"Thy Neighbor" (2018) tenta trilhar o caminho do suspense psicológico focado em paranoia e vizinhança — uma fórmula clássica do cinema —, mas adiciona uma camada de drama de fé e dilemas morais por trás da trama de mistério.
A premissa do pastor que se muda com a família e começa a desconfiar do novo vizinho é interessante e consegue prender a atenção nos primeiros dois atos, criando uma atmosfera razoável de desconfiança.
No entanto, por ser uma produção independente de baixo orçamento, o ritmo às vezes desliza e as atuações carecem de um pouco mais de peso dramático para sustentar a tensão que o roteiro exige. Não é um suspense revolucionário e o tom moralista pode incomodar quem espera algo mais visceral, mas funciona como um passatempo honesto para quem gosta de mistérios de comunidade.
"Mais Que Vencedores" segue a fórmula de sucesso dos irmãos Kendrick: uma produção tecnicamente bem cuidada com uma mensagem central poderosa. O filme acerta ao não focar apenas no esporte em si, mas em usar o cross country como metáfora para a jornada espiritual e a busca pela identidade.
O ponto alto é a construção da relação entre o treinador John Harrison e a jovem Hannah. O roteiro questiona o espectador sobre onde ele deposita seu valor próprio — no trabalho, nos bens ou em algo maior? Embora tenha o tom didático típico do cinema cristão, a atuação sensível de Aryn Wright-Thompson e as reviravoltas emocionais entregam uma experiência inspiradora que cumpre muito bem o que promete. Um drama para quem busca motivação e reflexão sobre perdão.
Assistido em 09/05/2026 no Super Tela (Record TV).
"Horas de Desespero" (No Escape), lançado em 2015, é um thriller de sobrevivência que coloca Owen Wilson em um papel dramático e físico pouco comum em sua carreira. Pierce Brosnan também atua nesse filme.
Diferente de suas comédias habituais, Owen Wilson entrega uma performance angustiante como um pai comum em uma situação extraordinária. O filme não perde tempo com introduções longas e mergulha o espectador em uma fuga desesperada e claustrofóbica. Destaque para a cena do telhado, que é de tirar o fôlego. Embora flerte com alguns clichês de gênero, a direção de John Erick Dowdle mantém um ritmo frenético que faz você segurar o fôlego até os créditos finais.
É literalmente triste sentir o descaso das políticas governamentais com a preservação da nossa filmografia nacional. "O Cangaceiro" (1953) é uma obra que necessita encarecidamente de restauração, pois as cópias disponíveis em domínio público na internet apresentam imagens um tanto precárias.
Afora esse detalhe, é maravilhoso rever em cena o trio Marisa Prado, Alberto Ruschel e Milton Ribeiro, ladeado por um competente elenco de apoio. A primeira vez que vi este clássico foi no extinto Cine Brasil (TV Cultura), na década de 80.
Produzido em preto e branco pela também extinta Companhia Cinematográfica Vera Cruz, este filme antológico ganhou a Palma de Ouro em Cannes como "Melhor Filme de Aventura" — e com todo o merecimento!
"O Pistoleiro e a Bela Aventureira" (Heller in Pink Tights, 1960), dirigido pelo renomado George Cukor, é um faroeste de aventura baseado no romance Heller with a Gun, de Louis L'Amour.
O longa traz como protagonistas a icônica Sophia Loren, no papel de Angela Rossini, e Anthony Quinn, como Thomas "Tom" Healy.
No Brasil, o filme também é conhecido pelo título alternativo "Jogadora Infernal".
Sophia, como de costume, esbanja charme e beleza, mas o filme não chega a empolgar. A trama mirabolante tenta mesclar lances cômicos com cenas dosadas de romance e ação, sem muito sucesso.
Conferido via YouTube em 06/05/2026, com áudio e trilha originais.
De curta duração, o filme Nevada (1944), estrelado por Robert Mitchum, é considerado significativamente diferente da trama original do romance de Zane Grey, publicado em 1928.
Embora a produção mantenha alguns nomes de personagens, altera drasticamente o enredo e a natureza do conflito. A trama do filme segue o formato "western B".
Nota-se que, fora o uso dos nomes dos personagens, não há quase nenhuma semelhança entre as duas histórias, sendo o filme uma produção de baixo orçamento da RKO que utilizou o título famoso apenas para marketing. Infelizmente, para os fãs mais puristas de Zane Grey, não existe uma adaptação cinematográfica de Nevada que seja 100% fiel às centenas de páginas e à profundidade psicológica da obra de 1928.
De qualquer forma, recomendo conferir as versões em preto e branco de 1927, estrelada por Gary Cooper, e a de 1935, com Buster Crabbe. Ambas também estão disponíveis com áudio e trilha originais no YouTube.
Embora não tenha sido seu primeiro filme, Nevada (1944) é um marco fundamental na carreira de Robert Mitchum por marcar seu primeiro papel como protagonista. Ele foi contratado pela RKO Radio Pictures para substituir o ator Tim Holt, que havia se alistado nas Forças Armadas para lutar na Segunda Guerra Mundial.
Confesso que Robert Mitchum não me convenceu como Nevada; sua caracterização e a do próprio personagem estão muito distantes da descrição icônica feita por Zane Grey.
"A Ilha dos Homens-Peixe" (L'isola degli uomini pesce) é um clássico cult italiano de 1979, dirigido por Sergio Martino. O filme mistura aventura, terror e ficção científica, sendo muito lembrado no Brasil por suas exibições na televisão aberta nas décadas de 80 e 90, especialmente em programas como o Cine Trash (TV Bandeirantes) e a Sessão das Dez (SBT).
A trama é fortemente inspirada no livro "A Ilha do Dr. Moreau", de H.G. Wells, e nos contos de H.P. Lovecraft.
Este longa-metragem marcou a primeira grande adaptação do icônico pássaro para o formato live-action.
