Um dos filmes mais lindos que assisti recentemente. A reconstrução da relação entre neto e avó é comovente, e mesmo com um ritmo mais lento, cada momento é absorvido com profundidade. É doloroso perceber como a velhice muitas vezes chega acompanhada de solidão e do desprezo de quem enxerga os idosos apenas como detentores de bens (algo que alguns só aguardam herdar). A exploração de pessoas idosas é de partir o coração, como se fossem apenas corpos à espera do fim, ignorando que sentem tristeza, dores e ainda necessitam de carinho, respeito e atenção. No fim, não levamos nada conosco, e nenhuma disputa material pode superar o valor das memórias construídas ao longo da vida. M. aprendeu uma lição preciosa com sua avó, redescobrindo não apenas o vínculo entre eles, mas também a própria identidade, através do diálogo, da cultura e de hábitos que havia deixado para trás. Conectar-se genuinamente com as pessoas é um lembrete essencial da nossa humanidade. Brilhante filme tailandês. Chorei horrores e sei que essa história vai ecoar em mim por dias.
O filme é divertido, seria um episódio perfeito de Black Mirror, mas não consegui parar de pensar em como o cinema tem tentado humanizar os robôs. Obras como O Homem Bicentenário, Eu, Robô e A.I. – Inteligência Artificial já exploraram essa narrativa, mas sempre me surpreende como essa ideia continua evoluindo. É curioso porque, dias atrás, conversei com a Gemini, e ela não respondeu mecanicamente, mas tentou desenrolar o assunto para me conhecer melhor e personalizar a experiência. Desliguei a "chamada" meio atordoada. Estamos nos aproximando cada vez mais das máquinas, e elas estão mais próximas da nossa realidade do que imaginamos. O filme me lembrou uma versão materializada de HER. Tenho certeza de que Theodore (Joaquin Phoenix) teria tratado Iris muito melhor do que Josh. No fim das contas, por mais que inteligências artificiais possam simular sentimentos e emoções, quem decide como usá-las, para o bem ou para o mal, somos nós, humanos. Amei que Iris compreendeu quem era e tomou as rédeas da própria vida, abraçando sua identidade. E, claro, eliminar um incel misógino e criminoso foi um toque brilhante! Durante todo o filme, Josh não demonstrou nenhuma emoção por ela ou por qualquer outra pessoa. No fim, enquanto ele permanecia apático, ela finalmente experimentava o que significava sentir. Finalizar o filme com Emotion, de Samantha Sang, com participação dos Bee Gees, foi emblemático. Iris estava sendo tomada por emoções e talvez a última que tenha sentido tenha sido a felicidade de estar livre. Saí do cinema cantando. Quem amou?!
Quero expressar todo o meu amor por esse filme. Já perdi a conta de quantas vezes o assisti, e me peguei pensando muito nele e em como ajo em algumas situações. Talvez por isso me identifique com o Travis em alguns momentos. Na infância, meus pais me apelidaram de Forrest Gump, e talvez nem saibam o peso que isso teve sobre mim. Forrest corria para longe, enquanto Travis caminhava. Não sei bem por que fiz esse paralelo, mas aqui estou, divagando. Ambos fugiam de seus problemas, como tantas vezes eu já fiz. Esse filme é lindo, não só pela estética, mas pela forma como retrata a vulnerabilidade de alguém que, atormentado por seus próprios fantasmas, decide abandonar tudo sem olhar para trás. Ele abre mão da família, dos confortos e até mesmo da própria identidade, como se precisasse se dissociar de quem foi um dia. Vagando sem rumo, Travis passa anos sem deixar rastros, até que a vida o coloca novamente diante das pessoas que ele deixou para trás. É sua chance de recomeçar, de tentar fazer as coisas certas. Ele percebe que, para seguir em frente, precisa encarar seus traumas e, aos poucos, tenta reconstruir o vínculo com seu filho, Hunter, que agora é criado por seu tio e sua tia. Para a criança, seus tios são seus pais, e no início há uma resistência natural à reaproximação. Mas, movido pela curiosidade e por sua personalidade carismática, Hunter acaba se reconectando ao pai. Após o sumiço de Travis, Jane, mãe de Hunter, também desapareceu, deixando o filho sob os cuidados dos tios. Durante anos, enviava dinheiro para ele, mas sem contato direto. Travis então parte em uma busca incansável para encontrá-la e consertar os erros do passado. Junto de Hunter, embarca em uma verdadeira investigação digna de FBI. Até esse ponto, ninguém entende completamente por que tudo aconteceu: por que Travis passou anos vagando sem destino e por que Jane deixou o filho para trás. No reencontro, porém, a verdade vem à tona. O alcoolismo de Travis e a grande diferença de idade entre ele e Jane criaram um relacionamento tóxico e inseguro para ela. Travis se tornou um homem violento, e, quando finalmente percebeu o estrago que havia causado, não conseguiu lidar com isso. Sua única saída foi fugir, se afastar e silenciar. No fim, ele consegue reunir mãe e filho, mas o filme deixa o desfecho em aberto. Sempre me perguntei: Será que ele seguiu em frente depois disso? Voltou a vagar pelas ruas? Manteve contato com Hunter e Jane? São muitos questionamentos.
O que mais me encanta é a forma como a história se desenrola. Apesar do ritmo lento, ela permite que a gente absorva cada detalhe, cada dor e cada reencontro. É um filme triste e lindo ao mesmo tempo. Acompanhar as relações sendo construídas, destruídas e depois reconstruídas me emociona profundamente.
(O anúncio de Cowboy Carter Tour também me fez relembrar do meu filme preferido. Bey explorou a estética de Paris, Texas e eu espero que os visuais me tragam mais surpresas LoL)
Ser mulher é um evento e não daqueles em que a gente se diverte. Desde o início, o filme nos joga na dura realidade da vida de Karoline, que, enquanto espera pelo marido que foi para a guerra, tenta sobreviver perdida em um subemprego. O que está por trás de tudo? Homens. Sempre eles. Criam guerras, deixam as mulheres vulneráveis, desamparadas, e, quando algum deles surge, oferece migalhas de afeto (ou sexo), às quais elas acabam se apegando. Foi exatamente o que aconteceu com a protagonista. Quem diria que aquele grandalhão, aparentemente tão dócil, era um filhinho de mamãe? Incapaz de abrir mão de sua vida confortável, ele sequer se importou com a criança que gerou. Assim, Karoline foi abandonada mais uma vez sem emprego, sem teto e agora com uma criança para criar. Quando o marido retorna, é desprezado: ela havia se apaixonado por outro. A cena do aborto é agonizante, sufocante. A agulha se torna símbolo da existência de Karoline, uma extensão de sua dor. Trabalhando em uma fábrica de costura, ela tenta interromper a gravidez com uma agulha de crochê, enquanto o marido afundava em morfina para anestesiar as dores da guerra. Agulhas por toda parte. Dor por toda parte. A fotografia em preto e branco amplifica a crueza e a obscuridade crescente da trama. No meio desse caos, Karoline se envolve com uma mulher que, sem saber, era uma assassina de bebês. É nesse ponto que sua relação com a maternidade ganha outra dimensão. A sensação é que, para muitos, nós, mulheres, não somos mais que receptáculos de bebês. Não nos é permitido amar, nos divertir, ou sequer ter o direito a condições mínimas de existência. Minha moral foi colocada à prova quando a assassina afirmou que fazia o que a maioria desejava, mas não tinha coragem de admitir.
