Eu sai do cinema na dúvida de quantos minutos a mais de tela eu gostaria que tivesse para me explicar coisas que não foram contadas. Existem diversas críticas que rodeiam o Brasil dos últimos anos, a patroa que vai prestar depoimento performático, o sucateamento da universidade e como funcionários públicos de carreira se dobram mais dificilmente a interferências, a redução do espaço destinado a cultura nas cidades (acho que o filme colocou a conversa com o Fernando no hospital só para dizer que não era mais um cinema). E eu estava ali me sentindo fazendo parte desse país, mas também entendendo que essa narrativa está cortada e que nem sempre eu vou entender o que aconteceu, como quando o Marcelo e a Elsa conversam, ele para a fita, fala coisas e as pesquisadoras no futuro acham que foi apenas uma pausa para ir ao banheiro. Me senti interessada em saber mais, saber o que estava acontecendo quando ninguém estava gravando.
Não sabia nada sobre o filme e pela sinopse achei que seria ruinzinho, mas foi divertido e uma grata surpresa. O filme vai apresentando elementos e depois os resgata na construção da narrativa. Não tem como não torcer pelo Viiny e a inocência dos meninos, que foram presos de modo absurdo
Esse filme me fez pensar no direito de viver e envelhecer enquanto LGBT no Brasil. Ney é parte dessa história e mostrou como dá para se mostrar e ter coragem de ser quem se é.
Ao assistir esse filme no Brasil de hoje em que ainda há impunidade, com congratulações com as mortes serenas (após vindas longevas e em liberdade) de torturadores não há como não ficar em uma repetição eterna da música trilha "é preciso dar um jeito, meu amigo". O requinte de crueldade que a ditadura militar impôs ao nosso país é de revirar o estômago de qualquer pessoa que se importe minimamanete com os direitos humanos ou qualquer premissa de que somos todos iguais, apesar de nossas diferenças. A família Paiva foi um rosto disso, sem mostrar as cenas fortíssimas de violência física e das torturas tão comuns dessa época, vemos uma tortura geracional de não saber o que aconteceu, de não ter a concretude da morte, não se fecha o ciclo e vive um luto, é uma ferida sempre aberta. Essa é uma ferida ainda aberta da nossa história enquanto país. "É preciso dar um jeito, meu amigo. Descansar não adianta. Quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu"
Esse casal não me convenceu. Curto comédias românticas, e ouvi boas recomendações dessa e foi frustrante. Achei a história boa quando comparada a outras do mesmo genêro, mas não desenvolveu bem o romance entre os dois. Consegui captar alguns movimentos como deixar de odiar a chefe ou a emoção de ser parte da família, mas do romance... hum, melhor não, existem outros mais legais
O filme segue a mesma linha do primeiro, de tenta suprimir uma emoção e o que ocorre a partir disso. A história não é surpreendente, mas é bom de assistir. Eu gosto muito do embasamento cientifico por trás das emoções, é uma forma didática de entender e falar sobre o que sente (incluindo não apenas as crianças como também os adultos). Vi o filme no cinema e, tirando os eventuais chutes da criança na cadeira de trás, acho que vale a pena a experiência de assistir com diferentes gerações
Quando estudava sobre os grandes acontecimentos históricos imaginava de modo ingênuo que a vida das pessoas parava e isso era a centralidade. Depois de adulta e de viver momentos históricos entendi que ocorrem guerras, desastres naturais, momentos de calamidade pública e vão ter pessoas preocupadas com uma geladeira, a viagem do ano, trivialidades da vida. Se há uma reportagem sobre crianças passando fome, ao mudar de canal é como se deixasse de existir. A sensação que Zona de Interesse me dá é como para quem está liderando, organizando e operacionalizando o horror fosse só mais uma coisa.
Minhas botas estão cheias de sangue de mortes que sou responsável? Vou deixá-la aqui para outra pessoa limpar. Não quero ver as chamines? Só colocar cortinas em toda a casa. E falando em cortinas, por quê não dar um lance nas cortinas da minha antiga chefe judia, que agora mesmo pode estar morta? Uma das cenas que mais mexeu comigo foi a da oferta das câmaras de calor, que poderia ser usada sem pausas. Foi levado como uma meta a ser batida, não são pessoas, meros objetos a serem descartados.
