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Delicado, sutil; é o tipo de filme que compacta uma enxurrada de beleza em cenas simples.
Timothy é
ingênuo, espontâneo, sensível — todas as características de uma criança adorável estão presentes nele. É difícil não querer que um filho seja como ele.
Cindy e Jim são um casal
com uma cumplicidade invejável — o modo como dialogam, como fazem os planos, até como brigam, tudo neles têm uma intimidade profunda.
Os cenários do filme,
com os campos verdejantes, plátanos, florestas temperadas, são fabulosos; os cenários deixam um ar de conto de fadas no filme e são uma das coisas mais bonitas.
E o final do filme
é dessas coisas que não podiam ser de outro jeito, mas dão uma tristeza enorme mesmo assim.
É um filme bonito, muito bonito.
A primeira parte é maravilhosa. Retrata tão bem: a) solidão; b) os imprevistos de viagens longas; c) o quanto a realidade não é conto de fadas onde todos os nossos desejos se realizam como bem queremos. É que o foco nas trilhas dos trens, nos grandes prédios das metrópoles, nos acidentes geográficos — a imensidão de tudo isso contrasta com a impotência dos dois amantezinhos. O mundo não girava em torno deles, mas contra eles:
precisavam mudar de cidade, os trens atrasavam, perdiam cartas e assim por diante.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Esse filme, apesar de pioneiro de gênero, tinha tudo pra ser uma chuva de estereótipos manjados alegrados por cenas de danças bem legais, "altas confusões" colegiais e romances bobos no final.
Aliás, essa é bem a impressão superficial que fica: estereótipos e uma história boba.
Só que, ali pelo meio do filme, tem a representação de um fenômeno humano maravilhoso:
esse gesto tão humano de contar histórias, de partilhar verbalmente os infortúnios da vida, ainda que sejam bobos, ainda que sejam ridículos, ainda que sejam melodramáticos; esse fenômeno de ouvir o sofrimento alheio e acolhê-lo, em parte com julgamentos, em parte com afeto, é muito bem realizado. Quando se reúnem em pequenos grupos e desabafam, ali começam as uniões afetuosas, ali os laços se atam, ali os amores&paixões implodem e ali é onde o perdão contra as ofensas disparadas pode acontecer. É esse jogo de desabafo-acolhimento que amarra um ao outro.
Se precisasse encontrar uma explicação pro fato de que esse filme tenha se tornado um clássico, escolheria essas cenas em que fazem um ping-pong de escuta e partilha de dores. Muito humano.