Visualmente primoroso (quase todo frame é merecedor de ser enquadrado), mas muitas vezes esse vislumbre visual não soma na narrativa. São muitos artifícios usados pelos diretores mas que parecem não terem sido pensados para enriquecer o que está sendo dito (e não há muito aqui, acredite). Se os diretores fossem o batman eles usariam tudo que tem no cinto deles sem pensar se isso ajudaria em fazer o que é preciso. Não sei se a equipe criativa é a mesma que realiza os materiais animados de lol (sejam lançamentos de skins, clipes de músicas ou aquelas animações que eles costumavam fazer a cada nova season), que naturalmente precisam se virar com menos de 5 minutos pra apresentar uma história e uma conclusão, mas o que vimos aqui é o mesmo deste tipo de resultado: uso constando de clichês, arquétipos e MUITA (MUITA MESMO) exposição. O problema é que no primeiro material isso faz sentido, no segundo é falta de qualidade mesmo. Infelizmente o roteiro fica tão comprimido que não há muita expectativa na experiência de assistir, é realmente como assistir um videoclipe gigante cheio de músicas e muito conteúdo fácil de consumir. Aqui eu também arriscaria também uma grande inspiração em animes (várias lutas [com slow motion], pouca coesão e muito dramalhão). Além disso, muito do que acontece parece uma cópia de outros lugares, tornando a série quase um frankenstein. Essa falta de expectativa empobrece demais o subtexto das cenas e o investimento emocional perde muita força. Devido a isso, o mergulho no dramalhão é constante. Existem momentos em que eles acertam neste ponto, mas são poucos. Nessa segunda temporada a quantidade de acontecimentos é exagerado. Alguns simplesmente ocorrem em poucos minutos mas que tem um impacto gigantesco na trama. Com isso núcleos são simplesmente perdidos, e personagens subaproveitados. E para piorar tudo ainda há um foco imenso nas lutas, o que tomam muito tempo de tela e vira um deus ex machina pra lá e pra cá. E se constante essas soluções simples e mirabolantes. Faltou prudência dos produtores nessa troca de rumo que acontece na segunda temporada, foi claramente um passo errado e maior que a perna.
Em fim, como alguém que já assistiu muita coisa, isso aqui não é uma experiência original e muito menos genial. Eu queria muito ter gostado da série (sendo um jogador de lol) - e inclusive gostei da primeira - mas isso aqui tá muito difícil. Muito mesmo. Ainda bem que acabou.
A piada aqui é o público. É triste ver esse recebimento tão catastrófico, porque o produto aqui é original, e, principalmente, consciente demais do seu tema, da sua alma. Ele tem argumento, e ele não só trabalha, ele te leva para uma experiência cinematográfica.
No primeiro filme a ascenção do coringa é avassaladora, mas ela não tem muitos méritos de Arthur Fleck, o mérito todo é de Gotham. Arthur estava ali no momento certo, e foi abraçado pela insatisfação das pessoas perante a sociedade, que amaram o Coringa. Engraçado que a reação do público foi exatamente essa, eles não se importaram realmente com Arthur Fleck, eles (também) se apaixonaram pelo coringa. E a bilheteria só é a prova disso. Quem falhou aqui foi Todd Phillips. Ele queria um filme sobre Arthur Fleck, sobre alguém com transtornos mentais causados pela sociedade doente onde ele está inserido. E ele se enfureceu em como o que ele criou se tornou independente do controle dele, um icone para um público sedento por personalidades que justifiquem comportamentos questionáveis. Então ele fez uma decisão criativamente instigante/provocativa: ele trouxe o público para o filme. É um grande delírio que compartilhamos a tela com quem nos apaixonamos, e somos ali representados pela Arlequina. Não há muito o que ser discutido aqui, Todd compreende tão profundamente a narrativa que os sentimentos da arlequina são os mesmos que sentimos durante o filme. Aquele doente mental amou a nossa aprovação, se apaixonou a primeira vista, pois demos a ela a aprovação da qual tanto sonhou. Aplaudimos o maluco. Ele é perfeito, como a arlequina diz, contrapondo a argumentação de uma personagem que briga com todos para dizer: Arthur precisa de ajuda. Foda-se Arthur. Aprecie o coringa. Mas bastou um choque de realidade para que ele percebesse que tudo era uma grande enganação. O comediante é fruto de uma mentira confortável: você não é engraçado, confessa a mãe dele. Esse conforto necessário é uma parede que busca afugentá-lo do sofrimento cruel dos inúmeros abusos sofridos por uma criança. O coringa não era forte o suficiente para aguentar aquele grande buraco. O homem por trás de tudo era tão humano a ponto de desmoronar. Assim que morre o coringa, morre o amor. Ninguém gosta de você Arthur. É só um maluco sem graça. Esse filme é sobre o coringa. Ninguém levantará montanhas para você.
