Cinematografia muito boa e performances que se elevaram acima do tom novelesco usual das produções nacionais. O calcanhar de Aquiles aqui é o fraquíssimo roteiro, que se ancora em percepções equivocadas das fragilidades sociais do nosso paí e antagonismos emotivistas baratos
dar sobretons raciais ao drama de Goiânia me pareceu quase um apelo explícito para a série apelar aos EUA, assim como o uso 2016 do gênero com a personagem da Esther. A cereja no bolo de desonestidade intelectual, para mim, é a apresentação 100% positiva do uso de tratamentos experimentais nos pacientes, algo típico do pensamento mágico brasileiro que vemos hoje mesmo no desastre midiático do tratamento por polilamina
Uma série irregular, mas com muita vontade de fazer algo novo e criativo. Eu gostei muito dos elementos da Era de Ouro e de Gotham City Contra o Crime que trouxeram a ela, mesmo que nem sempre eles se encaixassem bem. Também gostei das duas incursões no sobrenatural nessa série, mostrando que dá para você fazer um universo Batman com foco policial e ainda assim não ignorar o sobrenatural, especialmente o próximo ao horror.
De longe, meus episódios favoritos foram o da Nocturna e o do Fantasma Fidalgo, apesar de também ter adorado essa versão invertida do Duas Caras, acho que deram uma sobrevida a um personagem que está sofrendo de exaustão de sobreexposição.
De longe uma frustração comparada à primeira temporada. Bem mais infantil, o Anti-Monitor não funciona no contexto de uma série infantil e fora do contexto da Crise, e o excesso de foco no Razer e na Aya também aumenta a infantilidade da história. Valem os episódios com histórias mais isoladas, como o do Lanterna Steampunk e o do Tomar-Re treinando o Hal (qualquer aparição do Guy também)
Achonque existe um esforço meio inorgânico de incluir temáticas progressistas para que a obra não pareça uma romantização dos anos 1970, mas acho que isso fica meio juvenil na abordagem.
Por exemplo, a série o tempo todo coloca questões femininas no texto, ou na amizade forçada da Karen e da Daisy, ou mesmo na presença inflacionada da Simone na série, que um ponto da trama em que uma reflexão mais genuína de questões femininas, como o aborto da Karen, fica parecendo um asterisco. Eu mesmo nem achei que o romance do Graham e da Karen era algo importante para história até virar do nada no episódio 9. Assim, as fontes genuínas de abordagem orgânica desses temas são preteridas em função de coisas muito superficiais.
Tirando isso, série super legal de assistir, me fez comprar o livro para ler.
Piloto e primeiro terceto de episódios brilhantes, sob a batuta do mestre Lynch. Perde um pouco de fôlego no meio com profusão de subtramas menos interessantes e termina forte, mas com a clara tentativa do Mark Frost de alisar as maiores estranhezas do Lynch e torná-la uma série policial mais tradicional (que ainda assim, era um marco na TV pela sua continuidade e compromisso com a premissa e o mistério). Os personagens carismáticos e "caricatos" (não é um termo preciso, pois o Lynch nunca é irônico) seguram demais a série e o expectador pelo humor (in)voluntário e o "quentinho" das suas interações e evolução. Dale Cooper, em particular, conseguiu ascender ao panteão dos detetives imortais da ficção, especialmente da televisão (como seu hiperfoco, emprestado de seu criador, no Tibete e na meditação transcendental... aliás, alguém sabe se TP é permitido na China? hahaha) Sabendo que Lynch idealizou a série como uma "novela de mistério", que poderia se estender ad infinitum como um fractal de mistérios um abrindo-se dentro do outro e dentro do mistério mais amplo de Laura Palmer, dá para entender o porque ela segue a direção que segue, mas, mais para o bem que para o mal, na minha opinião, ela se encerra em apenas mais uma temporada (The Return é outro assunto).
Inacreditável que eu não dei bola para essa série quando estreou e só estou vendo agora. Uma das melhores adaptações do Universo DC para além do Timmverso (embora Bruce Timm também seja o produtor aqui). Adaptando principalmente a era Johns do Lanterna Verde, temos aqui a melhor adaptação de Hal Jordan. A escolha de Atrocitus e da Tropa Vermelha como antagonistas em alternativa ao Sinestro rendeu muito. Arcos de personagem muito bem feitos, e episódios que funcionam muito bem sozinhos como pequenos épicos de ficção científica ao mesmo tempo que compõem uma longa história contínua ao longo da temporada.
