Uma história interessante, contada a partir de uma narrativa que sabiamente soubre trabalhar os dois lados da questão, sem se propor a responder se Billy Milligan era ou não um farsante. Notei que além do próprio Milligan, sua mãe e seus irmãos também pareciam extremamente à vontade durante as entrevistas e depoimentos. Uma certa afinidade teatral com a câmera, sabe!? Isso me fez pensar se os traços narcisistas apontados no personagem não seriam uma característica natural da família. Mas saindo do campo das teorias sobre a condição deste personagem tão singular a história, acho válido ressaltar o ponto mais fraco do documentário: ele é arrastado. Eu não acho que as informações nele expostas valem as 4 horas de duração, divididas em 4 episódios de uma hora cada. Ao invés disso, um longa de 2 horas já seria mais do que suficiente, evitando repetições de ideias, e excessivos depoimentos de personagens que sequer entendemos muito bem de que forma contribuíram ou presenciaram o desenrolar da história de Billy.
Algumas considerações sem spoilers (e sem entusiasmo) sobre Sweet Tooth.
Após um dia de feriado forçado (se é que esse conceito exista), passado inteiramente na horizontal, venho aqui trazer algumas palavras sobre a adaptação de quadrinhos do momento: Sweet Tooth.
Antes acho justo alertar que não sou lá um grande fã do quadrinho. Acho bem lugar-comum, uma jornada do herói clássica e com um final meio questionável, razão pela qual me mantive muito mente aberta à repaginação visual que os trailers da série prediziam. Sentei em frente à TV servido de um café quente e toda boa vontade que tinha, e bem... a boa vontade acabou antes do café.
E o termo principal ao qual atribuo isso é "lentidão". Não que eu não goste de histórias mais contemplativas e calmas, mas o que ocorre aqui é puramente encheção de linguiça. A série, provavelmente vista como um potencial sucesso pelos homens de terno da Netflix, os quais eu consigo perfeitamente imaginar em torno de uma mesa retangular dizendo coisas como "sim, temos Robert Downey Jr. nos créditos, e esse escritor canadense que as pessoas gostam muito, é dinheiro certo", não foi planejada para uma única temporada, o que fica evidente devido à grande quantidade de fillers e pelo próprio desfecho. Não vou citar em que ponto a série termina, mas se você pegar seus encadernados da Panini, o de capa amarela servirá bem como resposta.
Inclusive, já que citei o corporativismo da Netflix, acho justo vilanizá-lo mais um pouco, a fim de honrar meu sangue vermelho. A HQ, escrita e desenhada por um único cara sozinho em seu estúdio, é inegavelmente de um teor bem sensível e artístico em diversas passagens. Já a série é segue a fórmula "Netfliquiana de produção em massa de conteúdo audiovisual: diversas cenas de paisagens gravadas de drone (diversas mesmo), ao som de músicas legaizinhas, trazendo aquele ar de videoclipe, que no geral servem bem ao propósito de mascarar um roteiro problemático. Uma das artimanhas da mãe dos streamings.
Esse roteiro encomendado e pouco presunçoso até tenta trazer algumas referênciazinhas à outras obras de Lemire, mas o resultado passa longe de ser cool, como esperado. Boa parte da história (sabe-se lá o porquê) se passa em um Condado de Essex (não o canadense de Lemire, mas um fictício no estado do Colorado), além de que em dado momento vemos uma rua com o nome de Gideon, e é isso. Acaba soando bem "The Big Bang Theory", dando uma piscadinha para os "verdadeiros fãs" que estão assistindo não se frustrarem tanto.
Os erros poderiam ser mascarados por uma direção mais criativa, mas não foi o caso. Existem alguns momentos muito interessantes, como as cenas de ação (que são bem poucas), e os backgrounds de personagens como o do Dr. Singh, que inclusive é o ponto mais alto da série, mas infelizmente se perde muito ao narrar o núcleo central.
As atuações não comprometem, o destaque é o Adeel Akhtar (o supra citado Dr. Singh), mas isso acaba não sendo o suficiente para esquivá-lo de protagonizar uma das cenas mais "que caralhos foi isso" da série. Ah, a Aimee Eden está muito bem, também.
No fim das contas Sweet Tooth parece uma colcha de retalhos com algumas coisinhas boas perdidas ali no meio, mas que mais convida o espectador a checar as redes sociais durante a sessão do que prende a atenção, e que daqui umas duas semanas ninguém mais vai comentar. Espero (mas não acredito) que melhorem ela para a próxima temporada. Se é que ela vai sair.