É uma pena que o filme seja "vazio" e o roteiro, "artificial", com piadas de gosto duvidoso (como o humor escatológico). Além disso, a interação entre o pássaro em CGI e os atores reais é pobre e desencontrada.
Uma queixa comum — e justa — é que o Pica-Pau perdeu seu espírito satírico e "biruta" para se tornar um herói bonzinho que faz amizade com crianças, o que não faz jus ao material original.
Ponto Positivo: A atuação de Thaila Ayala é um dos poucos destaques, entregando uma vilã caricata de forma eficaz.
Veredito: O desenho clássico é infinitamente melhor. Minha nota para essa animação digital é apenas uma estrela e ponto final.
"O Diabo Veste Prada" é um ícone da cultura pop que começou como livro (2003) e se tornou este filme aclamado. A trama de Andy Sachs como assistente da implacável Miranda Priestly nunca envelhece. O elenco — Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci — está impecável.
É fascinante como a obra discute as pressões do mercado de trabalho e os sacrifícios pela carreira, tudo sob o pano de fundo da alta costura (inspirado na vivência da autora com Anna Wintour). Sem sombra de dúvida, um dos maiores clássicos da "nova geração" da Sessão da Tarde. Adoro rever!
"Drácula: Morto, mas Feliz" (Dracula: Dead and Loving It) é uma comédia satírica de 1995 dirigida pelo lendário Mel Brooks. O filme é uma paródia escrachada do romance clássico de Bram Stoker e, principalmente, da adaptação cinematográfica de 1992 dirigida por Francis Ford Coppola.
Leslie Nielsen entrega uma de suas atuações cômicas icônicas como o Conde Drácula, utilizando o estilo de humor "pastelão" e inexpressivo que o consagrou em filmes como Corra que a Polícia Vem Aí!.
Mel Brooks também atua no filme como o caçador de vampiros Van Helsing. O elenco conta ainda com Peter MacNicol (interpretando um hilário Renfield comedor de insetos), Steven Weber e Amy Yasbeck.
Estilo: O filme satiriza não apenas o Drácula de Coppola, mas também os clássicos da produtora Hammer e a versão de 1931 com Bela Lugosi. Cenas memoráveis incluem a sombra do Drácula agindo por conta própria e o excesso de sangue em cenas de estacas no coração.
"Os Inventores" é um drama biográfico contemporâneo baseado em uma história real de superação.
A trama acompanha quatro estudantes hispânicos de uma escola pública no Arizona que, sem recursos e utilizando peças de sucata — como motores de bomba baratos e até absorventes internos para vedação —, formam um clube de robótica.
O elenco estelar conta com George Lopez, Jamie Lee Curtis e Marisa Tomei, entre outros.
"Lagoa Azul: O Despertar" (Blue Lagoon: The Awakening) é um telefilme de 2012 que funciona como uma releitura moderna do clássico cult de 1980. Diferente do original, a trama se passa nos dias atuais e foca em dois adolescentes que se perdem em uma ilha deserta após um acidente durante uma excursão escolar no Caribe.
O filme conta com Indiana Evans (Emma) e Brenton Thwaites (Dean) como protagonistas.
Curiosidade: o ator Christopher Atkins, que interpretou Richard no longa de 1980, faz uma participação especial como um dos professores.
No contexto geral, é uma verdadeira "bomba" teen cinematográfica. Dou uma estrela apenas pela ambientação paradisíaca das filmagens.
"Os Três Mosqueteiros" (1948) é uma das adaptações mais famosas do clássico de Alexandre Dumas, produzida pela MGM em Technicolor. O filme é conhecido por sua energia vibrante e pelas coreografias de luta acrobáticas, que remetem aos números de dança de seu protagonista, Gene Kelly.
Kelly utilizou suas habilidades de dançarino para criar combates de espada altamente atléticos. Maior bilheteria da MGM em 1948, a produção se destaca pelo figurino luxuoso de Walter Plunkett e pelo uso vibrante das cores.
Lana Turner, Vincent Price, Van Heflin, June Allyson e Angela Lansbury completam o competente elenco de apoio. A direção fica a cargo do eficiente George Sidney.
Embora seja considerada uma das adaptações mais fiéis em termos de "espírito" e aventura, a MGM fez mudanças pontuais para adequar a trama ao Código de Ética de Hollywood da época.
Para os saudosistas, este clássico marcou época em exibições na TV aberta pelas extintas sessões Classe A (Globo) e Primeira Classe (TV Manchete) na década de 80.
"Escravos do Amor das Amazonas" (Love Slaves of the Amazons, 1957) é um raríssimo filme de aventura dirigido por Curt Siodmak e estrelado por Don Taylor (o mesmo de "A Espada de Robin Hood"). A obra está disponível no YouTube com áudio e trilha originais.
Produção no Brasil: O diretor Curt Siodmak aproveitou sobras de película de um projeto anterior para rodar este longa rapidamente em Belém (Pará) e arredores. O uso da Amazônia real como locação confere ao filme um valor visual autêntico, apesar do orçamento modesto. Além de Taylor, o elenco destaca a atriz brasileira Ana Maria Nabuco no papel da Rainha Conori.
Considerado um clássico dos filmes "B" dos anos 50, a produção mistura aventura com momentos de humor involuntário — como as Amazonas pintadas de verde e números musicais exóticos. Críticos modernos notam que esses elementos podem ter influenciado desde a estética de Star Trek até a franquia Indiana Jones.
No contexto geral, o filme peca pela falta de um argumento sólido para o desenvolvimento da trama, o que compromete o resultado final. As cenas de luta e ação são amadoras e chegam a ser risíveis, beirando a mediocridade técnica.