O filme é delicado e gracioso, alternando entre diferentes momentos do tempo. Eu assisti com minha mãe e vi que ela teve um pouco de dificuldade para pegar as mudanças temporais, mas em parte das cenas tinha pistas como mudança da iluminação e o cabelo de Jo. Eu achei que estava tirando de letra, mas vi aqui nos comentários sobre um terceiro tempo que é da escrita do livro. O livro que deu origem ao filme é citado em A Amiga Genial, de Elena Ferrante, e assistindo aqui consigo compreender melhor a história de lá e me deu vontade de ler o livro. Me apeguei a Jo desde as primeiras cenas e seu discurso por querer escolher ter uma vida independente, escolhendo por si mesma me deixou tocada.
Eu gosto de escrever e por isso senti raiva e não perdoaria facilmente se
Alguns meses atrás fui entrevistada na rua sobre o aniversário do voto feminino no Brasil, uma conquista de menos de 100 anos. Assistir esse filme é também relembrar que nenhum direito surge do nada e que é necessário avançar para garantir que as mulheres vivam em igualdade de escolhas, oportunidade e justiça.
Nos estudos sobre racismo a Psicologia Social aponta que quando um indivíduo preconceituoso conhece alguém de um grupo ao qual abomina, e essa pessoa quebra os esteriótipos esperados, o que ocorre não é uma "superação" do preconceito, mas a pessoa abre uma exceção, nesse caso poderíamos ver algo como "ah ele não é como os outros negros" e continuaria sendo racista para manter suas crenças e valores. Apostar que a amizade entre brancos e negros é o que vai solucionar o racismo é tentar solucionar um problema complexo com algo simples. Mas isso não quer dizer que o filme é ruim, ou simplista, muito pelo contrário.
Os dois fugitivos foram pegos no final e vão voltar para a prisão, mas retornam diferente de como sairam. E esse é também um convite para os espectadores, de pensarem a respeito dos conflitos raciais e saírmos diferentes, afinal as cenas e diálogos que mostram os conflitos raciais são duras e crueis. Achei legal como no início foi necessário uma "colaboração" por conta da corrente, desde o começo eu sabia que ninguém ia matar ninguém pois isso significaria não fugir e ficar preso a, literalmente, um peso morto. No final do filme, sem as correntes, há uma colaboração de um tentar salvar ao outro.
No final das contas achei um filme fofo que fala sobre família e descobrir o próprio caminho e vontades, ao invés de só seguir o que os outros esperam, especialmente os pais. Se esse filme não fosse uma animação, poderia ser facilmente mais um desses filmes de romance com conflitos culturais entre a filha de imigrantes e alguém "típico" da cidade. Elementos brinca com o Gota e sua família demonstrando sentimentos e chorando em todas as oportunidades, achei legal pensar esse recorte diante de um cenário em que ainda se cria meninos falando que homens não choram... Demorei de ver e não me arrependi. O filme não virou uma das minhas animações favoritas, mas já penso em rever com meu priminho
Quem pega essa frase no início do filme e faz dela sua companheiro durante as duas horas e meia entende o que precisa sobre o personagem. Esse é o filme que mostra como o Snow vai até o fim para vencer, seja lá quais forem as regras. Procurar comida entre os destroços da guerra para sobreviver quando é apenas um garotinho? Fingir que tem motorista e uma vida de regalias mesmo que esteja quebrado? Fácil. Dar tudo de si para ganhar o prêmio estudantil, mudando seu futuro e da família? Aqui se vão horas de estudo e empenho. Mas e se as coisas mudam? E se fica tudo contra você? Bem, Snow cai como neve, sempre por cima de tudo.
Me pergunto o que aconteceria se a formatura dele tivesse sido um ano antes, quando o prêmio ainda seria em dinheiro, sem mentoria nos jogos. Quão diferente teria sido Panem, provavelmente não existiria Jogos Vorazes para colocar Katniss e Peeta em uma arena 64 anos depois. Ou será que se ele não tivesse sido levado ao limite, a matar alguém, teria virado mesmo assim o presidente sem pudor que vemos na trilogia dos Jogos Vorazes? Com certeza ele faria o que fosse necessário, mas sem a intervenção da Dr. Gaul em que momento seria de estudar muito para envenenar o reitor? Se não tivesse matado o menino na arena, que ele considerava menos humano do que ele, e não tivesse se sentido tão poderoso, outras mortes aconteceriam? Todas essas perguntas partem de uma premissa filosofica: o homem nasce bom e a sociedade o corrompe? Quando assistimos o 74 Jogos Vorazes, com tanta tecnologia e brutalidade misturada ao entretenimento temos certeza que Snow é horrível, um psicopata brutal, um assassino, alguém sem escrupulos para chegar ao poder. Esse filme volta ao passado para nos dar a dúvida. Será que ele seria diferente em alguma medida? Com certeza ele iria atrás do poder, mas creio eu que de outros meios.
