Homem perde o rosto em um acidente e temendo o fim de seu casamento decide procurar um ousado cirurgião que acaba de inventar um método de transplante de rosto. O problema é encontrar alguém que doará sua face.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
"Tive vergonha de mim mesmo, quando percebi que a vida é um baile de máscaras, e participei com meu rosto verdadeiro" - Kafka
Interessante estudo social onde o protagonista testa seus limites enquanto esconde sua identidade.
Não chega a ser um filme de terror, mas o longa consegue criar um clima de suspense e, até um pouco macabro, fazendo a gente pensar que sempre tem algo a espreita. Há quase ausência de trilha sonora e isso reforça ainda mais o clima mórbido.
A trama acompanha um homem, o Sr. Okuyama, que tem o rosto desfigurado por um acidente e passa a usar uma máscara criada por um cirurgião. O novo rosto lhe permite circular anonimamente, mas também desencadeia uma crise de identidade e alienação. Tensionando e contrapropondo significados de liberdade. Aqui, o sujeito aparece como produto de um sistema que o fragmenta. A identidade é uma ficção necessária para sustentar a ilusão de coerência em um mundo impessoal. O rosto “novo” do protagonista é vazio e só ganha sentido a partir do olhar dos outros e das relações que ele tenta manipular. Esses temas aparecem como respostas a uma experiência coletiva de ruptura do sujeito moderno no Japão do pós-guerra. A derrota militar, a ocupação norte-americana e a rápida industrialização corroeram referências tradicionais e produziram um sentimento de deslocamento, uma crise do “eu” frente à modernidade técnica e às novas formas de controle social. O laboratório, as próteses, a linguagem médica e os espaços assépticos remetem a um mundo onde as emoções e os vínculos se tornam artificiais. Toda reificação é um esquecimento... Achei que no final eles iriam se beijar.
RIP Tatsuya Nakadai
Complexo, existencial e simbólico, uma obra marcante da Nouvelle Vague japonesa.
Esqueci de lançar a review desse 🥴
Assistido: 01/10/24.
O filme é complexo, confuso e possui duas histórias que, à primeira vista, não se conectam. No entanto, se prestarmos atenção, elas compartilham alguns elementos em comum. A fotografia é extremamente brilhante, especialmente quando brinca ao encaixar os personagens reais dentro de traços corporais e esqueletos no consultório da clínica.
A dissociação de Okuyama após receber sua nova "face" é totalmente compreensível, pois ele não se reconhece mais. Colocar o casamento à prova, num nível estilo teste de fidelidade do João Kléber, foi no mínimo bizarro. Os cortes secos da câmera, às vezes, me faziam pensar: "Ué, o que rolou?". O filme conseguiu me deixar confusa, e eu gosto disso.
Por fim, tive que buscar um entendimento mais profundo, já que, sendo um filme dos anos 60, retratava o período histórico em que o Japão se encontrava: mudanças, avanços tecnológicos e o medo de perder sua identidade cultural, para uma face obscura e desconhecida.
É interessante!