Devo admitir apenas que acho o arco de redenção do Razer muito rápido, Zuko no turbo. Também têm alguns episódios bem viajados, como o primeiro com a prisão, que serve mais para apresentar a visão ideológica do autor sobre prisões que em contar uma história. Felizmente, o outro episódio com a prisão é um primor, muito pela presença do ótimo vilão do Gavião Negro, o Byth.
Uma série com muito potencial, lotada de easter eggs legais pros fãs do universo Duna. Infelizmente, pela história atribulada dos bastidores dela (inclusive mudança de nome) e pelo corte no número de episódios, ela nunca alcança esse potencial, e termina de forma muito anti climática, com apenas aberturas para as próximas temporadas.
Eu ainda não estou convencido da menção aos Tleilaxu e nem do design dos Dançarinos Faciais empregados na série. Acho que eles nem deveriam existir nesse momento da linha do tempo. O corte que mais prejudicou a série foi as cenas que poderiam existir mostrando a amizade e as relações entre as acólitas do passado e do presente, para que pudéssemos comprar mais o drama e as viradas da trama. Extremamente decepcionado que as "visões prescientes" de Omnius ou do Imperador Deus eram só pegadinha do Mallandro e meramente apontavam para o inimigo misterioso que não é revelado nessa temporada. Acabamos ela sabendo quase tão pouco quanto no começo. Mark Strong também é um ator com presença demais para convencer como o Imperador fraco e manipulado, mesmo erro de Christopher Walken como Imperador em Duna Parte 2.
Uma história com potencial imenso, que se viu contada em uma série com irregularidades muito grandes. Se há momentos que rivalizam com o auge de GoT, há também momentos em que motivações e ações se perdem em meio ao ruído de construção do universo irregular e excesso de "roteiro" Dito isso, há imagens e metáforas sobre estratégia - como a da Falcoaria, que abre e praticamente encerra a série - brilhantes. Uma porção muito divertida da série é John Blackthrone descobrindo a cultura japonesa, e quanto mais concentrados esses momentos, mais eu me diverti. Os personagens e atuações que dominaram a série sem dúvida foram Mariko, Toronaga e Yabushige, com destaque menor para Blackthorne "Anjin" e Fuji.
Imagino que o livro de Clevell explore muito melhor os diferentes núcleos do poder no Japão, porque me pareceu que a série reduziu demais a importância de Portugal, e resumiu não apenas o papel dos diferentes clãs na história, mas o próprio clã Toronaga, que eu duvido muito que tinhantão poucas pessoas importantes como as que acompanhamos a maior parte da série. Também senti que, por mais que Toronaga seja um estrategista brilhante, a série ora tornou os outros personagens burros demais para não verem seus esquemas, ora fez parecer que contingências absurdas sempre fizeram parte de seus planos, como a morte de seu filho e o terremoto que devasta as diferentes forças militares, Minowara e da Regência, durante o período
Sinto que os primeiros episódios e o núcleo de Anjiro são os meus favoritos, com um destaque necessário a ser dado para o episódio 9. Espero encontrar no livro de Clevell realizado a história brilhante que eu entrevi no resumo dessa série.
Feito com amor por fãs das hq's, X-Men '97 corre contra o tempo para incluir adaptações extremamente resumidas de arcos favoritos dos envolvidos, sacrificando com isso parte do que fez esses arcos e seus personagens amados em primeiro lugar: a quietude e o tempo para acompanhar seus pensamentos e conversas. Espero que uma bem vinda segunda temporada faça uma correção de curso e adapte menos arcos e inclua menos vilões para que os sentimentos dos personagens e seu processo de decisão tenham mais protagonismo que tramas desnecessariamente intrincadas (e veja que estamos falando de X-Men) e conflitos físicos em excesso.
