Resolvi falar deste vídeo porque, recentemente, assisti ao documentário "The Light Bulb Conspiracy - A Conspiração da Lâmpada". Este último foi lançado em 2010 e deveria mostrar alguma evolução na discussão do tema, mas exceto pelo aprofundamento na questão da lâmpada e do destino ilegal do lixo eletrônico, o filme é um 'mais do mesmo'. Logo, para uma iniciação pragmática no assunto, "Story Of Stuff" é melhor. É um vídeo bastante executivo e criado para a internet, num tom meio 'vlog'. A relação com a animação e a sonoplastia são maravilhosas. Quem trabalha com palestras e exibição de slideshows vê neste vídeo uma obra de arte. Para quem procura algo mais emotivo/envolvente, a falta de trilha sonora e de uma melhor acuidade artística pode incomodar. O importante é que o vídeo faz um panorama coeso e com ótimo embasamento estatístico. O que torna a contrargumentação uma tarefa difícil, para não dizer impossível.
O que resta é uma conclusão bem amarga, porque assim como em outros documentários que abordam questões sociais em nível global, como Earthlings e Lixo Extraordinário, percebemos claramente o quanto somos cúmplices e agentes de processos autodestrutivos.
O curta é importante porque ele retrata, mesmo indiretamente, um movimento atual LGBT em relação à convivência familiar sem preconceitos. No caso, em relação à homossexualidade e irmãos.
Sob o ponto de vista social, o curta não tem uma proposta direcionada. Ou seja, não me parece ser esta a preocupação da obra, já que ela nos mostra um relacionamento praticamente 'hétero', como que para ser legitimada, uma família com parceiros homossexuais tivesse de receber o selo de família hegemônica, limpa, branca, saudável e bem de vida.
Ainda sob este ponto de vista social, não há, no roteiro, nenhuma força substancialmente contrária à convivência dos irmãos. Sem este gancho, o filme se centraliza no olhar de Lucas, o irmão menor. E, a meu ver, os desdobramentos da trama sob o olhar dele deveriam ser mais intensas, mais passionais.
O falecimento dos pais ocupa um espaço e força de reação muito inexpressivo para o curta. Esse dado mais parece ter o peso de uma viagem dos pais do que efetivamente um falecimento.
Stop Motion já merece algumas boas estrelas. Quando a arte tá maravilhosa e a história, planos, trilha, conclusão e ações são criativas e envolventes, o curta merece, então, a melhor avaliação possível. <3
É uma obra que segue bem o estilo Yu Yu Hakusho. O padrão de brigas motivadas por um "não vou te deixar passar". O ritmo das imagens e da sonoplastia também é tão dinâmico e agradável quanto o ritmo da obra completa. Até porque usaram as mesmas músicas, que são maravilhosas.
A caracterização de Garuga é interessante. Acho a personagem de Koashura muito pouco criativa no sentido de parecer um irmão de Koenma. O final com ele é um horror, mas a cena com Botan, Kuwabara e Yusuke é engraçada pelo bordão clássico.
Acho difícil comentar o próprio trabalho, mas vamos lá. A intenção principal era criar uma ironia mesmo. A contribuição da Wallace para a interpretação da música é muito peculiar e criativa. Nos surpreendemos bastante com o alcance desta criação.
Concebemos ela para o Show do Gongo de 2011 e ficamos em segundo lugar. No dia da estreia ocorreu uma discussão inédita neste evento porque muitos se revoltaram com o resultado e queriam que o "Oração" ficasse em primeiro lugar. Depois dessa estreia conturbada, inscrevemos ele com uma versão reduzida no festival de 3 minutos de Aracaju-SE e lá ele foi muito bem recebido e comentado. Ficou entre os finalistas também.
Por ineficiência nossa, não inscrevemos ele em outros festivais. Um dos motivos é o uso da canção, voz e imagens para as quais dificilmente conseguiríamos autorização.
Poucas obras tiveram a capacidade de mexer tanto comigo como esta. Não a tenho como favorita, mas seu impacto, não só pela cena ícone, é muito forte. É uma inspiração ímpar.
