Poderia ser só mais uma série de terror, mas ela se sobressai ao ressignificar as ideias "lovecraftianas" com uma assinatura autoral.
Cada episódio dosa bem ação, suspense e terror, só que dando um propósito crítico a cada camada de medo e desconforto que evoca. Ao invés de apenas usar monstros cósmicos, a produção os alinha com os horrores reais e sistêmicos enfrentados por pessoas negras nos Estados Unidos da era Jim Crow, revelando que os preconceitos e a violência humana são, em última instância, os verdadeiros monstros cruéis.
O medo do desconhecido se funde com o medo de ser negro em um país que te vê como inferior. A ameaça de ser devorado por uma criatura de outro mundo é quase trivial diante da ameaça real de ser linchado por um sorriso "errado" ou por pisar no lugar "errado".
Serve como redenção pra figura do H.P Love Craft? Não. Mas, mostra como pegar um universo e utilizá-lo para contar uma boa estória com uma nova perspectiva.
Essa série consegue equilibrar muito bem o humor (tragicômico) e a delicadeza de um tema como o câncer! Os episódios são tão gostosos de assistir que o tempo voa, e a maratona se torna inevitável. Divertida e ao mesmo tempo comovente.
E assim...
O humor, por mais que seja o motor da narrativa, é empregado para valorizar os momentos dramáticos. Tem sagacidade, não é pastelão.
O maior acerto da série é essa capacidade de fazer rir e refletir gradativamente. Sobre temas como moralidade, tabus sexuais e a complexidade urgente que é viver plenamente.
Enfim, é uma obra sensível, divertida, bem escrita. É só não ir esperando uma superprodução com reviravoltas mirabolantes ou metáforas complexas. A beleza dela está na sua simplicidade. Se você curtir isso, talvez ela prenda sua atenção, assim como conseguiu prender a minha.
Sei lá, a primeira temporada me fisgou mais. Talvez pela inteligência com o que abordou nossas ansiedades. Gostei da maneira como eles traçaram paralelos da nossa sociedade em uma ficção. Senti mais identificação kkkkk.
No fundo é isso, achei a primeira bem mais forte como crítica social, sabe? Mostrou muito bem a robotização do trabalho e como a gente foge pra distrações idiotas pra não ter que lidar com os problemas de verdade. Sem falar na crítica ácida ao mundo corporativo, da automação e como isso nos desumaniza. Foi tudo mais sutil, mas justamente por isso, achei que foi uma temporada mais potente e interessante ao meus olhos.
Já aqui, na segunda, embora explore as ramificações da ruptura na própria identidade – uma premissa que eu curti muito–, acho que ela se perdeu em uma espiral de reviravoltas e manipulações que beiram o inverossímil.
Até curti as interações entre os "innies" e "outies" E também o aprofundamento nos experimentos da Lumon (que vão além da simples separação da memória) flertando com manipulação da consciência e outros conceitos. E rola algumas coisas legais da trama investigativa, eu consegui curtir. Os segredos obscuros, os fundadores da Lumom e seus objetivos.
Só que, sei lá...
Embora conceitualmente interessante, partiu demais para ficção científica fantástica. Ganhou contornos tão exagerados, que essa ponte com a nossa realidade, que achei tão sólida e bem construída na primeira temporada, deu uma ruída legal viu. Acho que ao abraçar uma ficção científica mais desconectada com o plausível, A MEU VER, Ruptura enfraqueceu aquela crítica social afiada que a tornava tão singular pra mim.
Mas, não vou negar que essa guinada para um suspense mais carregado de elementos fantásticos possa ter seu apelo e sua beleza. Tem muitas cenas fodas e até apelo para ação. No entanto, para mim, a força da série residia justamente naquela capacidade de nos confrontar com versões distorcidas, mas reconhecíveis, de nós mesmos e da sociedade. Isso com simplicidade, com uma narrativa lenta e fluida e com poucos cenários.
Essa temporada me lembrou até algo como lost em alguns momentos. Espero que não termine igual.
Mas, de repente é uma questão de perspectiva, ou de satisfação da expectativa pessoal de cada um. Kkkk.
Até onde o mundo corporativo de Ruptura é uma versão exagerada do nosso?
A "ruptura" lá na Lumon Industries é assustadora, né? Separando as lembranças como se a gente fosse duas pessoas diferentes, quase como se a gente vivesse só pro trabalho e esquecesse o resto.
Será que isso não lembra nada? Tipo entrar naquele pique de trampar seis dias direto, comer errado, não ter tempo pra nada, e ter só um dia de folga. E nessa folga é pra decidir se você vai curtir, resolver b.o, limpar casa ou simplesmente só desmaiar na cama pra descansar e recomeçar tudo novamente.
Essa doidice só escancara a nossa DOIDA realidade: o trampo tá levando um pedaço de quem a gente é, nos deixando meio "desconectado" da nossa vida fora da empresa, que nem acontece conosco (ou com a maioria) que vive pra pagar boleto. E é pra agradecer pela oportunidade, mostrar satisfação ainda? É o capitalismo com verniz social, como se emprego fosse solidariedade
Já achei isso foda na série, mas ainda tem outras camadas. O procedimento de ruptura parece carregar uma estratégia mais intrincada, uma forma de escapismo da realidade, similar a uma tentativa de ignorar problemas para evitar desconforto. Dessas fugas, que nos privam de experiências sociais e afetivas reais.
Como um isolamento da experiência da dor, quase transformando a fuga do sofrimento em uma mercadoria. Essa perspectiva me fez lembrar questionamentos éticos sobre a instrumentalização da angústia na vida real. E me identifiquei na hora, quando vi semelhança com os nossos próprios "anestésicos" na vida virtual. E de como todas essas porcarias, nos fazem procrastinar e não resolver nada dos nosso problemas. É a heroína do novo século.
E veio um diabo de uma pergunta: essas duas dinâmicas nos distanciam da nossa própria identidade, ou sequer conseguimos construir subjetividade nelas?
Tanto a alienação de uma rotina labiríntica de trabalho é uma representação disso, de forma não tão distante da maneira como nos perdemos em mundos digitais para evitar o real!
