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Data de lançamento
6 Nov. 2013Duração
No início dos anos XX, a escritora Violette Leduc (Emmanuelle Devos) encontra a filósofa Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain). Nasce entre as duas uma intensa amizade que dura toda a vida, ao mesmo tempo que Simone encoraja Violette a escrever mais, expondo as suas dúvidas e medos, abordando todos os detalhes da intimidade feminina.
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Pisquei e só terminei no final.
O cenário de isolamento das paisagens e das residências ilustra a vivência individualizante do pós-guerra onde vivia Violette Leduc. Uma mulher que conviveu com profundo desamparo familiar, pobreza e rejeições variadas de seus afetos: suas profecias autorrealizáveis. Amamos quem nos rejeita para seguir tentando refazer desfechos, repetir tentativas de 'consertar' o outro, na esperança de que ele finalmente nos satisfaça, o que nunca acontece de fato. Um deles desperta nela a necessidade pela escrita -- escrevo pra lhe agradar; mal sabia ela que no futuro agradaria todo um público. Simone foi uma mentora, amiga, militante, investiu em Violette quase que como uma causa. Apesar disso, a carência crônica também opera de modo egoísta. No momento em que Simone se vulnerabiliza, na perda da mãe, Violette se esforça muito pouco pra retribuir. A carência e o ressentimento podem assumir facetas muito autocentradas, onde se enxerga pouco para além do próprio sofrimento. Nesse trajeto, Simone também parecia sugar o talento de Violette, quase como que se a cada livro publicado, a autora perdesse vitalidade, e se manifestasse cada vez mais despida de tranquilidade consigo mesma. Quanto mais submergia em suas próprias histórias, redesenhando seus percursos internos, mais se arrefecia. Na medida em que suas vulnerabilidades acabaram por ter retornos: financeiros (material) e afetivos (simbólicos), ela parece começar a conseguir se dar alguma sustentação. Ela, que sempre parecia estar meio tropeçando. "Bote suas obsessões no papel. Ela vai lhe dar o que a sociedade nega." Simone trabalhou como mestra, puxando, confiando, e acima de tudo, mantendo uma distância segura: aproximar-se demais levava à inevitáveis paixões transferenciais. A arte como meio pra construir simbolicamente outras amarrações de si, o que surpreendentemente acabam por ter efeitos bastante literais no sujeito.
— Gritos e lágrimas não levam a nada, a escritura sim
— Não tenho mais nada a dizer"
— Comece de novo, desde o seu nascimento.
— O que isso vai mudar?
— Vai mudar tudo! Porque seu olhar sobre si mesma mudou.
A cena final é um primor: Violette viaja sozinha, senta-se ao sol, para escrever. Agora sim, reinvestida de si, podendo enxergar-se como um novo grande Outro a enxerga.
Fiquei com vontade de ler um livro dela, pena que tá o preço da morte.
O clássico conto francês com situações britânicas.O filme consegue unir bem as locações,histórias e atuações.
>Assistido em 14 de Julho de 2024
O filme vai interessar mais para quem gosta de escrever. Para aqueles que de alguma forma já tentaram publicar seus escritos, o filme pode prender até certo ponto.
Só acho t0rrent sem seed. Alguém tem aí guardado em algum drive pra baixar, por obséquio?