Mais uma trama que envolve roubos, clássico do Michael Mann. Um filme com roteiro muito bem escrito, diálogos e personagens complexos. A história gosta de fazer com que o público se envolva com cada um dos personagens ao nos revelar sua relação familiar. Isso deixa o filme bastante longo, mas revela particularidades importantes que acaba afetando na trama principal.
É satisfatória notar a crescente disputa entre o policial Vincent Hanna (Al Pacino) e o bandido sofisticado Neil (Robert De Niro). A cena do diálogo entre eles é muito boa porque revela o quão parecido eles são, cada um na sua área. E há uma certa admiração entre eles. O jogo de policial e ladrão aliado aos dramas relacionais de cada um eleva o filme como uma grande obra do cinema. Tem algumas questões esquisitas de roteiro como a forma que Neil convence a namorada a fugir com ele que não foi nada convincente. Mas são pormenores que dá para relevar.
É um filme muito longo para o que costumamos ver hoje, mas consegue desenvolver muito bem cada detalhe e não fica cansativo. Algo bom a se notar é que no final
o Neil perde para ele mesmo pois teve a chance de fugir, mas precisava se vingar de um ex-colega de roubo que o traiu. Ninguém escapa de Neil e o sacrifício do amor foi necessário para tal cumprimento.
Um profissional em roubos de cofre que atua de forma independente e que almeja realizar seu último plano em parceria com um chefão de crimes da cidade. Um excelente filme policial que conduz o público na jornada deste personagem que é especialista em roubos de cofre.
É muito bom ver como o chefão do crime que o contrata começa a dominá-lo ao conceder coisas que ele deseja. Contudo, quanto mais pedidos são aceitos, mais na mão do chefão o protagonista está e ser dominado é uma coisa que o protagonista odeia. Daí conseguimos imaginar o atrito que isto causará ao longo da história.
O filme abre revelando a ação do assassino sem revelar quem é ou como age. Isso nos prepara para o clássico embate entre o bem (detetive) contra o mal (assassino). Contudo, Michael Mann, roteirista e diretor, opta por caminhos nada convencionais para o gênero.
A forma que acontece as descobertas e o desenlace da trama é uma proto estrutura da série CSI que será lançada muitos anos depois. A diferença é que neste filme temos um protagonista complexo pois por causa de um trauma numa das investigações passadas ele tem o dom de pensar como os psicopatas. Um dom que vem com a maldição de crises e surtos emocionais. Eu curti muito essa característica do personagem pois deu camadas instigantes à ele.
O antagonista tem seu modo sádico de agir e em determinada altura da trama o roteirista quis humanizar o assassino ao nos revelar
um passado de abusos e uma cena que beira ao encontro de par romântico.
A cena em si é até simbolicamente interessante por causa da condição do antagonista e da mulher que fica com ele. Mas, ainda sim seria estranho esse caminho. Deu um receio pois quase que o roteirista seguiria para um caminho mais complicado ao tentar nos fazer ter pena dele, mas logo a rota é redirecionada ao caminho clássico de bem x mal.
No jogo de caça ao assassino temos o embate final entre o bem e o mal que foi sem sal e sem qualquer suspense para nos fazer temer o que poderia acontecer. Ao término do filme ficou claro uma aceleração da resolução da trama que estava sendo bem conduzida pelo detetive que demonstra de forma afiada sua capacidade dedutiva. Contudo, muitos elementos colocados no filme não são mais explorados e nem ao menos citados posteriormente e que elevariam mais ainda a obra caso fossem resgatados. Como exemplo temos a citação de William Blake onde as pinturas dele inspiram o assassino (mas não exploram o simbolismo e a mística do pintor no assassino), temos a própria personalidade do detetive que é comentada como levando-o a crises que afetam a família e amigos, mas não vemos isso acontecendo e a alcunha de "Fada dos Dentes" que não é tão explorado pela obra (a gente entende que faz parte do método dele, mas não é reforçado em outras situações).