As Aventuras de Ciclope e a Fênix, um dos meus aecos favoritos, será adaptado na próxima temporada, e eu espero que eles enfatizem os elementos certos, com o qual eles já fizeram um bom trabalho nessa temporada, como a relação do Scott e Nathan
Muito subestimada aqui na plataforma. A premissa de "adolescente descolado dos anos 90 será o legado de um personagem icônico clássico" têm absolutamente tudo contra ela, e essa série não só faz ela funcionar perfeitamente, criando um protagonista que tornou-se icônico em Terry McGuiness, como o faz sendo sequência da até hoje melhor adaptação/interpretação do Batman. Um feito inigualável.
Série de Mistery Box em 2023 é complicado, a única coisa que realmente prende o expectador é o mistério atrás do mistério, e quando termina, óbvio, mais mistério. Não sei se volto para a segunda, medo de cair em golpe de novo, como em outros casos.
Lost pelo menos focava em personagens direito, com os flashbacks e não exposições intermináveis das motivações e estados emocionais dos personagens. Aqui tudo é diálogo expositivo, seja de lore, mistério ou personagens, e conveniências absurdas (pessoa sai da sala para tomar um café na hora que outra acorda para ter um diálogo com a outra pessoa na sala e fazer revelações sobre a primeira). Mesmo o lore do Silo não é visto, é falado (o "feriado", por exemplo). Metade da série some com metade dos núcleos, para eles voltarem no final e o expectador ter a mesma conexão com eles que tinha no começo, ou acreditar na conexão deles com os protagonistas. Série de Mistery Box é perigosamente perto de golpe a essa altura.
Após a sua temporada mais irregular, oscilando entre o auge de seu brilhantismo - na representação fiel do TPB usando a linguagem televisiva e múltiplos gêneros - e um vale de convencionalismos de sitcom, - finais felizes, filhinhos e casamentos - CXG entrega a melhor temporada final que poderia oferecer. Em termos narrativos, a promessa de uma série satírica das convenções das rom coms através do exame de transtornos mentais é cumprida com louvor, especialmente nos episódios finais. Em termos formais, a experimentação e exploração da linguagem da televisão e dos musicais é levada ao paroxismo quando é explicitamente fundida com a conclusão narrativa. Erros e percalços ao longo do caminho das 4 temporadas, como excessiva flanderização e mudanças de elenco são revistados e corrigidos de maneira a representar da melhor maneira a visão das showrunners desses personagens e desse mundo - muito provavelmente boa parte dos episódios finais estava esboçada desde o início. CXG deve - eu espero - ser elevado ao longo do tempo às alturas de um clássico, e prova que televisão de qualidade - e a exploração madura de temas tabu e necessários - não é propriedade exclusiva do drama de tom solene. Outros gêneros, como a comédia, merecem o reconhecimento pelo trabalho de altíssimo nível, que várias supera aquele encontrado naquele gênero superestimado, especialmente na televisão.
O grande destaque dessa temporada, além do belo finale, e da conclusão da história dos personagens do elenco principal, é a representação das idas e vindas em um tratamento de transtorno mental, e a maneira mais saudável de lidar com estas em um relacionamento, sem que um parceiro se auto-sacrifique. Por isso, trazer o personagem do Greg de volta em uma versão já desenvolvida foi um acerto fundamental da segunda metade da temporada.
A temporada de virada, onde as showrunners mostram as suas cartas ao público: a série que, até então, se colocava mais explicitamente apenas como paródia de comédias românticas e musicais, revela-se ser sobre saúde mental. A sua primeira metade lida com os eventos desastrosos do season finale anterior rompendo com tropos de rom com e sugerindo mais do que nunca o diagnóstico da protagonista de Transtorno de Personalidade Borderline ao apresentar sua desesperadora desestabilização, simbolizando-a pela troca da linguagem da rom com pela do thriller sexual (a paródia definitiva de 50 tons de cinza e Atração Fatal acontece aqui) e depois pela do slasher, chegando ao ápice com uma tentativa de suicídio, o diagnóstico explícito de TPB e a promessa de recomeço e redenção. A segunda metade da temporada, menos brilhante, encontra dificuldade em equilibrar o humor negro com o pastelão que as primeiras duas tão bem fizeram, em parte porque os episódios anteriores explicitaram os temas que ficavam no subtexto nessas temporadas. Tramas mais "fofinhas" e tradicionais de sitcom, como um casamento e um nascimento, também soam meio perdidas e fora de tom com o resto da temporada. Ainda assim, a série merece a "passada de pano" pela representação impressionante do TPB, por sustentar empatia com uma protagonista nos piores momentos que o transtorno pode promover e pela promessa de lidar com as consequências dos seus atos de maneira humanizada. Ponto imperdoável: personagem da Valência completamente desperdiçada, de tão flanderizada.
