Vi uma série de críticas mistas sobre o filme, então procurei não esperar muita coisa, até porque apesar do excelente elenco, trata-se de uma produção da Netflix, então é preciso ser cauteloso quanto às expectativas. Qual não foi a minha surpresa quando depois de pouco mais de 15 minutos, percebi já estar vidrado no filme. Tudo nele funciona. Os personagens são carismáticos, o humor, que eventualmente brinca com aquele estilo típico de The Office, causando desconforto no espectador, é sensacional e bem dosado com algo mais pastelão, que além de servir como uma fuga do eventual cansaço que um filme deste caráter poderia trazer, também funciona como um elemento narrativo. Os eventuais surtos da Kate em rede nacional nos causam vergonha alheia, mesmo sabendo que o que ela diz é verdade. Isso é Adam McKay nos mostrando que embora 99% das pessoas que assistiram se coloquem como entendedores da mensagem, e guardiões do bom senso, no dia-dia estamos sujeitos a ouvir menos e julgar mais, independente do phD que vem antes do nome. Genial. Inclusive, esses surtos são sensacionais. Lawrence e DiCaprio dividem igualmente o protagonismo e o carisma por meio de atuações maravilhosas, juntamente com o excelente elenco de apoio. mas acho que isso não surpreende ninguém, vide a bagagem do pessoal envolvido. Some esses aspectos de entonação tragicômica ao clima de barco afundando que surge da segunda metade em diante, e temos uma obra cheia de personalidade, e acima de tudo, de verdade. Maravilhoso.
Esse filme saiu tem um tempinho já, e acho que por conta do elenco recheado de figurinhas conhecidas no cinema mainstream (só de heróis, temos 3), foi bastante comentado na época, mas é óbvio que como eu vivo em um mundo irônico mundo de consumo exacerbado de cultura popular na mesma medida que fujo de modinhas, eu acabei não assistindo. Até essa semana.
E qual é o veredito? Bom, o filme claramente tem influências tarantinescas, se levando a sério do começo ao fim. Os atores entregam trabalhos decentes, embora seja para mim extremamente difícil ver Tom Holland encarando um papel mais obscuro, mas no geral, é bem legalzinho. Não chega a proporcionar nenhum grande êxtase e é até que previsível depois que você entende a audácia narrativa dos caminhos se cruzando entre seus personagens, mas passa longe de ser algo enfadonho.
Abrindo meu coração sobre No Way Home (sem spoilers).
O filme peca em diversos momentos narrativamente, deixando as motivações de alguns personagens pouco ou nada claras, além de não desenvolver muito bem alguns subplots, culminando em furos bem evidentes no roteiro. Se a gente fosse pegar e avaliar o filme tecnicamente, provavelmente seria um filme nota três.
Entretanto, porém, todavia, existe uma coisa chamada sentimento!
Esse filme foi escrito pros fãs, tanto os de versões anteriores do Aranha quanto da versão atual, e tem consciência disso do começo ao fim. Ele sabe o que os fãs querem, e mais do que isso, sabe como entregar com perfeição
Então o que vai ditar se você vai gostar ou não é o quão fã do Homem Aranha você é.
No meu caso, sendo louco por esse personagem desde que eu era criança, consegui passar o pano para todos os furos sem a menor dificuldade.
E bem, apesar desse filme, pelo menos para a maioria das pessoas, ter tido o mérito de mostrar o quão maravilhoso foi ser fã deste personagem nos últimos 20 anos, comigo foi diferente. Se antes eu era um moleque com cabelinho de tigela louco pelo personagem, durante a sessão, e especialmente durante o epílogo, No Way Home me fez perceber que um dia eu serei um dia serei um velhinho careca ainda animado comprando ingressos para assistir o herói, e isso não tem preço.
Finalmente, após 22 anos (desde meu nascimento e desde a estreia), tive contato com este filme, e bem... Ele é tudo que eu esperava. Conceitualmente, genial, visto ter sido este o filme que fez o gênero found footage atingir o status quo. A nível narrativo, no entanto, não vai além de umas filmagens descartáveis e mal executadas, cujo impacto não se dá pelas cenas gravadas ou suspense criado, e sim por conta da mensagem dizendo que os fatos são reais no início do filme. Propaganda brilhante, produto esquecível.
Filme que aborda o bullying, além de outros sentimentos complexos do espectro humano como perda e culpa com toda aquela sensibilidade intimista que somente os japoneses sabem colocar em suas produções. Sou um pouco suspeito para falar porque quem conhece meus textos e roteiros mais dramáticos sabe o quão grande é a influência dos momentos de respiro para o desenvolvimento da trama, e este filme traz exatamente isso. Não são palavras que trazem a dimensão da culpa que Ishida, o protagonista e ex-bullie, sente, e sim seu olhar contemplando um riacho com algumas carpas. Lindo.
Difícil opinar sobre essa produção, não somente por se tratar de um produto tão singular, mas também pelo fato da minha limitada bagagem não ter absorvido nem 1/3 das referências entregues na obra. Mas isso não significa que eu não tenha gostado.
Andrew Garfield está muito bem, como de praxe, e serve como um totem para o espectador conhecer algumas subculturas de Los Angeles, enquanto um suspense com algumas nuances de filme noir se desenrola. A todo momento pensamos "agora ele descobrirá algo bombástico", apenas para percebemos que não, não existe nada muito bombástico a ser descoberto. Apenas uma ou outra estranheza, mas nada que ressignifique uma vida, como Sam acha.
Mas independente das estranhezas e da narrativa menos mastigada, é inegável que exista uma atmosfera envolvente que jamais impele o espectador a desligar a TV. Ótimo filme.
Uma história interessante, contada a partir de uma narrativa que sabiamente soubre trabalhar os dois lados da questão, sem se propor a responder se Billy Milligan era ou não um farsante. Notei que além do próprio Milligan, sua mãe e seus irmãos também pareciam extremamente à vontade durante as entrevistas e depoimentos. Uma certa afinidade teatral com a câmera, sabe!? Isso me fez pensar se os traços narcisistas apontados no personagem não seriam uma característica natural da família. Mas saindo do campo das teorias sobre a condição deste personagem tão singular a história, acho válido ressaltar o ponto mais fraco do documentário: ele é arrastado. Eu não acho que as informações nele expostas valem as 4 horas de duração, divididas em 4 episódios de uma hora cada. Ao invés disso, um longa de 2 horas já seria mais do que suficiente, evitando repetições de ideias, e excessivos depoimentos de personagens que sequer entendemos muito bem de que forma contribuíram ou presenciaram o desenrolar da história de Billy.
Não pretendo me estender falando sobre The Room. Creio que todo internauta já tenha esbarrado com este filme em algum momento. A premissa é simples, dramática e a execução, risível. Como já apresentado em outras ocasiões por resenhistas mais gabaritados, The Room se tratou de um fracasso tão esplendoroso, que acabou dando certo.
O que The Disaster Artist faz é explorar os bastidores e os motivos que transformaram esta produção no provável pior filme da história, o que implica em explorar a mente de seu idealizador, Tommy Wiseau. Exploração essa que se dá apenas com base em suas atitudes presenciadas por outras pessoas. Não há aqui uma jornada do herói, ou a construção de uma psique. Tommy é misterioso, surge de repente, e é constante em suas próprias estranhezas e visão de mundo destorcida.
A execução é totalmente primorosa, e apesar de todos os apesares, não há como não ficar boquiaberto com o trabalho de James Franco, tanto por conta da atuação quanto pela direção.