Em resumo: é uma curiosidade histórica que vale mais pelo registro da Amazônia e pela presença de Ana Maria Nabuco do que pelo entretenimento em si. Como cinema de aventura, é datado, mal executado e visualmente pobre, testando a paciência até do espectador mais nostálgico.
"A Espada de Robin Hood" (título original: The Men of Sherwood Forest) é um filme britânico de aventura lançado em 1954 e dirigido por Val Guest.
A produção é notável por ser o primeiro longa-metragem colorido da famosa produtora Hammer Films. Na trama, o herói de Sherwood é interpretado por Don Taylor.
Ambientada em 1194, a história foca no plano de Robin Hood para resgatar o Rei Ricardo Coração de Leão — feito prisioneiro na Alemanha ao retornar das Cruzadas —, enquanto seu irmão, o Príncipe João, trama para usurpar o trono.
Curiosidade sobre o título: Embora o título em português mencione "A Espada", o original foca no grupo (The Men). É comum a confusão com outro filme da Hammer, Sword of Sherwood Forest (1960), este sim traduzido como "A Espada da Floresta de Sherwood" e estrelado por Richard Greene.
Na década de 80, este clássico foi presença garantida na extinta sessão dominical Matinê Aventura, da TV Cultura; já nos anos 90, marcou época no Cine Aventura, da Record TV.
Terence Hill foi um ícone do humor e da comédia pastelão; neste thriller de ação policial, o ator se destaca ao lado do veterano Ernest Borgnine.
Dirigido por Sergio Corbucci, o enredo mescla elementos de fantasia e aventura, garantindo ao espectador boas risadas com as performances hilárias da dupla.
A beldade Debra Paget foi uma das musas mais conhecidas da era de ouro do cinema estadunidense, e é sempre prazeroso revê-la neste exótico "A Princesa do Nilo", um típico épico de aventura capa e espada dos anos 50.
Debra e Jeffrey Hunter, outrora galã das matinês, formam o par romântico principal na trama baseada em um conto de "As Mil e Uma Noites".
É um filme simples, feito sob medida para entreter, e que ainda funciona como um divertido passatempo.
"A Princesa do Nilo" teve suas exibições na antológica Sessão da Tarde, nos bons tempos do Corujão e no Cine Aventura (Record).
Entre o final da década de 70 e meados dos 80, a TV Gazeta de São Paulo era um reduto de filmes que não passavam em nenhum outro lugar — muitas vezes, produções "B" de aventura ou suspenses europeus que acabavam virando cult justamente pela exclusividade das exibições. Foi pela Gazeta, inclusive, que vi este filme pela primeira vez em pleno horário nobre. Além dela, o SBT também chegou a reprisar esta obra na extinta Sessão Longa Metragem Legendada.
Embora seja uma produção modesta se comparada aos gigantes coloridos de 1959, "The Golden Astrolabe" preserva aquele charme ingênuo das aventuras marítimas do pós-guerra. O filme é um exemplo típico do cinema de exploração que dominava as matinês, focado na busca por relíquias perdidas e segredos astronômicos.
A trama, que bebe diretamente da fonte do romance de William A. Bryce e H. De Vere Stacpoole, nos transporta para uma caça ao tesouro onde o item místico — o tal astrolábio — é muito mais que um objeto de ouro: é a chave para uma rota de navegação esquecida.
Para quem cresceu assistindo a clássicos de piratas e exploradores na TV aberta, o filme evoca uma nostalgia imediata. Mesmo com limitações técnicas e um ritmo mais lento para os padrões atuais, a obra entrega uma jornada de época honesta, com cenários que hoje parecem teatrais, mas mantêm sua dignidade cinematográfica.
Pela raridade e pelo valor histórico no gênero de aventura, vale 3 estrelas.
Obs: Em abril de 2023, consegui rever este filme em uma cópia disponível no Ok.ru. Mesmo com a imagem precária, foi uma satisfação reencontrá-lo, embora, estranhamente, tenha sido removido da plataforma pouco tempo depois. Hoje, segue difícil localizar cópias em acervos digitais.
Embora conte com um elenco de peso, o filme é frequentemente lembrado por seus efeitos especiais, que não envelheceram bem para os padrões atuais. Mesmo assim, o entretenimento continua garantido para quem curte o gênero "cinema catástrofe" dos anos 70.
"Meteoro" tornou-se um filme cult, com roteiro inspirado em um estudo realizado no MIT em 1967 sobre como defender a Terra de um impacto real.
Este thriller de ficção científica, dirigido por Ronald Neame, teve exibições marcantes nos bons tempos do SuperCine, na antológica Sessão da Tarde e no Cinema em Casa (SBT).
'Proibido Proibir' é um típico drama brasileiro de 2007. Dirigido pelo chileno radicado no Brasil Jorge Durán, a obra explora as contradições sociais e a violência urbana no Rio de Janeiro sob a perspectiva de três jovens universitários.
No elenco principal, destacam-se Caio Blat, Maria Flor e Alexandre Rodrigues. O trio entrega ótimas performances e a trilha sonora é um show à parte. No contexto geral, trata-se de um excelente exemplar do cinema nacional.
Reassistido em 04/04/2026 no Super Tela (Record TV).
"Até o Último Homem" (Hacksaw Ridge) é um drama de guerra biográfico de 2016 que narra a extraordinária história real de Desmond Doss, um médico de combate do exército americano que se recusou a portar armas durante a Segunda Guerra Mundial. O longa traz Andrew Garfield no papel principal, acompanhado por um competente elenco de apoio.
Tocante, dramático e inspirador, o filme é uma obra visceral que equilibra dois extremos: a convicção espiritual inabalável e a brutalidade gráfica do conflito. Mel Gibson utiliza sua direção característica para criar um contraste gritante entre a paz interior de Doss e o caos absoluto do campo de batalha.
Andrew Garfield entrega uma atuação que mescla doçura e uma resiliência de ferro. O espectador acredita em sua recusa em tocar em uma arma — não por covardia, mas por um código moral profundo.
