Quantos espectros nos perseguem ao longo de nossas vidas. A paixão de Philippe Garrel transparece em cada plano filmado. As sombras e as luzes constituem uma homenagem aos melhores anos da Nouvelle Vague. Existem filmes que transcendem a simples condição de obras à espera de serem vistas; tornam-se verdadeiras cápsulas do tempo, ocultando segredos, seus, meus, nossos. Assim como Carole menciona, quando estamos apaixonados, tornamo-nos um só com a pessoa amada, mas, ao término de tudo, desvanecemos tão facilmente quanto uma bolha de sabão. Um parte e o outro permanece a chorar. Assim é também a nossa relação com a arte.
As metáforas são evidentes e impactantes. O trabalho é cavar incessantemente, buscando produzir algo, mas o buraco é cada vez maior. Como afirma o personagem entomologista Niki, magistralmente interpretado por Eiji Okada, cavar para viver, viver para cavar. Se pararmos, morremos de fome; se continuarmos, morremos de exaustão. Mais uma obra-prima de Hiroshi Teshigahara, que nos confronta com a fragilidade de um sistema que já nasceu condenado ao fracasso.
O filme narra a história de um homem que, após perder o rosto em um acidente, teme pelo fim de seu casamento e decide procurar um audacioso cirurgião, que recentemente desenvolveu um método de transplante facial. O novo rosto revela a profunda verdade de que somos essencialmente um vazio, uma coleção de experiências que nos proporciona a ilusão de um eu. Como disse Buda, somos mudos cujas máscaras circulam incessantemente. Acreditamos em tudo o que vemos no espelho, mas quem somos de fato? O que determina cada passo que damos? Pode uma identidade realmente impedir um homem de adotar atitudes deploráveis?
Este filme levanta muitas perguntas e desafia nossas máscaras a tentar desvendar as respostas. O eu que defendemos tão fervorosamente pode desmoronar com a mesma facilidade de um golpe na cabeça que nos faz perder todas as memórias. Contudo, as máscaras nem sempre conseguem enganar. O filme sugere que um olhar mais apurado pode perceber nuances sutis, como um cheiro, um trejeito, ou até mesmo um olhar único.
Os olhares cortantes como lâminas, carregados de ódio e preconceito, dilaceram o personagem Ali, interpretado com maestria pelo ator marroquino El Hedi ben Salem. Observamos que, mesmo trinta anos após a queda do nazismo, a Alemanha ainda sofria com as sequelas do ódio. Surge um sentimento inevitável de querer proteger o casal, uma proteção que já existe intrinsecamente em sua própria vontade de se resguardarem. O silêncio, a música marroquina e a dança expressam o desejo de se sentir em casa. Este filme é arrebatador, e torna-se ainda mais impactante ao descobrirmos que os sofrimentos de Ali na tela refletem os tormentos reais vividos pelo ator, culminando em seu trágico desfecho.
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A Fronteira da Alvorada
3.5 91Quantos espectros nos perseguem ao longo de nossas vidas. A paixão de Philippe Garrel transparece em cada plano filmado. As sombras e as luzes constituem uma homenagem aos melhores anos da Nouvelle Vague. Existem filmes que transcendem a simples condição de obras à espera de serem vistas; tornam-se verdadeiras cápsulas do tempo, ocultando segredos, seus, meus, nossos. Assim como Carole menciona, quando estamos apaixonados, tornamo-nos um só com a pessoa amada, mas, ao término de tudo, desvanecemos tão facilmente quanto uma bolha de sabão. Um parte e o outro permanece a chorar. Assim é também a nossa relação com a arte.
A Mulher da Areia
4.4 104As metáforas são evidentes e impactantes. O trabalho é cavar incessantemente, buscando produzir algo, mas o buraco é cada vez maior. Como afirma o personagem entomologista Niki, magistralmente interpretado por Eiji Okada, cavar para viver, viver para cavar. Se pararmos, morremos de fome; se continuarmos, morremos de exaustão. Mais uma obra-prima de Hiroshi Teshigahara, que nos confronta com a fragilidade de um sistema que já nasceu condenado ao fracasso.
A Face do Outro
4.2 67O filme narra a história de um homem que, após perder o rosto em um acidente, teme pelo fim de seu casamento e decide procurar um audacioso cirurgião, que recentemente desenvolveu um método de transplante facial. O novo rosto revela a profunda verdade de que somos essencialmente um vazio, uma coleção de experiências que nos proporciona a ilusão de um eu. Como disse Buda, somos mudos cujas máscaras circulam incessantemente. Acreditamos em tudo o que vemos no espelho, mas quem somos de fato? O que determina cada passo que damos? Pode uma identidade realmente impedir um homem de adotar atitudes deploráveis?
Este filme levanta muitas perguntas e desafia nossas máscaras a tentar desvendar as respostas. O eu que defendemos tão fervorosamente pode desmoronar com a mesma facilidade de um golpe na cabeça que nos faz perder todas as memórias. Contudo, as máscaras nem sempre conseguem enganar. O filme sugere que um olhar mais apurado pode perceber nuances sutis, como um cheiro, um trejeito, ou até mesmo um olhar único.
O Medo Devora a Alma
4.3 116 Assista AgoraOs olhares cortantes como lâminas, carregados de ódio e preconceito, dilaceram o personagem Ali, interpretado com maestria pelo ator marroquino El Hedi ben Salem. Observamos que, mesmo trinta anos após a queda do nazismo, a Alemanha ainda sofria com as sequelas do ódio. Surge um sentimento inevitável de querer proteger o casal, uma proteção que já existe intrinsecamente em sua própria vontade de se resguardarem. O silêncio, a música marroquina e a dança expressam o desejo de se sentir em casa. Este filme é arrebatador, e torna-se ainda mais impactante ao descobrirmos que os sofrimentos de Ali na tela refletem os tormentos reais vividos pelo ator, culminando em seu trágico desfecho.