É o tipo de filme que tem algums defeitos, mas que surpreende e cativa e acabo favoritando. Ótimo exemplo, de que filme bom, não precisa ser perfeito, mas precisa ter alma.
Toda produção do filmes de plástico detona demais. Esse, especificamente, me surpreendeu ainda mais. Pela fotografia que é muito estilosa, só que ao mesmo tempo é crua, pelo cenário e figurino, contexto social e político muito fidedignos da época.
Stranger Things que nada!! Esse filme fala muito mais sobre a nossa identidade e geração. É um filme teen, estilo sessão da tarde de produção americana, só que com assinatura e identidade nacional. E lógico cheio de memórias vivas, e muito bonitinho e comovente, com espaço também para momentos densos. É um filme que vai fazer logo a cabeça de quem viveu essa época do começo dos anos 90, como eu kkkk.
Pra não disser que tem momentos questionáveis, cito o desfecho do roubo da câmera como algo meio capenga e não convincente, mas o filme é tão bom, que dá pra passar um pano bonito sim
Saquei que o filme quis falar de luto ou de como resistimos a finitude. Mas, a estética soa pretenciosa, o gore tá ali pra chocar e não a serviço da narrativa. Sei lá... é legal, mas parece que é tudo meio plástico, é bonito, é chocante, mas é desencontrado.
Filme super gostoso de assistir. A pegada episódica funciona, lembra all stars,.mas não é uma cópia. Os princípios e valores do Superman são muito bem retratados no filme. E olha, tem um discurso sobre posicionamento político bastante corajoso e relevante.
E sensação de ler um gibi n°10 de uma série mensal é muito real.
Talvez a metade do filme provoque estranheza, na realidade vai causar. Tem algumas esquisitices, que talvez cause uma certa reação negativa do grande público. Mas, olha eu adorei, eles não tirarem o pé no freio. Empolgado demais com esse universo DC. E que com certeza terá um tipo de abordagem para cada personagem.
A expectativa foi alta, talvez por isso não tenha curtido tanto. As reflexões sobre crise de meia idade soaram caricatas, não que sejam muito ruins, mas naquela pegada clichê, meio comédia romântica americana. Um certo moralismo disfarçado de humor aqui, uma representação de juventude meio forçada acolá.
É maravilhoso quando um filme usa de um gênero como o terror para abordar temas críticos como o racismo, o folclore afro americano, e a cultura musical do blues como um mecanismo de resistência à opressão. E a miscelânea sai tão boa que o filme é bom como ação, nem é cabeçudo, só sabe usar bem o vampirismo como simbologia. É uma maneira super inteligente de trazer temas urgentes para um maior número de pessoas.
Esse filme entrega muito mais do que uma cine-biografia consegue entregar. Tá tudo lindo: fotografia, som, atuações, cenário, figurino, trilha sonora. Acho que é a produção nacional desse gênero, que eu mais curti na vida. E de verdade, se você poder assistir no cinema, assista, vale muito a pena.
E assim, o trabalho que esse ator, Jesuíta Barbosa, entregou, meu amigo, é absolutamente animal. Não é só na parte emocional, é no físico também. É impressionante como esse rapaz incorporou o Ney de forma visceral mesmo.
Dosam muito bem o humor, sendo contundente e comovente.
O contraste entre a rispidez sofrida na infância, a relação dura com o pai, e aquele final em que ele visita a mãe para ver o pai doente, cortando para cenas do pai aplaudindo o filho e confessando (ao ouvir o vinil do Ney) que o filho era um artista, é uma redenção que te pega de um jeito muito genuíno e pesado. Ali eu passei vergonha no cinema, porque eu chorei de verdade, sem conseguir disfarçar.
Enfim, esse filme só vai potencializar a sua admiração, caso você curta o trabalho do ney no secos&molhados e na carreira solo. Uma jóia nacional potente, com muito qualidade. Trabalha bem com a nudez, sem amenizar, narrativa envolvente, fotografia IMPECÁVEL,cada quadro parece ser da época e atuações muito boas, e a performance do Jesuíta Barbosa, pra aplaudir de pé.