Inclusive, há um quê metalinguístico na obra. James Franco estrelou e dirigiu um filme sobre um cara que estrelou e dirigiu seu filme, além de que é perfeitamente cabível imaginar que a escolha de seu irmão caçula para interpretar o "baby face" não tenha sido por acaso. Ambos construíram relações diferentes com a fama e com a atuação, assim como Tommy e Greg.
Inclusive este é o único ponto razoavelmente desconfortável. Dave Franco não consegue convencer na pele de Greg Sestero. Até porque eu acredito que seja difícil interpretar alguém que tem a aparência de um galã, mas que mesmo assim é naturalmente inseguro. Dave não tem essa aparência, então tudo se torna mais cabível, se tratando dele. Além de que a maquiagem utilizada é horrorosa e desagradável.
Mas apesar disso, esse filme possui a mesma paixão que motivou a execução de The Room, anos atrás. É um ideal artístico, algo que vai além da execução técnica, e que se você prestar bem a atenção, pode tirar algumas lições extremamente valiosas.
Filme de personalidade admirável, do tipo que não há como esquecer, seja pelas cenas icônicas e marcantes, ou por toda a construção totalmente atípica, mesmo que o roteiro eventualmente desemboque em um ou outro beco sem saída, se preocupando demais em expor a personalidade do protagonista para os espectadores. É o caso, por exemplo, das cenas dos cartões de visitas. A primeira expõe a personalidade neurótica e invejosa de Patrick na mesma medida que solidifica isso como uma característica comum do seu meio, podendo ou não ser produto dele, enquanto que na segunda ocasião, acaba tirando um pouco da grandeza, sem acrescentar muito à história e tornando aquela genialidade de direção algo mais pífio, vide a repetição. Mas é claro que esse é só um detalhe, que causa muito menos desconforto do que a personalidade de Patrick, que em alguns momentos supera Michael Scott na arte de envergonhar o espectador. Mas claro, propositalmente. Inclusive, vale uma menção à atuação maravilhosa de Bale. Eu sempre soube que era um ator excelente, mas esse trabalho conseguiu acrescentar ainda mais créditos a ele. Não é um filme incontestável, mas é um excelente filme. Vale a pena.
A figura de Chorão, para bem ou para mal, marcou a música brasileira. A personalidade forte, explosiva e imponente do cantor e sua filosofia de vida influenciou toda uma geração de jovens, cuja grande maioria, pelo menos do meu ciclo social, viraram alguns dos adultos mais detestáveis e preguiçosos que já tive o desprazer de conhecer, embora eu não possa negar que se tratem de pessoas que vivem à sua própria maneira, coisa cada vez mais rara de se encontrar.
A nível pessoal, sempre achei sua música espetacular e digna de nota, embora no meu contexto de aspirante a escritor e jovem promissor no mercado de trabalho, eu raramente consiga aplicar suas filosofias ao meu cotidiano. Com exceção, claro, das letras que falam dos "playboys filhas da puta", os quais eu lamentavelmente me identifico muito mais do que o eu-lírico. Apesar disso, Alexandre Magno sempre cantou com total convicção, e sabe como é, gente verdadeira encanta, independente do contexto.
Feitas as considerações sobre essa figura emblemática, partamos para o documentário. E bem, para ser sincero, não achei nada demais no quesito produção e direção. Isto é, o storytell aqui é muito confuso, e parece ter um efeito pêndulo. Um ou dois depoimentos positivos, um ou dois depoimentos negativos, e o ciclo se reinicia. Além de que a própria edição é bem fraca, sem trazer muito peso às falas mais marcantes, como é o caso dos depoimentos de Champignon e do melhor amigo de Chorão.
O que salva, a exemplo de praticamente tudo na vida do vocalista do Charlie Brown, é sua personalidade forte e interessantíssima. Mesmo vendo diversas pessoas trazendo suas perspectivas e contando histórias, em momento algum o espectador consegue sentir que de fato o conhece por completo. A todo instante, um novo relato traz uma nova camada e uma nova perspectiva sobre Chorão, mostrando toda a complexidade deste personagem tão marcante.
Ao final, me vi com os olhos marejados, refletindo sobre uma morte ocorrida há 8 anos atrás e que na ocasião não me significou nada, mas que hoje me causa uma certa nostalgia, e que surpreendente, me inspira. Felizmente, posso dizer que nunca faltou amor na minha vida, mas se tem algo que meus amigos mais próximos costumam me dizer sempre que têm a oportunidade é que me falta ódio, e acho que nenhuma figura equilibrou tão bem esses dois sentimentos quanto Chorão.
Eu adiei muito essa sessão, creio que por conta da minha arrogância millennial que dispensa qualquer breguice de efeitos enfadonhos das décadas passadas. Percebo hoje o quão equivocado fui. Isso porque o filme é sim brega em diversos aspectos, mas a magia do Superman está lá do início ao fim. A forma como Cristopher Reeve muda até mesmo a sua postura quando alterna entre o herói e seu alter ego é genial. Em questão de segundos vemos o encurvado, atrapalhado, tímido e ansioso Clark Kent estufar o peito e literalmente se transformar na frente dos nossos olhos. Transformação essa tão convincente que quase esquecemos da eterna piada sobre os óculos de Clark. A direção é fantástica e cumpriu muito bem o seu papel. Cenas de ação com cortes rápidos, planos mais longos e com timing perfeitos durante as trapalhadas do Clark e a memorável entrevista com a Lois Lane na cobertura do seu prédio, que para mim foi o ápice do filme. Cumpre bem o papel de instruir o público, cuja grande maioria era pouco familiarizada com as HQ's e ainda desenvolve a relação entre Superman e Lois, que transbordam aquela química bobinha dos filmes românticos dos anos 70. O roteiro é o ponto mais frágil. Lex, apesar de bem interpretado, é raso e bidimensional. Além disso, é um pouco difícil acompanhar certas soluções. Alguém entendeu aquele papo do Lex deduzindo os efeitos da Kryptonita? Para mim foi medonho. Mas sinceramente, após essa ressaca Snyderiana em que todo herói parece o Batman (exceto o Batman), posso dizer que estou feliz, de coração acalentado e realmente inspirado por esse filme. É o heroísmo em seu estado cristalino, de forma como provavelmente nunca mais veremos, vide essa maré de desconstrução do gênero, mas que é a base que sustenta todas essas narrativas. Sensacional!
Algumas considerações sem spoilers (e sem entusiasmo) sobre Sweet Tooth.
Após um dia de feriado forçado (se é que esse conceito exista), passado inteiramente na horizontal, venho aqui trazer algumas palavras sobre a adaptação de quadrinhos do momento: Sweet Tooth.
Antes acho justo alertar que não sou lá um grande fã do quadrinho. Acho bem lugar-comum, uma jornada do herói clássica e com um final meio questionável, razão pela qual me mantive muito mente aberta à repaginação visual que os trailers da série prediziam. Sentei em frente à TV servido de um café quente e toda boa vontade que tinha, e bem... a boa vontade acabou antes do café.
E o termo principal ao qual atribuo isso é "lentidão". Não que eu não goste de histórias mais contemplativas e calmas, mas o que ocorre aqui é puramente encheção de linguiça. A série, provavelmente vista como um potencial sucesso pelos homens de terno da Netflix, os quais eu consigo perfeitamente imaginar em torno de uma mesa retangular dizendo coisas como "sim, temos Robert Downey Jr. nos créditos, e esse escritor canadense que as pessoas gostam muito, é dinheiro certo", não foi planejada para uma única temporada, o que fica evidente devido à grande quantidade de fillers e pelo próprio desfecho. Não vou citar em que ponto a série termina, mas se você pegar seus encadernados da Panini, o de capa amarela servirá bem como resposta.