A equipe de CXG enfrenta percalços nessa temporada com a saída de um membro essencial do elenco e um número reduzido de episódios. Assim, é assombroso o quão positivo fica o saldo, quase tão brilhante quanto a primeira. Um personagem essencial tem uma resolução relâmpago do seu arco, mas bem executada, sendo responsável por um dos melhores momentos da temporada. Acaba funcionando inadvertidamente como um bom presságio do quão mais explícita torna-se a abordagem de CXG dos seus temas ao longo dessa temporada. Depois desse baque, alguns episódios são usados pra reestabelecer o status quo, inclusive através da inserção - com direito a humor auto-referente - de um novo personagem, e a partir daí a série retoma a história que se propôs a contar desde o primeiro episódio da primeira temporada com maestria.
Único ponto negativo mais injustificado dessa temporada é a flanderização do Josh. Sim, é uma sitcom, flanderização acontece, mas me pareceu uma solução muito simples pra explicitar a incompatibilidade que sempre existiu entre ele e a Rebecca, e acho que um efeito inadvertido disso foi virar o público contra um personagem tão interessante quanto os demais.
Uma das mais hilárias e sensíveis representações de (inúmeros) transtornos mentais na mídia. Quem enfrenta algum ou é familiar/amigo/companheiro de alguém que enfrenta vai se identificar. Há o equilíbrio certo - e quase impossível - entre a leveza de saber rir da nossa frágil humanidade e a exposição crua e honesta de alguns dos mais abjetos comportamentos a que podemos ser levados por nossas questões pessoais. Todos os personagens, aparentemente cartunescos, tem toneladas de bagagem, que longe de serem explicitamente apontadas, são sugeridas por comportamentos, olhares, falas, etc. E por mais perto do fundo do poço que cheguem esses personagens, a série nunca se rende ao moralismo simplório de simplesmente julgá-los - ele procura desenvolver no expectador uma empatia genuína, que enxerga a dor humana por trás de cada engodo, comportamento auto-destrutivo e auto-engano. E sim, as músicas de Rachel Bloom são hilárias desde F**k Me, Ray Bradbury, do distante ano de 2010.
Uma surpreendente e ótima entrada audiovisual no gênero de Horror Cósmico, criado pelo H.P. Lovecraft, onde os elementos da narrativa servem à construção de uma atmosfera opressiva, sugerindo forças além da compreensão humana. Acho que a série se perde um pouco no final por tentar encaixar todos os elementos de uma forma muito "redondinha" e ceder um pouco aos manuais de roteiro, mas isso não tira seu mérito. Netflix desceu o machado nela, é claro, porque ela é incapaz de deixar umas obras de nicho bem produzidas no catálogo, e isso ainda será sua ruína
Assim queira Kaleego Para quem quiser conhecer mais o gênero, as histórias de Lovecraft "A música de Erich Zann", "Os sonhos na casa da bruxa" e "a cor que veio do espaço" remetem à série de uma maneira bem bacana. Acho que podem ter sido referências.
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Emergência Radioativa
3.9 202 Assista AgoraCinematografia muito boa e performances que se elevaram acima do tom novelesco usual das produções nacionais. O calcanhar de Aquiles aqui é o fraquíssimo roteiro, que se ancora em percepções equivocadas das fragilidades sociais do nosso paí e antagonismos emotivistas baratos
dar sobretons raciais ao drama de Goiânia me pareceu quase um apelo explícito para a série apelar aos EUA, assim como o uso 2016 do gênero com a personagem da Esther. A cereja no bolo de desonestidade intelectual, para mim, é a apresentação 100% positiva do uso de tratamentos experimentais nos pacientes, algo típico do pensamento mágico brasileiro que vemos hoje mesmo no desastre midiático do tratamento por polilamina
As vítimas reais da tragédia mereciam mais.