Se comparada à WandaVision, tivemos um salto bem grande em qualidade, mas ainda não podemos dizer que a Marvel acertou 100% a mão. Alguns temas do roteiro, apesar de ideias interessantes, ou foram mau explorados, ou saturados. Uma subtrama que parece não ter levado a nada foi a do barco da família do Sam, além de que é bem difícil acreditar que um Vingador passaria por problemas financeiros tão sensíveis. Pesa bastante na suspensão da descrença. Outro ponto que saiu um pouco atravessado foi o discurso político. Não, eu não estou reclamando da representatividade na Marvel, até porque a acho acertada e necessária, mas a repetição exaustiva do racismo que gira em torno do manto do Capitão América acabou fragilizando o roteiro, deixando tudo muito óbvio e consequentemente menos interessante. O assunto é notório, indissociável do personagem e deve sempre ser discutido, mas poderia ter sido trabalhado de forma mais criativa, não usando basicamente as mesmas palavras e o mesmo cenário sempre. O ponto mais baixo foi o discurso final, que visivelmente buscava criar paralelos entre o Sam enquanto figura pública com outros líderes negros de oratória notável como Martin Luther King e Malcolm X, mas que acabou se prolongando muito e ficando um pouco cansativo, e honestamente, dando um pouquinho de vergonha alheia. Particularmente eu acho que a magia em torno do Sam enquanto Capitão América é muito mais notável por mostrar que um homem negro é digno do manto de maior herói da nação, e não por ser essa figura política que o Steve nunca foi. Trata-se muito mais de um símbolo de justiça (agora também racial), e não de um populista. Ok, se você leu até aqui pode achar que por esses motivos eu não gostei da série, mas na verdade, ela é excelente. É tudo que eu esperava em termos de ação e dinâmica da equipe. Bucky e Sam fizeram uma espécie de reboot do Máquina Mortífera, que somado ao carisma do Agente Americano, atingiu um nível maravilhoso de sinergia. Inclusive, vale abrir um parêntese para esse personagem. Arrisco dizer que John Walker será uma espécie de novo Loki, sempre transitando dubiamente por questões morais e fazendo aparições memoráveis. Bucky teve um desenvolvimento modesto, porém totalmente coerente com a história que foi apresentada ao longo dos anos e por isso estou satisfeito. Agora que o recado foi dado, estou animadíssimo com o novo Capitão América, o único digno do manto. Que venham mais séries!
Essa caracterização do Aranha é um perfeito meio termo entre a versão do Tobey e a versão do Andrew, dado suas devidas proporções para se adaptar ao público infantil, logicamente.
Temos literalmente o melhor de dois mundos: um Peter cujo drama da perda do tio ainda lhe assombra, mas que nem por isso perde sua presença e seu carisma, como era com Tobey. Além de que a relação com esta tia May está muito mais natural (não se trata de uma velha que só se comunica por meio de frases de efeito) e os problemas financeiros não foram simplesmente ignorados. Vemos todo o arco do Duende Verde, bem como todo o time do Clarim lindamente escalado e interpretado.
Ao colocar a máscara, no entanto, vemos um Homem Aranha ácido, debochado e irônico, como Andrew sabia fazer bem, dando um significado real ao termo "alter ego", sendo não somente uma fantasia, mas um personagem diferente. Além de que vamos combinar, esse é sem dúvida o melhor núcleo escolar que o Aranha já teve. Esse Flash é de longe o melhor, possuindo muito mais camadas do que ser apenas o troglodita bidimensional que pratica bullying sem razão aparente.
No final da temporada na batalha contra o simbionte, chorei pois já disse diversas vezes e sempre repito: o Homem Aranha é um dos mitos modernos da nossa cultura, e naquele flashback, toda essa mitologia é condensada em um único momento que homenageia toda essa trajetória.
Eu sei que o desenho é infantil e um pouco bobo, mas os criadores entendiam o personagem como poucos entenderam até hoje. Vale muito a pena.
A série foi menos do que poderia ter sido, mas ainda é mais do que a maioria das séries são. O roteiro por vezes exagera nas frases de efeito, o que dá um ar bem infantil para a série e certamente foi um recorde no quesito personagens e atores sensacionais desperdiçados, que ao final da trama pareceram apenas fan services desprovidos de um propósito genuíno. O ponto forte sem dúvida foi a química entre Elisabeth Olsen e Paul Bettany, especialmente nos primeiros episódios no estilo sitcom. O elenco todo é carismático, para falar a verdade, mesmo aqueles que aparentemente não tinham razão para estarem lá. Foi uma primeira tentativa de série, e a Marvel já cometeu alguns erros antes de achar o tom correto em diversas produções. Creio que agora só nos resta torcer para que Falcão e o Soldado Invernal seja melhor. E algo me diz que será.
