Graças aos esforços de sua noiva, Eddie Taylor, um ex-delinqüente juvenil, sai da prisão. Mas, devido ao preconceito social, Eddie é demitido do emprego e condenado à cadeira elétrica por um crime que não cometeu.
Em You Only Live Once (1937), no Brasil Vive-se uma Só Vez, o filme começa bem devagar, mas, a partir do momento em que engrena, as coisas andam rápido demais.
Ele simplesmente vai preso e, do nada, já vai ser executado. Depois descobrimos que ele ficou 5 meses esperando a execução, mas essa passagem de tempo não é mostrada e muito menos sentida.
Longe de passar pano para o monte de atitudes erradas e incorretas do personagem, mas uma coisa é certa: ele tinha intenção de começar uma nova vida, e o filme retrata isso muito bem.
Porém, devido à falta de confiança e ao preconceito com um ex-detento, foi praticamente impossível — o que também não muda o fato de que ele foi extremamente burro ao não ter total certeza do que estavam falando quando diziam que ele tinha sido inocentado. Tinha todos os meios para se certificar disso e não o fez, foi emocionado e acabou matando a pessoa que mais o ajudou, depois de Joan é claro: o Padre Dolan, que foi um grande personagem e não merecia sair de cena dessa forma. Inclusive demorei para acreditar que esse tinha sido o seu final.
A partir daí eu sabia que só tinha uma saída para os dois, e claro que seria trágica. Esse final totalmente anticlimático, frio e verdadeiramente cruel de tão verdadeiro que foi, é bem triste, porque você acaba torcendo para a reabilitação do personagem de Henry Fonda, Eddie Taylor, assim como por Joan, que foi muito bem interpretada por Sylvia Sidney. A dinâmica entre eles funciona muito bem, e o filme insiste nessa esperança quase ingênua de que algo pode dar certo, mesmo quando está óbvio que o destino deles já está traçado. O roteiro mostra com força como a sociedade fecha portas para quem tenta recomeçar, e isso dá mais peso ainda às escolhas desesperadas que Eddie toma depois.
Enfim, é um bom filme, longe de merecer a nota mostrada aqui. Em alguns momentos parece ser mais longo do que é, em especial o começo e desenvolvimento até seu meio. Depois ele engrena. É bem mediano ao meu ver, tinha potencial para ser melhor e, se tivesse alterado alguns rumos, seria melhor ainda — principalmente se tivesse trabalhado melhor a passagem de tempo e o impacto emocional das decisões do personagem.
- longe de defender qualquer crime realizado pelo personagem do henry fonda, o filme busca retratar as dificuldades das pessoas que já foram condenadas a se reintegrarem a sociedade - amor avassalador que está acima de tudo, será que é o correto?
O amor certo no mundo errado. Fritz Lang e seu discurso sobre questões humanas e sociais é sempre belo de se ver. Não há perdão para caminhos falhos. Imagens tocantes sobre um amor que não pode deixar de ser vivido, não importa o preço cobrado.
Lang na sua fase mais direto ao assunto,faz outro ótimo filme com dupla de protagonista.Não tem como sair da sessão e não lembrar de Bonnie & Clyde e todas as suas versões.A criação de personagem de Sidney e Fonda é impressionante.
Em You Only Live Once (1937), no Brasil Vive-se uma Só Vez, o filme começa bem devagar, mas, a partir do momento em que engrena, as coisas andam rápido demais.
Ele simplesmente vai preso e, do nada, já vai ser executado. Depois descobrimos que ele ficou 5 meses esperando a execução, mas essa passagem de tempo não é mostrada e muito menos sentida.
Porém, devido à falta de confiança e ao preconceito com um ex-detento, foi praticamente impossível — o que também não muda o fato de que ele foi extremamente burro ao não ter total certeza do que estavam falando quando diziam que ele tinha sido inocentado. Tinha todos os meios para se certificar disso e não o fez, foi emocionado e acabou matando a pessoa que mais o ajudou, depois de Joan é claro: o Padre Dolan, que foi um grande personagem e não merecia sair de cena dessa forma. Inclusive demorei para acreditar que esse tinha sido o seu final.
A partir daí eu sabia que só tinha uma saída para os dois, e claro que seria trágica. Esse final totalmente anticlimático, frio e verdadeiramente cruel de tão verdadeiro que foi, é bem triste, porque você acaba torcendo para a reabilitação do personagem de Henry Fonda, Eddie Taylor, assim como por Joan, que foi muito bem interpretada por Sylvia Sidney. A dinâmica entre eles funciona muito bem, e o filme insiste nessa esperança quase ingênua de que algo pode dar certo, mesmo quando está óbvio que o destino deles já está traçado. O roteiro mostra com força como a sociedade fecha portas para quem tenta recomeçar, e isso dá mais peso ainda às escolhas desesperadas que Eddie toma depois.
Enfim, é um bom filme, longe de merecer a nota mostrada aqui. Em alguns momentos parece ser mais longo do que é, em especial o começo e desenvolvimento até seu meio. Depois ele engrena. É bem mediano ao meu ver, tinha potencial para ser melhor e, se tivesse alterado alguns rumos, seria melhor ainda — principalmente se tivesse trabalhado melhor a passagem de tempo e o impacto emocional das decisões do personagem.
Curiosidades
É considerado um dos primeiros filmes a antecipar elementos do film noir, como o visual mais escuro e o clima fatalista.
Fritz Lang colocou muito de sua própria experiência com injustiças e perseguição política para construir o tom pessimista.
Henry Fonda sempre citava Eddie Taylor como um dos papéis mais difíceis emocionalmente antes de entrar em sua fase mais consagrada nos anos 40 e 50.
Sylvia Sidney foi novamente escolhida por Lang por causa da parceria bem-sucedida no filme anterior.
O estúdio não queria aceitar o final trágico; Lang teve que insistir para que deixassem a versão mais dura, a mesma que vemos hoje.
Assistido em 27/11/2025
- longe de defender qualquer crime realizado pelo personagem do henry fonda, o filme busca retratar as dificuldades das pessoas que já foram condenadas a se reintegrarem a sociedade
- amor avassalador que está acima de tudo, será que é o correto?
O amor certo no mundo errado.
Fritz Lang e seu discurso sobre questões humanas e sociais é sempre belo de se ver.
Não há perdão para caminhos falhos.
Imagens tocantes sobre um amor que não pode deixar de ser vivido, não importa o preço cobrado.
Lang na sua fase mais direto ao assunto,faz outro ótimo filme com dupla de protagonista.Não tem como sair da sessão e não lembrar de Bonnie & Clyde e todas as suas versões.A criação de personagem de Sidney e Fonda é impressionante.
>Assistido em 15 de Maio de 2023
Henry Fonda num tipo bem misterioso já vale a conferida. Fritz Lang sempre competente, num texto bom para discussão.