Gostei mais pela ideia e pela atmosfera do que pela execução em si. O filme é bem interessante, mas também um pouco irregular. O que mais me pegou foi interpretar os Backrooms não como um lugar físico qualquer, mas quase como uma manifestação psicológica. Pra mim, aquele espaço parece se alimentar de culpa, solidão, medo e desgaste emocional, e aí os corredores vão ficando mais sufocantes conforme os personagens afundam mentalmente, como se o lugar crescesse a partir dos próprios traumas deles, etc. O que mais gostei é que o filme nunca entrega respostas demais, porque a sensação é justamente essa confusão entre o que é físico e o que é mental. Ao mesmo tempo, acho que ele se apoia tanto na atmosfera e no simbolismo que acaba deixando a narrativa emocional um pouco distante em alguns momentos. Ainda assim, funciona muito bem como experiência.
Boa surpresa. Gostei de como o filme pega uma premissa quase adolescente de “amor impossível” e transforma isso num terror desconfortável sem precisar exagerar no discurso. Ele entende bem que a “obsessão” não nasce só da loucura, mas também da carência, da idealização e do ego. Tem momentos em que parece menos um terror sobrenatural e mais uma crítica à necessidade de controlar a forma como somos vistos e amados pelos outros. A gente até cria uma certa empatia suficiente pra entender as inseguranças do protagonista, mas nunca deixa esquecer o quão invasiva e egoísta é essa necessidade de ser correspondido a qualquer custo. E quanto mais ele tenta “forçar” algo natural, mais artificial e perturbador tudo fica. Não achei o filme perfeito, mas tem muita personalidade, clima e algumas ideias bem mais interessantes do que a maioria dos terrores recentes. Vale a pena ver no cinema.
É impossível não lembrar de Dark, principalmente nessa forma de brincar com tempo, linhagens, memória e percepção, deixando aquela sensação constante de que tudo tá conectado por algum detalhe que a gente ainda não percebeu. Só que acho interessante como Caddo Lake é mais contido e intimista, ele não tenta transformar a complexidade em espetáculo o tempo inteiro. Ao mesmo tempo, senti que em alguns momentos ele segura demais certas informações e acaba criando uma confusão mais aleatória do que realmente narrativa, como se estivesse mais preocupado em manter o mistério do que aprofundar algumas consequências emocionais da trama. Ainda assim, achei muito bonito como o filme usa o lago/a floresta pra criar essa sensação meio melancólica e estranha que fica até depois que termina.
É um daqueles filmes que parecem simples à primeira vista, mas aos poucos vão se expandindo por dentro da gente, quase sem perceber, sabe? A forma como lida com o tempo, misturando fases da vida como se fossem lembranças soltas, cria uma sensação muito próxima de como a memória realmente funciona, meio fragmentada, meio emocional. E tem algo muito bonito em como ele encontra grandeza no que é pequeno, nos gestos discretos, nas presenças que ficam, nos momentos que normalmente passariam despercebidos. Tudo vai se conectando de um jeito calmo, sem precisar explicar demais, como se o filme confiasse que a gente vai sentir antes de entender. No fim, fica aquela sensação meio nostálgica, meio reconfortante, como se você tivesse lembrado de algo importante que nem sabia que estava guardado.
Pelo hype, esperava mais. Apesar do cuidado quase obsessivo na reconstrução dos cenários de Recife dos anos 1970, que funciona mais como atmosfera do que como pano de fundo, e de uma atuação muito boa e contida de Wagner Moura, esse filme tropeça justamente onde deveria sustentar sua tensão: no roteiro. A história se estende além do que consegue justificar com muitas sequências longas, desnecessárias, repetitivas e pouco decisivas, que parecem existir mais por apego estético do que por necessidade dramática. Com cortes mais rigorosos, o filme ganharia não só fôlego, mas também precisão, tornando sua proposta mais direta e incisiva, algo especialmente necessário para um filme que se arrasta por quase três horas sem entregar um arco à altura desse tempo.