O estilo do filme caminha pelo noir com visitas rápidas ao surrealismo, mas nada de forma tão convincente por causa da execução de alguns eventos e da resolução final. Pareceu que o roteirista quis abordar muita coisa sem ter tanto tempo para tal (descobri que se trata de uma adaptação e talvez o livro execute tais elementos de forma mais precisa).
Confesso que demorei para digerir o filme, mas pessoalmente não gostei da forma como as coisa desenrolaram. Porém, curti o conflito do protagonista que me fez acompanhar até o final é temer pelo que poderia acontecer com ele caso tivesse outra crise.
Vou comentar sobre a série como um todo e não apenas a sexta temporada.
Histórias boas precisam de bons personagens e aqui temos mais um exemplo dessa máxima. Better Call Saul consegue fazer o público acompanhar um protagonista malandro e egoísta que usa todos os recursos possíveis para se dar bem e nos faz ter uma esperança de que ele possa mudar para melhor. Dá um bom estudo psicológico de personalidade. Mas nem só da trama principal vive uma série e nestas seis temporadas vimos tramas secundárias que em certos momentos eram melhores que as aventuras de Jimmy. O arco do Nacho, Mike e traficantes do alto escalão era de tirar o fôlego. A série é eficaz em conectar as tramas secundárias com a principal e ainda o faz bem porque o personagem do Saul está diretamente ligado com as consequências desta conexão de tramas.
O final foi o mais coerente possível com o personagem e até com o destino dele provável dele. O outro caminho o levaria ao que ele sempre foi desde o início (sem mudança, mesmo que mínima, enfraqueceria muito a série).
O interessante é que Jimmy continua o "Jimmy Sabonete", mas resolve mudar, ao menos um pouco, por uma causa de outro, no caso a Kim (tinha que ser ela porque nenhum outro o faria mudar).
É uma aula de construção de personagem, arco dramático e estrutura de história. Merece ter notas altíssimas nas avaliações.
Um clássico do cinema. Uma trágica história (típico do noir) que mantém o público vidrado para saber o COMO do final. Talvez por estar acostumado com as narrativas modernas, eu eu não esperava certas decisões do personagem Joe. Para a época é certo que foi eficaz, mas atualmente teria soado incoerente. Exemplo: desde o início sabemos que o personagem Joe é roteirista e precisa de dinheiro. Logo no primeiro ponto de virada temos uma situação favorável para o personagem, mas ele não aceita por razões não críveis (soa estranho levando em conta o problema que nos foi apresentado inicialmente). Contudo, entendo que é o tipo de linha narrativa que funcionava na época, mas hoje causaria estranheza no público.
O todo do filme é muito bem conduzido e as revelações que acontecem deixam a trama instigante. É muito rico também por se tratar de uma metalinguagem sobre o próprio mercado de Hollywood e sobre o período de transição onde os filmes passaram a ter áudio e serem coloridos. Destaco a interpretação da atriz Gloria Swanson que faz uma personagem depressiva e lunática de uma forma bem afiada.
Um grande filme que deve ser visto por quem ama cinema.
Pegue os ingredientes da série CSI e una-os com a mitologia cristã. Eis que o resultado é a série Lúcifer (por sinal, uma premissa bem criativa). Uma série que consegue atrair desde o episódio piloto e mantém o público até o final (me refiro a primeira temporada) por causa dos seguintes elementos: personagens complexos, tramas e subtramas que conversam entre si e uma jornada episódica e contínua consistente com o universo criado.
Tocando no assunto sobre personagem é impossível não destacar o ator Tom Ellis que está brilhante como Lúcifer. Debochado, sarcástico e irônico. Mas antes do ator, destacamos o roteiro porque o personagem é muito bem escrito. O arco dramático de Lúcifer é bem estruturado porque consegue entregar falhas de caráter e pontos fracos no personagem que criam uma conexão empática com o público. E isso é bem dosado porque nos primeiros episódios o personagem de Lúcifer começa a ficar desinteressante por causa do poder dele, mas no momento certo nos entregam revelações que apimentam mais ainda a história, criando no público o sentimento do perigo.