Por fim, a Harley Queen rejeita Arthur. E o público faz o mesmo. Quem é esse doido? Onde está o Coringa? Então o filme é morto, dilacerado, criticado, esmagado, ou, esfaqueado em um corredor com uma piada que ele mesmo contou, mas que não tem mais graça. Afinal, que graça tem esse filme?
É curioso como que a experiência de assistir um filme é diretamente proporcional com seus conflitos atuais. Esse filme é bom, e eu acharia isso em qualquer momento. Mas eu só poderia colocar como um dos meus filmes favoritos agora.
Toda a contemplação do filme é suficiente para antagonizar essa sociedade de desejos imediatistas para conservação da instatisfação constante. Mas o vígor do filme vem em como o autoconhecimento não é uma conquista, não é uma linha de chegada que é alcançável e nunca mais negociável, ele exige uma manutenção insistente. E existem forças que naturalmente te colocam exatamente onde todo teu esforço consciente te retirou. E isso, quase que imprescindívelmente, está ligado com pessoas próximas, importantes, projetando suas inseguranças na gente. E é do nosso desejo, mesmo que interno, a aceitação deles. A consciência de que é preciso abrir mão para voltarmos ao estado de autoconhecimento que nos trouxe paz, é, no mínimo, desafiador.
O filme é MUITO BOM, a direção tá ótima, roteiro vai muito bem, e o resultado é um conjunto que entretem muito. Agora, não deixa de ser assustador a maneira como os filmes são feitos. É uma máquina de dopamina que pouco se leva a sério. E, pra isso, abraça uma violência gratuita extrema. No final parecemos um bando de ratinhos mal cuidados regozijando com um produto extremamente artificial. Não precisa fazer sentido, só algumas migalhas de dopamina e saímos do cinema felizes.
Adaptação muito bem feita. Aang foi uma das melhores escalações que eu já vi. Ele vai bem em todas as nuances. Como uma criança que era viciada em avatar, me senti voltando a assistir ao desenho. Se houvessem as 3 temporadas eu provavelmente teria maratonado até o final.
A verdade é que essa temporada continua oferecendo muito de sex education. É uma boa dose do que já tinha sido provado. A temporada é muito bem escrita (ela tem muito mais ritmo que as temporadas anteriores) e muito fácil de assistir. Apesar disso ela não mergulha tão a fundo nos personagens, alguns conflitos parecem repetidos, e outros nem parecem somar nos conflitos dos protagonistas (e ainda tem outros que seriam tão bem aproveitados se não fossem esquecidos - da Jean, mãe do Otis). Acho que isso tudo é um resultado não de um final precoce, mas de um final alongado. A série ainda tem alma, mas parece não conhecer tão bem seus personagens (salvo Eric e Jean dessa crítica). Por fim, essa confusão toda acaba ofuscando muito a entrada de alguns personagens que não conseguem ter o impacto necessário, pois estão ali meio perdidos na falta de condução de personagens centrais. Não é um desastre, muito pelo contrário, ela continua acertando muito no que se propõe e faz, inclusive, melhor do que nas outras temporadas, aqui ela eleva a escrita (e ritmo). Mas é impossível não sentir a falta de plots bem elaborados quando a série já nos serviu com isso.