O título clichê nem ajuda, mas nem se atente a isso, porque o negócio deu pra entreter bem. Fazia tempo que não tinha essa sensação de ainda lembrar ou comentar das cenas depois que o filme acaba no cinema, ainda mais se tratando de terror basicão, né. Fui com baixa expectiva e me surpreendi com a maneira meio disruptiva, meio "incerta" e "tensa" que o filme te deixa, sem ser pedante aos sustos e apostando no imprevisível. Melhor cena final de todas. Valeu a pena.
É formalmente bem construído, com uma direção segura e um desempenho notável de Jesuíta Barbosa, que compreende não apenas os gestos, mas os silêncios e nuances de Ney Matogrosso. A reconstituição de época e o cuidado estético chamam atenção (talvez isso seja o principal acerto), mas o filme por vezes escorrega na tentativa de amplificar conflitos que não se sustentam dramaticamente, sobretudo na relação com o pai. Ou então quando há uma sensação de algo forçado e não tão natural em certos diálogos. Ainda assim, é um retrato relevante, que opta por uma abordagem menos linear e mais sensorial, o que o distancia do comum das biografias convencionais.
É aquele tipo de sci-fi que parece estar rindo da própria tragédia enquanto pergunta, com uma cara séria: “e se você pudesse ser substituído toda vez que morresse… continuaria sendo você?”. É esquisito, divertido e meio angustiante — como olhar no espelho e ver uma versão sua que você ainda não conhece, mas que te encara de volta mesmo assim.
É um filme sobre escuta, sobre observar o mundo com curiosidade e respeito, e sobre encontrar afeto nos lugares mais improváveis. Tudo é contado com uma leveza que não subestima ninguém, nem criança nem adulto. E o mais bonito é que, no meio da floresta, entre silêncios e olhares, a história fala sobre humanidade — justamente por meio de alguém que não é humano.
Acho que é raro encontrar um filme que pareça uma conversa delicada entre o passado e o presente, mas também entre dois desconhecidos que, de algum jeito, se entendem. Os diálogos aqui são quase como se fossem confissões embaladas em mitologia. E o que embala tudo isso é a fotografia e os cenários: palácios antigos, desertos vibrantes, épocas distantes que mais parecem lembranças vivas. É uma fantasia feita de palavras e silêncios, que fala muito mais sobre solidão, desejo e humanidade do que sobre magia. E talvez essa seja a parte mais mágica de todas.
Não é só sobre vingança ou arrependimento, é sobre aquelas feridas que nunca fecham direito e que, de repente, começam a arder de novo. Tudo parece meticulosamente belo, mas por trás dessa beleza tem algo quebrado, algo que incomoda, como um quadro torto que ninguém conserta. No fim, a sensação não é de alívio nem de entendimento total, mas de um vazio estranho, como se você tivesse perdido algo que nem sabia que era seu.
Eu gostei, a passagem do tempo me tocou muito. A gente pensa nas vidas que se cruzam e nos rastros invisíveis que deixamos nos lugares por onde passamos. Cada cena carrega um tipo de nostalgia difícil de explicar, como se estivéssemos vendo nossa própria história se desenrolar em pedaços espalhados pelo passado, presente e futuro. No fim, fica aquela sensação agridoce de que tudo muda, mas, de alguma forma, nada se perde de verdade.
Paul Giamatti é completamente subestimado. Já devia ter uma coleção de prêmios em casa. O cara tem uma habilidade única de dar alma a personagens complexos e imperfeitos, e o jeito que ele se conecta com os outros é como se estivéssemos vendo uma dança silenciosa entre o desgosto e a necessidade de afeto. A ambientação nos anos 1970 é uma cápsula do tempo tão bem feita que quase dá pra sentir o cheiro do inverno lá dentro. O filme não tem pressa, e isso é um alívio, porque ele te faz querer ficar lá, observando as pequenas transformações dos personagens, sem pressa de escapar. Uma verdadeira lição de como fazer com que a solidão seja tão reconfortante quanto desconfortável.