O tempo todo estamos moldando comportamentos preestabelecidos como norma. Nas redes sociais, no trabalho, na rua, na vida pessoal. Nossa ruptura não é só múltipla, estamos nos fragmentando em vários.
Enfim... série massa mesmo, viu. Nos convida a refletir sobre a complexidade da condição humana, explorando a fragilidade da psique, a busca por significado e os perigos de um mundo dominado pelo individualismo tecnológico e o controle corporativo.
Mesmo em um mundo de merda cada vez mais complexo e fragmentado, a busca por significado, empatia e conexão humana continua sendo essencial.
"Já pensou que talvez a melhor forma de lidar com uma situação trágica na vida, não seja desligar o cérebro por metade dela?"
É! Pensei que ia dar merda, mas White Lotus continua foda!
A narrativa segue sensacional, a maneira em que entrelaçam os personagens na trama é muito bem feita, assim como os cortes da edição. Sem contar as atuações! Todas incríveis! Não tem ninguém mal, só gente talentosa junto.
Mas o que me prende mesmo é como a série sempre me deixa curioso pro próximo episódio, sabe? Termina um e já fico querendo ver o que vai acontecer, e eles fazem isso aos poucos, com humor sagaz, mistério e aquela tensão sempre bem dosada.
De início nem me empolguei com o hype, admito que estava sem muita vontade de ver uma terceira temporada. E por esse motivo, tive a paciência de esperar todos os episódios saírem. Me afastei dos spoilers, por falta de interesse mesmo. E por fim, acabei foi maratonando um ep atrás do outro. Igual um doido. Kkkk
E o tema, continua muito relevante. Sempre mostrando aquela galera "exploradora socialmente consciente" – que na real quando não passam de predadores financeiros, são neopatronos viciados em ter gente servindo eles, dependente dos seus privilégios, tratando os trabalhadores e pessoas como se fossem coisas. E se mostram ainda piores sob qualquer ameaça à manutenção de seus privilégios.
A série também expõe como a lógica do capitalismo se infiltra em todas as camadas sociais, corrompendo as relações humanas e incentivando a reprodução de comportamentos nocivos, mesmo entre os mais pobres. Provando que obsessão por status, sobrevivência e a busca pelo lucro distorcem as relações humanas em vários níveis. Mas, não é fácil fazer julgamento. Existe uma linha tênue.
E a série trabalha isso nessa temporada de forma primorosa.
E é isso, a White lotus se mantém afiada, com sátiras inteligentes, o humor é do jeito que eu gosto, e o melhor: sem tentar aliviar a barra pra ninguém! Sem querer redimir as neuroses da burguesia diante do fracasso, expondo a submissão da classe trabalhadora diante do poder, e a hipocrisia nas relações afetivas. É o retrato de uma sociedade que tende a ser mais hedonista, superficial e misógina. Cujo adoecimento se manifesta em veneno contaminando tudo ao seu redor.
Mas, acreditem não é só isso, tem espaço pra várias camadas. Tem amor, fidelidade, redenção, amizade, ódio, falcatrua, drama, tensão, investigação, escândalo, contradições, críticas socias. Enfim...
Pra mim, "White Lotus" é boa pela qualidade técnica, lógico. Mas se destaca mesmo por conseguir ser contundente, ácida, porém "pop" ao mesmo tempo. Que temporada massa.
Já deveriam ter encerrado essa série antes. Dito isso, curti também essa quinta temporada kkkkk. Contradições a parte, esperar agora até onde vão conseguir espremer.
"Adolescência não se tornou um fenômeno à toa" escancara a dura realidade da saúde mental dos jovens na era digital. A produção revela como o individualismo niilista, a tecnologia onipresente e as redes sociais intensificam os desafios emocionais dessa fase crucial da vida.
Expondo as feridas do cyberbullying, que afeta tanto vítimas quanto agressores, e as armadilhas das redes sociais, com suas vidas idealizadas e padrões de beleza inatingíveis, a série demonstra como a autoestima de crianças e adolescentes é prejudicada.
Ao longo dos quatro episódios, percebemos que lares estruturados e afetivos já não são garantia absoluta de segurança emocional e psicológica para os filhos. A série também mostra a nossa desorientação, como sociedade, diante da complexidade do mundo online e os seus códigos.
MACHISMO ESTRUTURAL
Mas o cerne da questão, o ponto central da série, reside na demonstração de que todas essas mazelas têm uma raiz profunda: o machismo estrutural, que se manifesta tanto no mundo virtual quanto no real!
Isso fica mais claro no terceiro episódio, com a chegada de uma psicóloga. Ali, gradativamente, se revela uma faceta de James e de seu ambiente social que está germinada em ideias tóxicas provenientes de fóruns masculinistas, a chamada "machosfera", que engloba os "incels", adeptos do "MGTOW" e da "Red Pill".
Essas vertentes, embora não se converjam exatamente, têm pontos em comum e todas têm ligação com a extrema direita, compartilhando uma ideologia misógina, embora com nuances distintas. Esses grupos, mesmo que não diretamente mostrados na série, afetam o comportamento das crianças tanto online quanto offline, como se percebe nas conversas de Jamie com sua psicóloga e em comentários e atitudes de alunos na escola.
EXTREMA DIREITA
Vivemos sob o espectro da extrema direita no capitalismo há décadas. Por várias gerações perpetuamos o machismo estrutural, muito antes da internet. A sociedade contemporânea, e a misoginia sob a influência do capitalismo, continua moldando a identidade masculina promovendo uma visão mercantilista e de poder nos relacionamentos. E isso é refletido na série.
Essa perspectiva transforma relações em "negócios", onde indivíduos são vistos como "produtos" a serem conquistados, avaliados, descartados, reforçando desigualdades de gênero e objetificação. Dinâmica que leva garotos a se sentirem perdidos sob a pressão de um "sucesso" com mulheres imposto como chave para aceitação e valor. Enquanto meninas são expostas à violência, maus tratos e competição, seja por padrões estéticos e de comportamento devendo submissão e esforço para atender às necessidades masculinas. E violentadas quando não adequadas a esse padrão.