Batman: Cruzado Encapuzado (1ª Temporada)
3.8 39 Assista AgoraUma série irregular, mas com muita vontade de fazer algo novo e criativo. Eu gostei muito dos elementos da Era de Ouro e de Gotham City Contra o Crime que trouxeram a ela, mesmo que nem sempre eles se encaixassem bem. Também gostei das duas incursões no sobrenatural nessa série, mostrando que dá para você fazer um universo Batman com foco policial e ainda assim não ignorar o sobrenatural, especialmente o próximo ao horror.
De longe, meus episódios favoritos foram o da Nocturna e o do Fantasma Fidalgo, apesar de também ter adorado essa versão invertida do Duas Caras, acho que deram uma sobrevida a um personagem que está sofrendo de exaustão de sobreexposição.
Lanterna Verde: A Série Animada (2ª Temporada)
3.8 3De longe uma frustração comparada à primeira temporada. Bem mais infantil, o Anti-Monitor não funciona no contexto de uma série infantil e fora do contexto da Crise, e o excesso de foco no Razer e na Aya também aumenta a infantilidade da história. Valem os episódios com histórias mais isoladas, como o do Lanterna Steampunk e o do Tomar-Re treinando o Hal (qualquer aparição do Guy também)
Daisy Jones & The Six
3.9 172Achonque existe um esforço meio inorgânico de incluir temáticas progressistas para que a obra não pareça uma romantização dos anos 1970, mas acho que isso fica meio juvenil na abordagem.
Por exemplo, a série o tempo todo coloca questões femininas no texto, ou na amizade forçada da Karen e da Daisy, ou mesmo na presença inflacionada da Simone na série, que um ponto da trama em que uma reflexão mais genuína de questões femininas, como o aborto da Karen, fica parecendo um asterisco. Eu mesmo nem achei que o romance do Graham e da Karen era algo importante para história até virar do nada no episódio 9. Assim, as fontes genuínas de abordagem orgânica desses temas são preteridas em função de coisas muito superficiais.
Tirando isso, série super legal de assistir, me fez comprar o livro para ler.
Twin Peaks (1ª Temporada)
4.5 549 Assista AgoraPiloto e primeiro terceto de episódios brilhantes, sob a batuta do mestre Lynch.
Perde um pouco de fôlego no meio com profusão de subtramas menos interessantes e termina forte, mas com a clara tentativa do Mark Frost de alisar as maiores estranhezas do Lynch e torná-la uma série policial mais tradicional (que ainda assim, era um marco na TV pela sua continuidade e compromisso com a premissa e o mistério).
Os personagens carismáticos e "caricatos" (não é um termo preciso, pois o Lynch nunca é irônico) seguram demais a série e o expectador pelo humor (in)voluntário e o "quentinho" das suas interações e evolução.
Dale Cooper, em particular, conseguiu ascender ao panteão dos detetives imortais da ficção, especialmente da televisão (como seu hiperfoco, emprestado de seu criador, no Tibete e na meditação transcendental... aliás, alguém sabe se TP é permitido na China? hahaha)
Sabendo que Lynch idealizou a série como uma "novela de mistério", que poderia se estender ad infinitum como um fractal de mistérios um abrindo-se dentro do outro e dentro do mistério mais amplo de Laura Palmer, dá para entender o porque ela segue a direção que segue, mas, mais para o bem que para o mal, na minha opinião, ela se encerra em apenas mais uma temporada (The Return é outro assunto).
Lanterna Verde: A Série Animada (1ª Temporada)
3.8 27Inacreditável que eu não dei bola para essa série quando estreou e só estou vendo agora.
Uma das melhores adaptações do Universo DC para além do Timmverso (embora Bruce Timm também seja o produtor aqui).
Adaptando principalmente a era Johns do Lanterna Verde, temos aqui a melhor adaptação de Hal Jordan.
A escolha de Atrocitus e da Tropa Vermelha como antagonistas em alternativa ao Sinestro rendeu muito.
Arcos de personagem muito bem feitos, e episódios que funcionam muito bem sozinhos como pequenos épicos de ficção científica ao mesmo tempo que compõem uma longa história contínua ao longo da temporada.
Devo admitir apenas que acho o arco de redenção do Razer muito rápido, Zuko no turbo.