O aborto, em certos casos, é necessário; ele pode evitar sofrimento tanto para mães quanto para crianças. O mundo é podre, tão cruel e dilacerante quanto o que foi retratado no filme.
O começo do filme era o retrato de uma família feliz, como aquelas vistas em comerciais de margarina. O personagem principal, um homem de olhos azuis, aguardava a chegada de sua filha, cumprindo o papel de pai dentro da cartilha da família tradicional. A história, inicialmente, parecia simples e previsível. Mas foi quando ele decidiu se envolver no júri que a trama realmente se complicou. Não sei o que os outros espectadores acharam, mas, para mim, ficou claro desde o início que Justin estava envolvido no crime (eu não assisti o trailer ou vi qualquer informação antes de assistir LOL). Quando ele se colocou na cena, não estava apenas criando um cenário mental, ele estava revivendo o que havia acontecido. Na hora, pensei: "Foi ele!" E, de fato, era. Entre a culpa e o medo de ser pego, ele tentou impedir que uma pessoa inocente fosse condenada. Sabíamos que, na verdade, ele também não foi totalmente culpado. A cena do atropelamento, inclusive, foi quase uma propaganda anti-celular no trânsito: uma imprudência que, embora trágica, não configurou um crime premeditado. Justin não era uma pessoa má. Assim como a moeda que ele carregou durante o filme, toda história tem dois lados. Não sei se exagerei, mas o nome da advogada, Fé (Faith), junto com a frase "In God We Trust", pareceu reforçar exatamente o ponto do filme: as pessoas não têm fé em Deus (pois é difícil afirmar sua existência), mas sim em suas próprias verdades, convicções e visões de mundo. O réu foi apresentado como um homem mau, o estereótipo perfeito de um presidiário, sem direito a muita defesa ou compaixão, mesmo sendo inocente. Sua aparência foi o que levou todo o júri a acreditar em sua culpa, sem questionar muito, embora, em certo momento, alguns dos jurados tenham começado a duvidar. Um exemplo disso foi uma das testemunhas no julgamento, que, inicialmente, tinha certeza da culpa do réu, mas, posteriormente, demonstrou não saber mais ao certo quem tinha visto naquela noite. Ele acreditou na polícia. Outro detalhe que me chamou a atenção foi que o verdadeiro culpado era o jurado número 2, enquanto o policial aposentado que quase descobriu sua culpa foi o jurado número 4. Números pares, como se um complementasse o outro. Justin fez o possível para se livrar da prisão e proteger sua família, mas sempre seria assombrado pela culpa do que realmente aconteceu. A justiça, como ele comentou com Faith, não é efetiva. Isso é algo que podemos observar no sistema carcerário ao redor do mundo, onde muitas pessoas estão presas injustamente, julgadas pela aparência ou estereotipadas, sem direito ao benefício da dúvida. Enquanto isso, criminosos reais podem estar soltos. Até mesmo pessoas comuns, que em algum momento cometeram um erro sem intenção, tirando a vida de alguém, podem estar livres. Sem culpa, sem remorso e sem justiça para nenhuma das partes. No fim, o filme lembrou que as pessoas não são, essencialmente, boas ou más. Todos convivem com escolhas que podem levá-las a lugares inesperados, podendo ser as pessoas mais corretas ou não, dependendo das circunstâncias. Todos têm famílias, vidas e problemas que são julgados através do filtro das convicções e da visão de mundo dos outros. Ser advogado deve ser EXTREMAMENTE desafiador para quem busca fazer o certo, porque, muitas vezes, é necessário duvidar de suas próprias verdades, das provas (ou da ausência delas) e da própria justiça. O final não deixou dúvidas: a justiça pode ter suas falhas, mas, em certos momentos, ela não falha.
Não gosto muito da maneira como as câmeras se movimentam nesse filme. Passam uma impressão de amadorismo, mas entendo que o objetivo é aproximar mais da realidade. Apesar disso, o filme me deixou profundamente triste, mas não chocada. Tudo o que é retratado ali realmente acontece na vida real: mulheres traficadas e seus corpos objetificados para alimentar o lucro de uma máfia poderosa.
Lilya teve o azar de nascer de uma mãe que não desejava ser mãe. Além disso, sua única parente próxima, a tia, não dava a mínima para ela. Sua única amiga a traiu de forma cruel, e o único que poderia representar algo próximo de uma família, Valodya, também tinha uma vida familiar completamente disfuncional.
A primeira pessoa que demonstrou carinho por Lilya foi o suficiente para que ela largasse tudo, sem pensar nas consequências. Essa dinâmica é real para muitas mulheres: um pequeno gesto de afeto pode desestruturar completamente suas escolhas. Lilya era vulnerável, assim como Valodya, mas acabou se deixando levar por promessas vazias e gestos superficiais de carinho.
A morte de Valodya é profundamente triste, mas mesmo após sua morte, ele continua cuidando de Lilya, mesmo sendo mais jovem. No final, não pude deixar de traçar um paralelo entre o destino de Lilya e o da mãe. A mãe encontra um namorado estrangeiro, acredita nas promessas dele e parte, abandonando a própria filha — uma cena desesperadora de assistir. Mas quem garante que a mãe também não foi traficada? Assim, o destino da mãe acaba refletido na filha.
É um filme muito difícil de assistir. Doloroso, mas necessário.
Esse não é o tipo de filme que costumo assistir, mas dei play por curiosidade e, claro, porque queria ouvir a Cynthia e a Ariana cantando. Que dupla incrível! Acabei gostando da história e, agora, sou oficialmente team Elphaba. E assim são as histórias de bruxas (ou pessoas) que são rotuladas como vilãs e acabam abraçando essa ideia porque já não têm medo de nada nem de ninguém.
Uma tentativa de trazer de volta os fãs da dupla João Grilo e Chicó sem precisar de uma continuação poderia ser relançar o clássico nos cinemas, aproveitando essa onda de filmes antigos voltando à telona. O novo filme tenta seguir a vibe do original para contar uma história atual, mas acaba sendo só meio engraçado. A estética, com aquele estereótipo do sertanejo que funcionava lá nos anos 90, hoje parece meio fora de lugar. No fim, é mais uma experiência nostálgica do que algo realmente marcante ou inovador.