Tanto para homens quanto para mulheres, a solitude é estigmatizada como sinônimo de fracasso, como se a felicidade fosse inatingível fora de modelos familiares conservadores. A homofobia, transfobia e exclusão de outras identidades de gênero evidenciam a rigidez normativa do pensamento da nossa sociedade.
Nesse contexto, a "machosfera", reflete uma posição conservadora na era digital, que nao aceita o enpoderamento feminino, ou pluralidade de gênero. Valorizam um sistema, que historicamente reprime a sensibilidade masculina, valoriza homens por sua posição financeira e ensina a submissão feminina. Naturalizam a violência contra mulheres, interpreta a rejeição como ofensa e, em casos extremos, leva ao feminicídio, a expressão máxima de uma cultura que concede ao homem um direito sobre o corpo e a vida das mulheres.
Não havia psicopatia no menino, havia fragmentação, para suportar o ódio e a chacota da internet. Isso não tira a responsabilidade de Jaime pelo seus atos, mas mostra que a raiz do problema é bem mais profunda.
O EPISÓDIO MAIS EMOCIONAL!
O último episódio da série atinge o espectador com a intensidade da devastação causada pela prisão de Jamie em sua família. A narrativa expõe a dor cruel, a árdua batalha para resistir aos ataques e ofensas da sociedade e a tenaz tentativa de preservar o amor em meio ao turbilhão do caos.
O pai, proletário sofrido, trocou lazer e tempo familiar por melhores condições financeiras, mas a dor do assassinato do filho o acompanha incessantemente. Ele personifica a luta contra um sistema que explora a pobreza, exigindo trabalho exaustivo e negando tempo com a família e o direito à vulnerabilidade.
A mãe, outrora uma jovem com sonhos e paixões adolescentes, fã do A-HA, provavelmente viu suas aspirações serem deixadas de lado para dedicar-se integralmente ao lar e à família. Paciente e sempre dando apoio e segurando a barra emocional do marido. "Nós tivemos ele, mas você foi um bom pai e eu fui uma boa mãe.
E a irmã, forçada a amadurecer antes do tempo, carrega o peso da responsabilidade de vencer nos estudos, sabendo que será inevitavelmente atingida e humilhada pelo crime do irmão. A ideia de partir, de buscar um novo começo, já não é uma opção, mas sim uma fuga impossível. Contudo, em meio à dor e ao julgamento, o amor fraterno prevalece em sua simples e profunda declaração: "é o Jamie. E o Jamie é nosso, não é?".
A cena final é de desidratar os olhos. Vemos a dor do pai transbordar no gesto de beijar um urso, como se ali estivesse o filho perdido, e no sussurro carregado de culpa e sofrimento: "desculpa meu filho!".
O episódio sutilmente também expõe problemas familiares normalizados pelo capitalismo e machismo estrutural. Há uma idealização do pai como forte e fã de esportes, contrastando com a vergonha pela falta de habilidade do filho no futebol.
O trabalho manual do pai é desvalorizado pelo filho, refletindo uma desvalorização da classe trabalhadora pelos jovens.
A mãe é apresentada como dedicada ao lar, com a culinária como principal virtude, sem ambições reconhecidas. As mulheres são pacientes e tolerantes, mas consideradas frágeis para discutir temas complexos, como mostrado na conversa telefônica na Van. Onde Jaime só conversa sobre assuntos sérios com o pai, sua mãe se limita a falar sobre alimentação e sua irmã sobre academia.
QUALIDADE DE NARRATIVA E TÉCNICA.
O grande mérito da série reside em utilizar o assassinato como pano de fundo, direcionando o foco para um debate essencial. Os criadores buscam expor os problemas da misoginia nos ambientes virtuais e, principalmente, como ele se manifesta na vida real. Além do choque geracional e a vida da juventude sob o olhar onipresente das redes socias.
Tecnicamente, a série é IMPECÁVEL. As atuações são excelentes, e as execuções de plano sequência são utilizadas de forma inteligente, fluida a serviço da narrativa, e NÃO COMO MERO ARTIFÍCIO ESTÉTICO.
DESAFIOS ATUAIS.
Ao meu ver, a série estimula várias reflexões, mas um desafio vem mais forte: Para efetivamente melhorar a saúde mental dos jovens no mundo digital, é crucial ir além da simples crítica.
É necessário compreender profundamente suas angústias, acolher suas dores e, principalmente, agir de forma concreta. Isso implica em iniciativas que vão desde palestras informativas nas escolas sobre misoginia, com o apoio governamental, a regulamentação das redes sociais e a punição para aqueles que promovem ódio, racismo, homofobia e machismo em qualquer ambiente.
É fundamental que seja incentivadas práticas de atividades coletivas, com participação plural étnica e de gênero nas escolas,ou fora delas. Acompanhamento psicológico que entenda os efeitos da internet, além de uma melhor compreensão e medidas preventivas e punitivas do poder público sobre o cyberbullying. Por fim o envolvimento consciente das famílias, reiterando que a proteção da infância e da adolescência é uma responsabilidade inalienável de toda a sociedade.
E SIM! A SÉRIE É DIGNA DE TODO ESSE HYPE! PORQUE ELA NÃO FALA SÓ SOBRE OS ADOLESCENTES, ELA FALA SOBRE O ADOECIMENTO DE TODOS NÓS!
Isso sim é uma produção corajosa sobre adaptação de quadrinhos. Desenvolvimento de personagens, atuações, roteiro, trilha sonora, ambientação, tudo muito foda!!!!! Brilhante universo construído pelo Matt Reeves e série/spin-off genial da Lauren LeFranc que produções fantásticas. Que venha logo The Batman 2!!!
Isso aqui é tão bom, em tantas camadas, que ahhhhh... Assistam, vcs não vão se arrepender. Metáforas sobre preconceitos afiadissímas. Ótimo texto que faz paralelos com o social, trazendo reflexos cotidianos que conversam muito bem com a atualidade.