Sou muito fã da saga de Jogos Vorazes e após odiar que o livro comemorativo dos 10 anos da série fosse sobre o Snow, foi uma grata surpresa ler e ver que esse livro completa pontas que não estão soltas dos 3 que vieram antes. Admiro muito o mundo que Suzanne Collins criou, o final desse filme se amarra bem com a entrevista de Finnick em A Esperança, em que ele conta sobre os crimes que Snow cometeu para chegar ao poder. Na verdade tudo parece se encaixar. A música da forca ter sido escrita por Lucy Gray revela o ódio adicional que Snow tem por Katniss anos depois. Um passado que a todo custo ele quis enterrar.
Lucy conta que a confinça, para ela, vale mais do que o amor. E o que você faz quando vê que a pessoa que te salvou e dá a entender que te ama, entregou o melhor amigo para ser morto na forca para salvar a si próprio? Naquele momento eu pensei, a confiança acabou. É cada um por si, e o que se faz com acordos de fuga que já haviam sido feitos? Como viver sendo uma ponta solta para alguém que matou pela possibilidade de ser delatado pela filha do prefeito? A sobrevivência acima de tudo opera grandes mudanças, e com a confiança quebrada, qualquer hora você vira o próximo inimigo. E Lucy sabia disso quando entrou na floresta. Eu gosto muito da escolha de ninguém saber se ela morreu ou não, cabe a cada um de nós escolher o que fazer com a vida dela. Abro um breve parenteses para contar uma história que meu professor de história contava em sala... Um circo passava por diversas cidades, e em uma delas um casal muito pobre ao final da apresentação implorou que o casal formado por um mágico e pela bailarina adotassem a sua filha e não deixassem que ela morrece de fome na cidade. O casal queria muito uma criança, mas nunca conseguiam engravidar, e com relutância e alegria levaram a menina. Quando ela cresceu tudo que queria era conhecer os pais, ela sonhava acordada com isso, enquanto aprendia sobre seu futuro ofício no circo. Equilibrista? Dançarina? Ela também sonhava em levar abundância por onde passava, que além da alegria do circo, que por onde passasse deixasse tudo verde, transformando a seca devastadora em alimentos para todos. Quando ela cresceu ainda mais, e já era quase adulta, seus pais do circo não podiam mais impedir a sua busca pelos pais biológicos, e então em um dia ela encontrou uma árvore bem alta e frondosa e decidiu subir para buscar o quão longe estava sua cidade natal. E lá do alto, quase em um dos ultimos galhos ela viu tudo, e em um pequeno deslize escorregou...... O que aconteceu com a menina? (Meu professor perguntava no meio do nosso espanto), as respostas menos timidas diziam: "ela morreu", ele fazia que não com a mão. "Vocês escolhem o que fazer com ela. Para mim... Ela voou, e por onde passou tornou tudo verde e abundante".
Para mim, Lucy Gray voou, e foi longe em seu desejo por liberdade, sem se subordinar a nada e nem ninguém.
Ninguém sabe o que aconteceu com ela: nem Snow que estava doido com o efeito da picada da cobra, nem as pessoas da Capital que especulavam sobre o mandado de morte pelo prefeiro, nem quem ficou no distrito 12. 64 anos depois Katniss comenta que o 12 teve apenas dois vitoriosos, o Haymitch e uma vitoriosa que ninguém sabia o nome e nem o que havia acontecido. Katniss não sabia dela, apesar de seu nome, o nome dado aquela raiz próxima do lago, ter sido dado por Lucy, de conhecimento do Bando, que em algum momento, anos depois, virou de conhecimento de seu pai.
Todas as coisas parecem estar interligadas, e no final das contas, assim como uma serpente que morde o próprio rabo, retornamos ao início: Snow cai como neve, sempre por cima de tudo (e de todos).
