É feliz de assistir sabendo que a YPJ, as militares mulheres curdas, foram uma das principais forças contra o Estado Islâmico. Dá um calorzinho internacionalista. E é um ótimo filme de guerra: tem cenas felizes e de sucesso, e também dá medo, dá vontade de correr, de se proteger, de atirar. Também problematiza vários detalhes da guerra e da uma visão intimista sobre a presença feminina na guerra: como a solidariedade entre elas é diferente, como seu modo de ver a guerra é diferente, etc.
Como eu sei que não faltou dinheiro, deve ter ficado ruim porque faltou tempo. É divertido de assistir, mas essa é uma franquia que não amadureceu com a fanbase, como aconteceu com Harry Potter, por exemplo.
A Tóquio e o Rio continuam fazendo eu achar que estou assistindo Malhação.
Dá vontade de ver o próximo episódio, cliff hanger, deixa a gente nervoso e essas coisas gostosas. Mas se você se sentiu mentalmente instigado pelo roubo das primeiras partes, não vai gostar desse roubo. Enquanto no primeiro roubo tudo era genial, nesse poucas coisas são geniais. Muitos personagens agem contrariamente ao esperado deles, muitos personagens inteligentes deixam passar coisas que não deixariam.
A Alicia Sierra (a inspetora, torturadora e grávida) me lembrou algo que eu já conhecia, aí notei que eram os investigadores de Death Note, principalmente o L. Excêntrica e comendo doces. Curto que a série trabalhe essas referências.
Os personagens novos são bem legais. São bem atuados, são bem construídos, são legais de ver em cena. Só o roubo que é ruim mesmo. Como eu assisto a série pra ver o roubo, não posso dar uma nota legal.
O filme é bem legal. Gostei bastante. É bem assustador. Fica mais assustador ainda se você conhece suas próprias fraquezas mentais, porque talvez as reconheça no filme.
Muitos filmes de terror se valem de doenças mentais pra moldura de seus enredos. Babadook não é nem mais, nem menos "psicológico" que outros terrores (todos os filmes de terror são psicológicos). O triunfo de Babadook é, pelo menos, fazer isso de uma maneira mais nuançada que outros filmes.
No entanto, Babadook é meio mal interpretado. Já ouvi falar na alegoria para depressão (inclusive aparece em alguns comentários aqui no Filmow), mas não procede. Talvez a confusão seja em parte culpa da produção do filme, já que alguns momentos parecem construir a alegoria com depressão, mas a maioria das situações e sintomas são de psicose.
Os primeiros dois terços do filme são melhores, o último terço (a correria típica de fim de filme de terror) comete algumas gafes.
O filme, que até então construía a personagem e o terror psicologicamente e devagar, muda de ritmo. Por uns vinte minutos, é igual a qualquer filme de terror. Não achei legal o Babadook (ou espíritos/monstros em geral) entrando visualmente na personagem, não é legal na alegoria com depressão/psicose por que sugere causas externas ou essencializadas. Por exemplo, com frequência, transtornos mentais são interpretados como possessão ou espíritos em famílias religiosas, e isso pode subnotificação da doença e falta de acesso a tratamento adequado. A representação visual da possessão (que o filme usa uma ou duas vezes) corrobora com essa ideia. Isso não condiz com o resto do filmes, que se propõe a ilustrar melhor justamente esses problemas.
Também achei que a alegoria fica explicita demais no epílogo, o que é bom pra deixar a mensagem sublinhada, mas tá em cima da fronteira com subestimar o espectador.
Um último detalhe que não deve passar despercebido: esse filme até tenta, mas não sei dizer se consegue fugir de alguns problemas do gênero: psicofobia e misoginia (especialmente mães más).
Pelo menos é curtinho e não cansa. Já vi horas e horas de seriados piores.
O Noah Centineo é realmente muito bonito. O filme é ruim. Eu gosto muito de comédia adolescente, mas essa é um suco bem aguado de todos os clichês do gênero (perder o contato com amizades sinceras por motivos mesquinhos, casal improvável provável, achei-que-queria-a-menina-bonita-enquanto-a-menina-dos-meus-sonhos-estava-embaixo-do-meu-nariz). Os dramas e as personagens são muito mais rasas do que o aceitável pro gênero.
Mas legal a Netflix estar tentando fazer filmes adolescentes, os erros são aceitáveis por enquanto.
