Últimas opiniões enviadas
28 Years Later não é apenas uma continuação de uma franquia de horror viral... É um filme que rompe com a estrutura clássica de "zumbis" para propor uma meditação sobre humanidade, memória, amor,
Memento Amoris
Memento Mori.
Boyle e Garland transformam o apocalipse em um ''laboratório'' ético e emocional, onde cada personagem encarna não apenas a luta pela sobrevivência, mas o peso do luto, da história e da reconstrução moral.
A estética é propositalmente crua: tomadas com câmeras de celular, cortes secos, ruídos ambiente intensificados. Isso tudo não só nos coloca na pele de quem sobreviveu por instinto, mas também de quem carrega culpa e vazio.
A fotografia nas paisagens naturais da Escócia cria um contraste brutal: a beleza intocada da natureza contra a selvageria que resta do ser humano.
Alphas!
A trilha sonora, que foi composta pelos Young Fathers, acompanha tudo como um sussurro, ela paira por cima delas. Quase como se fosse a própria consciência do filme, lembrando o que se perdeu, o que não volta mais.
Spike, o protagonista, não é um protagonista convencional. Ele é um iniciando, quase um "avatar mítico" que atravessa o horror para renascer. Sua jornada é muito simbólica:
perder a mãe,
Esse ato entre Spike e Kelson foi pra mim um dos melhores pontos do filme. Diferente de mentores clássicos (como Obi-Wan, Gandalf, etc.), Kelson não oferece uma missão clara ou um código moral, ele oferece um espelho rachado. Suas falas são carregadas de melancolia, ironia e um conhecimento de mundo que Spike ainda não tem. Kelson não diz para Spike lutar. Ele não o treina com armas, não o inspira com discursos heroicos, e muito menos transforma Spike num "soldado".
Ele ensina Spike a assumir o peso da escolha moral num mundo onde todo mundo está tentando fugir dela.
Nas cenas finais, Spike não levanta a arma com raiva, nem corre como alguém em pânico. Ele só olha. Como se visse mais do que corpos deformados. Como se enxergasse pessoas que um dia sorriram, sofreram, amaram. (O monólogo de Kelson ao mostrar a pilha de crânios pro Spike foi bem impactante pra ele.
É como se ele dissesse: “Eu ainda me lembro de vocês.”
E mesmo com medo, mesmo sozinho, ele segue em frente.
Não porque quer ser herói. Mas porque alguém precisa lembrar.
Alguém precisa segurar, nem que seja por um fio, o que ainda resta de humano no meio do fim e essa foi a lição de Kelson. Não lutar por glória, mas caminhar com o peso da memória, mesmo quando todo o resto já esqueceu.
A comunidade insular apresentada no filme reflete um microestado autoritário: tem leis morais rígidas, vigilância constante, cultos à ordem e punição feitas com rituais. A pergunta que ficou pra mim, de forma pertinente: quando tudo acaba, o que reconstruímos: uma civilização ou uma nova forma de medo?
28 Years Later é uma obra distópica com várias camadas: políticas, existenciais e poéticas. É um filme sobre infectados e também sobre o que nos resta de humano (e o que não resta) quando tudo desaba. Garland e Boyle entregaram uma obra, que pra mim, foi indescritível. Cara, esse filme não dá respostas, ele devolve perguntas.
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
O novo filme do Quarteto Fantástico é, sem dúvida, um dos projetos mais estilisticamente ousados do MCU com a sua proposta retro-futurista, que fundamenta o tom do filme. Em meio a uma estética que remete ao modernismo espacial dos anos 1960, o filme constrói um ambiente visualmente coeso e autoral, algo BEM raro na atual fase da Marvel.
A temática da família, central na narrativa, é tratada com atenção e sensibilidade.
A gravidez de Sue, o dilema sobre o futuro do bebê e a relação fraternal entre os quatro personagens dão ao filme um pilar emocional genuíno.
Até aqui, tudo ok, mas aí começa a vir os problemas.
O filme estava a caminho de ser um 9 ou 9.5, fácil. Mas há um ponto que quebra tudo: o tratamento vergonhoso de Galactus e da Surfista Prateada.
Não é questão de expectativa alta ou saudosismo de HQ, mas questão de respeito à mitologia construída. Galactus é uma entidade cósmica que não apenas simboliza destruição inevitável, mas também discute conceitos existenciais como vida, balanço, ciclos do universo.
Nos quadrinhos, ele já superou Thanos com Joias, deuses cósmicos e até entidades do tipo Eternidade. No MCU? Ele é segurado sozinho por Sue Storm. SOZINHA. Ok, como já supracitado, MCU não é HQ. Mas mesmo na adaptação para as telas, Galactus é sim inicialmente construído como uma imensa ameaça, pra no final mostrar-se desvigoroso. Ele aparece no início com um impacto visual (que de fato está muito fiel) e impressiona, mas se torna raso, sem ameaça real, sem presença narrativa, sem dilema ético forte. Tudo o que poderia tornar Galactus um divisor de águas no MCU é desperdiçado em nome de um clímax apressado e talvez um pouco covarde.
A Surfista Prateada (Shalla-Bal, interpretada por Julia Garner) parece um enfeite de luxo na narrativa, só pra compor o cenário cósmico do filme e sua relação com Galactus, que nos quadrinhos é ambígua, trágica, quase religiosa, é aqui apenas protocolar. Não há conflito, não há tensão, não há transformação.
É meio frustrante.
Tudo que envolve o Quarteto, visualmente e tematicamente, funciona, incluindo o ritmo irregular do roteiro, é totalmente perdoável diante do carisma do elenco e do cuidado na construção emocional.
Mas quando se pisa num campo cósmico onde Galactus reina soberano como figura mitológica, você não pode tratá-lo como um vilão genérico ou domesticado.
O filme quase foi grandioso, mas pra quem conhece a magnitude do que Galactus representa, não só nos quadrinhos, mas no próprio filme, bem dito como o devorador de mundos, é meio impossível não sair do cinema com a sensação de que entregaram ouro para depois transformar em cobre.