Definitivamente Xmen está muito longe de ser apenas entretenimento nostálgico como é ressaltado por aí. Muito menos um desenho feito pra atender uns caba véi besta e reaça, viciados por apelos de ação desenfreada e adversos a qualquer tipo de pluralidade. Não me entendam mal, tem ação pra caralho nesse desenho, mas sua qualidade vai além disso.
A animação é muito bem feita, tem influência de arcos dos quadrinhos anos 90, mas conversa bem com a nova geração e não larga mão do apelo crítico. Assim como é e sempre foi X-Men, uma representação de grupos marginalizados, excluídos, expondo uma sociedade preconceituosa, inimiga de minorias e segregadora.
E isso é muito bom, necessário pra esse segmento na cultura pop hoje em dia. E lógico tem pra baixar via torrent sim!
Custei pra entender a pegada da série, mas enfim consegui enxergar de fato a sua essência. No começo não vi nada demais, bacaninha, legal, mas não algo tão bom quanto comentam por aí. Mas, depois de ficar acompanhando, entendi o porquê do hype, e até o que não tinha curtido tanto lá atrás, fez mais sentido mais na frente. Mudei completamente minha opinião.
Não estou dizendo que os clichês, assim como algumas situações bobas, e as interpretações às vezes caricatas somem de repente. Nada disso! Tudo continua lá, mas você vai relevando e percebendo a mensagem que a série transmite. Tal hora me vi reconhecendo que ela de fato é muito boa. Aborda tópicos necessários como a conduta ética nas organizações, exposição virtual, homofobia, senso empático, amizade, limites comportamentais nos estádios, elitização do futebol, posições anti xenófobas, saúde mental, divórcio, entre outras coisas.
Na realidade quando você desencana, percebe que todos os episódios são gostosos de assistir, divertidos, leves. E você percebe que a tal "superficialidade" é justamente um recurso para que essas sensações cheguem de maneira acessível ao maior número de pessoas possível. Sem precisar ser dramática ou sisuda.
As temporadas anteriores serviram de alicerce pra isso, o sexto episódio dessa 3 temporada (na holanda) desmontou qualquer resistência que eu tinha. Série que fui assistindo e me encantando, sem esperar que nada disso fosse acontecer. Vale a pena até fazer textão pra isso, não que minha opinião tenha alguma importância, mas a mensagem que essa série traz tem, e muita.
A crítica da Rebeca em cima das estratégias de despopularização do futebol para o encarecimento dos ingressos no ep 10 é simplesmente maravilhosa. Texto emocional e digno de quem realmente ama o esporte e entende que ele deve ser feito para todos.
A série tem algumas mensagens legais de resiliência e empatia no meio de muitas interpretações caricatas. Algumas piadas que funcionam, outras que são meio bobas e forçadas, mas no geral não é mal pedida para assistir algo sem muita pretensão.
Acho que o problema real foi em torno da minha expectativa, imaginei algo como shameless uk e me deparei com uma série mais cleam bacaninha. Senti algo parecido como ver as series que passavam na globo de madrugada no fim dos anos 90, e você sem sono acabava assistindo por falta de opção e até curtia a experiência. Não é sensacional, mas é legal.
Tipo conversar com o seu eu criança, trocar de vida, corpo com outra pessoa, realidade, parar o tempo etc.
Mas, também trata sobre dilemas morais, com uma abordagem muito reflexiva e filosófica.
Outro aspecto que achei bacana dessa série (sei nem se consigo explicar direito) é que ela conta conta suas histórias de forma não linear, com personagens "amarrados", mas com uma conexão narrativa individual por trás de todas elas.
Em resumo, é como se cada episódio, de algum modo estranho, fosse uma historia isolada, mesmo se tratando de um universo compartilhado pelos mesmos personagens.
O cancelamento dessa série foi uma senhora mancada. Tremenda narrativa dinâmica, atuações sensacionais, perspectiva interessante sobre bastidores, design e fotografia fantásticas. Vai entender quais são os critérios de audiência. Uma pena!
Saquei que a proposta do desenho é puxar pra ficção, por mais que no início faça parecer algo mais fundamentado. Porém, o episódio em que a t.rex elabora um plano de resgate sistemático, fingindo desmaio para os morcegos gigantes conseguiu me tirar demais da cena kkkkk. Se a ideia fosse chutar o barraco e partir pra galhofa tudo bem, mas não é o caso da animação. Isso sem deixar de mencionar outros detalhes do roteiro.
Fora isso, curti o clima de hqs, as misturebas de espécies e criaturas. Primitivas, fantasmagóricas e etc. Além da desenvoltura de ação sem diálogos. Tipo um a guerra do fogo destrambelhado. Kkkk
Pacificador (2ª Temporada)
3.6 154 Assista AgoraTem bons momentos, certa coragem criativa, o humor as vezes é legal, em outros é meio pastel. Mas a série não flui com intensidade. É esquecível.
Lovecraft Country (1ª Temporada)
4.1 402 Assista AgoraPoderia ser só mais uma série de terror, mas ela se sobressai ao ressignificar as ideias "lovecraftianas" com uma assinatura autoral.
Cada episódio dosa bem ação, suspense e terror, só que dando um propósito crítico a cada camada de medo e desconforto que evoca.
Ao invés de apenas usar monstros cósmicos, a produção os alinha com os horrores reais e sistêmicos enfrentados por pessoas negras nos Estados Unidos da era Jim Crow, revelando que os preconceitos e a violência humana são, em última instância, os verdadeiros monstros cruéis.
O medo do desconhecido se funde com o medo de ser negro em um país que te vê como inferior. A ameaça de ser devorado por uma criatura de outro mundo é quase trivial diante da ameaça real de ser linchado por um sorriso "errado" ou por pisar no lugar "errado".
Serve como redenção pra figura do H.P Love Craft? Não. Mas, mostra como pegar um universo e utilizá-lo para contar uma boa estória com uma nova perspectiva.
Morrendo por Sexo
3.9 52 Assista AgoraEssa série consegue equilibrar muito bem o humor (tragicômico) e a delicadeza de um tema como o câncer! Os episódios são tão gostosos de assistir que o tempo voa, e a maratona se torna inevitável. Divertida e ao mesmo tempo comovente.
