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19 years Praia Grande - (BRA)
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Últimas opiniões enviadas

  • Paulo

    Essa é uma série que relata diversos casos cotidianos com uma abordagem mais realista e totalmente trivial. É verdade que o público-alvo está muito mais ligado às comédias românticas de Woody Allen, com seus problemas de classe média, porém a obra consegue criar cenários bastante relacionáveis, principalmente para o seu alvo, que muitas vezes pode se enxergar na tela, e também para outros que veem algum comentário pertinente em determinados episódios. Isso é uma coisa que a série acerta, às vezes de forma mais sutil e às vezes nem um pouco (inclusive tirando um pouco o espectador da história), ela traz algumas questões sobre relacionamento (até mesmo familiares), paranoia, preconceito e descobrimento, por exemplo.
    Um problema da primeira temporada era a falta de criatividade para alguns episódios, algumas situações eram muito batidas e não foram contadas de forma inovadora, mesmo que bem executada. O primeiro episódio da série é assim, o que provavelmente afastou uma grande parte do público. E se na primeira parte de Easy os grandes momentos eram minoria, na segunda eles tiveram um crescimento considerável. É importante considerar que alguns desses momentos só funcionam pela solidez da primeira temporada e de personagens construídos ali e que tem um desenvolvimento maior agora. Mas as novas tramas e novas figuras colocadas aqui dão bastante força a série.
    Um episódio específico que gostaria de comentar é o sexto, “A filha pródiga”, na tradução da Netflix. Enquanto assistimos uma série com uma aproximação mais realista, reforçada pelo trabalho de seus atores, que funcionam com uma técnica muito mais longe do caricato dentro do espectro que separa uma atuação mais estilizada da mais naturalista, surge uma família conservadora e cristã, com uma filha mais progressista. As duas partes entram em atrito após ela ser pega no flagra enquanto se relacionava com um namorado da escola. Esse episódio é fora da curva. Ainda que coerente com a proposta da série, o caráter da família é muito mais absurdo e as discussões que aparecem aqui parecem muito mais ridículas após acompanharmos debates de adultos que pautavam suas conversas e ideias em coisas mais “sólidas”. Isso faz com que seja o mais engraçado de todos, por criar uma circunstância onde a falsa moralidade é tão ridícula que até parece mentira, mas não é.
    Todos os episódios tem um começo, meio e fim bastante coesos e que desenvolvem uma história única para cada um deles, mas a série adiciona partes importantes para algumas tramas de determinados episódios em trechos de outros episódios em que o foco não é a pessoa que faz a aparição. E não só isso, Easy também se dispõe a explorar o universo da Chicago fictícia criada, aumentando a história de seus personagens em novos episódios. O arco do dono da cervejaria, Jeff, interpretado por Dave Franco, é muito bom. Se na primeira temporada ele termina sucumbindo a seus ideais e tendo que crescer diante de uma situação que pedia para que ele amadurecesse, agora ele percebe que a solução que pensou ter encontrado no seu primeiro episódio não fazia tanto sentido na sua conjuntura da segunda temporada, e volta atrás de novo. Em episódios curtos, com cerca de 25 minutos, tudo é bem direto, com cortes em partes que dariam detalhes mais desnecessários para a trama e construindo uma narrativa fluida, sem deixar de estabelecer enredos envolventes.

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  • Paulo

    Se hoje estamos cansados de filmes de heróis entupindo a agenda dos cinemas ao redor do mundo, com franquias cada vez mais megalomaníacas, na década de 80 havia um número muito mais enxuto de adaptações de super heróis dos quadrinhos para as telonas. Até mesmo na TV, onde era mais comum, não tínhamos essa abrangência toda que temos atualmente. Então é importante considerar esse cenário onde a única grande franquia de um herói das HQs tinha sido a do Superman de Christopher Reeve, que começou com o memorável filme de 1978 dirigido por Richard Donner, para entender o que o Batman de Tim Burton significou em 1989.