Ta na dúvida se assiste ou não? Leia meu comentário.
Se você assim como eu tá de saco cheio daquela pegada novelesca que a maioria das produções brasileiras tem, pode ficar tranquilo. Cidade Invisível é de fato uma série com todos os elementos que as produções americanas tem, inclusive efeitos surpreendentemente bacanas.
As atuações são ok, com um ou outro momento de destaque, e os personagens são interessantes e com conceitos muito atrativos.
O problema, porém é o roteiro imaturo que além de apresentar diálogos sofríveis (parecem dublagens dos anos 90), em alguns casos parece zombar da inteligência do espectador. É notória uma falta de pena da direção criativa na hora de matar os personagens, mas no geral, o espectador acaba não sentindo pena também, apenas porque não nos são proporcionados meios para nos apegarmos verdadeiramente a eles.
O ponto alto sem sombra de dúvidas é o tema, e a abordagem madura do mesmo. Resumidamente, argumento excelente, execução técnica muito acima da média, mas faltou um pouco de maturidade dos escritores.
Vale a pena assistir de qual forma, apenas para dar aquela força para as produções nacionais.
Melhorou muito em relação à quarta temporada (a qual perdeu totalmente a mão), mas ainda muito inferior às três primeiras, que são seguramente a melhor comédia que já vi.
Foi um grande final. E não, a série não acabou por conta da morte do Julius. O fato é que a série se passaria nos anos 70, que foi a época em que o Chris Rock de fato viveu a adolescência (ele nasceu em 1965).
Por conta da série That 70`s Show, os showrunners empurraram o seriado alguns anos para frente, mas independente disso, a morte de Julius ocorreu somente quando o Chris tinha 23 anos, o que seguramente não seria mostrado na série.
O que comprometeu a continuidade do show foi o fato de, na vida real, Chris ter reprovado no supletivo, dando adeus à vida acadêmica e consequentemente à proposta da série, que era mostrar o cotidiano difícil como estudante em um contexto racista.
Independente dos motivos que ocasionaram o cancelamento, a série é excelente, e apesar de eu ser um millenial branco criado em um contexto favorável, vi muito das histórias que meus pais me contavam nos seus sermões. A mãe pulso firme, o pai que só trabalha e dorme, os perrengues com irmãos, o impacto das diferenças socioeconômicas na adolescência... Cada um daqueles "no meu tempo..." parece estar em algum dos episódios da série.
Finalizo dizendo que essa série vale o tempo de qualquer pessoa.
O primeiro episódio se chama admirável mundo novo mas começa com uma referência à O Senhor das Moscas A mina que é para ser a personagem sacana simplesmente decide tomar banho de Sol. Ok. Aí a depois de xingar a mina que aconselha ela a não fazer isso, essa mina decide ajudar os caras que estão escrevendo ~help na areia da praia. Então essa mina sacana diz “boa sorte para eles, não vi um unico avião desde que acordamos aqui. CLARO ELES TÃO ALI FAZ UM DIA! O pessoal decide nadar ao invés de sei lá, sobreviver. Todos tentam ser pau no cu sem razão Broody encontra a cachoeira com a Chase ~talvez nós devêssemos guardar segredo As coisas tem um logo “propriedade de i land”, mas se é uma simulação, qual a necessidade desse marketing? Chase após acordar da simulação só faz bosta, como por exemplo, tentar tocar uma cadeira no juri que é responsável por decidir se ela está ou não habilitada a ser solta. O guarda tenta atacar ela DO NADA no caminhão. E só tem UM guarda, mesmo ela tendo dado uma surra em 4 deles antes. Ah, e não é necessário nem mesmo amarrá-la. O pior é que quando ela foge, ela faz o que? Isso mesmo, volta para a instalação. Após acordar na ilha o pessoal fala pra Chase que ela saiu por cerca de 10 minutos, sendo que pareceram horas. Aí alguns episódios depois a gente vê os guardas observando a galera nas cameras em tempo real. O cara esquisitão dá um tiro de sinalizador pra capturar a atenção do Donavan quando ele tava incelzando a enfermeira. O Donavan fica puto e fala que só tinha um tiro. Aí depois de matar o esquisitão, a enfermeira mata o Donavan adivinha com o que? Isso mesmo, um tiro de sinalizador. A mina vai pra ilha do canibal e come uma sopa de galinha. Depois Bonnie e Clyde aparecem e alertam ela que na ilha existe um canibal e que não havia galinhas. Aí ela percebe que comeu os próprios dedos. WTF Cooper não tem o rosto queimado na simulação, mas a KC tem a marca da facada na barriga. O velho fala que se eles morrem na simulação, eles morrem na vida real, mas isso não se aplica a bonnie e clyde, aparentemente.
