Podem até reclamar da aparente aleatoriedade do modo como o roteiro lida com seus sub-arcos dramáticos, mas creio que seja uma boa representação de como o nosso cotidiano funciona. Quanto à parte fantasiosa, é uma ótima analogia ao nosso desespero pelo "amor" à primeira vista e como deixamos de lado a importância de trabalhar para manter esse amor; nesse caso, o fato do ator que faz o homem e da performance de voz do cachorro serem diferentes acho que executa essa lógica muito bem.
Uma boa discussão sobre a falta de habilidade social e de comunicação que o avanço na tecnologia trouxe para a sociedade, com as pessoas cada vez mais presas em suas bolhas, mas essa parte boa é essencialmente engolida pela overdose de sentimentalismo que faz o filme parecer mais uma novela sci-fi do que uma obra inteligente. A Amy Adams está boa, como sempre; Jeremy Renner está ruim, como sempre; Villeneuve traz algumas desprendas interessantes da relação imagem-som, mas não consegue regular a perigosa glorificação do globalismo no roteiro.
Funciona muito mais como comédia de costumes do que como criador de tensão ou de analogias político-históricas. A pegada mais realista do primeiro ato, mostrando o preconceito inerte em todos nós, é muito boa: Jordan Peele consegue extrair um humor muito único e revelador das situações relacionadas à apropriação cultural tipicamente americana e sobra até uma cena ou outra sobre superproteção contra terrorismo. É uma pena que o filme acabe caindo pra umas construções de gênero muito típicas ao terror e ao pastelão, perdendo sua originalidade.
Pura idolatria auto-indulgente cega ao "american way of life"; um escapismo extremo, até perigoso, eu diria. Pinta os céus de Los Angeles de roxo e a população de branco em suas tentativas de criar uma dimensão paralela à realidade, onde o maior pesadelo das pessoas é falhar no seu teste de audição para um blockbuster multimilionário. Acho que a cena da festa, com sua câmera descontrolada, ilustra isso muito bem: é um vai-e-vem tão frenético (sai da piscina, entra na piscina, começa a girar) que o espectador é obrigado a sentir a pseudo-energia e alegria de uma festa burguesa.
Bons efeitos práticos não compensam a história insossa e os elementos de crítica (hoje em dia) breguíssimos, quem ouve falar todo dia que a água potável vai acabar levanta a mão. Até toma algumas decisões interessantes com relação ao retrato das mulheres como força renovadora da nova geração, mas até isso acaba soando um pouco forçado; o feminismo, no caso, vem mais como uma tentativa de atualizar a franquia para a modernidade do que como algo intrínseco à narrativa mesmo.
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Empire
3.2 3Excelente ensaio sobre a polarização de um cinema puramente mundano, superficial, quase cru.
Love on a Leash
3.2 2Podem até reclamar da aparente aleatoriedade do modo como o roteiro lida com seus sub-arcos dramáticos, mas creio que seja uma boa representação de como o nosso cotidiano funciona. Quanto à parte fantasiosa, é uma ótima analogia ao nosso desespero pelo "amor" à primeira vista e como deixamos de lado a importância de trabalhar para manter esse amor; nesse caso, o fato do ator que faz o homem e da performance de voz do cachorro serem diferentes acho que executa essa lógica muito bem.
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraUma boa discussão sobre a falta de habilidade social e de comunicação que o avanço na tecnologia trouxe para a sociedade, com as pessoas cada vez mais presas em suas bolhas, mas essa parte boa é essencialmente engolida pela overdose de sentimentalismo que faz o filme parecer mais uma novela sci-fi do que uma obra inteligente. A Amy Adams está boa, como sempre; Jeremy Renner está ruim, como sempre; Villeneuve traz algumas desprendas interessantes da relação imagem-som, mas não consegue regular a perigosa glorificação do globalismo no roteiro.
Star Wars, Episódio VII: O Despertar da Força
4.3 3,1KAcaba funcionando perfeitamente como um exemplo de como as corporações norte-americanas da indústria do entretenimento funcionam.
Corra!
4.2 3,7K Assista AgoraFunciona muito mais como comédia de costumes do que como criador de tensão ou de analogias político-históricas. A pegada mais realista do primeiro ato, mostrando o preconceito inerte em todos nós, é muito boa: Jordan Peele consegue extrair um humor muito único e revelador das situações relacionadas à apropriação cultural tipicamente americana e sobra até uma cena ou outra sobre superproteção contra terrorismo. É uma pena que o filme acabe caindo pra umas construções de gênero muito típicas ao terror e ao pastelão, perdendo sua originalidade.
La La Land: Cantando Estações
4.1 3,6K Assista AgoraPura idolatria auto-indulgente cega ao "american way of life"; um escapismo extremo, até perigoso, eu diria. Pinta os céus de Los Angeles de roxo e a população de branco em suas tentativas de criar uma dimensão paralela à realidade, onde o maior pesadelo das pessoas é falhar no seu teste de audição para um blockbuster multimilionário. Acho que a cena da festa, com sua câmera descontrolada, ilustra isso muito bem: é um vai-e-vem tão frenético (sai da piscina, entra na piscina, começa a girar) que o espectador é obrigado a sentir a pseudo-energia e alegria de uma festa burguesa.
Mad Max: Estrada da Fúria
4.2 4,7K Assista AgoraBons efeitos práticos não compensam a história insossa e os elementos de crítica (hoje em dia) breguíssimos, quem ouve falar todo dia que a água potável vai acabar levanta a mão. Até toma algumas decisões interessantes com relação ao retrato das mulheres como força renovadora da nova geração, mas até isso acaba soando um pouco forçado; o feminismo, no caso, vem mais como uma tentativa de atualizar a franquia para a modernidade do que como algo intrínseco à narrativa mesmo.