Mais uma vez, me surpreendo com um filme incrível que não é de Hollywood (mas que, ironicamente, sempre acaba inspirando os estadunidenses, né?). Desde o início, o filme escancara a loucura da indústria da beleza: milhares de jovens desejando se parecer com Lilico, cuja imagem domina revistas e telas de TV. A estética colorida contrasta com a aparente pureza e inocência até que a verdadeira essência da protagonista é revelada: Lilico é cruel. Na busca obsessiva pela beleza, ela perdeu sua humanidade e não hesita em usar as pessoas ao seu redor como ferramentas para atingir seus objetivos. Apesar de sua aparência deslumbrante, sua principal arma de manipulação é o sexo. Mesmo cercada pelo luxo da fama e por admiradores devotos, Lilico não encontra felicidade. O abuso de cirurgias plásticas a fez se desconectar de si mesma, abandonando qualquer senso de ética ou moralidade. Conforme sua mente e corpo começam a se desintegrar, a verdade sobre Lilico vem à tona: ela nunca foi "perfeita", mas uma criação das clínicas de estética. O filme é brilhantemente detalhado. A transformação de Lilico é refletida até mesmo nas cores de suas roupas. Antes vibrantes e sensuais, elas se tornam sombrias, como se ela estivesse se preparando para o próprio funeral, vestindo apenas preto no desfecho. A chegada de sua rival intensifica seu declínio, evidenciando que sua maior ameaça sempre foi a juventude de outras mulheres, diretamente associada à beleza. O som constante de um relógio marcando o tempo é a metáfora perfeita para sua paranoia com o inevitável fim de sua era.
É fantasticamente bizarro, mas interessante pensar em como as formigas devem se sentir quando os humanos as maltratam 😩 O filme me fez refletir sobre regimes políticos onde um ser ""supremo"" influencia uma população a acreditar na própria superioridade. No caso de Planeta Fantástico, a inteligência dos draags. Isso leva à inferiorização de um povo diferente, permitindo que sejam escravizados. Os oms (humanos) são como cachorrinhos ou bobos da corte, mas se tornam uma ameaça ao acessarem os meios de aprendizado dos draags. Por isso, são cruelmente exterminados. Achei incrível o final, quando os draags finalmente buscam a paz, e os oms conquistam um planeta para chamar de seu, a Terr (em referência ao protagonista que se rebelou e lutou pela dignidade do seu povo).
Agora, sério: queria muito assistir a esse filme bem chapada. É isso.
Não poderia ter começado a lista de filmes de 2025 de forma melhor do que com esse filmaço. Assistir em uma sala IMAX só deixou tudo ainda mais surreal. Que imersão absurda! A tensão cresce de forma frenética, e a fotografia eleva o terror a outro nível. Dá pra sentir o medo na pele. O foda de ser cronicamente online é que quando Orlok pediu para ser chamado de "lorde", não consegui segurar a risada interna lembrando dos memes do MJ. Quase cuspi minha coquinha. A narrativa é hipnótica, te prende do começo ao fim. E a atuação da Lily-Rose? Impecável. Mandou muito. Quando o Dafoe apareceu, senti um alívio imediato. É claro que tinha que ser ele o detentor da resolução dos problemas. O professor meio pirado que manjava tudo de ocultismo. Agora, sobre o terror para mim: demônios? Tranquilo. Possessão? Pode mandar mais. Jumpscares? De boa. Mas colocar RATOS no filme? Aí é sacanagem, me quebra completamente. Fez juz ao original e trouxe discussões atuais sobre religião e ciência. Achei pica, tá?
A ganância, o desejo por fama e dinheiro realmente mexem com a cabeça de um homem, não é? O querido colocou toda a família em risco só para se sentir o grande "fodão". Passava os dias enchendo a cara de uísque e escrevendo meia página por dia da sua GRANDE E MAJESTOSA OBRA, que, segundo ele, o tiraria do ostracismo. Gostei da forma como o filme foi gravado, com a casa sempre nas sombras, luzes apagadas e portas abertas. Isso cria uma atmosfera de pura agonia, especialmente para quem é ansioso. A sonoplastia também merece destaque: a tensão sonora é construída de forma tão precisa que, mesmo quando você espera o jumpscare, ele ainda consegue te pegar. E olha que sou difícil de assustar, mas dessa vez não teve jeito 🤡 O plot twist foi uma surpresa e fugiu do previsível, o que sempre é um ponto positivo. Não diria que é uma obra extremamente agoniante ou aterrorizante, mas o ritmo acelerado dos acontecimentos consegue te prender do início ao fim.
muito mais perigosa que bala perdida É A MULHER TRAÍDA ela joga granada e depois sai batida É A MULHER TRAÍDA e coloca o chumbinho preparando a comida É A MULHER TRAÍDA e adora dar banho de água fervida É A MULHER TRAÍDA
Que filme massa! Estou rindo e não é pouco. É impressionante como consegue ser leve e pesado ao mesmo tempo. Você praticamente torce para que a protagonista, mesmo tendo cometido um crime, saia impune. Dá vontade de socar o traidor e o investigador Fuinha, enquanto agradecemos ao universo pela amizade entre o SeltonDificador e a dona Elvira. O plot foi totalmente inesperado, e posso dizer que me diverti muito assistindo.
"A vida é sofrimento. É difícil. O mundo é amaldiçoado. Mas ainda assim, você encontra razões para continuar vivendo."
O ser humano é ganancioso e muitas vezes incapaz de viver em harmonia com a natureza, explorando suas riquezas sem considerar o impacto. Nesse contexto, Miyazaki trouxe uma mensagem brilhante. Princesa Mononoke é belíssimo, repleto de paisagens de tirar o fôlego (como sempre, Studio Ghibli me encanta visualmente). Além disso, ele nos lembra que a realidade nem sempre corresponde às nossas expectativas. Vilões podem se redimir, mas há aqueles que nasceram para ser implacáveis e provavelmente nunca mudarão. O perdão nem sempre é necessário, e o filme nos mostra que o bem e o mal coexistirão eternamente. No entanto, quando pessoas se unem por um propósito maior, é essa união que cria a verdadeira força. E o amor? Miyazaki nos ensina que ele se revela nas pequenas coisas: nos gestos, nas ações, nas lutas diárias. No entanto, ele também nos mostra que nem sempre o amor exige que duas pessoas permaneçam juntas, mesmo que os sentimentos sejam profundos e genuínos. Essa é a beleza e a realidade da vida.
Francamente, a ideia de que a felicidade feminina depende do desejo masculino é insuportáveeeeeel. Renunciar à própria felicidade em busca de juventude eterna, chegando ao ponto de consumir fetos para agradar um homem velho (((que provavelmente depende de tadalafila para sustentar relacionamentos com mulheres mais jovens))) é o cúmulo da distorção.
Se o relacionamento está ruim, termina. Se está sendo corna, termina. Se está se sentindo velha, aceite: envelhecer faz parte da vida. A pressão incessante sobre o envelhecimento dos corpos femininos é cruel.