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Filhas do Sol
4.1 81É feliz de assistir sabendo que a YPJ, as militares mulheres curdas, foram uma das principais forças contra o Estado Islâmico. Dá um calorzinho internacionalista. E é um ótimo filme de guerra: tem cenas felizes e de sucesso, e também dá medo, dá vontade de correr, de se proteger, de atirar. Também problematiza vários detalhes da guerra e da uma visão intimista sobre a presença feminina na guerra: como a solidariedade entre elas é diferente, como seu modo de ver a guerra é diferente, etc.
Vingadores: Ultimato
4.3 2,6K Assista AgoraComo eu sei que não faltou dinheiro, deve ter ficado ruim porque faltou tempo. É divertido de assistir, mas essa é uma franquia que não amadureceu com a fanbase, como aconteceu com Harry Potter, por exemplo.
La Casa de Papel (Parte 3)
4.0 632 Assista AgoraA Tóquio e o Rio continuam fazendo eu achar que estou assistindo Malhação.
Dá vontade de ver o próximo episódio, cliff hanger, deixa a gente nervoso e essas coisas gostosas. Mas se você se sentiu mentalmente instigado pelo roubo das primeiras partes, não vai gostar desse roubo. Enquanto no primeiro roubo tudo era genial, nesse poucas coisas são geniais. Muitos personagens agem contrariamente ao esperado deles, muitos personagens inteligentes deixam passar coisas que não deixariam.
A Alicia Sierra (a inspetora, torturadora e grávida) me lembrou algo que eu já conhecia, aí notei que eram os investigadores de Death Note, principalmente o L. Excêntrica e comendo doces. Curto que a série trabalhe essas referências.
Os personagens novos são bem legais. São bem atuados, são bem construídos, são legais de ver em cena. Só o roubo que é ruim mesmo. Como eu assisto a série pra ver o roubo, não posso dar uma nota legal.
O Babadook
3.5 2,0K Assista AgoraO filme é bem legal. Gostei bastante. É bem assustador. Fica mais assustador ainda se você conhece suas próprias fraquezas mentais, porque talvez as reconheça no filme.
Muitos filmes de terror se valem de doenças mentais pra moldura de seus enredos. Babadook não é nem mais, nem menos "psicológico" que outros terrores (todos os filmes de terror são psicológicos). O triunfo de Babadook é, pelo menos, fazer isso de uma maneira mais nuançada que outros filmes.
No entanto, Babadook é meio mal interpretado. Já ouvi falar na alegoria para depressão (inclusive aparece em alguns comentários aqui no Filmow), mas não procede. Talvez a confusão seja em parte culpa da produção do filme, já que alguns momentos parecem construir a alegoria com depressão, mas a maioria das situações e sintomas são de psicose.
Os primeiros dois terços do filme são melhores, o último terço (a correria típica de fim de filme de terror) comete algumas gafes.
O filme, que até então construía a personagem e o terror psicologicamente e devagar, muda de ritmo. Por uns vinte minutos, é igual a qualquer filme de terror. Não achei legal o Babadook (ou espíritos/monstros em geral) entrando visualmente na personagem, não é legal na alegoria com depressão/psicose por que sugere causas externas ou essencializadas. Por exemplo, com frequência, transtornos mentais são interpretados como possessão ou espíritos em famílias religiosas, e isso pode subnotificação da doença e falta de acesso a tratamento adequado. A representação visual da possessão (que o filme usa uma ou duas vezes) corrobora com essa ideia. Isso não condiz com o resto do filmes, que se propõe a ilustrar melhor justamente esses problemas.
Também achei que a alegoria fica explicita demais no epílogo, o que é bom pra deixar a mensagem sublinhada, mas tá em cima da fronteira com subestimar o espectador.
Um último detalhe que não deve passar despercebido: esse filme até tenta, mas não sei dizer se consegue fugir de alguns problemas do gênero: psicofobia e misoginia (especialmente mães más).
O Date Perfeito
2.7 511 Assista AgoraPelo menos é curtinho e não cansa. Já vi horas e horas de seriados piores.
O Noah Centineo é realmente muito bonito. O filme é ruim. Eu gosto muito de comédia adolescente, mas essa é um suco bem aguado de todos os clichês do gênero (perder o contato com amizades sinceras por motivos mesquinhos, casal improvável provável, achei-que-queria-a-menina-bonita-enquanto-a-menina-dos-meus-sonhos-estava-embaixo-do-meu-nariz). Os dramas e as personagens são muito mais rasas do que o aceitável pro gênero.
Mas legal a Netflix estar tentando fazer filmes adolescentes, os erros são aceitáveis por enquanto.