E assim...
O humor, por mais que seja o motor da narrativa, é empregado para valorizar os momentos dramáticos. Tem sagacidade, não é pastelão.
O maior acerto da série é essa capacidade de fazer rir e refletir gradativamente. Sobre temas como moralidade, tabus sexuais e a complexidade urgente que é viver plenamente.
Enfim, é uma obra sensível, divertida, bem escrita. É só não ir esperando uma superprodução com reviravoltas mirabolantes ou metáforas complexas. A beleza dela está na sua simplicidade. Se você curtir isso, talvez ela prenda sua atenção, assim como conseguiu prender a minha.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 351 Assista Agora"Bom... acho que pegaram muita viagem aqui."
Sei lá, a primeira temporada me fisgou mais. Talvez pela inteligência com o que abordou nossas ansiedades. Gostei da maneira como eles traçaram paralelos da nossa sociedade em uma ficção. Senti mais identificação kkkkk.
No fundo é isso, achei a primeira bem mais forte como crítica social, sabe? Mostrou muito bem a robotização do trabalho e como a gente foge pra distrações idiotas pra não ter que lidar com os problemas de verdade. Sem falar na crítica ácida ao mundo corporativo, da automação e como isso nos desumaniza. Foi tudo mais sutil, mas justamente por isso, achei que foi uma temporada mais potente e interessante ao meus olhos.
Já aqui, na segunda, embora explore as ramificações da ruptura na própria identidade – uma premissa que eu curti muito–, acho que ela se perdeu em uma espiral de reviravoltas e manipulações que beiram o inverossímil.
Até curti as interações entre os "innies" e "outies"
E também o aprofundamento nos experimentos da Lumon (que vão além da simples separação da memória) flertando com manipulação da consciência e outros conceitos. E rola algumas coisas legais da trama investigativa, eu consegui curtir. Os segredos obscuros, os fundadores da Lumom e seus objetivos.
Só que, sei lá...
Embora conceitualmente interessante, partiu demais para ficção científica fantástica. Ganhou contornos tão exagerados, que essa ponte com a nossa realidade, que achei tão sólida e bem construída na primeira temporada, deu uma ruída legal viu.
Acho que ao abraçar uma ficção científica mais desconectada com o plausível, A MEU VER, Ruptura enfraqueceu aquela crítica social afiada que a tornava tão singular pra mim.
Mas, não vou negar que essa guinada para um suspense mais carregado de elementos fantásticos possa ter seu apelo e sua beleza. Tem muitas cenas fodas e até apelo para ação. No entanto, para mim, a força da série residia justamente naquela capacidade de nos confrontar com versões distorcidas, mas reconhecíveis, de nós mesmos e da sociedade. Isso com simplicidade, com uma narrativa lenta e fluida e com poucos cenários.
Essa temporada me lembrou até algo como lost em alguns momentos. Espero que não termine igual.
Mas, de repente é uma questão de perspectiva, ou de satisfação da expectativa pessoal de cada um. Kkkk.
Ruptura (1ª Temporada)
4.5 876 Assista AgoraAté onde o mundo corporativo de Ruptura é uma versão exagerada do nosso?
A "ruptura" lá na Lumon Industries é assustadora, né? Separando as lembranças como se a gente fosse duas pessoas diferentes, quase como se a gente vivesse só pro trabalho e esquecesse o resto.
Será que isso não lembra nada? Tipo entrar naquele pique de trampar seis dias direto, comer errado, não ter tempo pra nada, e ter só um dia de folga. E nessa folga é pra decidir se você vai curtir, resolver b.o, limpar casa ou simplesmente só desmaiar na cama pra descansar e recomeçar tudo novamente.
Essa doidice só escancara a nossa DOIDA realidade: o trampo tá levando um pedaço de quem a gente é, nos deixando meio "desconectado" da nossa vida fora da empresa, que nem acontece conosco (ou com a maioria) que vive pra pagar boleto. E é pra agradecer pela oportunidade, mostrar satisfação ainda? É o capitalismo com verniz social, como se emprego fosse solidariedade
Já achei isso foda na série, mas ainda tem outras camadas. O procedimento de ruptura parece carregar uma estratégia mais intrincada, uma forma de escapismo da realidade, similar a uma tentativa de ignorar problemas para evitar desconforto. Dessas fugas, que nos privam de experiências sociais e afetivas reais.
Como um isolamento da experiência da dor, quase transformando a fuga do sofrimento em uma mercadoria. Essa perspectiva me fez lembrar questionamentos éticos sobre a instrumentalização da angústia na vida real. E me identifiquei na hora, quando vi semelhança com os nossos próprios "anestésicos" na vida virtual. E de como todas essas porcarias, nos fazem procrastinar e não resolver nada dos nosso problemas. É a heroína do novo século.
E veio um diabo de uma pergunta: essas duas dinâmicas nos distanciam da nossa própria identidade, ou sequer conseguimos construir subjetividade nelas?
Tanto a alienação de uma rotina labiríntica de trabalho é uma representação disso, de forma não tão distante da maneira como nos perdemos em mundos digitais para evitar o real!
O tempo todo estamos moldando comportamentos preestabelecidos como norma. Nas redes sociais, no trabalho, na rua, na vida pessoal. Nossa ruptura não é só múltipla, estamos nos fragmentando em vários.
Enfim... série massa mesmo, viu. Nos convida a refletir sobre a complexidade da condição humana, explorando a fragilidade da psique, a busca por significado e os perigos de um mundo dominado pelo individualismo tecnológico e o controle corporativo.
Mesmo em um mundo de merda cada vez mais complexo e fragmentado, a busca por significado, empatia e conexão humana continua sendo essencial.
"Já pensou que talvez a melhor forma de lidar com uma situação trágica na vida, não seja desligar o cérebro por metade dela?"
The White Lotus (3ª Temporada)
3.6 245 Assista AgoraÉ! Pensei que ia dar merda, mas White Lotus continua foda!
A narrativa segue sensacional, a maneira em que entrelaçam os personagens na trama é muito bem feita, assim como os cortes da edição.
