Chave de leitura 1: quando você terminar o filme, volte e assista de novo os 15 primeiros minutos. O final “fecha” o começo: é um ciclo. E isso combina com a sensação de inferno cotidiano, meio como a ideia de Dante como se a rotina da perdição fosse sempre a mesma volta, o mesmo corredor, o mesmo erro retornando.
Chave de leitura 2: assista de novo além dos 15 minutos (depois de algumas semanas ou meses), mas com uma hipótese na cabeça: o professor e o duplicado são a mesma pessoa duas faces, dois impulsos, um só sujeito. A partir daí, dá pra notar algo interessante: as mulheres parecem enxergar “um homem só”, mesmo quando ele tenta separar as coisas.
Spoiler leve: Da perspectiva da esposa, o telefonema no público pode funcionar como um tipo de “álibi emocional”: ele liga pra casa e “performa” alguém que não é ele, pra depois quando o duplicado liga ele o diretor usa o famoso "efeito kuleshov" justapondo o dulicado falando com ele, mas pra sua esposa pode ser outra, por isso ela pergunta "você tá mentindo pra mim?". Ela lê aquilo como mentira , não só fato, mas tentativa de dividir uma vida que, na prática, é uma só.
Da perspectiva da outra mulher, tem um ponto ainda mais cruel: ele nunca diz que é ou foi casado. Ou seja, a própria realidade afetiva do personagem é rachada e ele administra a rachadura por omissão o que causaria uma crise de identidade masculina.
No fim, como se o caos fosse uma ordem esperando ser decifrada, o personagem está preso numa teia sistematicamente bem feita. Uma teia tem lógica, tem padrão, mas, pra quem está preso nela, essa “ordem” vira desespero. A teia é o medo se percebe o canalha que é, e também o caos que sufoca.
Uma terceira chave de leitura (que acho muito forte) é a crise de identidade masculina virando terror psicológico. Villeneuve pega o núcleo do Saramago e transforma em pesadelo: não só “quem sou eu?”, mas “quem eu finjo ser?”, e o pânico de ver a própria máscara ganhar corpo.
E aqui dá pra dizer sem exagero: o livro e o filme são dois acertos, cada um no seu idioma. No livro, a crise é mais existencial no geral (não só masculina, mas a masculina também tá ali), e o “terror” é mais o espanto filosófico da identidade. Tem também o personagem do “bom senso”, que funciona muito bem ali, mas não caberia do mesmo jeito no cinema.
Você não precisa ler o livro pra ver o filme e também não acho que um seja “melhor” que o outro. São experiências diferentes, que podem ser degustadas separadamente, e que juntas ficam ainda mais ricas. Saramago eu amo; Villeneuve, nas adaptações, costuma ser coerente com o tipo de história que quer contar e aqui ele foi cirúrgico.
Assim: as atuações são boas, e há momentos em que a série funciona. Mas ae minha pergunta é: o diretor os roteiristas tava com muito boleto pra pagar? ae eles pensaram assim "deixa eu pegar esse trabalho aqui ae vou fazer o mínimo só pra quitar uma dividas que tenho" como se o objetivo fosse entregar um produto competente o suficiente para cumprir tabela, sem ambição real de aprofundar o que o próprio tema exige.
A minha pergunta mais profunda é: que história, afinal, eles queriam contar aqui?
Tava lendo uma matéria na Veja falando que o diretor disse que se inspirou no mundo do crime do Rio e queria contar só história Mirna e da Suzana Guerra e ainda a matéria disse que eles descrevem isso como a trama da máfia brasileira.
Só que aí vira contradição pura: como você promete “máfia brasileira” e reduz o centro da narrativa a uma treta familiar, deixando todo o resto como decoração? Cadê o peso social disso, as engrenagens, o custo pra cidade, a política, o dinheiro circulando, o medo como administração do cotidiano? Como você chama de “máfia” e não fala sobre as contradições que isso traz pra sociedade? ou então fala que não é uma história de máfia e deixa gourmetizado mesmo
Mesmo ela podendo ser boa (o suficiente pra pagar os boletos) ela chega a ser medíocre e profana ao falar que se trata da máfia brasileira ao querer gourmetizar isso. A série deveria assumir esse recorte com honestidade, sem vender a ideia de “máfia brasileira” como se fosse um retrato amplo do fenômeno. Do jeito que está, o resultado soa “embelezado” e superficial: uma embalagem forte para um conteúdo que não sustenta o peso do que anuncia. E por isso, mesmo sendo tecnicamente aceitável, termina medíocre, não por falta de potencial, mas por escolher o atalho do rótulo grandioso sem entregar as implicações que ele exige.
Eu acho isso muito triste, o problema centra é a direção e os roteiristas. Vou destrinchar essa crítica episódio por episódio aqui
O terceiro episódio de Pssica não foi bem desenvolvido. Pra mim, é um problema de roteiro que a direção não conseguiu contornar. Ainda assim, as atuações seguram bem a série. Domithila Cattete, que interpreta Janalice, entrega uma performance intensa, cheia de nuances, equilibrando a fragilidade e a força da personagem. Já a colombiana Marleyda Soto, no papel de Mariangel, traz uma presença profunda. Ela funciona quase como a consciência moral da narrativa, sustentando o peso simbólico das cenas mais densas. As duas atrizes são, sem dúvida, o coração da série, mesmo quando o texto e a montagem oscilam.
Um ponto que chama atenção, e nem sempre de forma positiva, é o uso da trilha sonora. Em vários momentos, a produção insere músicas com batida de festa em cenas trágicas, com personagens morrendo ou sendo levados a situações de sofrimento. Esse tipo de contraste pode funcionar se houver intenção estética clara, mas aqui parece mais um erro de tom do que uma escolha calculada. O resultado é uma quebra na imersão, especialmente quando o espectador está emocionalmente envolvido na cena. Isso parece um problema de produção de algumas produções brasileiras, pois outra serie brasileira da netflix tinha esse problema.
Por outro lado, a série acerta na fotografia e no som ambiente. A câmera aposta em planos fechados e em cores saturadas que reforçam o calor e a densidade da paisagem amazônica. Os sons da floresta, da água, das respirações e dos motores criam um realismo sensorial poderoso quando a trilha musical se cala. Nessas horas, Pssica encontra o equilíbrio entre o místico e o terreno, entre o mito e o cotidiano.
Na esteira do lançamento do filme Spike Lee, é importante perceber que o filme do Kurosawa (que em inglês é High and Low) fala sobre um Japão dividido entre crescimento e exclusão, modernização e alienação do pós-guerra. O filme do Spike Lee vai se chamar também High and Low, uma homenagem e referência a Kurosawa. Mas o que me despertou atenção em querer assistir tanto esse filme do Kurosawa e ver o futuramente a releitura do Spike Lee foi a tradução do título do filme do Spike Lee para o português: Luta de Classes.
Me perguntei: Será que o filme Kurosawa retrata a luta de classes no sentido marxista do termo? A resposta é não, mas marginalmente aparece a luta de classes de maneira bem inteligente. Na hora que o policial investigativo vai na fabrica saber sobre o suspeito do sequestro, um funcionário diz que um dos acionistas (que é vítima do sequestro), o Gondo, é um bom patrão pois se preocupa com os funcionários, e se preocupa com a qualidade do sabatos em oposição aos outros acionistas que querem diminuir a qualidade dos sapatos e trata mal os funcionários. Acho que esse é o único trecho que rola algo de luta de classes, além de que rola uma briga intra-burguesa com os poderes acionários da empresa.