Teria sido reprovado logo no primeiro teste, e a essa altura, eu teria abraçado o velho mundo pra morrer queimado com ele, com todo gosto. Kkkk
Essa realidade forjada é tão insuportável que me fez reconsiderar a velha e bendita chinelada como método pedagógico aceitável. E o sexo solitário, veja só, como um ideal de vida. Kkkkk
*E essa Virgínia?! Mala que só ela. Essa realmente vestiu a camisa da empresa. Vá se lascar.
Isso até chegar o fim do filme, e ver o quanto ela teve que lidar e suportar com um emprego de merda tbm...
Aqui é só ironia, meu povo, o filme tem uma pegada séria sobre a desumanização das relações. Ele critica como a paternidade/maternidade virou controle sistêmico. Isso nos faz refletir sobre o desejo de ter filhos transformado em fardo e teste de conformidade, em um mundo onde até procriar é um privilégio regulado. A série ecoa também a perigosa substituição do real pela IA e de paralelos que relampeja em nossas cabeças esse fenômeno estranho de 'bebês reborn'.
Enfim, alem de ter uma forte crítica à exploração predatória da natureza, ignorada até chegar ao ponto sem retorno.
No fim das contas, talvez a chinelada não seja tão má ideia assim, é só deixar de dar em crianças, e passar a dar na gente, adultos. Estamos merecendo uma bela de uma pisa bem dada, já faz tempo viu?!
Desconstruindo a Fantasia Disney: O Horror Oculto da Beleza 🏰🔪 Esqueça os contos de fadas açucarados da Disney! Para quem já se aventurou pelas páginas originais dos Irmãos Grimm, se liga que o terror sempre se espreitou sob o verniz da magia. "The Ugly Stepsister" só faz escancarar essa verdade, mas com muita assinatura. Subvertendo a narrativa de Cinderela em um pesadelo cruel de body horror! 😱
Além da Cinderela: Beleza e maldade a Serviço de quem? 🔪🐛 A genialidade da proposta? Desviar o foco de Cinderela para Elvira, uma adaptação da "irmã feia", expondo as motivações grotescas que impulsionam a rivalizar com Cinderela na busca pela "perfeição". 😬 Quebrar ossos do nariz com formão, costurar cílios com um cirurgião sob efeito de c0C@ína, engolir ovos de vermes na vã tentativa de emagrecer... 🤮 são cenas CHOCANTES, mas que traçam paralelos com práticas atuais na vida real. 💔 Essa busca desesperada pelo padrão, alimentada por uma sociedade que supervaloriza a aparência, nos faz refletir sobre limites e principalmente se perguntar, esse horror está a serviço de quais expectativas? Quem é a vilã da história? 🤔
Visão Perturbadora de Solveig Anspach: Uma Estreia Visceral? 🎬🚺 A diretora norueguesa Solveig Anspach faz uma estreia foda, confrontando a obsessão pela beleza com uma intensidade que até evoca Cronenberg, mas estabelece uma voz estética e assinatura única.
*Os primeiros minutos do filme podem te levar a questionar isso, porque tem muito pastelão e um clima meio novela, mas deixe passar esse começo que rola uma ótima surpresa.
Aqui, o terror não mora simplesmente em personagens femininas megeras cruéis, mas sim na DITADURA ESTÉTICA, na busca OBSESSIVA e DOENTIA por validação e sobrevivência em uma sociedade completamente má e monstruosa. Roteiro foda e efeitos práticos visuais impressionantes.
O pau comendo e o sonzão do Nelson Ned truando na trilha já dão o tom do filme: É violência e ausência de amor meu fi!
Amei a ambientação feita nessas regiões isoladas, a cultura desses botecos raiz, nutridas por cana e sinuca, encaixam de maneira natural à narrativa. Mais do que um mero cenário, essa estética sertaneja e isolada se torna um personagem silencioso, um espelho da alma rude e, paradoxalmente, vulnerável dos protagonistas.