Muito bem executado. Que trabalhão! Achei mais interessante ainda por saber que o original, da década de 80, também usou stopmotion para fazer a decomposição dos zumbis. Lembro de ver isso em algum making of. Tentei procurar aqui pra rever, mas sem sucesso.
Vi este curta em 2005. Foi o primeiro vídeo que vi num site que, pouco tempo depois, tornou-se gigante: o Youtube. Lembro de ter mandado e-mails recomendando este e outros curtas para meus amigos. Eu estava fascinado pela ideia de não precisar mais baixar um filme para assisti-lo. Dois anos depois, o filme foi removido por conta da recomendação etária. Problemas com a popularização do serviço...
Encontrei o filme depois numa coletânea de curtas chamada Boys Briefs. Finalmente! Ele é muito bem feito e há poucos curtas tão interessantes quanto este.
Fiquei chocado, na verdade, com alguns comentários aqui. Tenho medo dessa defesa da higienização da sexualidade. É um campo tão subjetivo que promiscuidade será sempre um ponto de vista. Na minha opinião, alias, muito restrito.
A frase da sinopse "insatisfação comum a todo homossexual promíscuo de sua idade", reflete mais uma opinião do que uma informação sobre o curta. Ela pode ser até ressonante com o fato de que há pessoas que sequer viram o curta e resolveram comentar aqui sobre a 'promiscuidade' que, supostamente, há na obra. #bocejo
Gostei da associação com a água e a cor azul. Deixaram a fotografia muito bonita. Mas o curta é muito raso no roteiro, não me pegou na história, interpretação, edição e finalização.
A cena da banheira é muito interessante, mas há um corte para piscina, num estilo onírico, que depois volta pra banheira. Esse retorno foi um desastre, completamente desnecessário. As falas dentro da água também ficaram horríveis, quase uma comédia. O final coerente com a obra como um todo; previsível e tedioso.
Na minha escola, havia uma parafernalha-carrinho com TV e um VHs presos, que era levado de sala em sala. Um horror. Revi o curta hoje e lembrei do quanto ele é repetitivo e irritante na definição cíclica redundante de cada item retratado. Ok que isso é a alma do curta, que tem um roteiro muito interessante e criativo, mas é irritante.
Por muito tempo guardei a impressão de que havia algo forçado no cerne da história. Não que não pudesse ser real, mas que tudo parecia tão bem acertado para poder funcionar, impressionar que eu já alimentava dúvidas desde a primeira vez que assisti. Dúvidas sobre a existência do local. Dúvidas sobre a identidade daquelas pessoas. Dúvidas sobre o quanto o curta enquanto denúncia foi capaz de sanar aquela situação. Obviamente, frustração que guardei comigo por muito tempo. Até porque o filme é mesmo muito paradoxal nas afirmações de abertura e créditos e lamento muito pela professora não ter elucidado isso quando passou o filme para minha turma. Teria me poupado de ficar com essa sensação estranha que o filme provocou.
Aqui, ao ler os comentários, me deparei com o link para o documentário "Ilha das Flores: depois que a sessão acabou" youtu.be/Ch-LIsnG9Wc e, em termos de jornalismo e investigação, me senti atendido nas minhas expectativas. Agora consigo me perguntar com firmeza se a criatividade não tinha sido suficiente para criar um nome fictício para o local, já que só 'o resto é verdade'.
Um curta fictício, que se diz 'real', onde alguns humanos de um local real são tratados como resto e com resto. Se eu me coloco no lugar daquelas pessoas, ficaria tão ou mais revoltado com a difusão da obra. Se o curta fosse produzido hoje, felizmente as pessoas teriam mais recursos para que suas expressões não fossem ocultadas e desconsideradas de forma tão evidente como a que parece ter sido.
Eu ainda não assisti ao filme. Acho melhor, pois assim consigo falar do curta sem ficar contaminado. Revi o curta hoje para poder escrever melhor, mas continuo sem ter nenhuma crítica negativa. Vejo cuidado em tudo. Do roteiro à pós-produção. Afinal de contas, o curta é bastante popular. Fico feliz quando uma obra bem feita, e sem gafes ou erros na abordagem, são difundidas desta forma.