Terminei essa temporada muito melancólico. Se trata de uma série de quase uma década atrás, e naturalmente é comum esbarrar em alguns comentários sobre ela pela internet afora. Foi em um desses comentários que descobri que à partir da próxima temporada, a decadência começa. Essas três primeiras temporadas foram a produção mais brilhante que já vi em termos de comédia e certamente não será fácil acompanhar o declínio, mas como a série me fisgou como há anos não me permitia fisgar, não há alternativa se não continuar.
Não é nada demais, e certamente não me causou nenhuma risada daquelas que dá a impressão de que nossos órgãos vão parar. Mas ainda assim estou entretido assistindo por me gostar de ver esse outro lado da cultura americana. Os “losers” que trabalham em uma loja de departamento são uma boa alternativa às pilhas de gênios e prodígios que os Estados Unidos nos fazem engolir em toda série.
Eu nunca assisti a original britânica, mas preciso falar sobre essa série. Essa temática de documentário, somado à atuação genial do Steve Carell e sua gigantesca capacidade de gerar vergonha alheia são um prato cheio de bom humor e originalidade.
É bacana também a abordagem totalmente non-sense de tabus, preconceitos e outros assuntos delicados do cotidiano. O que foi a cena do rapaz da TI chegando ao escritório de turbante? Eu acho que nunca ri tanto em minha vida.
Basicamente, The Office é uma série com uma abordagem fora da caixa sobre o ambiente mais americanizado e dentro da caixa possível: um escritório.
Na minha opinião, essa série, à exemplo de The Office, marca um rompimento com a velha fórmula das séries de humor. Personagens carismáticos, química perfeita, ausência de plateia e risadas gravadas, e ângulos de câmera totalmente atípicos para uma produção do gênero.
Não posso deixar de mencionar o Andy Samberg, e sua atuação genial. Tá certo, ele não precisa se esforçar muito para fazer humor, afinal, seu sorriso já faz graça por sí só, lembrando muito o Alfred Neuman da revista MAD. O único ponto negativo é o fato da série ser praticamente carregada nas costas pelo Jake. Não desmerecendo o restante do elenco, mas todos sabemos que ele é a cola que une o grupo.
Acho muito interessante falar também sobre a diversidade e a representatividade na série. Além de um capitão negro e homosexual, um detetive afeminado, temos também um notório e bem sucedido esforço na abordagem das personagens femininas. Uma detetive insegura, mesmo sendo extremamente sensual? Característica nada explorada na série e o porquê? Simplesmente pelo fato da série não se tratar sobre isso. Qualquer roteirista preguiçoso colocaria pelo menos uma vez por episódio alguma referência à beleza da Amy, mas não é o que vemos aqui. Temos também a força da personagem Rosa, que apesar de ser a mais "forçada" do time, brilha muito nas raras (e convincentes) cenas de drama. Sem falar na Gina que há muito deixou de ser uma personagem para se tornar um estado de espírito. Finalizo dizendo que assistir essa série me faz sentir Gina Linetti. Recomendo à todos, independente de suas dependências.
Essa série foi a grande surpresa desse segundo semestre de 2019. Além de ter uma abordagem totalmente original e interessante sobre o tema do heroísmo, traz ainda uma química 100% perfeita entre os atores principais, que fazem à sua maneira um misto de ação e bom humor numa pegada Esquadrão Classe A. Cada personagem é muito bem desenvolvido, atuações marcantes e trilha sonora perfeita, sem falar num enredo genial. Ansioso pela próxima temporada.
As 24 Personalidades de Billy Milligan
3.6 53 Assista AgoraUma história interessante, contada a partir de uma narrativa que sabiamente soubre trabalhar os dois lados da questão, sem se propor a responder se Billy Milligan era ou não um farsante.
Notei que além do próprio Milligan, sua mãe e seus irmãos também pareciam extremamente à vontade durante as entrevistas e depoimentos. Uma certa afinidade teatral com a câmera, sabe!? Isso me fez pensar se os traços narcisistas apontados no personagem não seriam uma característica natural da família.
