Os diálogos são bem vergonhosos, parece que ninguém fala de verdade daquele jeito, e tudo acontece de forma muito conveniente, como se o roteiro tivesse preguiça de construir as coisas direito. A parte que eles representam os crimes cometidos (como o dos Nardoni ou da Elize Matsunaga) por incrível que pareça, é o que mais surpreende, porque é bem feita e até causa um impacto, mas o resto é tão dramatizado e artificial que fica difícil levar a sério. No fim, parece mais uma novela tentando bancar série “pesada”, mas sem entregar nada além de vergonha alheia.
Tentou seguir o sucesso da temporada excelente de Jeffrey Dahmer, mas acaba ficando meio perdida no caminho. A direção deu a impressão de não saber se queria explorar a mente perturbada do cara ou mostrar o quanto a história dele influenciou o cinema, e nisso a série fica oscilando entre uma coisa e outra sem se aprofundar em nenhuma. O visual é ótimo, a ambientação é caprichada e Charlie Hunnam manda bem, mas tudo parece um pouco “enfeitado demais”. Dá a sensação de que quiseram deixar o Ed Gein mais romântico e menos trágico, quando na real o problema dele vinha quase todo da relação doentia com a mãe.
Também tem umas partes inventadas ou exageradas, tipo a suposta relação com a menina e a teoria do irmão, que o roteiro trata como se fossem verdades. E ainda tentaram encaixar uma menção a Mindhunter que ficou bem fora de lugar.
No fim, o resultado é bonito de ver, mas meio raso. Ela até tem momentos interessantes, só não tem o mesmo impacto de Dahmer. É aquele tipo de série que dá pra ver e pensar: “ok, tá valendo”, mas nada além disso.
Tem algo de desconcertante em acompanhar uma história que não te dá respiro — não porque é cheia de ação ou reviravolta, mas porque tudo vai acontecendo ali, na sua frente, como se você estivesse trancado naquele quarto junto com eles. O plano-sequência não é só um recurso bonito, é quase um personagem e justamente por não cortar, a série deixa a gente preso no tempo, como se não desse pra escapar daquela realidade nem por um segundo. É incômodo, mas de um jeito necessário. A tensão não está no que é dito, mas no que fica pairando. E o pior é que a história nem grita, ela sussurra coisas que a gente já viu por aí, só que preferiu não olhar de perto. E agora não dá mais pra desver.
Série bem produzida e atuações muito boas, o ponto mais alto foi ter mostrado bem como o privilégio branco dele facilitou pra que os crimes continuassem acontecendo e que ele não era tão "inteligente" como muita gente pensa. Tecnicamente a série é muito boa. A caracterização fiel aos vídeos da perícia que vi, o Evan Peters como Jeff, e até as encenações do tribunal que foram muito fidedignas. É legal ver que a loucura humana não existe apenas no Brasil. Como transformar o cara em uma estrela, angariando fãs que lhe davam dinheiro e escreviam cartas de amor. Quanto ao enredo em si, preciso assistir a série documental para formular melhor o que acho, mas, arranjar a desculpa de conflito familiar para se transformar em um monstro não cola muito, visto que, há pessoas que passam por tragédias muito maiores e não se transformam em nada perto disso. E também, fica nítido que Jeff desde criança tinha instintos canibalescos e zoófilos. Então, acho que o lance do pai incentivar a taxidermia, só foi um agravante para colocar em prática a sua falha cerebral que sempre existiu. Quanto as vítimas, não preciso nem dizer o quão pesado foram os relatos, especialmente Tony Hugues. Quanto ao sistema de segurança pública é mais do que repugnante a segregação racial escancarada, enfim.
