Assisti no cinema O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho. Finalmente consegui ver! Achei que nem ia conseguir ver antes do Oscar. Quis ver antes do Globo de Ouro, mas por sorte tive muito trabalho e foi impraticável. O Agente Secreto ganhou Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator de Drama para Wagner Moura que está inacreditável. É um dos grandes atores de sua geração, mas impressionou mais ainda! Sem dúvida uma de suas melhores atuações. Não deu para assisti na Semana do Cinema por R$ 10,00. Eu adoro esses eventos, é muito cinéfilo animado, uma festa mesmo. E espero que aumente muito mais o público do filme que já está em 2 milhões de espectadores. O Agente Secreto é impecável! Agora entendi porque quem vê costuma ficar fã. Eu fiquei com vontade de ver e rever inúmeras vezes. São muitos momentos icônicos. É um drama triste e doloroso, intercalado de um humor ácido muito peculiar. A começar pela cena inicial que dá todo o tom do filme. Wagner Moura chega de Fusca amarelo em um posto de gasolina. Há um homem morto fedendo coberto de papelão. O frentista diz que está lá há dias, que chamou a polícia e nada. A polícia vem, mas não é pelo morto, é para ver se acham algo errado no carro pra tirar algum dinheiro do motorista. Kleber Mendonça tem falado muito em entrevistas sobre esse período. O filme é ambientado no Brasil de 1977. Que não há vilões e sim o momento que proporciona monstros. Não compactuo com essa visão, mas é interessantíssimo ver um filme com esse olhar. Muito reflexivo. Wagner Moura é Marcelo, na verdade Armando, e está fugindo. É um subversivo? Não!!! Ele é um pesquisador altamente qualificado, que trabalha em uma universidade do nordeste, com uma equipe mista, brasileiros e estrangeiros, em um projeto científico fundamental para o país. Um mega empresário do sul pelo ótimo Luciano Chirolli fica interessado nos projetos. Ele patenteia alguns escondido, desmonta a equipe. Armando fica revoltado, eles se rivalizam e Armando passa a ser jurado de morte. O filme começa com ele no fusca amarelo, seguindo em fuga pra Recife e se esconde em uma casa de refugiados liderado pela maravilhosa Tânia Mara, que atriz e que personagem. Armando é de Recife, sua família é de lá. Sua esposa morreu e ele tem um filho que fica com o avô é Carlos Francisco e sua companheira. A incrível Alice Carvalho faz a esposa. Ele diz ao filho que ela morreu de pneumonia, mas pode não ser. Gosto muito das lacunas do filme até porque era um período muito, mas muito perigoso então não se revelava a verdade por segurança. O Agente Secreto concorre a uma categoria nova do Oscar, Cast e o elenco do filme é inacreditável. Outro concorrente é Pecadores, que tem a mesma genialidade de elenco, só que com atores americanos, pode ser que esse leve. Mas é um trunfo incrível a mistura de atores em O Agente Secreto. Só nos moradores da casa já se percebe essa mistura. Tem a genial Hermilla Guedes que acaba tendo um romance com Marcelo, João Vitor Silva e Isabel Zuáá. que amo. Ela e o marido são personagens de Angola. Zuáá, é a primeira atriz negra portuguesa a concorrer ao Oscar. A reconstituição de época é milimétrica. É fusca, opala, brasília, carros muito coloridos que sumiram das ruas, móveis. Orelhões. Fiquei chateada que estão retirando os últimos orelhões das ruas. Brasil é assim! Em vez de aguardar o Oscar já que o orelhão é um símbolo do filme, começam a retirar agora. História pra que não é? Quem mora em Recife deve se maravilhar com o filme, com vários pontos históricos da cidade da época. Os policiais são também geniais. A começar no Carnaval. Misturada a trama dramática, tem uma perna engolida por tubarão. O policial se veste rápido para ir ao IML mas ainda tem restos de batom na boca e purpurinas. Robério Diógenes está entre os melhores do filme, que ator, que personagem. Udo Kier faz um judeu, que o policial acha que é um ex-combatente alemão. Alguns outros do elenco são Thomás Aquino, Marcelo Valle, Rubens Santos, Laura Lufésy, Buda Lira, Maria Fernanda Cândido e Ítalo Martins. Genialidade também no elenco de matadores. Roney Villela é o que negocia, é muito dinheiro. E sim, com o dinheirão que ganha ele usa para custear a viagem. Pagar um profissional do ótimo Kaony Venâncio. E ele vai com seu enteado Gabriel Leone que ajuda na empreitada. A cena de perseguição dos dois matadores é incrível. Acontece nas ruas, mas tem que ser nas ruas de 1977, imagino a dificuldade de ambientação e edição. Há muitas cenas incríveis como essa cena na janela e esse elenco Geane Albuquerque e Suzy Lopes. A edição do filme também é incrível. Toda entrecortada com o passado, presente e futuro. De repente aparece um celular nos dias de hoje e duas jovens são pesquisadoras e ouvem as fitas cassetes de 1977. Muito irônico que o filho de Armando não quer saber do passado. É daqueles que não tem interesse na história e faz o apagamento histórico tão comum no Brasil. Outro detalhe desse grupo é a repressão mesmo nos dias de hoje que manda as duas pararem com as investigações e abafarem o caso. Achei muito inteligente a morte de Armando. Só sabermos pelo foto e pela notícia do jornal. Deu saudade da importância do jornal impresso na sociedade, que contava, ou pelo menos tentava, contar tudo o que acontecia.Que venha o Oscar!!
Assisti O Corvo (2024) de Rupert Sanders no TelecineActon. Só vi esse filme porque está na lista dos melhores filmes de muita gente, inclusive de pessoas que como eu são muito fã do gênero. E que belo cartaz! O filme é inspirado nos HQ de James O´Barr. O casal é deslumbrante, Bill Skarsgard e FKA Twigs e estão ótimos. É uma clássica história de amor romântico, então a gente imagina que eles não vão ficar juntos, em uma roupagem de HQ. A história é transposta de quadrinhos. Os dois são pessoas complexas, então vão para uma instituição. É lá que se conhecem. Apesar de serem rebeldes, eles são boas pessoas que passaram maus bocados na mão de pessoas más. O filme é muito bem realizado, esteticamente lindo, ótimos efeitos especiais, muita mágica e magia e ótima trilha sonora. Claro que eles são perseguidos e ele tenta salvá-la. É uma bonita história de amor com roupagem rebelde. O elenco também é ótimo: Danny Huston, Laura Birn, Sami Bouajilla e Josette Simon.
Assisti Frankestein (2025) de Guillermo Del Toro na Netflix. Tem muito tempo que estou vendo esse filme, muito tempo mesmo. Gostei muito do livro de Mary Shelley, mas não estava com vontade de ver mais uma adaptação, mesmo adorando o diretor. A direção de arte é maravilhosa, embora tenha me incomodado um pouco os truques. E achei desnecessárias, pra não dizer cansativas, as mais de 2 horas de duração. A parte que Victor fica construindo o monstro é enorme e arrastada. Oscar Isaac está bem como Victor Frankestein, embora muito caricato. O tom do filme é muito caricato. Eu demorei demais pra passar do começo. Como é chato. Frankestein está apavorando as pessoas de um navio em uma geleira. Atiram muito nele e conseguem salvar o seu criador que passa a contar a sua história. No meio do filme é a criatura que começa a contar a sua. E sim, os dois passam horas contando as suas versões dentro de barco, que chatice. E a tripulação aguardando de pé do lado de fora, que forçado. O final inclusive é de uma pieguice insuportável. O diretor tentou fazer um filme épico. Acho que o que mais incomoda é ele tentar justificar porque Victor Frankestein fez aquele monstro. Ele era um bom menino, mas tinha um pai violento, que o torturava. Tanta criança tem pais abomináveis e não ficam abomináveis. Sim, é uma possibilidade, como não ser também. Essas verdades prontas me incomodaram profundamente. Estranhamente o diretor fala muito de bíblia e religião no filme, o que me incomodou muito também. Estamos vivendo uma época em que falar muito em religião ou política, dependendo como são defendidas só trapalha a arte. Uma graça o garoto que faz Victor criança, Christian Convery. Ele tem uma rivalidade pavorosa com o irmão. O pai é o Charles Dance. Mia Goth faz a mãe e a noiva do irmão. Isso achei interessante. Os dois irmãos ficam fascinados pela amada que é a cara da mãe. O tio dela que patrocina o Victor e é Christoph Waltz. Eu amo a Mia Goth, ela tem uma participação pequena mas muito marcante. O monstro é feito por Jacob Elordi. David Bradley faz um velho cego. O monstro fica muito tempo, até demais, na casa desse senhor e sua família. Por um período ficam só os dois, é quando o monstro passa a ler, ter informações. Ok, poderiam estar nas partes dos corpos dos outros homens que o construíram, mas achei tudo muito falso ele aprender a ler, fica fluente, enfim. E os animais dessa parte, além de insuportáveis as violências, eram muito, mas muito falsos. Muita gente disse que esse foi o melhor filme do ano de 2025. Sim, a direção de arte é belíssima, fotografia, figurinos, mas o filme é arrastado e forçado. Tanto que não levou prêmio algum no Globo de Ouro.
Assisti Uma Batalha Após a Outra (2025) de Paul Thomas Anderson na HBOMax. Eu só soube desse filme no Globo de Ouro. Muito estranho porque adoro esse diretor e costumo acompanhar produções. O filme ganhou Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia e o diretor ganhou Melhor Direção e Roteiro em Filme, confesso que não achei engraçado e bem dramático. Mas é incrível e urgente! O roteiro é baseado no livro de Thomas Pynchon que quero ler. Taylor ganhou Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme, que interpretação e que personagem. Tecnicamente são quatro protagonistas com pano de fundo na violação dos Direitos Humanos. Leonardo di Caprio e Teyana são revolucionários e ficam juntos. Começam os dois em um grupo indo libertar imigrantes ilegais em acampamentos como campos de concentração. Sean Penn é o militar dessa ação e enlouquece pela Perfídia. Ela engravida, não sabemos de qual dos dois. A família dela sempre foi de revolucionários que diz ao companheiro que é difícil que a filha pare as ações revolucionárias e é o que acontece. Ela é presa e consegue fugir para o México. O tempo passa 16 anos. Pai e filha vivem no campo em uma cidade repleta de imigrantes. O militar é procurado para integrar um clube de pureza da raça, mas ele não pode ter nada que o desabone como relações inter-raciais. Ele resolve então usar a máquina do estado para caçar a suposta filha, para apagar essa mancha do seu passado e ingressar no clube. Chase Infiniti está muito bem. Ela é uma adolescente mala e rebelde, mas que foi muito bem treinada pelo pai, é fera no judô, sabe atirar. Benicio Del Toro faz uma participação, ele é o professor de luta da jovem. Quando o exército invade a cidade, o pai vai pedir ajuda pra ele. Enquanto o ajuda, o professor avisa e ajuda os imigrantes ilegais a se esconderem, inúmeras mulheres e crianças pequenas. O filme o tempo todo mostra essa opressão. Eu só estranhei o final. Pai e filha voltam exatamente para a casa que viviam antes, que o exército já sabia onde ficavam.
Assisti Pecadores (2025) de Ryan Coogler na HBO Max. Eu tinha uma expectativa muito alta porque vi muitos críticos dizerem que é o melhor filme do ano, não, não é. É um belo filme esteticamente, com números musicais brilhantes, bela fotografia, mas está longe de ser um filme excepcional. O filme começa contando sobre as lendas de várias tradições milenares que colocam a música como uma porta para o diabo. Essa é a premissa do filme. Lendas mais dramáticas que a história da Cigarra e da Formiga. A sociedade tem muito medo da profissão do músico, até porque não vê como uma profissão, que inclusive é exaustiva, horas, anos, décadas de estudos, turnês insanas. Como muitos adolescentes abraçam a música, os pais apavorados vão dando um jeito de tratar a profissão como hobby e menosprezar a escolha. Alguns e muitos inclusive, expulsam seus filhos músicos de casa, vai trabalhar vagabundo, algo que o músico não é é ser vagabundo. Estranho porque todos amam ouvir música e esquecem que são muitos profissionais para aquele som chegar aos seus ouvidos. O filme tenta se redimir ao final, quando o jovem resolve não aceitar a ordem do pai e cai no mundo como músico. Miles Catons está impressionante, como canta! A trilha sonora do filme é deslumbrante. Michael B. Jordan está incrível, ele faz gêmeos. Eles compram um galpão para transformar em uma casa de blues, claro que tudo sai errado porque como diz as lendas do começo, música chama o diabo. Nesse caso os diabos são vampiros. É a parte mais chata do filme. Os vampiros tentando acabar com todos do bar. O elenco é incrível, tanto de atores como de músicos. Os números musicais são de tirar o fôlego. Pena que as fotos só sejam da parte chata dos vampiros. Maravilhosos Wunmu Mosaku, Jayme Lawson, Hailee Stanfield, Deroy Lindo, Saul Williams, Omar Benson Miller, Jack O´Connell, Li Jung Li e Lola Kirke. O genial Buddy Guy faz o rapaz no futuro. O trailer também ignora a parte musical, que é o melhor do filme. Quem fez o trailer tem preconceito também com música.