O envolvimento deles num relacionamento amoroso tem um início muito pouco elaborado. A construção da ideia de suicídio também é muito pouco estruturada. A primeira referência que há é no próprio cinema, onde o romance começou e, apesar de conectar, não é suficiente para tornar-se um símbolo da entrega de ambos ao amor.
Mesmo assim, gosto do curta retratar uma relação incestuosa porque isso já está fora do olhar preconceituoso da nossa sociedade. Mas fico reflexivo quanto aos comentários de alguns que afirmaram que o suicídio foi uma espécie de reafirmação do preconceito. Penso que é possível ter tanto essa interpretação, onde a morte é chave para aquilo que não pode/deve/consegue existir, quanto a de que a vida em sociedade é pior que a própria morte. Neste último sentido, a morte poderia significar uma eternização e uma liberdade no amor que não pôde se concretizar plenamente em vida.
Não creio ser possível chegar a essa conclusão, nem à outra, tendo o curta como base porque ele é muito raso nesta discussão.
Quando eu li a primeira notícia sobre o "Do Começo ao Fim", eu já tinha visto este curta e também fiquei com a impressão de que houve alguma inspiração.
Não cheguei a me emocionar como a maioria das pessoas aqui, mas acho inegável o fato do curta promover, ou pelo menos inspirar, o respeito e a amizade. Já vi tantas obras com este propósito falharem categoricamente...
É muito bonito, criativo e bem finalizado. Não poderia ser menos em função da associação com o filme. E por isso mesmo, não creio que o curta valha sozinho.
Esse curta parece mais curto do que realmente é. Penso que isso se deve à fluidez do diálogo, que faz o tempo passar sem que percebamos. O curta é poderoso na simplicidade de muitos pontos como; locação, duração, intenção das falas, título e cortes. Em contraponto à simplicidade, toca em algo mais profundo. Será que temos tratado nossos sentimentos e afetos com menosprezo, simplicidade e receio?
Lembro de ter ficado feliz quando li a notícia de que este curta foi premiado na Alemanha pelo Teddy Award. Acho merecido.
Gosto do curta porque ele tem clima, cores e trilhas que me agradam. Adoro a referência ao Café da Manhã por conta de uma associação biográfica minha. Sempre após as baladas, aprecio um bom café da manhã com amigos. Muitas vezes, o café é a nossa meta inicial antes mesmo de sairmos. Mas o problema do curta, pra mim, é que
na balada o Til não demonstra motivos convincentes para deixar Boris sozinho.
A partir daí o curta perde força e sentido por completo. As personagens não decolam e qualquer solução ficaria muito ineficiente. Mas gosto da primeira parte e apreciei demais o cuidado com o áudio e trilhas.
Finalmente vi este curta. Não o vi nas diversas oportunidades que tive e agora ele está no Porta Curtas. Que maravilhoso. A ironia com o certificado é tão esdrúxula quanto o olhar da maioria das pessoas sobre gêneros. Fico feliz quando pessoas reconhecidas, como Laerte, desconstroem nossas muralhas de ignorância. Eu acredito que o entendimento do próprio Laerte acerca da pluralidade e subjetividade das pessoas mudou bastante nos últimos tempos.
O curta é uma espécie de registro deste momento tão especial na discussão sobre identidade, gênero e respeito. Ele está muito bem trabalhado e tem o poder de saltar da tela e provocar movimento.
Que delíciaaaaaaa. Miojo com filme pornográfico heterossexual e uma miscelânea de trilhas. É a minha cara também. Adoray. Gosto destas propostas avançadas, pouco convencionais, porque são as que mais me atravessam. Há cenas que terão novas associações a cada vez que eu assistir. O apêndice é esplêndido. Adoro apêndices (artísticos, obviamente). O uso dos objetos está muito bem elaborado.
O ritmo das imagens, muitas vezes, destoam bastante do ritmo proposto pela troca frenética de canções. A trilha está apenas no canal esquerdo. De qualquer modo, gostei da ideia e da execução também. Li nos comentários aqui a relação autobiográfica e fiquei encantado. São informações que deixam o curta ainda mais interessante e hilário.
Me lembrou, de certa forma, de um curta de Sandra Werneck chamado "Pornografia" de 1992, que há poucos anos foi disponibilizado pelo Porta Curtas.
