante em certos momentos. O mais difícil de ser encarado aqui é saber que essa é uma entre tantas histórias que representam muito mais aspectos de uma guerra, onde se perde tudo mais intimamente, como os sonhos, a esperança, e no caso retratado, se perde a vida mesmo ainda em vida. O tempo todo se tem a certeza de que esse filme é muito corajoso, e é esmagador ver como às vezes algo tão comum a nossas vidas representa um sonho inalcançável para outros. É bom destacar que apesar do tema difícil o filme não se torna apelativo em nenhum momento, não tem cenas gratuitas na tentativa de chocar, a história por si só já é assustadoramente chocante, e nesse aspecto o filme é muito bem conduzido. Um filme, de fato, devastador.
O principal ponto a destacar nesse filme é como é comovente a ingenuidade da personagem de Macabéa, vivida por Marcélia Cartaxo que dá um tom muito tristonho ao personagem, uma atuação que tem força na simplicidade. Com o desenrolar do filme já se torna esperado que a personagem irá sofrer em algum momento, pois sabemos que a vida é difícil, e com pessoas tão ingênuas assim tudo é ainda pior, pois a crueldade e dureza da vida não perdoa. Nesse sentido, a vulnerabilidade da personagem em todos os quesitos desperta uma sensação de querer protegê-la da maldade do mundo e das pessoas. E a vulnerabilidade aqui não é apenas financeira, da vida precária, é de todo o contexto social, da falta de conhecimento de si própria e da vida, de sentimentos, de inspiração, de sonhos, é uma personagem alheia de si mesmo e de tudo à sua volta.
"Eu acho que sou alguma coisa. Mas pelo menos sabe que se chama Macabéa. Mas eu não sei o que é que tem dentro do meu nome".
Esse pequeno diálogo estampa totalmente essa falta de identidade e de percepção dela, o que foi reforçado pelo tratamento que sempre teve das pessoas ao seu redor, ela nunca foi vista por ninguém e o pior de tudo, nem por ela mesma. No mais, José Dumont interpreta um personagem detestável. O resto do elenco sem destaque. É o tipo de filme do cinema nacional que retrata muito bem uma (entre tantas) realidades duras do povo brasileiro, o que sempre é triste de ser assistido.
Esse filme tem muitos elementos que me cativam e o torna um dos meus favoritos. O primeiro deles é a forma como a música é algo essencial aqui, sendo um personagem tão importante quanto os protagonistas, e deixa o filme vivo de muitas maneiras. Desde os momentos de criação e a forma como eles compartilham suas playlists para se conhecerem melhor (realmente dá para conhecer muito de uma pessoa pelo o que ela escuta), até o jeito como a música é descrita por ambos, como sendo algo muito maior que qualquer apelo comercial. “É isso que eu amo na música. Uma das cenas mais banais, de repente, ganha um significado enorme.” Isso vale para filmes, vale para a vida. Quantos momentos simples se tornam ainda mais especiais quando embalados por uma música que toca lá na alma, com versos cheios de significados para quem escuta. Quantas pessoas se tornam ainda mais especiais ao compartilhar músicas que representam não só o mesmo gosto musical, mas visões similares de enxergar a vida, sonhos, desejos em comum. Em tempos onde tudo o que realmente importa está banalizado, encontrar alguém com essa visão da música é emocionante.
O destino aqui também funciona como um elemento forte do filme, principalmente a forma como um entra na vida do outro e como tudo vai se desenrolado de maneira tão despretensiosa e tão valiosa ao mesmo tempo. Ambos os personagens protagonistas estão perdidos em suas vidas depois de dolorosas desilusões e simplesmente deixam o destino agir para curar as feridas, se encontrarem novamente e seguir em frente, aliás, estão maravilhosamente bem interpretados por Mark Ruffalo e Keira Knightley, com uma sincronia muito envolvente. Nesse ponto ainda vale destacar que o filme foge do clichê de tentar forçar um romance entre eles, em um momento ou outro até parece que irá por esse caminho, mas tudo acontece com muita naturalidade e a relação deles simplesmente não desenvolve para esse lado, e ainda sim permanece ali um sentimento forte. Novamente é o destino agindo, às vezes duas pessoas estão destinadas a se conhecer, a se amar, e a seguirem caminhos separados. Algo que não é de fácil compreensão.
Outro elemento importante e talvez o que funcione melhor no filme é a melancolia enraizada em cada cena, nos diálogos, nas interações, nas músicas, na ambientação, no roteiro em si, toda a atmosfera do filme é melancólica, e o final ao som de “Lost Stars”, onde a personagem Gretta simplesmente sai em busca do próprio caminho traz um sentimento inexplicável.
Aliás, em meio a tantas músicas apresentadas no filme, “Lost Stars” tem todo o destaque e representa muito bem o roteiro e as dores dos personagens, se torna facilmente uma música para se levar para a vida, mas eu ainda destaco outra que sempre é dolorosa de ouvir, “Like a Fool”, impossível não ter empatia pela dor da personagem de Keira Knightley aqui, afinal, todas não fomos tolas em algum momento, em algum relacionamento na vida? Amando em uma via de mão única, insistindo em algo já findado. Ou até mesmo se entregando a um sentimento novo, confiando unicamente no destino de que tudo dará certo. A “tolice” aqui pode ser uma certa ingenuidade ou uma fé inabalável na vida, é interpretativo de diversas formas. “And I have loved you like a fool (E eu te amei como uma tola)”.
Esse filme é daqueles que ficam na memória, com uma trilha sonora envolvente, é o tipo de filme gostoso de assistir, que desde o primeiro minuto já prende a atenção e segue assim até o final, cativando a cada cena. E no fim, fica a reflexão: “But are we all lost stars trying to light up the dark?” (Mas será que somos todos estrelas perdidas tentando iluminar a escuridão?)
