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Emmi, uma viúva de 60 anos entra em um bar de Munique para escapar da chuva.É convidada por Ali, um negro muçulmano e 20 anos mais novo que ela, para dançar.O que leva Emmi a convidar Ali para passar a noite em seu apartamento e depois os dois começam a namorar.Mas todos a sua volta questionam e desprezam o relacionamento de ambos.
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Obra prima alemã, o tema infelizmente ainda é atemporal, esses estigmas raciais ainda estão em voga no atual momento, Mas por incrível que pareça o tema solidão foi o que mais me tocou na obra, a solidão e invisibilidade social que já existia em Emmi na terceira idade, o preconceito da sociedade só empurra mais os protagonistas para um isolamento ainda maior, testando os limites do amor deles, essa dicotomia da não aceitação social e da solidão perceptível deles já como indivíduos é comovente e devastadora.
Temas tão atuais hoje em dia, racismo, xenofobia e etarismo são postos em tela nesta arrebatadora obra situada nos anos 70 de uma Alemanha Ocidental pós guerra e amplificada pela Tragédia de Munique em 1972, um atentado em plenas Olimpíadas promovido pelo grupo palestino (logo, árabe muçulmano) Setembro Negro. Também conhecido como 'O Medo Devora A Alma', este é, na verdade, um ditado marroquino que já conjectura a relação do casal protagonista: ela, Emmi (Brigitte Mira pungente), 60 anos, viúva alemã, ex-partidária do nazismo, e ele, Ali (El Hedi Ben Salem multifacetado), 40 anos, imigrante de Marrocos, em situação diária subumana. Solitários aos seus modos, eles se conhecem e se amam. Porém, como sempre, toda relação-tabu terá problemas. Ou seja, é possível o amor não trazer diversão e felicidade? A pergunta não importa pro prolífico diretor alemão, mas sim as várias respostas propositadamente não dadas.
Uma história bem atual, não envelheceu, ao olharmos para o recorte cultural de alguns contextos político-sociais contemporâneos. O pano de fundo do contexto europeu, ainda no período da Guerra Fria, é uma boa jogada na construção da narrativa, ainda mais no contexto alemão. Além disso, o enclausuramento intencional do casal em seu multiverso é interessante, pois recondiciona o foco de quem assiste para o preconceito institucional, percebido a todo instante; mas também, ao estreitar certos estigmas, como um casal com diferenças etárias, recombinou uma análise que escancara que a própria felicidade é condicionada a conformidades sociais específicas, no campo etário, na aceitação do seu meio social e na própria semelhança cultural.
Carai, que pedrada Fassbinder.
É muito cativante como a gente não sabe até onde vai a ingenuidade e onde começa a coragem na protagonista. A estrutura em duas partes da narrativa também funciona muito bem: primeiro, apresenta o problema de forma bem caricata, quase boa. Depois, faz uma guinada no andamento, com uma dose de surrealismo, e complexifica bastante o argumento, levantando várias questões novas.
Solidão, "um sentimento subjetivo e doloroso de desconexão, isolamento ou falta de pertencimento", e, ao mesmo tempo, "essência do ser humano, que vem ao mundo sozinho, atravessa a vida como um ser em separado e, no final, morre sozinho."🙄🙄🙄