Sim, é uma animação muito bonita, muito peculiar na estética, bem feita, a trilha é envolvente... Até porque, numa obra sem diálogos, se a trilha (ou o silêncio) não envolver, é melhor nem continuar a assistir. É, também, sucinto e transmite muitas sensações, possibilidades e histórias. A própria opção de evitar o diálogo é muito boa, pois vivemos a era da velocidade e da verbalização e destoar disso é louvável. Mas o curta também é triste. Triste porque muitas obras que falam da velhice apelam pelo saudosismo, melancolia, solidão e falta de perspectiva. Coisas que não são atributos exclusivos das pessoas idosas.O importante disso, talvez, seja despertar no espectador exatamente o oposto da reafirmação: a de que precisamos sempre tratar a velhice não apenas com respeito, mas com carinho, afeto e, principalmente, com a nossa companhia.
Desde tempos imemoriais, os humanos temem a morte solitária, de modo que, às vezes, é difícil distinguir se temos medo de morrer ou, apenas, de ficarmos sozinhos. A animação é eficaz em retratar esse sentimento de abandono, mas não sugere alternativas fora das lembranças. Este assunto, bem como a referência ecológica, são literalmente(!) ilustrativos.
Li muitos comentários, aqui e no youtube, que exaltam a simplicidade do curta. Penso que o que causa esta sensação é o fato do roteiro estar muito bem fechado. Quando os fatos e os diálogos estão numa sequência bem resolvida, o tempo nem parece passar. Ao fim, o curta parece mais curto do que realmente é. De tão fugaz, a discussão sobre verossimilhança sai correndo. Talvez, por isso mesmo, o curta seja tão bem resolvido e adorável.
O viaduto que aparece no filme é muito semelhante ao da Av. 9 de Julho de São Paulo e isso me tocou. Imaginei que era lá, inclusive. A fantasia dentro do curta é muito atrativa. Aquela sensação de que tudo é possível.
A aproximação com a morte e a dinâmica entre salto do trampolim e salto do viaduto foi uma combinação incrível. O tom azulado da piscina durante todo o filme é um pouco incomodo, mas sugere uma espécie de afogamento. A performance da menina, caída sob o asfalto com um bilhete suicida de tempos passados foi ótima. Me diverti com isso. Achei que a relação da protagonista com o professor de mergulho foi muito pouco trabalhada e não ficou tão densa quando deveria/poderia.
Li que este curta ganhou dois prêmios. Merecia até mais.
O curta começa com uma sequencia linear de continuidade, mas depois passa a quebrar, variando muitos itens à medida em que há o corte para câmeras de outros ângulos. Inclui também o conceito de metacinema porque a cena final é a imagem do ator questionando o que estava acontecendo através de uma tv.
Muito interessante. Pelo site do casacinepoa.com.br li que este curta foi premiado.
O enredo é sobre o Hilário Pestana, que só obtinha sucesso fazendo comédias, apesar de sua preferência por obras dramáticas. Na impossibilidade de realizar seu sonho, ele arma um plano para ser assassinado durante uma filmagem onde ele está vestido de palhaço. Durante o momento agonizante, ele faz uma cena dramática com textos de Hamlet e Édipo Rei. Este desfecho é impressionante.
É paradoxal perceber que o drama, tão pretendido pelo protagonista, é oferecido ao espectador através de um distanciamento proposto pela abordagem metacinema. A perspectiva de crítica ao cinema industrial brasileiro, e até mesmo uma autocrítica, são interessantes. Vi no site casacinepoa.com.br que este curta ganhou diversos prêmios. Merecido.
A História das Coisas
4.2 153 Assista AgoraResolvi falar deste vídeo porque, recentemente, assisti ao documentário "The Light Bulb Conspiracy - A Conspiração da Lâmpada". Este último foi lançado em 2010 e deveria mostrar alguma evolução na discussão do tema, mas exceto pelo aprofundamento na questão da lâmpada e do destino ilegal do lixo eletrônico, o filme é um 'mais do mesmo'. Logo, para uma iniciação pragmática no assunto, "Story Of Stuff" é melhor. É um vídeo bastante executivo e criado para a internet, num tom meio 'vlog'. A relação com a animação e a sonoplastia são maravilhosas. Quem trabalha com palestras e exibição de slideshows vê neste vídeo uma obra de arte. Para quem procura algo mais emotivo/envolvente, a falta de trilha sonora e de uma melhor acuidade artística pode incomodar. O importante é que o vídeo faz um panorama coeso e com ótimo embasamento estatístico. O que torna a contrargumentação uma tarefa difícil, para não dizer impossível.