Sem contar as atuações! Todas incríveis! Não tem ninguém mal, só gente talentosa junto.
Mas o que me prende mesmo é como a série sempre me deixa curioso pro próximo episódio, sabe? Termina um e já fico querendo ver o que vai acontecer, e eles fazem isso aos poucos, com humor sagaz, mistério e aquela tensão sempre bem dosada.
De início nem me empolguei com o hype, admito que estava sem muita vontade de ver uma terceira temporada. E por esse motivo, tive a paciência de esperar todos os episódios saírem. Me afastei dos spoilers, por falta de interesse mesmo. E por fim, acabei foi maratonando um ep atrás do outro. Igual um doido. Kkkk
E o tema, continua muito relevante. Sempre mostrando aquela galera "exploradora socialmente consciente" – que na real quando não passam de predadores financeiros, são neopatronos viciados em ter gente servindo eles, dependente dos seus privilégios, tratando os trabalhadores e pessoas como se fossem coisas. E se mostram ainda piores sob qualquer ameaça à manutenção de seus privilégios.
A série também expõe como a lógica do capitalismo se infiltra em todas as camadas sociais, corrompendo as relações humanas e incentivando a reprodução de comportamentos nocivos, mesmo entre os mais pobres.
Provando que obsessão por status, sobrevivência e a busca pelo lucro distorcem as relações humanas em vários níveis. Mas, não é fácil fazer julgamento. Existe uma linha tênue.
E a série trabalha isso nessa temporada de forma primorosa.
E é isso, a White lotus se mantém afiada, com sátiras inteligentes, o humor é do jeito que eu gosto, e o melhor: sem tentar aliviar a barra pra ninguém! Sem querer redimir as neuroses da burguesia diante do fracasso, expondo a submissão da classe trabalhadora diante do poder, e a hipocrisia nas relações afetivas. É o retrato de uma sociedade que tende a ser mais hedonista, superficial e misógina. Cujo adoecimento se manifesta em veneno contaminando tudo ao seu redor.
Mas, acreditem não é só isso, tem espaço pra várias camadas. Tem amor, fidelidade, redenção,
amizade, ódio, falcatrua, drama, tensão, investigação, escândalo, contradições, críticas socias. Enfim...
Pra mim, "White Lotus" é boa pela qualidade técnica, lógico. Mas se destaca mesmo por conseguir ser contundente, ácida, porém "pop" ao mesmo tempo. Que temporada massa.
Arlequina (5ª Temporada)
3.7 7 Assista AgoraJá deveriam ter encerrado essa série antes. Dito isso, curti também essa quinta temporada kkkkk. Contradições a parte, esperar agora até onde vão conseguir espremer.
Adolescência
4.0 615 Assista AgoraADOLESCÊNCIA.
SAÚDE MENTAL NA ERA DIGITAL.
"Adolescência não se tornou um fenômeno à toa" escancara a dura realidade da saúde mental dos jovens na era digital. A produção revela como o individualismo niilista, a tecnologia onipresente e as redes sociais intensificam os desafios emocionais dessa fase crucial da vida.
Expondo as feridas do cyberbullying, que afeta tanto vítimas quanto agressores, e as armadilhas das redes sociais, com suas vidas idealizadas e padrões de beleza inatingíveis, a série demonstra como a autoestima de crianças e adolescentes é prejudicada.
Ao longo dos quatro episódios, percebemos que lares estruturados e afetivos já não são garantia absoluta de segurança emocional e psicológica para os filhos. A série também mostra a nossa desorientação, como sociedade, diante da complexidade do mundo online e os seus códigos.
MACHISMO ESTRUTURAL
Mas o cerne da questão, o ponto central da série, reside na demonstração de que todas essas mazelas têm uma raiz profunda: o machismo estrutural, que se manifesta tanto no mundo virtual quanto no real!
Isso fica mais claro no terceiro episódio, com a chegada de uma psicóloga. Ali, gradativamente, se revela uma faceta de James e de seu ambiente social que está germinada em ideias tóxicas provenientes de fóruns masculinistas, a chamada "machosfera", que engloba os "incels", adeptos do "MGTOW" e da "Red Pill".
Essas vertentes, embora não se converjam exatamente, têm pontos em comum e todas têm ligação com a extrema direita, compartilhando uma ideologia misógina, embora com nuances distintas.
Esses grupos, mesmo que não diretamente mostrados na série, afetam o comportamento das crianças tanto online quanto offline, como se percebe nas conversas de Jamie com sua psicóloga e em comentários e atitudes de alunos na escola.
EXTREMA DIREITA
Vivemos sob o espectro da extrema direita no capitalismo há décadas. Por várias gerações perpetuamos o machismo estrutural, muito antes da internet. A sociedade contemporânea, e a misoginia sob a influência do capitalismo, continua moldando a identidade masculina promovendo uma visão mercantilista e de poder nos relacionamentos. E isso é refletido na série.
Essa perspectiva transforma relações em "negócios", onde indivíduos são vistos como "produtos" a serem conquistados, avaliados, descartados, reforçando desigualdades de gênero e objetificação. Dinâmica que leva garotos a se sentirem perdidos sob a pressão de um "sucesso" com mulheres imposto como chave para aceitação e valor. Enquanto meninas são expostas à violência, maus tratos e competição, seja por padrões estéticos e de comportamento devendo submissão e esforço para atender às necessidades masculinas. E violentadas quando não adequadas a esse padrão.
Tanto para homens quanto para mulheres, a solitude é estigmatizada como sinônimo de fracasso, como se a felicidade fosse inatingível fora de modelos familiares conservadores. A homofobia, transfobia e exclusão de outras identidades de gênero evidenciam a rigidez normativa do pensamento da nossa sociedade.
Nesse contexto, a "machosfera", reflete uma posição conservadora na era digital, que nao aceita o enpoderamento feminino, ou pluralidade de gênero.
Valorizam um sistema, que historicamente reprime a sensibilidade masculina, valoriza homens por sua posição financeira e ensina a submissão feminina. Naturalizam a violência contra mulheres, interpreta a rejeição como ofensa e, em casos extremos, leva ao feminicídio, a expressão máxima de uma cultura que concede ao homem um direito sobre o corpo e a vida das mulheres.
