Assim: as atuações são boas, e há momentos em que a série funciona. Mas ae minha pergunta é: o diretor os roteiristas tava com muito boleto pra pagar? ae eles pensaram assim "deixa eu pegar esse trabalho aqui ae vou fazer o mínimo só pra quitar uma dividas que tenho" como se o objetivo fosse entregar um produto competente o suficiente para cumprir tabela, sem ambição real de aprofundar o que o próprio tema exige.
A minha pergunta mais profunda é: que história, afinal, eles queriam contar aqui?
Tava lendo uma matéria na Veja falando que o diretor disse que se inspirou no mundo do crime do Rio e queria contar só história Mirna e da Suzana Guerra e ainda a matéria disse que eles descrevem isso como a trama da máfia brasileira.
Só que aí vira contradição pura: como você promete “máfia brasileira” e reduz o centro da narrativa a uma treta familiar, deixando todo o resto como decoração? Cadê o peso social disso, as engrenagens, o custo pra cidade, a política, o dinheiro circulando, o medo como administração do cotidiano? Como você chama de “máfia” e não fala sobre as contradições que isso traz pra sociedade? ou então fala que não é uma história de máfia e deixa gourmetizado mesmo
Mesmo ela podendo ser boa (o suficiente pra pagar os boletos) ela chega a ser medíocre e profana ao falar que se trata da máfia brasileira ao querer gourmetizar isso. A série deveria assumir esse recorte com honestidade, sem vender a ideia de “máfia brasileira” como se fosse um retrato amplo do fenômeno. Do jeito que está, o resultado soa “embelezado” e superficial: uma embalagem forte para um conteúdo que não sustenta o peso do que anuncia. E por isso, mesmo sendo tecnicamente aceitável, termina medíocre, não por falta de potencial, mas por escolher o atalho do rótulo grandioso sem entregar as implicações que ele exige.
Eu acho isso muito triste, o problema centra é a direção e os roteiristas. Vou destrinchar essa crítica episódio por episódio aqui
O terceiro episódio de Pssica não foi bem desenvolvido. Pra mim, é um problema de roteiro que a direção não conseguiu contornar. Ainda assim, as atuações seguram bem a série. Domithila Cattete, que interpreta Janalice, entrega uma performance intensa, cheia de nuances, equilibrando a fragilidade e a força da personagem. Já a colombiana Marleyda Soto, no papel de Mariangel, traz uma presença profunda. Ela funciona quase como a consciência moral da narrativa, sustentando o peso simbólico das cenas mais densas. As duas atrizes são, sem dúvida, o coração da série, mesmo quando o texto e a montagem oscilam.
Um ponto que chama atenção, e nem sempre de forma positiva, é o uso da trilha sonora. Em vários momentos, a produção insere músicas com batida de festa em cenas trágicas, com personagens morrendo ou sendo levados a situações de sofrimento. Esse tipo de contraste pode funcionar se houver intenção estética clara, mas aqui parece mais um erro de tom do que uma escolha calculada. O resultado é uma quebra na imersão, especialmente quando o espectador está emocionalmente envolvido na cena. Isso parece um problema de produção de algumas produções brasileiras, pois outra serie brasileira da netflix tinha esse problema.
Por outro lado, a série acerta na fotografia e no som ambiente. A câmera aposta em planos fechados e em cores saturadas que reforçam o calor e a densidade da paisagem amazônica. Os sons da floresta, da água, das respirações e dos motores criam um realismo sensorial poderoso quando a trilha musical se cala. Nessas horas, Pssica encontra o equilíbrio entre o místico e o terreno, entre o mito e o cotidiano.
[ANALISE GERAL SEM SPOILER] que talvez faça vc enxergar a serie de uma outra maneira - vi só os primeiros 5 episódios
Dandadan é uma série que explora profundamente a busca por identidade e conexão, usando as crenças aparentemente opostas de seus protagonistas como ponto central. Momo Ayase, que acredita em espíritos, e Ken Takakura ou Okarun, obcecado por alienígenas, representam duas formas distintas de enxergar o mundo e tentar compreender o desconhecido. É interessante notar que a palavra alienígena e alienado derivam do latim "alienus", que significa "estrangeiro", "de outro", ou "que pertence a outro". Essa crença em alienígenas nasce também Ken ser um alienado, um estrangeiro de si, mesmo, sem amigos e sem conexão; é interessante notar como essas paralelos se comunicam com um lado sombrio do mundo masculino. Essas crenças não são apenas curiosidades pessoais, mas refletem quem eles são e suas necessidades emocionais, Momo, ligada ao espiritual e ao passado, busca uma conexão com suas raízes.
