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Data de lançamento
16 Out. 2020Duração
Baseado em uma história real, os 7 de Chicago acompanha a manifestação anti-guerra do Vietnã, que interrompeu o congresso do partido Democrata em 1968. Ocorreram diversos confrontos entre a polícia e os participantes. Dezesseis pessoas foram indiciadas pelo ato.
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Eu não gostei do filme. O assunto histórico me parece interessante (7 pessoas acusadas e condenadas num tribunal parcial), mas o filme é confuso, corrido e dedica pouco tempo a explicar o que realmente aconteceu.
Eu tive dificuldade para entender quem eram vários dos personagens, inclusive alguns políticos e integrantes do governo. O filme apresenta muitos nomes sem contextualizá-los. Também achei a passagem do tempo mal construída: vários dias de julgamento se sucedem sem que fique claro quanto tempo passou. Os flashbacks pouco ajudam na elucidação.
A montagem também me incomodou. O filme alterna entre muitos núcleos pouco relevantes para a narrativa principal: o julgamento, os diferentes acusados, os Panteras Negras, Fred Hampton, a promotoria, o governo Nixon e os protestos...
No fim, fiquei com a impressão de que o filme pressupõe que eu já conheça boa parte do contexto histórico. Eu gostaria que ele explicasse melhor os protestos de Chicago, a Convenção Democrata de 1968, quem eram os acusados, por que foram processados juntos e qual era exatamente a importância política do julgamento.
O mais frustrante é que o acontecimento em si parece muito interessante: envolve repressão política, Guerra do Vietnã, movimentos sociais, liberdade de protesto e um julgamento que também se transformou em disputa política.
O problema do filme é a montagem e a forma como optou por contar a história. Ele não se preocupa em explicar o ocorrido, quem eram os manifestantes e o contexto político nacional. Eles partem apenas para as discussões no tribunal, sem contextualização suficiente. E não fazem isso por economia de tempo, já que gastam preciosos minutos abordando tramas irrelevantes para a história (Panteras Negras, discussões entre os membros, flashbacks desnecessários, discussões fora do tribunal, stand-up de um dos membros etc.). Além disso, essas várias tramas sobrepostas atrapalham a compreensão do filme.
Não acho que seja um filme memorável porque pouco contribui para a compreensão do evento que ocorreu em Chicago. É mais uma dramatização do fato para os que já conhecem a história.
Não sei qual nota dar porque estou frustrado. Mas claramente não é um filme nota 4, tampouco nota 1.
Eu acho que merece nota 2 porque ele tem boas competências: bons atores, boa fotografia, direção de arte e etc. Mas é confuso, cansativo, chato e pouco informativo.
Muito bom, inspiração para as gerações
Filme de perseguição política da melhor qualidade!
Eu realmente penso que o filme poderia ser muito mais interessante se saísse um pouco mais da corte e investigasse melhor a centralidade dos protestos, uma vez que 1968 marca uma escalada importante na manifestação civil contra a invasão estadunidense ao Vietnã.
"Os 7 de Chicago" segue o receituário dos filmes de júri dos anos de 1980: ao final, afirma tudo aquilo que pretensamente criticava. A diferença é que ele não foi idealizado por produtores conservadores, mas por liberais simpáticos à esquerda radical. Para torná-la mais "palatável" ao grande público, o filme esvazia politicamente todas as discussões que apresenta.
No terço final, assistimos a Abbie Hoffman afirmar que Tom Hayden era um "puta patriota americano" e que "as instituições de nossa democracia são maravilhosas, [mas] estão ocupadas por péssimas pessoas". Em seguida, após o juiz Julius Hoffman declarar que Hayden algum dia viria a ser "uma parte muito produtiva de nosso sistema", o filme culmina em um desfecho triunfalista, com a leitura dos nomes dos milhares de soldados mortos no Vietnã.
O arco narrativo da reconciliação entre Abbie e Tom Hayden realiza, no filme, exatamente aquilo que havia sido negado a princípio: a ideia de que organizações políticas como os Panteras Negras, os Yippies e o SDS compartilhavam ideais, aspirações e táticas políticas comuns. Suas diferenças e bandeiras são reduzidas a um respeito patriótico pelos mortos da Guerra do Vietnã. Após assistirmos à corrupção e à politização do sistema jurídico, somos convencidos de que o problema não está no sistema, mas nas pessoas. O problema seria, no caso, o fato de o procurador-geral John Mitchell e o juiz Julius Hoffman serem corruptos e desonestos. Rá!
Ainda assim, "Os 7 de Chicago" consegue cativar por sua boa intenção. O trabalho de reconstituição de época, incluindo as imagens de arquivo incorporadas à narrativa, é excelente, assim como o ritmo e as atuações (em particular, a escolha de Sacha Baron Cohen para interpretar Abbie Hoffman foi um acerto de milhões!). E, apesar do final, o filme é bastante eficiente em mobilizar a indignação do espectador diante do julgamento político.