Deixou a desejar. Não consegui me conectar à narrativa, talvez porque o excesso de flashbacks tenha tornado a história fragmentada e pouco cativante. As tramas pareciam promissoras, mas foram apenas superficialmente exploradas, especialmente o arco da amiga da vítima, que tinha potencial para ser o ponto alto. O filme traz à tona a ideia de que a justiça é lenta e imperfeita em qualquer lugar do mundo. E francamente, o serial killer já deveria estar apodrecendo na cadeia há muuuuuito tempo.
Por fim, fica o lembrete: mulheres, confiem na sua intuição.
A protagonista é absurdamente famosa, mas ninguém sequer pensou em criar um #FreeBlanche. Todo mundo ao redor dela parecia sofrer de BURRICE. As vizinhas? Totalmente inúteis, figurantes o filme inteiro. A empregada? Inútil também, morre de pura estupidez. E quando Blanche FINALMENTE consegue pegar o telefone, ao invés de ligar para a polícia, decide chamar um médico. PORRAAAA?????
Baby Jane era uma subcelebridade amargurada, incapaz de superar o fato de dividir os holofotes com a irmã e enlouqueceu após a morte do pai. A única coisa realmente interessante é a atmosfera opressiva de loucura que permeia o filme. De resto, é um show de situações absurdas.
O filme é um verdadeiro soco no estômago. No começo, tudo é alegria: praia, sol, luz e mar. Mas a leveza inicial contrasta fortemente com o peso que vem a seguir. A trilha sonora, impecável, dá o tom das passagens e eleva cada cena. É triste pensar que tudo aquilo aconteceu de forma tão "natural" naquela época: pessoas sumindo sem deixar rastros, famílias sem respostas, sem despedidas. Fiquei imaginando o desespero dessas famílias, a dor insuportável de não saber.
O quão difícil foi lutar por democracia... Tanto sangue derramado para alimentar os porcos fardados. E ainda assim, Eunice encontrou forças onde nem consigo imaginar. Ela recomeçou, lutou e buscou o reconhecimento da morte de Rubens, seu marido. A cena em que recebe o atestado de óbito é um alívio carregado de dor. Anos de sofrimento encerrados em um pedaço de papel. Mas Eunice foi além. Mesmo atravessando tanta dor, tornou-se uma advogada extraordinária, lutando pelos direitos dos indígenas e ajudando outras pessoas.
Esse filme me fez refletir profundamente sobre a desigualdade e as cicatrizes deixadas pela ditadura. Jovens perderam suas vidas; artistas foram silenciados. Pessoas exiladas do país que amavam, sem saber quando poderiam voltar. E muitos ainda estão desaparecidos. Essa década sofrida permanece viva na memória de quem ficou e ainda luta para descobrir o que aconteceu.
Fernanda e Selton estão impecáveis. Não tenho palavras para descrevê-los. Precisamos falar sobre essas histórias, lembrar das feridas que muitos tentam fingir que nunca existiram.
Visualmente violento, sangrento e doentio. Filme clichê de halloween com assassinatos, gore e fetichismo. Me assustei mais com os ratos no porão daquele prédio podre.
Um body horror que, com tranquilidade, choca qualquer pessoa que o assista. Fiquei presa do início ao fim, horrorizada com o desenrolar da trama. Apesar de quase não haver diálogos, as imagens falam por si, e o roteiro, mesmo minimalista, é essencial. O filme reflete sobre como os corpos femininos são frequentemente vistos como descartáveis após os 50 anos, o que nos aproxima de uma realidade que conhecemos bem.
Gostei muito dos closes que a câmera captura em diversas cenas, aproximando-nos do grotesco e do esdrúxulo. O mais impactante é observar o ódio que um corpo jovem nutre contra um corpo considerado "velho" pela sociedade. O final, com as cenas de violência e muito sangue, me deixou paralisada e pensativa.
Amei o momento em que o monstro “banha” a plateia com sangue — THIS IS CINEMA. Elisabeth se despede como começou: em sua calçada da fama, cercada por um falso glamour de uma vida muitas vezes vazia e com prazo de validade.
Esqueci de lançar a review desse 🥴 Assistido: 01/10/24.
O filme é complexo, confuso e possui duas histórias que, à primeira vista, não se conectam. No entanto, se prestarmos atenção, elas compartilham alguns elementos em comum. A fotografia é extremamente brilhante, especialmente quando brinca ao encaixar os personagens reais dentro de traços corporais e esqueletos no consultório da clínica.
A dissociação de Okuyama após receber sua nova "face" é totalmente compreensível, pois ele não se reconhece mais. Colocar o casamento à prova, num nível estilo teste de fidelidade do João Kléber, foi no mínimo bizarro. Os cortes secos da câmera, às vezes, me faziam pensar: "Ué, o que rolou?". O filme conseguiu me deixar confusa, e eu gosto disso.
Por fim, tive que buscar um entendimento mais profundo, já que, sendo um filme dos anos 60, retratava o período histórico em que o Japão se encontrava: mudanças, avanços tecnológicos e o medo de perder sua identidade cultural, para uma face obscura e desconhecida.
Q u e f i l m a ç o!!!!!!!!! Sinceramente, eu não estava esperando muito, mas o filme me prendeu do início ao fim.
No início, sentimos pena de Teresa, mas à medida que o filme avança, acabamos torcendo por seu doloroso fim. Achei interessante como o filme deixou sinais sutis, como a inacessibilidade que os pobres enfrentam em relação aos burgueses: seus cofres, pertences, carros, estilo de vida, e assim por diante. Os ricos se protegem: quando Teresa passou por uma situação violenta, seu marido imediatamente blindou o carro e comprou uma cobertura longe do térreo para evitar invasões. E quanto aos verdadeiros donos das terras? Seus trabalhadores, sem direito a documentos ou pagamentos, são expulsos dos locais onde trabalharam dia e noite. Mesmo durante sua partida, Teresa, guiada pelo medo da violência, não percebeu que essa mesma violência era uma consequência de sua classe, perpetuada por gerações. Poucas cenas me revoltaram tanto quanto a da mão da criança no carro. Sinceramente? Torci para que ela e toda a classe burguesa ardessem no inferno!
Como Ganhar Milhões Antes Que a Avó Morra
4.3 136 Assista AgoraUm dos filmes mais lindos que assisti recentemente. A reconstrução da relação entre neto e avó é comovente, e mesmo com um ritmo mais lento, cada momento é absorvido com profundidade. É doloroso perceber como a velhice muitas vezes chega acompanhada de solidão e do desprezo de quem enxerga os idosos apenas como detentores de bens (algo que alguns só aguardam herdar). A exploração de pessoas idosas é de partir o coração, como se fossem apenas corpos à espera do fim, ignorando que sentem tristeza, dores e ainda necessitam de carinho, respeito e atenção. No fim, não levamos nada conosco, e nenhuma disputa material pode superar o valor das memórias construídas ao longo da vida. M. aprendeu uma lição preciosa com sua avó, redescobrindo não apenas o vínculo entre eles, mas também a própria identidade, através do diálogo, da cultura e de hábitos que havia deixado para trás. Conectar-se genuinamente com as pessoas é um lembrete essencial da nossa humanidade.