Sabe como é como ver um álbum de fotos antigo onde tu reconhece as imagens, mas sempre encontra algo novo nelas? Essa foi a sensação. A relação entre pai e filha se desenha nos detalhes, nos silêncios, nos sorrisos que escondem mais do que revelam. Paul Mescal não precisa de grandes cenas para te fazer sentir tudo. É no olhar perdido, no meio sorriso contido, que a melancolia se instala sem aviso. A direção do filme nem força nada, ela te coloca dentro das memórias como quem entra no mar devagar, deixando a maré levar. E quando o filme acaba, ele não sai de você. Fica ali, como aquela música que toca ao fundo de um momento especial e que, de repente, nunca mais soa do mesmo jeito.
Senti como se fosse um jogo de xadrez jogado no silêncio, onde cada olhar pesa mais que mil palavras e cada gesto pode mudar tudo. O filme tem uma elegância sombria (quase monástica mesmo), que te puxa pra dentro do Vaticano e te faz sentir o peso da tradição, da política e dos segredos ocultos sob as vestes vermelhas dos cardeais. É um suspense político feito com classe, sem precisar de exageros ou reviravoltas forçadas, acertando ao mostrar o peso das tradições e das alianças ocultas, deixando quem assiste quase vidrado em cada pequeno detalhe. Simples, sofisticado e envolvente do começo ao fim.
Gostei, não é algo espetacular, mas tem tudo pra ser referência por muitos anos. Achei bem artístico principalmente na retratação do época, toda aquela ambientação gótica do século XIX é genial, além da história ter um ritmo mais contemplativo, que quase se assemelha à experiência de ler um livro: lento, denso e cheio de nuances. Talvez essa característica possa afastar espectadores que esperam algo mais dinâmico, mas é um ponto forte para quem aprecia uma narrativa mais profunda. Willem Dafoe é genial, já sei que rouba a cena em qualquer filme do Eggers mesmo.
O filme não é bom. O que está gerando empatia talvez seja mais pelo saudosismo e pela consideração do primeiro que é excelente e marcou uma época, sendo reconhecido até hoje como um dos melhores filmes brasileiros (pra mim também, inclusive). É massa ver de novo o João Grilo e Chicó, entretanto, mesmo assim, esse recurso não se sustenta por muito tempo, uma vez que o ideal seria trazer algo inovador para a trama, podendo se tornar até "memorável". O roteiro dele em si é muito conveniente e apegado à conclusões fáceis ou já usadas, transparecendo em muitas vezes ser clichê, fora a ambientação artificial dos cenários que deu um ar muito caricato, o que me desestimulou pessoalmente em acompanhar a história em vários momentos.
Uma surpresa genuína, ou talvez acho que é assim que um prequel deveria ser, funcionando muito bem, quer você tenha visto os outros filmes ou não. Pega aquela sensação de profundidade de um terror inteligente e bem feito que não depende de sustos ou truques cansados. Tá na minha lista de melhores do ano.
Decepcionante, dado que os filmes mais recentes tiveram uma base em um contexto muito moderno. Ponto de ruptura por tramas de má qualidade, personagens confusos e uma falta geral de foco.
O filme não é ruim, achei a premissa até boa. Além disso, fizeram uma metáfora sobre trauma e questões psicológicas não tratadas/superadas. Só tem um porém, eu acho que não entregou a resposta da protagonista para a descoberta dela:
A Rose consegue relacionar os suicídios e demais casos com a "maldição", ela vai atrás, investiga, descobre e depois não faz muita coisa além disso. Então, meio que não dá em nada essa descoberta, já que ela não cria um plano mais rebuscado para quebrar a maldição.
Definitivamente Mia Goth se tornou uma das minhas atrizes favoritas depois desse filme. É sério isso. Ao tornar a personagem central o foco da narrativa desde os primeiros instantes, passamos a ver o mundo pelo seu olhar e a dividir suas frustrações e esperanças. Porém é mais que uma vítima ou antagonista, há uma construção de uma pessoa mentalmente perturbada, sem lugar no mundo e que concilia uma inocência infantil com um outro lado violento e delirante. O longa também brinca com a estética pueril e melodramática dos cinema americano dos anos 50 de maneira inspirada, desde os créditos entoados por uma trilha suntuosa com letreiros até as expressões que ela faz. Genial.