Os alienígenas e os yokai são metáforas poderosas nessa jornada. Os alienígenas, com sua falta de individualidade e obsessão por continuidade, simbolizam o vazio e a desconexão o estrangeiro, o alineado; já os yokai, como a velha do túnel, nascem de traumas profundos e injustiças não resolvidas, representando o impacto do passado e dos conflitos internos. Ambos, no entanto, desafiam os protagonistas a enfrentarem não só o "sobrenatural", mas também suas próprias dúvidas e limitações. Há também uma metáfora sobre e sexo e identidade nos alienígenas e os yokai, de como esse desconhecido dialoga com caos cósmico de desejo e sexualidade e que buscamos por uma ordem ou orientação da nossa própria identidade quando estamos na puberdade e melhorado nesse caos. Os testículos, no âmbito pessoal masculino, são um símbolo óbvio da virilidade e masculinidade, e perdê-los poderia representar uma crise de identidade para o protagonista; já no âmbito social, túnel e o espírito da velha estão diretamente ligados a traumas profundos e não resolvidos, provocado pelo "falo", como as mortes das meninas. Já a protagonista sofre também pois mesmo já tendo relações sexuais anteriores com outros namorados, eles eram todos "alienígenas" ou "alienados" de si mesmo (ou redpills na linguagem moderna), fazendo com que a protagonista tenha tido experiências apenas físicas mas não emocionais, com isso ela cria a projeção em um ideal de homem com quem um dia ela pode ter essa conexão emocional que é Ken Takakura, um ator de televisão que ela gosta, e assim muda o nome de seu amigo Ken Takakura para Okarun pra não se perder na suas crenças e realidades
O mais bonito é que, ao longo dessa jornada, Momo e Ken ou Okarun começam a enxergar e respeitar as crenças um do outro. Essa troca os aproxima emocionalmente, ainda que inconscientemente, e o entendimento mútuo gera empatia, permitindo que eles se conectem de uma maneira que transcende palavras ou explicações racionais. Eu assisti só até o episodio que velha vira um gato, mas se percebe que o amor que começa a surgir entre eles é o reflexo desse respeito e dessa aceitação — uma relação que cresce à medida que cada um descobre mais sobre o outro e sobre si mesmo.
No fundo, Dandadan é uma história sobre como nossas crenças e experiências moldam quem somos, e como, ao enfrentarmos os "monstros" do desconhecido — sejam alienígenas, yokai ou nossos próprios medos —, encontramos o caminho para nos conectar com os outros e com nós mesmos.
Olha só, as músicas, fotografia e elenco da série são realmente muito bons. No entanto, é evidente que os roteiristas não têm um entendimento profundo sobre as contradições da sociedade brasileira, especialmente considerando que o tema central da série está no próprio nome: JUSTIÇA. Além disso, falta um trabalho detalhado na construção dos personagens, algo essencial para que possamos entender a profundidade deles.
Um exemplo claro é a personagem da Marjorie Estiano, que, aliás, entregou uma atuação excelente. Mas, infelizmente, uma boa atuação não salva um roteiro ruim. Veja, por exemplo, a cena em que a personagem é atropelada. Compare com a cena da atropelamento da personagem da Cate Blanchett no filme O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) que é mesma cena, inclusive a personagem também é bailarina. Lá, o tema do DESTINO dá um significado claro à cena, tornando-a memorável e conectada à história. Na série, o atropelamento parece apenas jogado, sem uma conexão real com a ideia de JUSTIÇA, ele serve apenas para justificar a eutanásia da personagem, mas não transmite ao público a importância da dança como parte da identidade emocional dela, o que seria crucial para justificar o suicídio/eutania de forma mais impactante.
