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Últimas opiniões enviadas

  • M. Domenes

    A ideia é sensacional, mas a execução é um desastre. Faltou profissionais em todas as esferas dessa produção: roteiro, direção, edição, fotografia, cinegrafista.

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  • M. Domenes

    É um grande desafio aos diretores que se propõem adaptar qualquer obra de H.P Lovecraft. Pois ao contrário dos autores "contemporâneos" como Stephen King, por exemplo, por mais que exista um contraponto entre a obra literária e o resultado final de uma releitura da obra apresentada em um longa-metragem. Ainda assim, existe um terreno seguro aonde o diretor pode se apoiar. Esse ponto seguro se baseia em enredos contemporâneos, contextos e ambientes inseridos na realidade atual, atmosfera familiar, dramas humanos, lugares e medos comuns a nossa humanidade. Pontos cruciais aonde a trama/suspense/ terror pode se desenvolver e se torna de fácil transmutação para o diretor desenvolver seu filme baseado na obra.

    Até mesmo escritores mais clássicos como Edgar Allan Poe (Gato Preto) , H.G Wells (Guerra dos Mundos), Bram Stoker (Drácula), Mary Shelley (Frankenstein), Henry James (Os inocentes), Ira Levin (O Bebê de Rosemary), William Peter Blatty (O Exorcista), Jay Anson (Horror em Amityville), Clive Barker (Hellraiser), Robert Bloch (Psicose) são facilmente adaptáveis pois o que sustenta a coluna vertebral de sua trama literária são dramas humanos: amor perdido, exclusão social, maternidade, consciência perdida, busca por prazeres, família destruída, preservação da espécie, superstições e preconceitos, medo do desconhecido e repulsa ao estranho e diferente, insanidade e todas as questões freudianas possíveis.

    No entanto, H.P Lovecraft é um grande desafio, pois é um contra-ponto diante de tudo aquilo que nos trás uma conexão humana com nossos dramas cotidianos e cíclicos em nossa história. Toda beleza da obra de Lovecraft, toda sua magnitude, esplendor, fantástico, cósmico e surreal de sua obra se expressa justamente na experiência e imersão da própria leitura e o universo mitológico que a compõem.
    Foram poucos diretores que tiveram uma “inspiração a altura” tornando o resultado final significativo, mesmo sendo completamente diferente a obra literária original. Pois de fato é isso. Não existe um filme completamente fiel a obra literária. Assistir um filme baseado em um livro esperando essa fidelidade é uma injustiça com o escritor e com o diretor. O escritor tem como palco a imaginação do leitor para criar a sua ilusão. Para que essa ilusão seja aceita ele desenvolve com um minimalismo extremamente convincente cada aspecto de sua história: o ambiente, os personagens e suas personalidades, suas experiências e tudo que faz com que nós, os leitores, compor cada mínimo aspecto realista daquela ficção.

    Já o diretor não tem somente a escrita em suas mãos (o roteiro) para contar uma história. Ele tem que coordenar todas as formas de expressão para compor uma narrativa: fotografia, música, sonoplastia, artes visuais, teatro, semiótica, iluminação e figurino. Por essa razão, nunca comparo uma obra literária com um longa-metragem. O escritor visualizou sua vida e seus conflitos para escrever. Essa é sua fonte de inspiração e nunca poderemos questiona-lo se foi fiel a ela ou não. Mesmo que pudemos, teríamos uma visão diferente, pois toda verdade que obtemos de uma observação se baseia nas experiências que carregamos como conhecimento para julgar aquilo que vemos.

    Com o diretor da mesma forma. O filme é o resultado final de um longo trabalho de coordenação de todos os meios artísticos de expressões citados. O filme que assistimos não é uma transmutação da obra-literária em imagens e sons. Mas sim uma visão do diretor sobre a obra literária somado a todas as referências e conhecimentos que ele possui como profissional e ser humano. Podemos ver isso com muita clareza com o filme O iluminado de Stanley Kubrick, inspirado na obra de mesmo título do escritor Stephen King. O filme é aclamado por crítica e público e na minha apreciação pessoal, a obra mestre de Kubrick. No entanto na época King odiou o versão de Kubrick. Que de fato é bem diferente da obra literária. Mas não deixa de ser um grande filme, pois Kubrick captou o “espírito da coisa”.

    É claro que existem versões filmes baseados em obra literária que são um desastre. E nisso não podemos não podemos afirmar que o desastre é resultado da falta de fidelidade a obra literária, pois seria impossível. São mídias diferentes. Mas podemos colocar a culpa na incompetência técnica, na direção e até nos produtores executivos que dão sempre um pitaco no filme, pois estão investindo dinheiro.
    No caso dos filmes inspirados na obra literária de H.P Lovecraft, os fatores anteriores são bem possíveis, mas a complexidade de sua obra ainda assim é um grande fator central nas adaptações. Admirador da obra de Lovecraft que sou, sempre me permito assistir filmes inspirados em seu universo cósmico. Confesso que ao longo dos meus 30 anos assistindo filmes, raras vezes vi uma adaptação cinematográfica que honre a essência do escritor ou tenha uma percepção de muito bom-senso de sua obra.

    A produção mais fidedigna ao universo lovecraftiano que assisti tem como feitor um diretor latino, José Luis Alemán. São dois filmes que se complementam: “La Herencia Valdemar (O Legado Valdemar – 2010)” e “La Herencia Valdemar II: La Sombra Prohibida (O Legado Valdemar II: A Sombra Proibida 2011)”. Incrivelmente recentes, mas ambos são extremamente competentes em sua narrativa e composição da atmosférica tétrica e inebriante do universo do escritor. Captando com sabedoria sua essência na descrição do horror diante do desconhecido e inominável de suas obras.