Esperava algo mais na narrativa até pelo estúdio A24, como também pela atuação da Mia Goth (que a conheci depois de assistir o filme Suspiria), porém gosto das referências a clássicos do terror, como a câmera acompanhando o machado enquanto o objeto corta a porta. No entanto, o mais marcante no filme talvez seja o comentário sobre supostas “purezas comportamentais”. Exemplo visual e que serve à narrativa: logo no início, a turma sai de um canto no meio do nada e que representa o retrocesso, mas o redor desse local é cercado de fábricas, indicando o progresso econômico que ocorria na época, à margem.
É um filme que podia ter tido mais meia hora pra explicar certas coisas que ficaram corridas, mas no geral, mesmo tendo alguns clichês, o filme dá momentos de tensão. Assisti sem esperar muita coisa, única crítica é que poderia ter tido mais uns 20 minutos pra explicar a parte mais sobrenatural.
Não sei se isso é considerado spoiler, mas, enfim:
Backrooms: Um Não-Lugar
3.4 135Gostei mais pela ideia e pela atmosfera do que pela execução em si. O filme é bem interessante, mas também um pouco irregular. O que mais me pegou foi interpretar os Backrooms não como um lugar físico qualquer, mas quase como uma manifestação psicológica. Pra mim, aquele espaço parece se alimentar de culpa, solidão, medo e desgaste emocional, e aí os corredores vão ficando mais sufocantes conforme os personagens afundam mentalmente, como se o lugar crescesse a partir dos próprios traumas deles, etc. O que mais gostei é que o filme nunca entrega respostas demais, porque a sensação é justamente essa confusão entre o que é físico e o que é mental. Ao mesmo tempo, acho que ele se apoia tanto na atmosfera e no simbolismo que acaba deixando a narrativa emocional um pouco distante em alguns momentos. Ainda assim, funciona muito bem como experiência.
Obsessão
4.0 217Boa surpresa. Gostei de como o filme pega uma premissa quase adolescente de “amor impossível” e transforma isso num terror desconfortável sem precisar exagerar no discurso. Ele entende bem que a “obsessão” não nasce só da loucura, mas também da carência, da idealização e do ego. Tem momentos em que parece menos um terror sobrenatural e mais uma crítica à necessidade de controlar a forma como somos vistos e amados pelos outros. A gente até cria uma certa empatia suficiente pra entender as inseguranças do protagonista, mas nunca deixa esquecer o quão invasiva e egoísta é essa necessidade de ser correspondido a qualquer custo. E quanto mais ele tenta “forçar” algo natural, mais artificial e perturbador tudo fica. Não achei o filme perfeito, mas tem muita personalidade, clima e algumas ideias bem mais interessantes do que a maioria dos terrores recentes. Vale a pena ver no cinema.
Os Horrores do Caddo Lake
3.5 328É impossível não lembrar de Dark, principalmente nessa forma de brincar com tempo, linhagens, memória e percepção, deixando aquela sensação constante de que tudo tá conectado por algum detalhe que a gente ainda não percebeu. Só que acho interessante como Caddo Lake é mais contido e intimista, ele não tenta transformar a complexidade em espetáculo o tempo inteiro. Ao mesmo tempo, senti que em alguns momentos ele segura demais certas informações e acaba criando uma confusão mais aleatória do que realmente narrativa, como se estivesse mais preocupado em manter o mistério do que aprofundar algumas consequências emocionais da trama. Ainda assim, achei muito bonito como o filme usa o lago/a floresta pra criar essa sensação meio melancólica e estranha que fica até depois que termina.