E não apenas com Lúcifer, mas todos os outros personagens têm suas profundidades e segredos que cada vez mais complicam a trama, fazendo-nos interessar mais ainda pelo como será resolvido tudo.
Eu gostei da série. Me surpreendi positivamente e pretendo continuar assistindo a segunda temporada.
O início do filme quase te convida a largar a obra. Tem um ritmo lento que transmite bem a monotonia da vida do protagonista que mesmo sendo rico vive solitário por causa de um trauma de infância. A vida dele vira de cabeça para baixo quando o irmão entrega um convite para ele participar de um jogo que mudará a vida dele.
Esse filme é no mínimo intrigante porque os eventos que acontecem com o protagonista parecem um grande absurdo. Você fica na dúvida se faz parte do jogo ou não. A crescente situação adversa e surreal cria um bom suspense ao longo do filme e no mínimo desperta o interesse do público em saber como a história vai terminar. E em alguns momentos chega até a ser engraçado porque é tanto evento estranho que tu pensas estar num filme surrealista.
Abaixo comentarei sobre minha opinião, mas terá spoiler porque tem relação com a revelação final que é a mensagem do filme.
Eu gosto bastante do filme porque acredito se tratar de uma metáfora da vida que no fundo parece um jogo do qual todos são jogadores e alguém controla tudo. Se analisarmos bem, o protagonista mudou seu comportamento após "jogar o jogo". E na vida real acabamos mudando após muitas complicações em nossas vidas.
O nome do David Fincher já é forte no mercado cinematográfico. A história em torno do filme O Assassino chama bastante atenção e imaginamos um mega suspense de tirar o fôlego. Contudo, as expectativas foram quebradas e nem é tão ruim assim.
O Assassino tem uma sequência de abertura bastante afiada. Conseguimos entrar na mente e no tédio do assassino que precisa esperar vários dias até que consiga executar sua missão. Uma abertura excelente e quando o incidente acontece estamos engajados pelo restante da história, mas parece que o fôlego começa a se perder no meio do ato e na parte final fica insosso. Pode até ser um pouco de expectativa frustrada, mas fica claro que a sequência final (digamos que o último chefe) e o final do filme caminharam para algo mais contido. Aliás, é um filme bem refinado tal qual a psicologia do protagonista que é metódico e tudo cuidadoso.
No geral é um filme um pouco acima da média, bem realizado e bem dirigido em todos os sentidos. Faltou mais tempero pois o título e a sinopse do filme parecem prometer algo mais intenso. Considero este filme mais melancólico do que um suspense aflitivo. Lembrando que há suspense, há tensão, há complicação progressiva coerente, mas faltou o "algo a mais". E esse algo a mais acredito ter sido a falta de um estouro no clímax.
Um filme que engata a quinta marcha e acelera sem pena. Assim como diz o título, o protagonista Jeff quer fugir do passado, mas o passado o persegue. Partindo desta ideia controle de viver uma vida pacífica, a costura dos eventos são muito bem construídos ao nos mostrar ideias contrárias ao desejo do protagonista e é assim que se constrói uma história interessante que prende o público até o fim. É golpista tentando enganar golpista, são mulheres oportunistas que não são confiáveis e tudo vira uma bola de neve que impede o protagonista de viver em paz porque a todo momento ele precisa se livrar de situações que o levariam para cadeia ou para debaixo da terra.
Para mim, um filme já ganha 5 estrelas se a história é interessante, consistente e coerente com as próprias regras criadas. E este filme cumpre bem os requisitos de uma história bem contada. Eu sei que tem partes e situações convenientes para a resolução de certos conflitos (algumas decisões que requerem o convencimento de outro personagem são muito rápidas e pouco críveis), mas são toleráveis diante do todo da obra. E até o minuto final você confia desconfiando dos personagens.
Existem filmes sensacionais (daqueles que o público sai surpreendido), filmes comportados (daqueles que o público sai satisfeito, mas só) e os filmes muito ruins (claramente fraco). Esse filme se enquadra nos comportados e flertando aqui e ali com a qualidade ruim.
