Aos primeiros segundos do filme, ao acompanhar visivelmente os passos e as intenções de Hugh, já imaginei o que me esperava. A experiência fantástica de se entrar dentro da cena. Não, aqui não apenas assistimos a um filme, nós vivenciamos junto a Hugh todas as passagens desta história.
Iñarritu mostra o quanto é feroz a vontade de sobrevivência humana e, também, o quanto é violento o desejo de vingança. Adentramos no caos da barbárie, vemos a vida se tornar efêmera em meia a tanta sanguinolência. Tudo é tão cru, tão real que faz o corpo de quem assisti se envergar de aflição. Mas não, não é uma violência explicita e barata, é um visceral significado para uma luta em busca da vitória que se costura na pele, seja humana, seja animal.
As lembranças de Glass, é o que o faz humano e não uma fera desesperada para não morrer. O amor incondicional pelo filho e a reminiscência de uma paixão, traz a brutal força de vontade para regressar, não somente a sua vila como a vida que quase lhe foi tirada.
Os elementos para se criar esta atmosfera são formidáveis: a iluminação realista, o frio que nos sufoca, o som aterrador de um deserto de gelo, tudo quebra-se e transforma-se a cada fase da desesperada jornada solitária do protagonista. E a sua falta de voz, de verbo, só denota o quanto a solidão o assola e o transmuta a uma criatura que agirá por instinto.
O Regresso é um retrato, uma fotografia fantástica, que nos transcreve o quanto o homem e a natureza são, impressionantemente, impetuosos.
Aqui vemos um grande exemplo de como se pode dizer tanto mesmo quando não se fala uma palavra. A Linguagem não-verbal explorada pelos traços infantilizados nos remetem a toda simplicidade e fantasia que há em nossa infância. As cores conduzem o espetáculo, fazem com que nossos olhos corram junto do menino para a próxima página a ser pintada. Vemos um contraste entre o colorido e dinâmico do imaginário de uma criança, com o mórbido e mecânico funcionamento do mundo. A infância e a vida adulta, o entrelaço tão estreito que representa a passagem entre essas gerações.
Uma viagem fascinante para as essências, dinâmica e musicada, como uma brincadeira de criança, esse filme faz uma pintura fantástica de uma realidade tão cotidiana. A personagem do menino, carismática e inocente, nos diverte e emociona, mas principalmente, traz à memória uma época tão maravilhosa para nossas vidas.A falta de verbalidade no filme o faz universal. Qualquer pessoa terá a facilidade de se encontrar com a proposta do filme, pois este vai ao âmago tão simples de ser humano, o de fantasiar.
Para as crianças, uma explosão fantástica de cores a ser deslumbrada, para os adultos, um deleite visual para fazer qualquer brasileiro se encher de orgulho.
Dolan, rapaz, você é um menino de muito talento. Conseguiu fazer um dos filmes mais sensíveis que eu já assisti. Queria poder favoritar pelo menos mais uma vez aqui, acho que seria o único jeito de expressar como esse filme me atingiu.
O carisma das personagens, a simplicidade dos afetos, a linguagem sendo vociferada do jeito mais cru, marginal e humano de ser. Este filme, somando a fotografia típica e a trilha sonora maravilhosa, faz com que mergulhemos dentro do mais profundo da cena. A gente ri e a gente chora junto dos personagens, vivendo o drama, outrora a alegria. E como foi fantástico rir junto da Die e da Kyla no diálogo sobre as bolas, nas interpretações magistrais de Anne Dorval e da sempre maravilhosa Suzanne Clément .
Este sem dúvida é o melhor filme do Xavier. No entanto, mesmo assim, agora fico aqui, esperando o próximo trabalho deste jovem cineastra que consegue nos cativar a cada filme realizado.
Esse é daqueles filmes de tamanha sensibilidade que sem notar, você se coloca junto do protagonista por diversos momentos. E este reconhecimento se dá nas mudanças. As peripécias estão escritas na simplicidade, que por diversas vezes são tão complexas, assim como a vida. Daí vem o reconhecimento, na trajetória, na mudança que sem perceber fora tão grande do inicio do longa até o seu fim. Quem não fez uma retrospectiva mental de sua vida enquanto assistia a esse filme, certamente, não soube apreciá-lo. Daí vem o reconhecimento e a genialidade desta obra para seus espectadores, o de poder valorizar toda a filmografia de sua vida e, assim como a mãe de Mason em sua despedida, temer a próxima etapa.
"Sabe quando dizem aproveite o momento? Não sei, mas acho que é ao contrário. Como se o momento nos aproveitasse." "Eu sei, é... É constante. Os momentos são... Parece que sempre é o agora, não?"
Meu caro Lars Von Trier, como já foi sugerido pela nossa querida Björk, você é um ladrão de almas. Mas desta vez seu crime foi maior: antes de nos roubar, você estuprou o consciente, e talvez quem sabe o inconsciente, do seu público. Uma medida certeira de polêmica em uma dosagem que beira a perfeição. Eu acho, definitivamente, que desta você merece uma salva de palmas. No entanto, não espere ser aplaudido de pé.
O Regresso
4.0 3,5K Assista AgoraAos primeiros segundos do filme, ao acompanhar visivelmente os passos e as intenções de Hugh, já imaginei o que me esperava. A experiência fantástica de se entrar dentro da cena. Não, aqui não apenas assistimos a um filme, nós vivenciamos junto a Hugh todas as passagens desta história.
Iñarritu mostra o quanto é feroz a vontade de sobrevivência humana e, também, o quanto é violento o desejo de vingança. Adentramos no caos da barbárie, vemos a vida se tornar efêmera em meia a tanta sanguinolência. Tudo é tão cru, tão real que faz o corpo de quem assisti se envergar de aflição. Mas não, não é uma violência explicita e barata, é um visceral significado para uma luta em busca da vitória que se costura na pele, seja humana, seja animal.