A Vida de Chuck
3.7 137 Assista AgoraÉ um daqueles filmes que parecem simples à primeira vista, mas aos poucos vão se expandindo por dentro da gente, quase sem perceber, sabe? A forma como lida com o tempo, misturando fases da vida como se fossem lembranças soltas, cria uma sensação muito próxima de como a memória realmente funciona, meio fragmentada, meio emocional. E tem algo muito bonito em como ele encontra grandeza no que é pequeno, nos gestos discretos, nas presenças que ficam, nos momentos que normalmente passariam despercebidos. Tudo vai se conectando de um jeito calmo, sem precisar explicar demais, como se o filme confiasse que a gente vai sentir antes de entender. No fim, fica aquela sensação meio nostálgica, meio reconfortante, como se você tivesse lembrado de algo importante que nem sabia que estava guardado.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraPelo hype, esperava mais. Apesar do cuidado quase obsessivo na reconstrução dos cenários de Recife dos anos 1970, que funciona mais como atmosfera do que como pano de fundo, e de uma atuação muito boa e contida de Wagner Moura, esse filme tropeça justamente onde deveria sustentar sua tensão: no roteiro. A história se estende além do que consegue justificar com muitas sequências longas, desnecessárias, repetitivas e pouco decisivas, que parecem existir mais por apego estético do que por necessidade dramática. Com cortes mais rigorosos, o filme ganharia não só fôlego, mas também precisão, tornando sua proposta mais direta e incisiva, algo especialmente necessário para um filme que se arrasta por quase três horas sem entregar um arco à altura desse tempo.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraO título clichê nem ajuda, mas nem se atente a isso, porque o negócio deu pra entreter bem. Fazia tempo que não tinha essa sensação de ainda lembrar ou comentar das cenas depois que o filme acaba no cinema, ainda mais se tratando de terror basicão, né. Fui com baixa expectiva e me surpreendi com a maneira meio disruptiva, meio "incerta" e "tensa" que o filme te deixa, sem ser pedante aos sustos e apostando no imprevisível. Melhor cena final de todas. Valeu a pena.
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraÉ formalmente bem construído, com uma direção segura e um desempenho notável de Jesuíta Barbosa, que compreende não apenas os gestos, mas os silêncios e nuances de Ney Matogrosso. A reconstituição de época e o cuidado estético chamam atenção (talvez isso seja o principal acerto), mas o filme por vezes escorrega na tentativa de amplificar conflitos que não se sustentam dramaticamente, sobretudo na relação com o pai. Ou então quando há uma sensação de algo forçado e não tão natural em certos diálogos. Ainda assim, é um retrato relevante, que opta por uma abordagem menos linear e mais sensorial, o que o distancia do comum das biografias convencionais.
Acompanhante Perfeita
3.4 571 Assista AgoraSó fiquei imaginando o tempo todo que esse filme poderia tranquilamente ser um episódio muito ruim de alguma temporada muito ruim do Black Mirror.
Mickey 17
3.4 528 Assista AgoraÉ aquele tipo de sci-fi que parece estar rindo da própria tragédia enquanto pergunta, com uma cara séria: “e se você pudesse ser substituído toda vez que morresse… continuaria sendo você?”. É esquisito, divertido e meio angustiante — como olhar no espelho e ver uma versão sua que você ainda não conhece, mas que te encara de volta mesmo assim.
Robô Selvagem
4.3 564É um filme sobre escuta, sobre observar o mundo com curiosidade e respeito, e sobre encontrar afeto nos lugares mais improváveis. Tudo é contado com uma leveza que não subestima ninguém, nem criança nem adulto. E o mais bonito é que, no meio da floresta, entre silêncios e olhares, a história fala sobre humanidade — justamente por meio de alguém que não é humano.
Era Uma Vez um Gênio
3.5 177 Assista AgoraAcho que é raro encontrar um filme que pareça uma conversa delicada entre o passado e o presente, mas também entre dois desconhecidos que, de algum jeito, se entendem. Os diálogos aqui são quase como se fossem confissões embaladas em mitologia. E o que embala tudo isso é a fotografia e os cenários: palácios antigos, desertos vibrantes, épocas distantes que mais parecem lembranças vivas. É uma fantasia feita de palavras e silêncios, que fala muito mais sobre solidão, desejo e humanidade do que sobre magia. E talvez essa seja a parte mais mágica de todas.
