Fruto da primeira fase do cinema de Werner Schroeter, que rendeu alguns dos filmes mais radicais do Novo Cinema Alemão, Willow Springs centra-se na relação de três mulheres que vivem reclusas no Deserto de Mojave, na Califórnia. Formando um culto com uma hierarquia e leis próprias, elas seduzem e matam homens desprevenidos que atravessam o local. Tudo muda com a chegada de um rapaz singular que põe à prova a coesão do grupo.
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Graças ao convite de amigos cineclubistas, este filme foi o pretexto para que eu finalmente mergulhasse na filmografia schroeteriana. E achei, dentro do que vi até agora, um de seus filmes mais acessíveis. O fragmento de trama é bastante acompanhável, em suas repetições frasais, na narração entrecruzada de pensamentos (bastante similar ao que lemos em "Enquanto Agonizo", de William Faulkner) e nos jogos de superposição (re)ativa entre os quatro personagens, três mulheres passivo-agressivas e um rapaz belíssimo. Os rompantes musicais são exuberantes e os enquadramentos retomam a lógica do 'tableau', que parece recorrente na obra do diretor. Se, noutros filmes, fiquei muitíssimo incomodado com a falta de sincronia entre imagem e som (em que seqüências importantes são apresentadas de maneira silenciosa), aqui este recurso serve como anúncio de um 'flashforward' onírico. Fiquei querendo mais ao final: filme de imersão, mais uma vez, que também remeteu-me à estética de Paul Morrissey. Seguirei apaixonando-me pelo Werner Schroeter, portanto! (WPC>)
Muito bom, Magdalena muito cruela com aquela mãozinha na cintura rs
chinawoman - party girl
Bonito.
Werner Schroeter sabia utilizar a imagem de suas musas como poucos. Existe algo de absolutamente intrigante na relação hierárquica religiosa entre as três personagens femininas apresentadas, e no culto misândrico destas que prega a abnegação ao amor e a todo sofrimento causado pelos homens.
Constantemente, a narrativa é interrompida por tomadas contemplativas de Magdalena Montezuma, que beiram o mais elegante fetichismo melodramático de Schroeter, numa espécie de homenagem a golden age do cinema norte-americano.