Assisti Buscando... (2018) de Aneesh Chaganty na HBO on Demand. Eu não sabia nada desse filme e foi uma grata surpresa. É um filme que fala muito de tecnologia e como entrou na nossa vida. Como podemos usar. Um suspense e tanto, mas muito bem criada a parte tecnológica. O filme começa com o computador chegando na família. A filha é pequena, o pai cria um usuário pra cada um. Começam os vídeos da menina, da família. A chegada do facebook. Boa parte do filme é no computador, o que vemos da família são os vídeos no computador. Pelo computador que ficamos sabendo que a mãe está doente porque a filha pesquisa a doença na internet. Aí a filha coloca no calendário a data que a mãe volta pra casa e vai adiando essa data até retirar a alta. E vemos as duas, a mãe já muito debilitada. Ficam então só a filha e o pai. A filha liga para o pai, diz que está em um grupo de estudos de biologia na casa de amigos e que vai dormir por lá. O pai vai dormir. De madrugada a filha liga três vezes, mas ele está dormindo. Como pelo sofrimento ele tem dificuldade de dormir, passa a tomar medicação e não acorda. No dia seguinte passa a perguntar sobre a filha que não voltou. Nos Estados Unidos é possível ligar para a polícia sobre um desaparecimento assim que acha que algo aconteceu. No Brasil era só depois de 48 horas que é um absurdo. Uma policial é designada para investigar o caso. Assim que a policial fala ao telefone com o pai ele já está buscando informações sobre a profissional na internet. E é assim o tempo todo, o pai ajuda muito na investigação. É muito triste o pai ligando para os amigos da filha e descobrindo que ela não tinha amigos. A garota que a filha foi estudar biologia disse que só estava estudando com a colega porque precisava passar. O rapaz que está nas montanhas só convidava a garota porque a mãe era amiga da mãe da moça e fica claro que era por pena. É de cortar o coração. Mas o filme é inteligente em vários aspectos. Quando esse caso ganha a mídia, esses amigos que não eram amigos, na mídia, viram os melhores amigos da garota, que estavam sempre juntos. O oportunismo pra sair na mídia. O filme é muito, mas muito inteligente. O pai é interpretado brilhantemente por John Cho. A garota por Michelle La, várias outras crianças fazem a garota em vários momentos da vida dela. A policial por Debra Missing. Além de um ótimo filme policial, é fundamental por esmiuçar muito a forma como lidamos com a tecnologia. Não é moralista, mas muito realista. Buscando... ganhou prêmio no Festival de Sundance.
Assistii Homem com H (2025) de Esmir Filho na Netflix. Fiquei muito feliz que entrou no streaming, eu até assisti nos cinemas, mas acabei assistindo novamente com minha mãe. Surgiu o debate que o filme entrou no streaming enquanto ainda rendia muitos milhões nas bilheterias. Eu não tenho uma opinião formada sobre isso. Na Netflix o mundo inteiro poderá conhecer as músicas e as histórias desse gênio, não sei se há tempo certo pra isso acontecer. Inclusive aumentaram expressivamente a busca por Ney Matogrosso no Google desde que o filme estreou na Netflix e o filme ficou como o mais visto do streaming brasileiro. O filme é baseado na biografia de Julio Maria e Ney Matogrosso participou de várias gravações. Minha mãe era muito, mas muito fã de Ney Matogrosso, não perdia um show quando tinha oportunidade. Estranhamente eu só vi um show no Rio quando estive a trabalho por lá. Tenho uma memória afetiva muito forte dessa data, tanto pelo belíssimo show que vi como pelos que estavam comigo. As músicas que o Ney Matogrosso interpretava eram maravilhosas. Gostei que o filme intercalou as mais icônicas com outras pouco conhecidas. Eu conhecia muito pouco da vida pessoal de Ney Matogrosso. Na infância ele foi espancado e maltratado sistematicamente pelo pai militar e pavoroso. Até não suportar mais e sair de casa. Também não conhecia a paixão de Ney pela mata. Uma graça o garoto que faz Ney criança, Davi Malizia. O elenco todo é muito bom, não só pelas caracterizações, mas por serem grandes atores, independente de serem muito conhecidos ou não. Os pais são Hermila Guedes e Rômulo Braga. O pai militar era muito violento com Ney desde criança até que ele sai de casa. Me surpreendi quando pai conta ao filho que abandonou a carreira militar porque não concordava com tudo vinha acontecendo. Possivelmente foi aí que Ney começou a perdoar o pai. Jesuíta Barbosa está maravilhoso, que ator! Ele emagreceu 12 kgs para interpretar Ney, também fortaleceu o corpo e músculos. Assim que Ney sai de casa, para sobreviver, ele se alista no exército. Não tinha ideia que Ney tinha seguido tantos caminhos até ser o artista que conhecemos. Ele sai do exército, vai trabalhar em um hospital em Brasília, cursa teatro e participa de um coral. É lá que o maestro elogia a belíssima voz de Ney. No exército ele fica amigo do personagem de Augusto Trainotti, adoro esse ator. Interessante o caminho dos dois. Ney luta pela arte e para se colocar na arte e pela liberdade, o amigo já se conforma ao destino, se casa e tem filhos que diz amar muito. Ney falava muito em ser ator. Enquanto estudava fazia joias, figurinos para os espetáculos, adereços. É quando começa a criar os seus próprios personagens que viriam a ser sua marca. Foram amigos que apresentaram os artistas do Secos e Molhados. Eles escolhiam repertório, lindíssimas canções e poesias por sinal, e buscavam formar uma banda. É Ney que vai insistindo na maquiagem e caracterizações. O filme recria a imortal capa do LP dos Secos e Molhados que explodiram. A banda lotou o Maracanã, foi um sucesso retumbante. O pai de um deles cria um contrato pavoroso, onde só ele se beneficia, mesmo Ney vivendo ainda precariamente, mesmo a banda estando no auge, Ney se recusa a assinar. É quando começa a sua carreira solo. Apesar do seub pai ser bastante conservador, ele ia ver os shows do filho. É a década de 80, tempo de amor livre. Quando Ney conhece Cazuza, ele já estava perto dos 30 anos, Cazuza perto dos 20. Como Ney aos 20, ele vivia muito livre, muitos amores, casais, homens, mulheres, muita liberdade. Ney continuava livre, mas já não mais tão impulsivo. É quando Ney apaixona-se pelo médico Marco de Maria, lindo, Cazuza também se interessa. Ney conta pro médico e diz que eles são livres. E entendemos que eles também se relacionam. Adoro Bruno Montaleone, que ator. Cazuza é interpretado por Jullio Reis. Ney sempre foi muito reservado, então eu e boa parte do público sabia pouco sobre desse grande amor. Eles viveram juntos por 12 anos. É na década de 80 que a Aids vem devassar o amor e matar tanta gente. A escolha de como contar no filme é cuidadosa e não sensacionalista. Enquanto eles dormem a TV está ligada e lá um jornalista fala da doença que chega no Brasil. Não sabia que Ney tinha dirigido, é ele que dirige o show famoso de Cazuza quando ele está com a bandana e quando já estava no fim da vida, sofrendo as consequências dessa doença impiedosa. Era a época que não tinha tratamento algum, as pessoas definhavam muito rápido. Cuidadosa a cena do casal conversando com o exame na mão na cama. Ney sente culpa por ter sido poupado, vai se saber o motivo, sorte, genética, mas seu companheiro não. Ney diz que fez o mesmo que todos os outros, que não entende. O médico sugere que eles se separem porque a degradação dele virá, mas Ney diz que não. Poucos sabem, mas Ney cuidou do médico com uma dedicação que emocionou. São poucas cenas, Bruno Montaleone precisou emagrecer muito para essas cenas. Os banhos juntos, se escorando em Ney. Ney preparando com a enfermeira a UTI no quarto do apartamento. A morte também foi feita de modo poético. Já ouvimos os sons dos aparelhos da UTI, principalmente aquele que acompanha o coração. A cena segue para um show de Ney, ele canta a belíssima Poema de Rio de Lucina e Luli, do primeiro LP solo de Ney e o som do aparelho do coração para. O filme corta com Jesuíta na mata, vendo a propriedade que sempre admirou. Quando ele olha para o rio, lá está Ney Matogrosso hoje de costas. O filme segue então para o show de Ney, lotado, em 2024. Que filme bem realizado, bem editado, tudo escolhido milimetricamente. Que obra!
Assisti A Substância (2024) de Coralie Fargeat na HBOMax. Eu queria muito ver esse filme, mas sabia que tinha que ter coragem. Sim, é realmente muito, mas muito forte. Tanto que é classificado como terror. O filme fala muito sobre envelhecimento, mas eu confesso que fica fácil ser contra o etarismo quando falamos da deslumbrante Demi Moore. Linda, talentosa, genética generosa e ainda teve recursos para todos os procedimentos para retardar o envelhecimento. Precisamos não ser etaristas com qualquer configuração da idade. Demi Moore está maravilhosa! Ela tem um programa de exercícios da televisão, mas é informada que está velha, que já abriram inscrição para jovens. Quem diz isso é o personagem do Dennis Quaid. Ele parece muito mais velho que ela, o colocam bem escroto e acaba falando da autoestima do homem. Ele falando das jovenzinhas dá muito nojo. O que faz homens se acharem no direito de julgar mulheres e de se acharem melhor que elas. Um jovem lindo entrega um pendrive para a atriz, ela resolve experimentar a substância. Tudo é muito secreto, cheio de regras e surge a jovem Margaret Qualley das costas da Elisabeth. Elas são uma só, a voz diz. Elisabeth é a matriz, uma não vive sem a outra. Sue como ela se nomeia, resolve se candidatar a vaga da sua matriz. O filme é genial. A jovem se deslumbra com a fama, com os compromissos, e passa a pular as etapas da substância e prejudicar seriamente sua matriz. As poucas vezes que Sue permite que a matriz surja para ela se regenerar, Elisabeth está pior, com mais marcas do tempo. O filme é todo muito genial, a forma como é construído, como fala do tempo, da mídia, do deslumbramento, da eterna juventude, da busca pela eterna juventude. Em determinado momento fica absolutamente catártico. Eu ficava pensando onde iria dar, como ia terminar. E tudo é tão genial que fiquei estupefata. O filme não se intimida em ser nojento. E é tão inteligente, que vai indo cada vez mais fundo na loucura, até terminar como começou. O filme começa com Elisabeth famosa e a criação de sua estrela. O final termina na estrela com uma genialidade impactante.
Assisti O Filho Eterno (2016) de Paulo Machline no TV Brasil. Baseado no livro do Cristovão Tezza de mesmo Título. O filme é livremente inspirado nesse livro premiado. O protagonista é inspirado no próprio escritor que teve um filho com Síndrome de Down e muita dificuldade de aceitar. O pai com o nascimento do filho tem bloqueio criativo, então só a mãe trabalha e sustenta tudo. O filme acentuou a irresponsabilidade masculina brasileira e machista. O pai até é um pouco colaborativo, mas quando quer. Some, passa noites fora, e a mulher que assume as finanças e o filho. Com poucos recursos, precisam se virar sozinhos. O filme se distanciou um pouco do escritor, sim, o protagonista também é escritor, mas ficou mais distante do inspirado e até entendo, deve ser difícil expor uma pessoa em um filme como o Tezza se expôs no livro. Na obra o escritor é o próprio protagonista seria difícil um ator falar em nome de outro, mostrando a rejeição do outro. Distanciar um pouco facilita aceitar o filme. Elenco: O pai é interpretado por Marcos Veras, a mãe por Débora Falabella. Várias crianças fazem o Fabrício, o mais velho é interpretado por Pedro Vinícius.
Assisti Redentor (2004) de Cláudio Torres no Tv Brasil. Eu tinha uma idéia muito diferente desse filme. Como o acusam de ser muito comercial e ser uma comédia, eu achava que era um filme leve, bobo, colorido e superficial. Achei um filme denso, escuro, dramático e surreal. Redentor é um bom filme, o que tem de melhor é o roteiro de Elena Soárez, Fernanda Torres e Cláudio Torres. A trama é bastante complexa. Fala muito de corrupção. Nosso protagonista interpretado por Pedro Cardoso é inimigo do personagem do Miguel Falabella, que é um ricaço, às custas do povo, e seu pai acaba de morrer, eles estão cheios de dívidas e precisam dar o grande golpe. A família do personagem do Pedro Cardoso vive em dificuldades. Eles passaram a vida pagando por um belo apartamento do pai do Miguel Falabella que nunca puderam ocupar. Esses apartamentos nunca ficavam prontos e começavam outro empreendimento milionário. Os pedreiros que construíram o prédio inacabado resolvem invadir. Todos são vítimas desses corruptos, todos estão na mais absoluta miséria. É um filme trágico sobre essa corrupção desenfreada. O humor é muitas vezes negro. O elenco é enorme. Ainda entre os principais estão: Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Camila Pitanga e Stênio Garcia. Depois uma lista interminável, alguns são: Enrique Diaz, Mauro Mendonça, Tony Tornado, Paulo Goulart, Tonico Pereira, José Wilker e Lúcio Mauro. Redentor ganhou Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Diretor.