É uma obra poderosa sobre a força da fé, seja ela religiosa ou baseada em princípios. O roteiro prova que a coragem não está necessariamente ligada à capacidade de exercer violência, mas sim ao sacrifício pessoal para preservar a vida.
Indispensável para quem busca dramas históricos e cinema de ação de alto nível, o filme recebeu seis indicações ao Oscar, vencendo nas categorias de Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição.
Disponível no Ok.ru em Technicolor e áudio original.
Lançado originalmente com o título Jivaro, este filme de aventura da Paramount Pictures é um exemplar vibrante do cinema de exploração dos anos 50. Trata-se de uma produção bem mais polida tecnicamente que a média do gênero na época.
O longa é estrelado pelo galã argentino Fernando Lamas e pela "Rainha do Technicolor", Rhonda Fleming. A trama acompanha Alice Parker (Fleming) em uma busca desesperada por seu noivo, um engenheiro alcoólatra perdido na selva amazônica enquanto caçava um tesouro lendário dos índios Jívaro. No caminho, ela acaba unindo forças com o rústico dono de um posto comercial, Rio Galdez (Lamas).
Um detalhe técnico curioso é que o filme foi rodado originalmente em 3D, embora tenha chegado à maioria dos cinemas em 2D devido ao declínio da tecnologia na época. O uso das cores é o ponto alto, ressaltando o exotismo (ainda que de estúdio) da floresta e o carisma do elenco, que conta ainda com os jovens Brian Keith e Rita Moreno.
A produção entrega exatamente o que se espera de um "filme de selva" daquela década: perigos tribais, romances improváveis e uma busca frenética por ouro. Por ser superior ao padrão dos seriados da época, garante uma experiência de nível "4 estrelas" — um entretenimento sólido para quem aprecia o gênero.
Este clássico, que já foi exibido nos anos 90 pela TV Record no Cine Aventura, continua sendo um prazer para o espectador, especialmente pela presença da beldade ruiva Rhonda Fleming e de Rita Moreno, que também não fica atrás.
Conferido via Youtube em 02/04/2026, com áudio e trilha originais.
"Desert Command" é um filme de aventura em preto e branco lançado em 1946 e estrelado por John Wayne. Trata-se de um dos trabalhos menos conhecidos do ator.
Na verdade, esta produção rara não é um filme original daquele ano, mas sim uma versão editada e compactada do seriado de 12 capítulos The Three Musketeers, lançado originalmente em 1933. A Favorite Films Corporation reuniu as principais partes do seriado para criar um longa-metragem de aproximadamente 70 minutos, visando capitalizar sobre o estrelato de Wayne na época.
Críticos e espectadores costumam notar que a obra possui uma edição "truncada" ou "confusa", reflexo da tentativa de condensar horas de material em um único filme curto. A qualidade técnica também evidencia a defasagem das filmagens de 1933 em comparação aos padrões de 1946.
No elenco principal, além de John Wayne, figuram Lon Chaney Jr. (creditado como Creighton Chaney), Ruth Hall, Jack Mulhall, Raymond Hatton e Francis X. Bushman Jr.
Recordo-me de tê-lo assistido pela primeira vez em meados de 2003, durante as madrugadas da TV aberta pela Rede NGT.
Trata-se de uma produção regular, de nível "3 estrelas". Nada excepcional.
Reassistido em 02/04/2026 via Youtube, com áudio e trilha originais.
"Wild in the Sky" (também conhecido pelos títulos alternativos Bless the Bomb, Black Jack ou God Bless the Bomb) é uma comédia de ação satírica americana lançada em março de 1972. Dirigido por William T. Naud, o longa-metragem aborda temas anti-guerra e a contracultura da era da Guerra do Vietnã.
O filme é frequentemente comparado a "Dr. Strangelove" por sua abordagem de "comédia nuclear", embora críticos da época e retrospectivos o considerem menos consistente e mais voltado para o pastelão do que para a sátira refinada. Curiosamente, sua estreia nos Estados Unidos ocorreu no mesmo dia que a de "O Poderoso Chefão".
Brandon deWilde interpreta Josh na trama; este foi seu último papel no cinema antes de falecer em um acidente de carro, em julho de 1972.
Emby Mellay, que viveu Melissa no thriller de terror "O Toque de Satã" (1971), faz uma ponta ao lado de deWilde, embora não tenha sido creditada neste raro filme de 1972.
Assisti à título de curiosidade e confesso que não deu para curtir. Razoável apenas.
Meu Novo Vizinho
3.0 1Assistido via Youtube em 12/05/2026.
"Thy Neighbor" (2018) tenta trilhar o caminho do suspense psicológico focado em paranoia e vizinhança — uma fórmula clássica do cinema —, mas adiciona uma camada de drama de fé e dilemas morais por trás da trama de mistério.
A premissa do pastor que se muda com a família e começa a desconfiar do novo vizinho é interessante e consegue prender a atenção nos primeiros dois atos, criando uma atmosfera razoável de desconfiança.
No entanto, por ser uma produção independente de baixo orçamento, o ritmo às vezes desliza e as atuações carecem de um pouco mais de peso dramático para sustentar a tensão que o roteiro exige. Não é um suspense revolucionário e o tom moralista pode incomodar quem espera algo mais visceral, mas funciona como um passatempo honesto para quem gosta de mistérios de comunidade.
Na minha modesta avaliação: 3 estrelas.
Mais Que Vencedores
3.7 39 Assista AgoraAssistido em 11/05/2026 na Sessão da Tarde.
"Mais Que Vencedores" segue a fórmula de sucesso dos irmãos Kendrick: uma produção tecnicamente bem cuidada com uma mensagem central poderosa. O filme acerta ao não focar apenas no esporte em si, mas em usar o cross country como metáfora para a jornada espiritual e a busca pela identidade.