Se alguém traduzisse diretamente para “luta de classes” esse filme do Kurosawa , a conexão imediata com Marx e sociologia se imporia, como eu estou pensando com o filme do Spike Lee. Isso poderia soar muito explícito e reducionista, porque Kurosawa não constrói o filme como um panfleto político, e sim como um drama moral + policial onde a desigualdade é uma camada essencial, mas não única.
O título japonês Tengoku to Jigoku significa literalmente “Céu e Inferno”. O filme de Kurosawa em português é Céu e Inferno, o que é bem adequado pois carrega uma força simbólica universal. Não se trata apenas de ricos e pobres, mas de uma dualidade mais profunda: certo e errado, egoísmo e altruísmo, liberdade e prisão. A casa de Gondo, no alto da colina, é o “céu” moderno do conforto burguês, mas também se torna um espaço claustrofóbico de dilema moral. Os bairros miseráveis de Yokohama são o “inferno” social do ressentimento e da exclusão, mas também o terreno onde se revela a dor de quem não tem oportunidades. A verticalidade do título não se reduz a uma categoria sociológica, ela é uma metáfora visual e filosófica.
A tradução “Luta de Classes”, escolhida para o filme de Spike Lee, já fecha o sentido. Faz a ponte direta com Marx e com um tipo específico de interpretação política. Pode ser uma escolha adequada para o contexto contemporâneo e para a obra de Spike Lee, que sempre se alimentou da crítica racial e social norte-americana. Mas em Kurosawa a questão é mais ambígua: a desigualdade está presente, mas o centro é o dilema ético. Gondo é ambicioso e calculista, mas também é capaz de compaixão e sacrifício. O sequestrador é produto da miséria, mas também escolhe a crueldade. Não há heróis ou vilões absolutos.
É nesse ponto que a obra de Kurosawa se diferencia: ela mostra que a luta de classes existe, mas não basta para esgotar a análise. O filme revela tanto o funcionamento interno da burguesia (a disputa entre acionistas e estratégias empresariais), quanto a vida de quem está fora desse jogo (o sequestrador que não tem acesso à mobilidade social). Mas o que move a trama não é a teoria social, e sim a escolha moral diante da vida e da morte. Kurosawa não está preocupado em ilustrar Marx, mas em mostrar como, num Japão em rápida modernização, a desigualdade, a alienação e o ressentimento corroem tanto o topo quanto a base da sociedade.
Vamos ver a tradução do filme Spike Lee vai fazer uma leitura dando ênfase mais na Luta de classes (o que pode ser muito interessante), ou se os tradutores do título em português errou feio e nem sabe o que é realmente luta de classes. De qualquer maneira o filme de Kurosawa é uma boa história, Céu e Inferno é sobre as fronteiras éticas que atravessam cada um de nós, sobre como a geografia da cidade (o alto e o baixo, o conforto e a miséria) se reflete como geografia moral dentro das pessoas e da sociedade.
Me pareceu que M. Night Shyamalan fez uma história só pra inserir a sua filha no mundo do cinema (e ela não atuou bem nesse filme). Como diz a Valentina em White Lotus "Meritocracia"
O enredo lembra muito o clássico O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Assim como no livro, temos uma figura externa que funciona como espelho: no caso de Dorian, o retrato que envelhece no lugar dele; em A Substância, o corpo jovem que vive ao lado da versão envelhecida. Essa comparação mostra como os dois trabalhos tratam da mesma obsessão: a recusa em aceitar o tempo e o desejo de juventude eterna.
O recurso do duplo, central em Wilde, reaparece em chave contemporânea. Enquanto Dorian escondia sua corrupção em um quadro, Elisabeth enfrenta uma versão jovem de si que ganha autonomia e ameaça ocupar seu lugar. Não há aqui apenas alegoria moral, mas também denúncia: a juventude feminina não é apenas um desejo íntimo, mas uma imposição do mercado que transforma a mulher em produto descartável.
No entanto, o filme não é isento de problemas. O excesso de gore e cenas gráficas pode afastar quem busca um terror mais psicológico ou simbólico. Em alguns momentos, a violência parece tão exagerada que tira força da crítica e beira a autoparódia. Além disso, a narrativa poderia ser mais enxuta: o filme se estende em algumas sequências repetitivas que acabam desgastando o impacto inicial da ideia.
Apesar disso, A Substância é um filme interessante, que mistura horror e comentário social de forma rara no cinema comercial, muitos takes até parece que foi feito por publicitários. Há também um grande tema que a busca pela eternidade e fonte da juventude que perpassa sempre em estórias antigas mas aqui atualizado e colocado como subtema. Se O Retrato de Dorian Gray mostrava a corrupção da alma, aqui vemos a destruição da carne, mas a mensagem final é a mesma: quem tenta prender a juventude a qualquer custo acaba se destruindo por dentro e por fora.
Sorrentino faz muitas coisas em seus filmes, mas acima de tudo, ele nos convida a sentir o tempo escorrendo entre os dedos. Parecem sussurrar que tudo está passando: o lugar, o corpo, a lembrança, o agora. E é justamente isso que temos: O Agora. O instante que pulsa, o silêncio entre uma festa e outra, o olhar perdido que atravessa a janela. Ele não filma a ação: filma a pausa, o eco, a respiração do que já quase foi.
O que você está pensando?
Seus filmes nos puxam para o centro daquilo que realmente importa, ainda que tentemos desviar: os vínculos que criamos, as buscas que nos movem, a beleza que encontramos sem querer, e que muitas vezes não sabemos nomear.
O que você está pensando?
A vida não é um roteiro com cenas bem marcadas. A vida se espalha. Ela se perde e se encontra. É feita de desvios, de retornos inexplicáveis, de momentos que não levam a lugar nenhum e, ainda assim, nos transformam. É o feio ao lado do sublime. O velho no mesmo plano do novo. Sorrentino não quer resolver a vida, ele quer senti-la. Quer que a olhemos com a franqueza que tanto evitamos.
O que você está pensando?
Sorrentino habita o mesmo campo filosófico do absurdo de Camus: seus personagens pressentem o desencaixe do mundo, mas não gritam. A cena do casal transando ao meio a famílias, O que significa? Talvez seja alguma pratica cultura de Nápoles dos anos 70, resquícios de alguma pratica cultural dos italianos de Nápoles, assim como nosso própria cultura tem algumas coisas assim, tente explicar pra um gringo o que é "bala perdida". O que significa do ponto de vista existência essas coisas? Não importa muito “o absurdo nasce do confronto entre o apelo humano por sentido e o silêncio irracional do mundo”. Nos filmes de Sorrentino, ouvimos esse silêncio. Alguns de seus personagens acaba não suportando esse silencio.
O que você está pensando?
Mas Sorrentino não se limita a Camus, entre os corredores de seus filmes Sartre aparece, seus personagens não carregam uma essência pré-fabricada, há uma ruptura no primeiro terço do filme, após uma tragedia, com a mitologia da sereia Parthenope que atraia marinheiros para o mar. Parthenope percebe então que não é algo antes de existir. a partir do segundo terço ela vê o peso de saber que a existência vem primeiro e que, portanto, tudo o que se é depende do que se escolhe fazer com o tempo que lhes resta. É por isso que suas crises são tão existenciais: ninguém tem um roteiro. Não há garantia de redenção. Só há escolhas, memórias, gestos, e a busca por algum significado entre o caos do viver.