Esse é só um dos muitos problemas de roteiro da série. Embora a trilha sonora (com exceção da música "Aleluia") seja muito boa e remeta a uma tragédia brasileira, o roteiro em si é fraco. Assisti até o sexto episódio, mas foi difícil continuar ae desisti. Esses roteiristas precisam estudar mais sobre o que significa justiça no Brasil antes de escrever algo tão ambicioso.
A serie acaba levando pra problemas mais insolúveis ainda, ainda mais depois da descoberta da família Brasão com bicheiros e milicia. O epilogo da série me lembra o prologo do filme Incendies:
"A matemática que você estudou até agora buscou fornecer respostas claras e definitivas para problemas claros e definitivos. Agora você está embarcando em uma nova aventura. Você enfrentará problemas insolúveis que levarão a outros, igualmente insolúveis. Amigos insistirão que o objeto do seu esforço é fútil. Você não terá como se defender. Pois os problemas serão de uma complexidade de explodir a mente. Bem-vindo à matemática pura e ao reino da solidão."
Achei muito bom os dois primeiros episódios que assisti. Não entendo pq a galera achou ruim. Li quase todo o livro, enriquece muito a leitura, mas não precisa lê o livro pra assisti a série
Eu queria saber porque a galera que cuidar da do design de som, o trilha sonora coloca uma um som de batidão na cena em agencia da policial federal, ou em diálogos entre policias? Não faz sentido, isso confunde as emoções que a gente telespectador tem que ter que sentir.
O que o diretor espera que a gente sente na cena quando escolhe esses sons? Que os a gentes federais tem a ver com isso? Não tô fazendo um juízo de valor sobre o batidão, mas ela não é adequada para a cena. Em termos de narrativa, tal escolha parece deslocada ou desconexa dentro da história.
Nem vou fala do personagem principal que perdeu o amigo, não dá pra sentir conexão nenhuma nele. Manoo
Fenomenal, uma série que soube trazer o arquétipo o rei de maneira única e adaptar a uma estória autentica do Brasil e mitológica com o cangaço e coronelismo
Tem muitos temas bons sendo discutido sobre a realidade Brasileira (em especifico, o Rio), mas o roteiro é lamentável, não parece às vezes que está falando do Brasil
Existe apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia. - Albert Camus -
Tratar a questão do suicídio como algo sério é uma das coisas mais belas da série. No roteiro a gente encontra o protogonista lidando no dia a dia de seu trabalha com O ABSURDO. O absurdo pode nos pegar a qualquer momento, seja num telefonema nos dizendo que um amigo querido se foi ou dobrando a esquina numa semana normal. O absurdo pode estar em qualquer momento e aparecer em qualquer lugar. No livro "A anatomia de uma dor - Um luto em observação" C.S Lewis, autor e criador de Narnia, documenta seu processo de luto depois de ter perdido sua esposa, e como Tony ele passa por um questionamento existencial. O Niilismo não foi a resposta de C.S. Lewis, mas foi a de Tony com a vida durante boa parte da série, que são episódios bem curtos. Me peguei relendo alguns livros do C.S Lewis. Albert Camus e outros entre uma pausa e outra. A gente não precisa concordar com as atitudes de Tony, mas é importante entender sem julgar. Se você já passou pela dor da perda, essa é uma ótima série para reflexões existenciais; se ainda não passou é uma ótima série pra empatia.
Eu amo a vida, eis a minha verdadeira fraqueza. Amo-a tanto que não tenho nenhuma imaginação para o que não for vida. - Albert Camus -
Os Donos do Jogo (1ª Temporada)
3.8 68 Assista AgoraCrítica – Prólogo 1/9
Assim: as atuações são boas, e há momentos em que a série funciona. Mas ae minha pergunta é: o diretor os roteiristas tava com muito boleto pra pagar? ae eles pensaram assim "deixa eu pegar esse trabalho aqui ae vou fazer o mínimo só pra quitar uma dividas que tenho" como se o objetivo fosse entregar um produto competente o suficiente para cumprir tabela, sem ambição real de aprofundar o que o próprio tema exige.