Eu ainda queria muito que Otis e Maeve ficassem juntos, mas a verdade que esse final é comprometido com o cerne da discussão muito mais que um simples final feliz poderia oferecer. Let it be é muito do exercício de toda terapia: a luta, na maioria das vezes, vem da nossa fuga do sofrimento. Aceitar como as coisas tomam forma e entender o que nós realmente podemos mudar é tudo que a gente pode fazer.
É muito claro que boa parte do público (vindo, principalmente do jogo) não entende o produto que consome, e nem falo apenas sobre a série, falo sobre ip inteira THE LAST OF US. O tema central sempre foi essa relação entre pessoas, perda e solidão. Ambos os personagens principais lidam exatamente com a mesma situação mas reagem de maneiras diferentes. Esse episódio acrescenta muito no tema central (muito mais que a participação do Bill no game), e empurra ainda mais o protagonista nos conflitos dele. E eu vou dizer porque esse episódio acrescente MUITO na trama (spoilers apenas do ep. 3):
Bill, mesmo antes do apocalipse, é um cara isolado, desconfiado de tudo e todos, e precavido. No apocalipse construiu uma grande base, e cercou ela de armadilhas pra que ninguém conseguisse atingir ele. Até a chegada de Frank, que é recebido com uma armadilha. Aqui já está claro que é (também) uma metáfora. Bill então cede. Apesar de receber Frank com armadilhas, o ajuda a escapar dela e permite que ele acesse o interior da base. Nesse ponto Bill já estava solitário, e aqui a gente percebe que Bill tinha uma visão errada sobre si, ele precisava de pessoas, e Frank foi essa pessoa. Na primeira cena de sexo, onde Frank pergunta se Bill já tinha feito aquilo, e ele responde que apenas com uma mulher. Bill cede a uma necessidade urgente de companhia, evidenciando ainda mais que essa é sua tentativa de resolução de seu conflito interno. E isso atinge o coração do tema, se tratando de solidão e necessidade de conexões. Os dois formam um casal muito sólido. Frank, então, precisa de novas companhias/amizades, e encontra Tess e Joel. Aqui Bill e Joel são muito semelhantes: ambos são leais, uma maneira de expressarem sua necessidade de conexão, mas são desconfiados, os dois tem muita dificuldade de se mostrarem vulneráveis. Eventualmente isso muda, e os dois, apesar de abertamente não cederem a carinhos verbais, sempre lembrando que não gostavam muito um do outro, demonstram o contrário: Bill, quando leva o tiro, diz para frank procurar Joel e ficar com ele, e Joel, apesar de ter menos espaço no episódio, demonstra ao reagir a notícia da morte de Bill. Mas a cena mais importante disso é, quando Joel chega a base, e não é recebido pelos amigos, entra com a senha do portão. Não existem armadilhas pra Joel. E, novamente, o tema sendo trabalhado. Mas tudo isso precisa não só trabalhar o tema, ainda precisa trabalhar a trama. O protagonista precisa ser empurrado nos conflitos, aquilo precisa atingir ele. E atinge: quando chega a base, logo depois de ter perdido a maior conexão dele (Tess), ele percebe que tá mais sozinho do que pensava, os amigos também se foram. E pior, foram juntos. Bill morreu com Frank. Frank morreu com Bill. E Joel deixou a Tess morrer sozinha. E então Joel vai pra rua, com a carta na mão, olha para o céu, resiste a dor, e não chora. Mas sofre. Ele não chora porque ainda não chegou no limite, mas tá caminhando pra lá. A trama está andando. Ele entra na casa, e entre as coisas que diz para Ellie ele reafirma: sem perguntas pessoais. Essa resistência que ele apresenta, é a demonstração de contradição: ele necessita de conexões (perdeu todas, só resta o irmão, que pode estar morto), mas evita as aproximações de Ellie. Joel ainda é humano, e a reação dele é puramente uma tentativa de fuga do sofrimento. Ter conexões é ter a possibilidade de perda, e perder é sofrer. Joel só quer parar de sofrer, como qualquer pessoa. Não assume a verdade óbvia que já se conectou a Ellie, e, em algum ponto, vai precisar encarar o conflito da separação, que só deve aparecer na perda, na solidão.