Assistido novamente em 23 de setembro de 2026. Nota: 8/10
Comédia romântica do fim dos anos 90 que ainda carrega a nostalgia dessa época, conta uma história que possui muita leveza, alguns momentos de comicidade, com graça e desenvoltura nas situações muito bem representadas pelo casal protagonista. Aqui, aliás, o mérito pertence muito a eles, Julia Roberts e Hugh Grant que estavam em uma fase de alta na carreira e nesse auge se encontram em uma dinâmica muito boa de se assistir, e a construção dos personagens também são muito assertivas, pois são personagens cheios de falhas, com defeitos que muito vezes os afastam, mas que ambos buscam uma evolução, maturidade e em meio disso, se encontram e se ajudam de formas diferentes. O primeiro ponto que chama a atenção no romance é que se trata de um completo caso da obra do destino e como de certa forma passam a estar conectados, pois apesar dos desencontros (que acontecem muito por causa dela), eles sempre voltavam a se encontrar, algo sempre chamava um para o outro. Nos momentos desses desencontros ambos sofrem, porque querem ter o outro junto, perto, e nesse ponto o sofrimento dele é mais retratado na história, e a melancolia toma conta do personagem e do filme, com um visual que torna isso muito palpável. A trilha sonora desse filme é muito encantadora, com músicas belíssimas, mas a emblemática e inesquecível “She”, de Elvis Costello é geralmente a mais lembrada quando se pensa nesse filme, e merece o reconhecimento. Mas também destaco “Ain't No Sunshine", de Bill Whiters, que se encaixa perfeitamente na trama, e toca especificamente em um momento de passagem de tempo que estampa a melancolia, a solidão, a tristeza do personagem de Hugh Grant por não ter a amada por perto.
“O Sol não brilha quando ela vai embora E ela sempre demora tanto para voltar Cada vez que ela se vai Me pergunto para onde ela foi desta vez”
Esses versos são tocantes e totalmente condizentes com a atmosfera do filme e dos momentos em que os personagens estão distantes.
Não tem como não destacar a clássica frase dita pela personagem de Julia Roberts: “Não esqueça que eu sou apenas uma mulher, parada na frente de um homem pedindo a ele para amá-la!” Entre erros, desencontros e escolhas, no fim temos aqui toda a fragilidade dela, que apenas quer ser amada como sonha e merece.
Também destaco o singelo diálogo entre eles, que diz tudo o que eles sempre quiseram dizer, desde o primeiro encontro: “Posso ficar mais um pouco? Fique pra sempre”
Ela sempre quis ficar, ele sempre quis que ela ficasse, isso deveria ser tudo o que importa, mas às vezes o entorno da vida atrapalha demais um romance de acontecer.
Assistido novamente em 22 de setembro de 2026. Nota: 8/10
Um bom documentário, consegue explanar bem toda a situação e toda a investigação jornalística que foi feita a longo de anos dessa história, que é no mínimo, bizarra. Eu desconhecia totalmente esses casos e a existência desse ser na Amazônia, mais ainda, os mistérios que o envolviam e os crimes ligados à ele, e é realmente tudo muito intrigante. Tem muitas perguntas não respondidas, muitos segredos, coisas ocultas nessa trama (e nem falo de cidades perdidas), que não tem como não se indignar com todo o ocorrido. O mais surpreendente é Tatunca Nara vivendo como se nada tivesse acontecido, completamente impune, e na entrevista dele chega a ser repugnante o seu comportamento, como se fosse alheio à tudo o que aconteceu. No mais, a incompetência da Justiça Brasileira em todas as esferas não tem limites.
Estou em uma jornada pelo cinema nacional e nessa jornada sigo descobrindo e redescobrindo grandes e tocantes filmes que retratam o povo brasileiro de maneiras inigualáveis e cuja representatividade de um povo grita em cada cena. E é gratificante ver como o cinema nacional sempre pode ser mais, pode emocionar de uma forma bem singular, quase sempre com uma verdade dura sendo escancarada, algo de fácil identificação. Esse é mais um exemplo de um filme que se encaixa nessa descrição, com muita simplicidade vai envolvendo, vai deixando o seu impacto, é o comum do dia-a-dia de muitas pessoas que passam por situações similares na vida que torna tudo tão difícil de ser digerido. O elenco é feito de escolhas bem assertivas, todos entregam tudo o que podem em cena. Todos os demais elementos do filme trabalham para entregar essa identificação nacional, como a trilha sonora e o visual regionalizado, e tudo compõe um cenário com o mesmo impacto da história. No geral, um filme que fica na memória e difícil de ser esquecido.
Encontros e Desencontros é aquele tipo de filme marcante, que você faz conexão com a própria vida e leva consigo alguns pensamentos após assistir e inevitavelmente gera uma identidade com muitos momentos ali retratados. O clima do filme torna tudo mais melancólico, para além da melancolia dos personagens, a ambientação, o clima sempre chuvoso, a paleta de cores, a trilha sonora, tudo ajuda a compor um sentimento de tristeza que está presente na atmosfera geral do filme. O encontro entre os personagens é algo absolutamente do destino, porque eles se enxergam melhor do que quem está à volta deles os enxerga, e surge uma conexão inexplicável, em meio a tantas idas e vindas, pessoas e compromissos, eles reconhecem no outro sentimentos que compartilham sem saber, principalmente o vazio existencial na vida deles, e assim, se reconhecem em uma amplitude de tantas outras emoções e sensações. O filme tem muitas cenas contemplativas no silêncio, aquele silêncio inquietante, porque nenhum deles está confortável com suas vidas e em muitos momentos até com si mesmos. Nesse ponto também é interessante porque o filme mergulha em um sentimento de angústia, que mostra que os personagens se encontram um no outro, mas também mergulham neles mesmos, buscando se reconhecer em meio à constatação de estarem perdidos e sozinhos em sua própria vida. A direção de Sofia Coppola é absurdamente competente aqui, porque a forma como o filme transmite todo esse sentimento e sensações é algo único, e talvez quando assistido pela segunda ou terceira vez se torna ainda mais latente a mensagem do filme, e fica mais identificável a conexão com todo o sentimentalismo trabalhado na história.