Mas saindo do campo das teorias sobre a condição deste personagem tão singular a história, acho válido ressaltar o ponto mais fraco do documentário: ele é arrastado. Eu não acho que as informações nele expostas valem as 4 horas de duração, divididas em 4 episódios de uma hora cada. Ao invés disso, um longa de 2 horas já seria mais do que suficiente, evitando repetições de ideias, e excessivos depoimentos de personagens que sequer entendemos muito bem de que forma contribuíram ou presenciaram o desenrolar da história de Billy.
Sweet Tooth (1ª Temporada)
4.0 295Algumas considerações sem spoilers (e sem entusiasmo) sobre Sweet Tooth.
Após um dia de feriado forçado (se é que esse conceito exista), passado inteiramente na horizontal, venho aqui trazer algumas palavras sobre a adaptação de quadrinhos do momento: Sweet Tooth.
Antes acho justo alertar que não sou lá um grande fã do quadrinho. Acho bem lugar-comum, uma jornada do herói clássica e com um final meio questionável, razão pela qual me mantive muito mente aberta à repaginação visual que os trailers da série prediziam. Sentei em frente à TV servido de um café quente e toda boa vontade que tinha, e bem... a boa vontade acabou antes do café.
E o termo principal ao qual atribuo isso é "lentidão". Não que eu não goste de histórias mais contemplativas e calmas, mas o que ocorre aqui é puramente encheção de linguiça. A série, provavelmente vista como um potencial sucesso pelos homens de terno da Netflix, os quais eu consigo perfeitamente imaginar em torno de uma mesa retangular dizendo coisas como "sim, temos Robert Downey Jr. nos créditos, e esse escritor canadense que as pessoas gostam muito, é dinheiro certo", não foi planejada para uma única temporada, o que fica evidente devido à grande quantidade de fillers e pelo próprio desfecho. Não vou citar em que ponto a série termina, mas se você pegar seus encadernados da Panini, o de capa amarela servirá bem como resposta.
Inclusive, já que citei o corporativismo da Netflix, acho justo vilanizá-lo mais um pouco, a fim de honrar meu sangue vermelho. A HQ, escrita e desenhada por um único cara sozinho em seu estúdio, é inegavelmente de um teor bem sensível e artístico em diversas passagens. Já a série é segue a fórmula "Netfliquiana de produção em massa de conteúdo audiovisual: diversas cenas de paisagens gravadas de drone (diversas mesmo), ao som de músicas legaizinhas, trazendo aquele ar de videoclipe, que no geral servem bem ao propósito de mascarar um roteiro problemático. Uma das artimanhas da mãe dos streamings.
Esse roteiro encomendado e pouco presunçoso até tenta trazer algumas referênciazinhas à outras obras de Lemire, mas o resultado passa longe de ser cool, como esperado. Boa parte da história (sabe-se lá o porquê) se passa em um Condado de Essex (não o canadense de Lemire, mas um fictício no estado do Colorado), além de que em dado momento vemos uma rua com o nome de Gideon, e é isso. Acaba soando bem "The Big Bang Theory", dando uma piscadinha para os "verdadeiros fãs" que estão assistindo não se frustrarem tanto.
Os erros poderiam ser mascarados por uma direção mais criativa, mas não foi o caso. Existem alguns momentos muito interessantes, como as cenas de ação (que são bem poucas), e os backgrounds de personagens como o do Dr. Singh, que inclusive é o ponto mais alto da série, mas infelizmente se perde muito ao narrar o núcleo central.
As atuações não comprometem, o destaque é o Adeel Akhtar (o supra citado Dr. Singh), mas isso acaba não sendo o suficiente para esquivá-lo de protagonizar uma das cenas mais "que caralhos foi isso" da série. Ah, a Aimee Eden está muito bem, também.
No fim das contas Sweet Tooth parece uma colcha de retalhos com algumas coisinhas boas perdidas ali no meio, mas que mais convida o espectador a checar as redes sociais durante a sessão do que prende a atenção, e que daqui umas duas semanas ninguém mais vai comentar. Espero (mas não acredito) que melhorem ela para a próxima temporada. Se é que ela vai sair.
Falcão e o Soldado Invernal
3.9 385 Assista AgoraSe comparada à WandaVision, tivemos um salto bem grande em qualidade, mas ainda não podemos dizer que a Marvel acertou 100% a mão.
Alguns temas do roteiro, apesar de ideias interessantes, ou foram mau explorados, ou saturados.
Uma subtrama que parece não ter levado a nada foi a do barco da família do Sam, além de que é bem difícil acreditar que um Vingador passaria por problemas financeiros tão sensíveis. Pesa bastante
na suspensão da descrença.