    Apesar da existência do filme gerado a partir da série de TV de 1966, era a primeira vez que um trabalho de audiovisual de longa metragem interpretava o Cavaleiro das Trevas de uma maneira mais condizente com o seu apelido. É difícil pensar em alguém mais apropriado para construir uma Gotham City nos cinemas do que Burton. O diretor tem um grande apelo visual em praticamente todos os trabalhos que fez, e sua abordagem inspirada no expressionismo alemão é totalmente coerente ao universo do personagem da DC Comics. O design de produção é espetacular, cria uma cidade suja, ressaltada pelas cores tanto de seus edifícios góticos, ruas e carros como pelo figurino dos habitantes quando é apresentada logo no início. Cinza, marrom, poucas luzes e um movimento considerável de pessoas que deixa tudo ainda mais poluído, inclusive sonoramente, mostrando a dificuldade de um personagem conseguir um táxi no centro de Gotham e sendo assaltado logo em seguida por ter que cortar caminho em um beco.
    A partir daí também somos apresentados à criminalidade de Gotham e ao tom do filme, mais violento do que o comum dentro do gênero quando foi lançado. Quando vemos o Batman de Michael Keaton pela primeira vez, ele surge como uma ameaça para os bandidos em cena como se fosse um vampiro em filme de terror, gerando uma expectativa de como ele vai enquadrar os criminosos enquanto vemos sua silhueta em um fundo que antecipa sua chegada por trás deles. Então, após umas porradas bem dadas, o personagem se expõe para quem ainda não tinha reconhecido: “I’m Batman!”. Uma boa introdução para o alter ego do bilionário Bruce Wayne.
    A trama envolve Jack (Jack Nicholson), um criminoso que, após ser derrubado acidentalmente por Batman em um tanque com substâncias tóxicas, se transforma no Coringa e vira chefe do crime na cidade. Em todos os filmes dessa franquia, os vilões se sobressaem. Aqui, Nicholson cria uma versão bastante coerente do que havia sido visto até então do Palhaço do Crime nos quadrinhos. Ele rouba a cena, é engraçado, com a infantilidade e besteiras características do personagem (a cena em que ele rouba o sinal de televisão é o Coringa clássico), imprevisível, sendo capaz até de matar inesperadamente o capanga que disse ser o seu “número 1”, e por isso, ameaçador dentro daquele universo. É perceptível o quão lunático é esse Coringa, seja pela risada, trejeitos ou até pela maquiagem que forma um sorriso estranhíssimo em seu rosto, e se esse cara tem tanto poder e lidera a maior parte do crime em uma cidade tão corrupta, ele é verdadeiramente perigoso. E é curioso a forma que Nicholson constrói essa aura de psicopata mesmo sem deixar seu personagem se exceder e parecer que está à beira de qualquer sanidade a todo o momento. Ele consegue contrastar partes passivo agressivas com outras em que chuta o balde completamente. A primeira cena em que Jack é de fato o Coringa há uma antecipação semelhante ao que vemos no começo com Batman, com o palhaço saindo do escuro e revelando, aos poucos, sua face deformada, que aparece em um contra plongeé acompanhada de notas musicais fortes e um movimento de câmera em direção a ela que realçam a presença dele no filme – tão importante quanto aquele que deveria ser o protagonista. Aliás, nos créditos iniciais o nome de Jack Nicholson é o que aparece primeiro. E assim como conhecemos o modus operandi de Batman em sua primeira cena, vemos o mesmo com o Coringa, que mata aquele que era o então chefe do crime a tiros, descarregando toda a sua munição nele enquanto se diverte fazendo diferentes poses e rindo depois que tudo acaba. Coringa clássico.
    Dentro da história, também temos Vicki Vale, jornalista e fotógrafa que se mudou para Gotham em busca de uma matéria sobre o Batman, por quem é fascinada. Após ir a uma festa na mansão de Wayne, onde esperava falar com a polícia e encontrar pistas sobre o vigilante da cidade, ela acaba se fascinando também pelo homem por trás da máscara escura. A personagem vivida por Kim Basinger tem uma importância na história, mesmo que muitas vezes seja usada apenas como a motivação para o herói ir salvá-la no topo de uma catedral, mas demonstra ser muito inteligente, inclusive nesta mesma cena. Porém, a relação entre ela e Bruce é um ponto fora da curva dentro do filme e deixa uma sensação de que se o roteirista quisesse, poderia encontrar maneiras diferentes de resolver o conflito principal da trama entre Batman e Coringa.
    Vicki Vale é pouco desenvolvida e não vemos nada além de uma jornalista apaixonada por Bruce e Batman. Ainda há uma tentativa de criar um background que melhorasse a relação do público com ela quando ela está na cozinha de Wayne, mas é tudo muito raso. Só que mais grave do que isso é perceber que não só ela, mas o personagem principal também não é ninguém. Quando termina o filme continuamos nos perguntando: “quem é Bruce Wayne”. Não há nenhum desenvolvimento significativo para ele além de mostrar o caso do assassinato de seus pais. Inclusive, uma coisa boa que o filme faz é não tratar a origem tão conhecida do herói como algo inédito. Ninguém precisa ser introduzido a como o Batman “nasceu”. Pode-se argumentar que esse aspecto estabelece um mistério inerente a figura de Wayne o que faria todo sentido, dada a sua natureza sigilosa, mas acaba formando apenas um protagonista vazio. Ainda mais se pensarmos que nesse filme, o segredo da bat-caverna é revelado por Alfred (Michael Gough) sem mais nem menos para a jornalista que acabara de conhecer Bruce. O único personagem que cativa e tem algo a mais a oferecer é o Coringa.
    Mesmo tendo a fama de ser um dos primeiros filmes de herói com uma aura mais sombria (talvez o primeiro de sucesso, numa escala tão grande), é necessário lembrar do humor presente aqui. Esse lado cômico é manifestado em vários momentos, com destaque para as já citadas cenas do vilão de Nicholson, mas também com piadas visuais mais sutis que podem passar despercebidas pelo público em geral. Um dos melhores exemplos é na festa na mansão Wayne, no começo, em que ainda não havíamos visto Bruce, apenas o Batman, com sua máscara, e enquanto o bilionário larga coisas pelo salão, observando a jornalista que chamou sua atenção, um mordomo (Alfred, que ainda não tinha sido apresentado) vai recolhendo tudo o que ele deixa pelo caminho nas suas costas. Não é só engraçado como também dá indicativos de quem é aquele homem.

    Vivendo de altos e baixos, com uma trama simples e personagens pouco desenvolvidos, o Batman de 89 se sustenta pelo trabalho incrível da criação daquele universo, – com cenários espetaculares que renderam um Oscar de Direção de Arte em 1990 – figurinos, maquiagem, um vilão magnético e o ineditismo de uma obra que contava a história do herói com um teor adequado ao que os fãs do homem-morcego estavam acostumados.

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  • Nenhum recado para Paulo.

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