Assisti Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2013) de Daniel Ribeiro no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme, li muitos comentários favoráveis, infelizmente não consegui ver nos cinemas. Que filme lindo! É sobre adolescentes. Os protagonistas inicialmente são um garoto cego e sua melhor amiga. A mãe do garoto é muito controladora, sufoca o rapaz, tem dificuldade de deixá-lo ter mais liberdade. Chega então um colega novo na classe. E o trio se forma. O garoto cego nunca beijou, quer que seja especial. Ele não percebe que a sua amiga está afim dele. É um filme sobre a descoberta do amor, do primeiro beijo, dos sentimentos. É um filme lindo demais, delicado demais. Os adolescentes estão ótimos: Ghilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim. O garoto sofre com colegas da classe que se aproveitam dele não enxergar para fazer maldades. Os pais são interpretados por Eucir de Souza e Lúcia Romano. A avó pela Selma Egrei. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho resultou de um curta muito premiado no Brasil e no exterior. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ganhou Melhor Filme no Festival de Berlim.
Assisti Achados e Perdidos (2006) de José Joffily no Canal Brasil. Eu quis muito ver esse filme quando esteve em cartaz nos cinemas, mas não consegui. Gosto muito desse diretor e os elogios a esse filme eram ótimos. E Achados e Perdidos é bárbaro! O roteiro é baseado em um livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza. É uma trama policial muito bem desenvolvida, com ótimo elenco. Começa com o assassinato de uma prostituta, interpretada pela ótima e bela Zezé Polessa. O maior suspeito é o seu amante, um ex-delegado, interpretado pelo excelente Antônio Fagundes. Junta-se a ele então a melhor amiga da morta, interpretada por outra bela e talentosa atriz, a Juliana Knust. Começa então uma trama complexa, cheia de segredos, com vários momentos de lembranças do passado e flashs do que poderia ter acontecido. Nosso protagonista lembra muito pouco do que aconteceu e diz não saber nada sobre a morte de sua amada. A trilha sonora do André Abujamra também é bárbara. Além desses três atores, há outros do elenco, alguns em participação especial: Genézio de Barros, Malu Galli, Flávio Bauraqui, Roberto Bomtempo, Ricardo Blat e Hugo Carvana. Achados e Perdidos ganhou 2 Lentes de Cristal no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, de Melhor Filme e Melhor Atriz (Zezé Polessa). Música do post: Arnaldo Antunes - Consumado
Assisti ao documentário Mussum - Um Filme do Cacilds (2019) de Susanna Lira no Canal Brasil. Queria muito ver esse filme. Essa diretora vem despontando com ótimos filmes e esse não é diferente. Além de contar a história cativante de Mussum, falou de várias questões importantes como o negro na televisão. Lázaro Ramos faz a narração. Há animações, fotos, é muito dinâmico, interessante e ágil. Gostei demais! A mãe de Mussum era doméstica. Quando estudava, Mussum, que ainda não se chamava Mussum, ensina a mãe a ler. Eu não sabia que Mussum tinha se formado mecânico. O documentário conta a carreira musical antes dos Originais do Samba. Nos grupos que participou viajou pelo mundo. Depois falaram dos Trapalhões, a fase que mais conheço do Mussum. Dedé Santana conta que viu Mussum no show dos Originais do Samba e sugeriu que o convidassem. Mussum disse que não era comediante. Didi falou que escreveria pra ele falar, mas logo ele já se tornou esse grande comediante. Didi fala do sucesso com quatro protagonistas fora dos esteriótipos, mas o documentário faz críticas ao racismo do programa, embora não cite o machismo e as mulheres sempre como mercadoria. O doutor em comunicação Joel Zito Araújo faz as análises sobre o papel do negro na televisão, da pouca representatividade. Mussum foi casado, mas teve vários filhos com várias mulheres. O documentário menciona também o sucesso dos filmes dos Trapalhões que até hoje estão entre os filmes mais vistos no cinema no Brasil.
Assisti Mussum, o filmis (2023) de Silvio Guindane no TelecinePlay. O ótimo roteiro é de Paulo Cursino. Eu demorei pra ver esse filme elogiadíssimo porque queria um tempo distante de quando vi o documentário que gostei muito. Interessante como os dois produtos se completam. O filme é incrível, direção excelente com um elenco inacreditável! Mussum, na verdade Antonio Carlos, era muito ligado a mãe. São as cenas mais emocionantes do filme, tanto na infância como no final da vida dela. Antonio Carlos na infância é interpretado pelo ótimo Thawan Lucas. A mãe é a maravilhosa Cacá Protásio. Ela queria que o filho estudasse. Empregada doméstica, não podia levar seu filho ao trabalho, então ela consegue interná-lo em um colégio militar. Ela fazia questão que ele fosse um oficial e pegava no pé dele para que estudasse e fosse militar. Ele gostava de samba e ela dizia que não dava futuro. A cena emocionante é ele ensinando a mãe a escrever. Antonio Carlos era muito, mas muito estudioso. A outra cena de ir às lágrimas é Mussum cuidando da mãe que estava doente. Amo demais Neusa Borges e que talento. Airton Graça faz Mussum adulto, que ator. Ele canta pra ela, mas ela pede pra ele cantar uma mais alegre e pede a que minha mãe amava e vivia cantando A Dona do Primeiro Andar. Me emocionei mais ainda. O filme termina após a morte da mãe. Nos créditos que contam que Mussum morreu aos 53 anos em uma cirurgia de transplante de coração. O ótimo Yuri Marçal faz o Antonio Carlos intermediário. Nessa foto ele está com Elza Soares da incrível Larissa Luz, Garrincha é Wilson Simoninha. O filme é muito, mas muito musical. Não tinha ideia que Mussum levou por muito tempo em paralelo como integrante dos Originais do Samba e comediante. Até mesmo quando ele foi ser humorista em São Paulo, o grupo seguiu com ele e faziam shows na cidade. Como Mussum trabalhava. Chega uma hora que ele ficava exausto, na época dos Trapalhões. Ele gravava praticamente todo dia e ia para os shows depois ou aos fins de semana. Só depois de muito jogo de cintura para manter os dois trabalhos é que finalmente ele larga o grupo de samba. Interpretaram os Trapalhões: Gero Camilo, Felipe Rocha e Gustavo Nader. Como humorista ele ganhava muito mais. Foi quando começou a ter uma vida mais confortável. Mussum teve dois casamentos. Leny é interpretada por Jennifer Dias e Késia Estácio. Com Leny Mussum ficou 4 anos e teve um filho. Neila é Cinara Leal com quem ficou até o fim da vida, foram casados 22 anos e tiveram um filho. Ao todo Mussum teve 6 filhos. Mussunzinho faz uma participação no filme como Nilton da Mangueira. A vida de Mussum foi muito rica, não faltaram personalidades no seu caminho. Cartola (Flávio Bauraqui), Jorge Ben Jor (Ícaro Silva), Boni (Augusto Madeira), Grande Otelo (Nando Cunha), Chico Anysio (Vanderlei Bernardino). Outros do elenco são Stepan Nercessian, Alan Rocha, Edimilson Barros, Sergio Loroza e Mary Sheila.
Assisti Ilha da Fantasia (2020) de Jeff Wadlow no Cine Record. Eu estava ansiosa por ver esse filme. Amava a série que passa em alguns canais de vez em quando. Tinha vagamente ouvido que era de terror, mas tinha esquecido. E não é que o filme é de fantasminhas!!! Adorei!!! A ideia básica está lá. Pessoas chegam na ilha paradisíaca de aviãozinho fofo e lá terão escolhido uma fantasia. Só pode ser uma fantasia. E cada um vai viver a sua história. O lado bucólico da da série desaparece, mas eu amei. E tem muitos momentos surpreendentes. O anfitrião é interpretado por Michael Peña. A assistente é Pariza Fitz-Henley. Os participantes ganharam a viagem em sorteios. As histórias vão se entrecruzando e os mistérios vão aparecendo. Muito bacana! Participam desse primeiro grupo: Lucy Hale, Maggie G., Portia Doubleday, Austin Stowell, Jimmy O. Hang e Ryan Hansen. Como são várias histórias aparecem outros atores: Robbie Jones, Mike Vogel, Kim Coates, Michael Rooker, Jeriya Ben, Ian Roberts, Goran D. Keut e Evan Evagora. Meio infame a piada do Tatto no final, Tatto era o assistente na ilha, mas engraçado de qualquer jeito. E deixa claro que terá continuação, curiosa.
Assisti no GloboPlay Ainda Estou Aqui (2024) de Walter Salles. Finalmente consegui assistir! É tudo e mais um pouco do que dizem. Contido, sem melodrama, o filme causa um silêncio ensurdecedor! O filme conta a história de Eunice Paiva. O roteiro se baseou no livro de seu filho, Marcelo Rubens Paiva. Ela era dona de casa, como ela mesmo dizia, cuidar de cinco filhos. Ela tinha uma funcionária que ajudava na casa. Uma belíssima casa a beira mar no Rio de Janeiro. Gostei que o filme contextualiza a história da família. Rubens Paiva (Selton Mello) era -ex-deputado e engenheiro. Ele se debruçava na construção da casa da família. Calorosos, afetuosos, recebiam muito em casa. Essa foto é em uma das festas. A filha (Valentina Herzage) ia viver em Londres. Eles também adoravam tirar fotos, tinham uma caixa lotada delas. Interessante que no futuro, olhando as caixas, eles não lembram que dia foi esse, como acontece mesmo, já que eles viviam tirando fotos. Nesse período atuam Luiza Kosovski, Bárbara Luz, Pri Helena, Dan Stulbach, Humberto Carrão, Caio Horowicz, Augusto Trainotti, Carla Ribas, Maite Padilha, Charles Fricks, Thelmo Fernandes, Camila Márdila, Daniel Dantas, entre tantos outros. Até que Rubens Paiva é levado pra depor. Ele vai no carro dele mesmo. Eles não conseguem saber quem o levou para depor. É quando o silêncio ensurdecedor se instala. Com crianças pequenas, Eunice escolhe o silêncio. Homens armados ficam alojados na casa dela, vários. Ela inventa uma história pros filhos. Dá muita angústia os filhos interagindo com os bandidos. A personalidade da Eunice era incrível. Ela oferece as refeições, eles dizem não precisar, mas ela faz questão. Ela não se intimida, pede que eles escondam as armas, fala que é uma casa de família. Ela e a filha de 15 anos são levadas pra depor como em um sequestro, capuz preto, algemas. Desesperador a angústia de Eunice querendo saber da filha. A filha passa uma noite e é liberada. Nenhuma das duas são torturadas, o que normalmente acontecia. Ficar sozinha em uma sala fétida, sem banho, sem informação, sem direito a advogado, é uma tortura desesperadora. Nem assim Eunice se intimida. Ela pergunta sempre sobre o marido, sobre a filha e consegue de seu carcereiro a informação que a filha já foi pra casa. Imagine o desespero dessa mãe. Os filhos de uma hora pra outra ficaram sem os pais, só com a funcionária, sem ter notícias. Ela começa a ter problemas financeiros. O marido desaparecido, nada pode-se mexer. E claro, os sequestradores negam que levaram o Rubens Paiva e que ele nunca mais saiu. Falam que ele fugiu com terroristas. Em um determinado momento, um conhecido em sigilo, conta que tiveram a informação que Rubens Paiva está morto. Ela começa a lutar pelo corpo como Zuzu Angel e para que o exército assuma o seu crime. Ela viu o carro do marido no pátio quando foi presa, consegue ir buscar, ela vai incomodando como pode. Diferente da Zuzu, ela não é assassinada para ficar calada. É nesse período que ficamos sabendo que aquela casa maravilhosa era alugada. Ela pega os cinco filhos e vai para São Paulo para a casa dos pais dela. Eunice passa a trabalhar com tudo o que pode, traduções. Volta a estudar e se forma em advocacia aos 47 anos. Além de trabalhar pela liberação de presos políticos, informações sobre desaparecidos, ela se torna indigenista. No filme mostram uma palestra dela sobre a viagem que fez a floresta amazônica para denunciar os massacres indígenas na construção, muitas vezes irregular, da Transamazônica. Fernanda Torres está maravilhosa, que atriz! Mas eu concordo com a atriz em seus discursos, o filme só chegou onde está, pela Eunice, é a personalidade dela que espanta todos no filme. Corajosa, nunca calada, mas sempre estratégica na proteção dos seus. Eunice Paiva levou 25 anos para receber o atestado de óbito de Rubens Paiva. Somente 25 anos depois que o exército admitiu ter torturado e assassinado Rubens Paiva. Ela sorri e fala que é estranho sorrir por um atestado de óbito e fala do sofrimento que é a família de um desaparecido. Quem já mexeu com inventário sabe muito bem o que ela estava falando. Sem falar na porta aberta de sentimentos com um desaparecido. Uma jornalista pergunta se não há questões importantes pra ser resolvidas para retomar ao passado. Eunice é rápida e categórica, não, enquanto os culpados não foram julgados e punidos por seus crimes, tudo pode acontecer novamente. Ao fundo está Marcelo Rubens Paiva, já escritor e autor do livro Feliz Ano Velho na época. Eunice Paiva teve Alzheimer e ficou uns 15 anos com a doença. No final Fernanda Montenegro aparece como Eunice. Outros nesse elenco são Antonio Saboya, Maeve Jinkingis, Marjorie Estiano, Maria Manoella, Olivia Torres e Gabriela Carneiro da Cunha. A trilha sonora é incrível e tem no Spotify. A mais reverberada é a linda de Erasmo Carlos, as fotos originais: Eunice e Rubens Paiva. Essa foto foi feita para uma matéria da revista Manchete.