O que resta é uma conclusão bem amarga, porque assim como em outros documentários que abordam questões sociais em nível global, como Earthlings e Lixo Extraordinário, percebemos claramente o quanto somos cúmplices e agentes de processos autodestrutivos.
Café com Leite
3.5 364O curta é importante porque ele retrata, mesmo indiretamente, um movimento atual LGBT em relação à convivência familiar sem preconceitos. No caso, em relação à homossexualidade e irmãos.
Sob o ponto de vista social, o curta não tem uma proposta direcionada. Ou seja, não me parece ser esta a preocupação da obra, já que ela nos mostra um relacionamento praticamente 'hétero', como que para ser legitimada, uma família com parceiros homossexuais tivesse de receber o selo de família hegemônica, limpa, branca, saudável e bem de vida.
Ainda sob este ponto de vista social, não há, no roteiro, nenhuma força substancialmente contrária à convivência dos irmãos. Sem este gancho, o filme se centraliza no olhar de Lucas, o irmão menor. E, a meu ver, os desdobramentos da trama sob o olhar dele deveriam ser mais intensas, mais passionais.
O falecimento dos pais ocupa um espaço e força de reação muito inexpressivo para o curta. Esse dado mais parece ter o peso de uma viagem dos pais do que efetivamente um falecimento.
The Maker
4.5 269Stop Motion já merece algumas boas estrelas. Quando a arte tá maravilhosa e a história, planos, trilha, conclusão e ações são criativas e envolventes, o curta merece, então, a melhor avaliação possível. <3
Yu Yu Hakusho - O Rapto de Koema
3.7 12É uma obra que segue bem o estilo Yu Yu Hakusho. O padrão de brigas motivadas por um "não vou te deixar passar". O ritmo das imagens e da sonoplastia também é tão dinâmico e agradável quanto o ritmo da obra completa. Até porque usaram as mesmas músicas, que são maravilhosas.
A caracterização de Garuga é interessante. Acho a personagem de Koashura muito pouco criativa no sentido de parecer um irmão de Koenma. O final com ele é um horror, mas a cena com Botan, Kuwabara e Yusuke é engraçada pelo bordão clássico.
Oração pela Família Gay
4.3 5Acho difícil comentar o próprio trabalho, mas vamos lá. A intenção principal era criar uma ironia mesmo. A contribuição da Wallace para a interpretação da música é muito peculiar e criativa. Nos surpreendemos bastante com o alcance desta criação.
Concebemos ela para o Show do Gongo de 2011 e ficamos em segundo lugar. No dia da estreia ocorreu uma discussão inédita neste evento porque muitos se revoltaram com o resultado e queriam que o "Oração" ficasse em primeiro lugar. Depois dessa estreia conturbada, inscrevemos ele com uma versão reduzida no festival de 3 minutos de Aracaju-SE e lá ele foi muito bem recebido e comentado. Ficou entre os finalistas também.
Por ineficiência nossa, não inscrevemos ele em outros festivais. Um dos motivos é o uso da canção, voz e imagens para as quais dificilmente conseguiríamos autorização.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraPoucas obras tiveram a capacidade de mexer tanto comigo como esta. Não a tenho como favorita, mas seu impacto, não só pela cena ícone, é muito forte. É uma inspiração ímpar.
The Evil Dead in 60 Seconds with Clay
3.8 7Muito bem executado. Que trabalhão! Achei mais interessante ainda por saber que o original, da década de 80, também usou stopmotion para fazer a decomposição dos zumbis. Lembro de ver isso em algum making of. Tentei procurar aqui pra rever, mas sem sucesso.
Em Más Companhias
3.5 22Vi este curta em 2005. Foi o primeiro vídeo que vi num site que, pouco tempo depois, tornou-se gigante: o Youtube. Lembro de ter mandado e-mails recomendando este e outros curtas para meus amigos. Eu estava fascinado pela ideia de não precisar mais baixar um filme para assisti-lo. Dois anos depois, o filme foi removido por conta da recomendação etária. Problemas com a popularização do serviço...