A minha pergunta mais profunda é: que história, afinal, eles queriam contar aqui?
Tava lendo uma matéria na Veja falando que o diretor disse que se inspirou no mundo do crime do Rio e queria contar só história Mirna e da Suzana Guerra e ainda a matéria disse que eles descrevem isso como a trama da máfia brasileira.
Só que aí vira contradição pura: como você promete “máfia brasileira” e reduz o centro da narrativa a uma treta familiar, deixando todo o resto como decoração? Cadê o peso social disso, as engrenagens, o custo pra cidade, a política, o dinheiro circulando, o medo como administração do cotidiano? Como você chama de “máfia” e não fala sobre as contradições que isso traz pra sociedade? ou então fala que não é uma história de máfia e deixa gourmetizado mesmo
Mesmo ela podendo ser boa (o suficiente pra pagar os boletos) ela chega a ser medíocre e profana ao falar que se trata da máfia brasileira ao querer gourmetizar isso. A série deveria assumir esse recorte com honestidade, sem vender a ideia de “máfia brasileira” como se fosse um retrato amplo do fenômeno. Do jeito que está, o resultado soa “embelezado” e superficial: uma embalagem forte para um conteúdo que não sustenta o peso do que anuncia. E por isso, mesmo sendo tecnicamente aceitável, termina medíocre, não por falta de potencial, mas por escolher o atalho do rótulo grandioso sem entregar as implicações que ele exige.
Eu acho isso muito triste, o problema centra é a direção e os roteiristas. Vou destrinchar essa crítica episódio por episódio aqui
Pssica
3.8 72 Assista AgoraO terceiro episódio de Pssica não foi bem desenvolvido. Pra mim, é um problema de roteiro que a direção não conseguiu contornar. Ainda assim, as atuações seguram bem a série. Domithila Cattete, que interpreta Janalice, entrega uma performance intensa, cheia de nuances, equilibrando a fragilidade e a força da personagem. Já a colombiana Marleyda Soto, no papel de Mariangel, traz uma presença profunda. Ela funciona quase como a consciência moral da narrativa, sustentando o peso simbólico das cenas mais densas. As duas atrizes são, sem dúvida, o coração da série, mesmo quando o texto e a montagem oscilam.
Um ponto que chama atenção, e nem sempre de forma positiva, é o uso da trilha sonora. Em vários momentos, a produção insere músicas com batida de festa em cenas trágicas, com personagens morrendo ou sendo levados a situações de sofrimento. Esse tipo de contraste pode funcionar se houver intenção estética clara, mas aqui parece mais um erro de tom do que uma escolha calculada. O resultado é uma quebra na imersão, especialmente quando o espectador está emocionalmente envolvido na cena. Isso parece um problema de produção de algumas produções brasileiras, pois outra serie brasileira da netflix tinha esse problema.
Por outro lado, a série acerta na fotografia e no som ambiente. A câmera aposta em planos fechados e em cores saturadas que reforçam o calor e a densidade da paisagem amazônica. Os sons da floresta, da água, das respirações e dos motores criam um realismo sensorial poderoso quando a trilha musical se cala. Nessas horas, Pssica encontra o equilíbrio entre o místico e o terreno, entre o mito e o cotidiano.
Dandadan (1ª Temporada)
4.2 82 Assista Agora[ANALISE GERAL SEM SPOILER] que talvez faça vc enxergar a serie de uma outra maneira - vi só os primeiros 5 episódios
Dandadan é uma série que explora profundamente a busca por identidade e conexão, usando as crenças aparentemente opostas de seus protagonistas como ponto central. Momo Ayase, que acredita em espíritos, e Ken Takakura ou Okarun, obcecado por alienígenas, representam duas formas distintas de enxergar o mundo e tentar compreender o desconhecido. É interessante notar que a palavra alienígena e alienado derivam do latim "alienus", que significa "estrangeiro", "de outro", ou "que pertence a outro". Essa crença em alienígenas nasce também Ken ser um alienado, um estrangeiro de si, mesmo, sem amigos e sem conexão; é interessante notar como essas paralelos se comunicam com um lado sombrio do mundo masculino. Essas crenças não são apenas curiosidades pessoais, mas refletem quem eles são e suas necessidades emocionais, Momo, ligada ao espiritual e ao passado, busca uma conexão com suas raízes.