Assisti Venon (2018) de Ruben Fleischer na ClaroTV e na Universal. Estavam elogiando muito o último, resolvi ver o primeiro. Comecei pela ClaroTV, mas a qualidade de imagem estava muito ruim. Aí achei na Universal. Não veio valor, a Universal tem alguns filmes gratuitos, espero que esse seja assim. Eu quis ver principalmente porque gosto muito do Tom Hardy. O personagem vem dos HQs. Um cientista, Riz Ahmed, tem alienígenas em seu laboratório. Tom Hardy é jornalista e vai entrevistá-lo. O cientista descobre que o alienígena precisa de hospedeiro pra sobreviver na Terra. Ele começa a testar escondido em humanos, a maioria morre. Ele faz o que muitos pensam sobre pessoas descartáveis, pegam indigentes sem comunicar as pessoas, eles simplesmente desaparecem. Dá pra imaginar que em algum momento o alienígena faz o jornalista de hospedeiro. E fica com ele já que há vários filmes na sequência. Eu gosto muito de filmes que falam de ciência. A ganância do empresário, realizar experimentos secretos, matar pessoas, indigentes, enfim, aborda uns temas urgentes. Alguns outros do elenco são Michelle Williams, Melora Walters, Reid Scott e Jenny Slate.
Assisti Rede de Mentiras (2008) de Ridley Scott na TCM. Estava com saudades de ver filmes na tv a cabo. Escolhi alguns pra distrair, comecei a ver esse e vi que não ia me distrair muito, mas curiosa, continuei. É um bom filme de ação, muito bem dirigido. É sobre os conflitos no Oriente Médio. Leonardo di Caprio interpreta um agente que está em Amã para investigações. Ele tem formas peculiares de trabalhar que incomodam muito os Estados Unidos. Ele faz alidos com pessoas igualmente perigosas. Em alguns momentos Rede de Mentiras é tolo e simplista, mas o argumento é bem arquitetado. Um fator interpressante, comentado por Ayaan Hirsi Ali no livro Infiel, é que apesar dos Estados Unidos terem tecnologia de ponta, eles não conseguem descobrir muitos ataques, já que os fundamentalistas se organizam de outras formas muito mais difíceis de serem descobertos como a fala, sem a tecnologia. Rede de Mentiras mostra ainda os Estados Unidos utilizando qualquer recurso para conseguir o que quer, mesmo abusando na violência, tortura e assassinatos. Li que a atriz iraniana Golshifteh Farahani teve problemas com os fundamen-talistas islâmicos porque filma uma de suas cenas sem o véu e isso é considerado um desrespeito a Alá. É como nós aqui não utilizarmos uma parte da roupa e expormos o que aqui chamamos de partes íntimas. Realmente achei desnecessário expor a moça. Tudo o que li da religião, elas realmente não ficam sem o véu, até mesmo recebendo um homem em casa. Outro fator que estranhei é um discurso tolo do protagonista quando é preso pelo chefe terrorista. Entendi que ele sabia que ele tinha que fazer a gravação não valer, quebrar a artimanha terrorista, mas o discurso questionando alguns dogmas islâmicos foi tolo. Diferente dos Estados Unidos, que lutam por honra e pela pátria, os islâmicos lutam por sua fé, portanto todos os seus raciocínios são diferentes. Russell Crowne é o chefe do di Caprio. Alguns outros do elenco são: Mark Strong, Oscar Isaac, Ali Suliman e Alon Abutbul.
Assisti O Diabo Que Você Conhece (2022) de Charles Murray no MegaPix. Gostei muito! Foi uma grata surpresa. É um filme muito desconcertantes sobre lealdade, ética, família. Muito complexo! Há uma reunião em família, todos os olhos estão voltados ao protagonista do ótimo Omar Epps. Ele está reconstruindo a sua vida. Está em tratamento nos alcóolicos anônimos, conseguiu um emprego de motorista e querem arrumar uma namorada pra ele, a Erica Tazel. Em todas as conversas, ele é o filho que deu trabalho, que errou. O irmão bebe demais, ele leva pra casa e vê um álbum de cartões raros e valiosos de jogos. O protagonista vê uma matéria na televisão sobre uma família assassinada e há vídeo de lembrança do filho com o pai com o álbum de cartões. Ele procura o irmão que diz que os culpados são os amigos dele que deram o álbum pra ele cuidar. Ele pede pro irmão não contar nada pra polícia porque os amigos são barra pesada. O irmão é William Calett. O irmão vai preso pra depor, o pai, Glynn Turman, passa mal, tem um infarto e é hospitalizado. A família pressiona o protagonista o tempo todo para que não faça nada que possa colocar a vida do pai em risco. Começa então um complexo filme sobre delação, ética, família. O policial é Michael Ealy. Recomendo!!!
Assisti O Mundo Depois de Nós (2023) de Sam Smail na Netflix. Esse filme vem sendo bem elogiado. Gostei demais! É ficção científica, mas muito filosófico! O filme foi baseado no livro de Rumaan Alan que quero muito ler. E é com a maravilhosa Julia Roberts. Ela é arrogante e resolve viajar com a família para uma casa luxuosa afastada que tem acesso a praia. Seguem então ela, o marido e seus dois filhos. Coisas estranhas começam a acontecer, então os proprietários da casa resolvem aparecer. A cidade teve apagão. Aparece na casa o pai e a filha. A mãe estaria voltando de avião naquele dia. Os embates entre eles são incríveis. Autoritária, a que alugou a casa quer o tempo todo que os proprietários não fiquem lá. Mahershala Ali, Ethan Hawke e Myha´La estão ótimos. Parece que só a filha do casal percebe o que acontece. Ela que vê um navio vindo em direção deles, vê os cervos, ela que percebe que algo mais profundo está acontecendo. Todos a desacreditam. Ela é a ótima Farrah Mackenzie, o irmão mala é Charlie Evans. Gostei do fechamento do filme. Todo o plano de governo era chegar ao momento que todos lutariam entre si. Com o egoísmo dos novos tempos, parece que não é difícil colocar uns contra os outros.
Assisti A Imigrante (2013) de James Gray no Cinema na Madrugada BAND. É um bonito filme com uma estrutura bem convencional. Fala de imigração. O quanto o ser humano se acha dono de um pedaço de terra. Não imigrantes são só os nativos locais, os indígenas, o resto é tudo imigrante, tendo vindo pela colonização, ou para tentar uma vida melhor. Começa com uma jovem polonesa tentando entrar nos Estados Unidos com sua irmã na década de 20, da primeira guerra. A irmã é detida porque está com tuberculose, a outra não consegue entrar e vai ser deportada, mas um homem a tira da fila e a leva pra uma casa onde vive uma mulher e uma filha. As irmãs iriam pra casa dos tios, mas ele não aparece pra buscá-la e dizem que o endereço que ela tem não é válido. Para sobreviver e conseguir dinheiro pra tirar a irmã do hospital ela aceita se prostituir e passa a conviver com toda a marginalidade local. Marion Cottilard faz a polonesa, sua irmã é interpretada por outra linda e talentosa atriz, a Angela Sarafyan. O "protetor" é Joaquim Phoenix Depois aparece o irmão do "protetor", Jeremy Renner.
Assisti Boca de Ouro (2019) de Daniel Filho no Globplay. Esse filme é muito elogiado, então quis assistir. Esse texto do Nelson Rodrigues é incrível. Faz tempo que vi a icônica adaptação da obra por Nelson Pereira dos Santos. O elenco é incrível, todos arrasam! Marcos Palmeira é o Boca de Ouro. Lorena Comparato a Celeste e Thiago Rodrigues, o marido. Começa com a morte do Boca de Ouro. O excelente Silvio Guindane é o jornalista que vai entrevistar a ex, a ótima Malu Mader, que voltou com seu marido, Guilherme Fontes. Hilário a "viúva" contando três versões da mesma história assim que os fatos mudam. A majestosa Léa Garcia faz uma participação. Ainda no elenco Karina Ramill, Raquel Fabbri, Edmilson Barros e Anselmo Vasconcelos.
Assisti As Palavras (2012) de Brian Klugman e Lee Stherntal na Sessão Especial Band. Eu nunca tinha ouvido falar nesse filme. Começa com um homem indo em uma palestra ler seu livro. Confesso que nunca iria em um lugar ver um homem ler seu próprio livro. Para nós que estamos vendo o filme não é chato, porque começamos a ver imagens do que ele está lendo. A história do livro é de um casal. Ele quer escrever mas depois não consegue que ninguém publique o seu livro. É bem interessante como o filme vai abrindo muitas janelas, tramas que se derivam de outras. Esse homem acha um livro dentro de uma pasta que comprou em um antiquário e publica como se fosse seu. Faz muito sucesso e consegue publicar seus outros livros depois que não são tão bons, mas por ter se tornado famoso com o primeiro que não é dele, as pessoas leem os seguintes. Gostei muito que o filme fala muito sobre direitos autorais, sucesso, são muitas tramas e sub tramas. E que elenco incrível: Dennis Quaid, Bradley Cooper, Zoe Saldanha, Jeremy Irons, Ben Barnes, John Hannah, Olivia Wilde e Nora Arnezeder.
Assisti Uma Família Feliz (2022) de José Eduardo Belmonte no Telecine Premium. O roteiro de Raphael Montes é inacreditável! Que filme desconcertante! A direção criou tanta tensão que o filme é praticamente de terror. Eu vi sem ler nada, só sabia que não era uma família feliz. Começa com a personagem da Grazi Massafera enterrando uma criança, pegando o carro com outra e provocando intencionalmente um acidente. O filme vai para o passado e vamos tentando entender o que aconteceu. Grazi está impressionante! Que atriz! O personagem dela é muito, mas muito complexo. Reynaldo Gianecchini é o pai dedicado. E como é grosseiro com a esposa. Ele não perde um momento que seja pra diminuí-la. Pra piorar ela engravida e tem um bebê. Como toda mãe nessa situação, ela está sempre sonada. E a mãe parece que tem depressão pós-parto, mas ninguém parece pensar ou conversar sobre isso. Eles tem uma vida bem confortável. A mansão é belíssima! Mas o pai o tempo todo diz que não é possível contratar ajuda e sugere que a esposa largue o trabalho dela. Ela é artesã, faz bonecas que parecem bebês de verdade, é reconhecida, já teve matérias sobre o trabalho, mas ele diz que ela fica brincando de boneca. Reynaldo Gianecchini também está ótimo. O bebê e a filha aparecem machucados, a irmã diz que foi a mãe, começa então o inferno dessa mãe, mas a gente não sabe em quem acreditar. A mãe começa a desconfiar do marido. A inabilidade dessa família pra lidar com os conflitos é irritante. Primeiro porque antes mesmo do bebê nascer, uma das filhas já tinha uma grave doença. E ninguém faz tratamento com terapeutas, nem as filhas, nem os pais, pra lidar com a doença. Então quando a violência aparece na família, há silêncios, falta de diálogo. É um horror! As meninas são Luiza Antunes e Juliana Bim. A vizinhança também é pavorosa. Mesmo sabendo que há crianças na casa, não pensam duas vezes em provocar violências com a família e vulnerabilizar ainda mais os filhos. Que filme!
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraAssisti no cinema O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho. Finalmente consegui ver! Achei que nem ia conseguir ver antes do Oscar. Quis ver antes do Globo de Ouro, mas por sorte tive muito trabalho e foi impraticável. O Agente Secreto ganhou Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator de Drama para Wagner Moura que está inacreditável. É um dos grandes atores de sua geração, mas impressionou mais ainda! Sem dúvida uma de suas melhores atuações. Não deu para assisti na Semana do Cinema por R$ 10,00. Eu adoro esses eventos, é muito cinéfilo animado, uma festa mesmo. E espero que aumente muito mais o público do filme que já está em 2 milhões de espectadores.
