Uma das piores novelas da história do horário nobre da TV Globo. Ainda se comparada à Avenida Brasil, que foi a melhor dos últimos muitos anos, a diferença ficou desproporcional.
Pra quem, assim como eu, se apaixonou pelos diálogos finais:
Lourenço Ninguém entra num mesmo rio uma segunda vez. Pois quando isso acontece, já não se é o mesmo, assim como as águas, que já serão outras. Foi um filósofo grego, que viveu no século V a.C., Heráclito de Éfeso, quem fez essa formulação que até hoje nos fascina. “O fluxo eterno das coisas é a própria essência do mundo”, apontou Heráclito. E se ainda hoje ficamos espantados com isso é porque nos apegamos teimosamente ao que já passou, esperando, no fundo, que tudo permaneça igual. Então, é necessário um filósofo da antiguidade, ou um escritor contemporâneo, para nos fazer entender que nada é permanente, a não ser a mudança. “O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não são sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam – verdade maior – é o que a vida me ensinou.” (trecho de O Grande Sertão, Guimarães Rosa) Não é incrível? O filósofo flagra a fluidez e o escritor se maravilha com isso. “É o mais bonito da vida”, diz Guimarães Rosa. É uma celebração do movimento, não é um lamento. “O tempo não para”. E isso é belo! Então, semana que vem, nós nos encontraremos aqui, e eu serei outro. E vocês também.
Rodrigo Ana, minha querida. Dizem que o amor acaba, que o amor termina, mas não é verdade. Nada acaba. Tudo dura, continua, e se transforma. Enquanto eu aguardava pela cirurgia, mil anos se passaram. As duas estavam lá dentro, e eu pensava – “se alguma coisa acontecer com elas, eu morro”. Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça. E por isso, eu vi. Vi vocês duas, meninas, chegando na nossa casa. Vi nós três, juntos, ainda pequenos, em tantos e tantos momentos. Vi você erguendo taças, troféus. Tua imagem na revista, inacessível, distante da criança que eu era; e que você era também. Depois a nossa fuga de casa, e o nosso medo, e a nossa coragem, e o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas, tantas e tantas vezes. E depois vi você voltando, e no fundo dos seus olhos, como num rio, tudo o que a gente não tinha vivido. A partir daí eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas. Uma, que eu estava vivendo, e outra, que eu jamais tinha podido viver. Durante os meus piores momentos enquanto eu aguardava naquela sala, como se a doença da nossa filha tivesse me curado, eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma. O que tinha sido vivido, o que tinha ficado para trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida, e de um mesmo sentimento: amor. E foi então que eu vi nós dois, juntos, cruzando a fronteira.
Ana Como se eu tivesse alcançando a outra margem do rio. O rio em que a gente se amou pela primeira vez, o rio do meu acidente, mas sempre o rio. E porque naquele momento eu precisava ser forte, finalmente, sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno, como se num instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando. Do outro lado da fronteira que, sem perceber, nós já tínhamos cruzado, uma infância compartilhada, uma adolescência truncada, uma juventude não vivida. Do lado de cá, dois adultos, maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado, feitos de lembranças, de sonhos antigos. Porque há novos sonhos do lado de cá da fronteira e, agora, podemos viver.
Iná Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes, elas se depositam devagar, como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas. E por isso, quem teve o privilégio de viver tanto tempo aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extinguem, urgências se acalmam, passos ágeis alentam. Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família. Só o tempo permanece do mesmo modo: sempre passando.
Essa novela tá bem com jeito que vai ser fraquíssima... duvido de qualquer coisa feita pelo Miguel Falabella que, pra mim, está entre os piores novelistas da Rede Globo.
Gente, na vida real pessoas morrem, principalmente quando elas já tem uma certa idade, deram um duro danado a vida inteira com baixas condições de sobrevivência e são atingidas por algum tipo de câncer. Essa ideia de que todos precisam de um final feliz é síndrome de filmes de princesas da Disney. Enfim, achei a novela divertidíssima; o final não foi aqueeele final arrebatador - e totalmente desprovido de realidade-, mas cumpriu o papel de uma novela das 19h: entreter, divertir e, por vezes, emocionar. Um beijo pro Walcyr!
