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Em 1946, um soldado torna-se pai. Mas o logo após nascimento da criança ele morre. Em 1952, agora com seis anos de idade, o menino Sanya está num trem com a mãe, Katya. Durante a viagem ela conhece um homem, também um soldado, que lhe faz uma proposta. Assim ela aceita que Tolyan finja ser seu marido, para que todos pensem se tratar de uma família. Chegando ao destino, o homem é bem aceito no local por causa de sua aperência e generosidade. E a mulher de fato se apaixona pelo soldado, que dá atenção ao garoto e ensina a ele algumas lições de vida. Mas logo a relação do casal encontra um caminho perigo quando Tolyan começa a mostrar suas reais intenções.
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Cinema Russo sempre visceral e dramático... ótimo filme, ótimas atuações, o guri demais em cena.
Frio e cru, como usual dos filmes russos/soviéticos.
Atuações ótimas, a atriz que interpreta a Katya é lindíssima.
As camadas do longa são bem elaboradas e o drama das relações entre filho, mãe e um estranho que ao mesmo tempo é, e não é, um padrasto são vividamente sentidas.
Foi vencedor de vários prêmios, inclusive o Nika de Melhor Filme, além de indicações ao Oscar e outros festivais europeus.
Foge dos padrões normais de filmes de Guerra e acaba se tornando um conto ainda mais doloroso do gênero,tudo por conta de focar demais na vida do jovem Sanya,suas desesperanças e amarguras.
>Assistido em 27 de Dezembro de 2021
-Dou nota 7/10
Quando se trata de ilustrar as tragédias ou dramas humanos, com pessoas comuns, o cinema russo é insuperável. E ainda faz isso com as doses certas de realismo e sensibilidade. No filme "Vor" (O Ladrão), há um conjunto de elementos que resultam em emoção e perfeição. Dirigido por Pavel Chukhraj, o longa foi um dos 5 indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1998.
Começando pelo roteiro, o filme narra a história de um menino cujo pai foi gravemente ferido na guerra e faleceu 6 meses antes de seu nascimento. A ausência e a constante busca pela figura paterna irão acompanhá-lo durante a vida inteira. Mesmo sem ter conhecido o pai, Sanja (Mikhail Filipchuk) consegue materializá-lo em sua imaginação, mas sempre de forma distante, contemplativa. Quando sua mãe conhece Toljan (Vladimir Mashkov) e decide ir morar com ele, Sanja é orientado a chamá-lo de pai.
Nesse ponto, a trama vai traçando claramente um paradoxo: de um lado, o pai desconhecido e idealizado, um herói ausente. Do outro, um larápio mentiroso e sedutor que, meio às avessas, ensina a Sanja os primeiros passos na vida. Toljan o protege, ao mesmo tempo em que o agride; é a única figura masculina que Sanja conhece, um arremedo paterno que não merece sua admiração mas que, ainda assim, consegue despertar no coração dele um amor genuíno.
O pequeno ator que interpreta Sanja é simplesmente perfeito. Com um olhar profundamente expressivo, ele consegue transmitir toda a força de seus sentimentos: medo, raiva, indignação, amor e dor. É maravilhoso vê-lo atuando e apreciar, com a ajuda da câmera de Vladimir Klimov, os detalhes de seu rosto belo e angelical. Aliás, são impecáveis a fotografia, o figurino e a direção de arte, contribuindo para que este se torne mais um clássico do cinema.
Existem os dramas humanos, como todos conhecemos... e existe a filmografia russa que transporta para as telas toda dor, desamparo, desespero e o caos sentido pelas pessoas em um país marcado pela desilusão.