Poderia começar falando sobre a sinopse, sobre a câmera de Fernando Meirelles, a montagem... Mas, nada seria mais legítimo do que começar descrevendo sobre meu sentimento em relação ao filme, tudo que passou pela minha cabeça durante e após, minha sensação – afinal, é o que se espera do espectador, que ele sinta alguma coisa. Ensaio sobre a cegueira foi além de tudo, uma grande surpresa. Uma adaptação da obra de um dos mestres da literatura portuguesa José Saramago, que foi transformado em filme de forma poética e coerente, o que não é tarefa das mais simples visto que, outras obras de Saramago que foram adaptadas para o cinema não obtiveram sucesso, como é o caso de O homem duplicado, dirigido por Denis Villeneuve. Uma vez ouvi de um colega de classe que um dos diretores mais viscerais na opinião dele era Lars von Trier. Lembrei-me desse fato assim que Ensaio sobre a cegueira acabou, e eu me vi chocada, enojada, e intrigada com algumas cenas. Lembrei também, da “ficha corrida” de filmes do Meirelles e recordei a série Cidade dos Homens e Cidade de Deus, para mim, um dos diretores mais viscerais é o próprio. Visceral não no sentido violento e imundo da palavra, e sim na maneira como ele nos faz vivenciar cada cena, como se nós fossemos os próprios personagens, como se nos perguntássemos se saberíamos agir naquela situação. A sensação de propriedade do filme, de nos fazer vivenciar o que os personagens vivem e sentem, se dá de diversas maneiras. Os cortes com flash de luz forte ou branco estourado é muito presente, o que nos dá a mesma sensação de “cegueira branca” dos personagens. A própria ausência de luz em alguns momentos do filme, como por exemplo, quando Julianne Moore (esposa do médico), em busca de comida, entra em um depósito de supermercado . A ausência de luz e a qualidade do som faz com que o espectador procure a imagem, e apure a audição. Lendo algumas críticas referentes ao filme, um dos discursos mais presentes era em relação aos atores. De fato a atuação do filme deixou um pouco a desejar (exceto pela brilhante Julianne Moore que conduziu com maestria os picos extremos de emoções e sensações do filme, e quem sabe até a queridinha do Fernando Meirelles, Alice Braga). O fato é que muito além dos aspectos imagéticos, o filme tem um viés sociológico e nos trás a percepção do “se”. Se todos em minha volta ficassem cegos, o que eu faria? Se eu ficasse cega de uma hora pra outra? Se eu estivesse presa, sem comida, com centenas de pessoas que não conheço como eu reagiria? Se realmente a humanidade inteira ficasse a mercê dessa epidemia? Aos que não assistiram, vale a indicação.
Vi muitos comentários de "o filme não tinha mais fim", "achei paradão", "poucos diálogos" etc.. Ao contrário do que muita gente sentiu, pra mim, o filme acabou rápido de mais, e teve diálogos o suficiente! Conheço pouco o trabalho do Cao porém, vi nesse trabalho, muito dos filmes de Marcelo Gomes e como sempre, me toca ao coração. Mania essa de querermos ignorar, repudiar a solidão. Falamos com estranhamento e distância enquanto vivemos o nosso oba-oba de cada dia. Um filme tão simples e ao mesmo tempo tão completo quando se trata desse assunto que ninguém quer falar, e ninguém quer sentir.
Achei que a atuação deixou muuuuuuuuito a desejar! Por mais que o roteiro seja bom, a fotografia lindíssima, se não tem atores de verdade, fode todo o material. Tive pena do diretor de arte também... A conversão em PB do filme fez todo o trabalho dele NÃO valer a pena!
Fiquei impressionada em saber que o roteirista e diretor é o ator principal, Xavier Dolan. Tão jovem e já tem uma relação tão profunda com o cinema. Esse filme é intenso do começo ao fim
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Amor, Plástico e Barulho
3.5 80Esse filme é SENSACIONAL!
Ensaio Sobre a Cegueira
4.0 2,5KPoderia começar falando sobre a sinopse, sobre a câmera de Fernando Meirelles, a montagem... Mas, nada seria mais legítimo do que começar descrevendo sobre meu sentimento em relação ao filme, tudo que passou pela minha cabeça durante e após, minha sensação – afinal, é o que se espera do espectador, que ele sinta alguma coisa.