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Salve Jorge
2.9 292Uma das piores novelas da história do horário nobre da TV Globo. Ainda se comparada à Avenida Brasil, que foi a melhor dos últimos muitos anos, a diferença ficou desproporcional.
A Vida da Gente
4.0 194Pra quem, assim como eu, se apaixonou pelos diálogos finais:
Lourenço
Ninguém entra num mesmo rio uma segunda vez. Pois quando isso acontece, já não se é o mesmo, assim como as águas, que já serão outras. Foi um filósofo grego, que viveu no século V a.C., Heráclito de Éfeso, quem fez essa formulação que até hoje nos fascina. “O fluxo eterno das coisas é a própria essência do mundo”, apontou Heráclito. E se ainda hoje ficamos espantados com isso é porque nos apegamos teimosamente ao que já passou, esperando, no fundo, que tudo permaneça igual. Então, é necessário um filósofo da antiguidade, ou um escritor contemporâneo, para nos fazer entender que nada é permanente, a não ser a mudança.
“O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não são sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam – verdade maior – é o que a vida me ensinou.” (trecho de O Grande Sertão, Guimarães Rosa)
Não é incrível? O filósofo flagra a fluidez e o escritor se maravilha com isso. “É o mais bonito da vida”, diz Guimarães Rosa. É uma celebração do movimento, não é um lamento. “O tempo não para”. E isso é belo!
Então, semana que vem, nós nos encontraremos aqui, e eu serei outro. E vocês também.
Rodrigo
Ana, minha querida. Dizem que o amor acaba, que o amor termina, mas não é verdade. Nada acaba. Tudo dura, continua, e se transforma. Enquanto eu aguardava pela cirurgia, mil anos se passaram. As duas estavam lá dentro, e eu pensava – “se alguma coisa acontecer com elas, eu morro”.
Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça. E por isso, eu vi. Vi vocês duas, meninas, chegando na nossa casa. Vi nós três, juntos, ainda pequenos, em tantos e tantos momentos. Vi você erguendo taças, troféus. Tua imagem na revista, inacessível, distante da criança que eu era; e que você era também.
Depois a nossa fuga de casa, e o nosso medo, e a nossa coragem, e o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas, tantas e tantas vezes. E depois vi você voltando, e no fundo dos seus olhos, como num rio, tudo o que a gente não tinha vivido.
A partir daí eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas. Uma, que eu estava vivendo, e outra, que eu jamais tinha podido viver. Durante os meus piores momentos enquanto eu aguardava naquela sala, como se a doença da nossa filha tivesse me curado, eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma. O que tinha sido vivido, o que tinha ficado para trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida, e de um mesmo sentimento: amor.
E foi então que eu vi nós dois, juntos, cruzando a fronteira.
Ana
Como se eu tivesse alcançando a outra margem do rio. O rio em que a gente se amou pela primeira vez, o rio do meu acidente, mas sempre o rio. E porque naquele momento eu precisava ser forte, finalmente, sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno, como se num instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando.
Do outro lado da fronteira que, sem perceber, nós já tínhamos cruzado, uma infância compartilhada, uma adolescência truncada, uma juventude não vivida. Do lado de cá, dois adultos, maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado, feitos de lembranças, de sonhos antigos.
Porque há novos sonhos do lado de cá da fronteira e, agora, podemos viver.
Iná
Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes, elas se depositam devagar, como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas. E por isso, quem teve o privilégio de viver tanto tempo aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida.
Amores ardentes se extinguem, urgências se acalmam, passos ágeis alentam. Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família. Só o tempo permanece do mesmo modo: sempre passando.
Aquele Beijo
2.8 57Essa novela tá bem com jeito que vai ser fraquíssima... duvido de qualquer coisa feita pelo Miguel Falabella que, pra mim, está entre os piores novelistas da Rede Globo.
Morde & Assopra
3.1 118Gente, na vida real pessoas morrem, principalmente quando elas já tem uma certa idade, deram um duro danado a vida inteira com baixas condições de sobrevivência e são atingidas por algum tipo de câncer. Essa ideia de que todos precisam de um final feliz é síndrome de filmes de princesas da Disney. Enfim, achei a novela divertidíssima; o final não foi aqueeele final arrebatador - e totalmente desprovido de realidade-, mas cumpriu o papel de uma novela das 19h: entreter, divertir e, por vezes, emocionar. Um beijo pro Walcyr!