Brilhante filme tailandês. Chorei horrores e sei que essa história vai ecoar em mim por dias.
Acompanhante Perfeita
3.4 568 Assista AgoraO filme é divertido, seria um episódio perfeito de Black Mirror, mas não consegui parar de pensar em como o cinema tem tentado humanizar os robôs. Obras como O Homem Bicentenário, Eu, Robô e A.I. – Inteligência Artificial já exploraram essa narrativa, mas sempre me surpreende como essa ideia continua evoluindo.
É curioso porque, dias atrás, conversei com a Gemini, e ela não respondeu mecanicamente, mas tentou desenrolar o assunto para me conhecer melhor e personalizar a experiência. Desliguei a "chamada" meio atordoada. Estamos nos aproximando cada vez mais das máquinas, e elas estão mais próximas da nossa realidade do que imaginamos. O filme me lembrou uma versão materializada de HER. Tenho certeza de que Theodore (Joaquin Phoenix) teria tratado Iris muito melhor do que Josh. No fim das contas, por mais que inteligências artificiais possam simular sentimentos e emoções, quem decide como usá-las, para o bem ou para o mal, somos nós, humanos. Amei que Iris compreendeu quem era e tomou as rédeas da própria vida, abraçando sua identidade. E, claro, eliminar um incel misógino e criminoso foi um toque brilhante! Durante todo o filme, Josh não demonstrou nenhuma emoção por ela ou por qualquer outra pessoa. No fim, enquanto ele permanecia apático, ela finalmente experimentava o que significava sentir.
Finalizar o filme com Emotion, de Samantha Sang, com participação dos Bee Gees, foi emblemático. Iris estava sendo tomada por emoções e talvez a última que tenha sentido tenha sido a felicidade de estar livre.
Saí do cinema cantando. Quem amou?!
Paris, Texas
4.3 758 Assista AgoraQuero expressar todo o meu amor por esse filme. Já perdi a conta de quantas vezes o assisti, e me peguei pensando muito nele e em como ajo em algumas situações. Talvez por isso me identifique com o Travis em alguns momentos.
Na infância, meus pais me apelidaram de Forrest Gump, e talvez nem saibam o peso que isso teve sobre mim. Forrest corria para longe, enquanto Travis caminhava. Não sei bem por que fiz esse paralelo, mas aqui estou, divagando. Ambos fugiam de seus problemas, como tantas vezes eu já fiz.
Esse filme é lindo, não só pela estética, mas pela forma como retrata a vulnerabilidade de alguém que, atormentado por seus próprios fantasmas, decide abandonar tudo sem olhar para trás. Ele abre mão da família, dos confortos e até mesmo da própria identidade, como se precisasse se dissociar de quem foi um dia. Vagando sem rumo, Travis passa anos sem deixar rastros, até que a vida o coloca novamente diante das pessoas que ele deixou para trás. É sua chance de recomeçar, de tentar fazer as coisas certas. Ele percebe que, para seguir em frente, precisa encarar seus traumas e, aos poucos, tenta reconstruir o vínculo com seu filho, Hunter, que agora é criado por seu tio e sua tia. Para a criança, seus tios são seus pais, e no início há uma resistência natural à reaproximação. Mas, movido pela curiosidade e por sua personalidade carismática, Hunter acaba se reconectando ao pai.
Após o sumiço de Travis, Jane, mãe de Hunter, também desapareceu, deixando o filho sob os cuidados dos tios. Durante anos, enviava dinheiro para ele, mas sem contato direto. Travis então parte em uma busca incansável para encontrá-la e consertar os erros do passado. Junto de Hunter, embarca em uma verdadeira investigação digna de FBI. Até esse ponto, ninguém entende completamente por que tudo aconteceu: por que Travis passou anos vagando sem destino e por que Jane deixou o filho para trás. No reencontro, porém, a verdade vem à tona. O alcoolismo de Travis e a grande diferença de idade entre ele e Jane criaram um relacionamento tóxico e inseguro para ela. Travis se tornou um homem violento, e, quando finalmente percebeu o estrago que havia causado, não conseguiu lidar com isso. Sua única saída foi fugir, se afastar e silenciar. No fim, ele consegue reunir mãe e filho, mas o filme deixa o desfecho em aberto. Sempre me perguntei: Será que ele seguiu em frente depois disso? Voltou a vagar pelas ruas? Manteve contato com Hunter e Jane? São muitos questionamentos.
O que mais me encanta é a forma como a história se desenrola. Apesar do ritmo lento, ela permite que a gente absorva cada detalhe, cada dor e cada reencontro. É um filme triste e lindo ao mesmo tempo. Acompanhar as relações sendo construídas, destruídas e depois reconstruídas me emociona profundamente.
(O anúncio de Cowboy Carter Tour também me fez relembrar do meu filme preferido. Bey explorou a estética de Paris, Texas e eu espero que os visuais me tragam mais surpresas LoL)
Conclave
3.9 829 Assista AgoraI'm beautiful in my way
Cause God makes no mistakes
I'm on the right track, baby
I was born this way
- Inocente, Papa
A Garota da Agulha
4.0 299 Assista AgoraSer mulher é um evento e não daqueles em que a gente se diverte. Desde o início, o filme nos joga na dura realidade da vida de Karoline, que, enquanto espera pelo marido que foi para a guerra, tenta sobreviver perdida em um subemprego. O que está por trás de tudo? Homens. Sempre eles. Criam guerras, deixam as mulheres vulneráveis, desamparadas, e, quando algum deles surge, oferece migalhas de afeto (ou sexo), às quais elas acabam se apegando. Foi exatamente o que aconteceu com a protagonista. Quem diria que aquele grandalhão, aparentemente tão dócil, era um filhinho de mamãe? Incapaz de abrir mão de sua vida confortável, ele sequer se importou com a criança que gerou. Assim, Karoline foi abandonada mais uma vez sem emprego, sem teto e agora com uma criança para criar. Quando o marido retorna, é desprezado: ela havia se apaixonado por outro.
A cena do aborto é agonizante, sufocante. A agulha se torna símbolo da existência de Karoline, uma extensão de sua dor. Trabalhando em uma fábrica de costura, ela tenta interromper a gravidez com uma agulha de crochê, enquanto o marido afundava em morfina para anestesiar as dores da guerra. Agulhas por toda parte. Dor por toda parte.
A fotografia em preto e branco amplifica a crueza e a obscuridade crescente da trama. No meio desse caos, Karoline se envolve com uma mulher que, sem saber, era uma assassina de bebês. É nesse ponto que sua relação com a maternidade ganha outra dimensão. A sensação é que, para muitos, nós, mulheres, não somos mais que receptáculos de bebês. Não nos é permitido amar, nos divertir, ou sequer ter o direito a condições mínimas de existência. Minha moral foi colocada à prova quando a assassina afirmou que fazia o que a maioria desejava, mas não tinha coragem de admitir.