Mas esse não entendimento (sobre o tema) já é bem conhecido, o próprio tlou 2, mal recebido por esses mesmos que criticam, mostra que eles só se atraíram em um homem de meia idade matando tudo e todos que o ameaçassem reprimindo a maioria dos sentimentos. Infelizmente quase nada deve ter sido absorvido por eles.
Esse rumo que a saga toda tá começando a tomar anima qualquer pessoa, ainda acho que uma levantanda na faixa etária faria um bem muito grande, principalmente referente a violência e alguns personagens parecem caricatos demais (parece que para simplificá-los). Esse último é um pouco mais grave, afeta diretamente o desenrolar do tema. Os personagens do império estão parando, e devem parar, de não serem humanizados. Essa apresentação clichê do "mal" sempre ser demonizado só cria um afastamento do público de qualquer traço de reconhecimento, mas a verdade é que a "bondade" ou "justiça" é um exercício quase diário de autocrítica, quem é bom não nasceu bom e será sempre bom, e o contrário tem o mesmo peso. Estar de um lado não é praticar o errado, mas defender o que acha certo. Definir esse tom torna todo o universo mais coeso e, na minha opinião, uma crítica muito mais pesada a realidade. A série é boa, espero que consertem algumas falhas, e que ganhem mais dinheiro pra maquiarem personagens não-humanos e derem mais importância na trama, é muito estranho ver tanto humano a todo momento, star wars nunca foi isso.
"O sentido do fluir do rio não é que todas as coisas mudam para que não as encontremos duas vezes, mas que algumas coisas permanecem as mesmas apenas por mudar."
É muito óbvio que a série foi criada a partir da ideia de realizar a cena do episódio final, e não da pra negar que ficou lindo demais. O problema é que o enredo não sustenta a narrativa, os argumentos são muito fracos. Toda a arquitetura montada não convence, tu precisa assistir a série e relevar a maioria das coisas que acontecem para que as coisas possam seguir. A Disney devia fazer um cheque gordo pro Jon Favreau e entregar todo o universo de Star Wars pra ele, e também tem a obrigação de embalar no soco o jj abrams e essa galerinha q produziu obi wan pq tem gente querendo nos prejudicar.
série muito boa esperava uma apelação emocional maior mas consigo me satisfazer assistindo tributos no youtube, o unico ponto que nao vi ninguem comentar é que se assistir muitos episódios seguidos pode acabar sonhando com o Phill te obrigando a beijar um pombo, não é legal nem engraçado
Por que o Nolan não chama o irmão dele pra escrever os filmes? Eu só consigo pensar que eles devem ter brigado jogando fifa e agora o Nolan quer provar que consegue fazer filme bom sem ele. Só que não ta dando muito certo.
Nosferatu
3.6 937 Assista AgoraRobert Eggers tem minha total curiosidade pra tudo que ele lançar. O cara é bom demais.
Arcane (2ª Temporada)
4.3 161Visualmente primoroso (quase todo frame é merecedor de ser enquadrado), mas muitas vezes esse vislumbre visual não soma na narrativa. São muitos artifícios usados pelos diretores mas que parecem não terem sido pensados para enriquecer o que está sendo dito (e não há muito aqui, acredite). Se os diretores fossem o batman eles usariam tudo que tem no cinto deles sem pensar se isso ajudaria em fazer o que é preciso.
Não sei se a equipe criativa é a mesma que realiza os materiais animados de lol (sejam lançamentos de skins, clipes de músicas ou aquelas animações que eles costumavam fazer a cada nova season), que naturalmente precisam se virar com menos de 5 minutos pra apresentar uma história e uma conclusão, mas o que vimos aqui é o mesmo deste tipo de resultado: uso constando de clichês, arquétipos e MUITA (MUITA MESMO) exposição. O problema é que no primeiro material isso faz sentido, no segundo é falta de qualidade mesmo.