"Quanto mais você sabe quem você é e o que quer, menos deixa que as coisas o aborreçam."
Assistido novamente em 16 de setembro de 2026. Nota: 8/10
Um filme com uma simplicidade grandiosa, sendo impossível não se admirar e se emocionar. A música tem uma presença muito importante aqui, faz parte da narrativa, dos sonhos do protagonista, da própria história e envolve a trama com muita força e propriedade. Espírito (Grande Otelo) é aquele personagem tão humano, incansável ao perseguir os seus sonhos, que até o instante final mantém a esperança viva e isso não é a exata representação do brasileiro? A identificação com o personagem se torna imediata, não tem como não simpatizar com a graça e desenvoltura dele, da mesma forma, é muito sensível lidar com as suas lutas, os seus sonhos interrompidos e é duro ver os rumos da história. A representatividade é um elemento muito forte, o filme é um fidedigno retrato do povo brasileiro e suas lutas.
Um grande filme com caráter realista, cruel como não podia deixar de ser pelo drama que está sendo contado, e muito atual apesar de ser um filme de 60 anos atrás. Isso torna tudo ainda mais difícil de ser digerido, pois mesmo se tratando de infortúnios tão pesados, a constatação de que muita coisa permanece igual é impactante. É o tipo de filme que desperta aquele sentimento de indignação, não tem como não se revoltar com tudo que está sendo retratado, com a luta de um povo que já sofre demais e mais uma vez é confrontado por um sistema que não dá nenhuma chance, nenhuma voz a eles.
O romance e a dinâmica entre o casal é bem fofo e agradável de acompanhar, e todas as nuances características da fatídica doença estão presentes, então, inevitavelmente o filme tem aquele viés triste. A presença de Andrew Garfield e Florence Pugh torna tudo melhor de ser assistido, eles são sempre muito eficientes em suas atuações e aqui sobem o nível do filme. O maior mérito do roteiro é equilibrar os momentos de romance, com alguns momentos engraçados e o drama melancólico, sem deixar o filme apelativo e excessivamente triste (como acontece nesse tipo de filme). Um bom filme para assistir em uma tarde chuvosa de um domingo preguiçoso.
Um filme leve e que ao mesmo tempo tenta levantar algumas reflexões, questões morais, mas sem se aprofundar, como se o próprio filme não se levasse à sério. O que vale aqui é a jornada de acompanhar o dilema da personagem Cecile (Brigitte Bardot) e vê-la perdida em si mesma, e posteriormente, em seus desejos e paixões. Os figurinos, ambientação, trilha sonora são outros pontos positivos e tornam melhor a experiência de ver o filme. No mais, Brigitte Bardot com uma beleza estonteante. Só acho que a dinâmica entre o casal de amantes poderia ser melhor trabalhada e o filme se tornaria mais envolvente.
Um retrato da realidade da classe operária brasileira e todos os seus infortúnios. Impossível assistir e não sentir aquele sentimento de revolta, indignação e até uma repulsa por ver escancarado como o sistema funciona e como isso afeta no cotidiano de tantas pessoas, e vai minando com a decência do ser humano, em todas as esferas. O elenco é um capítulo positivo à parte, todos aqui extremamente competentes. O filme pode ser considerado uma verdadeira denúncia da precariedade do trabalho operário no Brasil, da exploração dessa classe, da corrupção em vários aspectos, do famoso "jeitinho" para se resolver esses problemas, da impunidade geral. O pior de tudo é saber que isso continua acontecendo todos os dias no nosso país, sem perspectiva de melhora.
O tipo de filme que assim que começa já dá para saber como termina e o plot twist não é lá um grande mistério, pelo contrário, é facilmente dedutível. Ainda sim o filme serve como passatempo, entrega alguns bons momentos e o maior ponto positivo são as atuações dos envolvidos.
Um filme importantíssimo por mostrar uma realidade absolutamente cruel, que todos sabemos que existe, mas que insiste em ser escondida, varrida para debaixo do tapete. O mais cruel de toda a história é saber que essa realidade assola milhares de crianças e adolescentes, que sofrem uma agonia sem fim com uma vida onde todos que deviam resguardar pela sua segurança fecham os olhos para tanto sofrimento, isso começando por dentro de casa. O filme é muito bem conduzido, poderia ser apelativo, mas vemos que tem um certo cuidado para não ser explícito, não tenta chocar a qualquer custo, e com isso se constrói um clima de tensão e agonia que chega a ser claustrofóbico de acompanhar. O elenco está pontual, todos entregam muito nos momentos necessários, mas não tem como não destacar a atuação de Jamilli Correa, o trabalho dessa menina é admirável. No fim, fica aquela sensação de soco no estômago, quando algo monstruoso assim acontece significa que todos falhamos como sociedade, é uma falha de toda humanidade.
O charme único das comédias românticas dos anos 90 é algo tão apaixonante e encantador. Nesse filme em particular ainda temos toda uma nostalgia causada pela tecnologia da época, com um toque de saudosismo pelas livrarias aconchegantes, pelos livros físicos e pela completa falta do imediatismo frio que domina o mundo atualmente. Na trama os personagens dos (sempre) ótimos Meg Ryan e Tom Hanks se conectam de uma forma peculiar para a época, através de uma troca de mensagens online e nasce um sentimento intrigante para ambos, que eles mesmos buscam entender. Eles conversam com certa leveza, se aconselham, se consolam, se frustram também (nem tudo são flores), mas sempre se entendem e sempre dão risadas um com o outro. Como é possível criar uma conexão tão profunda com alguém de forma 100% online? Uma conexão mais profunda do que a conexão com as pessoas à sua volta, até mesmo com quem se divide a vida ou um relacionamento, e aos poucos eles vão se dando conta disso, de que ali existe um sentimento maior. Em um momento ela diz a ele: “Eu não ouço nada, nenhum som nas ruas, só as batidas do meu próprio coração”. E tal frase é dita para descrever a emoção de receber uma mensagem dele, algo forte. Eles são diferentes em muitos aspectos, mas aos poucos um vai trazendo clareza para o outro, compartilhando e mudando suas visões de mundo e eles vão evoluindo, crescendo juntos e é algo muito legal de se ver. Essa é a parte do filme mais envolvente e é muito gracioso como tudo se desenvolve. A dinâmica entre os protagonistas é divertida e se torna tão fácil torcer por um final feliz entre eles. No fim, é muito claro que apesar de todos os demais fatores da vida, eles estavam destinados um ao outro. Afinal, encontrar alguém on-line, entre milhões de pessoas que utilizam a internet todos os dias, é realmente coisa totalmente do destino.