O que Sorrentino está pensando?
O ponto de Sorrentino não é distrações que criamos: na vaidade, nos filtros, nas narrativas que contamos para fingir juventude, sucesso, controle. Ele recusa essas ilusões com delicadeza, mas também com uma dor latente. O que lhe importa é a verdade não uma verdade objetiva, mas a verdade sensível da experiência vivida. E ele parece dizer: olhe. Apenas olhe. Antes que passe. Antes que desapareça. Assim você se torna um antropólogo de verdade
[ANALISE GERAL SEM SPOILER] que talvez faça vc enxergar a serie de uma outra maneira - vi só os primeiros 5 episódios
Dandadan é uma série que explora profundamente a busca por identidade e conexão, usando as crenças aparentemente opostas de seus protagonistas como ponto central. Momo Ayase, que acredita em espíritos, e Ken Takakura ou Okarun, obcecado por alienígenas, representam duas formas distintas de enxergar o mundo e tentar compreender o desconhecido. É interessante notar que a palavra alienígena e alienado derivam do latim "alienus", que significa "estrangeiro", "de outro", ou "que pertence a outro". Essa crença em alienígenas nasce também Ken ser um alienado, um estrangeiro de si, mesmo, sem amigos e sem conexão; é interessante notar como essas paralelos se comunicam com um lado sombrio do mundo masculino. Essas crenças não são apenas curiosidades pessoais, mas refletem quem eles são e suas necessidades emocionais, Momo, ligada ao espiritual e ao passado, busca uma conexão com suas raízes.
Os alienígenas e os yokai são metáforas poderosas nessa jornada. Os alienígenas, com sua falta de individualidade e obsessão por continuidade, simbolizam o vazio e a desconexão o estrangeiro, o alineado; já os yokai, como a velha do túnel, nascem de traumas profundos e injustiças não resolvidas, representando o impacto do passado e dos conflitos internos. Ambos, no entanto, desafiam os protagonistas a enfrentarem não só o "sobrenatural", mas também suas próprias dúvidas e limitações. Há também uma metáfora sobre e sexo e identidade nos alienígenas e os yokai, de como esse desconhecido dialoga com caos cósmico de desejo e sexualidade e que buscamos por uma ordem ou orientação da nossa própria identidade quando estamos na puberdade e melhorado nesse caos. Os testículos, no âmbito pessoal masculino, são um símbolo óbvio da virilidade e masculinidade, e perdê-los poderia representar uma crise de identidade para o protagonista; já no âmbito social, túnel e o espírito da velha estão diretamente ligados a traumas profundos e não resolvidos, provocado pelo "falo", como as mortes das meninas. Já a protagonista sofre também pois mesmo já tendo relações sexuais anteriores com outros namorados, eles eram todos "alienígenas" ou "alienados" de si mesmo (ou redpills na linguagem moderna), fazendo com que a protagonista tenha tido experiências apenas físicas mas não emocionais, com isso ela cria a projeção em um ideal de homem com quem um dia ela pode ter essa conexão emocional que é Ken Takakura, um ator de televisão que ela gosta, e assim muda o nome de seu amigo Ken Takakura para Okarun pra não se perder na suas crenças e realidades
O mais bonito é que, ao longo dessa jornada, Momo e Ken ou Okarun começam a enxergar e respeitar as crenças um do outro. Essa troca os aproxima emocionalmente, ainda que inconscientemente, e o entendimento mútuo gera empatia, permitindo que eles se conectem de uma maneira que transcende palavras ou explicações racionais. Eu assisti só até o episodio que velha vira um gato, mas se percebe que o amor que começa a surgir entre eles é o reflexo desse respeito e dessa aceitação — uma relação que cresce à medida que cada um descobre mais sobre o outro e sobre si mesmo.
No fundo, Dandadan é uma história sobre como nossas crenças e experiências moldam quem somos, e como, ao enfrentarmos os "monstros" do desconhecido — sejam alienígenas, yokai ou nossos próprios medos —, encontramos o caminho para nos conectar com os outros e com nós mesmos.
Olha só, as músicas, fotografia e elenco da série são realmente muito bons. No entanto, é evidente que os roteiristas não têm um entendimento profundo sobre as contradições da sociedade brasileira, especialmente considerando que o tema central da série está no próprio nome: JUSTIÇA. Além disso, falta um trabalho detalhado na construção dos personagens, algo essencial para que possamos entender a profundidade deles.
Um exemplo claro é a personagem da Marjorie Estiano, que, aliás, entregou uma atuação excelente. Mas, infelizmente, uma boa atuação não salva um roteiro ruim. Veja, por exemplo, a cena em que a personagem é atropelada. Compare com a cena da atropelamento da personagem da Cate Blanchett no filme O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) que é mesma cena, inclusive a personagem também é bailarina. Lá, o tema do DESTINO dá um significado claro à cena, tornando-a memorável e conectada à história. Na série, o atropelamento parece apenas jogado, sem uma conexão real com a ideia de JUSTIÇA, ele serve apenas para justificar a eutanásia da personagem, mas não transmite ao público a importância da dança como parte da identidade emocional dela, o que seria crucial para justificar o suicídio/eutania de forma mais impactante.
Esse é só um dos muitos problemas de roteiro da série. Embora a trilha sonora (com exceção da música "Aleluia") seja muito boa e remeta a uma tragédia brasileira, o roteiro em si é fraco. Assisti até o sexto episódio, mas foi difícil continuar ae desisti. Esses roteiristas precisam estudar mais sobre o que significa justiça no Brasil antes de escrever algo tão ambicioso.
A serie acaba levando pra problemas mais insolúveis ainda, ainda mais depois da descoberta da família Brasão com bicheiros e milicia. O epilogo da série me lembra o prologo do filme Incendies:
"A matemática que você estudou até agora buscou fornecer respostas claras e definitivas para problemas claros e definitivos. Agora você está embarcando em uma nova aventura. Você enfrentará problemas insolúveis que levarão a outros, igualmente insolúveis. Amigos insistirão que o objeto do seu esforço é fútil. Você não terá como se defender. Pois os problemas serão de uma complexidade de explodir a mente. Bem-vindo à matemática pura e ao reino da solidão."
Achei muito bom os dois primeiros episódios que assisti. Não entendo pq a galera achou ruim. Li quase todo o livro, enriquece muito a leitura, mas não precisa lê o livro pra assisti a série
Eu queria saber porque a galera que cuidar da do design de som, o trilha sonora coloca uma um som de batidão na cena em agencia da policial federal, ou em diálogos entre policias? Não faz sentido, isso confunde as emoções que a gente telespectador tem que ter que sentir.
O que o diretor espera que a gente sente na cena quando escolhe esses sons? Que os a gentes federais tem a ver com isso? Não tô fazendo um juízo de valor sobre o batidão, mas ela não é adequada para a cena. Em termos de narrativa, tal escolha parece deslocada ou desconexa dentro da história.