A fumaça dos cigarros o som dos copos, das bolas de sinuca, PORRA que captação simples e criativa. É o nosso próprio western!! Achei massa eles terem filmado em lugares reais.
Curti tbm essa perspectiva antropológica no universo masculino, onde bancar o durão esconde a incapacidade de lidar com a fragilidade. O filme é bruto e delicado ao mesmo tempo, mostrando como a gente, homem, sofre calado com ausências e perdas.
Aí a violência não vem da razão, saca? É mais um instinto descontrolado. As brigas, às vezes até engraçadas de tão idiotas, mostram como a gente não tem ferramenta emocional pra lidar com frustração e perdas.
Essa pressão de ser "macho", de ter "honra" pela força e esconder o que sente, prende a gente num ciclo de sofrimento e agressão. Tá lá, no fundo da gente, na criação.
O massa é que o filme não julga, só mostra a nossa tragédia humana, presos nesse jeito antigo que impede a gente de sentir e racionalizar os afetos.
Sei como é que é... Né fácil não!
Enfim...Que filmaço! Tem muita assinatura, é o nosso "western" e é raiz! Longe do arquétipo do herói solitário de "Por um Punhado de Dólares", a pegada aqui é a violência entrelaçada na cultura do "chifre"!
É a "honra" trocada por agressão escancarando a nossa fragilidade masculina, a dificuldade de lidar com a rejeição. DÁ ORGULHO ver filmes nacionais com essa qualidade.
Esse documentário só confirma o que a gente já sabe. E se você não sabe, trate logo de saber: Rita Lee é uma figura extraordinária! Não só como artista, mas como um fenômeno que desafiou o tempo, a caretice as convenções.
Se impôs no território masculino do rock, redefiniu os papéis de gênero. Transformou um palco em barricada.
* Quando abraçou a dor de uma mãe que viu seu filho silenciado pela brutalidade policial, num ato de coragem que transcendeu a arte. Enfrentou as grades por isso, sem perder a liberdade subversiva do espírito.
Sobreviveu a escassez de grana, sem abrir mão da abundância criativa, teve letras e mais letras vetadas pela ditadura, viciou-se, curou-se, se reinventou mesmo nos parâmetros do mainstream e permaneceu fiel à sua essência.
Foi a vanguarda encarnada, uma voz que, a frente do seu tempo, desnudou a sexualidade feminina em um país que insistia no falso moralismo, na fobia do prazer. Tratou a finitude em coisas da vida, na passagem da mãe, e lidou com a barra de conviver com a própria no fim. Foi deprimida, agressiva, alegre, se machucou pesado, foi humana.
Ela simplesmente "voltou para casa" de onde saímos e pra onde voltaremos. Mas, se dissolveu na própria essência do lar universal, esse lugarzim onde a música e a irreverência nascem e não morrem nunca.
Deixou pra gente a certeza de que somos todos feitos de poeira...
mas, PORRA! também somos feitos de rebeldia e amor.
Eu curti muito Babygirl! é um suspense psicológico-erótico que, para mim, embora não seja "OHHH QUE REVOLUCIONÁRIO", desenvolve uma crítica honesta aos laços morais da nossa sociedade.
De forma inteligente, o filme revela como a pressão por condutas normativas perverte o prazer, transformando-o em fonte de dor e perigo ao expor o tal 'normal' como um agente que sufoca os desejos, em particular os femininos.
Achei a narrativa fluida, ela narra muito bem a jornada de Romy, consegue explorar bem esse conceito contrastante: de uma vida de padrões perfeitos para uma existência encarada como "suja", mas que, no fundo, revela só os anseios, traumas e desejos reprimidos dela.