Não existe nada de excepcional levando em conta a trajetória da própria história real em que se baseia e a própria abordagem da história se mantém na normalidade de qualquer outro filme sobre ascensão e queda de uma corporação. Os trechos que simulam documentário onde os atores depõem de frente para uma câmera soa cafona porque, na minha visão, o filme não precisava disso. E fica parecendo algo destoante ao levarmos em conta a forma como nos é contada a história (parece algo forçado para dar um tom de mais realismo à história). Contudo, o ritmo do filme é bom e talvez poderia ter uma duração menor (lá pelo final do filme eu já estava cochilando). Acredito que funcionaria melhor como um documentário do que como ficção.
Não é um filme ruim, mas também não é excelente. Se tivesse um gráfico que revelasse a qualidade dos filmes onde a curva pra cima são os bons e a curva para baixo são os ruins, esse teria uma linha reta.
Rejeitados pelo Diabo é um excelente filme com uma temática clássica dos polos em conflito entre o bem e o mal. A abertura da história já começa à todo vapor com uma sequência em que a polícia, liderada pelo xerife Wydell, embosca os assassinos. Fica muito claro que os inimigos da região são sujos, pervertidos e insanos. Na emboscada dois conseguem fugir e inicia-se uma caçada do xerife contra os meliantes.
É muito interessante a linguagem utilizada pelo diretor que opta pela câmera na mão em vários momentos, fotografia amarelada e seca que transmite bem a sujeira daquela cidade onde coisas terríveis acontecem. A montagem, em alguns momentos soa tosco, mas acaba casando bem com a proposta do filme que parece mal feito, contudo revela-se coerente com a proposta do filme (abordar sobre o deserto depravado de uma família). E o roteiro te prende do início ao filme porque sabiamente escolhe uma narrativa paralela que mostra tanto o lado dos assassinos quanto o lado da polícia. Cada um agindo em prol do seu objetivo. E tem um ponto curioso que o diretor faz que é sempre tentar fazer o público gostar da família de assassinos ao nos mostrar a alegria e o quão divertidos eles são quando estão entre os da tribo. É quase um álbum de família bizarro que transmite a mensagem de que esse é o estilo de vida deles. Só que a brutalidade das ações passadas dele, que fica clara no filme, torna essas cenas impossíveis de sentir pena (e aqui exalto a qualidade do diretor que acaba provocando o público com esses elementos dramáticos). No máximo poderia ficar mais eficaz se diminuíssem essas cenas porque acaba ficando enfadonho pois é muito usado.
Eu admito que curti muito o personagem do xerife Wydell que é uma espécie de louco do bem necessário. Sabe aquela máxima que diz: "remédio pra doido é doido e meio"? Pois aqui cabe perfeitamente pois o xerife ultrapassa a linha moral e executa o trabalho de prender os assassinos usando todos os recursos possíveis. Não é apenas uma caçada por um dever a ser cumprido, mas é algo pessoal por causa de uma revelação do qual somos apresentados. É um personagem complexo e com camadas que o tornam interessante. O filme trabalha bem ao tratar os assassinos como claramente diabólicos (signos visuais, ações e diálogos) e o xerife como um agente de Deus em missão (um agente meio doido, mas que está cumprindo a lei). Simbolicamente é Deus agindo contra o diabo através dos seus representantes terrenos.
O clímax do filme te provoca uma mistura de satisfação pelo que acontece numa das cenas e ao mesmo tempo te faz refletir sobre até onde pode-se ir para cumprir a lei. A segunda reviravolta é um chacoalho de cabeça surpreendente no público (você fica descrente do que acontece) e é o gás necessário pra ficar até o fim.
Eu considero um excelente filme levando em conta o que se propõe com o gênero, a linguagem e a trama. Uma história bem contada e satisfatoriamente executada. Salvo algumas cenas aqui e ali que poderiam ser encurtadas pois a quando o público entende o objetivo de uma cena já pode-se sair dela e avançar na trama. Uma grata surpresa para os amantes do terror.