O ponto alto é a construção da relação entre o treinador John Harrison e a jovem Hannah. O roteiro questiona o espectador sobre onde ele deposita seu valor próprio — no trabalho, nos bens ou em algo maior? Embora tenha o tom didático típico do cinema cristão, a atuação sensível de Aryn Wright-Thompson e as reviravoltas emocionais entregam uma experiência inspiradora que cumpre muito bem o que promete. Um drama para quem busca motivação e reflexão sobre perdão.
Belo filme!
Horas de Desespero
3.5 471 Assista AgoraAssistido em 09/05/2026 no Super Tela (Record TV).
"Horas de Desespero" (No Escape), lançado em 2015, é um thriller de sobrevivência que coloca Owen Wilson em um papel dramático e físico pouco comum em sua carreira. Pierce Brosnan também atua nesse filme.
Diferente de suas comédias habituais, Owen Wilson entrega uma performance angustiante como um pai comum em uma situação extraordinária. O filme não perde tempo com introduções longas e mergulha o espectador em uma fuga desesperada e claustrofóbica. Destaque para a cena do telhado, que é de tirar o fôlego. Embora flerte com alguns clichês de gênero, a direção de John Erick Dowdle mantém um ritmo frenético que faz você segurar o fôlego até os créditos finais.
O Cangaceiro
3.8 85Reassistido via YouTube em 08/05/2026.
É literalmente triste sentir o descaso das políticas governamentais com a preservação da nossa filmografia nacional. "O Cangaceiro" (1953) é uma obra que necessita encarecidamente de restauração, pois as cópias disponíveis em domínio público na internet apresentam imagens um tanto precárias.
Afora esse detalhe, é maravilhoso rever em cena o trio Marisa Prado, Alberto Ruschel e Milton Ribeiro, ladeado por um competente elenco de apoio. A primeira vez que vi este clássico foi no extinto Cine Brasil (TV Cultura), na década de 80.
Produzido em preto e branco pela também extinta Companhia Cinematográfica Vera Cruz, este filme antológico ganhou a Palma de Ouro em Cannes como "Melhor Filme de Aventura" — e com todo o merecimento!
Pela gloriosa nostalgia, 5 estrelas.
O Pistoleiro e a Bela Aventureira
3.1 5Assistido via Youtube em 08/05/2026.
"O Pistoleiro e a Bela Aventureira" (Heller in Pink Tights, 1960), dirigido pelo renomado George Cukor, é um faroeste de aventura baseado no romance Heller with a Gun, de Louis L'Amour.
O longa traz como protagonistas a icônica Sophia Loren, no papel de Angela Rossini, e Anthony Quinn, como Thomas "Tom" Healy.
No Brasil, o filme também é conhecido pelo título alternativo "Jogadora Infernal".
Sophia, como de costume, esbanja charme e beleza, mas o filme não chega a empolgar. A trama mirabolante tenta mesclar lances cômicos com cenas dosadas de romance e ação, sem muito sucesso.
Pela nostalgia, 3 estrelas.
Nevada
3.1 2Conferido via YouTube em 06/05/2026, com áudio e trilha originais.
De curta duração, o filme Nevada (1944), estrelado por Robert Mitchum, é considerado significativamente diferente da trama original do romance de Zane Grey, publicado em 1928.
Embora a produção mantenha alguns nomes de personagens, altera drasticamente o enredo e a natureza do conflito. A trama do filme segue o formato "western B".
Nota-se que, fora o uso dos nomes dos personagens, não há quase nenhuma semelhança entre as duas histórias, sendo o filme uma produção de baixo orçamento da RKO que utilizou o título famoso apenas para marketing. Infelizmente, para os fãs mais puristas de Zane Grey, não existe uma adaptação cinematográfica de Nevada que seja 100% fiel às centenas de páginas e à profundidade psicológica da obra de 1928.
De qualquer forma, recomendo conferir as versões em preto e branco de 1927, estrelada por Gary Cooper, e a de 1935, com Buster Crabbe. Ambas também estão disponíveis com áudio e trilha originais no YouTube.
Embora não tenha sido seu primeiro filme, Nevada (1944) é um marco fundamental na carreira de Robert Mitchum por marcar seu primeiro papel como protagonista. Ele foi contratado pela RKO Radio Pictures para substituir o ator Tim Holt, que havia se alistado nas Forças Armadas para lutar na Segunda Guerra Mundial.
Confesso que Robert Mitchum não me convenceu como Nevada; sua caracterização e a do próprio personagem estão muito distantes da descrição icônica feita por Zane Grey.
Pela nostalgia? 3 estrelas.
A Ilha dos Homens-Peixe
3.2 39Reassistido via Youtube em 04/05/2026.
"A Ilha dos Homens-Peixe" (L'isola degli uomini pesce) é um clássico cult italiano de 1979, dirigido por Sergio Martino. O filme mistura aventura, terror e ficção científica, sendo muito lembrado no Brasil por suas exibições na televisão aberta nas décadas de 80 e 90, especialmente em programas como o Cine Trash (TV Bandeirantes) e a Sessão das Dez (SBT).
A trama é fortemente inspirada no livro "A Ilha do Dr. Moreau", de H.G. Wells, e nos contos de H.P. Lovecraft.
Pela nostalgia: 3 estrelas.
Pica-Pau: O Filme
2.5 197 Assista AgoraAssistido em 01/05/2026 na Sessão da Tarde.
Este longa-metragem marcou a primeira grande adaptação do icônico pássaro para o formato live-action.
É uma pena que o filme seja "vazio" e o roteiro, "artificial", com piadas de gosto duvidoso (como o humor escatológico). Além disso, a interação entre o pássaro em CGI e os atores reais é pobre e desencontrada.
Uma queixa comum — e justa — é que o Pica-Pau perdeu seu espírito satírico e "biruta" para se tornar um herói bonzinho que faz amizade com crianças, o que não faz jus ao material original.