Inclusive, já que citei o corporativismo da Netflix, acho justo vilanizá-lo mais um pouco, a fim de honrar meu sangue vermelho. A HQ, escrita e desenhada por um único cara sozinho em seu estúdio, é inegavelmente de um teor bem sensível e artístico em diversas passagens. Já a série é segue a fórmula "Netfliquiana de produção em massa de conteúdo audiovisual: diversas cenas de paisagens gravadas de drone (diversas mesmo), ao som de músicas legaizinhas, trazendo aquele ar de videoclipe, que no geral servem bem ao propósito de mascarar um roteiro problemático. Uma das artimanhas da mãe dos streamings.
Esse roteiro encomendado e pouco presunçoso até tenta trazer algumas referênciazinhas à outras obras de Lemire, mas o resultado passa longe de ser cool, como esperado. Boa parte da história (sabe-se lá o porquê) se passa em um Condado de Essex (não o canadense de Lemire, mas um fictício no estado do Colorado), além de que em dado momento vemos uma rua com o nome de Gideon, e é isso. Acaba soando bem "The Big Bang Theory", dando uma piscadinha para os "verdadeiros fãs" que estão assistindo não se frustrarem tanto.
Os erros poderiam ser mascarados por uma direção mais criativa, mas não foi o caso. Existem alguns momentos muito interessantes, como as cenas de ação (que são bem poucas), e os backgrounds de personagens como o do Dr. Singh, que inclusive é o ponto mais alto da série, mas infelizmente se perde muito ao narrar o núcleo central.
As atuações não comprometem, o destaque é o Adeel Akhtar (o supra citado Dr. Singh), mas isso acaba não sendo o suficiente para esquivá-lo de protagonizar uma das cenas mais "que caralhos foi isso" da série. Ah, a Aimee Eden está muito bem, também.
No fim das contas Sweet Tooth parece uma colcha de retalhos com algumas coisinhas boas perdidas ali no meio, mas que mais convida o espectador a checar as redes sociais durante a sessão do que prende a atenção, e que daqui umas duas semanas ninguém mais vai comentar. Espero (mas não acredito) que melhorem ela para a próxima temporada. Se é que ela vai sair.
Se comparada à WandaVision, tivemos um salto bem grande em qualidade, mas ainda não podemos dizer que a Marvel acertou 100% a mão. Alguns temas do roteiro, apesar de ideias interessantes, ou foram mau explorados, ou saturados. Uma subtrama que parece não ter levado a nada foi a do barco da família do Sam, além de que é bem difícil acreditar que um Vingador passaria por problemas financeiros tão sensíveis. Pesa bastante na suspensão da descrença. Outro ponto que saiu um pouco atravessado foi o discurso político. Não, eu não estou reclamando da representatividade na Marvel, até porque a acho acertada e necessária, mas a repetição exaustiva do racismo que gira em torno do manto do Capitão América acabou fragilizando o roteiro, deixando tudo muito óbvio e consequentemente menos interessante. O assunto é notório, indissociável do personagem e deve sempre ser discutido, mas poderia ter sido trabalhado de forma mais criativa, não usando basicamente as mesmas palavras e o mesmo cenário sempre. O ponto mais baixo foi o discurso final, que visivelmente buscava criar paralelos entre o Sam enquanto figura pública com outros líderes negros de oratória notável como Martin Luther King e Malcolm X, mas que acabou se prolongando muito e ficando um pouco cansativo, e honestamente, dando um pouquinho de vergonha alheia. Particularmente eu acho que a magia em torno do Sam enquanto Capitão América é muito mais notável por mostrar que um homem negro é digno do manto de maior herói da nação, e não por ser essa figura política que o Steve nunca foi. Trata-se muito mais de um símbolo de justiça (agora também racial), e não de um populista. Ok, se você leu até aqui pode achar que por esses motivos eu não gostei da série, mas na verdade, ela é excelente. É tudo que eu esperava em termos de ação e dinâmica da equipe. Bucky e Sam fizeram uma espécie de reboot do Máquina Mortífera, que somado ao carisma do Agente Americano, atingiu um nível maravilhoso de sinergia. Inclusive, vale abrir um parêntese para esse personagem. Arrisco dizer que John Walker será uma espécie de novo Loki, sempre transitando dubiamente por questões morais e fazendo aparições memoráveis. Bucky teve um desenvolvimento modesto, porém totalmente coerente com a história que foi apresentada ao longo dos anos e por isso estou satisfeito. Agora que o recado foi dado, estou animadíssimo com o novo Capitão América, o único digno do manto. Que venham mais séries!
O primeiro VHS que minha mãe trouxe pra casa depois de comprar o vídeocassete. Não lembro de como me senti assistindo, só de um pouco de estranheza ao ver bules e candelabros cantando. É muito gostoso parar e reassistir isso alguns muitos anos depois e perceber muitos pontos interessantes que a minha versão criança ainda não tinha reparado. A subversão do clichê do príncipe encantando com a fera, que invertem os papéis de herói e vilão, em uma abordagem até que bem progressista, que viraria a marca registrada da Disney anos depois. Além, é claro, de que a Bela é sem dúvida a melhor princesa das animações clássicas, indo muito além da simples donzela em perigo. Ela tem sonhos que não tangem o matrimônio e a vida em família. Lê sobre mundos e lugares distantes e quer conhecê-los. A trilha sonora é incrível e as atuações, também. A Disney é uma empresa gigante que volta e meia vem à tona em alguma reflexão pesada sobre monopólio, e o decaimento da indústria, mas não tem como negar que eles sabem fazer filmes encantadores.
Essa caracterização do Aranha é um perfeito meio termo entre a versão do Tobey e a versão do Andrew, dado suas devidas proporções para se adaptar ao público infantil, logicamente.
Temos literalmente o melhor de dois mundos: um Peter cujo drama da perda do tio ainda lhe assombra, mas que nem por isso perde sua presença e seu carisma, como era com Tobey. Além de que a relação com esta tia May está muito mais natural (não se trata de uma velha que só se comunica por meio de frases de efeito) e os problemas financeiros não foram simplesmente ignorados. Vemos todo o arco do Duende Verde, bem como todo o time do Clarim lindamente escalado e interpretado.
Ao colocar a máscara, no entanto, vemos um Homem Aranha ácido, debochado e irônico, como Andrew sabia fazer bem, dando um significado real ao termo "alter ego", sendo não somente uma fantasia, mas um personagem diferente. Além de que vamos combinar, esse é sem dúvida o melhor núcleo escolar que o Aranha já teve. Esse Flash é de longe o melhor, possuindo muito mais camadas do que ser apenas o troglodita bidimensional que pratica bullying sem razão aparente.
No final da temporada na batalha contra o simbionte, chorei pois já disse diversas vezes e sempre repito: o Homem Aranha é um dos mitos modernos da nossa cultura, e naquele flashback, toda essa mitologia é condensada em um único momento que homenageia toda essa trajetória.
Eu sei que o desenho é infantil e um pouco bobo, mas os criadores entendiam o personagem como poucos entenderam até hoje. Vale muito a pena.