“O estranho nessa forma de comunicação é que é mais fácil falar sobre nada do que sobre alguma coisa. Eu só queria dizer que todo esse nada tem significado mais pra mim do que muitas algumas coisas.”
Assistido novamente em 12 de setembro de 2026. Nota: 7/10
Um suspense psicológico que entrega uma trama muito arrastada, que não engrena em momento algum e acaba sendo difícil de acompanhar até o final. Aos poucos a história vai se revelando, mas sem muito esforço é possível deduzir todos os caminhos do filme, e isso atrapalha muito se envolver no suposto suspense. Sarah Snook parece entregar o mesmo trabalho que fez na recente série “All Her Fault”, então quem a viu por lá, vai enxergar a mesma personagem.
Um Dia Muito Especial
4.4 95O filme já começa denso, contextualizando o cenário político e social em que a história se passa, e isso já é muito importante, pois toda a angústia e aflição dos personagens refletem esse aspecto.
São dois personagens completamente infelizes, cada um a sua forma e pelos seus próprios motivos, e se encontram de uma maneira única, perdidos em uma solitude melancólica, conseguem construir algo que destoa de todo o cenário que os envolve como pessoas.
Sophia Loren e Marcello Mastroianni em atuações exemplares, a entrega de ambos a seus personagens é admirável.
E que beleza Sophia Loren carrega, mesmo aqui esse ponto não sendo destacado e a sua personagem o tempo todo transmitindo uma angústia muito aflorada, ainda sim a atriz encanta.
O filme tem uma história simples, mas muito impactante. Acredito que deveria receber mais reconhecimento, afinal são histórias como essa que se tornam verdadeiros relatos de um cenário histórico que não deve ser esquecido.
"Acabamos sempre nos adaptando à mentalidade dos outros. Mesmo quando estão errados."
Política e socialmente falando isso era um perigo na época em que o filme se passa e permanece sendo perigosos ainda hoje.
Assistido em 29 de setembro de 2026
Nota: 8/10
Diário de uma Paixão
4.1 2,7K Assista AgoraÉ aquele tipo de romance bem meloso, com cenas feitas sob medida para tentar emocionar ou deixar o público suspirando, e funciona em muitos momentos, mesmo nessas cenas completamente piegas.
Um dos méritos do filme é a formidável dupla formada por Rachel McAdams e Ryan Gosling, é animador vê-los em cena e são facilmente identificáveis como um casal apaixonado.
O filme relata aquele amor (a princípio) fugaz que resiste ao tempo, a novos amores, resiste a própria vida que simplesmente seguiu acontecendo, e que deixou em ambos resquícios de um sentimento maior.
Mesmo com o afastamento que durou anos, eles nunca se esqueceram, sempre lembravam um do outro em certos momentos, sempre permaneceu entre eles o “e se”, de quando a vida toma um rumo completamente diferente do que foi esperado.
A forma como um volta para a vida do outro é muito legal de ver, existe um certo desconcerto e curiosidade, lembranças, recordações, de certa forma, eles se chamaram para esse reencontro. Como ele diz em dado momento: “Não tinha terminado, ainda não terminou…”.
O final é forçadamente emotivo, mas condizente com todo o tom melodramático do filme.
Assistindo novamente em 29 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
Atraídos pelo Destino
2.9 21O filme é absolutamente clichê, em cada cena, ato, diálogo.
Nada empolga aqui, o romance não empolga e as poucas cenas de ação não animam.
Não serve muito nem como passatempo.
Assistido em 27 de setembro de 2026.
Nota: 3/10
Pixote: A Lei do Mais Fraco
4.0 501Que filme difícil de se assistir, com cenas muito pesadas, retrata uma realidade que todos sabemos que existe, mas muitas vezes é visto de certa distância e quando escancarado assim é realmente doloroso, amargo, sendo impossível não se revoltar com o que acontece na nossa sociedade.
Pois o filme é acima de tudo um recorte do retrato social que assola milhares de crianças no nosso país que foram abandonadas de todas as formas possíveis (pais, família, Estado) sem acesso a condições que resguardam o mínimo de dignidade (saúde, educação, moradia), é um problema real que há décadas é totalmente ignorado, e talvez o mais arrasador no filme seja isso, saber que 40 anos depois nada mudou.
É um problema que precisa ser resolvido da origem, é um ciclo destrutivo social, cujas consequências só se agravam, e o filme retrata tudo com uma propriedade ímpar.
A forma como o filme se apresenta é quase documental, e é desanimador ver como o próximo ato, o próximo momento da vida de Pixote (Fernando Ramos) é pior que o anterior, é uma vivência da qual não se tem fuga, atalho, esperança.
Aliás, saber o que aconteceu com o ator alguns anos após o filme é a demonstração prática e viva da realidade mostrada no filme. Devastador.
Assistido em 27 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Monstro (4ª Temporada) - A História de Lizzie Borden
3.3 70 Assista AgoraDepois de duas boas temporadas e uma terceira temporada já enfraquecida, a quarta temporada da saga “Monsters” desperdiça a oportunidade de voltar a algo mais impactante.
Pode ser pela escolha do monstro da vez, acho que a história de Lizzie Borden não tem a força necessária para carregar uma temporada inteira e a prova disso é a sensação de que 2 episódios a menos seria melhor, fora que os episódios são longos e a tornam enfadonha.