As lembranças de Glass, é o que o faz humano e não uma fera desesperada para não morrer. O amor incondicional pelo filho e a reminiscência de uma paixão, traz a brutal força de vontade para regressar, não somente a sua vila como a vida que quase lhe foi tirada.
Os elementos para se criar esta atmosfera são formidáveis: a iluminação realista, o frio que nos sufoca, o som aterrador de um deserto de gelo, tudo quebra-se e transforma-se a cada fase da desesperada jornada solitária do protagonista. E a sua falta de voz, de verbo, só denota o quanto a solidão o assola e o transmuta a uma criatura que agirá por instinto.
O Regresso é um retrato, uma fotografia fantástica, que nos transcreve o quanto o homem e a natureza são, impressionantemente, impetuosos.
O Menino e o Mundo
4.3 735 Assista AgoraUma poesia visual.
Aqui vemos um grande exemplo de como se pode dizer tanto mesmo quando não se fala uma palavra. A Linguagem não-verbal explorada pelos traços infantilizados nos remetem a toda simplicidade e fantasia que há em nossa infância. As cores conduzem o espetáculo, fazem com que nossos olhos corram junto do menino para a próxima página a ser pintada. Vemos um contraste entre o colorido e dinâmico do imaginário de uma criança, com o mórbido e mecânico funcionamento do mundo. A infância e a vida adulta, o entrelaço tão estreito que representa a passagem entre essas gerações.
Uma viagem fascinante para as essências, dinâmica e musicada, como uma brincadeira de criança, esse filme faz uma pintura fantástica de uma realidade tão cotidiana. A personagem do menino, carismática e inocente, nos diverte e emociona, mas principalmente, traz à memória uma época tão maravilhosa para nossas vidas.A falta de verbalidade no filme o faz universal. Qualquer pessoa terá a facilidade de se encontrar com a proposta do filme, pois este vai ao âmago tão simples de ser humano, o de fantasiar.
Para as crianças, uma explosão fantástica de cores a ser deslumbrada, para os adultos, um deleite visual para fazer qualquer brasileiro se encher de orgulho.
Mommy
4.3 1,2K Assista AgoraDolan, rapaz, você é um menino de muito talento. Conseguiu fazer um dos filmes mais sensíveis que eu já assisti. Queria poder favoritar pelo menos mais uma vez aqui, acho que seria o único jeito de expressar como esse filme me atingiu.
O carisma das personagens, a simplicidade dos afetos, a linguagem sendo vociferada do jeito mais cru, marginal e humano de ser. Este filme, somando a fotografia típica e a trilha sonora maravilhosa, faz com que mergulhemos dentro do mais profundo da cena.
A gente ri e a gente chora junto dos personagens, vivendo o drama, outrora a alegria. E como foi fantástico rir junto da Die e da Kyla no diálogo sobre as bolas, nas interpretações magistrais de Anne Dorval e da sempre maravilhosa Suzanne Clément .
Este sem dúvida é o melhor filme do Xavier. No entanto, mesmo assim, agora fico aqui, esperando o próximo trabalho deste jovem cineastra que consegue nos cativar a cada filme realizado.
Que Horas Ela Volta?
4.3 3K Assista AgoraRegina Casé é uma destruidora!
Whiplash: Em Busca da Perfeição
4.4 4,2K Assista AgoraDesculpem o palavrão, mas esse filme é Du Caralho!
Boyhood: Da Infância à Juventude
4.0 3,7K Assista AgoraEsse é daqueles filmes de tamanha sensibilidade que sem notar, você se coloca junto do protagonista por diversos momentos. E este reconhecimento se dá nas mudanças. As peripécias estão escritas na simplicidade, que por diversas vezes são tão complexas, assim como a vida. Daí vem o reconhecimento, na trajetória, na mudança que sem perceber fora tão grande do inicio do longa até o seu fim. Quem não fez uma retrospectiva mental de sua vida enquanto assistia a esse filme, certamente, não soube apreciá-lo. Daí vem o reconhecimento e a genialidade desta obra para seus espectadores, o de poder valorizar toda a filmografia de sua vida e, assim como a mãe de Mason em sua despedida, temer a próxima etapa.
"Sabe quando dizem aproveite o momento? Não sei, mas acho que é ao contrário. Como se o momento nos aproveitasse."
"Eu sei, é... É constante. Os momentos são... Parece que sempre é o agora, não?"
Meu Amigo Totoro
4.3 1,3K Assista AgoraUm bom filme para dias infelizes... =)
Impossível não terminá-lo com um sorriso de orelha a orelha.
Ninfomaníaca: Volume 2
3.6 1,6KMeu caro Lars Von Trier, como já foi sugerido pela nossa querida Björk, você é um ladrão de almas. Mas desta vez seu crime foi maior: antes de nos roubar, você estuprou o consciente, e talvez quem sabe o inconsciente, do seu público.
Uma medida certeira de polêmica em uma dosagem que beira a perfeição.
Eu acho, definitivamente, que desta você merece uma salva de palmas. No entanto, não espere ser aplaudido de pé.
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,0KDelicadamente encantador, sutilmente hilário e descaradamente fantástico!
Irreversível
4.0 1,8KO impacto psicológico causado a quem assiste a esse filme, por momentos, também é irreversível.
Catártico.
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraNão tá fácil pra ninguém.
Nem para quem escuta a voz da Scarlett Johansson ao pé do ouvido.
Questão de Tempo
4.2 4,1K Assista AgoraO tempo é apenas uma referência.
Façamos, então, a nossa referência para o nosso tempo!