Não havia psicopatia no menino, havia fragmentação, para suportar o ódio e a chacota da internet. Isso não tira a responsabilidade de Jaime pelo seus atos, mas mostra que a raiz do problema é bem mais profunda.
O EPISÓDIO MAIS EMOCIONAL!
O último episódio da série atinge o espectador com a intensidade da devastação causada pela prisão de Jamie em sua família. A narrativa expõe a dor cruel, a árdua batalha para resistir aos ataques e ofensas da sociedade e a tenaz tentativa de preservar o amor em meio ao turbilhão do caos.
O pai, proletário sofrido, trocou lazer e tempo familiar por melhores condições financeiras, mas a dor do assassinato do filho o acompanha incessantemente. Ele personifica a luta contra um sistema que explora a pobreza, exigindo trabalho exaustivo e negando tempo com a família e o direito à vulnerabilidade.
A mãe, outrora uma jovem com sonhos e paixões adolescentes, fã do A-HA, provavelmente viu suas aspirações serem deixadas de lado para dedicar-se integralmente ao lar e à família. Paciente e sempre dando apoio e segurando a barra emocional do marido. "Nós tivemos ele, mas você foi um bom pai e eu fui uma boa mãe.
E a irmã, forçada a amadurecer antes do tempo, carrega o peso da responsabilidade de vencer nos estudos, sabendo que será inevitavelmente atingida e humilhada pelo crime do irmão. A ideia de partir, de buscar um novo começo, já não é uma opção, mas sim uma fuga impossível. Contudo, em meio à dor e ao julgamento, o amor fraterno prevalece em sua simples e profunda declaração: "é o Jamie. E o Jamie é nosso, não é?".
A cena final é de desidratar os olhos. Vemos a dor do pai transbordar no gesto de beijar um urso, como se ali estivesse o filho perdido, e no sussurro carregado de culpa e sofrimento: "desculpa meu filho!".
O episódio sutilmente também expõe problemas familiares normalizados pelo capitalismo e machismo estrutural. Há uma idealização do pai como forte e fã de esportes, contrastando com a vergonha pela falta de habilidade do filho no futebol.
O trabalho manual do pai é desvalorizado pelo filho, refletindo uma desvalorização da classe trabalhadora pelos jovens.
A mãe é apresentada como dedicada ao lar, com a culinária como principal virtude, sem ambições reconhecidas. As mulheres são pacientes e tolerantes, mas consideradas frágeis para discutir temas complexos, como mostrado na conversa telefônica na Van. Onde Jaime só conversa sobre assuntos sérios com o pai, sua mãe se limita a falar sobre alimentação e sua irmã sobre academia.
QUALIDADE DE NARRATIVA E TÉCNICA.
O grande mérito da série reside em utilizar o assassinato como pano de fundo, direcionando o foco para um debate essencial. Os criadores buscam expor os problemas da misoginia nos ambientes virtuais e, principalmente, como ele se manifesta na vida real. Além do choque geracional e a vida da juventude sob o olhar onipresente das redes socias.
Tecnicamente, a série é IMPECÁVEL. As atuações são excelentes, e as execuções de plano sequência são utilizadas de forma inteligente, fluida a serviço da narrativa, e NÃO COMO MERO ARTIFÍCIO ESTÉTICO.
DESAFIOS ATUAIS.
Ao meu ver, a série estimula várias reflexões, mas um desafio vem mais forte: Para efetivamente melhorar a saúde mental dos jovens no mundo digital, é crucial ir além da simples crítica.
É necessário compreender profundamente suas angústias, acolher suas dores e, principalmente, agir de forma concreta. Isso implica em iniciativas que vão desde palestras informativas nas escolas sobre misoginia, com o apoio governamental, a regulamentação das redes sociais e a punição para aqueles que promovem ódio, racismo, homofobia e machismo em qualquer ambiente.
É fundamental que seja incentivadas práticas de atividades coletivas, com participação plural étnica e de gênero nas escolas,ou fora delas. Acompanhamento psicológico que entenda os efeitos da internet, além de uma melhor compreensão e medidas preventivas e punitivas do poder público sobre o cyberbullying. Por fim o envolvimento consciente das famílias, reiterando que a proteção da infância e da adolescência é uma responsabilidade inalienável de toda a sociedade.
E SIM! A SÉRIE É DIGNA DE TODO ESSE HYPE! PORQUE ELA NÃO FALA SÓ SOBRE OS ADOLESCENTES, ELA FALA SOBRE O ADOECIMENTO DE TODOS NÓS!
Viciados em amor
3.7 3 Assista AgoraNão é nada extraordinário, mas é muito agradável de assistir.
Pinguim
4.4 292 Assista AgoraIsso sim é uma produção corajosa sobre adaptação de quadrinhos. Desenvolvimento de personagens, atuações, roteiro, trilha sonora, ambientação, tudo muito foda!!!!! Brilhante universo construído pelo Matt Reeves e série/spin-off genial da Lauren LeFranc que produções fantásticas. Que venha logo The Batman 2!!!
X-Men '97 (1ª Temporada)
4.4 267 Assista AgoraIsso aqui é tão bom, em tantas camadas, que ahhhhh... Assistam, vcs não vão se arrepender. Metáforas sobre preconceitos afiadissímas. Ótimo texto que faz paralelos com o social, trazendo reflexos cotidianos que conversam muito bem com a atualidade.
Definitivamente Xmen está muito longe de ser apenas entretenimento nostálgico como é ressaltado por aí. Muito menos um desenho feito pra atender uns caba véi besta e reaça, viciados por apelos de ação desenfreada e adversos a qualquer tipo de pluralidade. Não me entendam mal, tem ação pra caralho nesse desenho, mas sua qualidade vai além disso.
A animação é muito bem feita, tem influência de arcos dos quadrinhos anos 90, mas conversa bem com a nova geração e não larga mão do apelo crítico. Assim como é e sempre foi X-Men, uma representação de grupos marginalizados, excluídos, expondo uma sociedade preconceituosa, inimiga de minorias e segregadora.