E ainda pode ser por algumas escolhas que não caíram bem, dá para entender o grotesco como elemento na trama, mas acaba sendo de mal gosto em vários momentos.
A série tem muitos momentos fantasiosos, algo que já tinha acontecido na temporada anterior e tinha sido alvo de críticas, talvez por isso aqui acontece de maneira mais contida, mas ainda sim chega a incomodar.
O elenco talvez seja o melhor dessa temporada, todos estão bem em seus papéis e carregam a trama com tudo o que ela exige.
Sarah Paulson está assustadoramente perfeita interpretando Aileen Wuornos, facilmente roubando a cena e ofuscando a personagem protagonista. É o ponto alto da temporada.
Fica a questão, talvez teria sido melhor a temporada ter abordado essa história ao invés de uma história mais fraca e menos impactante como a de Lizzie Borden.
Série finalizada em 26 de setembro de 2026.
Nota: 6/10
Operação Lioness (3ª Temporada)
3.9 10 Assista AgoraA terceira temporada mantém um bom desenvolvimento, não perde o ritmo e apresenta uma trama com certa complexidade que vai se desenrolando muito bem.
A cada episódio a tensão é crescente, e por mais que em alguns momentos caia em clichês previsíveis desse tipo de história, consegue voltar para os trilhos quando necessário.
O elenco recheado de nomes famosos e competentes entregam o que precisam, mas sem muito destaque.
No fim, fica a sensação de que a série ainda tem fôlego para novas temporadas e poderiam arriscar ainda mais, seria bom se apostassem em temas ainda mais complexos.
Temporada finalizada em 26 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
Cabrini
3.8 23Um filme comovente que conta um pouco da história de Santa Francisca Xavier Cabrini e demonstra toda a sua força, dedicação, luta, e uma busca incessante de ajudar o próximo, com um olhar muito humano para o outro.
É sempre inspirador conhecer a história de pessoas que dedicam a vida a uma causa maior, é de fato algo admirável.
Como não podia deixar de ser, o filme além de trabalhar com uma comoção muito forte, também trás sentimentos de repulsa e raiva de um sistema que sempre foi fortalecido para menosprezar os mais necessitados, e a esperança de que pessoas como Cabrini, que enfrentou esse sistema com muita bravura, lute todos os dias é renovador de uma fé que por vezes fica esquecida, uma fé na própria humanidade.
Assistido em 26 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
Fome Animal
3.9 900É trash, é divertido, é gore, é absurdo em alguns momentos, mas é o absurdo que surpreende, do tipo em que nós faz perguntar: “o que é isso que estou vendo em tela?”, e por tudo isso, é muito bom.
Eu esperava algo do filme, mas ele entregou mais, e foi hilário de acompanhar em certas cenas.
Um filme que não se faz mais hoje em dia e se fosse feito algo do tipo não ficaria tão bom.
Assistido em 25 de setembro de 2026.
Nota: 7:10
Farha
3.7 18Um filme absolutamente difícil de ser assistido pela inquietação e brutalidade retratados que desperta uma sensação crescente de desconforto e soco no estômago, chega a ser sufocante em certos momentos.
O mais difícil de ser encarado aqui é saber que essa é uma entre tantas histórias que representam muito mais aspectos de uma guerra, onde se perde tudo mais intimamente, como os sonhos, a esperança, e no caso retratado, se perde a vida mesmo ainda em vida.
O tempo todo se tem a certeza de que esse filme é muito corajoso, e é esmagador ver como às vezes algo tão comum a nossas vidas representa um sonho inalcançável para outros.
É bom destacar que apesar do tema difícil o filme não se torna apelativo em nenhum momento, não tem cenas gratuitas na tentativa de chocar, a história por si só já é assustadoramente chocante, e nesse aspecto o filme é muito bem conduzido.
Um filme, de fato, devastador.
Assistido em 24 de setembro de 2026.
Nota: 10/10
A Hora da Estrela
3.9 607 Assista AgoraO principal ponto a destacar nesse filme é como é comovente a ingenuidade da personagem de Macabéa, vivida por Marcélia Cartaxo que dá um tom muito tristonho ao personagem, uma atuação que tem força na simplicidade.
Com o desenrolar do filme já se torna esperado que a personagem irá sofrer em algum momento, pois sabemos que a vida é difícil, e com pessoas tão ingênuas assim tudo é ainda pior, pois a crueldade e dureza da vida não perdoa.
Nesse sentido, a vulnerabilidade da personagem em todos os quesitos desperta uma sensação de querer protegê-la da maldade do mundo e das pessoas. E a vulnerabilidade aqui não é apenas financeira, da vida precária, é de todo o contexto social, da falta de conhecimento de si própria e da vida, de sentimentos, de inspiração, de sonhos, é uma personagem alheia de si mesmo e de tudo à sua volta.
"Eu acho que sou alguma coisa.
Mas pelo menos sabe que se chama Macabéa.
Mas eu não sei o que é que tem dentro do meu nome".
Esse pequeno diálogo estampa totalmente essa falta de identidade e de percepção dela, o que foi reforçado pelo tratamento que sempre teve das pessoas ao seu redor, ela nunca foi vista por ninguém e o pior de tudo, nem por ela mesma.
No mais, José Dumont interpreta um personagem detestável. O resto do elenco sem destaque.
É o tipo de filme do cinema nacional que retrata muito bem uma (entre tantas) realidades duras do povo brasileiro, o que sempre é triste de ser assistido.
Assistido em 23 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
Mesmo se Nada der Certo
4.0 1,9K Assista AgoraEsse filme tem muitos elementos que me cativam e o torna um dos meus favoritos.
O primeiro deles é a forma como a música é algo essencial aqui, sendo um personagem tão importante quanto os protagonistas, e deixa o filme vivo de muitas maneiras.
