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Existem comunidades tóxicas masculinas e femininas também mas são minoria. As pessoas que concordam com a narrativa da série, são as mesmas que acham, num caso extremo, que jogos de luta ou tiro deixam os adolescentes violentos e que quando aparecer um caso ou outro, que no caso da série são distorcidos dos casos reais, vão buscar essa correlação sem avaliar outros fatores. Um exemplo: "Foi comprovado que pessoas que tomam sorvete morrem mais no verão". Ao mesmo tempo que a série mostra problemas verdadeiramente reais na vida dele como bullying, falta de atenção dos pais, a narrativa tenta culpabilizar todas comunidades masculinas, sendo que o desenvolvimento de um assas..no é sempre multifatorial.
A série gerou intensas discussões sobre a representação da masculinidade moderna, a influência da machosfera e sua relação com crimes cometidos por jovens. A trama segue Jamie Müller, um garoto de 13 anos acusado de cometer crimes contra meninas do seu colégio, sugerindo que sua motivação está ligada ao envolvimento com comunidades online como "Red Pill" e "Incel". Embora se declare "baseada em fatos reais", a série distorce aspectos essenciais desses eventos, distorcendo a realidade para se encaixar em uma narrativa sensacionalista, alimentando preconceitos e simplificando complexidades sociais.
Os casos reais que a série tenta retratar incluem o assassinato de Ava White, uma menina de 12 anos, que foi morta em Liverpool, em 2020, por um jovem branco de 14 anos que não estava envolvido com comunidades "Incel" e sim com o álcool. O assassinato de Eliane, também mencionado na série, foi cometido por um jovem negro com um histórico de agressões e problemas com drogas, mas a produção distorce esse caso para ligá-lo à ideologia "Incel". Esses casos, como o assassinato de Ava White, envolvem fatores complexos que não se limitam às influências das comunidades online, mas sim a questões familiares, psicológicas e sociais que a série desconsidera ao focar apenas na internet como vilã.
O fenômeno de "baseado em fatos reais" é uma estratégia recorrente no entretenimento para criar uma sensação de verossimilhança e apelo emocional. Contudo, muitas vezes isso manipula a percepção do público, transformando eventos trágicos em narrativas simplificadas. No caso de Adolescência, a série tenta associar assassinatos reais, como os de Ava White e Eliane, à cultura "Incel" e à radicalização online, embora tais crimes não tenham vínculo com essas comunidades. A distorção desses eventos enfraquece a discussão sobre os fatores reais que influenciam comportamentos violentos em jovens, como o contexto familiar, escolar e social.
Ao focar exclusivamente na internet como vilã, a série ignora fatores cruciais, como ambiente familiar e contexto escolar. No caso de Jamie, por exemplo, a série evita explicações tradicionais, como pais ausentes ou dificuldades financeiras, e apresenta como único vilão os debates masculinos online. Isso reduz a complexidade dos problemas enfrentados pelos jovens na questão da masculinidade moderna.
Além disso, a série falha ao retratar os "Incels", que são, na realidade, homens com sérios problemas de autoestima e dificuldades em formar relacionamentos. Embora muitos recorram à internet em busca de pertencimento, a série distorce essa realidade, apresentando-os como uma comunidade de ódio e violência contra mulheres. Essa abordagem cria uma histeria coletiva, impedindo um debate genuíno sobre as dificuldades emocionais que esses homens enfrentam.
A série também reforça equívocos ao caracterizar a teoria do "80/20" como uma conspiração, quando, na verdade, trata-se de um fenômeno observado em aplicativos de relacionamento como o Tinder, onde a maioria das mulheres tende a selecionar uma minoria dos homens. No entanto, essa pesquisa não se baseia completamente na vida real, mas em dados coletados em um ambiente específico, como os aplicativos de namoro, onde as dinâmicas podem ser bastante diferentes das relações no mundo físico. A série utiliza essa teoria para reforçar estereótipos de exclusão e desespero masculino, ignorando as complexas variáveis que influenciam os relacionamentos interpessoais.
Ao simplificar questões complexas e promover uma narrativa sensacionalista, Adolescência falha em explorar as raízes sociais e psicológicas dos comportamentos apresentados. Ao associar automaticamente todos os problemas à cultura "Incel" e às comunidades de ódio online, a série deslegitima discussões legítimas sobre os desafios da masculinidade na era digital, reforçando preconceitos e oferecendo uma representação distorcida e superficial da realidade, sem promover uma reflexão construtiva.
2 estrelas pelas atuações e plano sequência.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Adultos tomando as piores decisões possiveis. Efeitos práticos que não funcionam hoje. Pode entreter a criançada porque eu achei bem fraco. Prefiro 100x "O Grinch" pelo menos tem Jim Carrey