Também têm alguns episódios bem viajados, como o primeiro com a prisão, que serve mais para apresentar a visão ideológica do autor sobre prisões que em contar uma história. Felizmente, o outro episódio com a prisão é um primor, muito pela presença do ótimo vilão do Gavião Negro, o Byth.
Duna: A Profecia (1ª Temporada)
3.6 73 Assista AgoraUma série com muito potencial, lotada de easter eggs legais pros fãs do universo Duna. Infelizmente, pela história atribulada dos bastidores dela (inclusive mudança de nome) e pelo corte no número de episódios, ela nunca alcança esse potencial, e termina de forma muito anti climática, com apenas aberturas para as próximas temporadas.
Eu ainda não estou convencido da menção aos Tleilaxu e nem do design dos Dançarinos Faciais empregados na série. Acho que eles nem deveriam existir nesse momento da linha do tempo.
O corte que mais prejudicou a série foi as cenas que poderiam existir mostrando a amizade e as relações entre as acólitas do passado e do presente, para que pudéssemos comprar mais o drama e as viradas da trama.
Extremamente decepcionado que as "visões prescientes" de Omnius ou do Imperador Deus eram só pegadinha do Mallandro e meramente apontavam para o inimigo misterioso que não é revelado nessa temporada. Acabamos ela sabendo quase tão pouco quanto no começo.
Mark Strong também é um ator com presença demais para convencer como o Imperador fraco e manipulado, mesmo erro de Christopher Walken como Imperador em Duna Parte 2.
Spy x Family (1ª Temporada - Parte II)
4.2 30 Assista AgoraMartin Scorcese estava com isso em mente ao dar a fatídica entrevista sobre a Marvel
Spy x Family (1ª Temporada - Parte I)
4.4 77 Assista AgoraCannes... é festival de cinema
Xógum: A Gloriosa Saga do Japão (1ª Temporada)
4.1 184 Assista AgoraUma história com potencial imenso, que se viu contada em uma série com irregularidades muito grandes.
Se há momentos que rivalizam com o auge de GoT, há também momentos em que motivações e ações se perdem em meio ao ruído de construção do universo irregular e excesso de "roteiro"
Dito isso, há imagens e metáforas sobre estratégia - como a da Falcoaria, que abre e praticamente encerra a série - brilhantes.
Uma porção muito divertida da série é John Blackthrone descobrindo a cultura japonesa, e quanto mais concentrados esses momentos, mais eu me diverti.
Os personagens e atuações que dominaram a série sem dúvida foram Mariko, Toronaga e Yabushige, com destaque menor para Blackthorne "Anjin" e Fuji.
Imagino que o livro de Clevell explore muito melhor os diferentes núcleos do poder no Japão, porque me pareceu que a série reduziu demais a importância de Portugal, e resumiu não apenas o papel dos diferentes clãs na história, mas o próprio clã Toronaga, que eu duvido muito que tinhantão poucas pessoas importantes como as que acompanhamos a maior parte da série. Também senti que, por mais que Toronaga seja um estrategista brilhante, a série ora tornou os outros personagens burros demais para não verem seus esquemas, ora fez parecer que contingências absurdas sempre fizeram parte de seus planos, como a morte de seu filho e o terremoto que devasta as diferentes forças militares, Minowara e da Regência, durante o período
Sinto que os primeiros episódios e o núcleo de Anjiro são os meus favoritos, com um destaque necessário a ser dado para o episódio 9. Espero encontrar no livro de Clevell realizado a história brilhante que eu entrevi no resumo dessa série.
X-Men '97 (1ª Temporada)
4.5 260Feito com amor por fãs das hq's, X-Men '97 corre contra o tempo para incluir adaptações extremamente resumidas de arcos favoritos dos envolvidos, sacrificando com isso parte do que fez esses arcos e seus personagens amados em primeiro lugar: a quietude e o tempo para acompanhar seus pensamentos e conversas.
Espero que uma bem vinda segunda temporada faça uma correção de curso e adapte menos arcos e inclua menos vilões para que os sentimentos dos personagens e seu processo de decisão tenham mais protagonismo que tramas desnecessariamente intrincadas (e veja que estamos falando de X-Men) e conflitos físicos em excesso.