É muito bem amarrado o confronto constante com o dilema da ingratidão, ao considerar, em alguns momentos, o prazer em detrimento da estabilidade familiar e profissional. A dinâmica tensa me deixou colado à tela direto, não consigo entender como alguém critica o filme por falta de dinâmica. As ações de Romy se tornavam cada vez mais estranhas, tanto para ela quanto para nós, espectadores, igualmente dogmatizados. Outro detalhe muito bem fundamentado.
E é aí, nesse ponto do filme, que a gravidade da situação de Romy no filme me fez pensar muito, sabe?
Na trama, veja bem, ela está sem nenhum apoio ou orientação, e o prazer nas relações com o marido já ta esgotado faz tempo; então, ela acaba se jogando num autodescobrimento um tanto perigoso e até neurótico. Essa dificuldade dela de lidar com os próprios desejos e a vulnerabilidade acaba levando-a para um caminho cheio de mentiras, irresponsabilidades e atitudes antiéticas, colocando-a em risco e outras pessoas também.
Ela realmente se fragmenta, a vida dela se parte em duas. O sofrimento do conflito vai se tornando mais agravante, se torna uma pessoa perdida, sofrendo no esforço de se encontrar, de se auto-aceitar. Isso ressalta, de forma contundente, como a repressão moral transforma o desejo em algo perigoso – um eco da realidade que se manifesta cotidianamente em proporções ainda mais graves. É triste constatar isso. Fica claro, contudo, que a culpa não reside apenas na individualidade, mas na sociedade moralista que nos ensina a podar e esconder quem somos.
Ainda que encontre vislumbres de liberdade e prazer naquele relacionamento clandestino com Samuel, a base de mentira e a imaturidade dos dois impedem qualquer desenvolvimento autêntico ou consensual. O filme, por sua vez, não julga, mas provoca intensamente a discussão, por exemplo, sobre o poliamor. Isso é sensacional! Em resumo, o filme trabalha muito bem esse conflito.
Serve como um poderoso lembrete de que a verdadeira libertação começa onde a convenção termina e o acolhimento se faz presente. Nos convida a refletir sobre a autenticidade radical e as múltiplas formas de prazer, alertando para o alto preço imposto pelos dogmas e regras sociais que nos acompanham até o fim da vida.
Enfim, acho que a verdadeira anormalidade está na forçada tentativa de ser 'normal', de adequar o que não nos cabe. Com consentimento e acolhimento, não há limites para a descoberta; contudo, isso exige maturidade, abertura e clareza – um desafio considerável em um mundo tão moralista e misógino.
O próprio desfecho é complexo, propondo um "final feliz" que é, simultaneamente, resolução e persistência do conflito interno. A Romy encontra uma forma de redenção? Seria uma mera adequação ilusória? Ou, talvez, um amadurecimento dos desejos?
E quem não tiver seu próprio teto de vidro que atire a primeira pedra.
Iron Maiden: Burning Ambition
3.9 16Saí da sessão muito afim de ouvir grunge.
Juventude em Fúria
3.8 864 Assista AgoraÉ o tipo de filme que tem algums defeitos, mas que surpreende e cativa e acabo favoritando. Ótimo exemplo, de que filme bom, não precisa ser perfeito, mas precisa ter alma.
A Noiva!
3.0 161Curti foi muito, meio punk e gótico, sem medo de ser camp.
A Única Saída
3.7 159 Assista AgoraEgoísta, patético e autodestrutivo.
Capitalismo
Entrevista com o Demônio
3.4 777 Assista AgoraDivertido pra caramba, e bem escrito e dirigido também. Provando que dá pra ter humor, sem forçar algo tolo.
* Os efeitos visuais são bem bacanas também.
Central do Brasil
4.1 1,9K Assista AgoraSeja pelo aspecto técnico ou emocional. Tudo é lindo nesse filme.
Ladrões
3.4 220 Assista AgoraA quantidade de frases de efeito ruins nesse filme é impressionante
O Último Episódio
3.6 12Toda produção do filmes de plástico detona demais. Esse, especificamente, me surpreendeu ainda mais. Pela fotografia que é muito estilosa, só que ao mesmo tempo é crua, pelo cenário e figurino, contexto social e político muito fidedignos da época.