Estou surpreso com o quão singular é esse filme, ainda mais tratando-se de cinema nacional. Isso porque um thriller psicológico sai bastante da bolha que parece sempre girar em torno do brasileirismo clássico (tráfico, ruptura esfera-pública e privada, superação e sexo de péssimo gosto). Se bem que nesse último ponto, Animal Cordial apresenta o esperado. Os personagens tem uma simbologia até que bem clara e que vai muito de encontro ao efervescente caos político de meados de 2017 - o vilão aqui é o empresário que usa a violência sob pretexto de estar apenas defendendo sua propriedade. O ex-policial e o advogado, representando uma totalidade de suas classes, são impotentes. O policial mostra-se dúbio, moralmente, enquanto o advogado não representa nada, se não um leve murmúrio de fundo. Verônica é a caricatura da elite arrogante, Sara representa a fragilidade e falta de autonomia da mulher no contexto caótico e por fim, Djair, o coração da obra, condensa as minorias em um único personagem interessantíssimo: transexual, nordestino, preto. Vale ainda destacar o quão carismática é a performance do ator Iradhir Santos. Apesar do diálogo com temas políticos e sociais nas entrelinhas, o filme não traz de forma nenhuma a militância cool e arrogante que o Twitter nos acostumou. Djair não precisa explicar suas origens, tampouco trazer frases de efeito que girem em torno da sua sexualidade. O roteiro não é sobre isso, e a figura de um travesti em meio ao contexto caótico foi sabiamente inserida com naturalidade, sem necessidade de mensagens pastelonas no maior estilo He-Man (ponto em que muitos filmes sérios pecam). É uma personagem encantadora. Tenho algumas ressalvas quanto ao Murilo Benício, não consigo sentir muita confiança em sua atuação. O ator sempre me pareceu estar em uma constante embriaguez, o que caía bem em papeis como Tufão, mas que aqui causam estranheza em diversas cenas corriqueiras, mas que até que funcionam nos momentos em que o personagem expõe suas maiores idiossincrasias. A direção é competente e até bem Tarantinesca em diversos momentos, uma pena o roteiro não ter acompanhado essa visão. O ponto mais forte é seguramente a trilha sonora, que lembra muito o trabalho de Angelo Badalamenti em Twin Peaks, e que aqui cai como uma luva. É um bom filme, e seguramente vale o tempo de todos os que tem ressalvas quanto ao nosso cinema brazuca.
Tirando o final que ficou um pouco "lugar comum", com um clímax emocionante que não condiz nem um pouco com o mostrado até então, o filme é maravilhoso. Os diálogos são primorosos, até um pouquinho Tarantinescos em alguns momentos, e vale muito a pena assistir.
Assisti para buscar inspiração para um roteiro que estou escrevendo. Certamente trouxe algumas noções, mas principalmente do que não fazer. A trama não é lá muito instigante, e o carisma mórbido de Johnny Depp acaba se apagando no meio de um elenco de atrizes tão espirituosas, o que soa até meio estranho dado o contexto, deixando o filme perdido no próprio tom e nos clichês de roteiro dos quais abusa.
É muito menos diferente do que se propunha a ser. Visualmente, segue a linha dos trabalhos anteriores de Snyder, porém é evidente e indisfarçável o tom mais ameno e bem humorado.
O Flash teve um ou outro bom momento no filme, mas não deixa de ser petulante e pouco carismático. Aquaman e Diana, pobres dos bons, não sabem o porquê de estarem no filme. Cyborg tem profundidade e tridimensionalidade, e consegue ser um personagem muito mais gostável do que o filme parece levar em conta. O Batman é esperançoso e sonhador, e apesar do visual impecável do Ben Affleck, essa descaracterização causa uma estranheza em quem entende minimamente o personagem. O Superman, por fim, com seu carisma de tábua de mármore, surge quando precisa surgir, fazendo basicamente o que os roteiristas conseguiram bolar para evitar que o filme durasse apenas 16 minutos.
E sobre a mitologia e conceitos de Zack Snyder, é nítida como a sua necessidade de inventividade e grandeza, provavelmente pelo fato de se levar a sério demais (vide tweets se enaltecendo), distorce totalmente o conceito de super-heroísmo. É natural que diretores pensem foram da caixa, e ele o fez até que de forma bem interessante em Batman Vs. Superman. Homem Vs. Deus. Depois disso, tudo que vimos foram lampejos de uma mente ansiosa por engrandecer a própria obra com todo tipo de filler, parecendo esquecer que possui o provável maior panteão da história contemporânea ao seu dispor. O filme ora parece uma variação de Senhor dos Anéis, com a união de todos os exércitos para lutar contra o mal comum, ora parece uma distopia como Mad Max ou algum outro pós-apocalíptico qualquer. Está longe de ser o filme que se espera ver da liga.
Isso porque os heróis de Zack Snyder não salvam pessoas. Eles derrotam o vilão, essa parece ser sua prioridade. As vidas humanas, a esperança e a inspiração são apenas consequência.
Mas apesar de não ser o filme que esperávamos da Liga da Justiça, é um filme divertidíssimo se você deixar de lado o carinho que sente por versões mais populares dos personagens ali mostrados. Vale as 4 horas (que poderiam tranquilamente três).
A série foi menos do que poderia ter sido, mas ainda é mais do que a maioria das séries são. O roteiro por vezes exagera nas frases de efeito, o que dá um ar bem infantil para a série e certamente foi um recorde no quesito personagens e atores sensacionais desperdiçados, que ao final da trama pareceram apenas fan services desprovidos de um propósito genuíno. O ponto forte sem dúvida foi a química entre Elisabeth Olsen e Paul Bettany, especialmente nos primeiros episódios no estilo sitcom. O elenco todo é carismático, para falar a verdade, mesmo aqueles que aparentemente não tinham razão para estarem lá. Foi uma primeira tentativa de série, e a Marvel já cometeu alguns erros antes de achar o tom correto em diversas produções. Creio que agora só nos resta torcer para que Falcão e o Soldado Invernal seja melhor. E algo me diz que será.
Ta na dúvida se assiste ou não? Leia meu comentário.
Se você assim como eu tá de saco cheio daquela pegada novelesca que a maioria das produções brasileiras tem, pode ficar tranquilo. Cidade Invisível é de fato uma série com todos os elementos que as produções americanas tem, inclusive efeitos surpreendentemente bacanas.
As atuações são ok, com um ou outro momento de destaque, e os personagens são interessantes e com conceitos muito atrativos.
O problema, porém é o roteiro imaturo que além de apresentar diálogos sofríveis (parecem dublagens dos anos 90), em alguns casos parece zombar da inteligência do espectador. É notória uma falta de pena da direção criativa na hora de matar os personagens, mas no geral, o espectador acaba não sentindo pena também, apenas porque não nos são proporcionados meios para nos apegarmos verdadeiramente a eles.
O ponto alto sem sombra de dúvidas é o tema, e a abordagem madura do mesmo. Resumidamente, argumento excelente, execução técnica muito acima da média, mas faltou um pouco de maturidade dos escritores.
Vale a pena assistir de qual forma, apenas para dar aquela força para as produções nacionais.
Não Olhe para Cima
3.7 1,9K Assista AgoraVi uma série de críticas mistas sobre o filme, então procurei não esperar muita coisa, até porque apesar do excelente elenco, trata-se de uma produção da Netflix, então é preciso ser cauteloso quanto às expectativas.
Qual não foi a minha surpresa quando depois de pouco mais de 15 minutos, percebi já estar vidrado no filme. Tudo nele funciona. Os personagens são carismáticos, o humor, que eventualmente brinca com aquele estilo típico de The Office, causando desconforto no espectador, é sensacional e bem dosado com algo mais pastelão, que além de servir como uma fuga do eventual cansaço que um filme deste caráter poderia trazer, também funciona como um elemento narrativo. Os eventuais surtos da Kate em rede nacional nos causam vergonha alheia, mesmo sabendo que o que ela diz é verdade. Isso é Adam McKay nos mostrando que embora 99% das pessoas que assistiram se coloquem como entendedores da mensagem, e guardiões do bom senso, no dia-dia estamos sujeitos a ouvir menos e julgar mais, independente do phD que vem antes do nome. Genial.