O Agente Secreto é impecável! Agora entendi porque quem vê costuma ficar fã. Eu fiquei com vontade de ver e rever inúmeras vezes. São muitos momentos icônicos. É um drama triste e doloroso, intercalado de um humor ácido muito peculiar. A começar pela cena inicial que dá todo o tom do filme. Wagner Moura chega de Fusca amarelo em um posto de gasolina. Há um homem morto fedendo coberto de papelão. O frentista diz que está lá há dias, que chamou a polícia e nada. A polícia vem, mas não é pelo morto, é para ver se acham algo errado no carro pra tirar algum dinheiro do motorista. Kleber Mendonça tem falado muito em entrevistas sobre esse período. O filme é ambientado no Brasil de 1977. Que não há vilões e sim o momento que proporciona monstros. Não compactuo com essa visão, mas é interessantíssimo ver um filme com esse olhar. Muito reflexivo.
Wagner Moura é Marcelo, na verdade Armando, e está fugindo. É um subversivo? Não!!! Ele é um pesquisador altamente qualificado, que trabalha em uma universidade do nordeste, com uma equipe mista, brasileiros e estrangeiros, em um projeto científico fundamental para o país.
Um mega empresário do sul pelo ótimo Luciano Chirolli fica interessado nos projetos. Ele patenteia alguns escondido, desmonta a equipe. Armando fica revoltado, eles se rivalizam e Armando passa a ser jurado de morte. O filme começa com ele no fusca amarelo, seguindo em fuga pra Recife e se esconde em uma casa de refugiados liderado pela maravilhosa Tânia Mara, que atriz e que personagem.
Armando é de Recife, sua família é de lá. Sua esposa morreu e ele tem um filho que fica com o avô é Carlos Francisco e sua companheira. A incrível Alice Carvalho faz a esposa. Ele diz ao filho que ela morreu de pneumonia, mas pode não ser. Gosto muito das lacunas do filme até porque era um período muito, mas muito perigoso então não se revelava a verdade por segurança.
O Agente Secreto concorre a uma categoria nova do Oscar, Cast e o elenco do filme é inacreditável. Outro concorrente é Pecadores, que tem a mesma genialidade de elenco, só que com atores americanos, pode ser que esse leve. Mas é um trunfo incrível a mistura de atores em O Agente Secreto. Só nos moradores da casa já se percebe essa mistura. Tem a genial Hermilla Guedes que acaba tendo um romance com Marcelo, João Vitor Silva e Isabel Zuáá. que amo. Ela e o marido são personagens de Angola. Zuáá, é a primeira atriz negra portuguesa a concorrer ao Oscar.
A reconstituição de época é milimétrica. É fusca, opala, brasília, carros muito coloridos que sumiram das ruas, móveis. Orelhões. Fiquei chateada que estão retirando os últimos orelhões das ruas. Brasil é assim! Em vez de aguardar o Oscar já que o orelhão é um símbolo do filme, começam a retirar agora. História pra que não é? Quem mora em Recife deve se maravilhar com o filme, com vários pontos históricos da cidade da época. Os policiais são também geniais. A começar no Carnaval. Misturada a trama dramática, tem uma perna engolida por tubarão. O policial se veste rápido para ir ao IML mas ainda tem restos de batom na boca e purpurinas. Robério Diógenes está entre os melhores do filme, que ator, que personagem. Udo Kier faz um judeu, que o policial acha que é um ex-combatente alemão. Alguns outros do elenco são Thomás Aquino, Marcelo Valle, Rubens Santos, Laura Lufésy, Buda Lira, Maria Fernanda Cândido e Ítalo Martins.
Genialidade também no elenco de matadores. Roney Villela é o que negocia, é muito dinheiro. E sim, com o dinheirão que ganha ele usa para custear a viagem. Pagar um profissional do ótimo Kaony Venâncio. E ele vai com seu enteado Gabriel Leone que ajuda na empreitada. A cena de perseguição dos dois matadores é incrível. Acontece nas ruas, mas tem que ser nas ruas de 1977, imagino a dificuldade de ambientação e edição.
Há muitas cenas incríveis como essa cena na janela e esse elenco Geane Albuquerque e Suzy Lopes. A edição do filme também é incrível. Toda entrecortada com o passado, presente e futuro. De repente aparece um celular nos dias de hoje e duas jovens são pesquisadoras e ouvem as fitas cassetes de 1977. Muito irônico que o filho de Armando não quer saber do passado. É daqueles que não tem interesse na história e faz o apagamento histórico tão comum no Brasil. Outro detalhe desse grupo é a repressão mesmo nos dias de hoje que manda as duas pararem com as investigações e abafarem o caso. Achei muito inteligente a morte de Armando. Só sabermos pelo foto e pela notícia do jornal. Deu saudade da importância do jornal impresso na sociedade, que contava, ou pelo menos tentava, contar tudo o que acontecia.Que venha o Oscar!!
O Corvo
2.4 301 Assista AgoraAssisti O Corvo (2024) de Rupert Sanders no TelecineActon. Só vi esse filme porque está na lista dos melhores filmes de muita gente, inclusive de pessoas que como eu são muito fã do gênero. E que belo cartaz! O filme é inspirado nos HQ de James O´Barr.
O casal é deslumbrante, Bill Skarsgard e FKA Twigs e estão ótimos. É uma clássica história de amor romântico, então a gente imagina que eles não vão ficar juntos, em uma roupagem de HQ. A história é transposta de quadrinhos. Os dois são pessoas complexas, então vão para uma instituição. É lá que se conhecem. Apesar de serem rebeldes, eles são boas pessoas que passaram maus bocados na mão de pessoas más. O filme é muito bem realizado, esteticamente lindo, ótimos efeitos especiais, muita mágica e magia e ótima trilha sonora.
Claro que eles são perseguidos e ele tenta salvá-la. É uma bonita história de amor com roupagem rebelde. O elenco também é ótimo: Danny Huston, Laura Birn, Sami Bouajilla e Josette Simon.
Frankenstein
3.7 598 Assista AgoraAssisti Frankestein (2025) de Guillermo Del Toro na Netflix. Tem muito tempo que estou vendo esse filme, muito tempo mesmo. Gostei muito do livro de Mary Shelley, mas não estava com vontade de ver mais uma adaptação, mesmo adorando o diretor.
A direção de arte é maravilhosa, embora tenha me incomodado um pouco os truques. E achei desnecessárias, pra não dizer cansativas, as mais de 2 horas de duração. A parte que Victor fica construindo o monstro é enorme e arrastada. Oscar Isaac está bem como Victor Frankestein, embora muito caricato. O tom do filme é muito caricato.
Eu demorei demais pra passar do começo. Como é chato. Frankestein está apavorando as pessoas de um navio em uma geleira. Atiram muito nele e conseguem salvar o seu criador que passa a contar a sua história. No meio do filme é a criatura que começa a contar a sua. E sim, os dois passam horas contando as suas versões dentro de barco, que chatice. E a tripulação aguardando de pé do lado de fora, que forçado. O final inclusive é de uma pieguice insuportável.
O diretor tentou fazer um filme épico. Acho que o que mais incomoda é ele tentar justificar porque Victor Frankestein fez aquele monstro. Ele era um bom menino, mas tinha um pai violento, que o torturava. Tanta criança tem pais abomináveis e não ficam abomináveis. Sim, é uma possibilidade, como não ser também. Essas verdades prontas me incomodaram profundamente. Estranhamente o diretor fala muito de bíblia e religião no filme, o que me incomodou muito também. Estamos vivendo uma época em que falar muito em religião ou política, dependendo como são defendidas só trapalha a arte. Uma graça o garoto que faz Victor criança, Christian Convery. Ele tem uma rivalidade pavorosa com o irmão. O pai é o Charles Dance. Mia Goth faz a mãe e a noiva do irmão. Isso achei interessante. Os dois irmãos ficam fascinados pela amada que é a cara da mãe. O tio dela que patrocina o Victor e é Christoph Waltz.
Eu amo a Mia Goth, ela tem uma participação pequena mas muito marcante. O monstro é feito por Jacob Elordi.
David Bradley faz um velho cego. O monstro fica muito tempo, até demais, na casa desse senhor e sua família. Por um período ficam só os dois, é quando o monstro passa a ler, ter informações. Ok, poderiam estar nas partes dos corpos dos outros homens que o construíram, mas achei tudo muito falso ele aprender a ler, fica fluente, enfim. E os animais dessa parte, além de insuportáveis as violências, eram muito, mas muito falsos.
Muita gente disse que esse foi o melhor filme do ano de 2025. Sim, a direção de arte é belíssima, fotografia, figurinos, mas o filme é arrastado e forçado. Tanto que não levou prêmio algum no Globo de Ouro.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 655 Assista AgoraAssisti Uma Batalha Após a Outra (2025) de Paul Thomas Anderson na HBOMax. Eu só soube desse filme no Globo de Ouro. Muito estranho porque adoro esse diretor e costumo acompanhar produções. O filme ganhou Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia e o diretor ganhou Melhor Direção e Roteiro em Filme, confesso que não achei engraçado e bem dramático. Mas é incrível e urgente! O roteiro é baseado no livro de Thomas Pynchon que quero ler.
Taylor ganhou Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme, que interpretação e que personagem. Tecnicamente são quatro protagonistas com pano de fundo na violação dos Direitos Humanos. Leonardo di Caprio e Teyana são revolucionários e ficam juntos. Começam os dois em um grupo indo libertar imigrantes ilegais em acampamentos como campos de concentração.
Sean Penn é o militar dessa ação e enlouquece pela Perfídia. Ela engravida, não sabemos de qual dos dois. A família dela sempre foi de revolucionários que diz ao companheiro que é difícil que a filha pare as ações revolucionárias e é o que acontece. Ela é presa e consegue fugir para o México.
O tempo passa 16 anos. Pai e filha vivem no campo em uma cidade repleta de imigrantes. O militar é procurado para integrar um clube de pureza da raça, mas ele não pode ter nada que o desabone como relações inter-raciais. Ele resolve então usar a máquina do estado para caçar a suposta filha, para apagar essa mancha do seu passado e ingressar no clube. Chase Infiniti está muito bem. Ela é uma adolescente mala e rebelde, mas que foi muito bem treinada pelo pai, é fera no judô, sabe atirar.
Benicio Del Toro faz uma participação, ele é o professor de luta da jovem. Quando o exército invade a cidade, o pai vai pedir ajuda pra ele. Enquanto o ajuda, o professor avisa e ajuda os imigrantes ilegais a se esconderem, inúmeras mulheres e crianças pequenas. O filme o tempo todo mostra essa opressão. Eu só estranhei o final. Pai e filha voltam exatamente para a casa que viviam antes, que o exército já sabia onde ficavam.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraAssisti Pecadores (2025) de Ryan Coogler na HBO Max. Eu tinha uma expectativa muito alta porque vi muitos críticos dizerem que é o melhor filme do ano, não, não é. É um belo filme esteticamente, com números musicais brilhantes, bela fotografia, mas está longe de ser um filme excepcional.
O filme começa contando sobre as lendas de várias tradições milenares que colocam a música como uma porta para o diabo. Essa é a premissa do filme. Lendas mais dramáticas que a história da Cigarra e da Formiga. A sociedade tem muito medo da profissão do músico, até porque não vê como uma profissão, que inclusive é exaustiva, horas, anos, décadas de estudos, turnês insanas. Como muitos adolescentes abraçam a música, os pais apavorados vão dando um jeito de tratar a profissão como hobby e menosprezar a escolha. Alguns e muitos inclusive, expulsam seus filhos músicos de casa, vai trabalhar vagabundo, algo que o músico não é é ser vagabundo. Estranho porque todos amam ouvir música e esquecem que são muitos profissionais para aquele som chegar aos seus ouvidos. O filme tenta se redimir ao final, quando o jovem resolve não aceitar a ordem do pai e cai no mundo como músico. Miles Catons está impressionante, como canta! A trilha sonora do filme é deslumbrante.
Michael B. Jordan está incrível, ele faz gêmeos. Eles compram um galpão para transformar em uma casa de blues, claro que tudo sai errado porque como diz as lendas do começo, música chama o diabo. Nesse caso os diabos são vampiros. É a parte mais chata do filme. Os vampiros tentando acabar com todos do bar.
O elenco é incrível, tanto de atores como de músicos. Os números musicais são de tirar o fôlego. Pena que as fotos só sejam da parte chata dos vampiros. Maravilhosos Wunmu Mosaku, Jayme Lawson, Hailee Stanfield, Deroy Lindo, Saul Williams, Omar Benson Miller, Jack O´Connell, Li Jung Li e Lola Kirke. O genial Buddy Guy faz o rapaz no futuro.
O trailer também ignora a parte musical, que é o melhor do filme.
Quem fez o trailer tem preconceito também com música.
Buscando...