Nem bom nem ruim, dá para passar o tempo sem pensar muito na história. Achei corrido e esquecível. Gosto de filmes de romance bobinhos para passar o tempo, mas esse não foi
Sabia pouco sobre o filme antes de ver, e foi uma surpresa em vários sentidos. Achei as cores escolhidas bem bonitas e foi agradável de continuar assistindo, mesmo com algumas cenas de vergonha alheia aqui e ali. Logo nas primeiras cenas simpatizei com o personagem e torci para ele dar a volta por cima após na universidade. Quando a amizade entre Felix e Oliver foi se desenvolvendo fiquei com dó com o carinha da matemática
No convite para o verão imaginei que veria um Call Me by Your Name, que engano! Fui acompanhando o desenrolar e me perguntando o que a primeira cena do filme representava, o brasão em uma caixa de cigarros, pegar, acender e queimar. Acho que é esse o resumo
Só que na ordem invertida, queimou tudo e todos da família e depois tomou como seu. Me pergunto quando começaram os preparativos dele, quando ele desenhou o personagem, se foi no momento que viu Felix, se já sabia dele de antes e fingiu surpresa com os modos de Saltburn... O quanto ele soube assumiu a posição que cada um na família precisava, e os enguliu um a um, seja por conveniência ou porque estavam sendo uma pedra no sapato no caminho que ele queria trilhar. E no final das contas todos viraram pedras
Terminei de assistir e precisei de tempo para pensar no que estava sentindo, lendo os comentários tive a ajuda que precisava para listar: angústia, medo, pesar, dor, esperança. Desde o começo fiquei pesarosa pensando o que eu faria se estivesse ali e acho que o caminho preferivel seria de morrer no acidente.
O dilema ético de se alimentar de carne humana nessas condições extremas me fez pensar o que eu sentiria se soubesse que ali era meu irmão, a resposta ficou engasgada. A desumanização de entregar a carne sem saber de quem era ajudou a manter a sanidade dos sobreviventes, me perguntou como ficou a cabeça de quem fez o trabalho.
Manter a fé que vai sair vivo e que haverá um dia seguinte foi um dos grandes desafios dos sobreviventes. Ao mesmo tempo suas habilidades em transformar os poucos objetos disponíveis em itens essenciais os levou além. Eu já queria ver o filme, mas tomei a decissão final depois de conversar com uma amiga, ela me afirmou que esse filme a fez acreditar que precisamos ter profissões que fazem coisas concretas (como engenheiros e médicos). Sai do filme querendo ser melhor em mapas, em eletrônica, cerâmica, o que for, algo que faça minhas mãos terem utilidade. Mas no final das contas não há como se preparar ou viver de modo saudável achando que isso pode acontecer e projetar o que fazer, é ter fé que não irá acontecer, e ter ainda mais fé caso aconteça.
Filme muito bom para pensar as questões que envolvem o atendimento psicologico, as nossas tomadas de decisões e como traumas do passado nos impedem de viver bem, sendo necessário supera-los
Apesar de ser cansativo em alguns momentos, foi divertido acompanhar as histórias cada vez mais mirabolantes que Alex criou para tentar recriar o mundo que sua mãe conhecia. Quando eles mencionaram que a mãe ficou 8 meses em coma, só fiz pensar como foram 40 anos para construir tudo aquilo e em menos de um tudo mudou e não confiaram que a mulher conseguiria lidar com isso, sendo que tudo já estava entrando em colapso.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraEu sai do cinema na dúvida de quantos minutos a mais de tela eu gostaria que tivesse para me explicar coisas que não foram contadas. Existem diversas críticas que rodeiam o Brasil dos últimos anos, a patroa que vai prestar depoimento performático, o sucateamento da universidade e como funcionários públicos de carreira se dobram mais dificilmente a interferências, a redução do espaço destinado a cultura nas cidades (acho que o filme colocou a conversa com o Fernando no hospital só para dizer que não era mais um cinema). E eu estava ali me sentindo fazendo parte desse país, mas também entendendo que essa narrativa está cortada e que nem sempre eu vou entender o que aconteceu, como quando o Marcelo e a Elsa conversam, ele para a fita, fala coisas e as pesquisadoras no futuro acham que foi apenas uma pausa para ir ao banheiro. Me senti interessada em saber mais, saber o que estava acontecendo quando ninguém estava gravando.