Desde os momentos de criação e a forma como eles compartilham suas playlists para se conhecerem melhor (realmente dá para conhecer muito de uma pessoa pelo o que ela escuta), até o jeito como a música é descrita por ambos, como sendo algo muito maior que qualquer apelo comercial.
“É isso que eu amo na música. Uma das cenas mais banais, de repente, ganha um significado enorme.” Isso vale para filmes, vale para a vida.
Quantos momentos simples se tornam ainda mais especiais quando embalados por uma música que toca lá na alma, com versos cheios de significados para quem escuta.
Quantas pessoas se tornam ainda mais especiais ao compartilhar músicas que representam não só o mesmo gosto musical, mas visões similares de enxergar a vida, sonhos, desejos em comum.
Em tempos onde tudo o que realmente importa está banalizado, encontrar alguém com essa visão da música é emocionante.
O destino aqui também funciona como um elemento forte do filme, principalmente a forma como um entra na vida do outro e como tudo vai se desenrolado de maneira tão despretensiosa e tão valiosa ao mesmo tempo.
Ambos os personagens protagonistas estão perdidos em suas vidas depois de dolorosas desilusões e simplesmente deixam o destino agir para curar as feridas, se encontrarem
novamente e seguir em frente, aliás, estão maravilhosamente bem interpretados por Mark Ruffalo e Keira Knightley, com uma sincronia muito envolvente.
Nesse ponto ainda vale destacar que o filme foge do clichê de tentar forçar um romance entre eles, em um momento ou outro até parece que irá por esse caminho, mas tudo acontece com muita naturalidade e a relação deles simplesmente não desenvolve para esse lado, e ainda sim permanece ali um sentimento forte.
Novamente é o destino agindo, às vezes duas pessoas estão destinadas a se conhecer, a se amar, e a seguirem caminhos separados. Algo que não é de fácil compreensão.
Outro elemento importante e talvez o que funcione melhor no filme é a melancolia enraizada em cada cena, nos diálogos, nas interações, nas músicas, na ambientação, no roteiro em si,
toda a atmosfera do filme é melancólica, e o final ao som de “Lost Stars”, onde a personagem Gretta simplesmente sai em busca do próprio caminho traz um sentimento inexplicável.
Aliás, em meio a tantas músicas apresentadas no filme, “Lost Stars” tem todo o destaque e representa muito bem o roteiro e as dores dos personagens, se torna facilmente uma
música para se levar para a vida, mas eu ainda destaco outra que sempre é dolorosa de ouvir, “Like a Fool”, impossível não ter empatia pela dor da personagem de Keira Knightley
aqui, afinal, todas não fomos tolas em algum momento, em algum relacionamento na vida? Amando em uma via de mão única, insistindo em algo já findado. Ou até mesmo se entregando a um sentimento novo, confiando unicamente no destino de que tudo dará certo. A “tolice” aqui pode ser uma certa ingenuidade ou uma fé inabalável na vida, é interpretativo de diversas formas. “And I have loved you like a fool (E eu te amei como uma tola)”.
Esse filme é daqueles que ficam na memória, com uma trilha sonora envolvente, é o tipo de filme gostoso de assistir, que desde o primeiro minuto já prende a atenção e segue assim até o final, cativando a cada cena. E no fim, fica a reflexão:
“But are we all lost stars trying to light up the dark?”
(Mas será que somos todos estrelas perdidas tentando iluminar a escuridão?)
Assistido novamente em 23 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Um Lugar Chamado Notting Hill
3.6 1,4K Assista AgoraComédia romântica do fim dos anos 90 que ainda carrega a nostalgia dessa época, conta uma história que possui muita leveza, alguns momentos de comicidade, com graça e desenvoltura nas situações muito bem representadas pelo casal protagonista.
Aqui, aliás, o mérito pertence muito a eles, Julia Roberts e Hugh Grant que estavam em uma fase de alta na carreira e nesse auge se encontram em uma dinâmica muito boa de se assistir, e a construção dos personagens também são muito assertivas, pois são personagens cheios de falhas, com defeitos que muito vezes os afastam, mas que ambos buscam uma evolução, maturidade e em meio disso, se encontram e se ajudam de formas diferentes.
O primeiro ponto que chama a atenção no romance é que se trata de um completo caso da obra do destino e como de certa forma passam a estar conectados, pois apesar dos desencontros (que acontecem muito por causa dela), eles sempre voltavam a se encontrar, algo sempre chamava um para o outro.
Nos momentos desses desencontros ambos sofrem, porque querem ter o outro junto, perto, e nesse ponto o sofrimento dele é mais retratado na história, e a melancolia toma conta do personagem e do filme, com um visual que torna isso muito palpável.
A trilha sonora desse filme é muito encantadora, com músicas belíssimas, mas a emblemática e inesquecível “She”, de Elvis Costello é geralmente a mais lembrada quando se pensa nesse filme, e merece o reconhecimento.
Mas também destaco “Ain't No Sunshine", de Bill Whiters, que se encaixa perfeitamente na trama, e toca especificamente em um momento de passagem de tempo que estampa a melancolia, a solidão, a tristeza do personagem de Hugh Grant por não ter a amada por perto.
“O Sol não brilha quando ela vai embora
E ela sempre demora tanto para voltar
Cada vez que ela se vai
Me pergunto para onde ela foi desta vez”
Esses versos são tocantes e totalmente condizentes com a atmosfera do filme e dos momentos em que os personagens estão distantes.
Não tem como não destacar a clássica frase dita pela personagem de Julia Roberts:
“Não esqueça que eu sou apenas uma mulher, parada na frente de um homem pedindo a ele para amá-la!”
Entre erros, desencontros e escolhas, no fim temos aqui toda a fragilidade dela, que apenas quer ser amada como sonha e merece.
Também destaco o singelo diálogo entre eles, que diz tudo o que eles sempre quiseram dizer, desde o primeiro encontro:
“Posso ficar mais um pouco?