Ponto Positivo: A atuação de Thaila Ayala é um dos poucos destaques, entregando uma vilã caricata de forma eficaz.
Veredito: O desenho clássico é infinitamente melhor. Minha nota para essa animação digital é apenas uma estrela e ponto final.
O Diabo Veste Prada
3.8 2,5K Assista AgoraReassistido em 30/04/2026 na Sessão da Tarde.
"O Diabo Veste Prada" é um ícone da cultura pop que começou como livro (2003) e se tornou este filme aclamado. A trama de Andy Sachs como assistente da implacável Miranda Priestly nunca envelhece. O elenco — Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci — está impecável.
É fascinante como a obra discute as pressões do mercado de trabalho e os sacrifícios pela carreira, tudo sob o pano de fundo da alta costura (inspirado na vivência da autora com Anna Wintour). Sem sombra de dúvida, um dos maiores clássicos da "nova geração" da Sessão da Tarde. Adoro rever!
Drácula: Morto mas Feliz
3.2 219Reassistido via Youtube em 23/04/2026.
"Drácula: Morto, mas Feliz" (Dracula: Dead and Loving It) é uma comédia satírica de 1995 dirigida pelo lendário Mel Brooks. O filme é uma paródia escrachada do romance clássico de Bram Stoker e, principalmente, da adaptação cinematográfica de 1992 dirigida por Francis Ford Coppola.
Leslie Nielsen entrega uma de suas atuações cômicas icônicas como o Conde Drácula, utilizando o estilo de humor "pastelão" e inexpressivo que o consagrou em filmes como Corra que a Polícia Vem Aí!.
Mel Brooks também atua no filme como o caçador de vampiros Van Helsing. O elenco conta ainda com Peter MacNicol (interpretando um hilário Renfield comedor de insetos), Steven Weber e Amy Yasbeck.
Estilo: O filme satiriza não apenas o Drácula de Coppola, mas também os clássicos da produtora Hammer e a versão de 1931 com Bela Lugosi. Cenas memoráveis incluem a sombra do Drácula agindo por conta própria e o excesso de sangue em cenas de estacas no coração.
Diversão garantida!
Os Inventores
3.9 23Conferido em 23/04/2026 na Sessão da Tarde.
"Os Inventores" é um drama biográfico contemporâneo baseado em uma história real de superação.
A trama acompanha quatro estudantes hispânicos de uma escola pública no Arizona que, sem recursos e utilizando peças de sucata — como motores de bomba baratos e até absorventes internos para vedação —, formam um clube de robótica.
O elenco estelar conta com George Lopez, Jamie Lee Curtis e Marisa Tomei, entre outros.
Gostei muito da proposta.
Lagoa Azul: O Despertar
2.2 321 Assista AgoraConferido em 18/04/2026 no Cinema em Casa (SBT).
"Lagoa Azul: O Despertar" (Blue Lagoon: The Awakening) é um telefilme de 2012 que funciona como uma releitura moderna do clássico cult de 1980. Diferente do original, a trama se passa nos dias atuais e foca em dois adolescentes que se perdem em uma ilha deserta após um acidente durante uma excursão escolar no Caribe.
O filme conta com Indiana Evans (Emma) e Brenton Thwaites (Dean) como protagonistas.
Curiosidade: o ator Christopher Atkins, que interpretou Richard no longa de 1980, faz uma participação especial como um dos professores.
No contexto geral, é uma verdadeira "bomba" teen cinematográfica. Dou uma estrela apenas pela ambientação paradisíaca das filmagens.
Os Três Mosqueteiros
3.6 39 Assista AgoraDisponível na plataforma Oldflix (Streaming).
"Os Três Mosqueteiros" (1948) é uma das adaptações mais famosas do clássico de Alexandre Dumas, produzida pela MGM em Technicolor. O filme é conhecido por sua energia vibrante e pelas coreografias de luta acrobáticas, que remetem aos números de dança de seu protagonista, Gene Kelly.
Kelly utilizou suas habilidades de dançarino para criar combates de espada altamente atléticos. Maior bilheteria da MGM em 1948, a produção se destaca pelo figurino luxuoso de Walter Plunkett e pelo uso vibrante das cores.
Lana Turner, Vincent Price, Van Heflin, June Allyson e Angela Lansbury completam o competente elenco de apoio. A direção fica a cargo do eficiente George Sidney.
Embora seja considerada uma das adaptações mais fiéis em termos de "espírito" e aventura, a MGM fez mudanças pontuais para adequar a trama ao Código de Ética de Hollywood da época.
Para os saudosistas, este clássico marcou época em exibições na TV aberta pelas extintas sessões Classe A (Globo) e Primeira Classe (TV Manchete) na década de 80.
Pela maravilhosa nostalgia, 5 estrelas.
Escravos do Amor das Amazonas
2.6 2Conferido em 11/04/2026.
"Escravos do Amor das Amazonas" (Love Slaves of the Amazons, 1957) é um raríssimo filme de aventura dirigido por Curt Siodmak e estrelado por Don Taylor (o mesmo de "A Espada de Robin Hood"). A obra está disponível no YouTube com áudio e trilha originais.
Produção no Brasil: O diretor Curt Siodmak aproveitou sobras de película de um projeto anterior para rodar este longa rapidamente em Belém (Pará) e arredores. O uso da Amazônia real como locação confere ao filme um valor visual autêntico, apesar do orçamento modesto. Além de Taylor, o elenco destaca a atriz brasileira Ana Maria Nabuco no papel da Rainha Conori.
Considerado um clássico dos filmes "B" dos anos 50, a produção mistura aventura com momentos de humor involuntário — como as Amazonas pintadas de verde e números musicais exóticos. Críticos modernos notam que esses elementos podem ter influenciado desde a estética de Star Trek até a franquia Indiana Jones.