Animais Noturnos
4.0 2,2K Assista AgoraNão é só sobre vingança ou arrependimento, é sobre aquelas feridas que nunca fecham direito e que, de repente, começam a arder de novo. Tudo parece meticulosamente belo, mas por trás dessa beleza tem algo quebrado, algo que incomoda, como um quadro torto que ninguém conserta. No fim, a sensação não é de alívio nem de entendimento total, mas de um vazio estranho, como se você tivesse perdido algo que nem sabia que era seu.
Aqui
3.3 135 Assista AgoraEu gostei, a passagem do tempo me tocou muito. A gente pensa nas vidas que se cruzam e nos rastros invisíveis que deixamos nos lugares por onde passamos. Cada cena carrega um tipo de nostalgia difícil de explicar, como se estivéssemos vendo nossa própria história se desenrolar em pedaços espalhados pelo passado, presente e futuro. No fim, fica aquela sensação agridoce de que tudo muda, mas, de alguma forma, nada se perde de verdade.
Os Rejeitados
4.0 475 Assista AgoraPaul Giamatti é completamente subestimado. Já devia ter uma coleção de prêmios em casa. O cara tem uma habilidade única de dar alma a personagens complexos e imperfeitos, e o jeito que ele se conecta com os outros é como se estivéssemos vendo uma dança silenciosa entre o desgosto e a necessidade de afeto. A ambientação nos anos 1970 é uma cápsula do tempo tão bem feita que quase dá pra sentir o cheiro do inverno lá dentro. O filme não tem pressa, e isso é um alívio, porque ele te faz querer ficar lá, observando as pequenas transformações dos personagens, sem pressa de escapar. Uma verdadeira lição de como fazer com que a solidão seja tão reconfortante quanto desconfortável.
Aftersun
4.0 795Sabe como é como ver um álbum de fotos antigo onde tu reconhece as imagens, mas sempre encontra algo novo nelas? Essa foi a sensação. A relação entre pai e filha se desenha nos detalhes, nos silêncios, nos sorrisos que escondem mais do que revelam. Paul Mescal não precisa de grandes cenas para te fazer sentir tudo. É no olhar perdido, no meio sorriso contido, que a melancolia se instala sem aviso. A direção do filme nem força nada, ela te coloca dentro das memórias como quem entra no mar devagar, deixando a maré levar. E quando o filme acaba, ele não sai de você. Fica ali, como aquela música que toca ao fundo de um momento especial e que, de repente, nunca mais soa do mesmo jeito.
Conclave
3.9 831 Assista AgoraSenti como se fosse um jogo de xadrez jogado no silêncio, onde cada olhar pesa mais que mil palavras e cada gesto pode mudar tudo. O filme tem uma elegância sombria (quase monástica mesmo), que te puxa pra dentro do Vaticano e te faz sentir o peso da tradição, da política e dos segredos ocultos sob as vestes vermelhas dos cardeais. É um suspense político feito com classe, sem precisar de exageros ou reviravoltas forçadas, acertando ao mostrar o peso das tradições e das alianças ocultas, deixando quem assiste quase vidrado em cada pequeno detalhe. Simples, sofisticado e envolvente do começo ao fim.
Nosferatu
3.6 947 Assista AgoraGostei, não é algo espetacular, mas tem tudo pra ser referência por muitos anos. Achei bem artístico principalmente na retratação do época, toda aquela ambientação gótica do século XIX é genial, além da história ter um ritmo mais contemplativo, que quase se assemelha à experiência de ler um livro: lento, denso e cheio de nuances. Talvez essa característica possa afastar espectadores que esperam algo mais dinâmico, mas é um ponto forte para quem aprecia uma narrativa mais profunda. Willem Dafoe é genial, já sei que rouba a cena em qualquer filme do Eggers mesmo.