Os alienígenas e os yokai são metáforas poderosas nessa jornada. Os alienígenas, com sua falta de individualidade e obsessão por continuidade, simbolizam o vazio e a desconexão o estrangeiro, o alineado; já os yokai, como a velha do túnel, nascem de traumas profundos e injustiças não resolvidas, representando o impacto do passado e dos conflitos internos. Ambos, no entanto, desafiam os protagonistas a enfrentarem não só o "sobrenatural", mas também suas próprias dúvidas e limitações. Há também uma metáfora sobre e sexo e identidade nos alienígenas e os yokai, de como esse desconhecido dialoga com caos cósmico de desejo e sexualidade e que buscamos por uma ordem ou orientação da nossa própria identidade quando estamos na puberdade e melhorado nesse caos. Os testículos, no âmbito pessoal masculino, são um símbolo óbvio da virilidade e masculinidade, e perdê-los poderia representar uma crise de identidade para o protagonista; já no âmbito social, túnel e o espírito da velha estão diretamente ligados a traumas profundos e não resolvidos, provocado pelo "falo", como as mortes das meninas. Já a protagonista sofre também pois mesmo já tendo relações sexuais anteriores com outros namorados, eles eram todos "alienígenas" ou "alienados" de si mesmo (ou redpills na linguagem moderna), fazendo com que a protagonista tenha tido experiências apenas físicas mas não emocionais, com isso ela cria a projeção em um ideal de homem com quem um dia ela pode ter essa conexão emocional que é Ken Takakura, um ator de televisão que ela gosta, e assim muda o nome de seu amigo Ken Takakura para Okarun pra não se perder na suas crenças e realidades
O mais bonito é que, ao longo dessa jornada, Momo e Ken ou Okarun começam a enxergar e respeitar as crenças um do outro. Essa troca os aproxima emocionalmente, ainda que inconscientemente, e o entendimento mútuo gera empatia, permitindo que eles se conectem de uma maneira que transcende palavras ou explicações racionais. Eu assisti só até o episodio que velha vira um gato, mas se percebe que o amor que começa a surgir entre eles é o reflexo desse respeito e dessa aceitação — uma relação que cresce à medida que cada um descobre mais sobre o outro e sobre si mesmo.
No fundo, Dandadan é uma história sobre como nossas crenças e experiências moldam quem somos, e como, ao enfrentarmos os "monstros" do desconhecido — sejam alienígenas, yokai ou nossos próprios medos —, encontramos o caminho para nos conectar com os outros e com nós mesmos.
Justiça (1ª Temporada)
4.3 330Olha só, as músicas, fotografia e elenco da série são realmente muito bons. No entanto, é evidente que os roteiristas não têm um entendimento profundo sobre as contradições da sociedade brasileira, especialmente considerando que o tema central da série está no próprio nome: JUSTIÇA. Além disso, falta um trabalho detalhado na construção dos personagens, algo essencial para que possamos entender a profundidade deles.
Um exemplo claro é a personagem da Marjorie Estiano, que, aliás, entregou uma atuação excelente. Mas, infelizmente, uma boa atuação não salva um roteiro ruim. Veja, por exemplo, a cena em que a personagem é atropelada. Compare com a cena da atropelamento da personagem da Cate Blanchett no filme O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) que é mesma cena, inclusive a personagem também é bailarina. Lá, o tema do DESTINO dá um significado claro à cena, tornando-a memorável e conectada à história. Na série, o atropelamento parece apenas jogado, sem uma conexão real com a ideia de JUSTIÇA, ele serve apenas para justificar a eutanásia da personagem, mas não transmite ao público a importância da dança como parte da identidade emocional dela, o que seria crucial para justificar o suicídio/eutania de forma mais impactante.
Esse é só um dos muitos problemas de roteiro da série. Embora a trilha sonora (com exceção da música "Aleluia") seja muito boa e remeta a uma tragédia brasileira, o roteiro em si é fraco. Assisti até o sexto episódio, mas foi difícil continuar ae desisti. Esses roteiristas precisam estudar mais sobre o que significa justiça no Brasil antes de escrever algo tão ambicioso.