Inclusive, esses surtos são sensacionais. Lawrence e DiCaprio dividem igualmente o protagonismo e o carisma por meio de atuações maravilhosas, juntamente com o excelente elenco de apoio. mas acho que isso não surpreende ninguém, vide a bagagem do pessoal envolvido.
Some esses aspectos de entonação tragicômica ao clima de barco afundando que surge da segunda metade em diante, e temos uma obra cheia de personalidade, e acima de tudo, de verdade. Maravilhoso.
O Diabo de Cada Dia
3.8 1,1K Assista AgoraEsse filme saiu tem um tempinho já, e acho que por conta do elenco recheado de figurinhas conhecidas no cinema mainstream (só de heróis, temos 3), foi bastante comentado na época, mas é óbvio que como eu vivo em um mundo irônico mundo de consumo exacerbado de cultura popular na mesma medida que fujo de modinhas, eu acabei não assistindo. Até essa semana.
E qual é o veredito? Bom, o filme claramente tem influências tarantinescas, se levando a sério do começo ao fim. Os atores entregam trabalhos decentes, embora seja para mim extremamente difícil ver Tom Holland encarando um papel mais obscuro, mas no geral, é bem legalzinho. Não chega a proporcionar nenhum grande êxtase e é até que previsível depois que você entende a audácia narrativa dos caminhos se cruzando entre seus personagens, mas passa longe de ser algo enfadonho.
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
4.2 1,8K Assista AgoraAbrindo meu coração sobre No Way Home (sem spoilers).
O filme peca em diversos momentos narrativamente, deixando as motivações de alguns personagens pouco ou nada claras, além de não desenvolver muito bem alguns subplots, culminando em furos bem evidentes no roteiro. Se a gente fosse pegar e avaliar o filme tecnicamente, provavelmente seria um filme nota três.
Entretanto, porém, todavia, existe uma coisa chamada sentimento!
Esse filme foi escrito pros fãs, tanto os de versões anteriores do Aranha quanto da versão atual, e tem consciência disso do começo ao fim. Ele sabe o que os fãs querem, e mais do que isso, sabe como entregar com perfeição
Então o que vai ditar se você vai gostar ou não é o quão fã do Homem Aranha você é.
No meu caso, sendo louco por esse personagem desde que eu era criança, consegui passar o pano para todos os furos sem a menor dificuldade.
E bem, apesar desse filme, pelo menos para a maioria das pessoas, ter tido o mérito de mostrar o quão maravilhoso foi ser fã deste personagem nos últimos 20 anos, comigo foi diferente. Se antes eu era um moleque com cabelinho de tigela louco pelo personagem, durante a sessão, e especialmente durante o epílogo, No Way Home me fez perceber que um dia eu serei um dia serei um velhinho careca ainda animado comprando ingressos para assistir o herói, e isso não tem preço.
Homem Aranha é atemporal.
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
4.2 1,8K Assista AgoraNão consigo nem trabalhar de tanto que to ansioso
A Bruxa de Blair
3.1 1,7KFinalmente, após 22 anos (desde meu nascimento e desde a estreia), tive contato com este filme, e bem... Ele é tudo que eu esperava.
Conceitualmente, genial, visto ter sido este o filme que fez o gênero found footage atingir o status quo.
A nível narrativo, no entanto, não vai além de umas filmagens descartáveis e mal executadas, cujo impacto não se dá pelas cenas gravadas ou suspense criado, e sim por conta da mensagem dizendo que os fatos são reais no início do filme. Propaganda brilhante, produto esquecível.
A Voz do Silêncio
4.3 352 Assista AgoraFilme que aborda o bullying, além de outros sentimentos complexos do espectro humano como perda e culpa com toda aquela sensibilidade intimista que somente os japoneses sabem colocar em suas produções.
Sou um pouco suspeito para falar porque quem conhece meus textos e roteiros mais dramáticos sabe o quão grande é a influência dos momentos de respiro para o desenvolvimento da trama, e este filme traz exatamente isso. Não são palavras que trazem a dimensão da culpa que Ishida, o protagonista e ex-bullie, sente, e sim seu olhar contemplando um riacho com algumas carpas. Lindo.
Presságio
3.1 1,8K Assista AgoraCena do avião caindo >>>>>>>>>>>>
O Mistério de Silver Lake
3.0 329 Assista AgoraDifícil opinar sobre essa produção, não somente por se tratar de um produto tão singular, mas também pelo fato da minha limitada bagagem não ter absorvido nem 1/3 das referências entregues na obra. Mas isso não significa que eu não tenha gostado.
Andrew Garfield está muito bem, como de praxe, e serve como um totem para o espectador conhecer algumas subculturas de Los Angeles, enquanto um suspense com algumas nuances de filme noir se desenrola. A todo momento pensamos "agora ele descobrirá algo bombástico", apenas para percebemos que não, não existe nada muito bombástico a ser descoberto. Apenas uma ou outra estranheza, mas nada que ressignifique uma vida, como Sam acha.
Mas independente das estranhezas e da narrativa menos mastigada, é inegável que exista uma atmosfera envolvente que jamais impele o espectador a desligar a TV. Ótimo filme.
As 24 Personalidades de Billy Milligan
3.6 53 Assista AgoraUma história interessante, contada a partir de uma narrativa que sabiamente soubre trabalhar os dois lados da questão, sem se propor a responder se Billy Milligan era ou não um farsante.
Notei que além do próprio Milligan, sua mãe e seus irmãos também pareciam extremamente à vontade durante as entrevistas e depoimentos. Uma certa afinidade teatral com a câmera, sabe!? Isso me fez pensar se os traços narcisistas apontados no personagem não seriam uma característica natural da família.
Mas saindo do campo das teorias sobre a condição deste personagem tão singular a história, acho válido ressaltar o ponto mais fraco do documentário: ele é arrastado. Eu não acho que as informações nele expostas valem as 4 horas de duração, divididas em 4 episódios de uma hora cada. Ao invés disso, um longa de 2 horas já seria mais do que suficiente, evitando repetições de ideias, e excessivos depoimentos de personagens que sequer entendemos muito bem de que forma contribuíram ou presenciaram o desenrolar da história de Billy.
Artista do Desastre
3.8 557 Assista AgoraNão pretendo me estender falando sobre The Room. Creio que todo internauta já tenha esbarrado com este filme em algum momento. A premissa é simples, dramática e a execução, risível. Como já apresentado em outras ocasiões por resenhistas mais gabaritados, The Room se tratou de um fracasso tão esplendoroso, que acabou dando certo.
O que The Disaster Artist faz é explorar os bastidores e os motivos que transformaram esta produção no provável pior filme da história, o que implica em explorar a mente de seu idealizador, Tommy Wiseau. Exploração essa que se dá apenas com base em suas atitudes presenciadas por outras pessoas. Não há aqui uma jornada do herói, ou a construção de uma psique. Tommy é misterioso, surge de repente, e é constante em suas próprias estranhezas e visão de mundo destorcida.
A execução é totalmente primorosa, e apesar de todos os apesares, não há como não ficar boquiaberto com o trabalho de James Franco, tanto por conta da atuação quanto pela direção.
Inclusive, há um quê metalinguístico na obra. James Franco estrelou e dirigiu um filme sobre um cara que estrelou e dirigiu seu filme, além de que é perfeitamente cabível imaginar que a escolha de seu irmão caçula para interpretar o "baby face" não tenha sido por acaso. Ambos construíram relações diferentes com a fama e com a atuação, assim como Tommy e Greg.