Infelizmente o roteiro fica tão comprimido que não há muita expectativa na experiência de assistir, é realmente como assistir um videoclipe gigante cheio de músicas e muito conteúdo fácil de consumir. Aqui eu também arriscaria também uma grande inspiração em animes (várias lutas [com slow motion], pouca coesão e muito dramalhão).
Além disso, muito do que acontece parece uma cópia de outros lugares, tornando a série quase um frankenstein.
Essa falta de expectativa empobrece demais o subtexto das cenas e o investimento emocional perde muita força. Devido a isso, o mergulho no dramalhão é constante. Existem momentos em que eles acertam neste ponto, mas são poucos.
Nessa segunda temporada a quantidade de acontecimentos é exagerado. Alguns simplesmente ocorrem em poucos minutos mas que tem um impacto gigantesco na trama. Com isso núcleos são simplesmente perdidos, e personagens subaproveitados.
E para piorar tudo ainda há um foco imenso nas lutas, o que tomam muito tempo de tela e vira um deus ex machina pra lá e pra cá. E se constante essas soluções simples e mirabolantes.
Faltou prudência dos produtores nessa troca de rumo que acontece na segunda temporada, foi claramente um passo errado e maior que a perna.
Em fim, como alguém que já assistiu muita coisa, isso aqui não é uma experiência original e muito menos genial. Eu queria muito ter gostado da série (sendo um jogador de lol) - e inclusive gostei da primeira - mas isso aqui tá muito difícil. Muito mesmo. Ainda bem que acabou.
Coringa: Delírio a Dois
2.5 924 Assista AgoraA piada aqui é o público.
É triste ver esse recebimento tão catastrófico, porque o produto aqui é original, e, principalmente, consciente demais do seu tema, da sua alma. Ele tem argumento, e ele não só trabalha, ele te leva para uma experiência cinematográfica.
No primeiro filme a ascenção do coringa é avassaladora, mas ela não tem muitos méritos de Arthur Fleck, o mérito todo é de Gotham. Arthur estava ali no momento certo, e foi abraçado pela insatisfação das pessoas perante a sociedade, que amaram o Coringa.
Engraçado que a reação do público foi exatamente essa, eles não se importaram realmente com Arthur Fleck, eles (também) se apaixonaram pelo coringa. E a bilheteria só é a prova disso.
Quem falhou aqui foi Todd Phillips. Ele queria um filme sobre Arthur Fleck, sobre alguém com transtornos mentais causados pela sociedade doente onde ele está inserido. E ele se enfureceu em como o que ele criou se tornou independente do controle dele, um icone para um público sedento por personalidades que justifiquem comportamentos questionáveis.
Então ele fez uma decisão criativamente instigante/provocativa: ele trouxe o público para o filme. É um grande delírio que compartilhamos a tela com quem nos apaixonamos, e somos ali representados pela Arlequina.
Não há muito o que ser discutido aqui, Todd compreende tão profundamente a narrativa que os sentimentos da arlequina são os mesmos que sentimos durante o filme.
Aquele doente mental amou a nossa aprovação, se apaixonou a primeira vista, pois demos a ela a aprovação da qual tanto sonhou. Aplaudimos o maluco. Ele é perfeito, como a arlequina diz, contrapondo a argumentação de uma personagem que briga com todos para dizer: Arthur precisa de ajuda. Foda-se Arthur. Aprecie o coringa.
Mas bastou um choque de realidade para que ele percebesse que tudo era uma grande enganação. O comediante é fruto de uma mentira confortável: você não é engraçado, confessa a mãe dele. Esse conforto necessário é uma parede que busca afugentá-lo do sofrimento cruel dos inúmeros abusos sofridos por uma criança.
O coringa não era forte o suficiente para aguentar aquele grande buraco. O homem por trás de tudo era tão humano a ponto de desmoronar.