A Vida no Nosso Planeta
4.3 25 Assista AgoraSteven Spielberg tá na produção, por isso tem storytelling maravilho
Vale O Escrito - A Guerra do Jogo do Bicho
4.5 143A serie acaba levando pra problemas mais insolúveis ainda, ainda mais depois da descoberta da família Brasão com bicheiros e milicia. O epilogo da série me lembra o prologo do filme Incendies:
"A matemática que você estudou até agora buscou fornecer respostas claras e definitivas para problemas claros e definitivos. Agora você está embarcando em uma nova aventura. Você enfrentará problemas insolúveis que levarão a outros, igualmente insolúveis. Amigos insistirão que o objeto do seu esforço é fútil. Você não terá como se defender. Pois os problemas serão de uma complexidade de explodir a mente. Bem-vindo à matemática pura e ao reino da solidão."
Troia: A Queda de uma Cidade
3.1 56Achei muito bom os dois primeiros episódios que assisti. Não entendo pq a galera achou ruim. Li quase todo o livro, enriquece muito a leitura, mas não precisa lê o livro pra assisti a série
DNA do Crime (1ª Temporada)
4.0 65 Assista AgoraEu queria saber porque a galera que cuidar da do design de som, o trilha sonora coloca uma um som de batidão na cena em agencia da policial federal, ou em diálogos entre policias? Não faz sentido, isso confunde as emoções que a gente telespectador tem que ter que sentir.
O que o diretor espera que a gente sente na cena quando escolhe esses sons? Que os a gentes federais tem a ver com isso? Não tô fazendo um juízo de valor sobre o batidão, mas ela não é adequada para a cena. Em termos de narrativa, tal escolha parece deslocada ou desconexa dentro da história.
Nem vou fala do personagem principal que perdeu o amigo, não dá pra sentir conexão nenhuma nele. Manoo
Cangaço Novo (1ª Temporada)
4.4 219 Assista AgoraFenomenal, uma série que soube trazer o arquétipo o rei de maneira única e adaptar a uma estória autentica do Brasil e mitológica com o cangaço e coronelismo
Succession (1ª Temporada)
4.2 277Logan Roy = Rei Lear
Kendall Roy = Cordélia
Drama Shakespeariano
Grande Sertão: Veredas
4.1 24Eu terminei de ler o livro, queria muito ver esse série. Alguém sabe onde eu posso achar?
Arcanjo Renegado (1ª Temporada)
4.0 48Tem muitos temas bons sendo discutido sobre a realidade Brasileira (em especifico, o Rio), mas o roteiro é lamentável, não parece às vezes que está falando do Brasil
After Life: Vocês Vão Ter de Me Engolir (1ª Temporada)
4.2 190 Assista AgoraExiste apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia.
- Albert Camus -
Tratar a questão do suicídio como algo sério é uma das coisas mais belas da série. No roteiro a gente encontra o protogonista lidando no dia a dia de seu trabalha com O ABSURDO. O absurdo pode nos pegar a qualquer momento, seja num telefonema nos dizendo que um amigo querido se foi ou dobrando a esquina numa semana normal. O absurdo pode estar em qualquer momento e aparecer em qualquer lugar. No livro "A anatomia de uma dor - Um luto em observação" C.S Lewis, autor e criador de Narnia, documenta seu processo de luto depois de ter perdido sua esposa, e como Tony ele passa por um questionamento existencial. O Niilismo não foi a resposta de C.S. Lewis, mas foi a de Tony com a vida durante boa parte da série, que são episódios bem curtos. Me peguei relendo alguns livros do C.S Lewis. Albert Camus e outros entre uma pausa e outra. A gente não precisa concordar com as atitudes de Tony, mas é importante entender sem julgar. Se você já passou pela dor da perda, essa é uma ótima série para reflexões existenciais; se ainda não passou é uma ótima série pra empatia.
Eu amo a vida, eis a minha verdadeira fraqueza. Amo-a tanto que não tenho nenhuma imaginação para o que não for vida.
- Albert Camus -