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Fogo Contra Fogo
4.0 714 Assista AgoraMais uma trama que envolve roubos, clássico do Michael Mann. Um filme com roteiro muito bem escrito, diálogos e personagens complexos. A história gosta de fazer com que o público se envolva com cada um dos personagens ao nos revelar sua relação familiar. Isso deixa o filme bastante longo, mas revela particularidades importantes que acaba afetando na trama principal.
É satisfatória notar a crescente disputa entre o policial Vincent Hanna (Al Pacino) e o bandido sofisticado Neil (Robert De Niro). A cena do diálogo entre eles é muito boa porque revela o quão parecido eles são, cada um na sua área. E há uma certa admiração entre eles. O jogo de policial e ladrão aliado aos dramas relacionais de cada um eleva o filme como uma grande obra do cinema. Tem algumas questões esquisitas de roteiro como a forma que Neil convence a namorada a fugir com ele que não foi nada convincente. Mas são pormenores que dá para relevar.
É um filme muito longo para o que costumamos ver hoje, mas consegue desenvolver muito bem cada detalhe e não fica cansativo. Algo bom a se notar é que no final
o Neil perde para ele mesmo pois teve a chance de fugir, mas precisava se vingar de um ex-colega de roubo que o traiu. Ninguém escapa de Neil e o sacrifício do amor foi necessário para tal cumprimento.
Profissão, Ladrão
3.9 82 Assista AgoraUm profissional em roubos de cofre que atua de forma independente e que almeja realizar seu último plano em parceria com um chefão de crimes da cidade. Um excelente filme policial que conduz o público na jornada deste personagem que é especialista em roubos de cofre.
É muito bom ver como o chefão do crime que o contrata começa a dominá-lo ao conceder coisas que ele deseja. Contudo, quanto mais pedidos são aceitos, mais na mão do chefão o protagonista está e ser dominado é uma coisa que o protagonista odeia. Daí conseguimos imaginar o atrito que isto causará ao longo da história.
Um filme muito bom.
Caçador de Assassinos
3.5 172 Assista AgoraO filme abre revelando a ação do assassino sem revelar quem é ou como age. Isso nos prepara para o clássico embate entre o bem (detetive) contra o mal (assassino). Contudo, Michael Mann, roteirista e diretor, opta por caminhos nada convencionais para o gênero.
A forma que acontece as descobertas e o desenlace da trama é uma proto estrutura da série CSI que será lançada muitos anos depois. A diferença é que neste filme temos um protagonista complexo pois por causa de um trauma numa das investigações passadas ele tem o dom de pensar como os psicopatas. Um dom que vem com a maldição de crises e surtos emocionais. Eu curti muito essa característica do personagem pois deu camadas instigantes à ele.
O antagonista tem seu modo sádico de agir e em determinada altura da trama o roteirista quis humanizar o assassino ao nos revelar
um passado de abusos e uma cena que beira ao encontro de par romântico.
No jogo de caça ao assassino temos o embate final entre o bem e o mal que foi sem sal e sem qualquer suspense para nos fazer temer o que poderia acontecer. Ao término do filme ficou claro uma aceleração da resolução da trama que estava sendo bem conduzida pelo detetive que demonstra de forma afiada sua capacidade dedutiva. Contudo, muitos elementos colocados no filme não são mais explorados e nem ao menos citados posteriormente e que elevariam mais ainda a obra caso fossem resgatados. Como exemplo temos a citação de William Blake onde as pinturas dele inspiram o assassino (mas não exploram o simbolismo e a mística do pintor no assassino), temos a própria personalidade do detetive que é comentada como levando-o a crises que afetam a família e amigos, mas não vemos isso acontecendo e a alcunha de "Fada dos Dentes" que não é tão explorado pela obra (a gente entende que faz parte do método dele, mas não é reforçado em outras situações).
O estilo do filme caminha pelo noir com visitas rápidas ao surrealismo, mas nada de forma tão convincente por causa da execução de alguns eventos e da resolução final. Pareceu que o roteirista quis abordar muita coisa sem ter tanto tempo para tal (descobri que se trata de uma adaptação e talvez o livro execute tais elementos de forma mais precisa).