Nem vou fala do personagem principal que perdeu o amigo, não dá pra sentir conexão nenhuma nele. Manoo
O Reino do Céu é a consciência. O Reino do Céu não é Jerusalém, é onde seu coração e mente está
Traduzir o nome do filme como cruzadas meio que escode a essência do filme, porque o nome em inglês é Kingdom of Heaven que significa Reino do Céu e o Reino do Céu é a consciência.
O monge que ele mata no começo profanou o corpo de uma pessoa que o protagonista amava, cortando lhe a cabeça e roubando a cruz. Com isso a esposa dele é condenada ae ir para o inferno. Sendo assim o protagonista toma consciência que não deve deixar sua amada ir para o inferno, assim, ele vai atras do pai dele.
É o primeiro ato dele para o Reino do Céu/consciência ou nada.
O segundo ato é ensinado pelo rei leproso, que apesar da doença tem o Reino da Consciência. E ele diz:
"Um rei pode mover um homem, um pai pode reivindicar um filho, mas lembre-se de que mesmo quando aqueles que o movem são reis ou homens de poder, sua alma está apenas em sua guarda. Quando você estiver diante de Deus, não poderá dizer: "Mas me disseram para fazer assim." Ou que, "A virtude não era conveniente naquele momento." Isso não será suficiente. Lembre-se disso."
Ridley Scott sabe contar uma estória, do segundo ato para o terceiro ato Ridley Scott põe ao protagonista uma escolha de Sofia para O Reino da Consciência: cassar com Sibylla (Eva Green) e ser o responsável direto pela morte de soldados de Guy (Marton Csokas) ou não casar com ela e poupar a vida desses inocentes mesmo Guy se tornara rei e fará guerra com Saladin (Ghassan Massoud)
Eu assistindo também me senti desconfortável com a escolha do protagonista, mas isso é muito mérito do contar de estória Ridley Scott porque é Reino do consciência ou nada.
É filme muito foda, e não é um filme sobre as cruzadas, as cruzadas é apenas o background da estória
Fenomenal, uma série que soube trazer o arquétipo o rei de maneira única e adaptar a uma estória autentica do Brasil e mitológica com o cangaço e coronelismo
Como a gente faz pra ter uma ideia de quem foi nosso pai ou mãe de verdade quando eles já não estão mais aqui? Como a gente reconcilia o mosaico de memorias, objetos, artefatos e nossa própria imaginação e entender esse passado fragmentado quando já faz um tempo que eles não estão aqui e a gente já cresceu?
Terminei de ver o filme faz 10 min, moro em São Paulo e daqui 5 dias vou pro interior de Minas pela primeira vez, cidade natal onde meus pais nasceram.
Mas me pergunto, quem ele ou ela, meu pais, foi no passado? Eu digo mais no sentido o que era suas angustias, medos, crenças e outras coisas como essas que definia eles de verdade e que de certa forma tinha uma influenciava e moldava em suas atitudes comigo e com o mundo.
Essa verdade é um mistério da vida, nunca vou saber. Mas o que sabemos é que é nessa paisagem subjetiva minha e da Sophie de quando éramos mais jovem, eu, através do local, e Sophie, pelas fitas de VHS, adulto que somos agora, procuramos pelo meio, pelas pistas escondidas, talvez lançando uma perspectiva diferente sobre essas memórias que já foram vistas sob uma luz diferente.
Nossos pais eram humanos também. Digo no sentido de sentir toda essa ansiedade, se ver perdido também às vezes na vida, chorando como nós na cama. Saber que também eles sentiam essa dor ou às vezes não sabiam expressar seus sentimentos apropriadamente sem sentir deslocado; e saber disso mais velho nos dá um outro significado do que eles foram e sobre a vida.
Eu acho que esse filme só faz sentido quando a gente já está mais maduro sobre olhar pra passado de nossos pais, um olhar que faz um profunda diferença em nos conhecer.
Acabei de reassistir, e reitero o comentário que fiz a um anos atrás
O filme da minha vida. A imagem de um homem vagando pelo espaço escuro, sem menção de tempo, é a melhor imagem do sentimento de luto. Como a gente lida com a morte? Principalmente quando você não acredita em um ser superior e principalmente quando você não quer ser niilista?
Esse filme só fez sentido pra mim quando eu perdi alguém que eu amava.
No começo do filme é dado ao Tommy duas escolhas: ir com Izzy ver o inverno chegar; ou ir para o laboratório e continuar sua busca pela cura do câncer, para tentar vencer a morte.
Tommy escolhe tentar vencer a morte, então a gente acaba indo junto. Não há nem problema em lutar pela vida, mas quando a luta se torna uma obsessão por derrotar a morte a gente tem o problema da angústia. Como Ernest Becker diz no livro A Negação da Morte. "Esse é o terror: ter emergido do nada, ter um nome, consciência de eu, sentimentos internos profundos, um desejo interno excruciante de vida e auto expressão - e com tudo isso ainda morrer."
Izzy já aceitou seu destino, Tommy não quer que Izzy morra, como ela sabe que ele vai sofrer ela convida ele pra “morrer” também. O Tommy que viveu com Izzy tem que “morrer”. A morte e vida dançam a dança da criação, por isso ela dá um livro pra ele, pra ele criar, morrer e renascer.
De novo, é dada uma outra chance para Tommy escolher: ir com Izzy ou vencer a morte. E dessa vez Tommy escolhe ir com Izzy, percebendo que a sua escolha pela imortalidade não vai o deixar completo, vai apenas fazer ele viver em angústia, sofrimento e desespero. Assim como no mito Xibalba morre pra se criar uma nova vida, ao Tommy, Iza dá um livro pra criar uma outra história e ele renascer quando ela já não estiver mais aqui.
O livro é uma metáfora para Tommy matar sua obsessão e deixar algo novo surgir, algo que lhe traga paz e que o deixe bem. Não é uma grande revelação, mas creio que o filme não é sobre essa metáfora, não é sobre desvendar os segredos da vida. A Fonte da Vida se trata mais em fazer a gente aprender a conviver sem desvendá-los. Mais que isso, o filme é convite pra gente viver nossa vida mais consciente; viver e experiênciar realmente a vida; se engajar realmente na vida; porque quando quem amamos se for não sentiremos arrependimentos de ter amado aquela pessoa mais; ou quando nos se formos pelo menos, mesmo não acreditando um poder superior, não fomos niilista e frios.
O Homem Duplicado
3.7 1,8K Assista AgoraChave de leitura 1: quando você terminar o filme, volte e assista de novo os 15 primeiros minutos. O final “fecha” o começo: é um ciclo. E isso combina com a sensação de inferno cotidiano, meio como a ideia de Dante como se a rotina da perdição fosse sempre a mesma volta, o mesmo corredor, o mesmo erro retornando.
Chave de leitura 2: assista de novo além dos 15 minutos (depois de algumas semanas ou meses), mas com uma hipótese na cabeça: o professor e o duplicado são a mesma pessoa duas faces, dois impulsos, um só sujeito. A partir daí, dá pra notar algo interessante: as mulheres parecem enxergar “um homem só”, mesmo quando ele tenta separar as coisas.