Outro ponto que saiu um pouco atravessado foi o discurso político. Não, eu não estou reclamando da representatividade na Marvel, até porque a acho acertada e necessária, mas a repetição exaustiva do racismo que gira em torno do manto do Capitão América acabou fragilizando o roteiro, deixando tudo muito óbvio e consequentemente menos interessante. O assunto é notório, indissociável do personagem e deve sempre ser discutido, mas poderia ter sido trabalhado de forma mais criativa, não usando basicamente as mesmas palavras e o mesmo cenário sempre.
O ponto mais baixo foi o discurso final, que visivelmente buscava criar paralelos entre o Sam enquanto figura pública com outros líderes negros de oratória notável como Martin Luther King e Malcolm X, mas que acabou se prolongando muito e ficando um pouco cansativo, e honestamente, dando um pouquinho de vergonha alheia. Particularmente eu acho que a magia em torno do Sam enquanto Capitão América é muito mais notável por mostrar que um homem negro é digno do manto de maior herói da nação, e não por ser essa figura política que o Steve nunca foi. Trata-se muito mais de um símbolo de justiça (agora também racial), e não de um populista.
Ok, se você leu até aqui pode achar que por esses motivos eu não gostei da série, mas na verdade, ela é excelente. É tudo que eu esperava em termos de ação e dinâmica da equipe. Bucky e Sam fizeram uma espécie de reboot do Máquina Mortífera, que somado ao carisma do Agente Americano, atingiu um nível maravilhoso de sinergia. Inclusive, vale abrir um parêntese para esse personagem. Arrisco dizer que John Walker será uma espécie de novo Loki, sempre transitando dubiamente por questões morais e fazendo aparições memoráveis.
Bucky teve um desenvolvimento modesto, porém totalmente coerente com a história que foi apresentada ao longo dos anos e por isso estou satisfeito.
Agora que o recado foi dado, estou animadíssimo com o novo Capitão América, o único digno do manto. Que venham mais séries!
O Espetacular Homem-Aranha (1ª Temporada)
4.0 30 Assista AgoraEssa caracterização do Aranha é um perfeito meio termo entre a versão do Tobey e a versão do Andrew, dado suas devidas proporções para se adaptar ao público infantil, logicamente.
Temos literalmente o melhor de dois mundos: um Peter cujo drama da perda do tio ainda lhe assombra, mas que nem por isso perde sua presença e seu carisma, como era com Tobey. Além de que a relação com esta tia May está muito mais natural (não se trata de uma velha que só se comunica por meio de frases de efeito) e os problemas financeiros não foram simplesmente ignorados. Vemos todo o arco do Duende Verde, bem como todo o time do Clarim lindamente escalado e interpretado.
Ao colocar a máscara, no entanto, vemos um Homem Aranha ácido, debochado e irônico, como Andrew sabia fazer bem, dando um significado real ao termo "alter ego", sendo não somente uma fantasia, mas um personagem diferente. Além de que vamos combinar, esse é sem dúvida o melhor núcleo escolar que o Aranha já teve. Esse Flash é de longe o melhor, possuindo muito mais camadas do que ser apenas o troglodita bidimensional que pratica bullying sem razão aparente.
No final da temporada na batalha contra o simbionte, chorei pois já disse diversas vezes e sempre repito: o Homem Aranha é um dos mitos modernos da nossa cultura, e naquele flashback, toda essa mitologia é condensada em um único momento que homenageia toda essa trajetória.
Eu sei que o desenho é infantil e um pouco bobo, mas os criadores entendiam o personagem como poucos entenderam até hoje. Vale muito a pena.
WandaVision
4.2 856 Assista AgoraA série foi menos do que poderia ter sido, mas ainda é mais do que a maioria das séries são.
O roteiro por vezes exagera nas frases de efeito, o que dá um ar bem infantil para a série e certamente foi um recorde no quesito personagens e atores sensacionais desperdiçados, que ao final da trama pareceram apenas fan services desprovidos de um propósito genuíno.
O ponto forte sem dúvida foi a química entre Elisabeth Olsen e Paul Bettany, especialmente nos primeiros episódios no estilo sitcom. O elenco todo é carismático, para falar a verdade, mesmo aqueles que aparentemente não tinham razão para estarem lá.
Foi uma primeira tentativa de série, e a Marvel já cometeu alguns erros antes de achar o tom correto em diversas produções. Creio que agora só nos resta torcer para que Falcão e o Soldado Invernal seja melhor. E algo me diz que será.
Cidade Invisível (1ª Temporada)
4.0 749Ta na dúvida se assiste ou não? Leia meu comentário.