No contexto geral, o filme peca pela falta de um argumento sólido para o desenvolvimento da trama, o que compromete o resultado final. As cenas de luta e ação são amadoras e chegam a ser risíveis, beirando a mediocridade técnica.
Em resumo: é uma curiosidade histórica que vale mais pelo registro da Amazônia e pela presença de Ana Maria Nabuco do que pelo entretenimento em si. Como cinema de aventura, é datado, mal executado e visualmente pobre, testando a paciência até do espectador mais nostálgico.
A Espada de Robin Hood
3.4 1Disponível no Dailymotion.
"A Espada de Robin Hood" (título original: The Men of Sherwood Forest) é um filme britânico de aventura lançado em 1954 e dirigido por Val Guest.
A produção é notável por ser o primeiro longa-metragem colorido da famosa produtora Hammer Films. Na trama, o herói de Sherwood é interpretado por Don Taylor.
Ambientada em 1194, a história foca no plano de Robin Hood para resgatar o Rei Ricardo Coração de Leão — feito prisioneiro na Alemanha ao retornar das Cruzadas —, enquanto seu irmão, o Príncipe João, trama para usurpar o trono.
Curiosidade sobre o título: Embora o título em português mencione "A Espada", o original foca no grupo (The Men). É comum a confusão com outro filme da Hammer, Sword of Sherwood Forest (1960), este sim traduzido como "A Espada da Floresta de Sherwood" e estrelado por Richard Greene.
Na década de 80, este clássico foi presença garantida na extinta sessão dominical Matinê Aventura, da TV Cultura; já nos anos 90, marcou época no Cine Aventura, da Record TV.
Pela nostalgia: 4 estrelas.
Super Snooper: Um Tira Genial
3.2 24 Assista AgoraReassistido via Youtube em 10/04/2026.
Terence Hill foi um ícone do humor e da comédia pastelão; neste thriller de ação policial, o ator se destaca ao lado do veterano Ernest Borgnine.
Dirigido por Sergio Corbucci, o enredo mescla elementos de fantasia e aventura, garantindo ao espectador boas risadas com as performances hilárias da dupla.
Top demais!
A Princesa do Nilo
3.3 10Reassistido em 10/04/2026 no Cine NGT.
A beldade Debra Paget foi uma das musas mais conhecidas da era de ouro do cinema estadunidense, e é sempre prazeroso revê-la neste exótico "A Princesa do Nilo", um típico épico de aventura capa e espada dos anos 50.
Debra e Jeffrey Hunter, outrora galã das matinês, formam o par romântico principal na trama baseada em um conto de "As Mil e Uma Noites".
É um filme simples, feito sob medida para entreter, e que ainda funciona como um divertido passatempo.
"A Princesa do Nilo" teve suas exibições na antológica Sessão da Tarde, nos bons tempos do Corujão e no Cine Aventura (Record).
Pela deliciosa nostalgia: 4 estrelas.
O Astrolábio de Ouro
3.0 1Entre o final da década de 70 e meados dos 80, a TV Gazeta de São Paulo era um reduto de filmes que não passavam em nenhum outro lugar — muitas vezes, produções "B" de aventura ou suspenses europeus que acabavam virando cult justamente pela exclusividade das exibições. Foi pela Gazeta, inclusive, que vi este filme pela primeira vez em pleno horário nobre. Além dela, o SBT também chegou a reprisar esta obra na extinta Sessão Longa Metragem Legendada.
Embora seja uma produção modesta se comparada aos gigantes coloridos de 1959, "The Golden Astrolabe" preserva aquele charme ingênuo das aventuras marítimas do pós-guerra. O filme é um exemplo típico do cinema de exploração que dominava as matinês, focado na busca por relíquias perdidas e segredos astronômicos.
A trama, que bebe diretamente da fonte do romance de William A. Bryce e H. De Vere Stacpoole, nos transporta para uma caça ao tesouro onde o item místico — o tal astrolábio — é muito mais que um objeto de ouro: é a chave para uma rota de navegação esquecida.
Para quem cresceu assistindo a clássicos de piratas e exploradores na TV aberta, o filme evoca uma nostalgia imediata. Mesmo com limitações técnicas e um ritmo mais lento para os padrões atuais, a obra entrega uma jornada de época honesta, com cenários que hoje parecem teatrais, mas mantêm sua dignidade cinematográfica.
Pela raridade e pelo valor histórico no gênero de aventura, vale 3 estrelas.
Obs: Em abril de 2023, consegui rever este filme em uma cópia disponível no Ok.ru. Mesmo com a imagem precária, foi uma satisfação reencontrá-lo, embora, estranhamente, tenha sido removido da plataforma pouco tempo depois. Hoje, segue difícil localizar cópias em acervos digitais.
Meteoro
2.9 16 Assista AgoraReassistido via Youtube em 07/04/2026.
Embora conte com um elenco de peso, o filme é frequentemente lembrado por seus efeitos especiais, que não envelheceram bem para os padrões atuais. Mesmo assim, o entretenimento continua garantido para quem curte o gênero "cinema catástrofe" dos anos 70.
"Meteoro" tornou-se um filme cult, com roteiro inspirado em um estudo realizado no MIT em 1967 sobre como defender a Terra de um impacto real.
Este thriller de ficção científica, dirigido por Ronald Neame, teve exibições marcantes nos bons tempos do SuperCine, na antológica Sessão da Tarde e no Cinema em Casa (SBT).
Pelo valor nostálgico, ainda vale 4 estrelas.
Proibido Proibir
3.6 145 Assista AgoraConferido em 06/04/2026 na TV Brasil.
'Proibido Proibir' é um típico drama brasileiro de 2007. Dirigido pelo chileno radicado no Brasil Jorge Durán, a obra explora as contradições sociais e a violência urbana no Rio de Janeiro sob a perspectiva de três jovens universitários.