Meu Primo Vinny
3.6 137 Assista AgoraNão sabia nada sobre o filme e pela sinopse achei que seria ruinzinho, mas foi divertido e uma grata surpresa. O filme vai apresentando elementos e depois os resgata na construção da narrativa. Não tem como não torcer pelo Viiny e a inocência dos meninos, que foram presos de modo absurdo
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraEsse filme me fez pensar no direito de viver e envelhecer enquanto LGBT no Brasil. Ney é parte dessa história e mostrou como dá para se mostrar e ter coragem de ser quem se é.
Amores Materialistas
3.1 389 Assista AgoraO filme faz críticas a como as relações amorosas se constroem na modernidade, com listas objetivas e que nos afastam da experiência
Wicked
3.9 524 Assista AgoraO filme é legal, mas longo demais, já estava cansada e ainda faltava 1h para terminar. É bem bonito de ver, mas também um pouco irritante
Um Dia de Chuva em Nova York
3.2 308 Assista AgoraQue filminho ruim. Passei boa parte pensando como foi sofrível ver a personagem da Ashleigh ser tão burrinha
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraAo assistir esse filme no Brasil de hoje em que ainda há impunidade, com congratulações com as mortes serenas (após vindas longevas e em liberdade) de torturadores não há como não ficar em uma repetição eterna da música trilha "é preciso dar um jeito, meu amigo".
O requinte de crueldade que a ditadura militar impôs ao nosso país é de revirar o estômago de qualquer pessoa que se importe minimamanete com os direitos humanos ou qualquer premissa de que somos todos iguais, apesar de nossas diferenças. A família Paiva foi um rosto disso, sem mostrar as cenas fortíssimas de violência física e das torturas tão comuns dessa época, vemos uma tortura geracional de não saber o que aconteceu, de não ter a concretude da morte, não se fecha o ciclo e vive um luto, é uma ferida sempre aberta. Essa é uma ferida ainda aberta da nossa história enquanto país.
"É preciso dar um jeito, meu amigo. Descansar não adianta. Quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu"
Simplesmente Amor
3.5 895 Assista AgoraFilme bem mais ou menos
Como Perder um Homem em 10 Dias
3.4 929 Assista AgoraQue filme divertido, muito bom de ver e sai com o rosto doendo de tanto rir
A Proposta
3.5 2,1K Assista AgoraEsse casal não me convenceu. Curto comédias românticas, e ouvi boas recomendações dessa e foi frustrante. Achei a história boa quando comparada a outras do mesmo genêro, mas não desenvolveu bem o romance entre os dois. Consegui captar alguns movimentos como deixar de odiar a chefe ou a emoção de ser parte da família, mas do romance... hum, melhor não, existem outros mais legais
Divertida Mente 2
4.0 645 Assista AgoraO filme segue a mesma linha do primeiro, de tenta suprimir uma emoção e o que ocorre a partir disso. A história não é surpreendente, mas é bom de assistir. Eu gosto muito do embasamento cientifico por trás das emoções, é uma forma didática de entender e falar sobre o que sente (incluindo não apenas as crianças como também os adultos). Vi o filme no cinema e, tirando os eventuais chutes da criança na cadeira de trás, acho que vale a pena a experiência de assistir com diferentes gerações
Zona de Interesse
3.6 695 Assista AgoraQuando estudava sobre os grandes acontecimentos históricos imaginava de modo ingênuo que a vida das pessoas parava e isso era a centralidade. Depois de adulta e de viver momentos históricos entendi que ocorrem guerras, desastres naturais, momentos de calamidade pública e vão ter pessoas preocupadas com uma geladeira, a viagem do ano, trivialidades da vida. Se há uma reportagem sobre crianças passando fome, ao mudar de canal é como se deixasse de existir.
A sensação que Zona de Interesse me dá é como para quem está liderando, organizando e operacionalizando o horror fosse só mais uma coisa.
Minhas botas estão cheias de sangue de mortes que sou responsável? Vou deixá-la aqui para outra pessoa limpar. Não quero ver as chamines? Só colocar cortinas em toda a casa. E falando em cortinas, por quê não dar um lance nas cortinas da minha antiga chefe judia, que agora mesmo pode estar morta?
Uma das cenas que mais mexeu comigo foi a da oferta das câmaras de calor, que poderia ser usada sem pausas. Foi levado como uma meta a ser batida, não são pessoas, meros objetos a serem descartados.