Assim que morre o coringa, morre o amor. Ninguém gosta de você Arthur. É só um maluco sem graça. Esse filme é sobre o coringa. Ninguém levantará montanhas para você.
Por fim, a Harley Queen rejeita Arthur. E o público faz o mesmo. Quem é esse doido? Onde está o Coringa?
Então o filme é morto, dilacerado, criticado, esmagado, ou, esfaqueado em um corredor com uma piada que ele mesmo contou, mas que não tem mais graça. Afinal, que graça tem esse filme?
Dias Perfeitos
4.2 599 Assista AgoraÉ curioso como que a experiência de assistir um filme é diretamente proporcional com seus conflitos atuais. Esse filme é bom, e eu acharia isso em qualquer momento. Mas eu só poderia colocar como um dos meus filmes favoritos agora.
Toda a contemplação do filme é suficiente para antagonizar essa sociedade de desejos imediatistas para conservação da instatisfação constante. Mas o vígor do filme vem em como o autoconhecimento não é uma conquista, não é uma linha de chegada que é alcançável e nunca mais negociável, ele exige uma manutenção insistente. E existem forças que naturalmente te colocam exatamente onde todo teu esforço consciente te retirou. E isso, quase que imprescindívelmente, está ligado com pessoas próximas, importantes, projetando suas inseguranças na gente. E é do nosso desejo, mesmo que interno, a aceitação deles. A consciência de que é preciso abrir mão para voltarmos ao estado de autoconhecimento que nos trouxe paz, é, no mínimo, desafiador.
Deadpool & Wolverine
3.7 922 Assista AgoraO filme é MUITO BOM, a direção tá ótima, roteiro vai muito bem, e o resultado é um conjunto que entretem muito.
Agora, não deixa de ser assustador a maneira como os filmes são feitos. É uma máquina de dopamina que pouco se leva a sério. E, pra isso, abraça uma violência gratuita extrema.
No final parecemos um bando de ratinhos mal cuidados regozijando com um produto extremamente artificial. Não precisa fazer sentido, só algumas migalhas de dopamina e saímos do cinema felizes.
Avatar: O Último Mestre do Ar (1ª Temporada)
3.8 168 Assista AgoraAdaptação muito bem feita. Aang foi uma das melhores escalações que eu já vi. Ele vai bem em todas as nuances.
Como uma criança que era viciada em avatar, me senti voltando a assistir ao desenho. Se houvessem as 3 temporadas eu provavelmente teria maratonado até o final.
Sex Education (4ª Temporada)
3.5 248A verdade é que essa temporada continua oferecendo muito de sex education. É uma boa dose do que já tinha sido provado. A temporada é muito bem escrita (ela tem muito mais ritmo que as temporadas anteriores) e muito fácil de assistir.
Apesar disso ela não mergulha tão a fundo nos personagens, alguns conflitos parecem repetidos, e outros nem parecem somar nos conflitos dos protagonistas (e ainda tem outros que seriam tão bem aproveitados se não fossem esquecidos - da Jean, mãe do Otis). Acho que isso tudo é um resultado não de um final precoce, mas de um final alongado. A série ainda tem alma, mas parece não conhecer tão bem seus personagens (salvo Eric e Jean dessa crítica).
Por fim, essa confusão toda acaba ofuscando muito a entrada de alguns personagens que não conseguem ter o impacto necessário, pois estão ali meio perdidos na falta de condução de personagens centrais.
Não é um desastre, muito pelo contrário, ela continua acertando muito no que se propõe e faz, inclusive, melhor do que nas outras temporadas, aqui ela eleva a escrita (e ritmo). Mas é impossível não sentir a falta de plots bem elaborados quando a série já nos serviu com isso.
Eu ainda queria muito que Otis e Maeve ficassem juntos, mas a verdade que esse final é comprometido com o cerne da discussão muito mais que um simples final feliz poderia oferecer. Let it be é muito do exercício de toda terapia: a luta, na maioria das vezes, vem da nossa fuga do sofrimento. Aceitar como as coisas tomam forma e entender o que nós realmente podemos mudar é tudo que a gente pode fazer.
