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Data de lançamento
6 Set. 2007Duração
Nova York. Erica Bain (Jodie Foster) é uma apresentadora de rádio e tem um noivo que a adora. Ela está feliz com sua vida, até que um ataque brutal a deixa seriamente ferida e mata seu noivo. Sem conseguir superar a tragédia, Erica passa a vasculhar as ruas à noite, em busca dos homens que considera ser os responsáveis pelo que lhe aconteceu. Sua busca por justiça chama a atenção da população, que passa a acompanhar sua perseguição anônima. Porém Mercer (Terrence Howard), um obstinado detetive, está decidido a encerrar sua jornada. Ao mesmo tempo Erica começa a se questionar, sem saber se está se tornando justamente aquilo que deseja evitar.
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O filme lembra bastante os da série "Desejo de Matar" da década de 70 e 80, como se Erica Bain fosse um tipo de versão feminina do antigo Paul Kersey.
Uma diferença entre os dois é que nos filmes do Charles Bronson o personagem tinha um foco maior na caçada aos bandidos que eram o alvo da sua vingança. Neste filme atual a matança ocorre de forma mais generalizada e ela só chega aos responsáveis por acaso.
Mas por outro lado o filme se igual aos clássicos na violência gráfica e na criação da atmosfera pesada e sombria da cidade de Nova York. Jodie Foster foi uma boa escolha para o papel pois sempre se sai muito bem neste tipo de personagem transtornado.
No geral o filme faz uma crítica social bem rasa sobre o tema da violência urbana. Mas pelo menos soube lidar bem com o dilema moral do policial que no final "lava as mãos", não se envolvendo diretamente na morte dos bandidos. Ficando assim um meio termo entre o ilegal e o imoral.
O desfecho com a vítima eliminando à sangue frio o último criminoso deixa uma sensação de justiça, mas também causa um certo incômodo e parece estranho pois igualou os dois na questão da covardia.
Para além da mera explicitação da violência, ao colocar uma mulher urbana e fragilizada em uma árdua luta contra as pressões de um contexto social caótico e perverso, em busca da recuperação de seu direito de existir, o diretor Neil Jordan conseguiu uma pequena façanha. Criou em Valente uma das melhores e mais interessantes releituras para o século XXI do clássico estilo de thriller de vingança/crime/policial popularizado nos anos 1970 por filmes como Desejo de Matar.
Longe de se deter na questão fácil do debate social de botequim, ao colocar a personagem de Jodie Foster (e a violência que ela sofre) no centro da questão, o filme expande e resgata aspectos do mal, da crueldade, da falta de sentido e caos da violência urbana que os filmes setentistas já procuravam tocar. Temas esses que foram tratados por muito tempo de forma parcial e proselitista pelos próprios críticos, dado que muitos sempre foram por formação entusiastas do debate social mais rasteiro e emocionalmente ideologizado, e que (não por coincidência) sempre tiveram certa medida de admiração por aquele caos, violência e falta de sentido (exceto quando as vítimas são eles próprios, no mundo real obviamente).
Assim, ao colocar sob o foco da história uma mulher independente, que embora forte de espírito precise lutar desesperadamente para recuperar para si o direito de se sentir livre e independente que lhe foi barbaramente arrancado, o filme atinge um certo grau de reflexão que o torna de certa forma, mais revolucionário e questionador que muitas produções mais carregadas de "crítica social foda" que viriam a se tornar muito comuns na Hollywood de poucos anos depois.
Gosto do diretor, mas não apreciei o filme como eu gostaria.
Não é ruim. Apenas difícil de ir até o fim.
Bom filme.
* A entorpecida pelo medo acha a cruz bonita. Já a revoltada, escolhe a ação para alcançar paz.
* O egoísmo é a fagulha necessária para a revolução, mas quando atrelada a empatia, e não a frieza.
* Os machucados que procuram justiça não se importam em ter mais uma marca na busca por ela.