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Pelo hype, esperava mais. Apesar do cuidado quase obsessivo na reconstrução dos cenários de Recife dos anos 1970, que funciona mais como atmosfera do que como pano de fundo, e de uma atuação muito boa e contida de Wagner Moura, esse filme tropeça justamente onde deveria sustentar sua tensão: no roteiro. A história se estende além do que consegue justificar com muitas sequências longas, desnecessárias, repetitivas e pouco decisivas, que parecem existir mais por apego estético do que por necessidade dramática. Com cortes mais rigorosos, o filme ganharia não só fôlego, mas também precisão, tornando sua proposta mais direta e incisiva, algo especialmente necessário para um filme que se arrasta por quase três horas sem entregar um arco à altura desse tempo.
Os diálogos são bem vergonhosos, parece que ninguém fala de verdade daquele jeito, e tudo acontece de forma muito conveniente, como se o roteiro tivesse preguiça de construir as coisas direito. A parte que eles representam os crimes cometidos (como o dos Nardoni ou da Elize Matsunaga) por incrível que pareça, é o que mais surpreende, porque é bem feita e até causa um impacto, mas o resto é tão dramatizado e artificial que fica difícil levar a sério. No fim, parece mais uma novela tentando bancar série “pesada”, mas sem entregar nada além de vergonha alheia.
É um daqueles filmes que parecem simples à primeira vista, mas aos poucos vão se expandindo por dentro da gente, quase sem perceber, sabe? A forma como lida com o tempo, misturando fases da vida como se fossem lembranças soltas, cria uma sensação muito próxima de como a memória realmente funciona, meio fragmentada, meio emocional. E tem algo muito bonito em como ele encontra grandeza no que é pequeno, nos gestos discretos, nas presenças que ficam, nos momentos que normalmente passariam despercebidos. Tudo vai se conectando de um jeito calmo, sem precisar explicar demais, como se o filme confiasse que a gente vai sentir antes de entender. No fim, fica aquela sensação meio nostálgica, meio reconfortante, como se você tivesse lembrado de algo importante que nem sabia que estava guardado.