Confesso que demorei para digerir o filme, mas pessoalmente não gostei da forma como as coisa desenrolaram. Porém, curti o conflito do protagonista que me fez acompanhar até o final é temer pelo que poderia acontecer com ele caso tivesse outra crise.
Better Call Saul (6ª Temporada)
4.6 430 Assista AgoraVou comentar sobre a série como um todo e não apenas a sexta temporada.
Histórias boas precisam de bons personagens e aqui temos mais um exemplo dessa máxima. Better Call Saul consegue fazer o público acompanhar um protagonista malandro e egoísta que usa todos os recursos possíveis para se dar bem e nos faz ter uma esperança de que ele possa mudar para melhor. Dá um bom estudo psicológico de personalidade. Mas nem só da trama principal vive uma série e nestas seis temporadas vimos tramas secundárias que em certos momentos eram melhores que as aventuras de Jimmy. O arco do Nacho, Mike e traficantes do alto escalão era de tirar o fôlego. A série é eficaz em conectar as tramas secundárias com a principal e ainda o faz bem porque o personagem do Saul está diretamente ligado com as consequências desta conexão de tramas.
O final foi o mais coerente possível com o personagem e até com o destino dele provável dele. O outro caminho o levaria ao que ele sempre foi desde o início (sem mudança, mesmo que mínima, enfraqueceria muito a série).
O interessante é que Jimmy continua o "Jimmy Sabonete", mas resolve mudar, ao menos um pouco, por uma causa de outro, no caso a Kim (tinha que ser ela porque nenhum outro o faria mudar).
É uma aula de construção de personagem, arco dramático e estrutura de história. Merece ter notas altíssimas nas avaliações.
Crepúsculo dos Deuses
4.5 818 Assista AgoraUm clássico do cinema. Uma trágica história (típico do noir) que mantém o público vidrado para saber o COMO do final. Talvez por estar acostumado com as narrativas modernas, eu eu não esperava certas decisões do personagem Joe. Para a época é certo que foi eficaz, mas atualmente teria soado incoerente. Exemplo: desde o início sabemos que o personagem Joe é roteirista e precisa de dinheiro. Logo no primeiro ponto de virada temos uma situação favorável para o personagem, mas ele não aceita por razões não críveis (soa estranho levando em conta o problema que nos foi apresentado inicialmente). Contudo, entendo que é o tipo de linha narrativa que funcionava na época, mas hoje causaria estranheza no público.
O todo do filme é muito bem conduzido e as revelações que acontecem deixam a trama instigante. É muito rico também por se tratar de uma metalinguagem sobre o próprio mercado de Hollywood e sobre o período de transição onde os filmes passaram a ter áudio e serem coloridos. Destaco a interpretação da atriz Gloria Swanson que faz uma personagem depressiva e lunática de uma forma bem afiada.
Um grande filme que deve ser visto por quem ama cinema.
Lucifer (1ª Temporada)
4.0 427 Assista AgoraPegue os ingredientes da série CSI e una-os com a mitologia cristã. Eis que o resultado é a série Lúcifer (por sinal, uma premissa bem criativa). Uma série que consegue atrair desde o episódio piloto e mantém o público até o final (me refiro a primeira temporada) por causa dos seguintes elementos: personagens complexos, tramas e subtramas que conversam entre si e uma jornada episódica e contínua consistente com o universo criado.
Tocando no assunto sobre personagem é impossível não destacar o ator Tom Ellis que está brilhante como Lúcifer. Debochado, sarcástico e irônico. Mas antes do ator, destacamos o roteiro porque o personagem é muito bem escrito. O arco dramático de Lúcifer é bem estruturado porque consegue entregar falhas de caráter e pontos fracos no personagem que criam uma conexão empática com o público. E isso é bem dosado porque nos primeiros episódios o personagem de Lúcifer começa a ficar desinteressante por causa do poder dele, mas no momento certo nos entregam revelações que apimentam mais ainda a história, criando no público o sentimento do perigo.
E não apenas com Lúcifer, mas todos os outros personagens têm suas profundidades e segredos que cada vez mais complicam a trama, fazendo-nos interessar mais ainda pelo como será resolvido tudo.