Adoráveis Mulheres
4.0 991 Assista AgoraO filme é delicado e gracioso, alternando entre diferentes momentos do tempo. Eu assisti com minha mãe e vi que ela teve um pouco de dificuldade para pegar as mudanças temporais, mas em parte das cenas tinha pistas como mudança da iluminação e o cabelo de Jo. Eu achei que estava tirando de letra, mas vi aqui nos comentários sobre um terceiro tempo que é da escrita do livro. O livro que deu origem ao filme é citado em A Amiga Genial, de Elena Ferrante, e assistindo aqui consigo compreender melhor a história de lá e me deu vontade de ler o livro. Me apeguei a Jo desde as primeiras cenas e seu discurso por querer escolher ter uma vida independente, escolhendo por si mesma me deixou tocada.
Eu gosto de escrever e por isso senti raiva e não perdoaria facilmente se
uma de minhas irmãs destruísse meu manuscrito.
Alguns meses atrás fui entrevistada na rua sobre o aniversário do voto feminino no Brasil, uma conquista de menos de 100 anos. Assistir esse filme é também relembrar que nenhum direito surge do nada e que é necessário avançar para garantir que as mulheres vivam em igualdade de escolhas, oportunidade e justiça.
Um Lugar Chamado Notting Hill
3.6 1,4K Assista AgoraLá pra metade final do livro eu só tinha pena do sofrimento do coitado, mas no final das contas é um filme legal para passar o tempo
Acorrentados
3.8 54 Assista AgoraNos estudos sobre racismo a Psicologia Social aponta que quando um indivíduo preconceituoso conhece alguém de um grupo ao qual abomina, e essa pessoa quebra os esteriótipos esperados, o que ocorre não é uma "superação" do preconceito, mas a pessoa abre uma exceção, nesse caso poderíamos ver algo como "ah ele não é como os outros negros" e continuaria sendo racista para manter suas crenças e valores. Apostar que a amizade entre brancos e negros é o que vai solucionar o racismo é tentar solucionar um problema complexo com algo simples. Mas isso não quer dizer que o filme é ruim, ou simplista, muito pelo contrário.
Os dois fugitivos foram pegos no final e vão voltar para a prisão, mas retornam diferente de como sairam. E esse é também um convite para os espectadores, de pensarem a respeito dos conflitos raciais e saírmos diferentes, afinal as cenas e diálogos que mostram os conflitos raciais são duras e crueis. Achei legal como no início foi necessário uma "colaboração" por conta da corrente, desde o começo eu sabia que ninguém ia matar ninguém pois isso significaria não fugir e ficar preso a, literalmente, um peso morto. No final do filme, sem as correntes, há uma colaboração de um tentar salvar ao outro.
Elementos
3.7 501No final das contas achei um filme fofo que fala sobre família e descobrir o próprio caminho e vontades, ao invés de só seguir o que os outros esperam, especialmente os pais. Se esse filme não fosse uma animação, poderia ser facilmente mais um desses filmes de romance com conflitos culturais entre a filha de imigrantes e alguém "típico" da cidade. Elementos brinca com o Gota e sua família demonstrando sentimentos e chorando em todas as oportunidades, achei legal pensar esse recorte diante de um cenário em que ainda se cria meninos falando que homens não choram...
Demorei de ver e não me arrependi. O filme não virou uma das minhas animações favoritas, mas já penso em rever com meu priminho
Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes
3.6 438 Assista Agora"Snow cai como a neve, sempre por cima de tudo"
Quem pega essa frase no início do filme e faz dela sua companheiro durante as duas horas e meia entende o que precisa sobre o personagem. Esse é o filme que mostra como o Snow vai até o fim para vencer, seja lá quais forem as regras. Procurar comida entre os destroços da guerra para sobreviver quando é apenas um garotinho? Fingir que tem motorista e uma vida de regalias mesmo que esteja quebrado? Fácil. Dar tudo de si para ganhar o prêmio estudantil, mudando seu futuro e da família? Aqui se vão horas de estudo e empenho. Mas e se as coisas mudam? E se fica tudo contra você? Bem, Snow cai como neve, sempre por cima de tudo.
Me pergunto o que aconteceria se a formatura dele tivesse sido um ano antes, quando o prêmio ainda seria em dinheiro, sem mentoria nos jogos. Quão diferente teria sido Panem, provavelmente não existiria Jogos Vorazes para colocar Katniss e Peeta em uma arena 64 anos depois. Ou será que se ele não tivesse sido levado ao limite, a matar alguém, teria virado mesmo assim o presidente sem pudor que vemos na trilogia dos Jogos Vorazes?