O Auto da Compadecida 2
3.0 447 Assista AgoraO filme não é bom. O que está gerando empatia talvez seja mais pelo saudosismo e pela consideração do primeiro que é excelente e marcou uma época, sendo reconhecido até hoje como um dos melhores filmes brasileiros (pra mim também, inclusive). É massa ver de novo o João Grilo e Chicó, entretanto, mesmo assim, esse recurso não se sustenta por muito tempo, uma vez que o ideal seria trazer algo inovador para a trama, podendo se tornar até "memorável". O roteiro dele em si é muito conveniente e apegado à conclusões fáceis ou já usadas, transparecendo em muitas vezes ser clichê, fora a ambientação artificial dos cenários que deu um ar muito caricato, o que me desestimulou pessoalmente em acompanhar a história em vários momentos.
A Primeira Profecia
3.4 409 Assista AgoraUma surpresa genuína, ou talvez acho que é assim que um prequel deveria ser, funcionando muito bem, quer você tenha visto os outros filmes ou não. Pega aquela sensação de profundidade de um terror inteligente e bem feito que não depende de sustos ou truques cansados. Tá na minha lista de melhores do ano.
Halloween Ends
2.4 563 Assista AgoraDecepcionante, dado que os filmes mais recentes tiveram uma base em um contexto muito moderno. Ponto de ruptura por tramas de má qualidade, personagens confusos e uma falta geral de foco.
Sorria
3.1 958 Assista AgoraO filme não é ruim, achei a premissa até boa. Além disso, fizeram uma metáfora sobre trauma e questões psicológicas não tratadas/superadas. Só tem um porém, eu acho que não entregou a resposta da protagonista para a descoberta dela:
A Rose consegue relacionar os suicídios e demais casos com a "maldição", ela vai atrás, investiga, descobre e depois não faz muita coisa além disso. Então, meio que não dá em nada essa descoberta, já que ela não cria um plano mais rebuscado para quebrar a maldição.
Pearl
3.9 1,2K Assista AgoraDefinitivamente Mia Goth se tornou uma das minhas atrizes favoritas depois desse filme. É sério isso. Ao tornar a personagem central o foco da narrativa desde os primeiros instantes, passamos a ver o mundo pelo seu olhar e a dividir suas frustrações e esperanças. Porém é mais que uma vítima ou antagonista, há uma construção de uma pessoa mentalmente perturbada, sem lugar no mundo e que concilia uma inocência infantil com um outro lado violento e delirante. O longa também brinca com a estética pueril e melodramática dos cinema americano dos anos 50 de maneira inspirada, desde os créditos entoados por uma trilha suntuosa com letreiros até as expressões que ela faz. Genial.
A cena dela sorrindo com os créditos passando! MEU DEUS
X: A Marca da Morte
3.4 1,3K Assista AgoraEsperava algo mais na narrativa até pelo estúdio A24, como também pela atuação da Mia Goth (que a conheci depois de assistir o filme Suspiria), porém gosto das referências a clássicos do terror, como a câmera acompanhando o machado enquanto o objeto corta a porta. No entanto, o mais marcante no filme talvez seja o comentário sobre supostas “purezas comportamentais”. Exemplo visual e que serve à narrativa: logo no início, a turma sai de um canto no meio do nada e que representa o retrocesso, mas o redor desse local é cercado de fábricas, indicando o progresso econômico que ocorria na época, à margem.
Agora vô tentar assistir Pearl.
O Telefone Preto
3.5 1,2K Assista AgoraÉ um filme que podia ter tido mais meia hora pra explicar certas coisas que ficaram corridas, mas no geral, mesmo tendo alguns clichês, o filme dá momentos de tensão. Assisti sem esperar muita coisa, única crítica é que poderia ter tido mais uns 20 minutos pra explicar a parte mais sobrenatural.
Não sei se isso é considerado spoiler, mas, enfim:
Ótima escolha da música do Pink Floyd, hahaha