Eu gostei da série. Me surpreendi positivamente e pretendo continuar assistindo a segunda temporada.
Vidas em Jogo
3.8 747 Assista AgoraO início do filme quase te convida a largar a obra. Tem um ritmo lento que transmite bem a monotonia da vida do protagonista que mesmo sendo rico vive solitário por causa de um trauma de infância. A vida dele vira de cabeça para baixo quando o irmão entrega um convite para ele participar de um jogo que mudará a vida dele.
Esse filme é no mínimo intrigante porque os eventos que acontecem com o protagonista parecem um grande absurdo. Você fica na dúvida se faz parte do jogo ou não. A crescente situação adversa e surreal cria um bom suspense ao longo do filme e no mínimo desperta o interesse do público em saber como a história vai terminar. E em alguns momentos chega até a ser engraçado porque é tanto evento estranho que tu pensas estar num filme surrealista.
Abaixo comentarei sobre minha opinião, mas terá spoiler porque tem relação com a revelação final que é a mensagem do filme.
Eu gosto bastante do filme porque acredito se tratar de uma metáfora da vida que no fundo parece um jogo do qual todos são jogadores e alguém controla tudo. Se analisarmos bem, o protagonista mudou seu comportamento após "jogar o jogo". E na vida real acabamos mudando após muitas complicações em nossas vidas.
O Assassino
3.3 546 Assista AgoraO nome do David Fincher já é forte no mercado cinematográfico. A história em torno do filme O Assassino chama bastante atenção e imaginamos um mega suspense de tirar o fôlego. Contudo, as expectativas foram quebradas e nem é tão ruim assim.
O Assassino tem uma sequência de abertura bastante afiada. Conseguimos entrar na mente e no tédio do assassino que precisa esperar vários dias até que consiga executar sua missão. Uma abertura excelente e quando o incidente acontece estamos engajados pelo restante da história, mas parece que o fôlego começa a se perder no meio do ato e na parte final fica insosso. Pode até ser um pouco de expectativa frustrada, mas fica claro que a sequência final (digamos que o último chefe) e o final do filme caminharam para algo mais contido. Aliás, é um filme bem refinado tal qual a psicologia do protagonista que é metódico e tudo cuidadoso.
No geral é um filme um pouco acima da média, bem realizado e bem dirigido em todos os sentidos. Faltou mais tempero pois o título e a sinopse do filme parecem prometer algo mais intenso. Considero este filme mais melancólico do que um suspense aflitivo. Lembrando que há suspense, há tensão, há complicação progressiva coerente, mas faltou o "algo a mais". E esse algo a mais acredito ter sido a falta de um estouro no clímax.
Fuga do Passado
4.0 95 Assista AgoraUm filme que engata a quinta marcha e acelera sem pena. Assim como diz o título, o protagonista Jeff quer fugir do passado, mas o passado o persegue. Partindo desta ideia controle de viver uma vida pacífica, a costura dos eventos são muito bem construídos ao nos mostrar ideias contrárias ao desejo do protagonista e é assim que se constrói uma história interessante que prende o público até o fim. É golpista tentando enganar golpista, são mulheres oportunistas que não são confiáveis e tudo vira uma bola de neve que impede o protagonista de viver em paz porque a todo momento ele precisa se livrar de situações que o levariam para cadeia ou para debaixo da terra.
Para mim, um filme já ganha 5 estrelas se a história é interessante, consistente e coerente com as próprias regras criadas. E este filme cumpre bem os requisitos de uma história bem contada. Eu sei que tem partes e situações convenientes para a resolução de certos conflitos (algumas decisões que requerem o convencimento de outro personagem são muito rápidas e pouco críveis), mas são toleráveis diante do todo da obra. E até o minuto final você confia desconfiando dos personagens.
Máfia da Dor
3.4 111Existem filmes sensacionais (daqueles que o público sai surpreendido), filmes comportados (daqueles que o público sai satisfeito, mas só) e os filmes muito ruins (claramente fraco). Esse filme se enquadra nos comportados e flertando aqui e ali com a qualidade ruim.