Spoiler leve:
Da perspectiva da esposa, o telefonema no público pode funcionar como um tipo de “álibi emocional”: ele liga pra casa e “performa” alguém que não é ele, pra depois quando o duplicado liga ele o diretor usa o famoso "efeito kuleshov" justapondo o dulicado falando com ele, mas pra sua esposa pode ser outra, por isso ela pergunta "você tá mentindo pra mim?". Ela lê aquilo como mentira , não só fato, mas tentativa de dividir uma vida que, na prática, é uma só.
Da perspectiva da outra mulher, tem um ponto ainda mais cruel: ele nunca diz que é ou foi casado. Ou seja, a própria realidade afetiva do personagem é rachada e ele administra a rachadura por omissão o que causaria uma crise de identidade masculina.
No fim, como se o caos fosse uma ordem esperando ser decifrada, o personagem está preso numa teia sistematicamente bem feita. Uma teia tem lógica, tem padrão, mas, pra quem está preso nela, essa “ordem” vira desespero. A teia é o medo se percebe o canalha que é, e também o caos que sufoca.
Uma terceira chave de leitura (que acho muito forte) é a crise de identidade masculina virando terror psicológico. Villeneuve pega o núcleo do Saramago e transforma em pesadelo: não só “quem sou eu?”, mas “quem eu finjo ser?”, e o pânico de ver a própria máscara ganhar corpo.
E aqui dá pra dizer sem exagero: o livro e o filme são dois acertos, cada um no seu idioma. No livro, a crise é mais existencial no geral (não só masculina, mas a masculina também tá ali), e o “terror” é mais o espanto filosófico da identidade. Tem também o personagem do “bom senso”, que funciona muito bem ali, mas não caberia do mesmo jeito no cinema.
Você não precisa ler o livro pra ver o filme e também não acho que um seja “melhor” que o outro. São experiências diferentes, que podem ser degustadas separadamente, e que juntas ficam ainda mais ricas. Saramago eu amo; Villeneuve, nas adaptações, costuma ser coerente com o tipo de história que quer contar e aqui ele foi cirúrgico.
Valor Sentimental
3.9 373 Assista AgoraÉ bem bonito o filme, esse diretor a dialoga bem com minha geração, a geração Milenia.
"Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras; cada família infeliz é infeliz à sua maneira" Léon Tolstói
Os Donos do Jogo (1ª Temporada)
3.8 68Crítica – Prólogo 1/9
Assim: as atuações são boas, e há momentos em que a série funciona. Mas ae minha pergunta é: o diretor os roteiristas tava com muito boleto pra pagar? ae eles pensaram assim "deixa eu pegar esse trabalho aqui ae vou fazer o mínimo só pra quitar uma dividas que tenho" como se o objetivo fosse entregar um produto competente o suficiente para cumprir tabela, sem ambição real de aprofundar o que o próprio tema exige.
A minha pergunta mais profunda é: que história, afinal, eles queriam contar aqui?
Tava lendo uma matéria na Veja falando que o diretor disse que se inspirou no mundo do crime do Rio e queria contar só história Mirna e da Suzana Guerra e ainda a matéria disse que eles descrevem isso como a trama da máfia brasileira.
Só que aí vira contradição pura: como você promete “máfia brasileira” e reduz o centro da narrativa a uma treta familiar, deixando todo o resto como decoração? Cadê o peso social disso, as engrenagens, o custo pra cidade, a política, o dinheiro circulando, o medo como administração do cotidiano? Como você chama de “máfia” e não fala sobre as contradições que isso traz pra sociedade? ou então fala que não é uma história de máfia e deixa gourmetizado mesmo
Mesmo ela podendo ser boa (o suficiente pra pagar os boletos) ela chega a ser medíocre e profana ao falar que se trata da máfia brasileira ao querer gourmetizar isso. A série deveria assumir esse recorte com honestidade, sem vender a ideia de “máfia brasileira” como se fosse um retrato amplo do fenômeno. Do jeito que está, o resultado soa “embelezado” e superficial: uma embalagem forte para um conteúdo que não sustenta o peso do que anuncia. E por isso, mesmo sendo tecnicamente aceitável, termina medíocre, não por falta de potencial, mas por escolher o atalho do rótulo grandioso sem entregar as implicações que ele exige.
Eu acho isso muito triste, o problema centra é a direção e os roteiristas. Vou destrinchar essa crítica episódio por episódio aqui
A Única Saída
3.7 141 Assista AgoraUm história que facilmente poderia se passar no Brasil com esse neooldliberalismo selvagem
Pssica
3.8 72 Assista AgoraO terceiro episódio de Pssica não foi bem desenvolvido. Pra mim, é um problema de roteiro que a direção não conseguiu contornar. Ainda assim, as atuações seguram bem a série. Domithila Cattete, que interpreta Janalice, entrega uma performance intensa, cheia de nuances, equilibrando a fragilidade e a força da personagem. Já a colombiana Marleyda Soto, no papel de Mariangel, traz uma presença profunda. Ela funciona quase como a consciência moral da narrativa, sustentando o peso simbólico das cenas mais densas. As duas atrizes são, sem dúvida, o coração da série, mesmo quando o texto e a montagem oscilam.
Um ponto que chama atenção, e nem sempre de forma positiva, é o uso da trilha sonora. Em vários momentos, a produção insere músicas com batida de festa em cenas trágicas, com personagens morrendo ou sendo levados a situações de sofrimento. Esse tipo de contraste pode funcionar se houver intenção estética clara, mas aqui parece mais um erro de tom do que uma escolha calculada. O resultado é uma quebra na imersão, especialmente quando o espectador está emocionalmente envolvido na cena. Isso parece um problema de produção de algumas produções brasileiras, pois outra serie brasileira da netflix tinha esse problema.
Por outro lado, a série acerta na fotografia e no som ambiente. A câmera aposta em planos fechados e em cores saturadas que reforçam o calor e a densidade da paisagem amazônica. Os sons da floresta, da água, das respirações e dos motores criam um realismo sensorial poderoso quando a trilha musical se cala. Nessas horas, Pssica encontra o equilíbrio entre o místico e o terreno, entre o mito e o cotidiano.
Céu e Inferno
4.4 70Na esteira do lançamento do filme Spike Lee, é importante perceber que o filme do Kurosawa (que em inglês é High and Low) fala sobre um Japão dividido entre crescimento e exclusão, modernização e alienação do pós-guerra. O filme do Spike Lee vai se chamar também High and Low, uma homenagem e referência a Kurosawa.
Mas o que me despertou atenção em querer assistir tanto esse filme do Kurosawa e ver o futuramente a releitura do Spike Lee foi a tradução do título do filme do Spike Lee para o português: Luta de Classes.
Me perguntei: Será que o filme Kurosawa retrata a luta de classes no sentido marxista do termo? A resposta é não, mas marginalmente aparece a luta de classes de maneira bem inteligente. Na hora que o policial investigativo vai na fabrica saber sobre o suspeito do sequestro, um funcionário diz que um dos acionistas (que é vítima do sequestro), o Gondo, é um bom patrão pois se preocupa com os funcionários, e se preocupa com a qualidade do sabatos em oposição aos outros acionistas que querem diminuir a qualidade dos sapatos e trata mal os funcionários. Acho que esse é o único trecho que rola algo de luta de classes, além de que rola uma briga intra-burguesa com os poderes acionários da empresa.
