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25 years, cabo de santo agostinho (BRA)
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Últimas opiniões enviadas

  • Felipe André

    Em meados de 1999 Paul Thomas Anderson lançava Magnólia, uma homenagem virtuosa e pouco modesta ao cinema de Robert Altman, e o crítico Pablo Villaça escrevia sua afamada análise do filme. Indo desde uma crítica discreta sobre o peso das atuações até uma paranoia conspiratoria sobre o uso de signos através da narrativa, o texto de Villaça se tornou muito famoso por ser base para a iniciação cinéfila de muita gente -inclusive da minha, confesso- mas também por ser, numa segunda leitura, um ótimo exemplo de como o cinema de PTA, muito claramente pensado para ser um experimento cinemático/sensorial virtuoso, se torna prato cheio para a paranoia superanalítica de certa porção da crítica. Qual a função das artes coloridas, o quê significavam os sapos, ou porquê Daniel Plainview disse aquelas palavras naquela cena final, são muito bons exemplos de questionamentos que fermentam vigorosamente as expectativas dessa crítica investigativa, que não consegue conceber um cinema diferente daquele com três atos e arcos dramáticos delineados, e ao se deparar com isso só consegue estranhar ou entender como digressão artística. Obviamente não pensaria que Vício Inerente existe pura e simplesmente para minar e se divertir com as expectativas daqueles que planejavam esse tipo de leitura, mas além de ser um filme delicioso e trazer um frescor perfumado de maconha para a filmografia de Anderson, ele está visivelmente esmerado em não se deixar encaixotar ou rotular, e consegue sem maiores esforços.
    O sucesso da empreitada deve muito ao material original, é claro. Pynchon nunca teve um trabalho transcrito para as telas por cair na categoria dos “inadaptáveis”, os famosos livros tão embuídos de vigor literário que desafiam a capacidade dos roteiristas que tentam objetivá-los num padrão cinematográfico. A maneira saudável como Anderson faz o texto de Pynchon encontrar seu lugar na tela me remeteu muito àquilo que Luiz Fernando Carvalho fez com o Lavoura Arcaica de Raduan Nassar, outro livro tido como impossível de adaptar, e que virou um grande título do cinema brasileiro contemporâneo justamente pela coragem que o diretor teve de ser fiel às palavras já bastante pomposas deixadas pelo autor do material original. Vício Inerente, o livro, é um volume modesto com menos de 400 páginas, mas que abarca uma quantidade tão exasperante de acontecimentos enevoados pela constante letargia do protagonista Doc Sportello, nomes esdrúxulos como Shasta Fay Hepworth e Japonica Fenway, violência explosiva e conspirações afins. De fato um material algo complicado de se transcrever em filme mas, muito lucidamente, Anderson não tenta modelar a confusão e as saídas falsas de Pynchon em algo palatável. Pelo contrário, Vício Inerente, o filme, é uma mistura de neo-noir com conto de máfia onde ninguém diz ou faz algo efetivamente relevante.
    (...)
    http://pipocracia.blogspot.com.br/2015/04/vicioinerente.html

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  • Felipe André

    (...)São desejos destrutivos de menosprezar o amor do marido e a lealdade dos amigos, é a perda dos pequenos prazeres da vida, como um almoço com os filhos, mas também a compreensão de que esta não é uma sensação permanente, e que as alegrias ainda podem ser compartilhadas, nos melhores momentos; e acima de tudo isso, é especialmente um peso no olhar, que vem das tantas fadigas físicas que a doença causa, e que vão suprimindo a vontade de viver. Muito haveria para se falar sobre as questões humanistas do trabalho dos Dardenne, que a cada filme se tornam mais expositivas, e que talvez por isso tenham começado a perder sua magia para dar lugar a um didatismo descabido; mas me parece muito mais interessante se manter atento à pessoa de Sandra, ao seu caminhar, às suas ligações aflitas no telefone, e em como ela segue, em direção ao horizonte pronta para viver mais, e melhor.
    http://www.pipocracia.blogspot.com.br/2015/02/doisdias.html

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  • Felipe André

    Ao fugir da inabalável sobriedade -e porquê não dizer industrialização- que norteavam seu cinema desde inícios da carreira, Fincher cria o objeto mais estranho, camp, cheio de classe, e deliciosamente demente que uma tela viu nos últimos anos; provavelmente desde que Herzog chocou a crítica, e alguma parcela do público, com o absurdo que era sua releitura do Vício Frenético de Abel Ferrara. A cada novo enquadramento que isola e evidencia um ator, como fosse ele uma peça neste grande jogo de gato e rato, percebe-se como o rosto, dentro do filme, e principalmente dentro do filme de Fincher é por si só, a maior bandeira da perpétua falta de balanço que existe numa relação humana. Existir como imagem é estar pronto para autodestruir-se.(...)
    http://pipocracia.com/critica-garota-exemplar/

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