Ensaio sobre a cegueira foi além de tudo, uma grande surpresa. Uma adaptação da obra de um dos mestres da literatura portuguesa José Saramago, que foi transformado em filme de forma poética e coerente, o que não é tarefa das mais simples visto que, outras obras de Saramago que foram adaptadas para o cinema não obtiveram sucesso, como é o caso de O homem duplicado, dirigido por Denis Villeneuve.
Uma vez ouvi de um colega de classe que um dos diretores mais viscerais na opinião dele era Lars von Trier. Lembrei-me desse fato assim que Ensaio sobre a cegueira acabou, e eu me vi chocada, enojada, e intrigada com algumas cenas. Lembrei também, da “ficha corrida” de filmes do Meirelles e recordei a série Cidade dos Homens e Cidade de Deus, para mim, um dos diretores mais viscerais é o próprio. Visceral não no sentido violento e imundo da palavra, e sim na maneira como ele nos faz vivenciar cada cena, como se nós fossemos os próprios personagens, como se nos perguntássemos se saberíamos agir naquela situação.
A sensação de propriedade do filme, de nos fazer vivenciar o que os personagens vivem e sentem, se dá de diversas maneiras. Os cortes com flash de luz forte ou branco estourado é muito presente, o que nos dá a mesma sensação de “cegueira branca” dos personagens. A própria ausência de luz em alguns momentos do filme, como por exemplo, quando Julianne Moore (esposa do médico), em busca de comida, entra em um depósito de supermercado . A ausência de luz e a qualidade do som faz com que o espectador procure a imagem, e apure a audição.
Lendo algumas críticas referentes ao filme, um dos discursos mais presentes era em relação aos atores. De fato a atuação do filme deixou um pouco a desejar (exceto pela brilhante Julianne Moore que conduziu com maestria os picos extremos de emoções e sensações do filme, e quem sabe até a queridinha do Fernando Meirelles, Alice Braga).
O fato é que muito além dos aspectos imagéticos, o filme tem um viés sociológico e nos trás a percepção do “se”. Se todos em minha volta ficassem cegos, o que eu faria? Se eu ficasse cega de uma hora pra outra? Se eu estivesse presa, sem comida, com centenas de pessoas que não conheço como eu reagiria? Se realmente a humanidade inteira ficasse a mercê dessa epidemia?
Aos que não assistiram, vale a indicação.
O Homem das Multidões
3.4 108Vi muitos comentários de "o filme não tinha mais fim", "achei paradão", "poucos diálogos" etc.. Ao contrário do que muita gente sentiu, pra mim, o filme acabou rápido de mais, e teve diálogos o suficiente! Conheço pouco o trabalho do Cao porém, vi nesse trabalho, muito dos filmes de Marcelo Gomes e como sempre, me toca ao coração.
Mania essa de querermos ignorar, repudiar a solidão. Falamos com estranhamento e distância enquanto vivemos o nosso oba-oba de cada dia. Um filme tão simples e ao mesmo tempo tão completo quando se trata desse assunto que ninguém quer falar, e ninguém quer sentir.
Estamira
4.3 379 Assista AgoraQuando "fodástico" não define a intensidade e profundidade desse trabalho! Quem conhece Estamira, nunca mais esquece...
Onde Borges Tudo Vê
3.0 10Achei que a atuação deixou muuuuuuuuito a desejar! Por mais que o roteiro seja bom, a fotografia lindíssima, se não tem atores de verdade, fode todo o material.
Tive pena do diretor de arte também... A conversão em PB do filme fez todo o trabalho dele NÃO valer a pena!
Uma Relação Delicada
3.0 28A atuação de Isabelle Huppert salva! Ela foi fantástica.
Laranja Mecânica
4.3 3,9K Assista AgoraPra mim, o melhor filme de todos os tempos!
Eu Matei Minha Mãe
3.9 1,3KFiquei impressionada em saber que o roteirista e diretor é o ator principal, Xavier Dolan. Tão jovem e já tem uma relação tão profunda com o cinema. Esse filme é intenso do começo ao fim