Se alguém traduzisse diretamente para “luta de classes” esse filme do Kurosawa , a conexão imediata com Marx e sociologia se imporia, como eu estou pensando com o filme do Spike Lee. Isso poderia soar muito explícito e reducionista, porque Kurosawa não constrói o filme como um panfleto político, e sim como um drama moral + policial onde a desigualdade é uma camada essencial, mas não única.
O título japonês Tengoku to Jigoku significa literalmente “Céu e Inferno”. O filme de Kurosawa em português é Céu e Inferno, o que é bem adequado pois carrega uma força simbólica universal. Não se trata apenas de ricos e pobres, mas de uma dualidade mais profunda: certo e errado, egoísmo e altruísmo, liberdade e prisão. A casa de Gondo, no alto da colina, é o “céu” moderno do conforto burguês, mas também se torna um espaço claustrofóbico de dilema moral. Os bairros miseráveis de Yokohama são o “inferno” social do ressentimento e da exclusão, mas também o terreno onde se revela a dor de quem não tem oportunidades. A verticalidade do título não se reduz a uma categoria sociológica, ela é uma metáfora visual e filosófica.
A tradução “Luta de Classes”, escolhida para o filme de Spike Lee, já fecha o sentido. Faz a ponte direta com Marx e com um tipo específico de interpretação política. Pode ser uma escolha adequada para o contexto contemporâneo e para a obra de Spike Lee, que sempre se alimentou da crítica racial e social norte-americana. Mas em Kurosawa a questão é mais ambígua: a desigualdade está presente, mas o centro é o dilema ético. Gondo é ambicioso e calculista, mas também é capaz de compaixão e sacrifício. O sequestrador é produto da miséria, mas também escolhe a crueldade. Não há heróis ou vilões absolutos.
É nesse ponto que a obra de Kurosawa se diferencia: ela mostra que a luta de classes existe, mas não basta para esgotar a análise. O filme revela tanto o funcionamento interno da burguesia (a disputa entre acionistas e estratégias empresariais), quanto a vida de quem está fora desse jogo (o sequestrador que não tem acesso à mobilidade social). Mas o que move a trama não é a teoria social, e sim a escolha moral diante da vida e da morte. Kurosawa não está preocupado em ilustrar Marx, mas em mostrar como, num Japão em rápida modernização, a desigualdade, a alienação e o ressentimento corroem tanto o topo quanto a base da sociedade.
Vamos ver a tradução do filme Spike Lee vai fazer uma leitura dando ênfase mais na Luta de classes (o que pode ser muito interessante), ou se os tradutores do título em português errou feio e nem sabe o que é realmente luta de classes. De qualquer maneira o filme de Kurosawa é uma boa história, Céu e Inferno é sobre as fronteiras éticas que atravessam cada um de nós, sobre como a geografia da cidade (o alto e o baixo, o conforto e a miséria) se reflete como geografia moral dentro das pessoas e da sociedade.
Armadilha
2.7 870 Assista AgoraMe pareceu que M. Night Shyamalan fez uma história só pra inserir a sua filha no mundo do cinema (e ela não atuou bem nesse filme). Como diz a Valentina em White Lotus "Meritocracia"
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraO enredo lembra muito o clássico O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Assim como no livro, temos uma figura externa que funciona como espelho: no caso de Dorian, o retrato que envelhece no lugar dele; em A Substância, o corpo jovem que vive ao lado da versão envelhecida. Essa comparação mostra como os dois trabalhos tratam da mesma obsessão: a recusa em aceitar o tempo e o desejo de juventude eterna.
O recurso do duplo, central em Wilde, reaparece em chave contemporânea. Enquanto Dorian escondia sua corrupção em um quadro, Elisabeth enfrenta uma versão jovem de si que ganha autonomia e ameaça ocupar seu lugar. Não há aqui apenas alegoria moral, mas também denúncia: a juventude feminina não é apenas um desejo íntimo, mas uma imposição do mercado que transforma a mulher em produto descartável.
No entanto, o filme não é isento de problemas. O excesso de gore e cenas gráficas pode afastar quem busca um terror mais psicológico ou simbólico. Em alguns momentos, a violência parece tão exagerada que tira força da crítica e beira a autoparódia. Além disso, a narrativa poderia ser mais enxuta: o filme se estende em algumas sequências repetitivas que acabam desgastando o impacto inicial da ideia.
Apesar disso, A Substância é um filme interessante, que mistura horror e comentário social de forma rara no cinema comercial, muitos takes até parece que foi feito por publicitários. Há também um grande tema que a busca pela eternidade e fonte da juventude que perpassa sempre em estórias antigas mas aqui atualizado e colocado como subtema. Se O Retrato de Dorian Gray mostrava a corrupção da alma, aqui vemos a destruição da carne, mas a mensagem final é a mesma: quem tenta prender a juventude a qualquer custo acaba se destruindo por dentro e por fora.
Missão: Impossível
3.5 538 Assista AgoraQue cena de "magica" galhofa
Thunderbolts*
3.4 457 Assista AgoraSoren Kierkegaard - A vida só pode ser compreendida em retrospecto. No entanto, deve ser vivida olhando para a frente
Parthenope: Os Amores de Nápoles
3.2 33O que você está pensando?
Sorrentino faz muitas coisas em seus filmes, mas acima de tudo, ele nos convida a sentir o tempo escorrendo entre os dedos. Parecem sussurrar que tudo está passando: o lugar, o corpo, a lembrança, o agora. E é justamente isso que temos: O Agora. O instante que pulsa, o silêncio entre uma festa e outra, o olhar perdido que atravessa a janela. Ele não filma a ação: filma a pausa, o eco, a respiração do que já quase foi.
O que você está pensando?
Seus filmes nos puxam para o centro daquilo que realmente importa, ainda que tentemos desviar: os vínculos que criamos, as buscas que nos movem, a beleza que encontramos sem querer, e que muitas vezes não sabemos nomear.
O que você está pensando?
A vida não é um roteiro com cenas bem marcadas. A vida se espalha. Ela se perde e se encontra. É feita de desvios, de retornos inexplicáveis, de momentos que não levam a lugar nenhum e, ainda assim, nos transformam. É o feio ao lado do sublime. O velho no mesmo plano do novo. Sorrentino não quer resolver a vida, ele quer senti-la. Quer que a olhemos com a franqueza que tanto evitamos.
O que você está pensando?
Sorrentino habita o mesmo campo filosófico do absurdo de Camus: seus personagens pressentem o desencaixe do mundo, mas não gritam. A cena do casal transando ao meio a famílias, O que significa? Talvez seja alguma pratica cultura de Nápoles dos anos 70, resquícios de alguma pratica cultural dos italianos de Nápoles, assim como nosso própria cultura tem algumas coisas assim, tente explicar pra um gringo o que é "bala perdida". O que significa do ponto de vista existência essas coisas? Não importa muito “o absurdo nasce do confronto entre o apelo humano por sentido e o silêncio irracional do mundo”. Nos filmes de Sorrentino, ouvimos esse silêncio. Alguns de seus personagens acaba não suportando esse silencio.
O que você está pensando?
Mas Sorrentino não se limita a Camus, entre os corredores de seus filmes Sartre aparece, seus personagens não carregam uma essência pré-fabricada, há uma ruptura no primeiro terço do filme, após uma tragedia, com a mitologia da sereia Parthenope que atraia marinheiros para o mar. Parthenope percebe então que não é algo antes de existir. a partir do segundo terço ela vê o peso de saber que a existência vem primeiro e que, portanto, tudo o que se é depende do que se escolhe fazer com o tempo que lhes resta. É por isso que suas crises são tão existenciais: ninguém tem um roteiro. Não há garantia de redenção. Só há escolhas, memórias, gestos, e a busca por algum significado entre o caos do viver.