Inclusive este é o único ponto razoavelmente desconfortável. Dave Franco não consegue convencer na pele de Greg Sestero. Até porque eu acredito que seja difícil interpretar alguém que tem a aparência de um galã, mas que mesmo assim é naturalmente inseguro. Dave não tem essa aparência, então tudo se torna mais cabível, se tratando dele. Além de que a maquiagem utilizada é horrorosa e desagradável.
Mas apesar disso, esse filme possui a mesma paixão que motivou a execução de The Room, anos atrás. É um ideal artístico, algo que vai além da execução técnica, e que se você prestar bem a atenção, pode tirar algumas lições extremamente valiosas.
Psicopata Americano
3.7 2,0K Assista AgoraFilme de personalidade admirável, do tipo que não há como esquecer, seja pelas cenas icônicas e marcantes, ou por toda a construção totalmente atípica, mesmo que o roteiro eventualmente desemboque em um ou outro beco sem saída, se preocupando demais em expor a personalidade do protagonista para os espectadores. É o caso, por exemplo, das cenas dos cartões de visitas. A primeira expõe a personalidade neurótica e invejosa de Patrick na mesma medida que solidifica isso como uma característica comum do seu meio, podendo ou não ser produto dele, enquanto que na segunda ocasião, acaba tirando um pouco da grandeza, sem acrescentar muito à história e tornando aquela genialidade de direção algo mais pífio, vide a repetição.
Mas é claro que esse é só um detalhe, que causa muito menos desconforto do que a personalidade de Patrick, que em alguns momentos supera Michael Scott na arte de envergonhar o espectador. Mas claro, propositalmente.
Inclusive, vale uma menção à atuação maravilhosa de Bale. Eu sempre soube que era um ator excelente, mas esse trabalho conseguiu acrescentar ainda mais créditos a ele.
Não é um filme incontestável, mas é um excelente filme. Vale a pena.
Chorão: Marginal Alado
3.7 179 Assista AgoraA figura de Chorão, para bem ou para mal, marcou a música brasileira. A personalidade forte, explosiva e imponente do cantor e sua filosofia de vida influenciou toda uma geração de jovens, cuja grande maioria, pelo menos do meu ciclo social, viraram alguns dos adultos mais detestáveis e preguiçosos que já tive o desprazer de conhecer, embora eu não possa negar que se tratem de pessoas que vivem à sua própria maneira, coisa cada vez mais rara de se encontrar.
A nível pessoal, sempre achei sua música espetacular e digna de nota, embora no meu contexto de aspirante a escritor e jovem promissor no mercado de trabalho, eu raramente consiga aplicar suas filosofias ao meu cotidiano. Com exceção, claro, das letras que falam dos "playboys filhas da puta", os quais eu lamentavelmente me identifico muito mais do que o eu-lírico. Apesar disso, Alexandre Magno sempre cantou com total convicção, e sabe como é, gente verdadeira encanta, independente do contexto.
Feitas as considerações sobre essa figura emblemática, partamos para o documentário. E bem, para ser sincero, não achei nada demais no quesito produção e direção. Isto é, o storytell aqui é muito confuso, e parece ter um efeito pêndulo. Um ou dois depoimentos positivos, um ou dois depoimentos negativos, e o ciclo se reinicia. Além de que a própria edição é bem fraca, sem trazer muito peso às falas mais marcantes, como é o caso dos depoimentos de Champignon e do melhor amigo de Chorão.
O que salva, a exemplo de praticamente tudo na vida do vocalista do Charlie Brown, é sua personalidade forte e interessantíssima. Mesmo vendo diversas pessoas trazendo suas perspectivas e contando histórias, em momento algum o espectador consegue sentir que de fato o conhece por completo. A todo instante, um novo relato traz uma nova camada e uma nova perspectiva sobre Chorão, mostrando toda a complexidade deste personagem tão marcante.
Ao final, me vi com os olhos marejados, refletindo sobre uma morte ocorrida há 8 anos atrás e que na ocasião não me significou nada, mas que hoje me causa uma certa nostalgia, e que surpreendente, me inspira. Felizmente, posso dizer que nunca faltou amor na minha vida, mas se tem algo que meus amigos mais próximos costumam me dizer sempre que têm a oportunidade é que me falta ódio, e acho que nenhuma figura equilibrou tão bem esses dois sentimentos quanto Chorão.
Todos temos um pouco a aprender com ele.
Superman: O Filme
3.7 539 Assista AgoraEu adiei muito essa sessão, creio que por conta da minha arrogância millennial que dispensa qualquer breguice de efeitos enfadonhos das décadas passadas. Percebo hoje o quão equivocado fui.
Isso porque o filme é sim brega em diversos aspectos, mas a magia do Superman está lá do início ao fim. A forma como Cristopher Reeve muda até mesmo a sua postura quando alterna entre o herói e seu alter ego é genial. Em questão de segundos vemos o encurvado, atrapalhado, tímido e ansioso Clark Kent estufar o peito e literalmente se transformar na frente dos nossos olhos. Transformação essa tão convincente que quase esquecemos da eterna piada sobre os óculos de Clark.
A direção é fantástica e cumpriu muito bem o seu papel. Cenas de ação com cortes rápidos, planos mais longos e com timing perfeitos durante as trapalhadas do Clark e a memorável entrevista com a Lois Lane na cobertura do seu prédio, que para mim foi o ápice do filme. Cumpre bem o papel de instruir o público, cuja grande maioria era pouco familiarizada com as HQ's e ainda desenvolve a relação entre Superman e Lois, que transbordam aquela química bobinha dos filmes românticos dos anos 70.
O roteiro é o ponto mais frágil. Lex, apesar de bem interpretado, é raso e bidimensional. Além disso, é um pouco difícil acompanhar certas soluções. Alguém entendeu aquele papo do Lex deduzindo os efeitos da Kryptonita? Para mim foi medonho.
Mas sinceramente, após essa ressaca Snyderiana em que todo herói parece o Batman (exceto o Batman), posso dizer que estou feliz, de coração acalentado e realmente inspirado por esse filme. É o heroísmo em seu estado cristalino, de forma como provavelmente nunca mais veremos, vide essa maré de desconstrução do gênero, mas que é a base que sustenta todas essas narrativas. Sensacional!
Sweet Tooth (1ª Temporada)
4.0 295Algumas considerações sem spoilers (e sem entusiasmo) sobre Sweet Tooth.
Após um dia de feriado forçado (se é que esse conceito exista), passado inteiramente na horizontal, venho aqui trazer algumas palavras sobre a adaptação de quadrinhos do momento: Sweet Tooth.
Antes acho justo alertar que não sou lá um grande fã do quadrinho. Acho bem lugar-comum, uma jornada do herói clássica e com um final meio questionável, razão pela qual me mantive muito mente aberta à repaginação visual que os trailers da série prediziam. Sentei em frente à TV servido de um café quente e toda boa vontade que tinha, e bem... a boa vontade acabou antes do café.
E o termo principal ao qual atribuo isso é "lentidão". Não que eu não goste de histórias mais contemplativas e calmas, mas o que ocorre aqui é puramente encheção de linguiça. A série, provavelmente vista como um potencial sucesso pelos homens de terno da Netflix, os quais eu consigo perfeitamente imaginar em torno de uma mesa retangular dizendo coisas como "sim, temos Robert Downey Jr. nos créditos, e esse escritor canadense que as pessoas gostam muito, é dinheiro certo", não foi planejada para uma única temporada, o que fica evidente devido à grande quantidade de fillers e pelo próprio desfecho. Não vou citar em que ponto a série termina, mas se você pegar seus encadernados da Panini, o de capa amarela servirá bem como resposta.