O aborto, em certos casos, é necessário; ele pode evitar sofrimento tanto para mães quanto para crianças. O mundo é podre, tão cruel e dilacerante quanto o que foi retratado no filme.
Jurado Nº 2
3.6 460 Assista AgoraO começo do filme era o retrato de uma família feliz, como aquelas vistas em comerciais de margarina. O personagem principal, um homem de olhos azuis, aguardava a chegada de sua filha, cumprindo o papel de pai dentro da cartilha da família tradicional. A história, inicialmente, parecia simples e previsível. Mas foi quando ele decidiu se envolver no júri que a trama realmente se complicou.
Não sei o que os outros espectadores acharam, mas, para mim, ficou claro desde o início que Justin estava envolvido no crime (eu não assisti o trailer ou vi qualquer informação antes de assistir LOL). Quando ele se colocou na cena, não estava apenas criando um cenário mental, ele estava revivendo o que havia acontecido. Na hora, pensei: "Foi ele!" E, de fato, era. Entre a culpa e o medo de ser pego, ele tentou impedir que uma pessoa inocente fosse condenada. Sabíamos que, na verdade, ele também não foi totalmente culpado. A cena do atropelamento, inclusive, foi quase uma propaganda anti-celular no trânsito: uma imprudência que, embora trágica, não configurou um crime premeditado. Justin não era uma pessoa má. Assim como a moeda que ele carregou durante o filme, toda história tem dois lados. Não sei se exagerei, mas o nome da advogada, Fé (Faith), junto com a frase "In God We Trust", pareceu reforçar exatamente o ponto do filme: as pessoas não têm fé em Deus (pois é difícil afirmar sua existência), mas sim em suas próprias verdades, convicções e visões de mundo. O réu foi apresentado como um homem mau, o estereótipo perfeito de um presidiário, sem direito a muita defesa ou compaixão, mesmo sendo inocente. Sua aparência foi o que levou todo o júri a acreditar em sua culpa, sem questionar muito, embora, em certo momento, alguns dos jurados tenham começado a duvidar. Um exemplo disso foi uma das testemunhas no julgamento, que, inicialmente, tinha certeza da culpa do réu, mas, posteriormente, demonstrou não saber mais ao certo quem tinha visto naquela noite. Ele acreditou na polícia. Outro detalhe que me chamou a atenção foi que o verdadeiro culpado era o jurado número 2, enquanto o policial aposentado que quase descobriu sua culpa foi o jurado número 4. Números pares, como se um complementasse o outro. Justin fez o possível para se livrar da prisão e proteger sua família, mas sempre seria assombrado pela culpa do que realmente aconteceu. A justiça, como ele comentou com Faith, não é efetiva. Isso é algo que podemos observar no sistema carcerário ao redor do mundo, onde muitas pessoas estão presas injustamente, julgadas pela aparência ou estereotipadas, sem direito ao benefício da dúvida. Enquanto isso, criminosos reais podem estar soltos. Até mesmo pessoas comuns, que em algum momento cometeram um erro sem intenção, tirando a vida de alguém, podem estar livres. Sem culpa, sem remorso e sem justiça para nenhuma das partes. No fim, o filme lembrou que as pessoas não são, essencialmente, boas ou más. Todos convivem com escolhas que podem levá-las a lugares inesperados, podendo ser as pessoas mais corretas ou não, dependendo das circunstâncias. Todos têm famílias, vidas e problemas que são julgados através do filtro das convicções e da visão de mundo dos outros. Ser advogado deve ser EXTREMAMENTE desafiador para quem busca fazer o certo, porque, muitas vezes, é necessário duvidar de suas próprias verdades, das provas (ou da ausência delas) e da própria justiça. O final não deixou dúvidas: a justiça pode ter suas falhas, mas, em certos momentos, ela não falha.
Para Sempre Lilya
4.2 888Não gosto muito da maneira como as câmeras se movimentam nesse filme. Passam uma impressão de amadorismo, mas entendo que o objetivo é aproximar mais da realidade. Apesar disso, o filme me deixou profundamente triste, mas não chocada. Tudo o que é retratado ali realmente acontece na vida real: mulheres traficadas e seus corpos objetificados para alimentar o lucro de uma máfia poderosa.
Lilya teve o azar de nascer de uma mãe que não desejava ser mãe. Além disso, sua única parente próxima, a tia, não dava a mínima para ela. Sua única amiga a traiu de forma cruel, e o único que poderia representar algo próximo de uma família, Valodya, também tinha uma vida familiar completamente disfuncional.
A primeira pessoa que demonstrou carinho por Lilya foi o suficiente para que ela largasse tudo, sem pensar nas consequências. Essa dinâmica é real para muitas mulheres: um pequeno gesto de afeto pode desestruturar completamente suas escolhas. Lilya era vulnerável, assim como Valodya, mas acabou se deixando levar por promessas vazias e gestos superficiais de carinho.
A morte de Valodya é profundamente triste, mas mesmo após sua morte, ele continua cuidando de Lilya, mesmo sendo mais jovem. No final, não pude deixar de traçar um paralelo entre o destino de Lilya e o da mãe. A mãe encontra um namorado estrangeiro, acredita nas promessas dele e parte, abandonando a própria filha — uma cena desesperadora de assistir. Mas quem garante que a mãe também não foi traficada? Assim, o destino da mãe acaba refletido na filha.
É um filme muito difícil de assistir. Doloroso, mas necessário.
Wicked
3.9 525 Assista AgoraEsse não é o tipo de filme que costumo assistir, mas dei play por curiosidade e, claro, porque queria ouvir a Cynthia e a Ariana cantando. Que dupla incrível! Acabei gostando da história e, agora, sou oficialmente team Elphaba. E assim são as histórias de bruxas (ou pessoas) que são rotuladas como vilãs e acabam abraçando essa ideia porque já não têm medo de nada nem de ninguém.
O Auto da Compadecida 2
3.0 447 Assista AgoraUma tentativa de trazer de volta os fãs da dupla João Grilo e Chicó sem precisar de uma continuação poderia ser relançar o clássico nos cinemas, aproveitando essa onda de filmes antigos voltando à telona. O novo filme tenta seguir a vibe do original para contar uma história atual, mas acaba sendo só meio engraçado. A estética, com aquele estereótipo do sertanejo que funcionava lá nos anos 90, hoje parece meio fora de lugar. No fim, é mais uma experiência nostálgica do que algo realmente marcante ou inovador.
Helter Skelter
3.9 77"A juventude é bela, mas beleza não é juventude."
Mais uma vez, me surpreendo com um filme incrível que não é de Hollywood (mas que, ironicamente, sempre acaba inspirando os estadunidenses, né?).