Encontrei o filme depois numa coletânea de curtas chamada Boys Briefs. Finalmente! Ele é muito bem feito e há poucos curtas tão interessantes quanto este.
Fiquei chocado, na verdade, com alguns comentários aqui. Tenho medo dessa defesa da higienização da sexualidade. É um campo tão subjetivo que promiscuidade será sempre um ponto de vista. Na minha opinião, alias, muito restrito.
A frase da sinopse "insatisfação comum a todo homossexual promíscuo de sua idade", reflete mais uma opinião do que uma informação sobre o curta. Ela pode ser até ressonante com o fato de que há pessoas que sequer viram o curta e resolveram comentar aqui sobre a 'promiscuidade' que, supostamente, há na obra. #bocejo
Meu Amigo Jaime
2.8 2Gostei da associação com a água e a cor azul. Deixaram a fotografia muito bonita. Mas o curta é muito raso no roteiro, não me pegou na história, interpretação, edição e finalização.
A cena da banheira é muito interessante, mas há um corte para piscina, num estilo onírico, que depois volta pra banheira. Esse retorno foi um desastre, completamente desnecessário. As falas dentro da água também ficaram horríveis, quase uma comédia. O final coerente com a obra como um todo; previsível e tedioso.
Ilha das Flores
4.5 1,0KNa minha escola, havia uma parafernalha-carrinho com TV e um VHs presos, que era levado de sala em sala. Um horror. Revi o curta hoje e lembrei do quanto ele é repetitivo e irritante na definição cíclica redundante de cada item retratado. Ok que isso é a alma do curta, que tem um roteiro muito interessante e criativo, mas é irritante.
Por muito tempo guardei a impressão de que havia algo forçado no cerne da história. Não que não pudesse ser real, mas que tudo parecia tão bem acertado para poder funcionar, impressionar que eu já alimentava dúvidas desde a primeira vez que assisti. Dúvidas sobre a existência do local. Dúvidas sobre a identidade daquelas pessoas. Dúvidas sobre o quanto o curta enquanto denúncia foi capaz de sanar aquela situação. Obviamente, frustração que guardei comigo por muito tempo. Até porque o filme é mesmo muito paradoxal nas afirmações de abertura e créditos e lamento muito pela professora não ter elucidado isso quando passou o filme para minha turma. Teria me poupado de ficar com essa sensação estranha que o filme provocou.
Aqui, ao ler os comentários, me deparei com o link para o documentário "Ilha das Flores: depois que a sessão acabou" youtu.be/Ch-LIsnG9Wc e, em termos de jornalismo e investigação, me senti atendido nas minhas expectativas. Agora consigo me perguntar com firmeza se a criatividade não tinha sido suficiente para criar um nome fictício para o local, já que só 'o resto é verdade'.
Um curta fictício, que se diz 'real', onde alguns humanos de um local real são tratados como resto e com resto. Se eu me coloco no lugar daquelas pessoas, ficaria tão ou mais revoltado com a difusão da obra. Se o curta fosse produzido hoje, felizmente as pessoas teriam mais recursos para que suas expressões não fossem ocultadas e desconsideradas de forma tão evidente como a que parece ter sido.
Eu Não Quero Voltar Sozinho
4.4 1,9K Assista AgoraEu ainda não assisti ao filme. Acho melhor, pois assim consigo falar do curta sem ficar contaminado. Revi o curta hoje para poder escrever melhor, mas continuo sem ter nenhuma crítica negativa. Vejo cuidado em tudo. Do roteiro à pós-produção. Afinal de contas, o curta é bastante popular. Fico feliz quando uma obra bem feita, e sem gafes ou erros na abordagem, são difundidas desta forma.
Starcrossed - O Amor Contra o Destino
3.3 244Não gosto da trilha. Não gosto dos 'freeze frames' do início. Não gosto da continuidade, que está repleta de erros.