Inclusive, já que citei o corporativismo da Netflix, acho justo vilanizá-lo mais um pouco, a fim de honrar meu sangue vermelho. A HQ, escrita e desenhada por um único cara sozinho em seu estúdio, é inegavelmente de um teor bem sensível e artístico em diversas passagens. Já a série é segue a fórmula "Netfliquiana de produção em massa de conteúdo audiovisual: diversas cenas de paisagens gravadas de drone (diversas mesmo), ao som de músicas legaizinhas, trazendo aquele ar de videoclipe, que no geral servem bem ao propósito de mascarar um roteiro problemático. Uma das artimanhas da mãe dos streamings.
Esse roteiro encomendado e pouco presunçoso até tenta trazer algumas referênciazinhas à outras obras de Lemire, mas o resultado passa longe de ser cool, como esperado. Boa parte da história (sabe-se lá o porquê) se passa em um Condado de Essex (não o canadense de Lemire, mas um fictício no estado do Colorado), além de que em dado momento vemos uma rua com o nome de Gideon, e é isso. Acaba soando bem "The Big Bang Theory", dando uma piscadinha para os "verdadeiros fãs" que estão assistindo não se frustrarem tanto.
Os erros poderiam ser mascarados por uma direção mais criativa, mas não foi o caso. Existem alguns momentos muito interessantes, como as cenas de ação (que são bem poucas), e os backgrounds de personagens como o do Dr. Singh, que inclusive é o ponto mais alto da série, mas infelizmente se perde muito ao narrar o núcleo central.
As atuações não comprometem, o destaque é o Adeel Akhtar (o supra citado Dr. Singh), mas isso acaba não sendo o suficiente para esquivá-lo de protagonizar uma das cenas mais "que caralhos foi isso" da série. Ah, a Aimee Eden está muito bem, também.
No fim das contas Sweet Tooth parece uma colcha de retalhos com algumas coisinhas boas perdidas ali no meio, mas que mais convida o espectador a checar as redes sociais durante a sessão do que prende a atenção, e que daqui umas duas semanas ninguém mais vai comentar. Espero (mas não acredito) que melhorem ela para a próxima temporada. Se é que ela vai sair.
Falcão e o Soldado Invernal
3.9 385 Assista AgoraSe comparada à WandaVision, tivemos um salto bem grande em qualidade, mas ainda não podemos dizer que a Marvel acertou 100% a mão.
Alguns temas do roteiro, apesar de ideias interessantes, ou foram mau explorados, ou saturados.
Uma subtrama que parece não ter levado a nada foi a do barco da família do Sam, além de que é bem difícil acreditar que um Vingador passaria por problemas financeiros tão sensíveis. Pesa bastante
na suspensão da descrença.
Outro ponto que saiu um pouco atravessado foi o discurso político. Não, eu não estou reclamando da representatividade na Marvel, até porque a acho acertada e necessária, mas a repetição exaustiva do racismo que gira em torno do manto do Capitão América acabou fragilizando o roteiro, deixando tudo muito óbvio e consequentemente menos interessante. O assunto é notório, indissociável do personagem e deve sempre ser discutido, mas poderia ter sido trabalhado de forma mais criativa, não usando basicamente as mesmas palavras e o mesmo cenário sempre.
O ponto mais baixo foi o discurso final, que visivelmente buscava criar paralelos entre o Sam enquanto figura pública com outros líderes negros de oratória notável como Martin Luther King e Malcolm X, mas que acabou se prolongando muito e ficando um pouco cansativo, e honestamente, dando um pouquinho de vergonha alheia. Particularmente eu acho que a magia em torno do Sam enquanto Capitão América é muito mais notável por mostrar que um homem negro é digno do manto de maior herói da nação, e não por ser essa figura política que o Steve nunca foi. Trata-se muito mais de um símbolo de justiça (agora também racial), e não de um populista.
Ok, se você leu até aqui pode achar que por esses motivos eu não gostei da série, mas na verdade, ela é excelente. É tudo que eu esperava em termos de ação e dinâmica da equipe. Bucky e Sam fizeram uma espécie de reboot do Máquina Mortífera, que somado ao carisma do Agente Americano, atingiu um nível maravilhoso de sinergia. Inclusive, vale abrir um parêntese para esse personagem. Arrisco dizer que John Walker será uma espécie de novo Loki, sempre transitando dubiamente por questões morais e fazendo aparições memoráveis.
Bucky teve um desenvolvimento modesto, porém totalmente coerente com a história que foi apresentada ao longo dos anos e por isso estou satisfeito.
Agora que o recado foi dado, estou animadíssimo com o novo Capitão América, o único digno do manto. Que venham mais séries!
A Bela e a Fera
4.1 1,2K Assista AgoraO primeiro VHS que minha mãe trouxe pra casa depois de comprar o vídeocassete. Não lembro de como me senti assistindo, só de um pouco de estranheza ao ver bules e candelabros cantando. É muito gostoso parar e reassistir isso alguns muitos anos depois e perceber muitos pontos interessantes que a minha versão criança ainda não tinha reparado. A subversão do clichê do príncipe encantando com a fera, que invertem os papéis de herói e vilão, em uma abordagem até que bem progressista, que viraria a marca registrada da Disney anos depois. Além, é claro, de que a Bela é sem dúvida a melhor princesa das animações clássicas, indo muito além da simples donzela em perigo. Ela tem sonhos que não tangem o matrimônio e a vida em família. Lê sobre mundos e lugares distantes e quer conhecê-los.
A trilha sonora é incrível e as atuações, também.
A Disney é uma empresa gigante que volta e meia vem à tona em alguma reflexão pesada sobre monopólio, e o decaimento da indústria, mas não tem como negar que eles sabem fazer filmes encantadores.
O Espetacular Homem-Aranha (1ª Temporada)
4.0 30 Assista AgoraEssa caracterização do Aranha é um perfeito meio termo entre a versão do Tobey e a versão do Andrew, dado suas devidas proporções para se adaptar ao público infantil, logicamente.
Temos literalmente o melhor de dois mundos: um Peter cujo drama da perda do tio ainda lhe assombra, mas que nem por isso perde sua presença e seu carisma, como era com Tobey. Além de que a relação com esta tia May está muito mais natural (não se trata de uma velha que só se comunica por meio de frases de efeito) e os problemas financeiros não foram simplesmente ignorados. Vemos todo o arco do Duende Verde, bem como todo o time do Clarim lindamente escalado e interpretado.
Ao colocar a máscara, no entanto, vemos um Homem Aranha ácido, debochado e irônico, como Andrew sabia fazer bem, dando um significado real ao termo "alter ego", sendo não somente uma fantasia, mas um personagem diferente. Além de que vamos combinar, esse é sem dúvida o melhor núcleo escolar que o Aranha já teve. Esse Flash é de longe o melhor, possuindo muito mais camadas do que ser apenas o troglodita bidimensional que pratica bullying sem razão aparente.
No final da temporada na batalha contra o simbionte, chorei pois já disse diversas vezes e sempre repito: o Homem Aranha é um dos mitos modernos da nossa cultura, e naquele flashback, toda essa mitologia é condensada em um único momento que homenageia toda essa trajetória.
Eu sei que o desenho é infantil e um pouco bobo, mas os criadores entendiam o personagem como poucos entenderam até hoje. Vale muito a pena.