No elenco principal, destacam-se Caio Blat, Maria Flor e Alexandre Rodrigues. O trio entrega ótimas performances e a trilha sonora é um show à parte. No contexto geral, trata-se de um excelente exemplar do cinema nacional.
Até o Último Homem
4.2 2,0K Assista AgoraReassistido em 04/04/2026 no Super Tela (Record TV).
"Até o Último Homem" (Hacksaw Ridge) é um drama de guerra biográfico de 2016 que narra a extraordinária história real de Desmond Doss, um médico de combate do exército americano que se recusou a portar armas durante a Segunda Guerra Mundial. O longa traz Andrew Garfield no papel principal, acompanhado por um competente elenco de apoio.
Tocante, dramático e inspirador, o filme é uma obra visceral que equilibra dois extremos: a convicção espiritual inabalável e a brutalidade gráfica do conflito. Mel Gibson utiliza sua direção característica para criar um contraste gritante entre a paz interior de Doss e o caos absoluto do campo de batalha.
Andrew Garfield entrega uma atuação que mescla doçura e uma resiliência de ferro. O espectador acredita em sua recusa em tocar em uma arma — não por covardia, mas por um código moral profundo.
É uma obra poderosa sobre a força da fé, seja ela religiosa ou baseada em princípios. O roteiro prova que a coragem não está necessariamente ligada à capacidade de exercer violência, mas sim ao sacrifício pessoal para preservar a vida.
Indispensável para quem busca dramas históricos e cinema de ação de alto nível, o filme recebeu seis indicações ao Oscar, vencendo nas categorias de Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição.
Profundo e impactante!
O Tesouro Perdido do Amazonas
4.2 1Disponível no Ok.ru em Technicolor e áudio original.
Lançado originalmente com o título Jivaro, este filme de aventura da Paramount Pictures é um exemplar vibrante do cinema de exploração dos anos 50. Trata-se de uma produção bem mais polida tecnicamente que a média do gênero na época.
O longa é estrelado pelo galã argentino Fernando Lamas e pela "Rainha do Technicolor", Rhonda Fleming. A trama acompanha Alice Parker (Fleming) em uma busca desesperada por seu noivo, um engenheiro alcoólatra perdido na selva amazônica enquanto caçava um tesouro lendário dos índios Jívaro. No caminho, ela acaba unindo forças com o rústico dono de um posto comercial, Rio Galdez (Lamas).
Um detalhe técnico curioso é que o filme foi rodado originalmente em 3D, embora tenha chegado à maioria dos cinemas em 2D devido ao declínio da tecnologia na época. O uso das cores é o ponto alto, ressaltando o exotismo (ainda que de estúdio) da floresta e o carisma do elenco, que conta ainda com os jovens Brian Keith e Rita Moreno.
A produção entrega exatamente o que se espera de um "filme de selva" daquela década: perigos tribais, romances improváveis e uma busca frenética por ouro. Por ser superior ao padrão dos seriados da época, garante uma experiência de nível "4 estrelas" — um entretenimento sólido para quem aprecia o gênero.
Este clássico, que já foi exibido nos anos 90 pela TV Record no Cine Aventura, continua sendo um prazer para o espectador, especialmente pela presença da beldade ruiva Rhonda Fleming e de Rita Moreno, que também não fica atrás.
Desert Command
2.8 2Conferido via Youtube em 02/04/2026, com áudio e trilha originais.
"Desert Command" é um filme de aventura em preto e branco lançado em 1946 e estrelado por John Wayne. Trata-se de um dos trabalhos menos conhecidos do ator.
Na verdade, esta produção rara não é um filme original daquele ano, mas sim uma versão editada e compactada do seriado de 12 capítulos The Three Musketeers, lançado originalmente em 1933. A Favorite Films Corporation reuniu as principais partes do seriado para criar um longa-metragem de aproximadamente 70 minutos, visando capitalizar sobre o estrelato de Wayne na época.
Críticos e espectadores costumam notar que a obra possui uma edição "truncada" ou "confusa", reflexo da tentativa de condensar horas de material em um único filme curto. A qualidade técnica também evidencia a defasagem das filmagens de 1933 em comparação aos padrões de 1946.
No elenco principal, além de John Wayne, figuram Lon Chaney Jr. (creditado como Creighton Chaney), Ruth Hall, Jack Mulhall, Raymond Hatton e Francis X. Bushman Jr.
Recordo-me de tê-lo assistido pela primeira vez em meados de 2003, durante as madrugadas da TV aberta pela Rede NGT.
Trata-se de uma produção regular, de nível "3 estrelas". Nada excepcional.
Selvagem no Céu
3.2 1Reassistido em 02/04/2026 via Youtube, com áudio e trilha originais.
"Wild in the Sky" (também conhecido pelos títulos alternativos Bless the Bomb, Black Jack ou God Bless the Bomb) é uma comédia de ação satírica americana lançada em março de 1972. Dirigido por William T. Naud, o longa-metragem aborda temas anti-guerra e a contracultura da era da Guerra do Vietnã.
O filme é frequentemente comparado a "Dr. Strangelove" por sua abordagem de "comédia nuclear", embora críticos da época e retrospectivos o considerem menos consistente e mais voltado para o pastelão do que para a sátira refinada. Curiosamente, sua estreia nos Estados Unidos ocorreu no mesmo dia que a de "O Poderoso Chefão".
Brandon deWilde interpreta Josh na trama; este foi seu último papel no cinema antes de falecer em um acidente de carro, em julho de 1972.
Emby Mellay, que viveu Melissa no thriller de terror "O Toque de Satã" (1971), faz uma ponta ao lado de deWilde, embora não tenha sido creditada neste raro filme de 1972.
Assisti à título de curiosidade e confesso que não deu para curtir. Razoável apenas.