Juan Domingo Peron
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Cerro Corá - (🇦🇷 ARG)
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Últimas opiniões enviadas

Juan Domingo Peron
1 mês atrás

Assisti Sicário e gostei muito da construção do filme. A tensão é mantida com muita engenhosidade pelo diretor. Mesmo não havendo tiroteio a todo o momento, ele constrói tudo de uma forma que a gente sente a tensão no ar, quase palpável. O filme transforma situações aparentemente banais, como uma espera ou uma viagem de carro, em momentos de enorme tensão. A sequência da fronteira é um ótimo exemplo disso: quase nada acontece durante boa parte da cena, mas o enquadramento, o silêncio, o comportamento dos agentes e a sensação de que existe alguma coisa errada fazem com que tudo pareça prestes a explodir.

Claro que, para isso, ele também precisa usar um certo preconceito que os americanos têm com os mexicanos. O México é tratado quase como um planeta diferente, como a última fronteira, um território próximo geograficamente, mas completamente estrangeiro para os personagens americanos. A própria Kate entra naquele mundo como alguém que não entende as regras e percebe progressivamente que as regras às quais estava acostumada simplesmente não se aplicam ali.

Obs: ao ver essa cena me peguei pensando imediatamente no livro do Acemoglu, Por que as nações fracassam. Ele mostra como duas cidades tão próximas são tão diferentes justamente por conta da influência institucional. No filme, é quase uma ilustração dessa tese.

Também há aquele clima de conspiração no ar, especialmente quando várias pessoas de agências do governo aparecem sem dar informações, mas dando ordens, invadindo países estrangeiros e atuando contra a lei para garantir seus objetivos. O filme cria muito bem a sensação de que existem forças enormes operando por trás daquilo que estamos vendo e que os personagens comuns não têm acesso a todas as informações. A fotografia ajuda muito nisso.

Adorei a fotografia subexposta do filme. Me lembrou Roger Deakins, e achei muito semelhante à de Onde os Fracos Não Têm Vez. Não é apenas uma questão de ser uma fotografia escura: há grandes áreas de sombra, pouca informação visual e uma sensação constante de que os personagens estão entrando em lugares que não conseguem compreender completamente. Isso combina perfeitamente com a própria narrativa, porque o espectador também está sempre tentando entender quem está comandando o quê e quais são os verdadeiros objetivos daquela operação.

Obs 2: O Diretor de Fotografia realmente é o Roger Deakins. Acertei! Seu estilo é muito característico. Me lembra a fotografia do Kubrick, mas usando mais 'low-key' nas áreas escuras.

Por fim, fica a crítica ao protagonismo dos dois homens principais. Eles parecem servir para satisfazer o fetiche do homem médio de se ter um protagonista poderoso e infalível para resolver todos os problemas. Alejandro, principalmente, é quase uma figura mitológica. Ele sabe tudo, prevê tudo, mata com facilidade, conhece as regras daquele mundo e parece sempre estar alguns passos à frente de todo mundo. Há algo muito próximo da fantasia de competência absoluta de personagens como John Wick ou Dominic Toretto.

Nisso eu achei o filme fraco. Ele chega muito perto de fazer uma crítica interessante às instituições, à guerra contra as drogas e à atuação clandestina do Estado, mas acaba concentrando esse poder em dois indivíduos extraordinários. Se ele tivesse bebido mais na fonte de *The Wire* e inserido conflitos institucionais reais, tirando o peso do mocinho e colocando o peso nas instituições, aí sim teria sido um filme foda. Em *The Wire*, ninguém consegue simplesmente resolver o problema porque o problema é maior do que qualquer indivíduo. Polícia, tráfico, política, burocracia e interesses econômicos formam uma máquina na qual cada personagem é apenas uma peça. *Sicário* chega perto dessa ideia, mas acaba personificando essa máquina em Matt e Alejandro.

A personagem principal é interessante. Ela e o negro são os únicos personagens realmente realistas. Kate é confusa, assustada, limitada pelas próprias instituições e tenta compreender aquilo que está acontecendo. Reggie também parece um profissional de verdade, com limitações e conflitos próprios. O problema é que, por serem realistas diante de dois personagens à la Dominic Toretto/John Wick, eles perdem brilho. Parecem servir mais para destacar a artificialidade dos dois.