Stranger Things que nada!! Esse filme fala muito mais sobre a nossa identidade e geração. É um filme teen, estilo sessão da tarde de produção americana, só que com assinatura e identidade nacional. E lógico cheio de memórias vivas, e muito bonitinho e comovente, com espaço também para momentos densos. É um filme que vai fazer logo a cabeça de quem viveu essa época do começo dos anos 90, como eu kkkk.
Pra não disser que tem momentos questionáveis, cito o desfecho do roubo da câmera como algo meio capenga e não convincente, mas o filme é tão bom, que dá pra passar um pano bonito sim
Bugonia
3.6 562 Assista AgoraO mais fraco do Yorgos...
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraTem drama, crítica social, trama investigava, humor, ação, fantasia. Precisa de mais nada. Muito bom kkkk
Frankenstein
3.7 618 Assista AgoraBrutal e doloridamente bonito.
Faça Ela Voltar
3.8 791 Assista AgoraSaquei que o filme quis falar de luto ou de como resistimos a finitude. Mas, a estética soa pretenciosa, o gore tá ali pra chocar e não a serviço da narrativa. Sei lá... é legal, mas parece que é tudo meio plástico, é bonito, é chocante, mas é desencontrado.
Saint Clare
2.2 6Achei o design do "pôster" legal, desisti de assistir aos 26 minutos. Mudar urgentemente essa ideia de assistir filmes pela capa kkkk
*Saint Maud é legal.
De Volta ao Mar
3.4 64 Assista AgoraBonito e surpreendente.
Superman
3.6 933 Assista AgoraFilme super gostoso de assistir. A pegada episódica funciona, lembra all stars,.mas não é uma cópia. Os princípios e valores do Superman são muito bem retratados no filme. E olha, tem um discurso sobre posicionamento político bastante corajoso e relevante.
E sensação de ler um gibi n°10 de uma série mensal é muito real.
Talvez a metade do filme provoque estranheza, na realidade vai causar. Tem algumas esquisitices, que talvez cause uma certa reação negativa do grande público. Mas, olha eu adorei, eles não tirarem o pé no freio. Empolgado demais com esse universo DC. E que com certeza terá um tipo de abordagem para cada personagem.
A cena da mulher Gavião Jogando aquele político da janela, já mostra o quanto as abordagens serão diferentes.
E destaque também para a cena do Luthor matando um civil inocente, não esperava aquilo. Pra quem achava que o filme não ia ter seus momentos densos.
Enquanto Somos Jovens
3.2 236 Assista grátisA expectativa foi alta, talvez por isso não tenha curtido tanto. As reflexões sobre crise de meia idade soaram caricatas, não que sejam muito ruins, mas naquela pegada clichê, meio comédia romântica americana. Um certo moralismo disfarçado de humor aqui, uma representação de juventude meio forçada acolá.
O Surfista
3.1 32 Assista AgoraSó embarquei no absurdo e me deixei levar kkkkkk. É desagradável, mas tbm divertido dentro dos parâmetros.
Pecadores
4.0 1,3K Assista AgoraÉ maravilhoso quando um filme usa de um gênero como o terror para abordar temas críticos como o racismo, o folclore afro americano, e a cultura musical do blues como um mecanismo de resistência à opressão. E a miscelânea sai tão boa que o filme é bom como ação, nem é cabeçudo, só sabe usar bem o vampirismo como simbologia. É uma maneira super inteligente de trazer temas urgentes para um maior número de pessoas.
Homem com H
4.2 535 Assista AgoraEsse filme entrega muito mais do que uma cine-biografia consegue entregar. Tá tudo lindo: fotografia, som, atuações, cenário, figurino, trilha sonora. Acho que é a produção nacional desse gênero, que eu mais curti na vida. E de verdade, se você poder assistir no cinema, assista, vale muito a pena.