Não existe nada de excepcional levando em conta a trajetória da própria história real em que se baseia e a própria abordagem da história se mantém na normalidade de qualquer outro filme sobre ascensão e queda de uma corporação. Os trechos que simulam documentário onde os atores depõem de frente para uma câmera soa cafona porque, na minha visão, o filme não precisava disso. E fica parecendo algo destoante ao levarmos em conta a forma como nos é contada a história (parece algo forçado para dar um tom de mais realismo à história). Contudo, o ritmo do filme é bom e talvez poderia ter uma duração menor (lá pelo final do filme eu já estava cochilando). Acredito que funcionaria melhor como um documentário do que como ficção.
Não é um filme ruim, mas também não é excelente. Se tivesse um gráfico que revelasse a qualidade dos filmes onde a curva pra cima são os bons e a curva para baixo são os ruins, esse teria uma linha reta.
Rejeitados pelo Diabo
3.6 625 Assista AgoraRejeitados pelo Diabo é um excelente filme com uma temática clássica dos polos em conflito entre o bem e o mal. A abertura da história já começa à todo vapor com uma sequência em que a polícia, liderada pelo xerife Wydell, embosca os assassinos. Fica muito claro que os inimigos da região são sujos, pervertidos e insanos. Na emboscada dois conseguem fugir e inicia-se uma caçada do xerife contra os meliantes.
É muito interessante a linguagem utilizada pelo diretor que opta pela câmera na mão em vários momentos, fotografia amarelada e seca que transmite bem a sujeira daquela cidade onde coisas terríveis acontecem. A montagem, em alguns momentos soa tosco, mas acaba casando bem com a proposta do filme que parece mal feito, contudo revela-se coerente com a proposta do filme (abordar sobre o deserto depravado de uma família). E o roteiro te prende do início ao filme porque sabiamente escolhe uma narrativa paralela que mostra tanto o lado dos assassinos quanto o lado da polícia. Cada um agindo em prol do seu objetivo. E tem um ponto curioso que o diretor faz que é sempre tentar fazer o público gostar da família de assassinos ao nos mostrar a alegria e o quão divertidos eles são quando estão entre os da tribo. É quase um álbum de família bizarro que transmite a mensagem de que esse é o estilo de vida deles. Só que a brutalidade das ações passadas dele, que fica clara no filme, torna essas cenas impossíveis de sentir pena (e aqui exalto a qualidade do diretor que acaba provocando o público com esses elementos dramáticos). No máximo poderia ficar mais eficaz se diminuíssem essas cenas porque acaba ficando enfadonho pois é muito usado.
Eu admito que curti muito o personagem do xerife Wydell que é uma espécie de louco do bem necessário. Sabe aquela máxima que diz: "remédio pra doido é doido e meio"? Pois aqui cabe perfeitamente pois o xerife ultrapassa a linha moral e executa o trabalho de prender os assassinos usando todos os recursos possíveis. Não é apenas uma caçada por um dever a ser cumprido, mas é algo pessoal por causa de uma revelação do qual somos apresentados. É um personagem complexo e com camadas que o tornam interessante. O filme trabalha bem ao tratar os assassinos como claramente diabólicos (signos visuais, ações e diálogos) e o xerife como um agente de Deus em missão (um agente meio doido, mas que está cumprindo a lei). Simbolicamente é Deus agindo contra o diabo através dos seus representantes terrenos.
O clímax do filme te provoca uma mistura de satisfação pelo que acontece numa das cenas e ao mesmo tempo te faz refletir sobre até onde pode-se ir para cumprir a lei. A segunda reviravolta é um chacoalho de cabeça surpreendente no público (você fica descrente do que acontece) e é o gás necessário pra ficar até o fim.
Eu considero um excelente filme levando em conta o que se propõe com o gênero, a linguagem e a trama. Uma história bem contada e satisfatoriamente executada. Salvo algumas cenas aqui e ali que poderiam ser encurtadas pois a quando o público entende o objetivo de uma cena já pode-se sair dela e avançar na trama. Uma grata surpresa para os amantes do terror.