4.0 1,3K Assista AgoraAssisti Buscando... (2018) de Aneesh Chaganty na HBO on Demand. Eu não sabia nada desse filme e foi uma grata surpresa. É um filme que fala muito de tecnologia e como entrou na nossa vida. Como podemos usar. Um suspense e tanto, mas muito bem criada a parte tecnológica.
O filme começa com o computador chegando na família. A filha é pequena, o pai cria um usuário pra cada um. Começam os vídeos da menina, da família. A chegada do facebook. Boa parte do filme é no computador, o que vemos da família são os vídeos no computador. Pelo computador que ficamos sabendo que a mãe está doente porque a filha pesquisa a doença na internet. Aí a filha coloca no calendário a data que a mãe volta pra casa e vai adiando essa data até retirar a alta. E vemos as duas, a mãe já muito debilitada.
Ficam então só a filha e o pai. A filha liga para o pai, diz que está em um grupo de estudos de biologia na casa de amigos e que vai dormir por lá. O pai vai dormir. De madrugada a filha liga três vezes, mas ele está dormindo. Como pelo sofrimento ele tem dificuldade de dormir, passa a tomar medicação e não acorda. No dia seguinte passa a perguntar sobre a filha que não voltou. Nos Estados Unidos é possível ligar para a polícia sobre um desaparecimento assim que acha que algo aconteceu. No Brasil era só depois de 48 horas que é um absurdo.
Uma policial é designada para investigar o caso. Assim que a policial fala ao telefone com o pai ele já está buscando informações sobre a profissional na internet. E é assim o tempo todo, o pai ajuda muito na investigação.
É muito triste o pai ligando para os amigos da filha e descobrindo que ela não tinha amigos. A garota que a filha foi estudar biologia disse que só estava estudando com a colega porque precisava passar. O rapaz que está nas montanhas só convidava a garota porque a mãe era amiga da mãe da moça e fica claro que era por pena. É de cortar o coração. Mas o filme é inteligente em vários aspectos. Quando esse caso ganha a mídia, esses amigos que não eram amigos, na mídia, viram os melhores amigos da garota, que estavam sempre juntos. O oportunismo pra sair na mídia. O filme é muito, mas muito inteligente. O pai é interpretado brilhantemente por John Cho. A garota por Michelle La, várias outras crianças fazem a garota em vários momentos da vida dela. A policial por Debra Missing. Além de um ótimo filme policial, é fundamental por esmiuçar muito a forma como lidamos com a tecnologia. Não é moralista, mas muito realista. Buscando... ganhou prêmio no Festival de Sundance.
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraAssistii Homem com H (2025) de Esmir Filho na Netflix. Fiquei muito feliz que entrou no streaming, eu até assisti nos cinemas, mas acabei assistindo novamente com minha mãe. Surgiu o debate que o filme entrou no streaming enquanto ainda rendia muitos milhões nas bilheterias. Eu não tenho uma opinião formada sobre isso. Na Netflix o mundo inteiro poderá conhecer as músicas e as histórias desse gênio, não sei se há tempo certo pra isso acontecer. Inclusive aumentaram expressivamente a busca por Ney Matogrosso no Google desde que o filme estreou na Netflix e o filme ficou como o mais visto do streaming brasileiro. O filme é baseado na biografia de Julio Maria e Ney Matogrosso participou de várias gravações. Minha mãe era muito, mas muito fã de Ney Matogrosso, não perdia um show quando tinha oportunidade. Estranhamente eu só vi um show no Rio quando estive a trabalho por lá. Tenho uma memória afetiva muito forte dessa data, tanto pelo belíssimo show que vi como pelos que estavam comigo. As músicas que o Ney Matogrosso interpretava eram maravilhosas. Gostei que o filme intercalou as mais icônicas com outras pouco conhecidas.
Eu conhecia muito pouco da vida pessoal de Ney Matogrosso. Na infância ele foi espancado e maltratado sistematicamente pelo pai militar e pavoroso. Até não suportar mais e sair de casa. Também não conhecia a paixão de Ney pela mata. Uma graça o garoto que faz Ney criança, Davi Malizia.
O elenco todo é muito bom, não só pelas caracterizações, mas por serem grandes atores, independente de serem muito conhecidos ou não. Os pais são Hermila Guedes e Rômulo Braga. O pai militar era muito violento com Ney desde criança até que ele sai de casa. Me surpreendi quando pai conta ao filho que abandonou a carreira militar porque não concordava com tudo vinha acontecendo. Possivelmente foi aí que Ney começou a perdoar o pai.
Jesuíta Barbosa está maravilhoso, que ator! Ele emagreceu 12 kgs para interpretar Ney, também fortaleceu o corpo e músculos. Assim que Ney sai de casa, para sobreviver, ele se alista no exército. Não tinha ideia que Ney tinha seguido tantos caminhos até ser o artista que conhecemos. Ele sai do exército, vai trabalhar em um hospital em Brasília, cursa teatro e participa de um coral. É lá que o maestro elogia a belíssima voz de Ney. No exército ele fica amigo do personagem de Augusto Trainotti, adoro esse ator. Interessante o caminho dos dois. Ney luta pela arte e para se colocar na arte e pela liberdade, o amigo já se conforma ao destino, se casa e tem filhos que diz amar muito.
Ney falava muito em ser ator. Enquanto estudava fazia joias, figurinos para os espetáculos, adereços. É quando começa a criar os seus próprios personagens que viriam a ser sua marca. Foram amigos que apresentaram os artistas do Secos e Molhados. Eles escolhiam repertório, lindíssimas canções e poesias por sinal, e buscavam formar uma banda. É Ney que vai insistindo na maquiagem e caracterizações.
O filme recria a imortal capa do LP dos Secos e Molhados que explodiram. A banda lotou o Maracanã, foi um sucesso retumbante. O pai de um deles cria um contrato pavoroso, onde só ele se beneficia, mesmo Ney vivendo ainda precariamente, mesmo a banda estando no auge, Ney se recusa a assinar. É quando começa a sua carreira solo. Apesar do seub pai ser bastante conservador, ele ia ver os shows do filho.
É a década de 80, tempo de amor livre. Quando Ney conhece Cazuza, ele já estava perto dos 30 anos, Cazuza perto dos 20. Como Ney aos 20, ele vivia muito livre, muitos amores, casais, homens, mulheres, muita liberdade. Ney continuava livre, mas já não mais tão impulsivo. É quando Ney apaixona-se pelo médico Marco de Maria, lindo, Cazuza também se interessa. Ney conta pro médico e diz que eles são livres. E entendemos que eles também se relacionam. Adoro Bruno Montaleone, que ator. Cazuza é interpretado por Jullio Reis.
Ney sempre foi muito reservado, então eu e boa parte do público sabia pouco sobre desse grande amor. Eles viveram juntos por 12 anos. É na década de 80 que a Aids vem devassar o amor e matar tanta gente. A escolha de como contar no filme é cuidadosa e não sensacionalista. Enquanto eles dormem a TV está ligada e lá um jornalista fala da doença que chega no Brasil. Não sabia que Ney tinha dirigido, é ele que dirige o show famoso de Cazuza quando ele está com a bandana e quando já estava no fim da vida, sofrendo as consequências dessa doença impiedosa. Era a época que não tinha tratamento algum, as pessoas definhavam muito rápido. Cuidadosa a cena do casal conversando com o exame na mão na cama. Ney sente culpa por ter sido poupado, vai se saber o motivo, sorte, genética, mas seu companheiro não. Ney diz que fez o mesmo que todos os outros, que não entende. O médico sugere que eles se separem porque a degradação dele virá, mas Ney diz que não. Poucos sabem, mas Ney cuidou do médico com uma dedicação que emocionou. São poucas cenas, Bruno Montaleone precisou emagrecer muito para essas cenas. Os banhos juntos, se escorando em Ney. Ney preparando com a enfermeira a UTI no quarto do apartamento. A morte também foi feita de modo poético. Já ouvimos os sons dos aparelhos da UTI, principalmente aquele que acompanha o coração. A cena segue para um show de Ney, ele canta a belíssima Poema de Rio de Lucina e Luli, do primeiro LP solo de Ney e o som do aparelho do coração para.
O filme corta com Jesuíta na mata, vendo a propriedade que sempre admirou. Quando ele olha para o rio, lá está Ney Matogrosso hoje de costas. O filme segue então para o show de Ney, lotado, em 2024. Que filme bem realizado, bem editado, tudo escolhido milimetricamente. Que obra!
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraAssisti A Substância (2024) de Coralie Fargeat na HBOMax. Eu queria muito ver esse filme, mas sabia que tinha que ter coragem. Sim, é realmente muito, mas muito forte. Tanto que é classificado como terror.
O filme fala muito sobre envelhecimento, mas eu confesso que fica fácil ser contra o etarismo quando falamos da deslumbrante Demi Moore. Linda, talentosa, genética generosa e ainda teve recursos para todos os procedimentos para retardar o envelhecimento. Precisamos não ser etaristas com qualquer configuração da idade.
Demi Moore está maravilhosa! Ela tem um programa de exercícios da televisão, mas é informada que está velha, que já abriram inscrição para jovens.
Quem diz isso é o personagem do Dennis Quaid. Ele parece muito mais velho que ela, o colocam bem escroto e acaba falando da autoestima do homem. Ele falando das jovenzinhas dá muito nojo. O que faz homens se acharem no direito de julgar mulheres e de se acharem melhor que elas.
Um jovem lindo entrega um pendrive para a atriz, ela resolve experimentar a substância. Tudo é muito secreto, cheio de regras e surge a jovem Margaret Qualley das costas da Elisabeth. Elas são uma só, a voz diz. Elisabeth é a matriz, uma não vive sem a outra. Sue como ela se nomeia, resolve se candidatar a vaga da sua matriz. O filme é genial. A jovem se deslumbra com a fama, com os compromissos, e passa a pular as etapas da substância e prejudicar seriamente sua matriz.
As poucas vezes que Sue permite que a matriz surja para ela se regenerar, Elisabeth está pior, com mais marcas do tempo. O
filme é todo muito genial, a forma como é construído, como fala do tempo, da mídia, do deslumbramento, da eterna juventude, da busca pela eterna juventude. Em determinado momento fica absolutamente catártico. Eu ficava pensando onde iria dar, como ia terminar. E tudo é tão genial que fiquei estupefata. O filme não se intimida em ser nojento.
E é tão inteligente, que vai indo cada vez mais fundo na loucura, até terminar como começou. O filme começa com Elisabeth famosa e a criação de sua estrela. O final termina na estrela com uma genialidade impactante.
O Filho Eterno
3.3 88Assisti O Filho Eterno (2016) de Paulo Machline no TV Brasil. Baseado no livro do Cristovão Tezza de mesmo Título. O filme é livremente inspirado nesse livro premiado. O protagonista é inspirado no próprio escritor que teve um filho com Síndrome de Down e muita dificuldade de aceitar. O pai com o nascimento do filho tem bloqueio criativo, então só a mãe trabalha e sustenta tudo.
O filme acentuou a irresponsabilidade masculina brasileira e machista. O pai até é um pouco colaborativo, mas quando quer. Some, passa noites fora, e a mulher que assume as finanças e o filho. Com poucos recursos, precisam se virar sozinhos.
O filme se distanciou um pouco do escritor, sim, o protagonista também é escritor, mas ficou mais distante do inspirado e até entendo, deve ser difícil expor uma pessoa em um filme como o Tezza se expôs no livro. Na obra o escritor é o próprio protagonista seria difícil um ator falar em nome de outro, mostrando a rejeição do outro. Distanciar um pouco facilita aceitar o filme.
Elenco: O pai é interpretado por Marcos Veras, a mãe por Débora Falabella. Várias crianças fazem o Fabrício, o mais velho é interpretado por Pedro Vinícius.
Redentor
3.2 174 Assista AgoraAssisti Redentor (2004) de Cláudio Torres no Tv Brasil. Eu tinha uma idéia muito diferente desse filme. Como o acusam de ser muito comercial e ser uma comédia, eu achava que era um filme leve, bobo, colorido e superficial. Achei um filme denso, escuro, dramático e surreal. Redentor é um bom filme, o que tem de melhor é o roteiro de Elena Soárez, Fernanda Torres e Cláudio Torres.
A trama é bastante complexa. Fala muito de corrupção. Nosso protagonista interpretado por Pedro Cardoso é inimigo do personagem do Miguel Falabella, que é um ricaço, às custas do povo, e seu pai acaba de morrer, eles estão cheios de dívidas e precisam dar o grande golpe. A família do personagem do Pedro Cardoso vive em dificuldades. Eles passaram a vida pagando por um belo apartamento do pai do Miguel Falabella que nunca puderam ocupar. Esses apartamentos nunca ficavam prontos e começavam outro empreendimento milionário. Os pedreiros que construíram o prédio inacabado resolvem invadir. Todos são vítimas desses corruptos, todos estão na mais absoluta miséria. É um filme trágico sobre essa corrupção desenfreada. O humor é muitas vezes negro.