E assim, o trabalho que esse ator, Jesuíta Barbosa, entregou, meu amigo, é absolutamente animal. Não é só na parte emocional, é no físico também. É impressionante como esse rapaz incorporou o Ney de forma visceral mesmo.
Dosam muito bem o humor, sendo contundente e comovente.
O contraste entre a rispidez sofrida na infância, a relação dura com o pai, e aquele final em que ele visita a mãe para ver o pai doente, cortando para cenas do pai aplaudindo o filho e confessando (ao ouvir o vinil do Ney) que o filho era um artista, é uma redenção que te pega de um jeito muito genuíno e pesado. Ali eu passei vergonha no cinema, porque eu chorei de verdade, sem conseguir disfarçar.
Enfim, esse filme só vai potencializar a sua admiração, caso você curta o trabalho do ney no secos&molhados e na carreira solo. Uma jóia nacional potente, com muito qualidade. Trabalha bem com a nudez, sem amenizar, narrativa envolvente, fotografia IMPECÁVEL,cada quadro parece ser da época e atuações muito boas, e a performance do Jesuíta Barbosa, pra aplaudir de pé.
A Avaliação
3.5 162 Assista AgoraTeria sido reprovado logo no primeiro teste, e a essa altura, eu teria abraçado o velho mundo pra morrer queimado com ele, com todo gosto. Kkkk
Essa realidade forjada é tão insuportável que me fez reconsiderar a velha e bendita chinelada como método pedagógico aceitável. E o sexo solitário, veja só, como um ideal de vida. Kkkkk
*E essa Virgínia?! Mala que só ela. Essa realmente vestiu a camisa da empresa. Vá se lascar.
*
Isso até chegar o fim do filme, e ver o quanto ela teve que lidar e suportar com um emprego de merda tbm...
Aqui é só ironia, meu povo, o filme tem uma pegada séria sobre a desumanização das relações. Ele critica como a paternidade/maternidade virou controle sistêmico. Isso nos faz refletir sobre o desejo de ter filhos transformado em fardo e teste de conformidade, em um mundo onde até procriar é um privilégio regulado. A série ecoa também a perigosa substituição do real pela IA e de paralelos que relampeja em nossas cabeças esse fenômeno estranho de 'bebês reborn'.
Enfim, alem de ter uma forte crítica à exploração predatória da natureza, ignorada até chegar ao ponto sem retorno.
No fim das contas, talvez a chinelada não seja tão má ideia assim, é só deixar de dar em crianças, e passar a dar na gente, adultos. Estamos merecendo uma bela de uma pisa bem dada, já faz tempo viu?!
A Meia-Irmã Feia
3.8 466 Assista AgoraDesconstruindo a Fantasia Disney: O Horror Oculto da Beleza 🏰🔪
Esqueça os contos de fadas açucarados da Disney! Para quem já se aventurou pelas páginas originais dos Irmãos Grimm, se liga que o terror sempre se espreitou sob o verniz da magia. "The Ugly Stepsister" só faz escancarar essa verdade, mas com muita assinatura. Subvertendo a narrativa de Cinderela em um pesadelo cruel de body horror! 😱
Além da Cinderela: Beleza e maldade a Serviço de quem? 🔪🐛
A genialidade da proposta? Desviar o foco de Cinderela para Elvira, uma adaptação da "irmã feia", expondo as motivações grotescas que impulsionam a rivalizar com Cinderela na busca pela "perfeição". 😬
Quebrar ossos do nariz com formão, costurar cílios com um cirurgião sob efeito de c0C@ína, engolir ovos de vermes na vã tentativa de emagrecer... 🤮 são cenas CHOCANTES, mas que traçam paralelos com práticas atuais na vida real. 💔
Essa busca desesperada pelo padrão, alimentada por uma sociedade que supervaloriza a aparência, nos faz refletir sobre limites e principalmente se perguntar, esse horror está a serviço de quais expectativas? Quem é a vilã da história? 🤔
Visão Perturbadora de Solveig Anspach: Uma Estreia Visceral? 🎬🚺
A diretora norueguesa Solveig Anspach faz uma estreia foda, confrontando a obsessão pela beleza com uma intensidade que até evoca Cronenberg, mas estabelece uma voz estética e assinatura única.