Achei os episódios bem construídos, com uma boa ênfase na introspecção dos personagens. Seus conflitos pessoais foram bem narrados, em certa medida. Há uma abordagem muito particular em cada história que se configurava, tipo, não há um comodismo, algum clichê gritante, o roteiro é bem arriscado nesse quesito. Gostei também de como os gráficos foram trabalhados (sangue, sonoplastia, efeitos, etc). Talvez o que deixa a desejar seja somente a fotografia, que, na minha visão, não combinou com a sensação de pânico constante ou angústia perante o jogo. Entretanto, acredito também na ideia de que a paleta de cores possa estar propositalmente saturada para criar a ideia de "infantilidade", uma vez que todos os jogos são criados com essa temática, contrastando no mesmo âmbito com a violência e a podridão dos participantes. A atuação dos atores pode ser vista também um pouco “caricata”, porém a interpretação dos asiáticos, quase de forma geral, é mesmo exagerada, inclusive os mangás e animes usam esse fato exagerado como forma de acentuar ou externar um sentimento de forma não verbalizada. Enfim, gostei, me entusiasmei pelas direções sul-coreanas com essa temática mais psicológica/drama/suspense, deu até vontade de acompanhar outras coisas desse gênero.
Só pela forma diferenciada de como foi dirigido, a fotografia excelente, a atmosfera sombria do local e o tom misterioso colocado em todos os episódios, já vale muito a pena assistir. Nesse ponto te surpreende e te faz esquecer um pouco a péssima atuação dos atores, principalmente o elenco jovem, mas Cláudia Abreu é uma exceção. Há também muitos diálogos meio óbvios e sem profundidade nenhuma, umas cenas desnecessárias, talvez o roteiro tenha furado nesse quesito, mas nada que interfira no entendimento da história em geral. Dá pra ir levando.
A ideia da série é excelente, falar do folclore brasileiro, aquelas lendas que todo mundo conhece, convenhamos que isso é genial, alguém já deveria ter produzido isso de tão bom que é. Mas, sei lá, tive a impressão que faltou consistência em muita coisa, não tiveram tanto cuidado em dar desenvolvimento a essa premissa. Notei bastante furo no roteiro, tipo, na motivação dos personagens, no porquê que eles estão em determinada cena, na personalidade deles, inclusive as "entidades"... Tudo me pareceu fraco demais, explicações mal resolvidas, simples, e com diálogos muito clichês. Eu realmente esperava algo bem inovador diante de todo o tema da série.
Mas os pontos positivos são os atores que são muito bons, a fotografia, a caracterização/figurino e os efeitos especiais que tão de parabéns.
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Tremembé (1ª Temporada)
3.3 228 Assista AgoraOs diálogos são bem vergonhosos, parece que ninguém fala de verdade daquele jeito, e tudo acontece de forma muito conveniente, como se o roteiro tivesse preguiça de construir as coisas direito. A parte que eles representam os crimes cometidos (como o dos Nardoni ou da Elize Matsunaga) por incrível que pareça, é o que mais surpreende, porque é bem feita e até causa um impacto, mas o resto é tão dramatizado e artificial que fica difícil levar a sério. No fim, parece mais uma novela tentando bancar série “pesada”, mas sem entregar nada além de vergonha alheia.
Monstros (3ª Temporada) - A História de Ed Gein
3.2 210 Assista AgoraTentou seguir o sucesso da temporada excelente de Jeffrey Dahmer, mas acaba ficando meio perdida no caminho. A direção deu a impressão de não saber se queria explorar a mente perturbada do cara ou mostrar o quanto a história dele influenciou o cinema, e nisso a série fica oscilando entre uma coisa e outra sem se aprofundar em nenhuma. O visual é ótimo, a ambientação é caprichada e Charlie Hunnam manda bem, mas tudo parece um pouco “enfeitado demais”. Dá a sensação de que quiseram deixar o Ed Gein mais romântico e menos trágico, quando na real o problema dele vinha quase todo da relação doentia com a mãe.
Também tem umas partes inventadas ou exageradas, tipo a suposta relação com a menina e a teoria do irmão, que o roteiro trata como se fossem verdades. E ainda tentaram encaixar uma menção a Mindhunter que ficou bem fora de lugar.
Adolescência
4.0 611 Assista AgoraTem algo de desconcertante em acompanhar uma história que não te dá respiro — não porque é cheia de ação ou reviravolta, mas porque tudo vai acontecendo ali, na sua frente, como se você estivesse trancado naquele quarto junto com eles. O plano-sequência não é só um recurso bonito, é quase um personagem e justamente por não cortar, a série deixa a gente preso no tempo, como se não desse pra escapar daquela realidade nem por um segundo. É incômodo, mas de um jeito necessário. A tensão não está no que é dito, mas no que fica pairando. E o pior é que a história nem grita, ela sussurra coisas que a gente já viu por aí, só que preferiu não olhar de perto. E agora não dá mais pra desver.