O que Sorrentino está pensando?
O ponto de Sorrentino não é distrações que criamos: na vaidade, nos filtros, nas narrativas que contamos para fingir juventude, sucesso, controle. Ele recusa essas ilusões com delicadeza, mas também com uma dor latente. O que lhe importa é a verdade não uma verdade objetiva, mas a verdade sensível da experiência vivida. E ele parece dizer: olhe. Apenas olhe. Antes que passe. Antes que desapareça. Assim você se torna um antropólogo de verdade
Dandadan (1ª Temporada)
4.2 82[ANALISE GERAL SEM SPOILER] que talvez faça vc enxergar a serie de uma outra maneira - vi só os primeiros 5 episódios
Dandadan é uma série que explora profundamente a busca por identidade e conexão, usando as crenças aparentemente opostas de seus protagonistas como ponto central. Momo Ayase, que acredita em espíritos, e Ken Takakura ou Okarun, obcecado por alienígenas, representam duas formas distintas de enxergar o mundo e tentar compreender o desconhecido. É interessante notar que a palavra alienígena e alienado derivam do latim "alienus", que significa "estrangeiro", "de outro", ou "que pertence a outro". Essa crença em alienígenas nasce também Ken ser um alienado, um estrangeiro de si, mesmo, sem amigos e sem conexão; é interessante notar como essas paralelos se comunicam com um lado sombrio do mundo masculino. Essas crenças não são apenas curiosidades pessoais, mas refletem quem eles são e suas necessidades emocionais, Momo, ligada ao espiritual e ao passado, busca uma conexão com suas raízes.
Os alienígenas e os yokai são metáforas poderosas nessa jornada. Os alienígenas, com sua falta de individualidade e obsessão por continuidade, simbolizam o vazio e a desconexão o estrangeiro, o alineado; já os yokai, como a velha do túnel, nascem de traumas profundos e injustiças não resolvidas, representando o impacto do passado e dos conflitos internos. Ambos, no entanto, desafiam os protagonistas a enfrentarem não só o "sobrenatural", mas também suas próprias dúvidas e limitações. Há também uma metáfora sobre e sexo e identidade nos alienígenas e os yokai, de como esse desconhecido dialoga com caos cósmico de desejo e sexualidade e que buscamos por uma ordem ou orientação da nossa própria identidade quando estamos na puberdade e melhorado nesse caos. Os testículos, no âmbito pessoal masculino, são um símbolo óbvio da virilidade e masculinidade, e perdê-los poderia representar uma crise de identidade para o protagonista; já no âmbito social, túnel e o espírito da velha estão diretamente ligados a traumas profundos e não resolvidos, provocado pelo "falo", como as mortes das meninas. Já a protagonista sofre também pois mesmo já tendo relações sexuais anteriores com outros namorados, eles eram todos "alienígenas" ou "alienados" de si mesmo (ou redpills na linguagem moderna), fazendo com que a protagonista tenha tido experiências apenas físicas mas não emocionais, com isso ela cria a projeção em um ideal de homem com quem um dia ela pode ter essa conexão emocional que é Ken Takakura, um ator de televisão que ela gosta, e assim muda o nome de seu amigo Ken Takakura para Okarun pra não se perder na suas crenças e realidades
O mais bonito é que, ao longo dessa jornada, Momo e Ken ou Okarun começam a enxergar e respeitar as crenças um do outro. Essa troca os aproxima emocionalmente, ainda que inconscientemente, e o entendimento mútuo gera empatia, permitindo que eles se conectem de uma maneira que transcende palavras ou explicações racionais. Eu assisti só até o episodio que velha vira um gato, mas se percebe que o amor que começa a surgir entre eles é o reflexo desse respeito e dessa aceitação — uma relação que cresce à medida que cada um descobre mais sobre o outro e sobre si mesmo.
No fundo, Dandadan é uma história sobre como nossas crenças e experiências moldam quem somos, e como, ao enfrentarmos os "monstros" do desconhecido — sejam alienígenas, yokai ou nossos próprios medos —, encontramos o caminho para nos conectar com os outros e com nós mesmos.
Justiça (1ª Temporada)
4.3 330Olha só, as músicas, fotografia e elenco da série são realmente muito bons. No entanto, é evidente que os roteiristas não têm um entendimento profundo sobre as contradições da sociedade brasileira, especialmente considerando que o tema central da série está no próprio nome: JUSTIÇA. Além disso, falta um trabalho detalhado na construção dos personagens, algo essencial para que possamos entender a profundidade deles.
Um exemplo claro é a personagem da Marjorie Estiano, que, aliás, entregou uma atuação excelente. Mas, infelizmente, uma boa atuação não salva um roteiro ruim. Veja, por exemplo, a cena em que a personagem é atropelada. Compare com a cena da atropelamento da personagem da Cate Blanchett no filme O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) que é mesma cena, inclusive a personagem também é bailarina. Lá, o tema do DESTINO dá um significado claro à cena, tornando-a memorável e conectada à história. Na série, o atropelamento parece apenas jogado, sem uma conexão real com a ideia de JUSTIÇA, ele serve apenas para justificar a eutanásia da personagem, mas não transmite ao público a importância da dança como parte da identidade emocional dela, o que seria crucial para justificar o suicídio/eutania de forma mais impactante.
Esse é só um dos muitos problemas de roteiro da série. Embora a trilha sonora (com exceção da música "Aleluia") seja muito boa e remeta a uma tragédia brasileira, o roteiro em si é fraco. Assisti até o sexto episódio, mas foi difícil continuar ae desisti. Esses roteiristas precisam estudar mais sobre o que significa justiça no Brasil antes de escrever algo tão ambicioso.
Silvio
1.6 124 Assista AgoraO que esperar de um diretor que fez A Lei é para Todos? O que esperar?
A Vida no Nosso Planeta
4.3 25 Assista AgoraSteven Spielberg tá na produção, por isso tem storytelling maravilho
Vale O Escrito - A Guerra do Jogo do Bicho
4.5 143A serie acaba levando pra problemas mais insolúveis ainda, ainda mais depois da descoberta da família Brasão com bicheiros e milicia. O epilogo da série me lembra o prologo do filme Incendies:
"A matemática que você estudou até agora buscou fornecer respostas claras e definitivas para problemas claros e definitivos. Agora você está embarcando em uma nova aventura. Você enfrentará problemas insolúveis que levarão a outros, igualmente insolúveis. Amigos insistirão que o objeto do seu esforço é fútil. Você não terá como se defender. Pois os problemas serão de uma complexidade de explodir a mente. Bem-vindo à matemática pura e ao reino da solidão."
Troia: A Queda de uma Cidade
3.1 56Achei muito bom os dois primeiros episódios que assisti. Não entendo pq a galera achou ruim. Li quase todo o livro, enriquece muito a leitura, mas não precisa lê o livro pra assisti a série
DNA do Crime (1ª Temporada)
4.0 65 Assista AgoraEu queria saber porque a galera que cuidar da do design de som, o trilha sonora coloca uma um som de batidão na cena em agencia da policial federal, ou em diálogos entre policias? Não faz sentido, isso confunde as emoções que a gente telespectador tem que ter que sentir.