*Os primeiros minutos do filme podem te levar a questionar isso, porque tem muito pastelão e um clima meio novela, mas deixe passar esse começo que rola uma ótima surpresa.
Aqui, o terror não mora simplesmente em personagens femininas megeras cruéis, mas sim na DITADURA ESTÉTICA, na busca OBSESSIVA e DOENTIA por validação e sobrevivência em uma sociedade completamente má e monstruosa. Roteiro foda e efeitos práticos visuais impressionantes.
Oeste Outra Vez
3.6 106 Assista AgoraO pau comendo e o sonzão do Nelson Ned truando na trilha já dão o tom do filme: É violência e ausência de amor meu fi!
Amei a ambientação feita nessas regiões isoladas, a cultura desses botecos raiz, nutridas por cana e sinuca, encaixam de maneira natural à narrativa. Mais do que um mero cenário, essa estética sertaneja e isolada se torna um personagem silencioso, um espelho da alma rude e, paradoxalmente, vulnerável dos protagonistas.
A fumaça dos cigarros o som dos copos, das bolas de sinuca, PORRA que captação simples e criativa. É o nosso próprio western!! Achei massa eles terem filmado em lugares reais.
Curti tbm essa perspectiva antropológica no universo masculino, onde bancar o durão esconde a incapacidade de lidar com a fragilidade. O filme é bruto e delicado ao mesmo tempo, mostrando como a gente, homem, sofre calado com ausências e perdas.
Aí a violência não vem da razão, saca? É mais um instinto descontrolado. As brigas, às vezes até engraçadas de tão idiotas, mostram como a gente não tem ferramenta emocional pra lidar com frustração e perdas.
Essa pressão de ser "macho", de ter "honra" pela força e esconder o que sente, prende a gente num ciclo de sofrimento e agressão. Tá lá, no fundo da gente, na criação.
O massa é que o filme não julga, só mostra a nossa tragédia humana, presos nesse jeito antigo que impede a gente de sentir e racionalizar os afetos.
Sei como é que é...
Né fácil não!
Enfim...Que filmaço! Tem muita assinatura, é o nosso "western" e é raiz! Longe do arquétipo do herói solitário de "Por um Punhado de Dólares", a pegada aqui é a violência entrelaçada na cultura do "chifre"!
É a "honra" trocada por agressão escancarando a nossa fragilidade masculina, a dificuldade de lidar com a rejeição. DÁ ORGULHO ver filmes nacionais com essa qualidade.
Rita Lee: Mania de Você
4.2 66Esse documentário só confirma o que a gente já sabe. E se você não sabe, trate logo de saber: Rita Lee é uma figura extraordinária! Não só como artista, mas como um fenômeno que desafiou o tempo, a caretice as convenções.
Se impôs no território masculino do rock, redefiniu os papéis de gênero. Transformou um palco em barricada.
* Quando abraçou a dor de uma mãe que viu seu filho silenciado pela brutalidade policial, num ato de coragem que transcendeu a arte. Enfrentou as grades por isso, sem perder a liberdade subversiva do espírito.
Sobreviveu a escassez de grana, sem abrir mão da abundância criativa, teve letras e mais letras vetadas pela ditadura, viciou-se, curou-se, se reinventou mesmo nos parâmetros do mainstream e permaneceu fiel à sua essência.
Foi a vanguarda encarnada, uma voz que, a frente do seu tempo, desnudou a sexualidade feminina em um país que insistia no falso moralismo, na fobia do prazer. Tratou a finitude em coisas da vida, na passagem da mãe, e lidou com a barra de conviver com a própria no fim. Foi deprimida, agressiva, alegre, se machucou pesado, foi humana.