Com certeza ele faria o que fosse necessário, mas sem a intervenção da Dr. Gaul em que momento seria de estudar muito para envenenar o reitor? Se não tivesse matado o menino na arena, que ele considerava menos humano do que ele, e não tivesse se sentido tão poderoso, outras mortes aconteceriam? Todas essas perguntas partem de uma premissa filosofica: o homem nasce bom e a sociedade o corrompe?
Quando assistimos o 74 Jogos Vorazes, com tanta tecnologia e brutalidade misturada ao entretenimento temos certeza que Snow é horrível, um psicopata brutal, um assassino, alguém sem escrupulos para chegar ao poder. Esse filme volta ao passado para nos dar a dúvida. Será que ele seria diferente em alguma medida? Com certeza ele iria atrás do poder, mas creio eu que de outros meios.
Sou muito fã da saga de Jogos Vorazes e após odiar que o livro comemorativo dos 10 anos da série fosse sobre o Snow, foi uma grata surpresa ler e ver que esse livro completa pontas que não estão soltas dos 3 que vieram antes. Admiro muito o mundo que Suzanne Collins criou, o final desse filme se amarra bem com a entrevista de Finnick em A Esperança, em que ele conta sobre os crimes que Snow cometeu para chegar ao poder. Na verdade tudo parece se encaixar. A música da forca ter sido escrita por Lucy Gray revela o ódio adicional que Snow tem por Katniss anos depois. Um passado que a todo custo ele quis enterrar.
Lucy conta que a confinça, para ela, vale mais do que o amor. E o que você faz quando vê que a pessoa que te salvou e dá a entender que te ama, entregou o melhor amigo para ser morto na forca para salvar a si próprio? Naquele momento eu pensei, a confiança acabou. É cada um por si, e o que se faz com acordos de fuga que já haviam sido feitos? Como viver sendo uma ponta solta para alguém que matou pela possibilidade de ser delatado pela filha do prefeito? A sobrevivência acima de tudo opera grandes mudanças, e com a confiança quebrada, qualquer hora você vira o próximo inimigo. E Lucy sabia disso quando entrou na floresta. Eu gosto muito da escolha de ninguém saber se ela morreu ou não, cabe a cada um de nós escolher o que fazer com a vida dela.
Abro um breve parenteses para contar uma história que meu professor de história contava em sala... Um circo passava por diversas cidades, e em uma delas um casal muito pobre ao final da apresentação implorou que o casal formado por um mágico e pela bailarina adotassem a sua filha e não deixassem que ela morrece de fome na cidade. O casal queria muito uma criança, mas nunca conseguiam engravidar, e com relutância e alegria levaram a menina. Quando ela cresceu tudo que queria era conhecer os pais, ela sonhava acordada com isso, enquanto aprendia sobre seu futuro ofício no circo. Equilibrista? Dançarina? Ela também sonhava em levar abundância por onde passava, que além da alegria do circo, que por onde passasse deixasse tudo verde, transformando a seca devastadora em alimentos para todos. Quando ela cresceu ainda mais, e já era quase adulta, seus pais do circo não podiam mais impedir a sua busca pelos pais biológicos, e então em um dia ela encontrou uma árvore bem alta e frondosa e decidiu subir para buscar o quão longe estava sua cidade natal. E lá do alto, quase em um dos ultimos galhos ela viu tudo, e em um pequeno deslize escorregou......
O que aconteceu com a menina? (Meu professor perguntava no meio do nosso espanto), as respostas menos timidas diziam: "ela morreu", ele fazia que não com a mão. "Vocês escolhem o que fazer com ela. Para mim... Ela voou, e por onde passou tornou tudo verde e abundante".
Para mim, Lucy Gray voou, e foi longe em seu desejo por liberdade, sem se subordinar a nada e nem ninguém.
Ninguém sabe o que aconteceu com ela: nem Snow que estava doido com o efeito da picada da cobra, nem as pessoas da Capital que especulavam sobre o mandado de morte pelo prefeiro, nem quem ficou no distrito 12. 64 anos depois Katniss comenta que o 12 teve apenas dois vitoriosos, o Haymitch e uma vitoriosa que ninguém sabia o nome e nem o que havia acontecido. Katniss não sabia dela, apesar de seu nome, o nome dado aquela raiz próxima do lago, ter sido dado por Lucy, de conhecimento do Bando, que em algum momento, anos depois, virou de conhecimento de seu pai.