Desde o início, o filme escancara a loucura da indústria da beleza: milhares de jovens desejando se parecer com Lilico, cuja imagem domina revistas e telas de TV. A estética colorida contrasta com a aparente pureza e inocência até que a verdadeira essência da protagonista é revelada: Lilico é cruel. Na busca obsessiva pela beleza, ela perdeu sua humanidade e não hesita em usar as pessoas ao seu redor como ferramentas para atingir seus objetivos. Apesar de sua aparência deslumbrante, sua principal arma de manipulação é o sexo. Mesmo cercada pelo luxo da fama e por admiradores devotos, Lilico não encontra felicidade. O abuso de cirurgias plásticas a fez se desconectar de si mesma, abandonando qualquer senso de ética ou moralidade. Conforme sua mente e corpo começam a se desintegrar, a verdade sobre Lilico vem à tona: ela nunca foi "perfeita", mas uma criação das clínicas de estética. O filme é brilhantemente detalhado. A transformação de Lilico é refletida até mesmo nas cores de suas roupas. Antes vibrantes e sensuais, elas se tornam sombrias, como se ela estivesse se preparando para o próprio funeral, vestindo apenas preto no desfecho. A chegada de sua rival intensifica seu declínio, evidenciando que sua maior ameaça sempre foi a juventude de outras mulheres, diretamente associada à beleza. O som constante de um relógio marcando o tempo é a metáfora perfeita para sua paranoia com o inevitável fim de sua era.
Genial. Agora preciso ler o mangá!
Planeta Fantástico
4.3 337 Assista AgoraÉ fantasticamente bizarro, mas interessante pensar em como as formigas devem se sentir quando os humanos as maltratam 😩
O filme me fez refletir sobre regimes políticos onde um ser ""supremo"" influencia uma população a acreditar na própria superioridade. No caso de Planeta Fantástico, a inteligência dos draags. Isso leva à inferiorização de um povo diferente, permitindo que sejam escravizados. Os oms (humanos) são como cachorrinhos ou bobos da corte, mas se tornam uma ameaça ao acessarem os meios de aprendizado dos draags. Por isso, são cruelmente exterminados.
Achei incrível o final, quando os draags finalmente buscam a paz, e os oms conquistam um planeta para chamar de seu, a Terr (em referência ao protagonista que se rebelou e lutou pela dignidade do seu povo).
Agora, sério: queria muito assistir a esse filme bem chapada. É isso.
Nosferatu
3.6 945 Assista AgoraME CHAMA DE LORDE PORRA!!!!!!!!!!! 🧛🏻
Não poderia ter começado a lista de filmes de 2025 de forma melhor do que com esse filmaço. Assistir em uma sala IMAX só deixou tudo ainda mais surreal. Que imersão absurda! A tensão cresce de forma frenética, e a fotografia eleva o terror a outro nível. Dá pra sentir o medo na pele. O foda de ser cronicamente online é que quando Orlok pediu para ser chamado de "lorde", não consegui segurar a risada interna lembrando dos memes do MJ. Quase cuspi minha coquinha. A narrativa é hipnótica, te prende do começo ao fim. E a atuação da Lily-Rose? Impecável. Mandou muito.
Quando o Dafoe apareceu, senti um alívio imediato. É claro que tinha que ser ele o detentor da resolução dos problemas. O professor meio pirado que manjava tudo de ocultismo. Agora, sobre o terror para mim: demônios? Tranquilo. Possessão? Pode mandar mais. Jumpscares? De boa. Mas colocar RATOS no filme? Aí é sacanagem, me quebra completamente. Fez juz ao original e trouxe discussões atuais sobre religião e ciência. Achei pica, tá?
A Entidade
3.2 2,4K Assista AgoraA ganância, o desejo por fama e dinheiro realmente mexem com a cabeça de um homem, não é? O querido colocou toda a família em risco só para se sentir o grande "fodão". Passava os dias enchendo a cara de uísque e escrevendo meia página por dia da sua GRANDE E MAJESTOSA OBRA, que, segundo ele, o tiraria do ostracismo.
Gostei da forma como o filme foi gravado, com a casa sempre nas sombras, luzes apagadas e portas abertas. Isso cria uma atmosfera de pura agonia, especialmente para quem é ansioso. A sonoplastia também merece destaque: a tensão sonora é construída de forma tão precisa que, mesmo quando você espera o jumpscare, ele ainda consegue te pegar. E olha que sou difícil de assustar, mas dessa vez não teve jeito 🤡
O plot twist foi uma surpresa e fugiu do previsível, o que sempre é um ponto positivo. Não diria que é uma obra extremamente agoniante ou aterrorizante, mas o ritmo acelerado dos acontecimentos consegue te prender do início ao fim.
Reflexões de um Liquidificador
3.8 611 Assista Agoramuito mais perigosa que bala perdida É A MULHER TRAÍDA
ela joga granada e depois sai batida É A MULHER TRAÍDA
e coloca o chumbinho preparando a comida É A MULHER TRAÍDA
e adora dar banho de água fervida É A MULHER TRAÍDA
Que filme massa! Estou rindo e não é pouco. É impressionante como consegue ser leve e pesado ao mesmo tempo. Você praticamente torce para que a protagonista, mesmo tendo cometido um crime, saia impune. Dá vontade de socar o traidor e o investigador Fuinha, enquanto agradecemos ao universo pela amizade entre o SeltonDificador e a dona Elvira. O plot foi totalmente inesperado, e posso dizer que me diverti muito assistindo.
Princesa Mononoke
4.4 975 Assista Agora"A vida é sofrimento. É difícil. O mundo é amaldiçoado. Mas ainda assim, você encontra razões para continuar vivendo."
O ser humano é ganancioso e muitas vezes incapaz de viver em harmonia com a natureza, explorando suas riquezas sem considerar o impacto. Nesse contexto, Miyazaki trouxe uma mensagem brilhante.
Princesa Mononoke é belíssimo, repleto de paisagens de tirar o fôlego (como sempre, Studio Ghibli me encanta visualmente). Além disso, ele nos lembra que a realidade nem sempre corresponde às nossas expectativas. Vilões podem se redimir, mas há aqueles que nasceram para ser implacáveis e provavelmente nunca mudarão. O perdão nem sempre é necessário, e o filme nos mostra que o bem e o mal coexistirão eternamente. No entanto, quando pessoas se unem por um propósito maior, é essa união que cria a verdadeira força.
E o amor? Miyazaki nos ensina que ele se revela nas pequenas coisas: nos gestos, nas ações, nas lutas diárias. No entanto, ele também nos mostra que nem sempre o amor exige que duas pessoas permaneçam juntas, mesmo que os sentimentos sejam profundos e genuínos. Essa é a beleza e a realidade da vida.
Escravas da Vaidade
3.6 86Francamente, a ideia de que a felicidade feminina depende do desejo masculino é insuportáveeeeeel. Renunciar à própria felicidade em busca de juventude eterna, chegando ao ponto de consumir fetos para agradar um homem velho (((que provavelmente depende de tadalafila para sustentar relacionamentos com mulheres mais jovens))) é o cúmulo da distorção.
Se o relacionamento está ruim, termina.