O envolvimento deles num relacionamento amoroso tem um início muito pouco elaborado. A construção da ideia de suicídio também é muito pouco estruturada. A primeira referência que há é no próprio cinema, onde o romance começou e, apesar de conectar, não é suficiente para tornar-se um símbolo da entrega de ambos ao amor.
Mesmo assim, gosto do curta retratar uma relação incestuosa porque isso já está fora do olhar preconceituoso da nossa sociedade. Mas fico reflexivo quanto aos comentários de alguns que afirmaram que o suicídio foi uma espécie de reafirmação do preconceito. Penso que é possível ter tanto essa interpretação, onde a morte é chave para aquilo que não pode/deve/consegue existir, quanto a de que a vida em sociedade é pior que a própria morte. Neste último sentido, a morte poderia significar uma eternização e uma liberdade no amor que não pôde se concretizar plenamente em vida.
Não creio ser possível chegar a essa conclusão, nem à outra, tendo o curta como base porque ele é muito raso nesta discussão.
Quando eu li a primeira notícia sobre o "Do Começo ao Fim", eu já tinha visto este curta e também fiquei com a impressão de que houve alguma inspiração.
Cordas
4.5 245Não cheguei a me emocionar como a maioria das pessoas aqui, mas acho inegável o fato do curta promover, ou pelo menos inspirar, o respeito e a amizade. Já vi tantas obras com este propósito falharem categoricamente...
Coisas de Pássaros
4.1 305O ruído destes passarinhos consegue ser irritante. O humor do curta tem um estilo muito Pica Pau de ser.
O Conto dos Três Irmãos
4.5 23É muito bonito, criativo e bem finalizado. Não poderia ser menos em função da associação com o filme. E por isso mesmo, não creio que o curta valha sozinho.
Tá
2.1 83 Assista AgoraEsse curta parece mais curto do que realmente é. Penso que isso se deve à fluidez do diálogo, que faz o tempo passar sem que percebamos. O curta é poderoso na simplicidade de muitos pontos como; locação, duração, intenção das falas, título e cortes. Em contraponto à simplicidade, toca em algo mais profundo. Será que temos tratado nossos sentimentos e afetos com menosprezo, simplicidade e receio?
Lembro de ter ficado feliz quando li a notícia de que este curta foi premiado na Alemanha pelo Teddy Award. Acho merecido.
Café da Manhã?
2.0 21Gosto do curta porque ele tem clima, cores e trilhas que me agradam. Adoro a referência ao Café da Manhã por conta de uma associação biográfica minha. Sempre após as baladas, aprecio um bom café da manhã com amigos. Muitas vezes, o café é a nossa meta inicial antes mesmo de sairmos. Mas o problema do curta, pra mim, é que
na balada o Til não demonstra motivos convincentes para deixar Boris sozinho.
A partir daí o curta perde força e sentido por completo. As personagens não decolam e qualquer solução ficaria muito ineficiente. Mas gosto da primeira parte e apreciei demais o cuidado com o áudio e trilhas.
Vestido de Laerte
3.6 18Finalmente vi este curta. Não o vi nas diversas oportunidades que tive e agora ele está no Porta Curtas. Que maravilhoso. A ironia com o certificado é tão esdrúxula quanto o olhar da maioria das pessoas sobre gêneros. Fico feliz quando pessoas reconhecidas, como Laerte, desconstroem nossas muralhas de ignorância. Eu acredito que o entendimento do próprio Laerte acerca da pluralidade e subjetividade das pessoas mudou bastante nos últimos tempos.
O curta é uma espécie de registro deste momento tão especial na discussão sobre identidade, gênero e respeito. Ele está muito bem trabalhado e tem o poder de saltar da tela e provocar movimento.
Jardim das Vulvas
2.1 28Que delíciaaaaaaa. Miojo com filme pornográfico heterossexual e uma miscelânea de trilhas. É a minha cara também. Adoray. Gosto destas propostas avançadas, pouco convencionais, porque são as que mais me atravessam. Há cenas que terão novas associações a cada vez que eu assistir. O apêndice é esplêndido. Adoro apêndices (artísticos, obviamente). O uso dos objetos está muito bem elaborado.
O ritmo das imagens, muitas vezes, destoam bastante do ritmo proposto pela troca frenética de canções. A trilha está apenas no canal esquerdo. De qualquer modo, gostei da ideia e da execução também. Li nos comentários aqui a relação autobiográfica e fiquei encantado. São informações que deixam o curta ainda mais interessante e hilário.