Se você assim como eu tá de saco cheio daquela pegada novelesca que a maioria das produções brasileiras tem, pode ficar tranquilo. Cidade Invisível é de fato uma série com todos os elementos que as produções americanas tem, inclusive efeitos surpreendentemente bacanas.
As atuações são ok, com um ou outro momento de destaque, e os personagens são interessantes e com conceitos muito atrativos.
O problema, porém é o roteiro imaturo que além de apresentar diálogos sofríveis (parecem dublagens dos anos 90), em alguns casos parece zombar da inteligência do espectador. É notória uma falta de pena da direção criativa na hora de matar os personagens, mas no geral, o espectador acaba não sentindo pena também, apenas porque não nos são proporcionados meios para nos apegarmos verdadeiramente a eles.
O ponto alto sem sombra de dúvidas é o tema, e a abordagem madura do mesmo. Resumidamente, argumento excelente, execução técnica muito acima da média, mas faltou um pouco de maturidade dos escritores.
Vale a pena assistir de qual forma, apenas para dar aquela força para as produções nacionais.
Community (5ª Temporada)
3.9 148Melhorou muito em relação à quarta temporada (a qual perdeu totalmente a mão), mas ainda muito inferior às três primeiras, que são seguramente a melhor comédia que já vi.
Todo Mundo Odeia o Chris (4ª Temporada)
4.4 233 Assista AgoraFoi um grande final. E não, a série não acabou por conta da morte do Julius. O fato é que a série se passaria nos anos 70, que foi a época em que o Chris Rock de fato viveu a adolescência (ele nasceu em 1965).
Por conta da série That 70`s Show, os showrunners empurraram o seriado alguns anos para frente, mas independente disso, a morte de Julius ocorreu somente quando o Chris tinha 23 anos, o que seguramente não seria mostrado na série.
O que comprometeu a continuidade do show foi o fato de, na vida real, Chris ter reprovado no supletivo, dando adeus à vida acadêmica e consequentemente à proposta da série, que era mostrar o cotidiano difícil como estudante em um contexto racista.
Independente dos motivos que ocasionaram o cancelamento, a série é excelente, e apesar de eu ser um millenial branco criado em um contexto favorável, vi muito das histórias que meus pais me contavam nos seus sermões. A mãe pulso firme, o pai que só trabalha e dorme, os perrengues com irmãos, o impacto das diferenças socioeconômicas na adolescência... Cada um daqueles "no meu tempo..." parece estar em algum dos episódios da série.
Finalizo dizendo que essa série vale o tempo de qualquer pessoa.
The I-Land (1ª Temporada)
2.6 112 Assista AgoraAlguns pontos sobre a série.
O primeiro episódio se chama admirável mundo novo mas começa com uma referência à O Senhor das Moscas
A mina que é para ser a personagem sacana simplesmente decide tomar banho de Sol. Ok. Aí a depois de xingar a mina que aconselha ela a não fazer isso, essa mina decide ajudar os caras que estão escrevendo ~help na areia da praia. Então essa mina sacana diz “boa sorte para eles, não vi um unico avião desde que acordamos aqui. CLARO ELES TÃO ALI FAZ UM DIA!
O pessoal decide nadar ao invés de sei lá, sobreviver.
Todos tentam ser pau no cu sem razão
Broody encontra a cachoeira com a Chase ~talvez nós devêssemos guardar segredo
As coisas tem um logo “propriedade de i land”, mas se é uma simulação, qual a necessidade desse marketing?
Chase após acordar da simulação só faz bosta, como por exemplo, tentar tocar uma cadeira no juri que é responsável por decidir se ela está ou não habilitada a ser solta.
O guarda tenta atacar ela DO NADA no caminhão. E só tem UM guarda, mesmo ela tendo dado uma surra em 4 deles antes. Ah, e não é necessário nem mesmo amarrá-la.
O pior é que quando ela foge, ela faz o que? Isso mesmo, volta para a instalação.
Após acordar na ilha o pessoal fala pra Chase que ela saiu por cerca de 10 minutos, sendo que pareceram horas. Aí alguns episódios depois a gente vê os guardas observando a galera nas cameras em tempo real.
O cara esquisitão dá um tiro de sinalizador pra capturar a atenção do Donavan quando ele tava incelzando a enfermeira. O Donavan fica puto e fala que só tinha um tiro. Aí depois de matar o esquisitão, a enfermeira mata o Donavan adivinha com o que? Isso mesmo, um tiro de sinalizador.