After Life: Vocês Vão Ter de Me Engolir (1ª Temporada)
4.2 190 Assista AgoraBotaram uma arma na cabeça do ricky gervais quando ele escreveu isso não é possível
Aftersun
4.0 790eu precisava muito desse filme e não sabia
The Last of Us (1ª Temporada)
4.4 1,2K Assista AgoraÉ muito claro que boa parte do público (vindo, principalmente do jogo) não entende o produto que consome, e nem falo apenas sobre a série, falo sobre ip inteira THE LAST OF US. O tema central sempre foi essa relação entre pessoas, perda e solidão. Ambos os personagens principais lidam exatamente com a mesma situação mas reagem de maneiras diferentes. Esse episódio acrescenta muito no tema central (muito mais que a participação do Bill no game), e empurra ainda mais o protagonista nos conflitos dele. E eu vou dizer porque esse episódio acrescente MUITO na trama (spoilers apenas do ep. 3):
Bill, mesmo antes do apocalipse, é um cara isolado, desconfiado de tudo e todos, e precavido. No apocalipse construiu uma grande base, e cercou ela de armadilhas pra que ninguém conseguisse atingir ele. Até a chegada de Frank, que é recebido com uma armadilha. Aqui já está claro que é (também) uma metáfora. Bill então cede. Apesar de receber Frank com armadilhas, o ajuda a escapar dela e permite que ele acesse o interior da base. Nesse ponto Bill já estava solitário, e aqui a gente percebe que Bill tinha uma visão errada sobre si, ele precisava de pessoas, e Frank foi essa pessoa. Na primeira cena de sexo, onde Frank pergunta se Bill já tinha feito aquilo, e ele responde que apenas com uma mulher. Bill cede a uma necessidade urgente de companhia, evidenciando ainda mais que essa é sua tentativa de resolução de seu conflito interno. E isso atinge o coração do tema, se tratando de solidão e necessidade de conexões. Os dois formam um casal muito sólido.
Frank, então, precisa de novas companhias/amizades, e encontra Tess e Joel. Aqui Bill e Joel são muito semelhantes: ambos são leais, uma maneira de expressarem sua necessidade de conexão, mas são desconfiados, os dois tem muita dificuldade de se mostrarem vulneráveis. Eventualmente isso muda, e os dois, apesar de abertamente não cederem a carinhos verbais, sempre lembrando que não gostavam muito um do outro, demonstram o contrário: Bill, quando leva o tiro, diz para frank procurar Joel e ficar com ele, e Joel, apesar de ter menos espaço no episódio, demonstra ao reagir a notícia da morte de Bill. Mas a cena mais importante disso é, quando Joel chega a base, e não é recebido pelos amigos, entra com a senha do portão. Não existem armadilhas pra Joel. E, novamente, o tema sendo trabalhado.
Mas tudo isso precisa não só trabalhar o tema, ainda precisa trabalhar a trama. O protagonista precisa ser empurrado nos conflitos, aquilo precisa atingir ele. E atinge: quando chega a base, logo depois de ter perdido a maior conexão dele (Tess), ele percebe que tá mais sozinho do que pensava, os amigos também se foram. E pior, foram juntos. Bill morreu com Frank. Frank morreu com Bill. E Joel deixou a Tess morrer sozinha.
E então Joel vai pra rua, com a carta na mão, olha para o céu, resiste a dor, e não chora. Mas sofre. Ele não chora porque ainda não chegou no limite, mas tá caminhando pra lá. A trama está andando. Ele entra na casa, e entre as coisas que diz para Ellie ele reafirma: sem perguntas pessoais. Essa resistência que ele apresenta, é a demonstração de contradição: ele necessita de conexões (perdeu todas, só resta o irmão, que pode estar morto), mas evita as aproximações de Ellie. Joel ainda é humano, e a reação dele é puramente uma tentativa de fuga do sofrimento. Ter conexões é ter a possibilidade de perda, e perder é sofrer. Joel só quer parar de sofrer, como qualquer pessoa. Não assume a verdade óbvia que já se conectou a Ellie, e, em algum ponto, vai precisar encarar o conflito da separação, que só deve aparecer na perda, na solidão.