Fique pra sempre”
Ela sempre quis ficar, ele sempre quis que ela ficasse, isso deveria ser tudo o que importa, mas às vezes o entorno da vida atrapalha demais um romance de acontecer.
Assistido novamente em 22 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Morte e Mistério na Amazônia
3.9 5Um bom documentário, consegue explanar bem toda a situação e toda a investigação jornalística que foi feita a longo de anos dessa história, que é no mínimo, bizarra.
Eu desconhecia totalmente esses casos e a existência desse ser na Amazônia, mais ainda,
os mistérios que o envolviam e os crimes ligados à ele, e é realmente tudo muito intrigante.
Tem muitas perguntas não respondidas, muitos segredos, coisas ocultas nessa trama (e nem falo de cidades perdidas), que não tem como não se indignar com todo o ocorrido.
O mais surpreendente é Tatunca Nara vivendo como se nada tivesse acontecido, completamente impune, e na entrevista dele chega a ser repugnante o seu comportamento, como se fosse alheio à tudo o que aconteceu.
No mais, a incompetência da Justiça Brasileira em todas as esferas não tem limites.
Assistido em 22 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
O Céu de Suely
3.9 487 Assista AgoraEstou em uma jornada pelo cinema nacional e nessa jornada sigo descobrindo e redescobrindo grandes e tocantes filmes que retratam o povo brasileiro de maneiras inigualáveis e cuja representatividade de um povo grita em cada cena.
E é gratificante ver como o cinema nacional sempre pode ser mais, pode emocionar de uma forma bem singular, quase sempre com uma verdade dura sendo escancarada, algo de fácil identificação.
Esse é mais um exemplo de um filme que se encaixa nessa descrição, com muita simplicidade vai envolvendo, vai deixando o seu impacto, é o comum do dia-a-dia de muitas pessoas que passam por situações similares na vida que torna tudo tão difícil de ser digerido.
O elenco é feito de escolhas bem assertivas, todos entregam tudo o que podem em cena.
Todos os demais elementos do filme trabalham para entregar essa identificação nacional, como a trilha sonora e o visual regionalizado, e tudo compõe um cenário com o mesmo impacto da história.
No geral, um filme que fica na memória e difícil de ser esquecido.
Assistido em 18 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Encontros e Desencontros
3.8 1,8KEncontros e Desencontros é aquele tipo de filme marcante, que você faz conexão com a própria vida e leva consigo alguns pensamentos após assistir e inevitavelmente gera uma identidade com muitos momentos ali retratados.
O clima do filme torna tudo mais melancólico, para além da melancolia dos personagens, a ambientação, o clima sempre chuvoso, a paleta de cores, a trilha sonora, tudo ajuda a compor um sentimento de tristeza que está presente na atmosfera geral do filme.
O encontro entre os personagens é algo absolutamente do destino, porque eles se enxergam melhor do que quem está à volta deles os enxerga, e surge uma conexão inexplicável, em meio a tantas idas e vindas, pessoas e compromissos, eles reconhecem no outro sentimentos que compartilham sem saber, principalmente o vazio existencial na vida deles, e assim, se reconhecem em uma amplitude de tantas outras emoções e sensações.
O filme tem muitas cenas contemplativas no silêncio, aquele silêncio inquietante, porque nenhum deles está confortável com suas vidas e em muitos momentos até com si mesmos.
Nesse ponto também é interessante porque o filme mergulha em um sentimento de angústia, que mostra que os personagens se encontram um no outro, mas também mergulham neles mesmos, buscando se reconhecer em meio à constatação de estarem perdidos e sozinhos em sua própria vida.
A direção de Sofia Coppola é absurdamente competente aqui, porque a forma como o filme transmite todo esse sentimento e sensações é algo único, e talvez quando assistido pela segunda ou terceira vez se torna ainda mais latente a mensagem do filme, e fica mais identificável a conexão com todo o sentimentalismo trabalhado na história.
"Quanto mais você sabe quem você é e o que quer, menos deixa que as coisas o aborreçam."
Assistido novamente em 16 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Rio, Zona Norte
4.2 72Um filme com uma simplicidade grandiosa, sendo impossível não se admirar e se emocionar.
A música tem uma presença muito importante aqui, faz parte da narrativa, dos sonhos do protagonista, da própria história e envolve a trama com muita força e propriedade.
Espírito (Grande Otelo) é aquele personagem tão humano, incansável ao perseguir os seus sonhos, que até o instante final mantém a esperança viva e isso não é a exata representação do brasileiro?
A identificação com o personagem se torna imediata, não tem como não simpatizar com a graça e desenvoltura dele, da mesma forma, é muito sensível lidar com as suas lutas, os seus sonhos interrompidos e é duro ver os rumos da história.
A representatividade é um elemento muito forte, o filme é um fidedigno retrato do povo brasileiro e suas lutas.
Assistido em 15 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Os Fuzis
4.1 79Um grande filme com caráter realista, cruel como não podia deixar de ser pelo drama que está sendo contado, e muito atual apesar de ser um filme de 60 anos atrás.
Isso torna tudo ainda mais difícil de ser digerido, pois mesmo se tratando de infortúnios tão pesados, a constatação de que muita coisa permanece igual é impactante.
É o tipo de filme que desperta aquele sentimento de indignação, não tem como não se revoltar com tudo que está sendo retratado, com a luta de um povo que já sofre demais e mais uma vez é confrontado por um sistema que não dá nenhuma chance, nenhuma voz a eles.
Assistido em 14 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Todo Tempo Que Temos
3.4 177 Assista AgoraO romance e a dinâmica entre o casal é bem fofo e agradável de acompanhar, e todas as nuances características da fatídica doença estão presentes, então, inevitavelmente o filme tem aquele viés triste.
A presença de Andrew Garfield e Florence Pugh torna tudo melhor de ser assistido, eles são sempre muito eficientes em suas atuações e aqui sobem o nível do filme.
O maior mérito do roteiro é equilibrar os momentos de romance, com alguns momentos engraçados e o drama melancólico, sem deixar o filme apelativo e excessivamente triste (como acontece nesse tipo de filme).