As Aventuras de Ciclope e a Fênix, um dos meus aecos favoritos, será adaptado na próxima temporada, e eu espero que eles enfatizem os elementos certos, com o qual eles já fizeram um bom trabalho nessa temporada, como a relação do Scott e Nathan
Batman do Futuro (1ª Temporada)
3.7 19Muito subestimada aqui na plataforma. A premissa de "adolescente descolado dos anos 90 será o legado de um personagem icônico clássico" têm absolutamente tudo contra ela, e essa série não só faz ela funcionar perfeitamente, criando um protagonista que tornou-se icônico em Terry McGuiness, como o faz sendo sequência da até hoje melhor adaptação/interpretação do Batman. Um feito inigualável.
Silo (1ª Temporada)
4.0 187 Assista AgoraSérie de Mistery Box em 2023 é complicado, a única coisa que realmente prende o expectador é o mistério atrás do mistério, e quando termina, óbvio, mais mistério.
Não sei se volto para a segunda, medo de cair em golpe de novo, como em outros casos.
Lost pelo menos focava em personagens direito, com os flashbacks e não exposições intermináveis das motivações e estados emocionais dos personagens.
Aqui tudo é diálogo expositivo, seja de lore, mistério ou personagens, e conveniências absurdas (pessoa sai da sala para tomar um café na hora que outra acorda para ter um diálogo com a outra pessoa na sala e fazer revelações sobre a primeira).
Mesmo o lore do Silo não é visto, é falado (o "feriado", por exemplo). Metade da série some com metade dos núcleos, para eles voltarem no final e o expectador ter a mesma conexão com eles que tinha no começo, ou acreditar na conexão deles com os protagonistas.
Série de Mistery Box é perigosamente perto de golpe a essa altura.
Crazy Ex-Girlfriend (4ª Temporada)
4.2 56 Assista AgoraApós a sua temporada mais irregular, oscilando entre o auge de seu brilhantismo - na representação fiel do TPB usando a linguagem televisiva e múltiplos gêneros - e um vale de convencionalismos de sitcom, - finais felizes, filhinhos e casamentos - CXG entrega a melhor temporada final que poderia oferecer.
Em termos narrativos, a promessa de uma série satírica das convenções das rom coms através do exame de transtornos mentais é cumprida com louvor, especialmente nos episódios finais.
Em termos formais, a experimentação e exploração da linguagem da televisão e dos musicais é levada ao paroxismo quando é explicitamente fundida com a conclusão narrativa.
Erros e percalços ao longo do caminho das 4 temporadas, como excessiva flanderização e mudanças de elenco são revistados e corrigidos de maneira a representar da melhor maneira a visão das showrunners desses personagens e desse mundo - muito provavelmente boa parte dos episódios finais estava esboçada desde o início.
CXG deve - eu espero - ser elevado ao longo do tempo às alturas de um clássico, e prova que televisão de qualidade - e a exploração madura de temas tabu e necessários - não é propriedade exclusiva do drama de tom solene.
Outros gêneros, como a comédia, merecem o reconhecimento pelo trabalho de altíssimo nível, que várias supera aquele encontrado naquele gênero superestimado, especialmente na televisão.
O grande destaque dessa temporada, além do belo finale, e da conclusão da história dos personagens do elenco principal, é a representação das idas e vindas em um tratamento de transtorno mental, e a maneira mais saudável de lidar com estas em um relacionamento, sem que um parceiro se auto-sacrifique. Por isso, trazer o personagem do Greg de volta em uma versão já desenvolvida foi um acerto fundamental da segunda metade da temporada.
Crazy Ex-Girlfriend (3ª Temporada)
4.2 48 Assista AgoraA temporada de virada, onde as showrunners mostram as suas cartas ao público: a série que, até então, se colocava mais explicitamente apenas como paródia de comédias românticas e musicais, revela-se ser sobre saúde mental.
A sua primeira metade lida com os eventos desastrosos do season finale anterior rompendo com tropos de rom com e sugerindo mais do que nunca o diagnóstico da protagonista de Transtorno de Personalidade Borderline ao apresentar sua desesperadora desestabilização, simbolizando-a pela troca da linguagem da rom com pela do thriller sexual (a paródia definitiva de 50 tons de cinza e Atração Fatal acontece aqui) e depois pela do slasher, chegando ao ápice com uma tentativa de suicídio, o diagnóstico explícito de TPB e a promessa de recomeço e redenção.