Monstros (1ª Temporada) - Dahmer: Um Canibal Americano
4.0 681 Assista AgoraSérie bem produzida e atuações muito boas, o ponto mais alto foi ter mostrado bem como o privilégio branco dele facilitou pra que os crimes continuassem acontecendo e que ele não era tão "inteligente" como muita gente pensa. Tecnicamente a série é muito boa. A caracterização fiel aos vídeos da perícia que vi, o Evan Peters como Jeff, e até as encenações do tribunal que foram muito fidedignas. É legal ver que a loucura humana não existe apenas no Brasil. Como transformar o cara em uma estrela, angariando fãs que lhe davam dinheiro e escreviam cartas de amor. Quanto ao enredo em si, preciso assistir a série documental para formular melhor o que acho, mas, arranjar a desculpa de conflito familiar para se transformar em um monstro não cola muito, visto que, há pessoas que passam por tragédias muito maiores e não se transformam em nada perto disso. E também, fica nítido que Jeff desde criança tinha instintos canibalescos e zoófilos. Então, acho que o lance do pai incentivar a taxidermia, só foi um agravante para colocar em prática a sua falha cerebral que sempre existiu. Quanto as vítimas, não preciso nem dizer o quão pesado foram os relatos, especialmente Tony Hugues. Quanto ao sistema de segurança pública é mais do que repugnante a segregação racial escancarada, enfim.
Round 6 (1ª Temporada)
4.0 1,3K Assista AgoraAchei os episódios bem construídos, com uma boa ênfase na introspecção dos personagens. Seus conflitos pessoais foram bem narrados, em certa medida. Há uma abordagem muito particular em cada história que se configurava, tipo, não há um comodismo, algum clichê gritante, o roteiro é bem arriscado nesse quesito. Gostei também de como os gráficos foram trabalhados (sangue, sonoplastia, efeitos, etc). Talvez o que deixa a desejar seja somente a fotografia, que, na minha visão, não combinou com a sensação de pânico constante ou angústia perante o jogo. Entretanto, acredito também na ideia de que a paleta de cores possa estar propositalmente saturada para criar a ideia de "infantilidade", uma vez que todos os jogos são criados com essa temática, contrastando no mesmo âmbito com a violência e a podridão dos participantes. A atuação dos atores pode ser vista também um pouco “caricata”, porém a interpretação dos asiáticos, quase de forma geral, é mesmo exagerada, inclusive os mangás e animes usam esse fato exagerado como forma de acentuar ou externar um sentimento de forma não verbalizada. Enfim, gostei, me entusiasmei pelas direções sul-coreanas com essa temática mais psicológica/drama/suspense, deu até vontade de acompanhar outras coisas desse gênero.
Desalma (1ª Temporada)
3.8 195Só pela forma diferenciada de como foi dirigido, a fotografia excelente, a atmosfera sombria do local e o tom misterioso colocado em todos os episódios, já vale muito a pena assistir. Nesse ponto te surpreende e te faz esquecer um pouco a péssima atuação dos atores, principalmente o elenco jovem, mas Cláudia Abreu é uma exceção. Há também muitos diálogos meio óbvios e sem profundidade nenhuma, umas cenas desnecessárias, talvez o roteiro tenha furado nesse quesito, mas nada que interfira no entendimento da história em geral. Dá pra ir levando.
Cidade Invisível (1ª Temporada)
4.0 749A ideia da série é excelente, falar do folclore brasileiro, aquelas lendas que todo mundo conhece, convenhamos que isso é genial, alguém já deveria ter produzido isso de tão bom que é. Mas, sei lá, tive a impressão que faltou consistência em muita coisa, não tiveram tanto cuidado em dar desenvolvimento a essa premissa. Notei bastante furo no roteiro, tipo, na motivação dos personagens, no porquê que eles estão em determinada cena, na personalidade deles, inclusive as "entidades"... Tudo me pareceu fraco demais, explicações mal resolvidas, simples, e com diálogos muito clichês. Eu realmente esperava algo bem inovador diante de todo o tema da série.
Mas os pontos positivos são os atores que são muito bons, a fotografia, a caracterização/figurino e os efeitos especiais que tão de parabéns.