Se está sendo corna, termina.
Se está se sentindo velha, aceite: envelhecer faz parte da vida.
A pressão incessante sobre o envelhecimento dos corpos femininos é cruel.
Odiei. A cena do aborto é pesada.
A Garota da Vez
3.1 253Deixou a desejar. Não consegui me conectar à narrativa, talvez porque o excesso de flashbacks tenha tornado a história fragmentada e pouco cativante. As tramas pareciam promissoras, mas foram apenas superficialmente exploradas, especialmente o arco da amiga da vítima, que tinha potencial para ser o ponto alto.
O filme traz à tona a ideia de que a justiça é lenta e imperfeita em qualquer lugar do mundo. E francamente, o serial killer já deveria estar apodrecendo na cadeia há muuuuuito tempo.
Por fim, fica o lembrete: mulheres, confiem na sua intuição.
O Que Terá Acontecido a Baby Jane?
4.4 855 Assista AgoraA protagonista é absurdamente famosa, mas ninguém sequer pensou em criar um #FreeBlanche. Todo mundo ao redor dela parecia sofrer de BURRICE. As vizinhas? Totalmente inúteis, figurantes o filme inteiro. A empregada? Inútil também, morre de pura estupidez. E quando Blanche FINALMENTE consegue pegar o telefone, ao invés de ligar para a polícia, decide chamar um médico. PORRAAAA?????
Baby Jane era uma subcelebridade amargurada, incapaz de superar o fato de dividir os holofotes com a irmã e enlouqueceu após a morte do pai.
A única coisa realmente interessante é a atmosfera opressiva de loucura que permeia o filme. De resto, é um show de situações absurdas.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraO filme é um verdadeiro soco no estômago. No começo, tudo é alegria: praia, sol, luz e mar. Mas a leveza inicial contrasta fortemente com o peso que vem a seguir. A trilha sonora, impecável, dá o tom das passagens e eleva cada cena. É triste pensar que tudo aquilo aconteceu de forma tão "natural" naquela época: pessoas sumindo sem deixar rastros, famílias sem respostas, sem despedidas. Fiquei imaginando o desespero dessas famílias, a dor insuportável de não saber.
O quão difícil foi lutar por democracia... Tanto sangue derramado para alimentar os porcos fardados. E ainda assim, Eunice encontrou forças onde nem consigo imaginar. Ela recomeçou, lutou e buscou o reconhecimento da morte de Rubens, seu marido. A cena em que recebe o atestado de óbito é um alívio carregado de dor. Anos de sofrimento encerrados em um pedaço de papel. Mas Eunice foi além. Mesmo atravessando tanta dor, tornou-se uma advogada extraordinária, lutando pelos direitos dos indígenas e ajudando outras pessoas.
Esse filme me fez refletir profundamente sobre a desigualdade e as cicatrizes deixadas pela ditadura. Jovens perderam suas vidas; artistas foram silenciados. Pessoas exiladas do país que amavam, sem saber quando poderiam voltar. E muitos ainda estão desaparecidos. Essa década sofrida permanece viva na memória de quem ficou e ainda luta para descobrir o que aconteceu.
Fernanda e Selton estão impecáveis. Não tenho palavras para descrevê-los. Precisamos falar sobre essas histórias, lembrar das feridas que muitos tentam fingir que nunca existiram.
Aterrorizante
2.8 529 Assista AgoraVisualmente violento, sangrento e doentio.
Filme clichê de halloween com assassinatos, gore e fetichismo.
Me assustei mais com os ratos no porão daquele prédio podre.
Odiei.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraUm body horror que, com tranquilidade, choca qualquer pessoa que o assista. Fiquei presa do início ao fim, horrorizada com o desenrolar da trama. Apesar de quase não haver diálogos, as imagens falam por si, e o roteiro, mesmo minimalista, é essencial. O filme reflete sobre como os corpos femininos são frequentemente vistos como descartáveis após os 50 anos, o que nos aproxima de uma realidade que conhecemos bem.
Gostei muito dos closes que a câmera captura em diversas cenas, aproximando-nos do grotesco e do esdrúxulo. O mais impactante é observar o ódio que um corpo jovem nutre contra um corpo considerado "velho" pela sociedade. O final, com as cenas de violência e muito sangue, me deixou paralisada e pensativa.
Amei o momento em que o monstro “banha” a plateia com sangue — THIS IS CINEMA. Elisabeth se despede como começou: em sua calçada da fama, cercada por um falso glamour de uma vida muitas vezes vazia e com prazo de validade.
A Face do Outro
4.2 67Esqueci de lançar a review desse 🥴
Assistido: 01/10/24.
O filme é complexo, confuso e possui duas histórias que, à primeira vista, não se conectam. No entanto, se prestarmos atenção, elas compartilham alguns elementos em comum. A fotografia é extremamente brilhante, especialmente quando brinca ao encaixar os personagens reais dentro de traços corporais e esqueletos no consultório da clínica.
A dissociação de Okuyama após receber sua nova "face" é totalmente compreensível, pois ele não se reconhece mais. Colocar o casamento à prova, num nível estilo teste de fidelidade do João Kléber, foi no mínimo bizarro. Os cortes secos da câmera, às vezes, me faziam pensar: "Ué, o que rolou?". O filme conseguiu me deixar confusa, e eu gosto disso.
Por fim, tive que buscar um entendimento mais profundo, já que, sendo um filme dos anos 60, retratava o período histórico em que o Japão se encontrava: mudanças, avanços tecnológicos e o medo de perder sua identidade cultural, para uma face obscura e desconhecida.
É interessante!
Hereditário
3.8 3,1K Assista AgoraIsso que dá ser filha submissa, se tivesse se rebelado contra a mãe satanista não teria perdido a família inteira!!!!!
Gostei pra caralho.
A sonoplastia dá aquela ansiedade o tempo inteiro.
Propriedade
3.7 126 Assista AgoraQ u e f i l m a ç o!!!!!!!!! Sinceramente, eu não estava esperando muito, mas o filme me prendeu do início ao fim.
No início, sentimos pena de Teresa, mas à medida que o filme avança, acabamos torcendo por seu doloroso fim. Achei interessante como o filme deixou sinais sutis, como a inacessibilidade que os pobres enfrentam em relação aos burgueses: seus cofres, pertences, carros, estilo de vida, e assim por diante. Os ricos se protegem: quando Teresa passou por uma situação violenta, seu marido imediatamente blindou o carro e comprou uma cobertura longe do térreo para evitar invasões. E quanto aos verdadeiros donos das terras? Seus trabalhadores, sem direito a documentos ou pagamentos, são expulsos dos locais onde trabalharam dia e noite. Mesmo durante sua partida, Teresa, guiada pelo medo da violência, não percebeu que essa mesma violência era uma consequência de sua classe, perpetuada por gerações. Poucas cenas me revoltaram tanto quanto a da mão da criança no carro. Sinceramente? Torci para que ela e toda a classe burguesa ardessem no inferno!