Em South Park: The Streaming Wars (2022), lançado no Brasil como South Park: Guerras do Streaming, fica claro que infelizmente nunca mais será aquela coisa simples e espontânea das primeiras temporadas. Ainda assim, a produção continua trazendo uma boa crítica social, com algumas piadas realmente eficientes e trocadilhos bem sacados. A forma como a chamada “guerra da água” é usada como metáfora para os serviços de streaming, entre outras coisas, funciona bem e mostra que a série ainda sabe apontar absurdos contemporâneos com ironia.
Mesmo sem eu ter acompanhado a série de forma contínua ao longo dos últimos anos, dá para perceber as mudanças que ocorreram. Existem ideias interessantes e momentos inspirados, mas é inegável que a qualidade geral caiu bastante quando comparada ao auge da série. O humor já não é tão afiado nem tão impactante quanto antes, embora ainda consiga provocar reflexões pontuais.
O crescimento do Randy como personagem é outro ponto que pesa. Ele não é um personagem ruim, pelo contrário, mas o foco excessivo nessa fase do cultivo de maconha, quase como a espinha dorsal do filme e da série, acaba ficando cansativo. Soa repetitivo e menos criativo do que quando a série se concentrava mais no cotidiano das crianças na escola, que sempre foi um dos maiores acertos de South Park. No fim, é um especial com seus méritos, mas que também escancara o quanto a série já perdeu força com o tempo.
O filme South Park: Pós-Covid – A Volta da Covid (2021) é interessante por nos trazer uma visão de futuro, mostrando as figuras conhecidas da série já adultas, lidando com as consequências da pandemia e das decisões que tomaram no passado. A ideia de revisitar os personagens tantos anos depois é, por si só, curiosa, e a produção consegue despertar a nostalgia dos fãs de longa data. A história em si, porém, não é nada demais se comparada com o que já vimos nas primeiras e mais criativas temporadas da série. Ainda assim, é interessante e possui alguns bons momentos nonsense que só South Park poderia oferecer.
Logo no início, acompanhamos um futuro onde Stan, agora adulto e um homem aparentemente bem-sucedido, retorna à cidade após a morte de Kenny, que se tornou um renomado cientista e estava tentando descobrir a origem e o fim definitivo da Covid. Esse reencontro com South Park é carregado de ironia, já que a cidade parece não ter mudado tanto — apenas envelhecido. É nesse ponto que o filme começa a brincar com o tempo e com o absurdo: ver os pais e pessoas mais velhas da cidade todos idosos e internados em um asilo é hilário e, ao mesmo tempo, melancólico.
Lá estão a mãe do Cartman, os pais do Kyle, além de Sr. Garrison, Sr. Mackey e até Ned, todos tentando sobreviver à velhice e às suas próprias manias.
O chefe da casa do Hospital Psiquiatrico, inclusive, parece claramente inspirado em Peter Cushing, o que adiciona uma pitada de humor visual para quem pega a referência.
O destaque, porém, fica nas mudanças dos personagens principais. Stan está mais cético e amargurado, carregando traumas do passado. Kyle tenta manter alguma moralidade e busca consertar as coisas, ainda que preso às velhas rivalidades. Cartman, talvez o mais surpreendente, aparentemente mudou completamente —
agora é um judeu devoto, casado e com filhos, o que, claro, gera desconfiança de todos, principalmente de Kyle, que acredita que tudo não passa de mais uma manipulação. Kenny, mesmo morto, é peça-chave da trama, pois seu legado e sua pesquisa se tornam o centro da missão dos amigos para tentar corrigir os erros do passado.
Além deles, é divertido rever Wendy, Tweek, Craig, Token e até Scott Malkinson, o diabético, todos adaptados (ou não) à vida adulta, com personalidades que misturam evolução e caricatura.
Embora o humor não tenha o mesmo impacto dos tempos áureos, quando a série era mais provocativa e imprevisível, o filme ainda consegue arrancar boas risadas e entregar momentos genuinamente absurdos — especialmente nas interações entre os personagens e nas tentativas desastrosas de resolver os problemas com viagens no tempo e teorias mirabolantes. No entanto, está longe de ser tão engraçado quanto South Park já foi. Depois de mais de quase 30 temporadas, é natural que a fórmula se desgaste um pouco, e “A Volta da Covid” acaba soando mais como um especial nostálgico do que uma comédia afiada.
Mesmo assim, o longa tem seu valor ao revisitar esses personagens e refletir, com o humor característico da série, sobre o mundo pós-pandêmico, as mudanças do tempo e o quanto as pessoas (ou os personagens) realmente mudam — ou continuam presas às mesmas neuroses de sempre. É um filme que diverte, provoca um sorriso aqui e ali, e serve mais como um reencontro com velhos conhecidos do que como uma grande sátira.