Me lembrou, de certa forma, de um curta de Sandra Werneck chamado "Pornografia" de 1992, que há poucos anos foi disponibilizado pelo Porta Curtas.
A Casa de Pequenos Cubinhos
4.5 772Sim, é uma animação muito bonita, muito peculiar na estética, bem feita, a trilha é envolvente... Até porque, numa obra sem diálogos, se a trilha (ou o silêncio) não envolver, é melhor nem continuar a assistir. É, também, sucinto e transmite muitas sensações, possibilidades e histórias. A própria opção de evitar o diálogo é muito boa, pois vivemos a era da velocidade e da verbalização e destoar disso é louvável. Mas o curta também é triste. Triste porque muitas obras que falam da velhice apelam pelo saudosismo, melancolia, solidão e falta de perspectiva. Coisas que não são atributos exclusivos das pessoas idosas.O importante disso, talvez, seja despertar no espectador exatamente o oposto da reafirmação: a de que precisamos sempre tratar a velhice não apenas com respeito, mas com carinho, afeto e, principalmente, com a nossa companhia.
Desde tempos imemoriais, os humanos temem a morte solitária, de modo que, às vezes, é difícil distinguir se temos medo de morrer ou, apenas, de ficarmos sozinhos. A animação é eficaz em retratar esse sentimento de abandono, mas não sugere alternativas fora das lembranças. Este assunto, bem como a referência ecológica, são literalmente(!) ilustrativos.
En colo
3.5 16 Assista AgoraLi muitos comentários, aqui e no youtube, que exaltam a simplicidade do curta. Penso que o que causa esta sensação é o fato do roteiro estar muito bem fechado. Quando os fatos e os diálogos estão numa sequência bem resolvida, o tempo nem parece passar. Ao fim, o curta parece mais curto do que realmente é. De tão fugaz, a discussão sobre verossimilhança sai correndo. Talvez, por isso mesmo, o curta seja tão bem resolvido e adorável.
Trampolim
3.1 3O viaduto que aparece no filme é muito semelhante ao da Av. 9 de Julho de São Paulo e isso me tocou. Imaginei que era lá, inclusive. A fantasia dentro do curta é muito atrativa. Aquela sensação de que tudo é possível.
A aproximação com a morte e a dinâmica entre salto do trampolim e salto do viaduto foi uma combinação incrível. O tom azulado da piscina durante todo o filme é um pouco incomodo, mas sugere uma espécie de afogamento. A performance da menina, caída sob o asfalto com um bilhete suicida de tempos passados foi ótima. Me diverti com isso. Achei que a relação da protagonista com o professor de mergulho foi muito pouco trabalhada e não ficou tão densa quando deveria/poderia.
Li que este curta ganhou dois prêmios. Merecia até mais.
Continuidade
2.9 1Bem enxuto, vai direto ao ponto e expõe a problemática título com eficácia e diversão.
O curta começa com uma sequencia linear de continuidade, mas depois passa a quebrar, variando muitos itens à medida em que há o corte para câmeras de outros ângulos. Inclui também o conceito de metacinema porque a cena final é a imagem do ator questionando o que estava acontecendo através de uma tv.
Um homem sério
3.9 8O curta tem um aspecto de cinema antigo com imagens muito bem elaboradas, reconstruídas ou sampleadas.
O enredo é sobre o Hilário Pestana, que só obtinha sucesso fazendo comédias, apesar de sua preferência por obras dramáticas. Na impossibilidade de realizar seu sonho, ele arma um plano para ser assassinado durante uma filmagem onde ele está vestido de palhaço. Durante o momento agonizante, ele faz uma cena dramática com textos de Hamlet e Édipo Rei. Este desfecho é impressionante.
É paradoxal perceber que o drama, tão pretendido pelo protagonista, é oferecido ao espectador através de um distanciamento proposto pela abordagem metacinema. A perspectiva de crítica ao cinema industrial brasileiro, e até mesmo uma autocrítica, são interessantes. Vi no site casacinepoa.com.br que este curta ganhou diversos prêmios. Merecido.