    Digo isso, pois tenho alguns filmes no coração ao longo dos anos que são baseados na obra de Lovecraft. Alguns toscos, outros cômicos e poucos que deram um interessante olhar a obra, mas acima de tudo, tiveram uma importância de alguma forma. Citarei só os realmente relevantes, como o clássico “Re-Animator (1985)” do Stuart Gordon. Gordon soube misturar horror, suspense, humor e sex exploitation ao filme, sem deixar desmerecer Lovecraft, mas deixando a sua assinatura inconfundível como diretor. Considero crucial do mesmo diretor "From Beyond (1985)" e "Dagon (2001)", porém sem muito “glamour”. Se é que “glamour” se encaixa com os filmes B. E por último, mas não menos importante, “Necronomicon - O Livro Proibido dos Mortos (1993)” do diretor Brian Yuzna.

    E aqui chegamos ao “Color Out of Space (A Cor que Caiu do Espaço - 2020)”. Fiz toda essa introdução não apenas para validar minha crítica, mas para explicitar a diferença entre obra literária e adaptação cinematográfica. Que não existe uma fidelidade literária em adaptação cinematográfica. O filme é o equilíbrio de várias expressões artísticas, mas principalmente a inspiração e percepção do diretor diante da obra do escritor. Tendo H.P Lovecraft como um dos mais difíceis escritores nessa tarefa. Por essa razão considero um grande desafio de qualquer diretor adaptar uma obra de Lovecraft.

    E pelo que percebi o diretor Richard Stanley escolheu uma das histórias mais difíceis do escritor “A Cor que Caiu do Espaço”. Digo difícil, não no quesito de se captar inspiração, mas de realmente expressar com o mesmo paralelo tétrico algo que é quase indescritível. Outra história que considero um grande desafio é “A música de Erich Zann”. Ao ler o conto você entende o encantamento músico pelas notas e canção que o aprisiona em um ciclo de contemplação naquilo que ele mesmo compõe. Ao mesmo tempo, durante a leitura do conto, pensamos como é o som daquelas notas, como é a melodia daquela canção. Pois o autor escreve com uma perspicácia indescritível a sensação de um som que não estamos ouvindo. A mesma sensação se tem com o conto “A Cor que Caiu do Espaço”. Durante a leitura ficamos deslumbrados como a ideia de uma cor jamais vista e os seres descritíveis e antigos que se manifestam com a exuberância espectral dessas cores, somado ao horror e loucura que os personagens são tomados.

    Trazer essa história para os dias atuais, ao meu ver, foi uma tentativa do diretor de nos colocar no mesmo contexto. Mas os personagens são tão rasos e com frustrações cotidianamente banais que acabaram tornando solúvel a experiência do horror sobre o desconhecido. Algo que nesse quesito deveria ser uma experiência mais intensa e imersiva. Ainda mais por estarmos diante de uma obra de Lovecraft. O personagem Ward Phillips, incumbido de trazer a narrativa consigo, criar a atmosfera investigativa e ao mesmo tempo alimentar a trama com a incógnita de suas descobertas, teve uma apresentação completamente nula na história. Se o seu personagem fosse mais trabalhado o desfecho da história seria mais denso e imersivo.

    Ward Phillips é um epidemiologista que veio até a zona rural da Nova Inglaterra para pesquisar sobre a qualidade da água aos cuidados da empresa de saneamento. Ward Phillips é um dos pseudônimos do escritor Howard Phillips Lovecraft. O filme se inicia com a voz do personagem Ward, interpretado pelo ator Elliot Knight, citando Lovecraft. Como também termina com Ward, citando Lovecraft. Da mesma forma que o personagem “abriu” a narrativa, “fechou” sem fazer a menor diferença. E claro, temos Nicolas Cage, sendo Nicolas Cage. Por mais que nos créditos diga que o personagem interpretado por ele seja Nathan Gardner, vemos apenas Nicolas Cage “despirocando” como Nicolas Cage: louco, insano, exagerado e cheio de piras. Faz muito tempo que Nicolas Cage segue o modo Charles-Bronson-Fim-de-Carreira em sua interpretação. Os personagens dados a ele tem que casar com sua loucura pessoal como foi o caso de “Mandy: Sede de Vingança” (2018) do diretor Panos Cosmatos. O filme é bom? Ainda estou processando essa resposta...
    “Color Out of Space” é um filme que se assiste uma única vez. Não é o pior filme baseado na obra de Lovecraft. Já me deparei com alguns que incitaram sono e tédio em minha tentativa de assisti-los. “Color Out of Space” provavelmente será um “Sinais” com Mel Gibson que passará muito na sessão da tarde. Tentou ser uma obra com referências a Lovecraft. Falhou miseravelmente. Mas é uma diversão para quem não espera muito do filme. E na terceira parte do filme tem uma mutação genética entre humanos que vale a pena.

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  • Lu Souza
    Lu Souza

    Seja bem-vindo! :)

  • isa
    isa

    tu também, josefel, bem vindo aqui :)

  • Priscila Da Selva
    Priscila Da Selva

    Obrigada por adicionar. Também dei um bisbilhotada em teu perfil, e não achei ruim não. Se bem que se fosse ruim, também sério algo positivo, é bom ter contato com aquilo que não gostamos também. rs Tenha um bom dia. Cheiro!

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