South Park: Guerras do Streaming
3.2 17 Assista AgoraEm South Park: The Streaming Wars (2022), lançado no Brasil como South Park: Guerras do Streaming, fica claro que infelizmente nunca mais será aquela coisa simples e espontânea das primeiras temporadas. Ainda assim, a produção continua trazendo uma boa crítica social, com algumas piadas realmente eficientes e trocadilhos bem sacados. A forma como a chamada “guerra da água” é usada como metáfora para os serviços de streaming, entre outras coisas, funciona bem e mostra que a série ainda sabe apontar absurdos contemporâneos com ironia.
Mesmo sem eu ter acompanhado a série de forma contínua ao longo dos últimos anos, dá para perceber as mudanças que ocorreram. Existem ideias interessantes e momentos inspirados, mas é inegável que a qualidade geral caiu bastante quando comparada ao auge da série. O humor já não é tão afiado nem tão impactante quanto antes, embora ainda consiga provocar reflexões pontuais.
O crescimento do Randy como personagem é outro ponto que pesa. Ele não é um personagem ruim, pelo contrário, mas o foco excessivo nessa fase do cultivo de maconha, quase como a espinha dorsal do filme e da série, acaba ficando cansativo. Soa repetitivo e menos criativo do que quando a série se concentrava mais no cotidiano das crianças na escola, que sempre foi um dos maiores acertos de South Park. No fim, é um especial com seus méritos, mas que também escancara o quanto a série já perdeu força com o tempo.
Assistido em 23/12/2025
South Park: Pós-Covid: A Volta da Covid
3.7 6 Assista AgoraO filme South Park: Pós-Covid – A Volta da Covid (2021) é interessante por nos trazer uma visão de futuro, mostrando as figuras conhecidas da série já adultas, lidando com as consequências da pandemia e das decisões que tomaram no passado. A ideia de revisitar os personagens tantos anos depois é, por si só, curiosa, e a produção consegue despertar a nostalgia dos fãs de longa data. A história em si, porém, não é nada demais se comparada com o que já vimos nas primeiras e mais criativas temporadas da série. Ainda assim, é interessante e possui alguns bons momentos nonsense que só South Park poderia oferecer.
Logo no início, acompanhamos um futuro onde Stan, agora adulto e um homem aparentemente bem-sucedido, retorna à cidade após a morte de Kenny, que se tornou um renomado cientista e estava tentando descobrir a origem e o fim definitivo da Covid. Esse reencontro com South Park é carregado de ironia, já que a cidade parece não ter mudado tanto — apenas envelhecido. É nesse ponto que o filme começa a brincar com o tempo e com o absurdo: ver os pais e pessoas mais velhas da cidade todos idosos e internados em um asilo é hilário e, ao mesmo tempo, melancólico.
Lá estão a mãe do Cartman, os pais do Kyle, além de Sr. Garrison, Sr. Mackey e até Ned, todos tentando sobreviver à velhice e às suas próprias manias.
O destaque, porém, fica nas mudanças dos personagens principais. Stan está mais cético e amargurado, carregando traumas do passado. Kyle tenta manter alguma moralidade e busca consertar as coisas, ainda que preso às velhas rivalidades. Cartman, talvez o mais surpreendente, aparentemente mudou completamente —
agora é um judeu devoto, casado e com filhos, o que, claro, gera desconfiança de todos, principalmente de Kyle, que acredita que tudo não passa de mais uma manipulação. Kenny, mesmo morto, é peça-chave da trama, pois seu legado e sua pesquisa se tornam o centro da missão dos amigos para tentar corrigir os erros do passado.
Embora o humor não tenha o mesmo impacto dos tempos áureos, quando a série era mais provocativa e imprevisível, o filme ainda consegue arrancar boas risadas e entregar momentos genuinamente absurdos — especialmente nas interações entre os personagens e nas tentativas desastrosas de resolver os problemas com viagens no tempo e teorias mirabolantes. No entanto, está longe de ser tão engraçado quanto South Park já foi. Depois de mais de quase 30 temporadas, é natural que a fórmula se desgaste um pouco, e “A Volta da Covid” acaba soando mais como um especial nostálgico do que uma comédia afiada.
Mesmo assim, o longa tem seu valor ao revisitar esses personagens e refletir, com o humor característico da série, sobre o mundo pós-pandêmico, as mudanças do tempo e o quanto as pessoas (ou os personagens) realmente mudam — ou continuam presas às mesmas neuroses de sempre. É um filme que diverte, provoca um sorriso aqui e ali, e serve mais como um reencontro com velhos conhecidos do que como uma grande sátira.
Assistido em 26/10/2025
Lendas do Além-Túmulo
3.5 13É bom demais! O tipo de coisa que não se faz mais... os contos são interessantes, tem humor, tem ironia, e tem um clima de terror gostosin!
(igual você que tá lendo)
Fora os 3 diretores fodas, Richard Donner, Robert Zemeckis e Walter Hill.