Ela simplesmente "voltou para casa" de onde saímos e pra onde voltaremos. Mas, se dissolveu na própria essência do lar universal, esse lugarzim onde a música e a irreverência nascem e não morrem nunca.
Deixou pra gente a certeza de que somos todos feitos de poeira...
mas, PORRA! também somos feitos de rebeldia e amor.
Falar mais o quê?
Babygirl
2.7 496 Assista AgoraEu curti muito Babygirl! é um suspense psicológico-erótico que, para mim, embora não seja "OHHH QUE REVOLUCIONÁRIO", desenvolve uma crítica honesta aos laços morais da nossa sociedade.
De forma inteligente, o filme revela como a pressão por condutas normativas perverte o prazer, transformando-o em fonte de dor e perigo ao expor o tal 'normal' como um agente que sufoca os desejos, em particular os femininos.
Achei a narrativa fluida, ela narra muito bem a jornada de Romy, consegue explorar bem esse conceito contrastante: de uma vida de padrões perfeitos para uma existência encarada como "suja", mas que, no fundo, revela só os anseios, traumas e desejos reprimidos dela.
É muito bem amarrado o confronto constante com o dilema da ingratidão, ao considerar, em alguns momentos, o prazer em detrimento da estabilidade familiar e profissional. A dinâmica tensa me deixou colado à tela direto, não consigo entender como alguém critica o filme por falta de dinâmica. As ações de Romy se tornavam cada vez mais estranhas, tanto para ela quanto para nós, espectadores, igualmente dogmatizados. Outro detalhe muito bem fundamentado.
E é aí, nesse ponto do filme, que a gravidade da situação de Romy no filme me fez pensar muito, sabe?
Na trama, veja bem, ela está sem nenhum apoio ou orientação, e o prazer nas relações com o marido já ta esgotado faz tempo; então, ela acaba se jogando num autodescobrimento um tanto perigoso e até neurótico. Essa dificuldade dela de lidar com os próprios desejos e a vulnerabilidade acaba levando-a para um caminho cheio de mentiras, irresponsabilidades e atitudes antiéticas, colocando-a em risco e outras pessoas também.
Ela realmente se fragmenta, a vida dela se parte em duas. O sofrimento do conflito vai se tornando mais agravante, se torna uma pessoa perdida, sofrendo no esforço de se encontrar, de se auto-aceitar. Isso ressalta, de forma contundente, como a repressão moral transforma o desejo em algo perigoso – um eco da realidade que se manifesta cotidianamente em proporções ainda mais graves. É triste constatar isso.
Fica claro, contudo, que a culpa não reside apenas na individualidade, mas na sociedade moralista que nos ensina a podar e esconder quem somos.
Ainda que encontre vislumbres de liberdade e prazer naquele relacionamento clandestino com Samuel, a base de mentira e a imaturidade dos dois impedem qualquer desenvolvimento autêntico ou consensual. O filme, por sua vez, não julga, mas provoca intensamente a discussão, por exemplo, sobre o poliamor. Isso é sensacional!
Em resumo, o filme trabalha muito bem esse conflito.
Serve como um poderoso lembrete de que a verdadeira libertação começa onde a convenção termina e o acolhimento se faz presente. Nos convida a refletir sobre a autenticidade radical e as múltiplas formas de prazer, alertando para o alto preço imposto pelos dogmas e regras sociais que nos acompanham até o fim da vida.
Enfim, acho que a verdadeira anormalidade está na forçada tentativa de ser 'normal', de adequar o que não nos cabe. Com consentimento e acolhimento, não há limites para a descoberta; contudo, isso exige maturidade, abertura e clareza – um desafio considerável em um mundo tão moralista e misógino.
O próprio desfecho é complexo, propondo um "final feliz" que é, simultaneamente, resolução e persistência do conflito interno. A Romy encontra uma forma de redenção? Seria uma mera adequação ilusória? Ou, talvez, um amadurecimento dos desejos?
E quem não tiver seu próprio teto de vidro que atire a primeira pedra.