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Que loucura. Fui assistir completamente no escuro porque num vi nenhum trailer, não conhecia o livro, a história, nem nada. E talvez tenha sido melhor assim, fui comprando a paranoia aos poucos, sem saber onde tava pisando. Todo mundo tá muito foda na atuação, principalmente na maneira como conseguem deixar as coisas sempre um pouco desconfortáveis (tu nunca iria imaginar Anne Hathaway sendo uma pessoa perturbada, mas ela consegue). O final foi o que mais ficou comigo: a revelação e toda a dúvida sobre o que realmente aconteceu me deixaram meio dividido, não sei se comprei completamente a versão que o filme entrega, mas gostei de não sair com uma resposta fechada.
Tu vai aprender como transformar um jantar em um esporte de constrangimento. O filme confia tanto nos diálogos e nos atores que quase esquece de "parecer filme", e isso acaba sendo justamente o charme dele. Quase nada acontece do jeito que a gente costuma esperar, mas tu continua assistindo porque quer ver quem vai falar a próxima besteira e como alguém vai tentar consertar. Saí com a sensação de que eu tinha sido um convidado também.
É bom, tem até um protagonista interessante, mas parece que o roteiro decidiu que todo mundo ao redor nasceu exclusivamente só pra testemunhar o sofrimento dele e desaparecer quando a cena acaba. O filme é bem previsível em várias situações, com certeza tu vai lembrar de algo parecido que já viu por aí. Gostei da maquiagem e da fotografia, principalmente de como a cidade de Gotham foi construída visualmente, com uma atmosfera que funciona muito bem. Tem "body horror", sim, mas esperava que fosse um pouco mais pesado, que explorasse mais o desconforto físico em vez de ficar tanto na sugestão. O clímax e as cenas finais são provavelmente as partes que melhor funcionam visualmente (sério), especialmente considerando os recursos da produção. Tudo foi bem criativo. Talvez eu gostasse mais se o filme tivesse tido coragem de ser um pouco mais esquisito.