E isso é muito bom, necessário pra esse segmento na cultura pop hoje em dia. E lógico tem pra baixar via torrent sim!
Ted Lasso (3ª Temporada)
4.3 122 Assista AgoraCustei pra entender a pegada da série, mas enfim consegui enxergar de fato a sua essência. No começo não vi nada demais, bacaninha, legal, mas não algo tão bom quanto comentam por aí. Mas, depois de ficar acompanhando, entendi o porquê do hype, e até o que não tinha curtido tanto lá atrás, fez mais sentido mais na frente. Mudei completamente minha opinião.
Não estou dizendo que os clichês, assim como algumas situações bobas, e as interpretações às vezes caricatas somem de repente. Nada disso! Tudo continua lá, mas você vai relevando e percebendo a mensagem que a série transmite. Tal hora me vi reconhecendo que ela de fato é muito boa. Aborda tópicos necessários como a conduta ética nas organizações, exposição virtual, homofobia, senso empático, amizade, limites comportamentais nos estádios, elitização do futebol, posições anti xenófobas, saúde mental, divórcio, entre outras coisas.
Na realidade quando você desencana, percebe que todos os episódios são gostosos de assistir, divertidos, leves. E você percebe que a tal "superficialidade" é justamente um recurso para que essas sensações cheguem de maneira acessível ao maior número de pessoas possível. Sem precisar ser dramática ou sisuda.
As temporadas anteriores serviram de alicerce pra isso, o sexto episódio dessa 3 temporada (na holanda) desmontou qualquer resistência que eu tinha. Série que fui assistindo e me encantando, sem esperar que nada disso fosse acontecer. Vale a pena até fazer textão pra isso, não que minha opinião tenha alguma importância, mas a mensagem que essa série traz tem, e muita.
A crítica da Rebeca em cima das estratégias de despopularização do futebol para o encarecimento dos ingressos no ep 10 é simplesmente maravilhosa. Texto emocional e digno de quem realmente ama o esporte e entende que ele deve ser feito para todos.
Ted Lasso (1ª Temporada)
4.4 282 Assista AgoraA série tem algumas mensagens legais de resiliência e empatia no meio de muitas interpretações caricatas. Algumas piadas que funcionam, outras que são meio bobas e forçadas, mas no geral não é mal pedida para assistir algo sem muita pretensão.
Acho que o problema real foi em torno da minha expectativa, imaginei algo como shameless uk e me deparei com uma série mais cleam bacaninha. Senti algo parecido como ver as series que passavam na globo de madrugada no fim dos anos 90, e você sem sono acabava assistindo por falta de opção e até curtia a experiência. Não é sensacional, mas é legal.
A Mão do Eurico
4.0 35 Assista AgoraTrajeto de glórias e também de caos. Excelente documentário
Contos do Loop (1ª Temporada)
4.2 228 Assista AgoraSci-fi de imagens lindas, com cadência contemplativa e gostosa demais de assistir. Consegue projetar esses desejos íntimos (universais) impossíveis:
Tipo conversar com o seu eu criança, trocar de vida, corpo com outra pessoa, realidade, parar o tempo etc.
Mas, também trata sobre dilemas morais, com uma abordagem muito reflexiva e filosófica.
Outro aspecto que achei bacana dessa série (sei nem se consigo explicar direito) é que ela conta conta suas histórias de forma não linear, com personagens "amarrados", mas com uma conexão narrativa individual por trás de todas elas.
Em resumo, é como se cada episódio, de algum modo estranho, fosse uma historia isolada, mesmo se tratando de um universo compartilhado pelos mesmos personagens.
The Office (9ª Temporada)
4.3 684Souberam encerrar no momemto certo, e nos últimos episódios colocaram uma dose emocional no meio da bagunça. Deu mó clima de saudade.
Amor e Morte
3.8 168 Assista AgoraEnvolvente e fluida do início ao fim. Muito boa essa série.
* A regra é clara: Se é crente fanático, corra primeiro converse depois.
Arlequina (4ª Temporada)
3.7 18 Assista AgoraFicou aquém das temporadas anteriores, ainda assim continua uma das produções mais arriscadas e interessantes desse gênero.
Lakers: Hora de Vencer (2ª Temporada)
4.0 10 Assista AgoraO cancelamento dessa série foi uma senhora mancada. Tremenda narrativa dinâmica, atuações sensacionais, perspectiva interessante sobre bastidores, design e fotografia fantásticas. Vai entender quais são os critérios de audiência. Uma pena!
Shameless UK (2ª Temporada)
4.2 6 Assista AgoraIsso aqui é a melhor invenção já criada desde o pão assado na chapa!! Que temporada sensacional!!
Primal (1ª Temporada)
4.5 62O conceito visual, assim como os efeitos sonoros são extraordinários. A história tambem é bacana, com excessão (ao meu ver) de alguns detalhes.
Saquei que a proposta do desenho é puxar pra ficção, por mais que no início faça parecer algo mais fundamentado. Porém, o episódio em que a t.rex elabora um plano de resgate sistemático, fingindo desmaio para os morcegos gigantes conseguiu me tirar demais da cena kkkkk. Se a ideia fosse chutar o barraco e partir pra galhofa tudo bem, mas não é o caso da animação. Isso sem deixar de mencionar outros detalhes do roteiro.
Fora isso, curti o clima de hqs, as misturebas de espécies e criaturas. Primitivas, fantasmagóricas e etc. Além da desenvoltura de ação sem diálogos. Tipo um a guerra do fogo destrambelhado. Kkkk
Cangaço Novo (1ª Temporada)
4.4 227 Assista AgoraÉ bem filmado, tem uma ótima trilha sonora, o enrendo é cativante, tem algumas boas atuações, mas o que estraga são os furos no roteiro.
Overdose
4.2 10Roteiro do Arnaldo Branco, muito bom! Fechamento com a galera do quase foi pra selar a doidera!
Lakers: Hora de Vencer (1ª Temporada)
4.3 23 Assista AgoraFuck Boston!