Todas as coisas parecem estar interligadas, e no final das contas, assim como uma serpente que morde o próprio rabo, retornamos ao início: Snow cai como neve, sempre por cima de tudo (e de todos).
Um Romance na Alta Moda
3.0 53 Assista grátisNem bom nem ruim, dá para passar o tempo sem pensar muito na história. Achei corrido e esquecível. Gosto de filmes de romance bobinhos para passar o tempo, mas esse não foi
Saltburn
3.5 932Sabia pouco sobre o filme antes de ver, e foi uma surpresa em vários sentidos. Achei as cores escolhidas bem bonitas e foi agradável de continuar assistindo, mesmo com algumas cenas de vergonha alheia aqui e ali. Logo nas primeiras cenas simpatizei com o personagem e torci para ele dar a volta por cima após na universidade. Quando a amizade entre Felix e Oliver foi se desenvolvendo fiquei com dó com o carinha da matemática
que sorte a dele!
No convite para o verão imaginei que veria um Call Me by Your Name, que engano! Fui acompanhando o desenrolar e me perguntando o que a primeira cena do filme representava, o brasão em uma caixa de cigarros, pegar, acender e queimar. Acho que é esse o resumo
Só que na ordem invertida, queimou tudo e todos da família e depois tomou como seu.
Me pergunto quando começaram os preparativos dele, quando ele desenhou o personagem, se foi no momento que viu Felix, se já sabia dele de antes e fingiu surpresa com os modos de Saltburn... O quanto ele soube assumiu a posição que cada um na família precisava, e os enguliu um a um, seja por conveniência ou porque estavam sendo uma pedra no sapato no caminho que ele queria trilhar. E no final das contas todos viraram pedras
A Sociedade da Neve
4.2 782 Assista AgoraTerminei de assistir e precisei de tempo para pensar no que estava sentindo, lendo os comentários tive a ajuda que precisava para listar: angústia, medo, pesar, dor, esperança. Desde o começo fiquei pesarosa pensando o que eu faria se estivesse ali e acho que o caminho preferivel seria de morrer no acidente.
O dilema ético de se alimentar de carne humana nessas condições extremas me fez pensar o que eu sentiria se soubesse que ali era meu irmão, a resposta ficou engasgada. A desumanização de entregar a carne sem saber de quem era ajudou a manter a sanidade dos sobreviventes, me perguntou como ficou a cabeça de quem fez o trabalho.
Manter a fé que vai sair vivo e que haverá um dia seguinte foi um dos grandes desafios dos sobreviventes. Ao mesmo tempo suas habilidades em transformar os poucos objetos disponíveis em itens essenciais os levou além. Eu já queria ver o filme, mas tomei a decissão final depois de conversar com uma amiga, ela me afirmou que esse filme a fez acreditar que precisamos ter profissões que fazem coisas concretas (como engenheiros e médicos). Sai do filme querendo ser melhor em mapas, em eletrônica, cerâmica, o que for, algo que faça minhas mãos terem utilidade. Mas no final das contas não há como se preparar ou viver de modo saudável achando que isso pode acontecer e projetar o que fazer, é ter fé que não irá acontecer, e ter ainda mais fé caso aconteça.
Não há amor maior que aquele que dá a sua vida por seus amigos.
Que dor, meus amigos. Que dor. Muitos se foram para que todos não fossem.
O pretendente
3.3 25 Assista AgoraFilme gracinha, bom de ver para passar o tempo.
O Vendedor de Passados
2.7 173Tinha uma premissa interessante, mas entregou pouco ou quase nada. Uma pena.
Gênio Indomável
4.2 1,3K Assista AgoraFilme muito bom para pensar as questões que envolvem o atendimento psicologico, as nossas tomadas de decisões e como traumas do passado nos impedem de viver bem, sendo necessário supera-los
Adeus, Lenin!
4.2 1,1KApesar de ser cansativo em alguns momentos, foi divertido acompanhar as histórias cada vez mais mirabolantes que Alex criou para tentar recriar o mundo que sua mãe conhecia. Quando eles mencionaram que a mãe ficou 8 meses em coma, só fiz pensar como foram 40 anos para construir tudo aquilo e em menos de um tudo mudou e não confiaram que a mulher conseguiria lidar com isso, sendo que tudo já estava entrando em colapso.