Um bom filme para assistir em uma tarde chuvosa de um domingo preguiçoso.
Assistido em 13 de setembro de 2026.
Nota: 6/10
Eu Sou o Amor
3.3 11 Assista AgoraUm filme leve e que ao mesmo tempo tenta levantar algumas reflexões, questões morais, mas sem se aprofundar, como se o próprio filme não se levasse à sério.
O que vale aqui é a jornada de acompanhar o dilema da personagem Cecile (Brigitte Bardot) e vê-la perdida em si mesma, e posteriormente, em seus desejos e paixões.
Os figurinos, ambientação, trilha sonora são outros pontos positivos e tornam melhor a experiência de ver o filme.
No mais, Brigitte Bardot com uma beleza estonteante.
Só acho que a dinâmica entre o casal de amantes poderia ser melhor trabalhada e o filme se tornaria mais envolvente.
Assistido em 13 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
A Queda
4.1 22Um retrato da realidade da classe operária brasileira e todos os seus infortúnios.
Impossível assistir e não sentir aquele sentimento de revolta, indignação e até uma repulsa por ver escancarado como o sistema funciona e como isso afeta no cotidiano de tantas pessoas, e vai minando com a decência do ser humano, em todas as esferas.
O elenco é um capítulo positivo à parte, todos aqui extremamente competentes.
O filme pode ser considerado uma verdadeira denúncia da precariedade do trabalho operário no Brasil, da exploração dessa classe, da corrupção em vários aspectos, do famoso "jeitinho" para se resolver esses problemas, da impunidade geral.
O pior de tudo é saber que isso continua acontecendo todos os dias no nosso país, sem perspectiva de melhora.
Assistido em 13 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
A Empregada
3.4 668 Assista AgoraO tipo de filme que assim que começa já dá para saber como termina e o plot twist não é lá um grande mistério, pelo contrário, é facilmente dedutível.
Ainda sim o filme serve como passatempo, entrega alguns bons momentos e o maior ponto positivo são as atuações dos envolvidos.
Assistido em 13 de setembro de 2026.
Nota: 6/10
Manas
4.2 153 Assista AgoraUm filme importantíssimo por mostrar uma realidade absolutamente cruel, que todos sabemos que existe, mas que insiste em ser escondida, varrida para debaixo do tapete.
O mais cruel de toda a história é saber que essa realidade assola milhares de crianças e adolescentes, que sofrem uma agonia sem fim com uma vida onde todos que deviam resguardar pela sua segurança fecham os olhos para tanto sofrimento, isso começando por dentro de casa.
O filme é muito bem conduzido, poderia ser apelativo, mas vemos que tem um certo cuidado para não ser explícito, não tenta chocar a qualquer custo, e com isso se constrói um clima de tensão e agonia que chega a ser claustrofóbico de acompanhar.
O elenco está pontual, todos entregam muito nos momentos necessários, mas não tem como não destacar a atuação de Jamilli Correa, o trabalho dessa menina é admirável.
No fim, fica aquela sensação de soco no estômago, quando algo monstruoso assim acontece significa que todos falhamos como sociedade, é uma falha de toda humanidade.
Assistido em 12 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
Mens@gem Para Você
3.4 443 Assista AgoraO charme único das comédias românticas dos anos 90 é algo tão apaixonante e encantador.
Nesse filme em particular ainda temos toda uma nostalgia causada pela tecnologia da época, com um toque de saudosismo pelas livrarias aconchegantes, pelos livros físicos e pela completa falta do imediatismo frio que domina o mundo atualmente.
Na trama os personagens dos (sempre) ótimos Meg Ryan e Tom Hanks se conectam de uma forma peculiar para a época, através de uma troca de mensagens online e nasce um sentimento intrigante para ambos, que eles mesmos buscam entender.
Eles conversam com certa leveza, se aconselham, se consolam, se frustram também (nem tudo são flores), mas sempre se entendem e sempre dão risadas um com o outro.
Como é possível criar uma conexão tão profunda com alguém de forma 100% online?
Uma conexão mais profunda do que a conexão com as pessoas à sua volta, até mesmo com quem se divide a vida ou um relacionamento, e aos poucos eles vão se dando conta disso, de que ali existe um sentimento maior.
Em um momento ela diz a ele:
“Eu não ouço nada, nenhum som nas ruas, só as batidas do meu próprio coração”.
E tal frase é dita para descrever a emoção de receber uma mensagem dele, algo forte.
Eles são diferentes em muitos aspectos, mas aos poucos um vai trazendo clareza para o outro, compartilhando e mudando suas visões de mundo e eles vão evoluindo, crescendo juntos e é algo muito legal de se ver.
Essa é a parte do filme mais envolvente e é muito gracioso como tudo se desenvolve.
A dinâmica entre os protagonistas é divertida e se torna tão fácil torcer por um final feliz entre eles.
No fim, é muito claro que apesar de todos os demais fatores da vida, eles estavam destinados um ao outro.
Afinal, encontrar alguém on-line, entre milhões de pessoas que utilizam a internet todos os dias, é realmente coisa totalmente do destino.
“O estranho nessa forma de comunicação é que é mais fácil falar sobre nada do que sobre alguma coisa.
Eu só queria dizer que todo esse nada tem significado mais pra mim do que muitas algumas coisas.”
Assistido novamente em 12 de setembro de 2026.
Nota: 7/10
Foge, Coelho
2.5 64Um suspense psicológico que entrega uma trama muito arrastada, que não engrena em momento algum e acaba sendo difícil de acompanhar até o final.
Aos poucos a história vai se revelando, mas sem muito esforço é possível deduzir todos os caminhos do filme, e isso atrapalha muito se envolver no suposto suspense.
Sarah Snook parece entregar o mesmo trabalho que fez na recente série “All Her Fault”, então quem a viu por lá, vai enxergar a mesma personagem.
Assistido em 12 de setembro de 2026.
Nota: 4/10