Mas esse não entendimento (sobre o tema) já é bem conhecido, o próprio tlou 2, mal recebido por esses mesmos que criticam, mostra que eles só se atraíram em um homem de meia idade matando tudo e todos que o ameaçassem reprimindo a maioria dos sentimentos. Infelizmente quase nada deve ter sido absorvido por eles.
Star Wars: Andor (1ª Temporada)
4.2 193 Assista AgoraEsse rumo que a saga toda tá começando a tomar anima qualquer pessoa, ainda acho que uma levantanda na faixa etária faria um bem muito grande, principalmente referente a violência e alguns personagens parecem caricatos demais (parece que para simplificá-los).
Esse último é um pouco mais grave, afeta diretamente o desenrolar do tema. Os personagens do império estão parando, e devem parar, de não serem humanizados. Essa apresentação clichê do "mal" sempre ser demonizado só cria um afastamento do público de qualquer traço de reconhecimento, mas a verdade é que a "bondade" ou "justiça" é um exercício quase diário de autocrítica, quem é bom não nasceu bom e será sempre bom, e o contrário tem o mesmo peso.
Estar de um lado não é praticar o errado, mas defender o que acha certo. Definir esse tom torna todo o universo mais coeso e, na minha opinião, uma crítica muito mais pesada a realidade.
A série é boa, espero que consertem algumas falhas, e que ganhem mais dinheiro pra maquiarem personagens não-humanos e derem mais importância na trama, é muito estranho ver tanto humano a todo momento, star wars nunca foi isso.
Pearl
3.9 1,2K Assista Agorasaio totalmente traumatizado depois de assistir quase 2 horas dessa capeta
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista Agorao filme é maluco e uma metáfora muy boa
para ansiedade.
Me Chame Pelo Seu Nome
4.1 2,6K"O sentido do fluir do rio não é que todas as coisas mudam para que não as encontremos duas vezes, mas que algumas coisas permanecem as mesmas apenas por mudar."
Star Wars: Obi-Wan Kenobi
3.4 316 Assista AgoraÉ muito óbvio que a série foi criada a partir da ideia de realizar a cena do episódio final, e não da pra negar que ficou lindo demais. O problema é que o enredo não sustenta a narrativa, os argumentos são muito fracos. Toda a arquitetura montada não convence, tu precisa assistir a série e relevar a maioria das coisas que acontecem para que as coisas possam seguir. A Disney devia fazer um cheque gordo pro Jon Favreau e entregar todo o universo de Star Wars pra ele, e também tem a obrigação de embalar no soco o jj abrams e essa galerinha q produziu obi wan pq tem gente querendo nos prejudicar.
Stranger Things (3ª Temporada)
4.2 1,3Kachei show de bola e chorei no final
Loki (1ª Temporada)
4.0 497 Assista Agorasimplesmente a melhor coisa que a Marvel fez até agora
Euphoria (2ª Temporada)
4.0 551a prova de que algo visualmente rico nao significa necessariamente um conteúdo interessante
Família Moderna (11ª Temporada)
4.3 220 Assista Agorasérie muito boa esperava uma apelação emocional maior mas consigo me satisfazer assistindo tributos no youtube, o unico ponto que nao vi ninguem comentar é que se assistir muitos episódios seguidos pode acabar sonhando com o Phill te obrigando a beijar um pombo, não é legal nem engraçado
303
3.9 46 Assista Agoratodo mundo nesse filme é palestrinha menos o caminhoneiro
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
4.2 1,8K Assista Agoragente tobey me respondeu no zap ele confirmou a aparição
Tenet
3.4 1,3K Assista AgoraPor que o Nolan não chama o irmão dele pra escrever os filmes? Eu só consigo pensar que eles devem ter brigado jogando fifa e agora o Nolan quer provar que consegue fazer filme bom sem ele. Só que não ta dando muito certo.