O elenco é enorme. Ainda entre os principais estão: Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Camila Pitanga e Stênio Garcia. Depois uma lista interminável, alguns são: Enrique Diaz, Mauro Mendonça, Tony Tornado, Paulo Goulart, Tonico Pereira, José Wilker e Lúcio Mauro. Redentor ganhou Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Diretor.
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
4.1 3,2K Assista AgoraAssisti Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2013) de Daniel Ribeiro no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme, li muitos comentários favoráveis, infelizmente não consegui ver nos cinemas. Que filme lindo! É sobre adolescentes. Os protagonistas inicialmente são um garoto cego e sua melhor amiga. A mãe do garoto é muito controladora, sufoca o rapaz, tem dificuldade de deixá-lo ter mais liberdade. Chega então um colega novo na classe. E o trio se forma.
O garoto cego nunca beijou, quer que seja especial. Ele não percebe que a sua amiga está afim dele. É um filme sobre a descoberta do amor, do primeiro beijo, dos sentimentos. É um filme lindo demais, delicado demais. Os adolescentes estão ótimos: Ghilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim. O garoto sofre com colegas da classe que se aproveitam dele não enxergar para fazer maldades. Os pais são interpretados por Eucir de Souza e Lúcia Romano. A avó pela Selma Egrei.
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho resultou de um curta muito premiado no Brasil e no exterior. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ganhou Melhor Filme no Festival de Berlim.
Achados e Perdidos
2.9 78Assisti Achados e Perdidos (2006) de José Joffily no Canal Brasil. Eu quis muito ver esse filme quando esteve em cartaz nos cinemas, mas não consegui. Gosto muito desse diretor e os elogios a esse filme eram ótimos. E Achados e Perdidos é bárbaro! O roteiro é baseado em um livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza. É uma trama policial muito bem desenvolvida, com ótimo elenco. Começa com o assassinato de uma prostituta, interpretada pela ótima e bela Zezé Polessa. O maior suspeito é o seu amante, um ex-delegado, interpretado pelo excelente Antônio Fagundes. Junta-se a ele então a melhor amiga da morta, interpretada por outra bela e talentosa atriz, a Juliana Knust.
Começa então uma trama complexa, cheia de segredos, com vários momentos de lembranças do passado e flashs do que poderia ter acontecido. Nosso protagonista lembra muito pouco do que aconteceu e diz não saber nada sobre a morte de sua amada. A trilha sonora do André Abujamra também é bárbara. Além desses três atores, há outros do elenco, alguns em participação especial: Genézio de Barros, Malu Galli, Flávio Bauraqui, Roberto Bomtempo, Ricardo Blat e Hugo Carvana.
Achados e Perdidos ganhou 2 Lentes de Cristal no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, de Melhor Filme e Melhor Atriz (Zezé Polessa).
Música do post: Arnaldo Antunes - Consumado
Mussum, Um Filme do Cacildis
3.6 82 Assista AgoraAssisti ao documentário Mussum - Um Filme do Cacilds (2019) de Susanna Lira no Canal Brasil. Queria muito ver esse filme. Essa diretora vem despontando com ótimos filmes e esse não é diferente. Além de contar a história cativante de Mussum, falou de várias questões importantes como o negro na televisão. Lázaro Ramos faz a narração. Há animações, fotos, é muito dinâmico, interessante e ágil. Gostei demais!
A mãe de Mussum era doméstica. Quando estudava, Mussum, que ainda não se chamava Mussum, ensina a mãe a ler. Eu não sabia que Mussum tinha se formado mecânico. O documentário conta a carreira musical antes dos Originais do Samba. Nos grupos que participou viajou pelo mundo.
Depois falaram dos Trapalhões, a fase que mais conheço do Mussum. Dedé Santana conta que viu Mussum no show dos Originais do Samba e sugeriu que o convidassem. Mussum disse que não era comediante. Didi falou que escreveria pra ele falar, mas logo ele já se tornou esse grande comediante. Didi fala do sucesso com quatro protagonistas fora dos esteriótipos, mas o documentário faz críticas ao racismo do programa, embora não cite o machismo e as mulheres sempre como mercadoria. O doutor em comunicação Joel Zito Araújo faz as análises sobre o papel do negro na televisão, da pouca representatividade. Mussum foi casado, mas teve vários filhos com várias mulheres.
O documentário menciona também o sucesso dos filmes dos Trapalhões que até hoje estão entre os filmes mais vistos no cinema no Brasil.
Mussum: O Filmis
3.7 207 Assista AgoraAssisti Mussum, o filmis (2023) de Silvio Guindane no TelecinePlay. O ótimo roteiro é de Paulo Cursino. Eu demorei pra ver esse filme elogiadíssimo porque queria um tempo distante de quando vi o documentário que gostei muito. Interessante como os dois produtos se completam. O filme é incrível, direção excelente com um elenco inacreditável!
Mussum, na verdade Antonio Carlos, era muito ligado a mãe. São as cenas mais emocionantes do filme, tanto na infância como no final da vida dela. Antonio Carlos na infância é interpretado pelo ótimo Thawan Lucas. A mãe é a maravilhosa Cacá Protásio. Ela queria que o filho estudasse. Empregada doméstica, não podia levar seu filho ao trabalho, então ela consegue interná-lo em um colégio militar. Ela fazia questão que ele fosse um oficial e pegava no pé dele para que estudasse e fosse militar. Ele gostava de samba e ela dizia que não dava futuro. A cena emocionante é ele ensinando a mãe a escrever. Antonio Carlos era muito, mas muito estudioso.
A outra cena de ir às lágrimas é Mussum cuidando da mãe que estava doente. Amo demais Neusa Borges e que talento. Airton Graça faz Mussum adulto, que ator. Ele canta pra ela, mas ela pede pra ele cantar uma mais alegre e pede a que minha mãe amava e vivia cantando A Dona do Primeiro Andar. Me emocionei mais ainda. O filme termina após a morte da mãe. Nos créditos que contam que Mussum morreu aos 53 anos em uma cirurgia de transplante de coração.
O ótimo Yuri Marçal faz o Antonio Carlos intermediário. Nessa foto ele está com Elza Soares da incrível Larissa Luz, Garrincha é Wilson Simoninha. O filme é muito, mas muito musical. Não tinha ideia que Mussum levou por muito tempo em paralelo como integrante dos Originais do Samba e comediante. Até mesmo quando ele foi ser humorista em São Paulo, o grupo seguiu com ele e faziam shows na cidade. Como Mussum trabalhava.
Chega uma hora que ele ficava exausto, na época dos Trapalhões. Ele gravava praticamente todo dia e ia para os shows depois ou aos fins de semana. Só depois de muito jogo de cintura para manter os dois trabalhos é que finalmente ele larga o grupo de samba. Interpretaram os Trapalhões: Gero Camilo, Felipe Rocha e Gustavo Nader. Como humorista ele ganhava muito mais. Foi quando começou a ter uma vida mais confortável.
Mussum teve dois casamentos. Leny é interpretada por Jennifer Dias e Késia Estácio. Com Leny Mussum ficou 4 anos e teve um filho. Neila é Cinara Leal com quem ficou até o fim da vida, foram casados 22 anos e tiveram um filho. Ao todo Mussum teve 6 filhos. Mussunzinho faz uma participação no filme como Nilton da Mangueira.
A vida de Mussum foi muito rica, não faltaram personalidades no seu caminho. Cartola (Flávio Bauraqui), Jorge Ben Jor (Ícaro Silva), Boni (Augusto Madeira), Grande Otelo (Nando Cunha), Chico Anysio (Vanderlei Bernardino). Outros do elenco são Stepan Nercessian, Alan Rocha, Edimilson Barros, Sergio Loroza e Mary Sheila.
A Ilha da Fantasia
2.3 347 Assista AgoraAssisti Ilha da Fantasia (2020) de Jeff Wadlow no Cine Record. Eu estava ansiosa por ver esse filme. Amava a série que passa em alguns canais de vez em quando. Tinha vagamente ouvido que era de terror, mas tinha esquecido. E não é que o filme é de fantasminhas!!! Adorei!!!
A ideia básica está lá. Pessoas chegam na ilha paradisíaca de aviãozinho fofo e lá terão escolhido uma fantasia. Só pode ser uma fantasia. E cada um vai viver a sua história. O lado bucólico da da série desaparece, mas eu amei. E tem muitos momentos surpreendentes.
O anfitrião é interpretado por Michael Peña. A assistente é Pariza Fitz-Henley. Os participantes ganharam a viagem em sorteios.
As histórias vão se entrecruzando e os mistérios vão aparecendo. Muito bacana! Participam desse primeiro grupo: Lucy Hale, Maggie G., Portia Doubleday, Austin Stowell, Jimmy O. Hang e Ryan Hansen. Como são várias histórias aparecem outros atores: Robbie Jones, Mike Vogel, Kim Coates, Michael Rooker, Jeriya Ben, Ian Roberts, Goran D. Keut e Evan Evagora. Meio infame a piada do Tatto no final, Tatto era o assistente na ilha, mas engraçado de qualquer jeito. E deixa claro que terá continuação, curiosa.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraAssisti no GloboPlay Ainda Estou Aqui (2024) de Walter Salles. Finalmente consegui assistir! É tudo e mais um pouco do que dizem. Contido, sem melodrama, o filme causa um silêncio ensurdecedor!
O filme conta a história de Eunice Paiva. O roteiro se baseou no livro de seu filho, Marcelo Rubens Paiva. Ela era dona de casa, como ela mesmo dizia, cuidar de cinco filhos. Ela tinha uma funcionária que ajudava na casa. Uma belíssima casa a beira mar no Rio de Janeiro.
Gostei que o filme contextualiza a história da família. Rubens Paiva (Selton Mello) era -ex-deputado e engenheiro. Ele se debruçava na construção da casa da família. Calorosos, afetuosos, recebiam muito em casa. Essa foto é em uma das festas. A filha (Valentina Herzage) ia viver em Londres. Eles também adoravam tirar fotos, tinham uma caixa lotada delas. Interessante que no futuro, olhando as caixas, eles não lembram que dia foi esse, como acontece mesmo, já que eles viviam tirando fotos. Nesse período atuam Luiza Kosovski, Bárbara Luz, Pri Helena, Dan Stulbach, Humberto Carrão, Caio Horowicz, Augusto Trainotti, Carla Ribas, Maite Padilha, Charles Fricks, Thelmo Fernandes, Camila Márdila, Daniel Dantas, entre tantos outros.
Até que Rubens Paiva é levado pra depor. Ele vai no carro dele mesmo. Eles não conseguem saber quem o levou para depor. É quando o silêncio ensurdecedor se instala. Com crianças pequenas, Eunice escolhe o silêncio. Homens armados ficam alojados na casa dela, vários. Ela inventa uma história pros filhos. Dá muita angústia os filhos interagindo com os bandidos. A personalidade da Eunice era incrível. Ela oferece as refeições, eles dizem não precisar, mas ela faz questão. Ela não se intimida, pede que eles escondam as armas, fala que é uma casa de família.
Ela e a filha de 15 anos são levadas pra depor como em um sequestro, capuz preto, algemas. Desesperador a angústia de Eunice querendo saber da filha. A filha passa uma noite e é liberada. Nenhuma das duas são torturadas, o que normalmente acontecia. Ficar sozinha em uma sala fétida, sem banho, sem informação, sem direito a advogado, é uma tortura desesperadora. Nem assim Eunice se intimida. Ela pergunta sempre sobre o marido, sobre a filha e consegue de seu carcereiro a informação que a filha já foi pra casa. Imagine o desespero dessa mãe. Os filhos de uma hora pra outra ficaram sem os pais, só com a funcionária, sem ter notícias.
Ela começa a ter problemas financeiros. O marido desaparecido, nada pode-se mexer. E claro, os sequestradores negam que levaram o Rubens Paiva e que ele nunca mais saiu. Falam que ele fugiu com terroristas. Em um determinado momento, um conhecido em sigilo, conta que tiveram a informação que Rubens Paiva está morto. Ela começa a lutar pelo corpo como Zuzu Angel e para que o exército assuma o seu crime. Ela viu o carro do marido no pátio quando foi presa, consegue ir buscar, ela vai incomodando como pode. Diferente da Zuzu, ela não é assassinada para ficar calada. É nesse período que ficamos sabendo que aquela casa maravilhosa era alugada. Ela pega os cinco filhos e vai para São Paulo para a casa dos pais dela.
Eunice passa a trabalhar com tudo o que pode, traduções. Volta a estudar e se forma em advocacia aos 47 anos. Além de trabalhar pela liberação de presos políticos, informações sobre desaparecidos, ela se torna indigenista. No filme mostram uma palestra dela sobre a viagem que fez a floresta amazônica para denunciar os massacres indígenas na construção, muitas vezes irregular, da Transamazônica. Fernanda Torres está maravilhosa, que atriz! Mas eu concordo com a atriz em seus discursos, o filme só chegou onde está, pela Eunice, é a personalidade dela que espanta todos no filme. Corajosa, nunca calada, mas sempre estratégica na proteção dos seus.