A mina vai pra ilha do canibal e come uma sopa de galinha. Depois Bonnie e Clyde aparecem e alertam ela que na ilha existe um canibal e que não havia galinhas. Aí ela percebe que comeu os próprios dedos. WTF
Cooper não tem o rosto queimado na simulação, mas a KC tem a marca da facada na barriga.
O velho fala que se eles morrem na simulação, eles morrem na vida real, mas isso não se aplica a bonnie e clyde, aparentemente.
PS: O canibal foi bom pra caralho
Community (3ª Temporada)
4.4 191 Assista AgoraTerminei essa temporada muito melancólico. Se trata de uma série de quase uma década atrás, e naturalmente é comum esbarrar em alguns comentários sobre ela pela internet afora. Foi em um desses comentários que descobri que à partir da próxima temporada, a decadência começa.
Essas três primeiras temporadas foram a produção mais brilhante que já vi em termos de comédia e certamente não será fácil acompanhar o declínio, mas como a série me fisgou como há anos não me permitia fisgar, não há alternativa se não continuar.
Superstore: Uma Loja de Inconveniências (1ª Temporada)
3.9 118 Assista AgoraNão é nada demais, e certamente não me causou nenhuma risada daquelas que dá a impressão de que nossos órgãos vão parar.
Mas ainda assim estou entretido assistindo por me gostar de ver esse outro lado da cultura americana. Os “losers” que trabalham em uma loja de departamento são uma boa alternativa às pilhas de gênios e prodígios que os Estados Unidos nos fazem engolir em toda série.
The Office (1ª Temporada)
4.1 589Eu nunca assisti a original britânica, mas preciso falar sobre essa série. Essa temática de documentário, somado à atuação genial do Steve Carell e sua gigantesca capacidade de gerar vergonha alheia são um prato cheio de bom humor e originalidade.
É bacana também a abordagem totalmente non-sense de tabus, preconceitos e outros assuntos delicados do cotidiano. O que foi a cena do rapaz da TI chegando ao escritório de turbante? Eu acho que nunca ri tanto em minha vida.
Basicamente, The Office é uma série com uma abordagem fora da caixa sobre o ambiente mais americanizado e dentro da caixa possível: um escritório.
Assistam, façam esse favor a sí mesmos.
Brooklyn Nine-Nine (1ª Temporada)
4.3 437 Assista AgoraNa minha opinião, essa série, à exemplo de The Office, marca um rompimento com a velha fórmula das séries de humor. Personagens carismáticos, química perfeita, ausência de plateia e risadas gravadas, e ângulos de câmera totalmente atípicos para uma produção do gênero.
Não posso deixar de mencionar o Andy Samberg, e sua atuação genial. Tá certo, ele não precisa se esforçar muito para fazer humor, afinal, seu sorriso já faz graça por sí só, lembrando muito o Alfred Neuman da revista MAD. O único ponto negativo é o fato da série ser praticamente carregada nas costas pelo Jake. Não desmerecendo o restante do elenco, mas todos sabemos que ele é a cola que une o grupo.
Acho muito interessante falar também sobre a diversidade e a representatividade na série. Além de um capitão negro e homosexual, um detetive afeminado, temos também um notório e bem sucedido esforço na abordagem das personagens femininas. Uma detetive insegura, mesmo sendo extremamente sensual? Característica nada explorada na série e o porquê? Simplesmente pelo fato da série não se tratar sobre isso. Qualquer roteirista preguiçoso colocaria pelo menos uma vez por episódio alguma referência à beleza da Amy, mas não é o que vemos aqui. Temos também a força da personagem Rosa, que apesar de ser a mais "forçada" do time, brilha muito nas raras (e convincentes) cenas de drama. Sem falar na Gina que há muito deixou de ser uma personagem para se tornar um estado de espírito. Finalizo dizendo que assistir essa série me faz sentir Gina Linetti. Recomendo à todos, independente de suas dependências.
The Boys (1ª Temporada)
4.3 837 Assista AgoraEssa série foi a grande surpresa desse segundo semestre de 2019. Além de ter uma abordagem totalmente original e interessante sobre o tema do heroísmo, traz ainda uma química 100% perfeita entre os atores principais, que fazem à sua maneira um misto de ação e bom humor numa pegada Esquadrão Classe A. Cada personagem é muito bem desenvolvido, atuações marcantes e trilha sonora perfeita, sem falar num enredo genial. Ansioso pela próxima temporada.
Como Eu Conheci Sua Mãe (6ª Temporada)
4.5 354 Assista AgoraO que foi aquele episódio 02? Nunca chorei tanto na minha vida.