O Animal Cordial
3.4 629 Assista AgoraEstou surpreso com o quão singular é esse filme, ainda mais tratando-se de cinema nacional. Isso porque um thriller psicológico sai bastante da bolha que parece sempre girar em torno do brasileirismo clássico (tráfico, ruptura esfera-pública e privada, superação e sexo de péssimo gosto). Se bem que nesse último ponto, Animal Cordial apresenta o esperado.
Os personagens tem uma simbologia até que bem clara e que vai muito de encontro ao efervescente caos político de meados de 2017 - o vilão aqui é o empresário que usa a violência sob pretexto de estar apenas defendendo sua propriedade. O ex-policial e o advogado, representando uma totalidade de suas classes, são impotentes. O policial mostra-se dúbio, moralmente, enquanto o advogado não representa nada, se não um leve murmúrio de fundo. Verônica é a caricatura da elite arrogante, Sara representa a fragilidade e falta de autonomia da mulher no contexto caótico e por fim, Djair, o coração da obra, condensa as minorias em um único personagem interessantíssimo: transexual, nordestino, preto. Vale ainda destacar o quão carismática é a performance do ator Iradhir Santos.
Apesar do diálogo com temas políticos e sociais nas entrelinhas, o filme não traz de forma nenhuma a militância cool e arrogante que o Twitter nos acostumou. Djair não precisa explicar suas origens, tampouco trazer frases de efeito que girem em torno da sua sexualidade. O roteiro não é sobre isso, e a figura de um travesti em meio ao contexto caótico foi sabiamente inserida com naturalidade, sem necessidade de mensagens pastelonas no maior estilo He-Man (ponto em que muitos filmes sérios pecam). É uma personagem encantadora.
Tenho algumas ressalvas quanto ao Murilo Benício, não consigo sentir muita confiança em sua atuação. O ator sempre me pareceu estar em uma constante embriaguez, o que caía bem em papeis como Tufão, mas que aqui causam estranheza em diversas cenas corriqueiras, mas que até que funcionam nos momentos em que o personagem expõe suas maiores idiossincrasias.
A direção é competente e até bem Tarantinesca em diversos momentos, uma pena o roteiro não ter acompanhado essa visão. O ponto mais forte é seguramente a trilha sonora, que lembra muito o trabalho de Angelo Badalamenti em Twin Peaks, e que aqui cai como uma luva.
É um bom filme, e seguramente vale o tempo de todos os que tem ressalvas quanto ao nosso cinema brazuca.
Os 7 de Chicago
4.0 588 Assista AgoraTirando o final que ficou um pouco "lugar comum", com um clímax emocionante que não condiz nem um pouco com o mostrado até então, o filme é maravilhoso. Os diálogos são primorosos, até um pouquinho Tarantinescos em alguns momentos, e vale muito a pena assistir.
Do Inferno
3.6 475 Assista AgoraAssisti para buscar inspiração para um roteiro que estou escrevendo. Certamente trouxe algumas noções, mas principalmente do que não fazer. A trama não é lá muito instigante, e o carisma mórbido de Johnny Depp acaba se apagando no meio de um elenco de atrizes tão espirituosas, o que soa até meio estranho dado o contexto, deixando o filme perdido no próprio tom e nos clichês de roteiro dos quais abusa.
Liga da Justiça de Zack Snyder
4.0 1,3KÉ muito menos diferente do que se propunha a ser. Visualmente, segue a linha dos trabalhos anteriores de Snyder, porém é evidente e indisfarçável o tom mais ameno e bem humorado.
O Flash teve um ou outro bom momento no filme, mas não deixa de ser petulante e pouco carismático. Aquaman e Diana, pobres dos bons, não sabem o porquê de estarem no filme. Cyborg tem profundidade e tridimensionalidade, e consegue ser um personagem muito mais gostável do que o filme parece levar em conta. O Batman é esperançoso e sonhador, e apesar do visual impecável do Ben Affleck, essa descaracterização causa uma estranheza em quem entende minimamente o personagem. O Superman, por fim, com seu carisma de tábua de mármore, surge quando precisa surgir, fazendo basicamente o que os roteiristas conseguiram bolar para evitar que o filme durasse apenas 16 minutos.
E sobre a mitologia e conceitos de Zack Snyder, é nítida como a sua necessidade de inventividade e grandeza, provavelmente pelo fato de se levar a sério demais (vide tweets se enaltecendo), distorce totalmente o conceito de super-heroísmo. É natural que diretores pensem foram da caixa, e ele o fez até que de forma bem interessante em Batman Vs. Superman. Homem Vs. Deus. Depois disso, tudo que vimos foram lampejos de uma mente ansiosa por engrandecer a própria obra com todo tipo de filler, parecendo esquecer que possui o provável maior panteão da história contemporânea ao seu dispor. O filme ora parece uma variação de Senhor dos Anéis, com a união de todos os exércitos para lutar contra o mal comum, ora parece uma distopia como Mad Max ou algum outro pós-apocalíptico qualquer. Está longe de ser o filme que se espera ver da liga.
Isso porque os heróis de Zack Snyder não salvam pessoas. Eles derrotam o vilão, essa parece ser sua prioridade. As vidas humanas, a esperança e a inspiração são apenas consequência.
Mas apesar de não ser o filme que esperávamos da Liga da Justiça, é um filme divertidíssimo se você deixar de lado o carinho que sente por versões mais populares dos personagens ali mostrados. Vale as 4 horas (que poderiam tranquilamente três).
O Tempo e o Vento
3.6 456 Assista AgoraA trilha sonora é impecável.
WandaVision
4.2 856 Assista AgoraA série foi menos do que poderia ter sido, mas ainda é mais do que a maioria das séries são.
O roteiro por vezes exagera nas frases de efeito, o que dá um ar bem infantil para a série e certamente foi um recorde no quesito personagens e atores sensacionais desperdiçados, que ao final da trama pareceram apenas fan services desprovidos de um propósito genuíno.
O ponto forte sem dúvida foi a química entre Elisabeth Olsen e Paul Bettany, especialmente nos primeiros episódios no estilo sitcom. O elenco todo é carismático, para falar a verdade, mesmo aqueles que aparentemente não tinham razão para estarem lá.
Foi uma primeira tentativa de série, e a Marvel já cometeu alguns erros antes de achar o tom correto em diversas produções. Creio que agora só nos resta torcer para que Falcão e o Soldado Invernal seja melhor. E algo me diz que será.
Cidade Invisível (1ª Temporada)
4.0 749Ta na dúvida se assiste ou não? Leia meu comentário.
Se você assim como eu tá de saco cheio daquela pegada novelesca que a maioria das produções brasileiras tem, pode ficar tranquilo. Cidade Invisível é de fato uma série com todos os elementos que as produções americanas tem, inclusive efeitos surpreendentemente bacanas.
As atuações são ok, com um ou outro momento de destaque, e os personagens são interessantes e com conceitos muito atrativos.
O problema, porém é o roteiro imaturo que além de apresentar diálogos sofríveis (parecem dublagens dos anos 90), em alguns casos parece zombar da inteligência do espectador. É notória uma falta de pena da direção criativa na hora de matar os personagens, mas no geral, o espectador acaba não sentindo pena também, apenas porque não nos são proporcionados meios para nos apegarmos verdadeiramente a eles.
O ponto alto sem sombra de dúvidas é o tema, e a abordagem madura do mesmo. Resumidamente, argumento excelente, execução técnica muito acima da média, mas faltou um pouco de maturidade dos escritores.
Vale a pena assistir de qual forma, apenas para dar aquela força para as produções nacionais.