Isso cria uma contradição interessante no filme: ele constrói muito bem a ideia de que existem forças institucionais enormes e clandestinas operando acima dos indivíduos, mas, quando chega a hora de resolver os conflitos, entrega o protagonismo justamente aos indivíduos mais extraordinários. Alejandro e Matt acabam funcionando quase como a manifestação humana dessa máquina institucional.

Talvez por isso eu tenha gostado tanto da direção e menos de algumas escolhas do roteiro. Formalmente, *Sicário* é extremamente sofisticado. Ele sabe construir tensão, atmosfera e sensação de perigo como poucos filmes. Mas seus protagonistas masculinos acabam simplificando uma história que poderia ser muito mais complexa se o verdadeiro protagonista fosse o próprio sistema que eles representam.

Juan Domingo Peron
1 mês atrás

Eu não gostei do filme. O assunto histórico me parece interessante (7 pessoas acusadas e condenadas num tribunal parcial), mas o filme é confuso, corrido e dedica pouco tempo a explicar o que realmente aconteceu.

Eu tive dificuldade para entender quem eram vários dos personagens, inclusive alguns políticos e integrantes do governo. O filme apresenta muitos nomes sem contextualizá-los. Também achei a passagem do tempo mal construída: vários dias de julgamento se sucedem sem que fique claro quanto tempo passou. Os flashbacks pouco ajudam na elucidação.

A montagem também me incomodou. O filme alterna entre muitos núcleos pouco relevantes para a narrativa principal: o julgamento, os diferentes acusados, os Panteras Negras, Fred Hampton, a promotoria, o governo Nixon e os protestos...

No fim, fiquei com a impressão de que o filme pressupõe que eu já conheça boa parte do contexto histórico. Eu gostaria que ele explicasse melhor os protestos de Chicago, a Convenção Democrata de 1968, quem eram os acusados, por que foram processados juntos e qual era exatamente a importância política do julgamento.

O mais frustrante é que o acontecimento em si parece muito interessante: envolve repressão política, Guerra do Vietnã, movimentos sociais, liberdade de protesto e um julgamento que também se transformou em disputa política.

O problema do filme é a montagem e a forma como optou por contar a história. Ele não se preocupa em explicar o ocorrido, quem eram os manifestantes e o contexto político nacional. Eles partem apenas para as discussões no tribunal, sem contextualização suficiente. E não fazem isso por economia de tempo, já que gastam preciosos minutos abordando tramas irrelevantes para a história (Panteras Negras, discussões entre os membros, flashbacks desnecessários, discussões fora do tribunal, stand-up de um dos membros etc.). Além disso, essas várias tramas sobrepostas atrapalham a compreensão do filme.

Não acho que seja um filme memorável porque pouco contribui para a compreensão do evento que ocorreu em Chicago. É mais uma dramatização do fato para os que já conhecem a história.

Não sei qual nota dar porque estou frustrado. Mas claramente não é um filme nota 4, tampouco nota 1.
Eu acho que merece nota 2 porque ele tem boas competências: bons atores, boa fotografia, direção de arte e etc. Mas é confuso, cansativo, chato e pouco informativo.

Juan Domingo Peron
1 mês atrás

Achei o filme muito cômico e leve para a dimensão que o acontecimento teve na realidade. Não dá para sentir o peso institucional da decisão de montar um Tribunal de Exceção, nem o drama e o conflito que aquela decisão deveria trazer. Tudo é tratado de forma muito simples, rápida, caricata e humorística. O filme parece incapaz de deixar uma situação simplesmente pesar sobre o espectador.

Também sinto que o filme não convida o espectador a questionar nada. Ele já pressupõe (ou trabalha para que) o espectador seja contra os nazistas de maneira quase automática. Os crimes nazistas não eliminam a dimensão política e jurídica da decisão de criar um tribunal dessa natureza. Pelo contrário: justamente por ser uma decisão extraordinária, tomada pelas potências vencedoras sobre uma nação recém-derrotada, ela deveria carregar conflitos, questionamentos, divergências e discussões. Deveria haver pessoas discordando sobre como aquilo deveria ser feito, países com interesses diferentes, preocupações com os precedentes que estavam sendo criados e discussões sobre o próprio significado daquela justiça.

E essa talvez seja uma das coisas que mais senti falta: qual é, afinal, o peso dos Julgamentos de Nuremberg para a história e para as instituições humanas? O que estava sendo criado ali? Que concepção de responsabilidade internacional estava surgindo? O que aquilo significava para a soberania dos Estados e para a possibilidade de responsabilizar indivíduos por crimes cometidos em nome de um governo? O filme poderia transformar essas questões em parte do próprio drama, mas praticamente não sinto essa dimensão.