O que o diretor espera que a gente sente na cena quando escolhe esses sons? Que os a gentes federais tem a ver com isso? Não tô fazendo um juízo de valor sobre o batidão, mas ela não é adequada para a cena. Em termos de narrativa, tal escolha parece deslocada ou desconexa dentro da história.
Nem vou fala do personagem principal que perdeu o amigo, não dá pra sentir conexão nenhuma nele. Manoo
Cruzada
3.4 655 Assista AgoraO Reino do Céu é a consciência. O Reino do Céu não é Jerusalém, é onde seu coração e mente está
Traduzir o nome do filme como cruzadas meio que escode a essência do filme, porque o nome em inglês é Kingdom of Heaven que significa Reino do Céu e o Reino do Céu é a consciência.
O monge que ele mata no começo profanou o corpo de uma pessoa que o protagonista amava, cortando lhe a cabeça e roubando a cruz. Com isso a esposa dele é condenada ae ir para o inferno. Sendo assim o protagonista toma consciência que não deve deixar sua amada ir para o inferno, assim, ele vai atras do pai dele.
É o primeiro ato dele para o Reino do Céu/consciência ou nada.
O segundo ato é ensinado pelo rei leproso, que apesar da doença tem o Reino da Consciência. E ele diz:
"Um rei pode mover um homem, um pai pode reivindicar um filho, mas lembre-se de que mesmo quando aqueles que o movem são reis ou homens de poder, sua alma está apenas em sua guarda. Quando você estiver diante de Deus, não poderá dizer: "Mas me disseram para fazer assim." Ou que, "A virtude não era conveniente naquele momento." Isso não será suficiente. Lembre-se disso."
Ridley Scott sabe contar uma estória, do segundo ato para o terceiro ato Ridley Scott põe ao protagonista uma escolha de Sofia para O Reino da Consciência: cassar com Sibylla (Eva Green) e ser o responsável direto pela morte de soldados de Guy (Marton Csokas) ou não casar com ela e poupar a vida desses inocentes mesmo Guy se tornara rei e fará guerra com Saladin (Ghassan Massoud)
Eu assistindo também me senti desconfortável com a escolha do protagonista, mas isso é muito mérito do contar de estória Ridley Scott porque é Reino do consciência ou nada.
É filme muito foda, e não é um filme sobre as cruzadas, as cruzadas é apenas o background da estória
Cangaço Novo (1ª Temporada)
4.4 219Fenomenal, uma série que soube trazer o arquétipo o rei de maneira única e adaptar a uma estória autentica do Brasil e mitológica com o cangaço e coronelismo
Succession (1ª Temporada)
4.2 277Logan Roy = Rei Lear
Kendall Roy = Cordélia
Drama Shakespeariano
Aftersun
4.0 790Como a gente faz pra ter uma ideia de quem foi nosso pai ou mãe de verdade quando eles já não estão mais aqui? Como a gente reconcilia o mosaico de memorias, objetos, artefatos e nossa própria imaginação e entender esse passado fragmentado quando já faz um tempo que eles não estão aqui e a gente já cresceu?
Terminei de ver o filme faz 10 min, moro em São Paulo e daqui 5 dias vou pro interior de Minas pela primeira vez, cidade natal onde meus pais nasceram.
Mas me pergunto, quem ele ou ela, meu pais, foi no passado? Eu digo mais no sentido o que era suas angustias, medos, crenças e outras coisas como essas que definia eles de verdade e que de certa forma tinha uma influenciava e moldava em suas atitudes comigo e com o mundo.
Essa verdade é um mistério da vida, nunca vou saber. Mas o que sabemos é que é nessa paisagem subjetiva minha e da Sophie de quando éramos mais jovem, eu, através do local, e Sophie, pelas fitas de VHS, adulto que somos agora, procuramos pelo meio, pelas pistas escondidas, talvez lançando uma perspectiva diferente sobre essas memórias que já foram vistas sob uma luz diferente.
Nossos pais eram humanos também. Digo no sentido de sentir toda essa ansiedade, se ver perdido também às vezes na vida, chorando como nós na cama. Saber que também eles sentiam essa dor ou às vezes não sabiam expressar seus sentimentos apropriadamente sem sentir deslocado; e saber disso mais velho nos dá um outro significado do que eles foram e sobre a vida.
Eu acho que esse filme só faz sentido quando a gente já está mais maduro sobre olhar pra passado de nossos pais, um olhar que faz um profunda diferença em nos conhecer.
Fonte da Vida
3.7 782 Assista AgoraAcabei de reassistir, e reitero o comentário que fiz a um anos atrás
O filme da minha vida. A imagem de um homem vagando pelo espaço escuro, sem menção de tempo, é a melhor imagem do sentimento de luto. Como a gente lida com a morte? Principalmente quando você não acredita em um ser superior e principalmente quando você não quer ser niilista?
Esse filme só fez sentido pra mim quando eu perdi alguém que eu amava.
No começo do filme é dado ao Tommy duas escolhas: ir com Izzy ver o inverno chegar; ou ir para o laboratório e continuar sua busca pela cura do câncer, para tentar vencer a morte.
Tommy escolhe tentar vencer a morte, então a gente acaba indo junto. Não há nem problema em lutar pela vida, mas quando a luta se torna uma obsessão por derrotar a morte a gente tem o problema da angústia. Como Ernest Becker diz no livro A Negação da Morte.
"Esse é o terror: ter emergido do nada, ter um nome, consciência de eu, sentimentos internos profundos, um desejo interno excruciante de vida e auto expressão - e com tudo isso ainda morrer."
Izzy já aceitou seu destino, Tommy não quer que Izzy morra, como ela sabe que ele vai sofrer ela convida ele pra “morrer” também. O Tommy que viveu com Izzy tem que “morrer”. A morte e vida dançam a dança da criação, por isso ela dá um livro pra ele, pra ele criar, morrer e renascer.
De novo, é dada uma outra chance para Tommy escolher: ir com Izzy ou vencer a morte. E dessa vez Tommy escolhe ir com Izzy, percebendo que a sua escolha pela imortalidade não vai o deixar completo, vai apenas fazer ele viver em angústia, sofrimento e desespero. Assim como no mito Xibalba morre pra se criar uma nova vida, ao Tommy, Iza dá um livro pra criar uma outra história e ele renascer quando ela já não estiver mais aqui.
O livro é uma metáfora para Tommy matar sua obsessão e deixar algo novo surgir, algo que lhe traga paz e que o deixe bem. Não é uma grande revelação, mas creio que o filme não é sobre essa metáfora, não é sobre desvendar os segredos da vida. A Fonte da Vida se trata mais em fazer a gente aprender a conviver sem desvendá-los. Mais que isso, o filme é convite pra gente viver nossa vida mais consciente; viver e experiênciar realmente a vida; se engajar realmente na vida; porque quando quem amamos se for não sentiremos arrependimentos de ter amado aquela pessoa mais; ou quando nos se formos pelo menos, mesmo não acreditando um poder superior, não fomos niilista e frios.
Rogue One: Uma História Star Wars
4.2 1,8K Assista AgoraSó ficou bom depois que eu assistir Andor