A segunda metade da temporada, menos brilhante, encontra dificuldade em equilibrar o humor negro com o pastelão que as primeiras duas tão bem fizeram, em parte porque os episódios anteriores explicitaram os temas que ficavam no subtexto nessas temporadas.
Tramas mais "fofinhas" e tradicionais de sitcom, como um casamento e um nascimento, também soam meio perdidas e fora de tom com o resto da temporada.
Ainda assim, a série merece a "passada de pano" pela representação impressionante do TPB, por sustentar empatia com uma protagonista nos piores momentos que o transtorno pode promover e pela promessa de lidar com as consequências dos seus atos de maneira humanizada. Ponto imperdoável: personagem da Valência completamente desperdiçada, de tão flanderizada.
Crazy Ex-Girlfriend (2ª Temporada)
4.2 53 Assista AgoraA equipe de CXG enfrenta percalços nessa temporada com a saída de um membro essencial do elenco e um número reduzido de episódios.
Assim, é assombroso o quão positivo fica o saldo, quase tão brilhante quanto a primeira.
Um personagem essencial tem uma resolução relâmpago do seu arco, mas bem executada, sendo responsável por um dos melhores momentos da temporada. Acaba funcionando inadvertidamente como um bom presságio do quão mais explícita torna-se a abordagem de CXG dos seus temas ao longo dessa temporada.
Depois desse baque, alguns episódios são usados pra reestabelecer o status quo, inclusive através da inserção - com direito a humor auto-referente - de um novo personagem, e a partir daí a série retoma a história que se propôs a contar desde o primeiro episódio da primeira temporada com maestria.
Único ponto negativo mais injustificado dessa temporada é a flanderização do Josh. Sim, é uma sitcom, flanderização acontece, mas me pareceu uma solução muito simples pra explicitar a incompatibilidade que sempre existiu entre ele e a Rebecca, e acho que um efeito inadvertido disso foi virar o público contra um personagem tão interessante quanto os demais.
Crazy Ex-Girlfriend (1ª Temporada)
4.1 98 Assista AgoraUma das mais hilárias e sensíveis representações de (inúmeros) transtornos mentais na mídia. Quem enfrenta algum ou é familiar/amigo/companheiro de alguém que enfrenta vai se identificar. Há o equilíbrio certo - e quase impossível - entre a leveza de saber rir da nossa frágil humanidade e a exposição crua e honesta de alguns dos mais abjetos comportamentos a que podemos ser levados por nossas questões pessoais.
Todos os personagens, aparentemente cartunescos, tem toneladas de bagagem, que longe de serem explicitamente apontadas, são sugeridas por comportamentos, olhares, falas, etc. E por mais perto do fundo do poço que cheguem esses personagens, a série nunca se rende ao moralismo simplório de simplesmente julgá-los - ele procura desenvolver no expectador uma empatia genuína, que enxerga a dor humana por trás de cada engodo, comportamento auto-destrutivo e auto-engano.
E sim, as músicas de Rachel Bloom são hilárias desde F**k Me, Ray Bradbury, do distante ano de 2010.
Arquivo 81 (1ª Temporada)
3.6 225 Assista AgoraUma surpreendente e ótima entrada audiovisual no gênero de Horror Cósmico, criado pelo H.P. Lovecraft, onde os elementos da narrativa servem à construção de uma atmosfera opressiva, sugerindo forças além da compreensão humana.
Acho que a série se perde um pouco no final por tentar encaixar todos os elementos de uma forma muito "redondinha" e ceder um pouco aos manuais de roteiro, mas isso não tira seu mérito.
Netflix desceu o machado nela, é claro, porque ela é incapaz de deixar umas obras de nicho bem produzidas no catálogo, e isso ainda será sua ruína
Assim queira Kaleego
Para quem quiser conhecer mais o gênero, as histórias de Lovecraft "A música de Erich Zann", "Os sonhos na casa da bruxa" e "a cor que veio do espaço" remetem à série de uma maneira bem bacana.
Acho que podem ter sido referências.