Em compensação, há aquilo que parece ser a velha fórmula dos filmes sobre o nazismo: mostrar os crimes, mostrar a perseguição e a injustiça cometidas contra os judeus na Alemanha e utilizar essas imagens para estabelecer imediatamente a posição moral do espectador. Isso é importante historicamente, evidentemente, mas aqui parece substituir a discussão que eu esperava encontrar. O filme mostra por que os nazistas eram criminosos, mas não parece interessado em discutir o problema extraordinário de como os vencedores deveriam julgá-los.

E tudo isso é feito utilizando as velhas ferramentas dos thrillers hollywoodianos. Os personagens são extremamente brilhantes e competentes, as conversas parecem cuidadosamente construídas para revelar a importância histórica do que está acontecendo, e surgem aqueles monólogos entre personagens-chave, isolados em estacionamentos ou outros lugares, nos quais alguém explica a magnitude das decisões que estão sendo tomadas. A cena não deixa a importância nascer da situação; alguém precisa verbalizá-la para o espectador.

Por isso, mesmo quando o filme está dizendo que estamos diante de um momento decisivo da história, eu não sinto que estou diante dele. Sinto que o filme está constantemente me dizendo que aquilo é importante.

Eu esperava um filme sobre um acontecimento histórico extraordinário, no qual a própria criação do tribunal fosse uma fonte de tensão e incerteza. Encontrei um thriller histórico que utiliza Nuremberg como matéria-prima para uma narrativa muito mais familiar: personagens brilhantes, confrontos psicológicos, diálogos de efeito, momentos de humor, cenas de revelação e imagens destinadas a produzir uma reação moral específica.

O resultado é que o filme parece querer me ensinar que Nuremberg foi importante, em vez de me fazer compreender por que Nuremberg foi importante.

Em suma, o filme é uma história de indivíduos, não de um sistema maior. Isso faz com que ele perca o brilho e a capacidade de discutir o nazismo, imperialismo, limites do judiciário e da liberdade. Até quando é válido impor tribunais de exceção para julgar crimes? Como fazer? Por que a Alemanha é julgada por esses crimes, mas países aliados não? URSS e EUA cometeram crimes contra civis, mas passam impunes. Nada disso é tratado e nem se levantam questionamentos sobre isso no final.

E, sinceramente, acho que o filme errou muito ao deixar de focar na dimensão histórica, política, filosófica e humanística do Holocausto, da Guerra e do Tribunal para focar numa história pessoal de um psicólogo contra um general nazista. Ao fazer isso, transforma uma questão política, jurídica e filosófica em um thriller de personagens.

Talvez essa decisão tenha me feito desgostar do filme desde o início, ou talvez tenham sido todas as convenções de gênero (as piadas, cortes rápidos, personagens estereotipados e desnecessários, conversas desnecessárias ou autoexplicativas, montagem clichê, arquétipos batidos de heróis e vilões, a necessidade de impor uma opinião ao espectador e não de fazê-lo construir a sua própria) que me fizeram não engajar nele.

Todas essas questões me fizeram achá-lo muito parecido com o filme Os 7 de Chicago, que também narra um acontecimento interessante e importante, mas que perde a chance de trazer discussões reais para a mesa e, ao contrário, decide montar um filme menor, focado em indivíduos específicos, gags, humor, cortes rápidos... tentativas de suavizar o tema para o grande público, ao invés de fazer um filme sólido para gente grande. É um desperdício.

Achei penoso assistir, já estava cansado pela metade.

A única cena boa é o próprio julgamento do final. Se o filme tivesse focado nisso, teria sido ótimo.

Pensando comigo, lembrei do filme Argentina, 1985, que também dependia da dupla de personagens, mas que conseguia mostrar um peso muito maior daquele julgamento naquela sociedade. Também mostrou que, apesar do peso, o filme conseguia usar humor comedido sem estragar a experiência, o que esse Nuremberg não soube fazer.

Vou tentar o Julgamentos de Nuremberg (1967) e ver se ele conseguiu fazer diferente.

  • Filmow 2 semanas atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Alan Guimarães 8 anos atrás

    Oi, Rodrigo, obrigado pelas minhas curtidas das listas e espero que tenha gostado delas. Abraços.