Eunice Paiva levou 25 anos para receber o atestado de óbito de Rubens Paiva. Somente 25 anos depois que o exército admitiu ter torturado e assassinado Rubens Paiva. Ela sorri e fala que é estranho sorrir por um atestado de óbito e fala do sofrimento que é a família de um desaparecido. Quem já mexeu com inventário sabe muito bem o que ela estava falando. Sem falar na porta aberta de sentimentos com um desaparecido. Uma jornalista pergunta se não há questões importantes pra ser resolvidas para retomar ao passado. Eunice é rápida e categórica, não, enquanto os culpados não foram julgados e punidos por seus crimes, tudo pode acontecer novamente. Ao fundo está Marcelo Rubens Paiva, já escritor e autor do livro Feliz Ano Velho na época.
Eunice Paiva teve Alzheimer e ficou uns 15 anos com a doença. No final Fernanda Montenegro aparece como Eunice. Outros nesse elenco são Antonio Saboya, Maeve Jinkingis, Marjorie Estiano, Maria Manoella, Olivia Torres e Gabriela Carneiro da Cunha. A trilha sonora é incrível e tem no Spotify. A mais reverberada é a linda de Erasmo Carlos, as fotos originais: Eunice e Rubens Paiva. Essa foto foi feita para uma matéria da revista Manchete.
Venom
3.1 1,5K Assista AgoraAssisti Venon (2018) de Ruben Fleischer na ClaroTV e na Universal. Estavam elogiando muito o último, resolvi ver o primeiro. Comecei pela ClaroTV, mas a qualidade de imagem estava muito ruim. Aí achei na Universal. Não veio valor, a Universal tem alguns filmes gratuitos, espero que esse seja assim. Eu quis ver principalmente porque gosto muito do Tom Hardy. O personagem vem dos HQs.
Um cientista, Riz Ahmed, tem alienígenas em seu laboratório. Tom Hardy é jornalista e vai entrevistá-lo. O cientista descobre que o alienígena precisa de hospedeiro pra sobreviver na Terra. Ele começa a testar escondido em humanos, a maioria morre. Ele faz o que muitos pensam sobre pessoas descartáveis, pegam indigentes sem comunicar as pessoas, eles simplesmente desaparecem.
Dá pra imaginar que em algum momento o alienígena faz o jornalista de hospedeiro. E fica com ele já que há vários filmes na sequência. Eu gosto muito de filmes que falam de ciência. A ganância do empresário, realizar experimentos secretos, matar pessoas, indigentes, enfim, aborda uns temas urgentes.
Alguns outros do elenco são Michelle Williams, Melora Walters, Reid Scott e Jenny Slate.
Rede de Mentiras
3.4 310Assisti Rede de Mentiras (2008) de Ridley Scott na TCM. Estava com saudades de ver filmes na tv a cabo. Escolhi alguns pra distrair, comecei a ver esse e vi que não ia me distrair muito, mas curiosa, continuei. É um bom filme de ação, muito bem dirigido. É sobre os conflitos no Oriente Médio. Leonardo di Caprio interpreta um agente que está em Amã para investigações. Ele tem formas peculiares de trabalhar que incomodam muito os Estados Unidos. Ele faz alidos com pessoas igualmente perigosas. Em alguns momentos Rede de Mentiras é tolo e simplista, mas o argumento é bem arquitetado. Um fator interpressante, comentado por Ayaan Hirsi Ali no livro Infiel, é que apesar dos Estados Unidos terem tecnologia de ponta, eles não conseguem descobrir muitos ataques, já que os fundamentalistas se organizam de outras formas muito mais difíceis de serem descobertos como a fala, sem a tecnologia. Rede de Mentiras mostra ainda os Estados Unidos utilizando qualquer recurso para conseguir o que quer, mesmo abusando na violência, tortura e assassinatos.
Li que a atriz iraniana Golshifteh Farahani teve problemas com os fundamen-talistas islâmicos porque filma uma de suas cenas sem o véu e isso é considerado um desrespeito a Alá. É como nós aqui não utilizarmos uma parte da roupa e expormos o que aqui chamamos de partes íntimas. Realmente achei desnecessário expor a moça. Tudo o que li da religião, elas realmente não ficam sem o véu, até mesmo recebendo um homem em casa. Outro fator que estranhei é um discurso tolo do protagonista quando é preso pelo chefe terrorista. Entendi que ele sabia que ele tinha que fazer a gravação não valer, quebrar a artimanha terrorista, mas o discurso questionando alguns dogmas islâmicos foi tolo. Diferente dos Estados Unidos, que lutam por honra e pela pátria, os islâmicos lutam por sua fé, portanto todos os seus raciocínios são diferentes. Russell Crowne é o chefe do di Caprio. Alguns outros do elenco são: Mark Strong, Oscar Isaac, Ali Suliman e Alon Abutbul.
O Diabo que Conheces
2.9 3 Assista AgoraAssisti O Diabo Que Você Conhece (2022) de Charles Murray no MegaPix. Gostei muito! Foi uma grata surpresa. É um filme muito desconcertantes sobre lealdade, ética, família. Muito complexo!
Há uma reunião em família, todos os olhos estão voltados ao protagonista do ótimo Omar Epps. Ele está reconstruindo a sua vida. Está em tratamento nos alcóolicos anônimos, conseguiu um emprego de motorista e querem arrumar uma namorada pra ele, a Erica Tazel. Em todas as conversas, ele é o filho que deu trabalho, que errou. O irmão bebe demais, ele leva pra casa e vê um álbum de cartões raros e valiosos de jogos.
O protagonista vê uma matéria na televisão sobre uma família assassinada e há vídeo de lembrança do filho com o pai com o álbum de cartões. Ele procura o irmão que diz que os culpados são os amigos dele que deram o álbum pra ele cuidar. Ele pede pro irmão não contar nada pra polícia porque os amigos são barra pesada. O irmão é William Calett.
O irmão vai preso pra depor, o pai, Glynn Turman, passa mal, tem um infarto e é hospitalizado. A família pressiona o protagonista o tempo todo para que não faça nada que possa colocar a vida do pai em risco. Começa então um complexo filme sobre delação, ética, família.
O policial é Michael Ealy. Recomendo!!!
O Mundo Depois de Nós
3.2 990 Assista AgoraAssisti O Mundo Depois de Nós (2023) de Sam Smail na Netflix. Esse filme vem sendo bem elogiado. Gostei demais! É ficção científica, mas muito filosófico! O filme foi baseado no livro de Rumaan Alan que quero muito ler.
E é com a maravilhosa Julia Roberts. Ela é arrogante e resolve viajar com a família para uma casa luxuosa afastada que tem acesso a praia. Seguem então ela, o marido e seus dois filhos. Coisas estranhas começam a acontecer, então os proprietários da casa resolvem aparecer. A cidade teve apagão. Aparece na casa o pai e a filha. A mãe estaria voltando de avião naquele dia. Os embates entre eles são incríveis. Autoritária, a que alugou a casa quer o tempo todo que os proprietários não fiquem lá. Mahershala Ali, Ethan Hawke e Myha´La estão ótimos.
Parece que só a filha do casal percebe o que acontece. Ela que vê um navio vindo em direção deles, vê os cervos, ela que percebe que algo mais profundo está acontecendo. Todos a desacreditam. Ela é a ótima Farrah Mackenzie, o irmão mala é Charlie Evans.
Gostei do fechamento do filme. Todo o plano de governo era chegar ao momento que todos lutariam entre si. Com o egoísmo dos novos tempos, parece que não é difícil colocar uns contra os outros.
Era Uma Vez em Nova York
3.5 296 Assista AgoraAssisti A Imigrante (2013) de James Gray no Cinema na Madrugada BAND. É um bonito filme com uma estrutura bem convencional. Fala de imigração. O quanto o ser humano se acha dono de um pedaço de terra. Não imigrantes são só os nativos locais, os indígenas, o resto é tudo imigrante, tendo vindo pela colonização, ou para tentar uma vida melhor.
Começa com uma jovem polonesa tentando entrar nos Estados Unidos com sua irmã na década de 20, da primeira guerra. A irmã é detida porque está com tuberculose, a outra não consegue entrar e vai ser deportada, mas um homem a tira da fila e a leva pra uma casa onde vive uma mulher e uma filha.
As irmãs iriam pra casa dos tios, mas ele não aparece pra buscá-la e dizem que o endereço que ela tem não é válido. Para sobreviver e conseguir dinheiro pra tirar a irmã do hospital ela aceita se prostituir e passa a conviver com toda a marginalidade local. Marion Cottilard faz a polonesa, sua irmã é interpretada por outra linda e talentosa atriz, a Angela Sarafyan. O "protetor" é Joaquim Phoenix
Depois aparece o irmão do "protetor", Jeremy Renner.
Boca de Ouro
3.2 27 Assista AgoraAssisti Boca de Ouro (2019) de Daniel Filho no Globplay. Esse filme é muito elogiado, então quis assistir. Esse texto do Nelson Rodrigues é incrível. Faz tempo que vi a icônica adaptação da obra por Nelson Pereira dos Santos.
O elenco é incrível, todos arrasam! Marcos Palmeira é o Boca de Ouro. Lorena Comparato a Celeste e
Thiago Rodrigues, o marido. Começa com a morte do Boca de Ouro. O excelente Silvio Guindane é o jornalista que vai entrevistar a ex, a ótima Malu Mader, que voltou com seu marido, Guilherme Fontes. Hilário a "viúva" contando três versões da mesma história assim que os fatos mudam. A majestosa Léa Garcia faz uma participação. Ainda no elenco Karina Ramill, Raquel Fabbri, Edmilson Barros e Anselmo Vasconcelos.
As Palavras
3.6 668Assisti As Palavras (2012) de Brian Klugman e Lee Stherntal na Sessão Especial Band. Eu nunca tinha ouvido falar nesse filme. Começa com um homem indo em uma palestra ler seu livro. Confesso que nunca iria em um lugar ver um homem ler seu próprio livro. Para nós que estamos vendo o filme não é chato, porque começamos a ver imagens do que ele está lendo.
A história do livro é de um casal. Ele quer escrever mas depois não consegue que ninguém publique o seu livro. É bem interessante como o filme vai abrindo muitas janelas, tramas que se derivam de outras.
Esse homem acha um livro dentro de uma pasta que comprou em um antiquário e publica como se fosse seu. Faz muito sucesso e consegue publicar seus outros livros depois que não são tão bons, mas por ter se tornado famoso com o primeiro que não é dele, as pessoas leem os seguintes. Gostei muito que o filme fala muito sobre direitos autorais, sucesso, são muitas tramas e sub tramas. E que elenco incrível: Dennis Quaid, Bradley Cooper, Zoe Saldanha, Jeremy Irons, Ben Barnes, John Hannah, Olivia Wilde e Nora Arnezeder.
Uma Família Feliz
3.2 199Assisti Uma Família Feliz (2022) de José Eduardo Belmonte no Telecine Premium. O roteiro de Raphael Montes é inacreditável! Que filme desconcertante! A direção criou tanta tensão que o filme é praticamente de terror. Eu vi sem ler nada, só sabia que não era uma família feliz.
Começa com a personagem da Grazi Massafera enterrando uma criança, pegando o carro com outra e provocando intencionalmente um acidente. O filme vai para o passado e vamos tentando entender o que aconteceu. Grazi está impressionante! Que atriz! O personagem dela é muito, mas muito complexo. Reynaldo Gianecchini é o pai dedicado. E como é grosseiro com a esposa. Ele não perde um momento que seja pra diminuí-la.
Pra piorar ela engravida e tem um bebê. Como toda mãe nessa situação, ela está sempre sonada. E a mãe parece que tem depressão pós-parto, mas ninguém parece pensar ou conversar sobre isso. Eles tem uma vida bem confortável. A mansão é belíssima! Mas o pai o tempo todo diz que não é possível contratar ajuda e sugere que a esposa largue o trabalho dela. Ela é artesã, faz bonecas que parecem bebês de verdade, é reconhecida, já teve matérias sobre o trabalho, mas ele diz que ela fica brincando de boneca. Reynaldo Gianecchini também está ótimo. O bebê e a filha aparecem machucados, a irmã diz que foi a mãe, começa então o inferno dessa mãe, mas a gente não sabe em quem acreditar. A mãe começa a desconfiar do marido.
A inabilidade dessa família pra lidar com os conflitos é irritante. Primeiro porque antes mesmo do bebê nascer, uma das filhas já tinha uma grave doença. E ninguém faz tratamento com terapeutas, nem as filhas, nem os pais, pra lidar com a doença. Então quando a violência aparece na família, há silêncios, falta de diálogo. É um horror! As meninas são Luiza Antunes e Juliana Bim. A vizinhança também é pavorosa. Mesmo sabendo que há crianças na casa, não pensam duas vezes em provocar violências com a família e vulnerabilizar ainda mais os filhos. Que filme!